As discussões e as votações no Concílio Vaticano I e no Concílio Vaticano II

Lendo um dos excelentes livros do Pe Leonel Franca, encontrei a seguinte descrição das discussões e das votações no Concílio Vaticano Primeiro:

A proposta da infalibilidade foi discutida de dois modos; em geral, na Constituição dogmática “De Ecclesia” de que fazia parte, e em particular separadamente dos outros capítulos da mesma constituição. O primeiro debate prolongou-se por 14 congregações, e nele falaram, além do relator, 64, oradores; só foi encerrado por votação da maioria. A discussão particular sobre o capítulo 4 (da infalibilidade) durou 11 dias inteiros, durante os quais usaram da palavra 57 Padres. Só quando todos os oradores inscritos terminaram as suas considerações e nenhum outro pediu a palavra, se pôs termo ao debate. Que assembléia permite maior liberdade de discussão?

FRANCA, Pe Leonel; A Igreja, a Reforma e a Civilização; Ed Civilização Brasileira; Rio de Janeiro; 4 edição; 1934; pag 178

Quanto amor à verdade e quanta diligência com respeito à nossa Santa Religião podemos perceber nesta egrégia assembléia. Quanto empenho dos veneráveis Padres Conciliares em trazer aos escritos do Concílio a melhor forma de se expor a Santa Doutrina.

E no Concílio Vaticano Segundo, passou-se tudo da mesma forma que no Vaticano Primeiro? Pelo Regimento Interno aprovado por João XXIII, até teria sido. No entanto, o padre Ralph Wiltgen S.V.D., testemunha dos fatos do Concílio como jornalista, nos apresenta um cenário muito diferente:

Na reunião seguinte, em 26 de junho, a Comissão de Coordenação tomou novas medidas visando apressar os trabalhos do Concílio. Ele [Cardeal Döpfner] decidiu, entre outras coisas, fazer, no Regimento Interno, emendas que foram aprovados pelo Sumo Pontífice no dia 2 de julho. A partir daí, todos os Cardeais e Padres Conciliares que quisessem tomar a palavra deviam submeter ao Secretário Geral um resumo escrito da intervenção que tinham intenção de fazer, “ao menos cinco dias antes de ser aberta a discussão sobre o assunto”. Deste modo, qualquer refutação era praticamente impossível, ao passo que, conforme o Regimento Interno aprovado por João XXIII, todo Padre Conciliar que quisesse refutar uma declaração podia informar ao Secretário Geral seu desejo de tomar a palavra; e ela lhe era concedida tão logo terminava a lista de oradores. Durante a segunda sessão, um requerimento para isso precisava ser assinado por cinco padres; de agora em diante, em virtude de uma nova cláusula acrescentada ao Regimento, precisava-se ter, pelo menos, 70 assinaturas. Como era de esperar, esse número era de natureza a desencorajar qualquer um que não pertencesse a um grupo bem organizado; de fato, assim se conseguiu reduzir ao silêncio os pontos de vista das minorias.

WILTGEN, Pe Ralph S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; Rio de Janeiro; 2007; pg 151

Que maravilha, não? Os grandes “defensores da liberdade” simplesmente a negaram aos conservadores! Reduziram ao silêncio os que não estavam, como eles, organizados e com objetivos bem determinados. Quanta diferença entre o Concílio Vaticano Primeiro e o Concílio Vaticano Segundo! Quem é o católico que, em sã consciência, há de defender a atitude dos modernistas? E quem não enxerga aí o porquê de textos tão ambígos e defeituosos? Ora, os conservadores tinham dificuldade até de tomar a palavra para refutar os esquemas escritos pelas comissões concilares, compostas de modernistas. Não é nem um pouco difícil entender porque há textos concilares tão defeituosos.

Terrível golpe contra os conservadores, limitar-lhes a liberdade de refutar os esquemas escritos pelas comissões modernistas. Mas os ardis não pararam por aí. O livro de Pe Wiltgen está repleto de exemplos da conduta nada louvável daqueles que conduziram o concílio.

Vejamos este. Além de limitar as discussões e as capacidades de apresentar refutações, os modernistas tentaram até mesmo limitar o tempo disponível para os Padres Conciliares analisarem o esquema sobre a liberdade religiosa! Este esquema já havia sido discutido na aula conciliar quando, dois dias antes da votação, modificações enormes foram neles introduzidas, praticamente reescrevendo-o:

A brochura continha, além do esquema corrigido, um relatório de Mons Smedt, Bispo de Bruges, que deveria ser lido na quinta-feira e começava por estas palavras: “O texto que nós submetemos hoje à vossa aprovação difere grandemente do texto que foi discutido na aula”. O Coetus Internationalis Patrum, reunido em seu encontro semanal, estudou o esquema revisto e chegou a certo número de conclusões surpreendentes. Primeiro, enquanto o primeiro texto se compunha de 271 linhas, o novo tinha 566. Segundo, dessas 566 linhas, apenas 75 eram tomadas da versão precedente. Terceiro, a etrutura da argumentação era direrente, a apresentação da questão tinha sido modificada, bem como os princípios básicos e algumas das alíneas mais importantes dos artigos 2,3,8,12 e 14, que eram inteiramente novos.
Em conseqüência disto, o Coetus Internationalis Patrum considerou que de fato se tratava de uma novo esquema e que o procedimento a seguir era aquele que estava previsto no artigo 30 do parágrafo 2 do Regimento Interno, sob cujos termos os esquemas “deviam ser distribuídos de tal modo que os Padres Conciliares dispusessem do tempo necessário para se aconselharem, formar um juízo suficientemente amadurecido e decidir como votar”. Como devia haver Congregação Geral naquela quinta-feira, não se dispunha de tempo suficiente para examinar, de modo honesto e completo, um esquema que era praticamente novo. Ademais, os Padres Conciliares já estavam sobrecarregados naquela semana em que tinham que discutir os esquemas sobre a formação dos seminários, sobre a educação cristã e sobre o matrimônio, e se pronunciar, em dez escrutínios importantes, quanto aos esquemas sobre a Igreja, sobre as Igrejas Orientais Católicas e sobre o ecumenismo. (op. cit., pg 238)

O Coetus Internationalis Patrum escreveu, então, à Presidência do Concílio a fim de adiar a votação deste esquema, sendo que a petição recebeu mais de cem assinaturas. E esta não foi a única petição. Diante disto, o cardeal Tisserant resolveu fazer uma votação para decidir se o esquema deveria ser votado ainda naquela sessão ou adiado para a próxima. Mons. Carli, do Coetus Internationalis Patrum, apelou desta decisão absurda “porque não se pode pedir à Assembléia que decida se os artigos precisos de um Regimento Interno estabelecido pelo Sumo Pontífice devem ou não ser observados. Ou a petição dos cento e poucos padres não tem fundamento – e neste caso a Presidência do Concílio deve declará-la inadimissível, expondo as razões; ou tem fundamento, e assim ninguém, exceto o Sumo Pontífice, tem autoridade para descartá-la” (op. cit.,pag 239). O cardeal Tisserant se viu obrigado a adiar a votação.

Foi, então a vez dos modernistas redigirem sua petição, dirigida ao Papa, para que a votação se realizasse ainda naquela sessão. Quanta audácia! Pedir ao Papa para alterar as regras do jogo a fim de não dar tempo aos conservadores para analisar o esquema modificado na calada da noite! Felizmente, Paulo VI não se pronunciou, e a votação se realizou apenas na sessão seguinte do concílio. Mesmo não tendo alcançado seu objetivo, esta atitude dos modernistas é extremamente reveladora da má fé com que eles agiam para manipular o concílio. E citamos apenas um exemplo dentre tantos outros que são descritos em “O Reno se lança no Tibre”.

Quanta diferença entre as votações do Concílio Vaticano Primeiro e do Concílio Vaticano Segundo! E ainda há aqueles que, sem se darem ao mínimo trabalho de estudar a história dos Concílios, assumem com firmeza a postura de defender o Vaticano II como idêntico aos demais. Aí, então, escutamos as frases do tipo “quem aceita Trento aceita o Vaticano II”, “o bom católico não pode criticar um concílio da Igreja”, etc. Ah! Se ao menos se dessem ao trabalho de estudar o que foi o Vaticano II… O livro citado é um bom começo para entender o que se passou.

A apostasia de Heinrich Himmler

Uma vez que o prosseguimento do processo de canonização de Pio XII têm feito ressurgirem as mais absurdas e infundadas acusações de omissão deste Papa em condenar o Nazismo, creio que seja interessante dedicar alguns artigos para demonstrar a agressividade sem limites com que esta ideologia neo-pagã perseguiu a Igreja Católica.

Para começar, gostaria de transcrever o trecho de um livro que narra a apostasia de Heinrich Himmler, Reichsführer SS, organização à qual estava confiada, entre outras atribuições, o comando dos campos de concentração, e a quem estava subordinada a terrível Gestapo:

“Heinrich enfrenta também suas próprias convicções religiosas. Católico ardoroso, nunca falta à missa de domingo. Anota em seu diário todas as cerimônias religiosas a que comparece. São freqüentes citações deste tipo: ‘Nesta igreja, sinto-me bem‘. Sobre uma jovem por que alimenta discreta paixão, vem a saber que comunga cotidianamente; e anota em seu diário: ‘Foi a maior alegria que tive nestes últimos dias’.
A entrada na Burschenschaft estudantil obscurece suas relações com a Igreja. A ruptura não é imediata. Decidido inicialmente a não enfrentar suas convicções religiosas, é afinal arrastado pelo desejo de sucesso social. ‘Creio’, escreve Himmler em 15 de dezembro de 1919,’ que entrei em conflito com minha religião‘. E acrescenta – ele, o mesmo homem que mais tarde levaria milhares de SS a romper com a Igreja e que falava de entregar o Papa ao carrasco: ‘De qualquer maneira, aconteça o que acontecer, sempre amarei a Deus e ficarei fiel à Igreja Católica, ainda que ela me exclua de seu seio’.”
HÖHNE, Heinz; SS, A Ordem Negra; Bibliex e Laudes Editora; p. 38-39

Triste e impressionante relato de uma alma que abandonou o bom caminho para se tornar nada menos do que um genocida. Diante de tão estrondosa apostasia, como não bendizer os cuidados maternos que a Santa Igreja sempre teve ao proteger seus filhos das influências e leituras perigosas? Que visão límpida e que energia benfazeja a daqueles que instituíram e mantiveram por séculos o Index Librorum Prohibitorum! Quantas almas jovens poderiam ter se perdido por ler maus livros, de cujo conteúdo maléfico a sua inexperiência da vida não lhes seria capaz de alertar. Que solicitude a dos inquisidores que, afastando as almas do perigo das heresias, não somente lhes salvavam do abismo eterno, mas impediam que a peste da mentira se alastrasse. Muito ao contrário do que a propaganda anti-católica proclama, a Inquisção foi sim uma obra de caridade, que salvou não somente almas, mas também vidas. A Inquisição, não aquela da legenda negra inventada pelos inimigos da Verdade, mas sim aquela histórica, verdadeira, fundada e governada pela Igreja Católica, esta instituição foi extremamente pacificadora e protetora de seus filhos. E, quando a energia da inquisição não era necessária, os anátemas eram eficazes para separar dos fiéis os disseminadores do erro.  Ou, pelo menos, se manifestava com clareza o magistério para condenar o erro, de forma que qualquer fiel pudesse saber com certeza que tal doutrina é perniciosa. Por outro lado, quão desditosos aqueles que, como Himmler, não tiveram o braço forte que lhes apartasse do perigo!

Em outro trecho do supracitado livro, é dada uma noção do número de homens que Himmler, descumprindo sua promessa que lemos no final da citação anterior, afastou da Igreja:

“Seu ensino tende a fazer de cada soldado um nacional-socialista fanático, incapaz de discutir uma ordem, ainda que ela contrarie a moral tradicional. Esse ensino é acompanhado de uma forte propaganda anticristã. Seguindo-os, a VT se transformará em breve em uma fortaleza do ateísmo nazista. No fim de 1938, 53,6 % da VT abandonaram a Igreja. Só uma formação SS atinge percentagem mais alta: os Totenkopfverbände (69 %).” (op. cit.,pag 240)

O livro nos narra, ainda, alguns assassinatos de católicos cometidos pela SS: o Padre Berhard Stempfle (pag 89); Klausener, chefe de gabinete do Ministério dos Transportes e presidente da Ação Católica (pag 91); o chanceler austríaco Engelebert Dollfuss, católico de direita, que colocara o NSDAP fora da lei na Áustria (pag 161).

Vejam também o que diz um relatório do SD (Serviço de Segurança, orgão subordinado à SS) sobre a ação da Igreja contra o Nazismo:

A situação do nacional-socialismo nesta região (Colônia) tornou-se problemática em conseqüência da influência preponderante da Igreja Católica. É uma região-teste, que demonstrará se a revolução nacional-socialista tem possibilidades de impor-se ou não.” (op.cit.,pag 139)

Nada mal, para uma Igreja que é acusada de cumplicidade, não é mesmo?

Mas, e a atitude dos militares italianos, de grande maioria católica, qual terá sido diante dos judeus? Eis uma descrição:

Mas os representantes de uma potência militar da qual muitas vezes a Alemanha nazista zomba vão dar aos autores do genocídio uma lição de honra militar e de humanidade. Resolutamente, os oficiais do Exército Italiano, que ocupa desde novembro os departamentos do Sul da França, vão fazer fracassar a máquina de morte nazista. Já na Grécia e na Croácia, os homens do Duce se haviam recusado a tomar qualquer medida contra os judeus. O comandante do Estado-Maior italiano havia declarado ao chefe da organização Todt que os ‘excessos contra os judeus não estão de acordo com a honra do Exército Italiano’. Na Grécia, o General Geloso, comandante do II Exército Italiano, recusou-se a obrigar os judeus de seu território a usarem a cruz amarela e tomou medidas severas para proteger os judeus contra os anti-semitas gregos. Em Salônica, ocupada pelos alemães, o consulado italiano salva a vida de centenas de judeus, concendo-lhes nacionalidade italiana.
A atitude dos militares italianos na França apenas confirma uma posição tradicional. Em feveriro de 1943, o chefe de polícia de Lyon prende 300 judeus que serão deportados para Auschwitz. Um general italiano consegue a sua imediata liberação. No início de março, a polícia francesa prende numerosos judeus na zona de ocupação italiana; os militares italianos impedem a sua deportação. Em Annecy, cercam os quartéis da polícia e obtêm, à força, a liberação dos judeus que estavam presos.
Mas a capitulação do Duce, em 1943, vai privar os judeus franceses de seus protetores. A oposição italiana à obra de Eichmann já havia entretanto contribuído para a salvação da maioria deles: 80% dos judeus residentes na França haviam escapado às macabras fábricas nazistas. Por outro lado, essa oposição marca uma reviravolta na atividade dos finalistas: ela coincide com dois acontecimentos que levam a uma redução no ritmo dessa caçada sórdida: Adolf Hitler está perdendo sua velocidade e o Vaticano divulga certas revelações sobre a natureza das atividades de Eichmann na Polônia.” (op. cit., pag 214-215)

Ah! Como eu gosto dos livros antigos! Este livro, que eu comprei em um sebo (alfarrábio), foi impresso, em sua tradução portuguesa, em 1970. O que significa que o original, em alemão, é mais antigo ainda. E como é bom ler estes livros amarelados em suas páginas, mas livres da nigérrima manipulação anti-católica! Os livrecos “politicamente corretos” de hoje não são capazes de dar tão belos e claros depoimentos da atuação da Igreja contra o Nazismo.

Continuarei com este assunto em outro artigo, transcrevendo e comentando extratos de um outro livro.

Publicado em:  on janeiro 18, 2010 at 11:05 pm Comentários (2)
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Sobre a situação atual

Por que Sua Santidade Bento XVI não toma, de uma vez, todas as atitudes necessárias para restaurar plenamente a Igreja, a autoridade papal, a Santa Missa Tridentina? Esta é a pergunta que muitos se fazem.

Na conferência proferida em São Paulo, quando da última crisma, Dom Bernard Fellay  usou a imagem de um trem, que não pode fazer uma curva muito fechada senão descarrilha. Da mesma forma, se as autoridades romanas caminharam durante tantos anos se afastando da doutrina católica, não é de se esperar que a caminhada de retorno para a plena ortodoxia seja breve. Na mensagem de Fátima, Nossa Senhora descreveu uma procissão que se afastava de Roma e que, percebendo que estavam fora da cidade, empreenderam o caminho de volta. Esta tese foi muito bem desenvolvida pelo Prof Orlando Fedeli:

“Curioso que o sol não retornou a seu lugar no alto do céu subindo diretamente. Também seu retorno foi ziguezagueante, hesitante, “cambaleante”. Não retornou em linha reta, indicando que a Igreja retornaria à situação anterior à queda em meio a hesitações. A volta à posição normal de Roma será tão longa e tão ziguezagueante como a saída da posição normal e natural. Os Papas que determinarem a volta a Roma não o farão de uma só vez.”

(…)”No auge da crise, haverá uma intervenção sobrenatural que fará um Papa tomar o caminho de volta para Roma – para as duas colunas de salvação: a Missa e a devoção a Nossa Senhora. O Papa que iniciará esse retorno parece fazê-lo de modo vacilante. Ele cambaleia, hesita, chora, vendo os estragos causados por aqueles que deram uma orientação errada ao caminho da procissão e da nau.

Fátima: um “segredo” contendo um enigma envolto em um mistério

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=fatima3〈=bra

Se Roma se afastou, por tantos anos, da doutrina católica, não será com um único ato papal que tudo se encontrará novamente no seu devido lugar.

Pressões sobre o Papa

Repetindo a pergunta com a qual se abriu este artigo, poderíamos acrescentar mais estas: Bento XVI tem de enfrentar muitos lobos? Ele sofre grandes pressões? Há vários sinais a indicar que sim.

Na Áustria, Bento XVI aceitou a dispensa do Padre Gerhard Wagner, que fora nomeado bispo por Sua Santidade, mas que encontrou forte resistência dos modernistas, a tal ponto de fazer o padre pedir a referida dispensa.

A história da rebelião modernista agora se repete com o futuro Bispo de Guipúzcoa, Espanha. Esperamos que não se repita a atitude do papa e que ele possa, desta vez, enfrentar os lobos.

Pressionado ou não, Bento XVI continua sendo um enigma. Como, por exemplo, ao permitir a declaração das virtudes heróicas de João Paulo II.

Como entender as atitudes de Bento XVI? Não é tarefa fácil. Eu o vejo como verdadeiro Papa, legítimo sucessor de São Pedro; que, no passado, recebeu fortes influências modernistas, teve péssimas amizades com os teólogos “peritos” do concílio, do qual também tomou parte como perito; que, hoje, já se livrou parcial, mas não totalmente, destas influências; que, eu acredito, seja fortemente pressionado pelo clero modernista, tão bem descritos pelo termo “cloacas de impureza”, dito por Nossa Senhora em La Salette; e que, rezamos para isto, terá força para se livrar de todo modernismo e enfrentar estes lobos. Passar disso é fazer especulações demais.

As críticas

As apreensões de vários católicos não são desprovidas de sentido. Existem coisas terríveis que ainda ocorrem entre os conciliares, e tais fatos não podem nem devem ser escondidos. O católico é realista, enfrenta as dificuldades, por maiores que elas sejam, com ânimo forte, movido por sua fé e sua confiança em Deus. Enterrar a cabeça e fingir que tudo anda maravilhosamente bem é fugir da realidade.

Exemplo recente que demonstra a necessidade de se manter a lucidez é a encíclica Caritas in Veritate, cheia de erros. A análise feita pelo Prof. Orlando Fedeli sobre esta encíclia é muito superficial. Mesmo se se aceitar a tese do professor, não há motivos para se alegrar tanto porque encontrou alguma coisa boa em uma encíclica papal. Isto deveria ser o normal. Pior ainda é ignorar os erros graves nela contidos, e que foram apontados de forma breve, porém muito lúcida, pelo Prof. Angueth.

E as publicações de L’Osservatore Romano? Em uma edição, eles absolvem John Lenon, que se achava mais famoso que Jesus Cristo! Em outra, é a vez de recomendar os “Simpsons”. O católico mais ingênuo pode perceber que o jornal romano não é lá tão osservatore della vera religione, mas muito mais osservatore del “mondo”. Mundano mesmo, para falar o português claro.

Podemos facilmente encontrar outros exemplos absurdos. Como o congresso evolucionista dentro do Vaticano, que exlcuiu a participação de criacionistas. Ou, entre outras coisas, a falta de cuidado com as questões doutrinais, litúrgicas, canônicas, etc, para o retorno de  anglicanos à Igreja, trantado-os como se fossem tão próximos à Igreja quanto os cismáticos orientais, o que não são. Ou tantos outros fatos que poderiam ser citados.

Comparando com o pontificado anterior, estamos vivendo um momento de relativa alegria e esperança. Mas não há motivos para excessiva euforia. Se o pior da tempestade já passou, ainda não estamos em céu azul. Os fatos demonstram isso de forma inegável.

É difícil tomar uma posição definitiva. Por um lado, não vejo as coisas de forma tão pessimista como alguns a vêem, porque não acredito que a FSSPX irá assinar um acordo prático, por outro lado não deixo de dar razão àlgumas preocupações levantadas por muitos católicos, porque há muito  interesse dos modernistas em uma queda da FSSPX. O assédio existe, mais creio que a Tradição irá resistir. Por isso, prefiro seguir com cautela. Com esperança, mas não sem reservas.

Soluções intermediárias?

E o que pensar, por exemplo, das atitudes de Bento XVI a favor da Tradição, como o Motu Proprio Summorum Pontificum e o levantamento das excomunhões? Não há dúvidas de que representam um avanço em relação ao papado anterior. Mas estão muito longe de terem realizado a justiça, seja para com a Missa Tridentina, seja para com os baluartes da Fé Católica deste final de milênio. Certamente elas não podem ser aceitas como soluções definitivas. Tais atos somente podem ser admitidos como soluções intermediárias.

A missa fabricada por Bugnini com o auxílio de seis “pastores” protestantes, tão criticada pelo Cardeal Ottaviani, tão afastada do Sacrifício e tão próxima da ceia, poderia ser considerada a forma “ordinária” do Rito Romano, enquanto que a Missa Tridentina seria apenas a forma “extra-ordinária”? Claro que não. As duas “formas” são, na realidade, frutos de duas concepções opostas, uma formada pela religião de Deus, outra fabricada pela religião do homem. São duas teologias opostas, incompatíveis.

Mas, enxergando o Summorum Ponfificum como uma etapa, podemos dizer que trouxe bons avanços. Para a pessoa honesta, é necessário dizer, bastava a Bula Quo Primum Tempore. Este documento, de São Pio V, já garante, por si só, os direitos eternos da Missa Tridentina. Qualquer pessoa alfabetizada entende isso ao ler esta Bula, tal sua clareza e sua insistência nos direitos perpétuos desta liturgia. Mas, quem tinha acesso a este documento? Somente pela internet eu, e muita gente, ficamos conhecendo-o. Além disso, havia a tal afirmação, completamente sem razões, de que o tal “magistério vivo” havia mudado as suas disposições. Tal afirmação é incompatível com a doutrina católica mas, para as grandes massas, privadas de todo contato com os documentos tradicionais, poderia ser convincente. Agora, depois do Summorum Pontificum, nem mesmo este argumento absurdo pode mais ser usado. O magistério do papa atual diz com todas as letras que o fiel tem direito à Missa Tridentina. Assim, nem mesmo o absurdo argumento do “magistério vivo” pode ser usado para impedir a Missa Tridentina. Os bispos que negam a Missa Tridentina estão em clara desobediência ao Santo Padre Bento XVI. Já perderam totalmente a moral, o direito de exigirem alguma coisa dos fiéis. Este bispos são tiranos, verdadeiros intrumentos do demônio, como disse Mons Ranjith. A atitude deles contra a Santa Missa vai servir apenas para alertar os fiéis que há algo de muito errado na igreja pós-conciliar. Então, apesar dos defeitos, graves e que terão de ser corrigidos no futuro, o Motu Proprio Summorum Pontificum trouxe, sim, benefícios incalculáveis para a Igreja.

De uma outra forma, também o levantamento das excomunhões trouxe benefícios. Os bispos da FSSPX tiveram suas excomunhões levantadas sem aceitar os erros do concílio. A conclusão lógica, bastante clara, é que não é necessário aceitar incondicionalmente o concílio para estar em comunhão com a Igreja Católica. A questão da “regularização” canônica, quando for resolvida, afastará até as mínimas objeções que alguns, sem razão, ainda levantam contra a legitimidade dos sacramentos ministrados pela Fraternidade. A justiça para com Mons Lefebvre e Mons Castro Mayer ainda não foi feita, mas um dia será. Falta, ainda, o esclarecimento de que tais excomunhões foram nulas desde o princípio, nunca tiveram validade. Todos estes defeitos terríveis estão contidos no decreto de levantamento, que não pode ser aceito senão como uma vitória parcial, que ainda há de ser completada.

O que pensar sobre as conversações entre a FSSPX e o Vaticano?

O simples fato de se colocar em discussão o Vaticano II já demonstra a fragilidade deste concílio. Poderia ser posto em discussão Trento ou o Concílio Vaticano Primeiro? Claro que não. Mas o Vaticano Segundo pode, porque não foi dogmático nem infalível.

Além do mais, se Bento XVI estivesse realmente determinado a defender a posição radical do Vaticano II, ele teria escolhido os membros mais liberais do clero. E observe o caro leitor que “time” de hereges o papa não poderia ter “escalado” para defender o irenismo do Vaticano II! Mas ele não o fez. As escolhas de Bento XVI para os debates com a FSSPX esclarecem um pouco sua posição.

O mais importante de tudo, quando pensamos nas conversações, é que não há vitória sem combate. E, que combate melhor pode haver senão as discussões doutrinais? Durante longos anos a FSSPX buscou tais conversações, mas sempre lhe foram negados pelas autoridades romanas. Sempre lhes insistiam sobre o tal “acordo”, mas a Fraternidade resistiu, enquanto muitos outros tombavam no caminho, abandonando o bom combate da Tradição em troca de uma “regularização”.

Sinceramente, eu não acredito, de forma alguma, que, depois de tanto combate, a FSSPX aceitaria os erros modernos. Depois de ter visto tantos cairem pelo caminho, não seria agora que eles iriam se entregar. Não agora, depois de tantas vitórias, ainda que parciais. Houve sempre muitas pressões dos modernistas, e ainda há, para destruir a resitência da Tradição. O argumento, agora, é de que a Tradição recebeu muitas concessões e que, portanto, deveria retribuir com um “acordo”. Não creio que alguém caia nesta cilada. O que a Tradição recebeu foi o que lhe cabe por direito, e ainda não recebeu muito, dada a magnanimidade das disposições da Quo Primum Tempore, por exemplo. Sem mencionar a confusão doutrinal que ainda aflige os fiéis e que deve ser totalmente desfeita.

Faz relativamente pouco tempo que eu conheço a Tradição Católica. Como a maioria, fui descobrindo aos poucos a situação atual da Igreja, através da internet. Se eu apóio a Fraternidade, é porque ela é inteiramente católica e trava o bom combate da Fé com zelo extremo. Se Dom Fellay fizesse um acordo prático, eu não o apoiaria e, creio, muitíssima gente da Tradição também não. Mas não é diante dos homens, e sim diante de Deus, que se deve prestar contas. E, independente de qualquer pressão, eu acredito que a FSSPX irá cumprir o papel que tem cumprido tão bem durante tantas décadas: continuar sendo católica no meio de tanta apostasia. Ser “tradicionalista” é isto: simplesmente continuar sendo católico. Não é a pressão por uma “regularização” que deve nos mover, e sim a defesa da Verdade Católica face às inovações modernistas.

Seria útil uma regularização? Sim, seria para acabar com as últimas críticas daqueles que, ou ainda não se deram conta do estado de necessidade, por qualquer motivo que seja, e que não nos cabe julgar, ou então são hereges modernistas e querem ver a ruína da Tradição. Com a “regularização”, acabaria qualquer medo, qualquer receio de se frequentar a FSSPX. Acabariam as ridículas desculpas legalistas.

No entanto, mesmo havendo esta utilidade, ela é muito pequena se comparada com os riscos de um acordo apressado. É só ver o caso dos institutos que assinaram acordos práticos: acabaram na missa nova cheia de confentes e treatros e tudo o mais que não se deveria fazer durante a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário. E quando não se participa do “festim”, ao menos ficam em silêncio diante de tanta profanação. Ou abaixam a cabeça para as “autoridades” modernistas, como fez o IBP ao abandonar o Brasil no momento em que seu apostolado crescia a vista de todos.

A FSSPX está no caminho certo: discutindo teologicamente. E que a “regularização” venha quando não houver mais riscos para a Fé e quando os graves problemas doutrinários estiverem resolvidos. Sem pressa, sem atropelos. Enquanto isso, deixem os lobos uivarem.

Conclusão

Muito tímida esta minha colocação? “Em cima do muro”? Penso que não, que ela seja apenas prudente, cautelosa. Não salto de alegria com as atitudes de Sua Santidade, muitas delas até causam sérias preocupações. Mas também não acredito na “armadilha” para a Tradição, que alguns chegam mesmo a ilustrar com uma teia de aranha. E, se ela existisse, não iríamos cair nela, porque já sabemos muito bem que os “acordos práticos” sevem apenas para abandonar o bom combate da Tradição. Prudência, penso eu, é uma das virtudes mais necessárias no momento. E além da prudência, é claro, a esperança, a confiança que um católico sempre deve ter.

A este respeito, muito apropriadas são estas palavras das Sagradas Escrituras:

Os chefes falarão, ainda, estas coisas ao povo: ‘Quem está com medo e sente amolecido o coração? Vá-se embora para sua casa e não faça desfalecer o coração dos seus irmãos, como o seu próprio coração.’ (Deu 20,8)

A versão da Bíblia Sagrada em que eu li este versículo, da Ed. Santuário e Ed. Loyola, 2003, trazia-lhe estes comentários:

“Muitos motivos psicológicos justificam essa exclusão dos covardes. Mas é certo também que os medrosos e os covardes emcabeçam a lista dos réprobos por pecarem contra a fé e a confiança em Deus.”

Devemos ter confiança em Deus. Que a Igreja é indestrutível, cabe nos ainda alguma dúvida? Depois de todo o temporal que se seguiu ao concílio, de todo o poder que os modernistas chegaram a ter, do quanto a Santa Missa Tridentina e a doutrina católica estiveram ameaçadas, seria agora, no momento em que se está retomando, ainda que aos poucos, o bom caminho, seria agora a hora de se desesperar?

As discussões teológicas são o caminho para desfazer os erros do concílio, e elas já começaram. A capitulação da FSSPX através de um acordo prático é, até agora, apenas um pesadelo, cuja concretização Deus há de impedir. Apesar de toda apreensão, devemos admitir que estamos caminhando.

A Igreja superou todas as heresias, inclusive o arianismo, e está superando o modernismo. Muito lentamente? Sim, também acho. Mas quem somos nós para exigir alguma coisa? Deus não concedeu a Moisés, depois de guiar o povo por quarenta anos no deserto, a entrada na Terra Prometida. Por que nós exigiríamos de Deus a solução imediata da crise? Quem somos nós para não nos conformarmos com os desígnios do Altíssimo? Aproveitemos a situação atual, ainda desconfortável, para aumentar a nossa confiança em Deus, a Quem cabe a vitória e toda glória. Por enquanto, apenas cumpramos nossas obrigações e rezemos com confiança. É assim que eu penso.

Segundo aniversário deste blog

Por estes dias do Natal, este blog já está completando seu segundo aniversário. Sinceramente, neste ano, escrevi muito menos do que queria, por motivos profissionais e particulares. Além disso, estou reservando mais tempo para estudar, a fim de escrever artigos melhores e com abundância de argumentação. De qualquer forma, espero que o próximo ano seja mais produtivo.

Agradeço pelas visitas, que já somam quase cem mil, muito mais numerosas do que este blog merece, ainda mais por não ser atualizado com a frequência que eu gostaria.

Feliz Natal e um próspero e santo ano de 2010.

Publicado em:  on dezembro 28, 2009 at 8:45 pm Comentários (2)

Desculpem-me pela demora

Desculpem-me pela demora em retornar ao blog. Estive afastado por um tempo bem maior do que havia imaginado. Vou gastar algum tempo para me atualizar das novidades.

Quanto aos comentários, estou com mais de cem para serem analisados e, por isso, peço que tenham paciência. Pelo visto não adiantou nada eu avisar que iria ficar sem internet, pois teve gente me acusando de não querer publicar comentários. Mas o grande problema não são estes juízos temerários, e sim o conteúdo dos comentários. A política deste blog é de aprovar todos os comentários, a favor ou contra nossa posição, desde que mantenham a moralidade. Desgraçadamente, há quem não tenha o mínimo de civilização e bons modos, o que nos obriga a ler cuidadosamente cada comentário submetido. Uns dos piores casos, e recentes, foi o de uma protestante que se referiu aos santos mistérios do Natal de Nosso Senhor utilizando-se do verbo “parir”. Com certeza nenhum comentário deste nível, tão ofensivo à Santíssima Virgem Maria e seu Divino Filho será publicado. Quando li aquilo cheguei mesmo a pensar em fechar os comentários do blog. Por enquanto ainda resisto, mas qualquer texto enviado somente será publicado depois que eu o ler cuidadosamente. E tamhém serão publicados quando eu tiver tempo para respondê-los.

Os novos artigos devem demorar alguns dias para serem escritos, enquanto eu estudo o que está se passando de mais importante. À primeira vista, parece que a questão das discussões sobre o concílio merece uma atenção especial pela polêmica que está levantando.

Publicado em:  on dezembro 14, 2009 at 10:19 pm Comentários (6)

Breve afastamento

A partir de amanhã estarei sem internet. Espero resolver a questão o mais rápido possível.  De qualquer forma, a publicação de artigos e a moderação de comentários ficarão prejudicadas.

Publicado em:  on novembro 12, 2009 at 9:56 pm Comentários (1)

Download – Rosário em latim

Disponibilizamos para download, no link abaixo, o manual para oração do Rosário, em latim, confeccionado e compartilhado conosco por nosso leitor Elielton, a quem agredecemos a gentileza:

ROSARIUM CORONA PERFECTORUM

Publicado em:  on novembro 9, 2009 at 8:39 pm Deixe um comentário
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Por que tantos ataques pessoais?

Continuemos com nossas respostas aos questionamentos.

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Por que tantos ataques pessoais? Por que vocês atacam tanto os líderes da RCC? Não sabem que maledicência é pecado?

Não! O que nos move em nosso combate não são ataques pessoais. Não é uma ou outra pessoa particular que visamos. O que combatemos, antes de tudo, são heresias e outros erros. Mas não há como combatê-los sem mencionar que os propaga.

Maledicência é falar mal de alguém com o objetivo de prejudicá-lo de alguma forma, seja em sua reputação, em suas relações sociais, pessoais, etc. Vamos mostrar através de exemplos que não é isso o que fazemos aqui.

Tomemos o caso do jejum e a abstinência que a Igreja nos impõe como obrigatórios. Vamos supor que eu viesse a saber que uma pessoa não cumpriu tal mandamento. Caberia a mim dirigir-me a ela e dizer que o que ela fez está errado, que ela está desobedecendo um mandamento da Igreja. Isto seria uma correção caridosa. Se, do contrário, eu saísse espalhando para todo mundo que tal pessoa não cumpre o mandamento, isto seria pecado da minha parte. Não teria função de corrigir a pessoa, senão de rebaixá-la.

Muito diferente da situação hipotética desta pessoa que cometeu um pecado, foi o fato denunciado neste blog e que gerou tantos protestos dos carismáticos. O Felipe Aquino disse que era facultativo o jejum que a Igreja ensina ser obrigatório. Aqui, então, já vemos uma grande diferença com o caso anterior. Já não é mais um pecado pessoal, e sim um ensinamento errado, que pode levar muitas pessoas a pecar contra o mandamento da Igreja. Se alguém se propõe a ensinar religião, deve tomar todos os cuidados para não ensinar nada de errado. A responsabilidade de quem quer trabalhar pela salvação da almas é muito grande. A partir do momento em que alguém se apresenta como professor de religião, o que ele ensina já não está mais no domínio privado. Logo, é muito fácil perceber que não se trata de uma questão pessoal, mas sim pública. E isto nos obriga, enquanto cristãos batizados e crismados, a defender a Fé Católica contra qualquer erro.

Outro exemplo. Suponhamos que uma pessoa cometa adultério. Se eu sair espalhando por aí tudo o que fiquei sabendo, sejam boatos ou mesmo fatos verdadeiros, estarei difamando as pessoas envolvidas. Isto seria algo indigno de um cristão. Caberia, sim, a orientação particular.

Muito diferente é o caso do Pe Fábio de Melo dizer na televisão que “pode ser que um dia a Igreja reveja a lei sobre a comunhão de casais de segunda união”. Caímos novamente no caso da defesa da Fé. Porque os tais “casais de segunda união” estão, aos olhos de Deus, cometendo pecado gravíssimo de adultério. A partir do momento em que um padre vem publicamente dizer algo que possa desfalecer nos fiéis a certeza de um mandamento da lei de Deus, a questão já não é mais particular, e sim pública. Se ficarmos em silêncio, muitas pessoas podem começar a crer nos ensinamentos errados de tal padre, e cairiam assim em graves pecados. A nossa obrigação de cristãos, então, é combater tais erros.

São, portanto, situações muito diferentes aquelas que combatemos aqui e aquelas que configurariam pecado de maledicência. É muito fácil perceber que não estamos tratando aqui de fraquezas pessoais, que deveriam ser corrigidas caridosamente em particular, mas sim de questões graves de defesa da Fé, o que impõe que seja publicamente defendida a ortodoxia católica. Não existe, como nos acusam alguns carismáticos, nenhuma intenção de fazer “fofoca” da vida alheia. O que existe, e isto é muito fácil de entender, são situações em que se faz necessário defender a Fé e a Moral católicas.

Está certo, reconheço que eles erraram. Mas, por que vocês os advertem publicamente? Conversem com eles em particular. Tenho certeza de que serão ouvidos.

E quem disse que nós já não tentamos conversar com eles? Tentamos sim, mas não fomos bem recebidos porque eles não querem debater conosco. Pelo contrário, eles já manifestaram abertamente seu desejo de calar nossa boca.

Assim, se eles continuam ensinando publicamente coisas contrárias à Fé da Igreja, torna-se necessário demonstrar também publicamente que os seus ensinamentos não estão em conformidade com a Fé Católica.

Ninguém menos que São Tomás de Aquino nos ensina que, estando a Fé em perigo, a sua defesa dever ser pública, até mesmo se quem erra são prelados da Santa Igreja: “Havendo perigo para a Fé, os prelados devem arguidos, até mesmo publicamente pelos súditos.”  Suma Teológica, II-II, 33, 4. 2.

Os carismáticos, em vez de fazer seus discursos afetados de emoção, deveriam entrar no mérito da questão, debater nossos argumentos. Deveriam  ou provar que eles não são válidos, ou então curvar-se à evidência de que os líderes da RC”C” estão em desacordo com a doutrina católica. Nós estamos tentando travar um debate teológico, em alto nível, com argumentos, apoiados não na nossa opinião particular, nem nos nossos pensamentos pré-concebidos, mas sim na doutrina da Igreja. São os carismáticos que sempre levam para o lado pessoal aquilo que deveria ser objetivo.

O que os líderes carismáticos fizeram contra vocês para que os odeiem tanto? Vocês devem ser movidos pela inveja.

Não, eles não fizeram nada particularmente contra mim. Os líderes carismáticos cujas doutrinas são combatidas aqui – Mons. Jonas Abib, Felipe Aquino, Pe Joãozinho, Pe Fábio de Melo, etc – não fizeram, no plano natural, nada contra mim. Eu não os conheço pessoalmente, nem sequer moro na diocese deles.

O grande problema, que os carismáticos não querem aceitar, é que as doutrinas que eles pregam são incompatíveis com a Fé Católica. A questão é bem objetiva, mas eles querem levar para o lado subjetivo, pessoal.

Mil vezes repetimos, mas há quem não queira entender: o que move nosso combate é a defesa da Fé, terrivelmente distorcida pela RC”C”. Não é o indivíduo A ou B que queremos “atacar”, como nos acusam. Mas, na medida que estas pessoas levam confusão à mente dos católicos, temos a obrigação de defender a verdadeira Fé.

E isto nós procuramos fazer objetivamente, com argumentos, apoiados na doutrina bimilenar da Igreja. Basta ler os artigos das várias publicações católicas para ver como são objetivos: comparam a doutrina católica e a doutrina carismática e demonstram como são diferentes. Quando será que os nossos adversários vão parar de apelar para a emoção e para o subjetivismo e vão contra-argumentar objetivamente? Este é o princípio de todo debate sério.

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Sei que ficou repetitivo e enfadonho, mas creio que seja necessário. Continuaremos em um próximo artigo.

 

Publicado em:  on novembro 1, 2009 at 10:40 pm Comentários (8)
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Primeiro manifesto internacional contra o comunismo

Bela iniciativa da Europa civilizada: um manifesto internacional contra o comunismo, que pode ser assinado no site:

http://praguedeclaration.org/

A tradução para o português pode ser lida no blog Nota Latina:

http://notalatina.blogspot.com/2009/10/primeiro-manifesto-internacional-contra.html

O manifesto foi organizado por quem já sofreu o horror do totalitarismo comunista e conhece bem os crimes que esta ideologia nefasta já cometeu.

Enquanto isso, em terras tupiniquins… Por que a CNB do B não dá o mínimo apoio a camapanhas deste tipo? Eles não gostam tanto da “paz” que apóiam campanhas de desarmamento civil? Se, para eles, o cidadão de bem deve ser desarmado, então por que não combater a ideologia mais assassina que já houve neste mundo?

Eu sei a resposta. Quem está lendo neste momento também sabe. Os digníssimos membros da CNBB sabem melhor do que ninguém qual a ideologia que os move. De fato, todos sabem a resposta. Mas há quem finja não saber e ainda queira dizer que devemos obediência a estes bispos vermelhos. Se a CNBB tivesse um breve “surto” de catolicismo, ela seguiria a ordem de tantos papas que condenaram o comunismo. Mas, o que esperar daqueles que agem como se a Igreja tivesse começado no Vaticano II?

Ainda bem que nossa esperança está em Deus, e não nos homens.

Publicado em:  on outubro 31, 2009 at 2:22 pm Comentários (4)
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Por que tanto ódio no coração?

Apesar de considerá-las extremamente óbvias, vou começar com este artigo a escrever as respostas às principais questões que os nossos adversários levantam contra nós. Seria desnecessário dizer, se tratássemos apenas com pessoas sérias, que estas respostas são minhas e que, certamente, há outros católicos que dariam respostas muito melhores que estas. Mas estou tentando fazer minha parte em responder, de forma simples e direta, as questões que são levantadas contra nós a fim de justificarmos nossa atitude diante dos católicos inocentes que se encontram perdidos no meio da crise atual, para que não caiam nos argumentos doces e pacifistas dos que semeiam o erro teológico e atacam os que querem defender a fé católica. As respostas são bem simples e diretas  a fim de esclarecer porque existem pessoas como eu que não se rendem ao clima de ecumenismo reinante após o concílio. Estas respostas não têm a menor pretensão de esgotar o assunto. Para os espíritos mais sagazes, que exigem abundância de argumentos, haverá outro artigos muito mais críticos e documentados. Vamos, pois, começar a responder algumas questões.

Por que tanto ódio no coração?

Esta pergunta já se tornou “clássica”. Sempre que, por exemplo, algum carismático encontra nossos argumentos contrários à RC”C”, eles lançam logo esta pergunta. Ela parte do pressuposto que todo combate é movido por ódio. Como se somente tivesse amor aquele que aceitacesse passivamente tudo o que vê.

O liberalismo, que tomou de assalto a Igreja, considera boas todas as opiniões, por mais absurdas que sejam. Contrariar uma opinião seria um desrespeito e prova de “ódio”. Do contrário, aceitar passivamente todas as opiniões seria prova de “amor”. Nada é mais contrário ao verdadeiro amor sobrenatural e também à doutrina católica.

Corrigir os que estão no erro é uma das obras de caridade espiritual, como nos ensina a sã doutrina católica. São Francisco de Assis, tão humilde e tão bom, em sua famosa oração, não pede somente para levar amor onde houver ódio, mas pede também para levar a verdade onde houver erro, e fé onde houver dúvida.

O verdadeiro amor, a caridade sobrenatural, não pode ser cúmplice do erro, da mentira, da heresia. Toda negação consciente de uma verdade revelada conduz à perdição eterna. Corrigir os que estão no erro é a maior prova de amor, pois assim se lhes tenta livrar da condenação.

Deus é Amor, mas também é Verdade. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Se Deus é a Verdade, quem está no erro está afastado de Deus.

(Nota: não se apressem a responder este argumento. Aqui, eu apenas expus a questão, sem preocupação de provar o que estou dizendo. Estou preparando outro artigo, bem mais longo e mais fundamentado, para demonstrar, com abundância de argumentos, que o amor não somente permite, mas sim exige mesmo, a correção daqueles que estão no erro.)

Por que vocês querem impor sua opinião?

Não, nós não queremos impor nossa “opinião”. O que estamos defendendo aqui não é nossa “opinião” particular, mas sim a doutrina da Igreja, tal como foi ensinada durante dois mil anos.

A Igreja Católica é Mãe e Mestra, pois foi fundada por Cristo para ensinar tudo aquilo que é necessário para nossa salvação. “Ide e ensinai” (Mt 28,19), foi a ordem que Nosso Senhor Jesus Cristo deu à Sua Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica. Se nós tivemos a graça de receber a mensagem de Cristo, temos também a obrigação de defendê-la e propagá-la. O que defendemos aqui não são idéias nossas, que nós inventamos, mas sim a pura doutrina da Igreja.

As idéias que combatemos, estas sim são opiniões de homens, introduzidas ao longo da história por grupos heréticos. Por mais que elas sejam comuns hoje em dia, durante esta crise, elas não fazem parte da doutrina da Igreja. Nunca foram ensinadas por nenhum Papa, nenhum concílio, nenhum santo ou doutor da Igreja. Pelo contrário, foram vigorosamente combatidas. Haja vista o exemplo do liberalismo, tão repetidamente condenado pelos últimos papas pré-conciliares, e hoje desgraçadamente tão penetrado na mentalidade dos fiéis.

Por que vocês insistem tanto em defender a doutrina? Não basta o amor?

Se Cristo não tivesse deixado uma doutrina bem definida sob a custódia da Igreja, cada homem teria de buscar, por suas próprias forças, a verdade. Na melhor das hipóteses, deveria entrar em “diálogo” com os demais homens para buscarem juntos a verdade. Mas ainda assim estariam limitados pela inteligência humana.

A história da filosofia demonstra claramente como a fraqueza da inteligência humana leva muito mais vezes ao erro do que à verdade. Há inúmeros sistemas filosóficos contraditórios não somente entre si mas até consigo mesmos.

A questão teológica é muito mais grave do que a questão filosófica. Que seria de nós se tivéssemos de buscar com nossas próprias forças as verdades sobre Deus? E aquelas mais necessárias para a salvação de nossas almas? Como saberíamos que encontramos a verdade se tívessemos de procurá-la no meio de várias doutrinas religiosas contraditórias entre si? Seria compatível com a bondade de Deus deixar-nos abandonados procurando as verdades religiosas por nossas próprias forças?

Este é já um forte argumento de razão. Mas podemos buscar argumentos de autoridade ainda mais fortes nas Sagradas Escrituras:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” (II Jo 1,8-11)

As palavras das Sagradas Escrituras são bastante claras. Quem se afasta da doutrina de Cristo não tem Deus. O herege é aquele que se afasta de Deus, porque se afastou de Sua doutrina. Tal é a gravidade da questão que Cristo não deixou a doutrina ao sabor das discussões dos homens, mas a confiou ao Sagrado Magistério: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10,16). Por isso, a Igreja Católica tem a obrigação de ensinar a doutrina que Cristo Nosso Senhor lhe confiou (Mt 28,19).

Assim, Deus não deixou para o homem a tarefa de buscar, apenas com suas próprias forças, a verdade sobre as coisas sagradas e necessárias para sua salvação. Se Ele o tivesse feito, como poderia o homem estar seguro da doutrina que defende se há tantos outros com opiniões diferentes dele? A Igreja, fundada por Cristo, dissipa as dúvidas e confirma os fiéis na doutrina ensinada por Cristo.

Portanto, a nós cabe defendermos não as nossas opiniões particulares, mas sim a doutrina que a Igreja sempre nos ensinou, sem a menor mancha, em seus dois mil anos de história. Por este mesmo motivo, devemos rejeitar qualquer novidade introduzida, por quem quer que seja, que contrarie o depósito da Fé (Gal 1,8s).

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Continuaremos as respostas em outro artigo.

Publicado em:  on outubro 19, 2009 at 10:34 pm Comentários (6)
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