Pode o homem mudar a liturgia?

Pode o homem mudar a liturgia por sua própria iniciativa? Nestes nossos dias de trevas, em que a Santa Missa é profanada pelos próprios sacerdotes e pelos leigos que se acham, todos, no direito de inventar uma nova liturgia, essa questão é mais do que pertinente. É uma verdadeira angústia, que acredito seja compartilhada por todos os fiéis que se indagam, perplexos, como chegamos a este ponto, onde o Santo Sacrifício da Missa foi transformado em espetáculo profano.

Uma resposta bem clara para essa pergunta pode ser encontrada nas Sagradas Escrituras:

Os filhos de Aarão, Nadab e Abiú, tomaram cada um o seu turíbulo, puseram neles fogo e incenso e ofereceram ao Senhor um fogo estranho, que não lhes tinha sido ordenado. Saiu, então, um fogo de diante do Senhor que os devorou, e morreram diante do Senhor. (Lv 10,1-2)

É Deus, e não os homens, Quem determina a forma como Ele deve ser adorado. A liturgia da Igreja Católica, vêm dos tempos mais antigos do Cristianismo, porque foi por Deus mesmo ensinada, e representa a própria a vontade d’Ele, a forma como Ele quer ser adorado.

A liturgia é o nosso culto prestado ao Deus Altíssimo, Àquele que, por Sua infinita majestade, merece o culto mais perfeito que Lhe possamos oferecer. E que não pode ser outro senão aquele que o próprio Deus nos ensinou.

Como pode ser o homem prepotente ao ponto de imaginar que pode “inventar” a liturgia da missa? Que grau de malícia e de impiedade não estão por trás das modificações aplicadas à Santa Missa, renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário! O que os modernistas fazem vai muito além de alterações, são verdadeiramente profanações, infinitamente piores do que o fogo estranho, que não tinha sido ordenado por Deus, oferecido pelos filhos de Aarão. Não foi sem os mais graves motivos que Nossa Senhora disse aquelas palavras severas nas aparições de La Salette e de Fátima. Palavras essas que não foram proferidas somente por conta dos pecados do “mundo”, mas também – que triste escrever isso – pelos pecados cometidos por aqueles que pertencem à Igreja.

E a nossa geração, até quando vai assistir ao “show” de profanações? Quanto tempo ainda permaneceremos na nossa lassidão, na nossa tibieza, assistindo de longe a todos esses abusos?

Devemos, também, acrescentar que não somente os abusos, mas a própria essência da missa nova é má, porque esconde o verdadeiro caráter de renovação do Sacrifício oferecido por Nosso Senhor Jesus Cristo. A carta do Cardeal Ottaviani o prova com abundância de argumentos e de exemplos. E esse documento não perdeu nada de seu valor. Podemos ler e reler a carta e comparar com a missa nova que conhecemos hoje em dia, mesmo aquela – raríssima – sem os abusos e improvisos, e veremos como essa missa é exatamente aquilo que o piedoso cardeal denunciou.

Além disso, conforme disse o Pe. Laguérie, superior do Instituto do Bom Pasto, em entrevista à Folha de São Paulo, a missa nova corresponde à teologia da década de 1960, enquanto que a Missa de Sempre corresponde à teologia que foi eterna na Igreja Católica.

Que a Santa Missa Tridentina, culto perfeito oferecido ao Deus Altíssimo, possa se tornar cada vez mais conhecida e celebrada!

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8 Comentários Leave a comment.

  1. Marcio,

    Deixo 2 perguntas:
    – o Papa não tem o poder de alterar a Liturgia? no seu texto esse ponto implicitamente é negado.
    – prefiro a Missa Tradicional, mas afirmar que a própria essência da Missa Nova “é má” não é pensar que as portas do Inferno prevaleceram. Afinal, é possível que um Papa promulgue um rito intrinsicamente mau?

  2. Faltou um ponto de interrrogação no texto acima…
    “prefiro a Missa Tradicional, mas afirmar que a própria essência da Missa Nova “é má” não é pensar que as portas do Inferno prevaleceram? Afinal, é possível que um Papa promulgue um rito intrinsicamente mau?”

  3. Ricardo,

    Salve Maria!

    Em relação às alterações na liturgia, o Papa mode modificá-la, movido pelo Espírito Santo, é claro, dentro dos limites que não a alterem substancialmente. De fato, houve alterações na liturgia anteriores ao Novus Ordo. A diferença é que neste último caso, não foram simples modificações, mas sim uma alteração substancial em toda a liturgia, feita sob a pressão de uma ideologia modernista, que feriu gravemente o sentido sacrificial da Santa Missa. Foi feita, praticamente uma nova missa, e que contraria, ou no mínimo, gera incertezas graves sobre a Fé católica.

    Pois bem, lemos o que disse São Paulo sobre mudanças na Fé:

    “Mas, ainda que alguém – nós ou um Anjo baixado do Céu – vos anuncie um Evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema.” (Gal 1,8)

    Além disso, São Pio V, proclamou, ex-catedra, através da Bula Quo Primum Tempore, que jamais deveria ser alterada a missa. Outro fator importante é que ele aboliu os missais que tinham menos de 200 anos de existência, à sua época. Todas essas medidas tinham como objetivo repudiar os erros do protestantismo que se formavam. A missa nova veio exatamente se aproximar dos erros protestantes, o que não é de se admirar, visto que seis pastores participaram de sua elaboração. Isso constitui uma afronta não apenas à ordem explícita de São Pio V, como um atentado à Fé Católica.

    Assim, se o Papa pode modificar a liturgia, não o pode fazer de forma a destruir os elementos essenciais e a identidade católica da Missa. A missa nova é tão protestantizada, que vários pastores declararam não haver problemas em celebrá-la junto com os católicos. Fácil, então, torna-se a constatação de que há algo de muito errado com a missa nova.

    Em relação às portas do inferno, elas não prevaleceram, de forma alguma, sobre a Igreja. Foi apenas uma batalha ganha, mas não a guerra. Já houve casos anteriores, como o de Santo Atanásio, perseguido por defender a verdadeira Fé. Mas a perseguição cessou, os inimigos arianos foram vencidos, e as portas do inferno não prevaleceram contra a Santa Igreja de Deus. Da mesma forma, a heresia do modernismo não prevalecerá contra a Igreja, ainda que já faça mais de 40 anos da sua triste vitória na batalha do vaticano II.

    Finalmente, vale a pena lembrar que nem o vaticano II, nem a proclamação da missa nova foram atos do magistério infalível da Igreja. Logo, o rito da missa nova pode ser, sim, intrinsecamente mau, sem que isso contrarie a infalibilidade papal. Isso quer dizer que, não somente os abusos cometidos no novo rito, mas ele mesmo. em sua forma original, já contém erros, ou sementes de erro, contra a Fé. Para constatar isso, basta ler a carta do cardeal Ottaviani.

    In Corde Jesu, semper,

    Márcio

  4. Tem gente que não tem o que fazer. Perder tempo com a ICAR. Missa antiga ou Missa nova, tudo a mesma coisa. Ninguem se importava no passado nem se importa hoje. Vai so para ficar bem socialmente. Ninguem vai me arrastar pelos cabelos pra ir ver missa. O tal padre marcelo leva uma multidao e eu achava que a ICAR estava renascendo das cinzas. Mas, ja que existe confusao dentro da propria ICAR, o sonho dos ateus está mais proximo: a ICAR se tornar de fato o nada que sempre foi. Viva o Estado laico!!!!

  5. Fernando,

    Você se impressiona com multidões?

    A Santa Igreja Católica está recuperando o que Ela sempre teve de melhor: a qualidade. E mais do que isso, está desempenhando seu papel na salvação dos homens, coisas que os agitados e barulhentos seguidores da RC”C” não podem fazer.

    Ah! Obrigado por externar o seu pensamento, ajuda os católicos a não caírem no erro do Vaticano II de se abrir para o mundo, como se este fosse receber-nos de braços abertos.

  6. Alô Partidários do contra CV II

    Leram o texto do acordo que a FSSPX, praticamente já aceitou.

    Deixar de falar mal do Papa e de criar confusão sobre o texto do CV II, afinal estes 48 anos de papo furado não resolveu nada e não ajudou a Igreja a se livrar destes tal Modernistas que voces tanto falam.

    Mas toda a Igreja Católica estará unida, FSSPX e RCC, juntas convertendo os Céticos modernistas que não são Igreja. “Que absurdo” “Talvés ?”

    Utopia ou não, o nosso inimigo não está dentro da Igreja, está fora dela, e precisamos resgatar os nossos irmãos perdidos lá fora.

    Rezemos pelo acôrdo.

  7. A FSSPX não “fala mal” do Papa. Ela se opõe aos erros modernos, que os papas pós-conciliares defenderam. A confusão foi causa pelo Vaticano II e sua ambigüidade, não pela FSSPX.

    Você vem dizer em Igreja toda unida, insinuando católicos e carismáticos “juntos”? A RC”C” é um dos maiores inimigos da Igreja Católica, e jamais poderá haver união entre os verdadeiros católicos e os carismáticos, que são modernistas.

    Rezemos pelo bem da Igreja, seja qual for o caminho que conduza a ele, sempre amparados na confiança de que Deus governo Sua Igreja.

  8. Olá amigos

    Contra RCC, vejo que voces não desistem mesmo.

    A RCC não é modernista, é sim tradicionalista ao extremo.

    Não aceitamos o novo ou moderno e sim o renovado e renascido do Espírito Santo para recuperar a espiritualidade dos primeiros Cristãos.

    E aí Márcio, irá entrar para a festa na casa do filho pródigo ou realmente prefere perder a salvação do que partilhar a salvação com seu irmão pecador e protestante, lindo e Santo.

    Já que voce não aceita o CV II, rasgue todos os outros e fiquemos apenas com a bíblia, para que uma metralhadora se podemos vencer a guerra somente com um canivetinho ?

    Ou como se diz, foi apenas com uma pedrinha que Davi matou o maior guerreiro de todos os tempos.

    Prefiro mesmo o conselho de Gamaliel, aquele que formou Saulo que se tornou perseguidor dos Cristãos, mas para não fugir ao conselho de seu mestre acabou provando a sua sabedoria.

    Se não pode com eles, Junte-se a eles …

    Vem Espírito Santo e invada o meu coração, venha dos quatro cantos do céu e derrame sobre mim os teus dons maravilhosos, Senhor muito obrigado.


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