E o tiro saiu pela culatra…
Vamos analisar mais um texto do Falsitatis Splendor. Não é nenhum texto novo, mas apenas um argumento que eu ainda não havia refutado e que se encontra no mesmo artigo em que o Alessandro Lima pretendia provar que o cardeal Ottaviani aprovara a versão final da missa nova. Lá no final do artigo, encontramos o seguinte raciocínio:
Cabe ainda lembrar o que ensinou o Concílio de Trento:
“Cân. 6. Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, portanto, deve ser ab-rogado: seja anátema” (Sacrifício da Missa, Doutrina do Sacrifício da Missa Cap. IX. Sessão XXII celebrada no dia 17 de setembro de 1562. DENZINGER 1756).
“Cân. 7. Se alguém disser que as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa são mais incentivos de impiedade do que sinais de piedade: seja excomungado” (Ibidem. DENZINGER 1757).
Logo, segundo o Concílio de Trento é IMPOSSÍVEL que a Igreja formule uma liturgia da Santa Missa que contenha erros contra a Fé ou que incentive a impiedade. Cai nos anátemas do Concílio Tridentino quem acredita que a liturgia da Missa Nova seja intrinsecamente má ou que incentiva a impiedade.
http://www.veritatis.com.br/article/5079
As citações do concílio de Trento são perfeitas, mas a interpretação, como de costume, é um desastre. Não está escrito, de forma alguma, nos cânones citados que jamais pudesse ser formulada uma liturgia da Santa Missa que contivesse erros. A “conclusão” do Alessandro Lima não passa de suas próprias idéias pré-concebidas, expostas como se fosse conseqüência lógica dos textos do concílio de Trento.
Certamente, através de um documento do magistério infalível, não seria aprovada nenhuma liturgia com erros. Mas o mesmo não se pode dizer da missa nova, cuja elaboração, entre outras coisa, contou até mesmo com a ajuda de seis pastores protestantes.
Se voltarmos ao texto do concílio, veremos que ele se encontra no presente do indicativo. E a Missa da época do concílio é a Missa Tridentina. Ou seja, o cânon da Missa que não possui erros, e que não deve ser ab-rogado, segundo o concílio de Trento, é o da Missa de Sempre. O texto não diz nada do tipo “qualquer que seja o cânon da Missa que venha a ser aprovado, sob quaisquer condições, ele estará livre de erro”. Dizer, portanto, que o texto do concílio de Trento se aplica à missa nova, “inventada” quatro século depois é, no mínimo, duvidar da capacidade intelectual do leitor.
Mas, nós podemos não somente desfazer o engano do Alessandro Lima, mas também ir bem além nas conseqüências desses cânones do Sagrado Concílio de Trento.
Se a Missa Tridentina não contém erros, como de fato não os contém, então por que deveríamos criar uma missa nova? Se a Missa de Sempre é indefectível, como de fato o é, então por que introduzir uma nova missa?
O simples fato de se ter “inventado” uma nova missa, é uma crítica implícita à missa antiga. Para que, afinal, modificar uma liturgia que não tinha o menor vestígio de erro?
Não se utiliza, com freqüência, como argumento a favor da missa nova, o fato de que essa seria melhor para os leigos, aumentando sua “participação”? Implicitamente, existe aí a crítica de que a Missa de Sempre estaria errada, por “afastar” o leigo da sua legítima “participação” (ou “concelebração”). Estou usando a terminologia moderna, de propósito, para evidenciar a crítica velada que existe, no pensamento moderno, contra a Missa de Sempre.
E o que comentar sobre o cânon 7 e “as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa”? Se eles são sinais de piedade, como de fato os são, por que foram tão modificados no Novus Ordo? Os sinais externos do novo rito, para citar apenas um exemplo, não haviam sido alvo das críticas do cardeal Ottaviani? Não foi esse piedoso cardeal que denunciou, por exemplo, a redução das genuflexões durante a missa, levando-as quase à completa supressão? A conclusão óbvia é que, se o que se fazia no rito antigo era sinal de piedade, o novo que tentou suprimi-lo somente pode ser sinal de impiedade. Corajosamente denunciada pelo cardeal Ottaviani, que não teria nenhum motivo para aprovar o novo rito, destruidor das seculares piedades cristãs tão harmoniosamente dispostas na Missa de Sempre.
Acho que eu já me alonguei demais sobre uma conclusão que é bastante simples: a Missa Tridentina, segundo foi exposto dogmaticamente pelo Concílio de Trento, está isenta de erros. Quem disser o contrário está excomungado. Já a missa nova tentou modificar uma missa que era perfeita. Logo, existe uma crítica implícita à Missa de Sempre, pois não se precisa modificar algo que não possui erros.
Mais uma vez o tiro dos modernistas saiu pela culatra.
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