Ataques e blasfêmias contra a Missa de Sempre

Em outro artigo, eu desmenti uma das muitas acusações que o Falsitatis fez contra os católicos tradicionais, a de que nós cairíamos em excomunhão ao rejeitar a missa nova. O estudo da situação, no entanto, mostra exatamente o inverso: quem rejeita a Missa de Sempre está excomungado, e a missa nova contém implicitamente uma crítica à Missa de Sempre.

Naquela oportunidade, eu falei apenas da crítica implícita que existe na missa nova. A simples atitude de se criar uma nova missa, no mínimo, queria dizer que a antiga não estava boa – o que é um absurdo, pois a Santa Missa de Sempre é perfeita, como definiu dogmaticamente o Concílio de Trento. Mas não foi nada difícil encontrar ataques abertos contra a Missa de Sempre. Os textos que vou citar abaixo, de defensores da missa nova, mostram como eles desenvolvem explicitamente a crítica à Missa de Sempre que estava velada na simples criação da missa nova.

Uma breve passada no fórum de discussões do site Paróquias, mais especificamente na discussão sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, nos mostra como os modernistas recusam a Missa Tridentina e proferem contra ela os mais absurdos preconceitos e blasfêmias. Não somente nessa discussão, mas em muitas outras, se pode perceber qual a atitude dos defensores do Vaticano II e da missa nova contra tudo que diz respeito à Tradição católica. Os ataques deles chegam às blasfêmias, às piadas, ao mais puro ódio contra tudo o que é legitimamente católico.

Somente a discussão sobre o Motu Proprio se estende por 27 páginas, o que dificulta a análise completa da mesma. Os absurdos em matéria de doutrina precisariam de um livro para serem desmentidos. Mas algumas citações serão o bastante para mostrar o ódio modernista contra a Missa Tridentina e os católicos tradicionais (os sublinhados são meus):

3) Sobre as missas com palhaços, baldes d’água, mulheres barbadas e ursos ciclistas. Além dessas agora existirão outras atrações: as missas presididas pelos reis momos ornamentados em trajes carnavalescos de gala, repetindo palavras desconhecidas pela platéia, em número reduzido mas não menor que 30.

No lugar de lutar para elitizar o circo, os medievais fariam melhor se repensassem a sua noção de igreja. A cada dia que passa se parecem mais com fósseis vivos. Certamente que uma missa não devia se parecer com show de rock, nem com festinha de criança, nem com um flashback da idade média.

A missa é uma oração da assembléia cristã, é um encontro de iniciados, dos discípulos que se reunem para fazer memória do nascimento, vida, morte e ressurreição do Cristo. A Assembléia se encontra no evangelho e, na sua maior parte, as confusões e divisões acontecem qdo se afastam das Escrituras. Dá até calafrio qdo começam com dinâmicas de gosto duvidoso ou alguma outra coisa estranha para chamar a atenção. Qdo acham que isso é preciso então é o reconhecimento de que ali não se encontra mais a Assembléia, trata-se já de uma platéia, e o teatro já está condenado ao fracasso pq os atores são amadores e a peça é sempre a mesma. Cansa!

http://www.paroquias.org/forum/read.php?1,39400,page=2

Pobre alma a que escreveu as linhas acima! Chama a Santa Missa no rito tridentino de circo, os seus paramentos litúrgicos de “trajes carnavalescos de gala” e diz que essa Santa Missa cansa!

E esta outra crítica à Missa Tridentina, levada para o lado do subjetivismo:

O rito Tridentino é para ti mais exigente. Para mim é aborrecido de morte. O rito tridentino dá-te um sentimento de proximidade a Deus, a mim faz-me sentir desoladamente abandonado numa mecanização de movimentos estudados e repetidos à exaustão como se fosse um hábito. O rito Tridentino é belo, para mim belo é estar 2 horas no chão e participar na missa ao estilo de Taizé.

http://www.paroquias.org/forum/read.php?1,39400,page=4

Como já disse, os erros e absurdos, em relação não somente à Missa mas à toda doutrina, são tão grandes que nem vou me aventurar a citá-los e muito menos a rebatê-los. Mas os exemplos citados já demonstram como existe uma recusa da Missa Tridentina, que se enquadra perfeitamente nas excomunhões do Sagrado Concílio de Trento.

Outro ataque à Santa Missa Tidentina foi feito através de um comentário a um artigo do blog Tradição Católica. Mais uma vez, existe uma recusa dos modernistas em aceitar a Missa de Sempre. Eles acusam a Missa Tridentina, entre outras coisas, de “esvaziar a Igreja de jovens que não entendem Latim” e de “colocar Deus tão longe das pessoas que as pessoas não querem saber dele”. E a blasfêmia maior :”Esta é missa cujo sacrificio era estar lá a assistir, e não o de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Esses ataques abertos à Missa de Sempre são bastante claros e não se pode negar que se enquadrem nas excomunhões de Trento. Mas eles não são nada mais do que a explicitação de idéias – motivo de anátema – que já estavam latentes, escondidas, na própria concepção da missa nova, de que a Santa Missa no rito tridentino precisava ser mudada.

A festa de Corpus Christi e a presença real

O nome da festa de Corpus Christi descreve bem o que ela significa: a celebração da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na sagrada eucaristia. Se estamos nos preparando para celebrar essa festa, cumpri-nos falar um pouco sobre a importância da mesma.

Este é o momento, todo especial, para reforçarmos a santa doutrina da presença real de Cristo sob as aparências do pão e do vinho. Podemos começar citando as Sagradas Escrituras. Nelas encontramos provas mais do que suficientes da presença real de Cristo Nosso Senhor na Sagrada Eucaristia.

O capítulo VI do evangelho de São João descreve a oportunidade em que Nosso Senhor dá a conhecer a seus discípulos essa doutrina:

“Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá para sempre, e o pão que eu lhe darei é a minha carne para salvação do mundo.  Discutiam entre si os judeus, dizendo: Como pode este dar-nos a comer sua carne? E Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida… Este é o pão que desceu do céu; não é como o pão que vossos pais comeram e, não obstante, morreram. Quem come deste pão viverá para sempre… Muitos dos seus discípulos disseram: São duras essas palavras! Quem as pode suportar? Conhecendo Jesus que os seus discípulos murmuravam por isso, disse-lhes: As palavras que Eu vos disse são espírito e vida; mas há alguns de vós que não crêem… Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e não mais os seguiam.” (Jo 6,51-67)

Não há como negar, diante de palavras tão claras, que Nosso Senhor prometeu dar sua carne em alimento aos fiéis. E essa promessa foi cumprida durante a Última Ceia:

Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu a seus discípulos dizendo: “Tomai e comei, isto é meu corpo”. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo:” Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Mt 26,26-28)

E muitos outros trechos das Sagradas Escrituras poderiam ser citados ainda, mas basta-nos lembrar a advertência que São Paulo fez sobre aqueles que comungam indignamente, causando sua própria condenação (1Cor 11,27-29). Se não se tratasse realmente do Corpo e Sangue de Nosso Senhor, não haveria sentido a advertência do Apóstolo.

Nesse mistério tão grandioso, Deus se dignou dar em alimento espiritual aos homens, de maneira tão distante dos sentidos, mas tão próxima pela Fé.

Mas essa Fé inabalável que nos ensina a Santa Mãe Igreja foi abandonada pelos “reformadores” do século XVI. Eles preferiram acreditar nos seus sentidos a acreditar nas promessas de Deus.

O concílio de Trento, para resguardar a Fé cristã, declarou infalivelmente a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia:

874. Ensina primeiramente o santo Concílio e confessa aberta e simplesmente que no augusto sacramento da Santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, debaixo das espécies destas coisas sensíveis, se encerra Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, verdadeira, real e substancialmente [cân. l ]. Nem repugnam entre si estas coisas: que o mesmo Nosso Senhor esteja sempre sentado à mão direita do Pai no céu, conforme o seu modo natural de existir, e assim a sua substância esteja presente entre nós em muitos outros lugares sacramentalmente com aquele modo de existir, que nós apenas podemos exprimir em palavras, e com a razão iluminada pela fé podemos conhecer e devemos firmemente crer ser possível a Deus. Pelo que, todos os nossos predecessores que viveram na verdadeira Igreja de Cristo, sempre que trataram deste sacramento, reconheceram abertamente que Nosso Redentor instituiu este admirável sacramento na última ceia quando, depois de benzer o pão e o vinho, testificou com palavras distintas e claras que ele lhes dava o seu próprio corpo e sangue. Estas palavras relatadas pelos santos Evangelistas (Mt 26, 26 ss; Mc 14, 22 ss; Lc 22, 19 ss) e repetidas depois por S. Paulo (l Cor 11, 23) têm seu sentido próprio e claro, no qual também os Padres as compreenderam. Pelo que seria sem dúvida alguma detestável crime torcê-las ou levá-las a uma figura ou símbolo, como fizeram alguns homens maus e rixosos que negam a real presença do Corpo e sangue de Cristo contra o universal sentir da Igreja que, sendo coluna e base da verdade (l Tim 3, 15), detesta como satânica esta doutrina, excogitada por esses homens ímpios e, com sentimento de gratidão, reconhece este incomparável beneficio de Cristo.

Sagrado Concílio de Trento, cânon 874

No século XX, no entanto, algo de muito “estranho” aconteceu. A missa nova, de Paulo VI, foi feita com a “ajuda” de seis pastores protestantes, que não crêem na presença real de Nosso Senhor.  Isso é realmente um absurdo, um escândalo que não pode ser escondido pelos defensores da missa nova. Não foi sem motivos que o novo rito perdeu muito do caráter sacrificial e se assemelhou a um banquete, de acordo com as idéias protestantes, e em confronto com a santa doutrina católica.

Uma das mudanças mais graves nesse sentido foi permitir-se ao sacerdote ficar de costas para o altar. Nessa nova configuração, o que se vê são várias pessoas reunidas em torno de uma mesa: a assembléia de um lado, o padre do outro. Como se estivéssemos em um banquete, e não na renovação do Sacrifício da Santa Cruz.

Ah, é claro que aqueles sapientíssimos “doutores”, os que costumam inventar absurdas excomunhões para quem não aceita a missa protestantizada, dirão de peito estufado: mas a missa nova também pode ser rezada com o padre de frente para o altar!

Mas, serenamente, podemos responder-lhes, derrubando-os do pedestal em que eles se colocam: não adianta “permitir” o certo se se permite também o errado. Nenhuma lei pode ser boa se apenas “permite” o certo. Toda lei, toda regra, tem o objetivo de impedir o erro. Além do mais, o concílio vaticano II e a missa nova foram extremamente perniciosos por isso mesmo: eles abriram brechas para serem futuramente exploradas. Se os erros fossem abertamente ensinados, causariam a reação imediata. Mas justamente por se abrirem várias brechas, algumas sutis, outras nem tanto, é que puderam ser infiltrados os erros absurdos que vemos hoje em dia.

O uso do latim, por exemplo, é outro caso típico. É verdade que alguns trechos do Vaticano II até exortam a utilização do latim. Mas outros, incluindo o decreto da missa nova, permitem o uso do vernáculo. Assim, quando algum “doutor” quer defender a “ortodoxia” do concílio, ele cita os trechos em que o latim é exaltado. Na prática, porém, as brechas abertas foram mais do que suficientes para os modernistas as explorarem, utilizando-se exclusivamente do vernáculo. Aliás, muito mal traduzido, em uma tradução cujos erros não podemos atribuir senão a uma vontade deliberada de perverter a liturgia e todo seu significado.

O maior dos motivos que temos para restaurar a Santa Missa Tridentina, pois, é darmos a Deus a glória que Ele merece, em um culto que deixa inequívoco o caráter de sacrifício; a MIssa plena de respeito, de decoro e de louvor diante da presença real de Nosso Senhor; a Missa em que não fazemos barulho, mas silêncio respeitoso quando se renova, de forma incruenta, o Santo Sacrifício do Calvário. A festa de Corpus Christi deve nos lembrar que, não somente nesse dia, mas em toda Santa Missa, Cristo Nosso Senhor está real e substancialmente presente na Sagrada Eucaristia. Por isso, não devemos aceitar uma missa por que ela é “mais animada” ou “mais festiva” para o povo. Devemos desejar a Santa Missa na sua forma mais digna e que maior honra possa dar a Deus. Não é o momento de “festa” ou de “reunião de amigos”. É o momento mais sublime que podemos imaginar em nossas vidas: Deus mesmo se entrega a nós, escondido dos sentidos sob as aparências de pão e vinho, mas revelado e crido pela Fé, divina e católica.

Desmascarando o “batismo no Espírito”

Nos dias atuais, devido à omissão do concílio Vaticano II e de seus seguidores em condenar os erros modernos, as dúvidas geradas pelas mais diversas heresias têm abalado a Fé de muitos. Uma das correntes que causa grandes males à Fé católica é a dita RC”C” – renovação carismática “católica” – que, na realidade, não passa de protestantismo disfarçado de catolicismo.

Os católicos tradicionais têm, por meio de diversos artigos, demonstrado o quanto a RC”C” se afasta da doutrina e da moral católicas, chegando mesmo a lhes constituir verdadeira ameaça, pois infiltra erros protestantes na Igreja de Cristo.

Na intenção de juntar forças aos fiéis católicos que têm combatido a RC”C”, a fim de salvar a nossa amada Igreja, nos lançamos à tarefa de escrever o presente artigo. Com este, pretendemos lançar algumas luzes sobre a questão do “batismo no Espírito”, um dos grande cavalos de batalha do movimento carismático. De fato, um dos pilares do movimento é exatamente esse “batismo”, que, segundo eles, daria àquele que o recebesse, a força e os dons que foram dados aos Apóstolos em Pentecostes.

Dado o caráter extremamente grave dessa prática que foi tomada dos protestantes, e que contraia frontalmente a Fé católica, vemo-nos na obrigação de alertar aos fiéis, que por inocência, tenham sido enganados sobre essa matéria. Para tanto, baseamo-nos na doutrina católica de sempre, materializada no Sagrado Concílio de Trento, no Catecismo Romano e na autoridade dos Padres da Igreja.

Existe um só Batismo

Caso o “batismo no Espírito” fosse realmente uma prática cristã autêntica, ensinada por Cristo Nosso Senhor, haveríamos de ter dois batismos. Um deles seria o batismo que nós conhecemos, ministrado, preferencialmente, aos recém-nascidos para que lhes seja apagado o pecado original. Outro seria o “batismo no Espírito”, defendido pela RC”C”.

A existência de um outro batismo, no entanto, é explicitamente negada pela revelação divina. As Sagradas Escrituras são bastante claras quanto à existência de um único batismo:

“Um só é o Senhor, uma só é a Fé, um só é o Batismo” (Ef 4,5)

Então, não existem dois batismos, mais um só batismo. A existência de um tal “batismo no Espírito”, diverso daquele que todos nós católicos conhecemos, portanto, é explicitamente negada pela própria Bíblia Sagrada.

Dada a importância desse artigo de Fé, a Santa Igreja houve por bem inclui-lo no símbolo niceno-constantinopolitano:

“professo um só batismo para remissão dos pecados”

Além disso, Nosso Senhor, ao enviar Seus apóstolos para pregar o Evangelho, ordenou-lhes batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, e não “batizar no Espírito Santo”, como fazem os carismáticos:

“Ide pelo mundo inteiro, e ensinai todos os povos. Batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observarem tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28,19)

No mesmo texto citado acima vemos que Nosso Salvador ordenou a seus apóstolos que ensinassem os povos a observar tudo o que Ele havia mandado. Se, em dois mil anos de Cristianismo, somente a partir da segunda metade do século XX, o “batismo no Espírito” teria sido introduzido na Igreja, então podemos concluir que: ou 1) o “batismo no Espírito” não foi ordenado por Cristo; ou 2) os apóstolos não obedeceram às ordens do Mestre.

Se quiséssemos aceitar o segundo caso, estaríamos desdenhando da autoridade das Sagradas Escrituras, pois acima já se provou haver um só bastimo. No entanto, se por absurdo admitíssemos como cristão o tal “batismo no Espírito”, então os apóstolos não teriam cumprido a ordem de Cristo. Admitir-se-ia, então, forçosamente, que a Igreja Católica teria errado durante toda Sua história de dois mil anos. Gerações teriam sido apartadas de uma graça tal grande por desobediência dos apóstolos e seus sucessores, os bispos. Admitida essa ímpia hipótese, estaríamos renegando a nossa Santa Igreja como Mãe e Mestra, instituída por Cristo para santificação e salvação das almas, e mais lhe caberia o nome de madrasta do que de Mãe. Mas, como filhos fiéis, reconhecemos e amamos a Santa Madre Igreja e lhe devotamos filial obediência, e refutamos como sugestão diabólica a hipótese de uma omissão tão grave da Igreja.

No primeiro caso, que corresponde à verdade, e isso podemos comprovar com abundância de argumentos, nós perguntamos aos carismáticos de onde pode ter vindo o “batismo no Espírito”, uma vez que não partiu da ordem de Cristo Nosso Senhor. A resposta é simples: o “batismo no Espírito” não passa de mais um equívoco gerado pelo livre exame protestante.

A origem protestante do “batismo no Espírito”

O tal “batismo no Espírito” é tão contrário à Fé católica que não nos surpreende em nada constatar que sua origem é protestante. A rádio Cristandad publicou, em espanhol, um extenso artigo sobre a RC”C”, denunciando os diversos erros da mesma. O mesmo artigo foi traduzido para o português no blog católico Tradição Viva. A leitura do artigo é extremamente recomendada, pois mostra muitos apectos da RC”C” que demonstram sua incoerência com a doutrina católica. Nesse artigo, encontramos, entre outras coisas, a história da RC”C”, que demonstra inequivocamente a sua origem protestante, e sua simples transposição para dentro da Igreja por obra de dois leigos, Ralph Keifer e Patrick Bourgeois. No começo de 1967, os dois receberam o tal “batismo no Espírito” das mãos de protestantes! Essa afronta à Igreja Católica, foi o “nascimento” da RC”C”. Um ato de cisma, um ultraje à autoridade da Igreja, posto que se considera, ao menos implicitamente, nesse ato, que o Espírito Santo devesse ser buscado nas seitas, e não dentro da Igreja Católica.

Qual seria, então, a diferença entre o Batismo de João e o Batismo de Cristo?

Para responder a essa questão, recorreremos a nada menos que a autoridade dos Santos Padres da Igreja. Vejamos o que escreveu santo Agostinho a respeito do Batismo de João:

Por esse motivo, como os Santos Padres deduziram do Evangelho de São João, Judas Iscariotes também batizou muitas pessoas, e não lemos que alguma delas fosse novamente batizada. Santo Agostinho teve, a respeito, estas belas palavras: “Judas batizou, e depois de Judas não se fez novo batismo. João batizou, e depois de João foi rebatizado, porque o Batismo ministrado por Judas era Batismo de Cristo, e o Batismo de João era [simplesmente] Batismo de João. Isso não é preferir Judas a João. Com razão preferimos o Batismo de Cristo – ainda que dado pelas mãos de um Judas – ao Batismo de João, embora seja conferido pelas mãos de um João”.

Catecismo Romano, Parte II, Capítulo I, página 209

O Catecismo Romano, reforçando o que escreveu Santo Agostinho, ensina que o Batismo conferido por Judas, ainda que ministro indigno, é o Batismo de Cristo. O Batismo conferido por João, apesar da dignidade da pessoa do Batista, não era o Batismo de Cristo, mas Batismo de João. Daí, podemos concluir que o Batismo de João era um símbolo do Batismo que Cristo Nosso Senhor haveria de instituir.

Se o Batismo que João Batista ministrava era apenas um sinal do Batismo de Jesus Cristo, então podemos concluir que o termo batismo no Espírito, citado em Lc 3,16, nada mais é do que o Batismo cristão, aquele sacramento que Cristo instituiu para apagar a “mancha” do pecado original, fazendo habitar na alma do batizado a Santíssima Trindade.

O Batismo de João era dito “em água”, porque era apenas um sinal. Mas, ao Batismo instituído por Nosso Senhor, cabe-lhe perfeitamente o termo de batismo no Espírito e no Fogo, porquanto esse realmente confere o Espírito Santo àquele que o recebe. Não era mais um sinal apenas, como o de João Batista, mas sim um sacramento de fato, um meio eficaz de transmissão da graça de Deus ao fiel que o recebe.

Mais um argumento de autoridade pode ser destacado do Catecismo Romano em favor de nossa argumentação:

Quanto ao primeiro [momento da instituição do Batismo], não resta dúvida que Nosso Senhor instituiu esse Sacramento quando conferiu à água a virtude de santificar, na ocasião que Ele mesmo se fez batizar por São João. Dizem São Gregório de Nazianzo e Santo Agostinho que, naquele instante, a água adquiriu a força de regenerar para a vida espiritual. Noutro lugar, escreve Santo Agostinho: “Desde que Cristo desceu na água, limpa a água todos os pecados”. E noutra parte ainda: “Nosso Senhor recebeu o Batismo, não porque precisasse de purificação, mas para que ao contato com o Seu Corpo puríssimo, as águas se purificassem, e adquirissem a virtude de purificar”.

Catecismo Romano, Parte II, Capítulo II, página 221

Portanto, a água somente adquiriu a virtude de purificar os pecados após o Batismo de Cristo. Por essa razão, o Batismo que João ministrava, antes de Cristo ser batizado, não podia mesmo passar de um sinal daquele Batismo que Nosso Senhor haveria de instituir.

Ainda o Sagrado Concílio de Trento lançou uma excomunhão sobre quem ousasse dizer que o Batismo de João era igual ao de Cristo:

857. Cân. 1. Se alguém disser que o Batismo de S. João [Batista] teve a mesma eficácia que o Batismo de Cristo — seja excomungado.

O que mais uma vez confirma que o Batismo de João era apenas um sinal do Batismo de Cristo, que confere verdadeiramente o Espírito Santo à alma do batizado.

Conclusões sobre o Batismo

Dos argumentos até aqui expostos, podemos concluir:

- existe um só Batismo;

- o Batismo de João era apenas um sinal do Batismo de Cristo;

- ao Batismo instituído por Cristo cabe, muito propriamente, o nome de Batismo no Espírito, uma vez que o Batismo de Cristo, diferente daquele de João Batista, confere, de fato, o Espírito Santo ao fiel que recebe esse sacramento;

- esse Batismo que Cristo instituiu é o Batismo que a Igreja Católica sempre ministrou através de toda sua existência, cumprido a ordem do Mestre de batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19);

- o Batismo, obviamente, nada tem a ver com a ilusão carismática de um “batismo no Espírito”;

Não cabe, portanto, dentro da santa doutrina cristã, nenhum espaço para uma segunda “modalidade” de Batismo, diferente daquela instituída por Cristo e ministrada e ensinada pela Igreja Católica. Qualquer tentativa de se criar um “batismo no Espírito” afrontaria, em absoluto, a revelação divina.

Como diferenciar a verdadeira doutrina católica dos erros

O Papa Clemente XIII, já em 1761, publicava sua encíclica “in Dominico Agro”, na qual ele exortava ao estudo do Catecismo Romano como forma de combater as perversas doutrinas semeadas pelo inimigo no meio do povo cristão. Apesar dos dois séculos e meio que nos separam de sua publicação, essa encíclica parece ter sido escrita para a crise atual, em que os obreiros dormem enquanto os campos são sabotados pelo inimigo. A leitura completa da carta é altamente recomendada. Aqui, limitar-me-ei a transcrever alguns trechos em que o Santo Padre mostra como combater o erro e defender a verdade.

Inicialmente, chamamos a atenção para o ponto em que o Papa mostra a forma de se reconhecer a verdadeira doutrina católica:

Devemos, pois, afastar os fiéis, mormente os que forem de engenho mais rude ou simples, destes escabrosos e apertados atalhos, por onde mal se pode firmar pé, nem andar sem perigo de queda.
Não devem as ovelhas ser levadas às pastagens por caminhos não trilhados. Por isso, não devemos expor-lhes opiniões singulares de doutores embora católicos, mas unicamente aquilo que tenha o sinal inequívoco e certo da verdadeira doutrina católica, a saber: universalidade, antigüidade, consenso doutrinário.

Nenhum dos atributos elencados pelo Sumo Pontífice é verificado no caso do teoria pentecostal do “batismo no Espírito”. Primeiro, ela não tem tem qualquer antigüidade. Começou com os protestantes, no final do século XIX. Dentro da Igreja Católica, ele foi “introduzido” na segunda metade do século XX. Consenso doutrinário, então, não existe nenhum. Somente a contaminação protestante faz alastrar essas opiniões, sem que haja consenso com a totalidade da Igreja. Finalmente, universalidade é o que a teoria do tal “batismo no Espírito” menos possui. Não houve, em toda a história da Igreja, qualquer menção a ela. Não houve um Papa que o ensinasse, nem um santo que o defendesse, e nem houve menção alguma a esse “batismo” em qualquer concílio. Das três características da verdadeira doutrina católica, nenhuma é satisfeita pela teoria do “batismo no Espírito”. O que nos demonstra, uma vez mais, o quanto ela não passa de heresia.

Mais adiante, o Papa Clemente XIII escreve:

Possuídos desta convicção, os Pontífices Romanos, Nossos Predecessores, empregaram toda a energia não só para cortar, com o gládio da excomunhão, os venenosos germes do erro que às ocultas iam vingando; mas também para cercear a expansão de algumas opiniões que, pela sua redundância, impediam o povo cristão de tirar da fé frutos mais copiosos; ou que, pela parentela com o erro, podiam ser nocivas às almas dos fiéis.

A simples parentela com o erro, já pode tornar uma opinião nociva às almas dos fiéis. O que dizer, então, de uma opinião que não somente se assemelha ao erro protestante do “batismo no Espírito”, mas que é idêntica a ele e tem nela sua própria origem? E poderíamos ser mais claros, dizendo que essa heresia foi apenas transportada de fora para dentro da Igreja, através de leigos que consideravam melhor buscar as novidades das seitas do que perseverar na Fé católica de sempre.

Os efeitos do sacremento da Confirmação

Já tratamos longamente do equívoco que se faz ao apresentar o “batismo no Espírito” como se fosse doutrina católica. E já discutimos como ele não passa de uma interpretação errada do verdadeiro Batismo de Cristo, gerada pelo livre exame protestante.

Mas a perversidade da heresia do “batismo no Espírito” não termina com sua afronta à doutrina do verdadeiro Batismo instituído por Nosso Senhor. Também a doutrina do sacramento da Confirmação é frontalmente insultada por essa teoria protestante. Vejamos o que o Catecismo Romano ensina sobre o sacramento da Confirmação (o destaque é meu):

Os que devem ainda crescer na vida espiritual, até se tornarem perfeitos seguidores da religião cristã, precisam para isso receber a força que advém da unção com o Sagrado Crisma. Ora, nessa grande necessidade se acham todos os cristãos.

Assim como é lei da natureza que os homens cresçam desde o nascimento até chegarem à idade perfeita, embora não o consigam às vezes na devida proporção; assim também a Santa Igreja Católica, nossa mãe comum, deseja ardentemente levar ao estado de cristãos perfeitos aqueles que ela regenerou pelo Batismo.

Esse efeito, porém, é operado pelo Sacramento da unção mística. Logo, torna-se evidente que a Crisma diz respeito a todos os fiéis sem distinção.

Catecismo Romano, Parte III, Capítulo III, página 253

E mais adiante:

Pelo contrário, a origem dessa denominação [Confirmação] está no fato de que Deus, pela virtude do Sacramento, confirma em nós o que começou a operar no Batismo, conduzindo-nos a uma sólida perfeição da vida cristã.

Catecismo Romano, Parte III, Capítulo III, página 255

Portanto, é o sacramento da Confirmação que nos conduz a uma sólida perfeição da vida cristã, e não o “batismo no Espírito”, como dizem os hereges carismáticos. A esta altura julgamos interessante que se assista ao vídeo em que o conhecido carismático Mons. Jonas Abib prega o “batismo no Espírito”.

As palavras do infeliz sacerdote são bastante claras. Para ele, como para todos os que caíram na heresia carismática, o “batismo no Espírito” é essencial para o cristão. Destacaremos abaixo algumas das palavras do monsenhor no vídeo citado (os destaques são meus):

“Eu preciso ser batizado no Espírito Santo, você precisa ser batizado no Espírito Santo, todo cristão precisa ser batizado no Espírito Santo, para ter a força dos Apóstolos, para ter a coragem dos evangelizadores que o Senhor precisa ter. Se nós não temos a graça do batismo no Espírito acabamos sendo cristãos sim, mas sem força, sem poder, sem coragem, sem alegria.” (0’17″ – 0’47″)

“E como é que o poder de Jesus é transmitido para nós para vivermos a vida cristã com pujança, para sermos cristão verdadeiramente? Como é que o Senhor vai passar seu poder para sermos evangelizadores? (..) E Ele faz isso com aquilo que Ele mesmo chamou de ser batizado no Espírito Santo” (1’26″ – 1’40″; 2’16″ – 2’21″)

Portanto, nas palavras de um dos maiores representantes dos carismáticos, temos a negação implícita dos frutos do sacramento da Confirmação. O padre diz que sem o “batismo no Espírito” não seríamos perfeitos cristãos. Isso é uma afronta à doutrina católica, que ensina que somos conduzidos à perfeição da vida cristã através do sacramento da Crisma. Além disso, segundo o monsenhor, seria o tal “batismo” que nos transmitiria a força dos Apóstolos e nos tornaria evangelizadores. Novamente temos uma afronta à doutrina católica que ensina ser a Crisma o sacramento que nos confere a força para sermos evangelizadores. O Catecismo Romano, ao nos ensinar sobre a Crisma, conferida aos Apóstolos no dia de Pentecostes, ensina que esse sacramento é que os tornara fortes e corajosos para evangelizar:

Mas, no dia de Pentecostes, receberam todos o Espírito Santo, em tal plenitude que logo se puseram, com arrojada coragem, a espalhar o Evangelho, não só no país dos Judeus, mas também pelo mundo inteiro, como lhes havia sido ordenado; sentiam até um gozo inexprimível, por serem julgados dignos de sofrer, pelo Nome de Cristo, afrontras, tormentos e crucificações.

Catecismo Romano, Parte III, Capítulo III, página 256

Mais explicitamente, podemos ler no livro a Fé Explicada como a Crisma nos torna evangelizadores:

Agora [depois de termos recebido a Crisma] compartilhamos com Cristo a sua missão de estender o Reino, de adicionar novas almas ao Corpo Místico de Cristo. As nossas palavras e atos já não se dirigem meramente à santificação pessoal, mas vão, além disso, fazer com que a verdade de Cristo se torne real e viva para aqueles que nos rodeiam.

TRESE, LEO J.; A Fé Explicada; Ed. Quadrante; São Paulo; 1990; Capítulo XXV – A Confirmação; pag 251

Podemos compreender claramente que, caso os efeitos do tal “batismo no Espírito” fossem mesmo aqueles indicados pelos carismáticos, o sacramento da Confirmação seria inútil. De fato, podemos perceber que os efeitos do Crisma são atribuídos pelos carismáticos ao tal “batismo no Espírito”. E mais do que isso, o “batismo no Espírito” seria, segundo os mesmos, algo imprescindível para que tivéssemos a força dos Apóstolos e nos tornássemos evangelizadors. Essas heresias acabam por negar todo o valor da Crisma.

Como se já não fosse suficiente substituir a Crisma, o tal “batismo no Espírito” conferiria dons ainda maiores do que aqueles conferidos pelo sacramento da Confirmação. Receberíamos, invariavelmente, além da graça invisível, vários dons extraordinários, como falar em línguas, profetizar, curar os doentes. O que não deixa de ser o grande “atrativo” do tal “batismo”: fazer as pessoas acreditarem que receberão grandes dons miraculosos. Com isso, se inflama o orgulho e a cupidez de dons que aparecem aos olhos do mundo, mas que ignoram os dons sobrenaturais da graça divina e a verdadeira piedade cristã.

Excomunhão

O concílio de Trento excomungou quem defendesse que havia mais ou menos do que sete sacramentos, ou que eles fossem diferentes daqueles instituídos por Cristo e que a Igreja sempre ensinou:

844. Cân. 1. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio; ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente sacramento — seja excomungado.

O tal “batismo no Espírito” não é apresentado pelos carimáticos como sendo um sacramento. Mas, pela definição que eles mesmos apresentam, não há como negar que lhe sejam atribuídos os mesmos efeitos do sacramento do Crisma, além de outros, como ficou demonstrado acima. Portanto, mesmo que não lhe seja expressamente atribuído o nome de sacramento, o “batismo no Espírito”, caso fosse legítimo, seria, essencialmente, um sacramento. Logo, quem o defende cai no anátema de Trento.

Conclusão

Os carismáticos costumam citar vários trechos da Sagrada Escritura que dizem respeito ao Espírito Santo, na tentativa de nos convencer da veracidade das doutrinas pentecostais. No entanto, o que eles propõem é uma maneira errada de se interpretar a doutrina sobre o Espírito Santo. Não deve haver dúvidas, entre nós cristãos, sobre a importância da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Mas nós devemos cultivar a verdadeira devoção ao Espírito Santo, e não as extravagâncias carismáticas.

O mesmo devemos dizer a respeito dos sacramentos. Devemos ter enorme consideração pelo valor dos verdadeiros sacramentos, instituídos por Cristo Nosso Senhor para serem um meio eficaz de transmissão de sua graça santificante. No entanto, não é aceitando um falso sacramento que estaremos nos beneficiando dos dons do Espírito Santo. Muito pelo contrário, cairíamos em excomunhão se defendêssemos uma teoria como a do “batismo no Espírito”, que, se fosse verdadeiro, inutilizaria o sacramento da Confirmação.

Nós, como bons católicos que desejamos ser, devemos nos esforçar para termos uma santa devoção para com o Espírito Santo da forma como a Santa Igreja Católica sempre nos ensinou. E devemos ter especial solicitude para participarmos dignamente dos sete sacramentos que Cristo legou à Sua Igreja. É através desses santos sacramentos que nós recebemos a graça santificante que Deus nos envia.

Cardeal Kasper: ecumenismo sim, conversões não

Na tentativa desesperada de salvar o concílio vaticano II e seu ecumenismo suicida, o Falsitatis fez apelo a uma intervenção do cardeal Kasper, por ocasião do quadragésimo aniversário da Unitatis Redintegratio, em que ele defende o ecumenismo do Vaticano II.

Talvez o Falsitatis tenha se esquecido do que falou esse cardeal a respeito da conversão dos anglicanos, na ocasião em que 400.000 anglicanos solicitaram a comunhão plena com o Papa. Mas a atitude do cardeal foi a de desprezar o pedido:

Na entrevista Kasper declarou: não é nossa política (sic) trazer tantos anglicanos para Roma e eu não estou certo que existam tantos assim.

O cardeal então trata a salvação das almas como uma questão “política”. E pior que isso, não faz parte da sua “política” converter as pessoas ao catolicismo.

Kasper apela não para uma conversão, mas para um diálogo com os anglicanos. Para Kasper não tem qualquer sentido ecumênico a conversão ao Catolicismo.

Nas palavras do ecumênico cardeal, ele teme que a aceitação dos convertidos no seio da Igreja Católica pudesse “dificultar o diálogo” com os demais anglicanos.

Em vez de se alegrar, como caberia a todo católico, com esse grande passo para o retorno da igreja da Grã-Bretanha à comunhão com Roma, o cardeal se lamenta. Séculos de uma triste separação com nossos irmãos britânicos poderiam chegar ao fim se conversões como essa começassem a se concretizar. Mas o cardeal Kasper prefere não atender ao pedido deles por questões “políticas”…

Que “belos” frutos o ecumenismo do vaticano II produziu! E, se pela árvore nós conhecemos os frutos, então somente pode ser podre a árvore que produz esses frutos de desprezo pela salvação das almas e pela verdadeira unidade dos cristãos, dentro de uma única Igreja, como quis Nosso Senhor.

Se o Falsitatis publicou um documento do cardeal Kasper sobre o ecumenismo, podemos concluir que, no mínimo, eles concordam com as posições “ecumênicas” do cardeal. Então seria bom se eles esclarecessem o que pensam sobre o desprezo do cardeal no caso dos anglicanos que desejam se converter. Será esse o caminho ecumênico que a turma do Falsitatis Splendor pretende seguir? Se não for, fica difícil entender por que eles citaram o cardeal Kasper como autoridade no assunto. Mas, se for esse mesmo o caminho que eles desejam seguir, então fica mais do que evidente o desprezo que eles, como “dignos” filhos do vaticano II, têm pela salvação das almas.

Quanto mais o Falsitatis se esforça por defender o vaticano II, mais eles acabam por afundá-lo na lama.

Televisão: uma escola de imoralidade

Este artigo não vai tratar a imoralidade da televisão no que se refere ao desprezo pela castidade. Isso já está tão evidente que apenas uma mente pervertida e afastada de Deus pode suportar o baixo nível dos programas televisivos, que não passam de pornografia barata. Acontece que, a Moral abrange muito mais do que a castidade, e essa não é a única virtude desprezada e atacada pela mídia.

Eu não tenho costume (seria melhor dizer, o vício) de assistir televisão. Não há nada de instrutivo nem de edificante na TV Tupiniquim. No entanto, diante do crime que comoveu o país, decidi ligar um pouco a caixinha eletrônica de besteiras audiovisuais para ver se me inteirava um pouco do triste episódio. Grande teimosia e inocência a minha de ainda achar que poderia ver algo de útil, mas foi o que eu fiz.

O apresentador, como uma vitrola quebrada, repetia, com um sensacionalismo nojento, as mesmas frases e passava as mesmas cenas inúmeras vezes. A certa altura, começaram a exibir umas tais “cenas exclusivas”, gravadas ilegalmente com uma câmera escondida. Ao mesmo tempo que o apresentador, berrando como um endemoniado, falava de justiça, as cenas ilegais eram exibidas. Que grande contradição! Exigir a realização de justiça para os criminosos no exato instante em que se transmite, em rede nacional, uma atitude moralmente incorreta, qual seja, a gravação ilegal da prisão dos acusados. Tudo em nome da “liberdade de imprensa”, que não passa de uma meio de ganhar dinheiro a qualquer custo, até mesmo a custo da Moral.

É uma pena que as pessoas que assistem à televisão não tenham o mínimo senso crítico. Aliás, a televisão acaba realmente destruindo a capacidade das pessoas de raciocinar. Cria-se um exército de múmias, que recebem informação sem ponderar sobre elas. Por isso, a televisão pode cometer um ato tão imoral quanto desobedecer a polícia, que havia proibido as filmagens no interior do prédio, sem que o público se dê conta da baixaria. Pelo contrário, o apresentador até enfatiza que as imagens são exclusivas, pouco se importando que as mesmas tenham sido gravadas com uma câmera escondida, num ato imoral de enganar a polícia. Enquanto isso, as outras redes de televisão filmavam de fora do prédio, sofrendo desvantagem em relação àquela que não respeitou as regras. A televisão se tornou, em tudo, até nos mínimos detalhes, uma escola de imoralidade. E que não tem vergonha, nem mesmo, de transmitir em rede nacional o produto de um desrespeito à autoridade policial.

Da imbecilidade e imoralidade da televisão, livrai-nos Senhor!

A malícia das heresias

Muitas vezes, no meio modernista, vemos as pessoas, e mesmo o clero renegado, tentar minimizar a gravidade das heresias. São comuns frases feitas, do tipo “o que vale é o amor”, “o conta é a caridade com os pobres”, etc. O que mais se vê é um sentimentalismo barato, uma pseudo-religião subjetiva, bem característica do modernismo.

Mas será que a heresia, isto é, a negação de uma verdade revelada, ou a afirmação de algo que vá contra ela, não tem mesmo importância? Vejamos o testemunho incontestável das Sagradas Escrituras:

Eu vos declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro; e se alguém dele tirar alguma coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro. (Ap 22,18-19)

Portanto, nesses versículos, que estão entre os últimos da Bíblia Sagrada, está descrita com toda a clareza o resultado de se alterar a Fé: a perda da Vida Eterna. Tudo o que faz parte do Depósito da Fé, transmitidos pelas Sagradas Escrituras e pela Tradição Apostólica, guardado pela Magistério infalível da Santa Igreja Católica, foi revelado por Deus mesmo, um Deus que não se engana, nem pode nos enganar. Logo, duvidar de qualquer dogma, é chamar a Deus de mentiroso. Daí a infinita malícia existente em toda heresia, que é a de renegar as verdades que Deus se dignou revelar a nós.

Por outro lado, a quem acrescentar crendices ao depósito da Fé, Deus o castigará com as penas descritas no Apocalipse. Será que os defensores de novidades leram as Sagradas Escrituras? Se o fizeram, então por que, conhecendo a ordem de Deus de manter incorrupto  o depósito da Fé, ainda assim o corrompem?

Dessa forma, podemos ver quão longe da santa religião revelada por Deus, estão as pessoas que, declarando-se católicas, aceitam todo tipo de novidades, ao mesmo tempo que desdenham da Fé e da Tradição que recebemos de nossos Maiores. Nossos santos e veneráveis Pais na Fé sempre tiveram o mais nobre zelo pela guarda incorrupta da Fé, ao passo que nossa geração  prefere abrir suas janelas para o “mundo”, atirando aos ares as certezas da Fé para abraçar todo tipo de crendice fugaz e leviana, de bisbilhotices e curiosidades fúteis. Esse “aggiornamento” foi o fruto amargo do “diálogo” com as outras religiões e da abertura para o “mundo”, proposto pelo Vaticano II. Nada mais lógico, ao se abrir as janelas para o “mundo”, do que se tornar mundano.

Tempora mala sunt, como disse o Apóstolo. Mas Sua Santidade, o papa Bento XVI está se esforçando para restaurar a Santa Igreja. Deo Gratias!

E o tiro saiu pela culatra…

Vamos analisar mais um texto do Falsitatis Splendor. Não é nenhum texto novo, mas apenas um argumento que eu ainda não havia refutado e que se encontra no mesmo artigo em que o Alessandro Lima pretendia provar que o cardeal Ottaviani aprovara a versão final da missa nova. Lá no final do artigo, encontramos o seguinte raciocínio:

Cabe ainda lembrar o que ensinou o Concílio de Trento:

“Cân. 6. Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, portanto, deve ser ab-rogado: seja anátema” (Sacrifício da Missa, Doutrina do Sacrifício da Missa Cap. IX. Sessão XXII celebrada no dia 17 de setembro de 1562. DENZINGER 1756).

“Cân. 7. Se alguém disser que as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa são mais incentivos de impiedade do que sinais de piedade: seja excomungado” (Ibidem. DENZINGER 1757).

Logo, segundo o Concílio de Trento é IMPOSSÍVEL que a Igreja formule uma liturgia da Santa Missa que contenha erros contra a Fé ou que incentive a impiedade. Cai nos anátemas do Concílio Tridentino quem acredita que a liturgia da Missa Nova seja intrinsecamente má ou que incentiva a impiedade.

http://www.veritatis.com.br/article/5079

As citações do concílio de Trento são perfeitas, mas a interpretação, como de costume, é um desastre. Não está escrito, de forma alguma, nos cânones citados que jamais pudesse ser formulada uma liturgia da Santa Missa que contivesse erros. A “conclusão” do Alessandro Lima não passa de suas próprias idéias pré-concebidas, expostas como se fosse conseqüência lógica dos textos do concílio de Trento.

Certamente, através de um documento do magistério infalível, não seria aprovada nenhuma liturgia com erros. Mas o mesmo não se pode dizer da missa nova, cuja elaboração, entre outras coisa, contou até mesmo com a ajuda de seis pastores protestantes.

Se voltarmos ao texto do concílio, veremos que ele se encontra no presente do indicativo. E a Missa da época do concílio é a Missa Tridentina. Ou seja, o cânon da Missa que não possui erros, e que não deve ser ab-rogado, segundo o concílio de Trento, é o da Missa de Sempre. O texto não diz nada do tipo “qualquer que seja o cânon da Missa que venha a ser aprovado, sob quaisquer condições, ele estará livre de erro”. Dizer, portanto, que o texto do concílio de Trento se aplica à missa nova, “inventada” quatro século depois é, no mínimo, duvidar da capacidade intelectual do leitor.

Mas, nós podemos não somente desfazer o engano do Alessandro Lima, mas também ir bem além nas conseqüências desses cânones do Sagrado Concílio de Trento.

Se a Missa Tridentina não contém erros, como de fato não os contém, então por que deveríamos criar uma missa nova? Se a Missa de Sempre é indefectível, como de fato o é, então por que introduzir uma nova missa?

O simples fato de se ter “inventado” uma nova missa, é uma crítica implícita à missa antiga. Para que, afinal,  modificar uma liturgia que não tinha o menor vestígio de erro?

Não se utiliza, com freqüência, como argumento a favor da missa nova, o fato de que essa seria melhor para os leigos, aumentando sua “participação”? Implicitamente, existe aí a crítica de que a Missa de Sempre estaria errada, por “afastar” o leigo da sua legítima “participação” (ou “concelebração”). Estou usando a terminologia moderna, de propósito, para evidenciar a crítica velada que existe, no pensamento moderno, contra a Missa de Sempre.

E o que comentar sobre o cânon 7 e “as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa”? Se eles são sinais de piedade, como de fato os são, por que foram tão modificados no Novus Ordo? Os sinais externos do novo rito, para citar apenas um exemplo, não haviam sido alvo das críticas do cardeal Ottaviani? Não foi esse piedoso cardeal que denunciou, por exemplo, a redução das genuflexões durante a missa, levando-as quase à completa supressão? A conclusão óbvia é que, se o que se fazia no rito antigo era sinal de piedade, o novo que tentou suprimi-lo somente pode ser sinal de impiedade. Corajosamente denunciada pelo cardeal Ottaviani, que não teria nenhum motivo para aprovar o novo rito, destruidor das seculares piedades cristãs tão harmoniosamente dispostas na Missa de Sempre.

Acho que eu já me alonguei demais sobre uma conclusão que é bastante simples: a Missa Tridentina, segundo foi exposto dogmaticamente pelo Concílio de Trento, está isenta de erros. Quem disser o contrário está excomungado. Já a missa nova tentou modificar uma missa que era perfeita. Logo, existe uma crítica implícita à Missa de Sempre, pois não se precisa modificar algo que não possui erros.

Mais uma vez o tiro dos modernistas saiu pela culatra.

Ataques aos católicos, elogios à RC”C”

Em uma de suas resposta altamente tendenciosas, o Alesandro Lima ataca, como de costume, os católicos tradicionais e defende o vaticano II e a RC”C”. Não vou escrever aqui uma resposta completa ao artigo. Aliás, este foi um erro em que eu incorri por algum tempo: querer dar uma resposta completa para cada artigo dos modernistas. São tantos os absurdos, que nós acabamos nos perdendo. Portanto, a estratégia melhor a ser seguida é desmentir uma falsidade, ou algumas, de cada vez. Há muita coisa a ser escrita para desfazer os erros e preconceitos que os modernistas levantaram contra os católicos tradicionais, mas vamos rebater um por um, sem misturar os assuntos.

Vamos, então, começar desmentindo alguns argumentos de um artigo do Falsitatis. Com a “educação” e os “bons modos” característicos do Falsitatis Splendor, o Alessandro Lima ataca os católicos tradicionais:

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Também é importante notar que os “rad-trads” muito gostam de publicar e mostrar a PALHA no olho do outro, mas se negam a enxergar a TRAVE que está nos próprios olhos (Mt 7,3).

Ele disse isso em referência às objeções, totalmente legítimas, que os católicos tradicionais levantam contra a RC”C”. Assim, para ele, obedecer a tudo o que a Igreja ensinou infalivelmente até hoje, recusando apenas os erros modernos, é uma TRAVE, ao passo que o protestantismo mal disfarçado da RC”C” é uma PALHA. Que argumentos os do Alessandro Lima!

Mas, na tentativa de defender a “ortodoxia” da RC”C”, o Alessandro Lima soltou esta (os grifos são meus):

Um amigo de São Luís (MA) que esteve recentemente em Brasília me perguntou se eu considerava ortodoxo algum nome conhecido ligado à RCC. Não tive dúvida em falar do Prof. Felipe Aquino. O Prof. Felipe Aquino é um grande presente que o Catolicismo brasileiro tem. Um homem que sempre promove o estudo da Doutrina da Igreja, conforme foi exposta pelos Santos e Doutores. O trabalho do Prof. Felipe Aquino merece nossos aplausos.

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Felipe Aquino um exemplo de ortodoxia católica! Somente considerando o que eu já denunciei neste blog, o prof. Felipe Aquino:

Há muito mais o que se escrever, o que será feito com calma e no tempo oportuno. Mas o que foi citado já é suficiente para demonstrar como Felipe Aquino não é nem um pouco ortodoxo.

E vem o Alessandro Lima dizer que “[o Felipe Aquino é] Um homem que sempre promove o estudo da Doutrina da Igreja, conforme foi exposta pelos Santos e Doutores.”

Os Santos e Doutores da Igreja jamais ensinariam os católicos a desobedecer um mandamento da Igreja,  nem diriam que magia é coisa inocente, nem defenderiam o “batismo no espírito”, entre outros absurdos cometidos pela RC”C”.

Para os modernistas, vale tudo para defender o vaticano II e as doutrinas nada ortodoxas que nasceram do modernismo. Inclusive elogiar os que ensinam absurdos contra a Fé e denegrir aqueles que a defendem integralmente.  Os defensores do vaticano II se elogiam entre si, mas levantam um muro de preconceito contra os católicos tradicionais. Vale até mesmo a difamação contra os católicos, como fez o mesmo Alessandro Lima, quando contou uma enorme mentira a respeito do bispo Dom Tissier, da FSSPX. Tudo para manter os católicos inocentes (como eu também era) longe da Verdadeira Fé que a Igreja sempre professou desde sua fundação. Eles abandonaram a verdadeira Fé Católica em nome de uma “obediência” ao erro. Trocaram os ensinamentos do magistério infalível, de valor perene, pelas “orientações pastorais” do magistério falível.

Agora, lentamente, cambaleante como o Sol na visão, em Fátima, a Igreja vai retomando seu lugar e a verdadeira Fé vai resplandecendo e, com sua luz, mostrando a obras que os defensores do vaticano II fizeram nas trevas. Deo Gratias.