Felipe Aquino recomenda Harry Potter

Depois do levantamento das excomunhões contra os bispos da FSSPX, resolvi visitar o site do Felipe Aquino para ver o que ele iria falar, se é que o faria. Minhas suposições se confirmaram: o professor passou o caso no mais absoluto silêncio.

Mas, se as boas notícias da Igreja o professor não publica, por serem contrárias às suas opiniões, os péssimos conselhos continuam a ser publicados em seu site. Logo na primeira página, uma leitora pergunta qual atitude tomar em relação aos filhos que gostam do bruxo Harry Potter. Eis o conselho dado por Felipe Aquino:

Sra … segue abaixo a determinação do Vaticano acerca dos filmes e livros do Harry Potter, como verá não há problema algum.

Felipe Aquino

Vaticano: Harry Potter não é nenhum problema para o cristão

São Paulo (SP), 4/2/2003

No Brasil, foi particularmente intensa a campanha contra Harry Potter.
Eu, que desde o começo defendi publicamente essa obra (também na Catolicanet), fiquei muito feliz com as recentes notícias do Vaticano sobre HP. O Boletim da Zenit de 3-2-03, informa que o Padre Peter Fleetwood, representante da Santa Sé na coletiva de imprensa de lançamento do documento sobre a New Age, declarou taxativamente (mas de passagem, como convém a assunto óbvio…) que “Harry Potter não representa nenhum problema: na infância de todos nós houve fadas, magos, anjos e bruxas, e isso não é mau mas uma ajuda para que as crianças entendam o conflito entre o bem e o mal”. E mais: a autora J. K. Rowling “é uma cristã; não talvez do modo como gostariam alguns bispos, mas vive como cristã e escreve como cristã”. Estavam presentes também o cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura e o arcebispo Michael Fitzgerald, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso. Cfr:
http://www.zenit.org/spanish/visualizza.phtml?sid=30865 Agora cabe a cada um de nós escolher: ficar com o bom senso da Igreja ou com aqueles “católicos” que se empenharam tanto em criticar HP e, em alguns casos, valendo-se de calúnias vergonhosas e indesculpáveis contra a autora.

Prof. Dr. Jean Lauand – Prof. Titular de Filosofia FEUSP

Fonte: Agência Zenit

http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=PERGUNTA_RESPOSTA&id=prs0201

Ora, um dos dons do Espírito Santo não é exatamente o dom de conselho? Parece que o Felipe Aquino, apesar de fervoroso seguidor da RC”C”, não foi contemplado nem de longe com este dom. O que ele fez foi recomendar para os católicos uma obra que divulga a bruxaria e a magia como coisas normais e até positivas.

Se alguém tem alguma dúvida sobre o caráter nefasto da obra, é interessante ler o artigo “Harry Potter, o sinistro e diabólico anti-conto de fadas”, do site Catolicismo (é necessário fazer um cadastro para ler os artigos). Os textos citados são suficientes para demonstrar como a obra descreve elementos diabólicos, completamente inadequados mesmo para adultos, quanto mais para crianças. A obra leva as crianças a acreditar na magia, e pior que isso, a imaginar que é algo bom.

A verdadeira obra de arte, seja ele literária ou qualquer outra, deve refletir o bom, o belo e o verdadeiro (bonum, verum et pulchrum). A obra de arte apropriada para católicos deve inspirar os mais nobres desejos, as mais altas virtudes.

A obra Harry Potter, pelo descrito no site Catolicismo, não reflete nenhum dos três valores essenciais. Primeiro, a atitude dos “heróis” não é exemplo de moralidade: o próprio protagonista, por exemplo, desejaria vingar-se de um de seus professores. A beleza é o valor menos cultivado na obra, cheia de descrições dos seres mais horríveis e repugnantes – verdadeiros demônios. A obra é uma apologia da fealdade, do nojo, do asco. A verdade tampouco aparece na obra, que cria um mundo falso, dominado pelas falsas leis da magia, e não por aquelas verdadeiras leis do universo que Deus, infinitamente sábio e poderoso, dignou-se estabelecer.

É este “coquetel de monstruosidade” que o Felipe Aquino recomenda. Uma ante-visão do inferno, cheia de monstros, demônios, horrores.

Uma das coisas que mais me revolta nas posturas do Felipe Aquino é sua capacidade de criar “autoridades” para sustentar suas opiniões. Ele apresenta as desastrosas afirmações do Padre Peter Fleetwood, em uma entrevista, como sendo a “determinação do Vaticano”. Este padre foi apenas o “representante da Santa Sé na coletiva de imprensa de lançamento do documento sobre a New Age”. Mas, o Felipe Aquino apresenta seu parecer como se estivesse revestido de toda a autoridade da Santa Igreja Católica. As opiniões de uma padre, agora, são a “determinação do Vaticano”…

Não vou nem comentar o resto do artigo citado pelo Felipe Aquino. Basta ressaltar que o autor colocou a palavra “católicos” entre aspas, para se referir àqueles que não aceitam o seu parecer favorável às monstruosidades desta verdadeira introdução à magia. Inversão de valores aprovadas pelo Felipe Aquino, que citou o artigo como referência.

Será que o Felipe Aquino não enxerga o absurdo de sua posição, o quanto ela é contrária à doutrina católica? Não percebe ele o mal que faz às almas ler obras que tratam de monstros, demônios, magia, horrores, cenas repugnantes? E depois ele teve a ousadia de citar um artigo do falsitatis dizendo que é a Montfort que faz mal às almas por não aceitar o Vaticano II e seus erros. E teve a ousadia de dizer que gostaria de calar a nossa boca. Sinceramente, acho que o Felipe Aquino vive fora da realidade, em um conto de fadas às avessas, onde o que é bom é mal, e o que é mal é bom. Até o Vaticano II e a missa nova, para ele, seriam bons…

Publicado em: on Janeiro 26, 2009 at 10:48 pm Comentários (24)
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Mais uma batalha vencida

Mais uma batalha vencida para a restauração da Tradição. Foi assim que eu, pessoalmente, enxerguei o levantamento das excomunhões contra os bispos da FSSPX. Ainda não foi a vitória completa. Há de se notar, especialmente, que não foi feita justiça a Dom Marcel Lefêbvre e a Dom Castro Mayer. Se a guerra tivesse terminado por aqui, teria sido um verdadeiro desastre. Mas não acabou! O Vaticano reconhece a necessidade de continuar os debates, e a FSSPX se mantém firme na defesa da Verdadeira Fé. E Dom Bernard Fellay manifestou a esperança em uma reabilitação próxima de Dom Marcel Lefêbvre. Nós a desejávamos agora, junto com a dos demais bispos. Mas, declarar a nulidade das excomunhões de 1988 iria enfurecer demais os modernistas. Bento XVI, como já expressou na Summorum Pontificum, não deseja causar um cisma. Por isso, age com prudência. Ainda não chegamos aonde queríamos, mas estamos caminhando para lá, mesmo que lentamente.

De qualquer forma, foi uma vitória. Em primeiro lugar, a FSSPX não aceita os erros do Vaticano II, e mesmo assim não está “excomungada” (como nunca esteve). O IBP também não o aceita, mas tendo já assinado seu acordo com Roma, não pode falar tão abertamente sem ser perseguido pelos modernistas. A FSSPX continuará o bom combate da Fé sem sofrer golpes com o que o IBP sofreu, expulso de São Paulo.

Além disso, os modernistas, os “conservadores” e os “tradicionalistas” pró-Vaticano II não poderão mais utilizar as excomunhões como desculpa para afastar as pessoas inocentes da FSSPX. Acabaram-se as desculpas para as acusações baixas contra a FSSPX.

Os padres de Campos não poderão mais utilizar aquela “estratégia de marketing” ridícula: “Venha assistir à Missa Tridentina em comunhão com a Igreja”. A frase é uma clara alusão à FSSPX, tentando fazer os incautos preferirem a missa dos traidores que aceitaram o Vaticano II àquela dos que estavam supostamente “excomungados”.A FSSPX sempre esteve em comunhão, mas agora está oficialmente, e acabou assim o motivo do “slogan publicitário” dos traidores da Tradição.

Que alegria em constatar que ficou muito mais difícil agora para que o Felipe Aquino consiga calar a nossa boca. Até o Vaticano reconhece a necessidade de se prosseguir no diálogo. O Vaticano não disse: “calem a boca e parem de atacar o concílio, senão vocês permanecerão excomungados para sempre”. Pelo contrário, a FSSPX não cedeu em nada, as excomunhões foram levantadas, e a discussão prosseguirá.

Felipe Aquino é incorrigível, como o Falsitatis Splendor. Mas que importa a opinião deles? O que importa é que perderam o motivo que tinham para atacar a FSSPX. Assim como o IBP, a FSSPX está na Igreja sem aceitar os erros do Vaticano II. Aqueles, que queiram calar a nossa boca, tiveram as suas caladas.

Ainda não ganhamos a guerra. Mas, de batalha em batalha chegaremos lá. Deus dê forças a S.S. Bento XVI para enfrentar os inimigos da Igreja e restaurá-La plenamente.

Folheto de missa nega presença real de Cristo na Eucaristia

O protestantismo se levantou contra a maior parte das Verdades de Fé da Igreja. Lutero, entre outras heresias, negava o caráter de sacrifício da Santa Missa, bem como a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. A Santa Igreja, com energia, repeliu, no Concílio de Trento, estas nefastas heresias, reafirmando todos os dogmas ensinados por Nosso Senhor.

Hoje em dia, no entanto, este bravo esforço em defesa da Verdadeira religião, que atravessou os séculos, é covardemente traído pelos membros corrompidos da nova igreja modernista. O erro é ensinado abertamente. As perniciosas heresias protestantes são ensinadas por aqueles mesmos que tinham o maior dever de repeli-las e de ensinar a Verdadeira Fé.

Como exemplo do que afirmo, segue a transcrição de um texto retirado de um folheto de missa (os destaques são nossos):

VIDA E MISSÃO
40º ANIVERSÁRIO DA SACROSSANTUM CONCILIUM

A SAGRADA LITURGIA (39)

“Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (Lc 24,35)

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.
Quando a gente se reúne cada domingo, a gente está atendendo a um pedido de Jesus, um pedido muito caro a seu coração.

Ele gosta de ver seus discípulos reunidos em seu nome. Este é o momento por excelência de experimentar a presença do Ressuscitado entre nós. Ele chega, antes de tudo, para nos comunicar sua paz. O momento decisivo, porém, de experimentar esta presença real e dinâmica é, justamente, quando repartimos entre nós, irmãos e irmãs, o pão e o vinho, em sua memória, como ele mesmo nos mandou. E não há magia nem milagre, é um “sacramento”, isto é, um sinal, ou, como diziam os gregos, um “mistério”, segredo que só aos iniciados, no caso, os evangelizados, é dada a graça de desvendar, e, por isso, um “Mistério de Fé”.

Mas para ser um sinal realmente significativo, precisa ser dado com toda a sua força de expressão, não pode ser um “faz de conta”. E a este respeito precisamos superar as distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista, que, em detrimento do realismo evangélico e do valor de tudo quanto é corpo e matéria, criação de Deus, reduziu a expressão sacramental ao mínimo dos mínimos, vale dizer, à insignificância: o banho do batismo se reduziu a uns pingos d’água; a unção dos enfermos, a um triscar com uma gota de óleo; o pão da Ceia do Senhor, a uma pequenina “ficha”.
Mesmo se nos ativermos à tradição do pão ázimo, coisa que não precisaria ser tão rigorosa, já que, por exemplo, as Igrejas do Oriente desde sempre o rejeitaram, bem que poderíamos fazer uma coisa que se possa perceber que se trata de pão, pois foi pão de verdade que Jesus tomou e deu aos discípulos.

Pão que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando. E, nesse comer de verdade, experimentar “quão suave é o Senhor”, sentir-se em profunda comunhão de vida e destino com Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida! Pão que a gente partilha entre todos e, ao comer da mesma mesa, do mesmo pão, nos sentir a formar um só Corpo, com Aquele que é nossa Cabeça, nosso traço-de-união.

Em comunidade, em clima de aconchego, fica mais fácil de resolver o problema. Quando se trata de multidão, como chegar a uma solução verdadeira, sem sair pela tangente da lei do menor esforço?… Experimentamos tudo isso meditando e cantando de novo o Salmo 147!

Folheto de missa – Deus conosco 21/09/2003

Os erros contra a Fé são da maior gravidade. Estão escritos com todas as letras, e negam explicitamente a presença real de Cristo na Eucaristia. Como se pode negar, em tão poucas linhas tantos dogmas de Fé? Resumindo a idéia do autor, poderíamos dizer que o texto insiste no caráter de refeição da Santa Missa, e que é preciso perceber que se trata de pão, (…) que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando, em um comer de verdade. E se se trata apenas de pão, é porque não houve a transubstanciação, uma vez que não há magia nem milagre. O dogma da transubstanciação seria fruto de distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista. O sacramento seria apenas um “sinal”, uma simbologia sem efeitos reais. E como se trata apenas de alimento material, deve haver quantidade suficiente, e não pode ser um mínimo dos mínimos, uma pequenina “ficha”.

Isso é um verdadeiro resumo da heresia protestante, transcritos em um folheto de missa dito católico. Basta comparar com a expressão ortodoxa da Fé católica: a Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício de Cristo no Calvário, na qual Nosso Senhor se faz presente, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Depois da consagração, já não há mais pão ou vinho, mas sim Cristo escondido sob as aparências de pão e vinho. Existe sim um milagre, um dos mais belos milagres que Deus se dignou realizar: tornar-se alimento espiritual para os que comungam seu Corpo e Sangue. O sacramento não somente é uma sinal, mas confere real e eficazmente as graças contidas no símbolo. E nosso Senhor está integralmente presente na mínima partícula da Sagrada Eucaristia.

O que está escrito no folheto de missa é a negação exata de todos estes dogmas de Fé. Por que as pessoas que defendem tais heresias já não entram de vez para uma seita protestante? Quero dizer, por que não o fazem abertamente, uma vez que, na prática, já não são católicos. Pois quem se refere à Sagrada Eucaristia como uma pequenina “ficha” (como eu fiquei revoltado quando li isto!), filho da Igreja não é. Parece mais ser membro de alguma daquelas seitas extremamente hostis à verdadeira religião.

Até aqui somente comentamos os absurdos escritos naquele folheto da missa (nova, é claro). Que existe um grande traição modernista contra a Igreja, muitos já o admitem. Mas, dentre estes, há um bom número que, iludidos por manobras “falsitáticas”, não compreendem a íntima ligação da apostasia atual com o grande causador de toda esta confusão: o concílio Vaticano II.

Não nos contentaremos, pois, em colocar em evidência os erros do dito folheto. Vamos provar uma tese mais ampla: tais erros estão escorados na “autoridade” do Vaticano II.

Não é nada difícil, uma vez que o próprio autor do texto explicitou seu desejo:

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.

O autor admite que a Constituição Litúrgica Sacrossantum Concilium, cujo 40º aniversário se comemorava, abriu um caminho. E qual não foi este caminho senão o da heresia protestante a respeito da Santa Missa?

A excelente série de artigos intitulada “Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II”, publicada no site da Capela, faz, em seu terceiro capítulo, uma análise dos erros doutrinais sobre a Santa Missa e a Santa Liturgia, contidos em vários documentos conciliares, inclusive na Sacrossantum Concilium. Dada sua qualidade, o artigo é de leitura quase obrigatória para se conhecer um pouco os erros do concílio Vaticano II. Aqui, contentar-me-ei em citar o que diretamente se refere à definição da Santa Missa dada pela Sacrassantum Concilium (os destaques são nossos):

3.1. A definição reticente e incompleta da Santa Missa como “refeição durante a qual se recebe o Cristo” e memorial da morte e da ressurreição do Senhor (morte e ressurreição colocadas no mesmo plano), sem a menor menção do dogma da transubstanciação e do caráter de sacrifício propiciatório da própria Missa (SC 47, 109). Por causa deste silêncio, essa definição cai no caso condenado solenemente por S.S. Pio VI em 1794, por ser “perniciosa, infiel à exposição da verdade católica sobre o dogma da transubstanciação, favorável aos heréticos” (Const. Apost. Auctorem fidei, DZ 1529 / 2629), e introduz uma falsa concepção da Santa Missa, concepção que, em seguida, serve de fundamento à nova liturgia desejada pelo Concílio, graças à qual os erros da “Nova Teologia” chegaram até os fiéis.

A cor protestante dessa definição da Santa Missa aparece de modo ainda mais claro no artigo 106 da constituição Sanctorum Concilium: “a Igreja celebra o mistério pascal todo o oitavo dia, que é chamado com justeza o dia do Senhor ou domingo. Efetivamente, nesse dia os fiéis devem se reunir para que, ouvindo a palavra de Deus e participando da Eucaristia, eles se lembrem da paixão, da ressurreição e da glória do Senhor Jesus e rendam graças a Deus, etc”. O texto latino mostra sem sombra de dúvida que o fim da Santa Missa é, segundo SC, o memorial e o louvor: “Christi fideles in unum convenire debent ut verbum Dei audientes et Eucharistiam participantes, memores sint (..) et gratias agant (…)”. Ver também, como prova, Ad Gentes 14: os catecúmenos participam da Santa Missa, quer dizer que eles “celebram com todo o povo de Deus o memorial da morte e da ressurreição do Senhor”, onde se constata que a Santa Missa é simpliciter o memorial da morte e da ressurreição do Cristo, celebrada por todo o povo cristão. Nem a menor menção do Sacrifício renovado de modo incruento para a expiação e perdão de nossos pecados.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

O autor do texto publicado no folheto de missa, portanto, não mentiu quando disse que estava progredindo no caminho aberto pela Sacrossantum Concilium. O silêncio criminoso desta constituição sobre os pontos mais importantes da definição da Santa Missa, e justamente aqueles que a diferenciam da concepção protestante, abriu brechas para textos como o que foi escrito naquele folheto. Se o concílio fosse realmente parte legítima do Magistério da Igreja, o autor do texto do folheto teria razão em afirmar que a missa é uma simples refeição, e que é um memorial da morte de Cristo. Absurdo!!! Mas, afinal, é isso que se encontra no textos nada ortodoxos do Vaticano II.

Mas, se o texto da Sacrossantum Concilium é tão pernicioso por suas omissões, muito pior é o documento que instituiu a missa nova. Ainda citando o mesmo artigo do site da Capela, vejamos a definição da Santa Missa dada por esse documento confrontada com a definição de São Pio X (os destaques são nossos):

Já se encontra nestes artigos a definição da Missa que será dada em seguida pelo funesto artigo 7 do Institutio Novi Missalis Romani (1969), ainda em vigor: “A Ceia do Senhor ou Missa é a santa assembléia ou reunião do povo de Deus que se reúne sob a presidência do padre para celebrar o memorial do Senhor“; definição que, na época, suscitou protestos tão angustiados quanto inúteis de numerosos fiéis e padres e a célebre tomada de posição dos cardeais Bacci e Ottaviani em razão de seu caráter manifestadamente protestante, isto é, herético. Comparemos essa definição com aquela, ortodoxa, contida no Catecismo de São Pio X: “No. 159. O que é a Santa Missa? A Santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que sob as espécies do pão e do vinho, são oferecidos pelo padre a Deus sobre o altar em memória e renovação do Sacrifício da Cruz“.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

Na definição da Santa Missa dada por Paulo VI no documento que instituiu a missa nova, nada há que se assemelhe à doutrina católica. Pelo contrário, é a total negação do dogma católico. É a mais aberta declaração da heresia protestante. Como pode um católico se deixar enganar, fingindo não perceber aí a evidente perversão da Santa Doutrina?

Aos que defendem a missa nova poderíamos perguntar: foi o Espírito Santo que inspirou a criação da missa nova? Foi sob a assistência do Espírito Santo que Paulo VI aprovou essa definição protestante da missa? Podemos atribuir ao Espírito Santo a fundação da nova missa de Paulo VI, através deste documento tão manifestamente contrário à Sã Doutrina? Responder afirmativamente é cometer uma terrível blasfêmia.

Se o Vaticano II e a Institutio tivessem repetido a definição ortodoxa de São Pio X, o autor do texto do folheto de missa teria como se apoiar nestas “autoridades” para negar a presença de Cristo na Eucaristia? Certamente não. Se o concílio fosse ortodoxo, ele não abriria brechas para as heresias. O concílio foi intencionalmente ambíguo e omisso, não ensinando de forma clara e inequívoca a Verdade, nem condenando as heresias. Por isso, escorados na “autoridade” deste concílio pseudo-católico, os hereges tentam destruir a Igreja. Eles não conseguirão, pois Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra Sua Igreja Santa. Mas, enquanto o concílio não for desmascarado completamente, os hereges modernistas continuarão a fazer muito mal às almas dos pobres fiéis.

Tradução de In Corde Jesu, semper

Tenho observado, através das estatísticas de acesso ao blog fornecidas pelo WordPress (com qualidade cada vez maior), que muitas pessoas pesquisam sobre a tradução de “In Corde Jesus, semper”. Esta frase significa “No coração de Jesus, sempre”. Outras traduções que podem interessar:

In Corde Jesu et Mariae -> no Coração de Jesus e de Maria

A.M.D.G. – Ad Majorem Dei Gloriam -> Para maior glória de Deus

U.I.O.G.D. – Ut in omnibus glorificetur Deus -> Que em tudo Deus seja glorificado

Salus animarum lex suprema est -> A salvação das almas é a lei suprema

Pax Domini sit semper vobiscum -> A paz do Senhor esteja sempre convosco

Publicado em: on Janeiro 13, 2009 at 9:13 pm Comentários (2)
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Sobre a divulgação de blogs católicos e a moderação de comentários

Gostaria de dizer (o que já deveria ter feito há muito tempo) que tenho o maior interesse em divulgar os blogs e sites católicos tradicionais. Toda vez que tomo conhecimento de um novo blog ou site católico, faço questão de acrescentá-lo nos links recomendados. É claro, somente vou divulgar sites realmente católicos, e não modernistas que se auto-intitulam católicos.

Aproveitando a oportunidade, gostaria de juntar-me ao apelo da amiga Magdalia, e solicitar àqueles que possuem um blog católico que não o apaguem. Mesmo com poucas atualizações, o seu blog pode ser uma boa fonte de consultas. Há muita gente que não conhece a história da apostasia provocada pelos modernistas, através do concílio Vaticano II e da missa nova, e pode ser que o seu blog seja o primeiro contanto de muitas pessoas com a Tradição Católica. Há épocas em que temos pouco tempo para escrever. Mas quando a tempestade passa, há sempre algo bom para ser escrito e seu blog estará lá, pronto para receber seus textos. Não é o número de acessos ao site que indica o sucesso do apostolado. Quem gosta de números é o “mundo”, a democracia imbecilizada, a televisão preocupada com “ibope”. O que nós precisamos é de qualidade, de conteúdo verdadeiramente católico, capaz de defender a única Fé Verdadeira.

Finalmente, quanto às respostas aos comentários, eu sei que elas têm atrasado. Mas eu prefiro atrasar um pouco e responder às questões mais difíceis com consciência, com a certeza de que estou reproduzindo fielmente a doutrina católica. Além disso, aqueles teimosos e repetitivos terão prioridade menor para resposta.

Publicado em: on at 8:51 pm Comentários (5)

Para os que se escandalizam com o latim…

A todos os que se escandalizam com o latim na liturgia tradicional da Igreja Católica Apostólica Romana,  convido a assistir o seguinte vídeo, que eu encontrei na página da Igreja Greco-Melquita Católica: (http://www.melquitas.com.br/paginas.php?cod_pagina=246&tipo=dep&cod_sub_area=104)

Esta celebração da Divina Liturgia (como é chamada a Missa no rito oriental) mostra toda a assembléia cantando em português, grego e árabe. Portanto, não somente uma, mas duas línguas litúrgicas diferentes do vernáculo. E a quantidade de pessoas cantando demonstra que as línguas litúrgicas não são uma barreira para quem tem verdadeira religião. Em vez de afastar as pessoas, as línguas litúrgicas as unem e reforçam sua identidade, como o grego e o árabe na liturgia oriental, e o latim na ocidental.

É preciso lembrar que o valor da assistência à Missa não depende da compreensão dos textos litúrgicos. O que importa é que se está diante do Sagrado. A liturgia tradicional é, inequivocamente, um culto de adoração a Deus. Um momento de se esquecer do mundo e se concentrar apenas em Deus, e a língua litúrgica diferente do vernáculo ajuda em muito a destacar a sublimidade deste momento, superior a todos os outros momentos do nosso quotidiano.

Engraçado que as pessoas que se escandalizam quando se defende a liturgia da Santa Missa em latim, são aquelas mesmas que não perdem um capítulo da novela, ou das novelas… Para as coisas do mundo há tempo de sobra, mas quando se trata de religião, busca-se sempre o mais cômodo, aquilo com o que já se  acostumou, por mais pobre que seja em termos litúrgicos. Quem se acostumou com a língua vulgar da missa nova deveria fazer um esforço inicial para assistir a liturgia tradicional. Logo verá que o não latim não é obstáculo, pelo contrário, é um dos grandes atrativos da liturgia. O latim realça o momento sublime da Santa Missa. E quem sabe, com o tempo, aquelas mesmas pessoas que se assustavam com o latim, acabem até por estudá-lo. Pois, mesmo não sendo essencial, a compreensão do que diz o texto litúrgico e o canto gregoriano pode ajudar na apreciação de seu valor.

De qualquer forma, sendo compreendida ou não, a liturgia tradicional é incomparavelmente mais bela do que aquela inventada na década de 60. E não somente mais bela, como muito mais verdadeira, muito mais próxima da dignidade de Deus, plena das virtudes de piedade e religião.

O Concílio Vaticano II foi intencionalmente ambíguo e responsável pela crise atual

A simples inteligência já seria capaz de denunciar as ambiguidades do Concílio Vaticano II, de tão evidentes que elas são. Bastaria comparar os textos confusos e ambíguos do Vaticano II com os textos claros e inequívocos dos outros concílios para se perceber que há “algo” estranho no último concílio. Mas, teria sido esta ambiguidade mero acidente? Teria sido apenas descuido ou incompetência? Não, foi bem pior do que isso. A ambiguidade dos textos conciliares foi a tática utilizada para fazer com que os bispos conservadores não suspeitassem, ou não antevissem as consequências, das heresias defendidas pelos modernistas. E muito mais do que os bispos conservadores, os leigos inocentes deveriam ser confundidos pela ambiguidade dos textos conciliares.

No livro extremamente esclarecedor “O Reno se lança no Tibre”, do Pe. Ralph Wiltgen S.V.D., que acompanhou o Concílio na qualidade privilegiada de jornalista, há alguns trechos extremamente esclarecedores sobre a perversidade da tática modernista da ambiguidade (os destaques são meus):

Foi então que um dos liberais extremistas cometeu o erro de fazer referência por escrito a algumas das passagens ambíguas e de esclarecer como seriam interpretadas após o Concílio. O documento caiu nas mãos do grupo de cardeais e superiores maiores de que acabamos de falar, e seu representante foi levá-lo ao Sumo Pontífice. Compreendendo então que se tinham aproveitado dele, Paulo VI caiu em si e chorou.

Ralph Wiltgen S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; pág 244-245

“Desde a segunda sessão”, esclarecia [o padre Schillebeeckx], “dissera a um especialista da Comissão de Teologia que se sentia irritado ao ver exposto no esquema o que parecia ser o ponto de vista liberal-moderado sobre a colegialidade; pessoalmente, ele era favorável ao ponto de vista liberal-extremo.” O especialista lhe havia respondido: “Nós nos exprimimos de modo diplomático, mas depois do Concílio tiraremos do texto as conclusões que estão nele implícitas.” O padre Schillebeeckx achava esta tática “desonesta”. Durante o último mês da terceira sessão, dizia, bispos e teólogos tinham continuado a falar da colegialidade “em um sentido que não estava de forma alguma consignado no esquema”. Sublinhava que a minoria tinha compreendido perfeitamente que o fraseado vago do esquema seria interpretado em um sentido mais forte depois do Concílio. (…) A maioria, dizia, tinha recorrido a uma terminologia deliberadamente vaga e excessivamente diplomática e ele recordava que o próprio padre Congar tinha bem cedo protestado contra a redação deliberadamente ambígua de um texto conciliar.

Ralph Wiltgen S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; pág 244-245

Mais claro do que isso, impossível. Os textos acima provam que os modernistas são réus confessos: a ambiguidade foi a tática utilizada para infiltrar os erros no texto conciliar. As conclusões modernistas deveriam ser retiradas dos textos ambíguos após o Concílio. Os hereges modernistas disfarçaram as heresias através de ambiguidades, para não serem reconhecidas facilmente, senão depois de já aprovados os textos do Concílio. O próprio padre Schillebeeckx, principal especialista conciliar da hierarquia holandesa, considerava a tática modernista desonesta.

Quando os defensores do concílio, como o falsitatis splendor, afirmam com ares de doutores que o concílio é inocente pela crise atual; e que os abusos cometidos atualmente não têm suas raízes no próprio concílio; e ainda que existe um má interpretação do concílio por parte de pessoas mal intencionadas, esta tese desmorona completamente quando se lê a história do Concílio. A ambiguidade de seus textos foi intencional. E a confissão dos modernistas vem claramente confirmar o que já se poderia deduzir com um pouco de perspicácia. Os hereges pós-conciliares apenas colhem os frutos plantados pelos modernistas durante o concílio.

Por que o concílio já não expôs de forma aberta o erro?

Podemos levantar algumas hipóteses.

Umas das mais evidentes e seguras, é que a resistência conservadora se opôs aos liberais promotores do modernismo. Em numerosos trechos do livro, que seria demasiado longo citar, narram-se as ferrenhas disputas entre os bispos conservadores e os bispos modernistas, bem como o “jogo sujo” promovido por estes últimos, mudando as regras do concílio durante seu andamento, sempre no sentido de neutralizar a resistência conservadora. Quanto mais a heresia estivesse escondida sob a forma de ambiguidades, mais difícil seria a percepção do alcance dos mesmos e menor seria, portanto, a oposição dos conservadores.

Depois, a publicação das heresias com todas suas letras causaria um choque enorme e colocaria em evidência a má fé dos liberais. Escrever com todas as letras uma tese contrária à doutrina católica tornaria fácil desmascarar a heresia. Um bom católico jamais aceitaria a heresia modernista posta a descoberto. Assim, convinha infiltrar aos poucos a heresia, sem grandes choques às consciências, baseando-se na interpretação liberal dos textos ambíguos do concílio.

Essa é, mais ou menos, a tática modernista. Uma atitude nada cristã, certamente, pois Nosso Senhor disse: sim, sim; não, não.

De forma abstrata, podemos fazer a seguinte analogia. O que a Igreja ensinava que era branco, os hereges diziam que era preto. O concílio não escreveu nem uma coisa, nem outra, mas adotou uma formulação vaga, ambígua e “diplomática” (que diabólico eufemismo!): é monocromático! No pós-concílio, monocromático virou, pouco a pouco, sob ação dos modernistas, simplesmente preto, como queriam os hereges.

Vejamos alguns exemplos concretos de textos ambíguos no concílio e como a tática da interpretação posterior pode ser-lhes aplicada para extrair as heresias.

A famosa afirmação “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica” é um exemplo dos mais citados sobre a ambiguidade do Vaticano II. E como ela se encaixa na tática modernista! Se o texto dissesse simplesmente “a Igreja de Cristo é a Igreja Católica”, não haveria nenhuma margem de discussão. Estaria apenas se reforçando a doutrina de sempre. Não haveria necessidade de tantas explicações posteriores como o Vaticano teve de fazer. Por outro lado, se os hereges modernistas escrevessem com todas as letras “a Igreja de Cristo subsiste em diversas (ou em todas as) igrejas”, ou “a Igreja de Cristo compreende mais do que a Igreja Católica”, o erro doutrinário estaria tão evidente que causaria um enorme choque nos católicos, que não o aceitariam. Por isso, usando a tática perversa da ambiguidade, optou-se pela fórmula bizarra do “subsistit in”. Assim, após o Concílio, lenta e gradualmente, os modernistas iriam levando o povo a acreditar na interpretação herética do texto em questão. Evitaram o choque de uma heresia explícita no texto conciliar e, posteriormente, apoiados na “autoridade” do Vaticano II, injetaram o veneno modernista.

E o texto sobre a “semente divina no homem”? Não poderia ele ser entendido por alguém – muitíssimo ingênuo – como a graça habitual, i.e., a habitação da Santíssima Trindade na alma batizada e que não se encontra em pecado mortal? Mas também, por sua ambiguidade, pode ser muito mais facilmente identificado como o germe divino aprisionado na matéria, segundo a heresia gnóstica. Absurdo? Certamente não. Todos aqueles “católicos” que hoje crêem em “poder da mente”, “poder infinito do subconsciente”, “energia positiva”, “energia do pensamento”, etc, não fazem outra coisa senão acreditar nesta heresia gnóstica. Ensinada abertamente por padres através de diversos livros.

E o que dizer sobre as contradições conciliares? Em um lugar se faz um panegírico do uso do latim na Igreja, noutro se recomenda o uso da língua vernácula. É fácil perceber qual a intenção dos modernistas. Os elogios ao latim se transformaram, no pós-concílio, em letra morta, enquanto que, na prática, somente se aproveitaram as passagens que estimulavam o vernáculo. É possível, honestamente, negar que, neste caso também, se aplicou perfeitamente a tática modernista de tirar suas conclusões após o concílio? E, os que gostam de se enganar, citam os textos a favor do latim como se fossem prova da “boa intenção” do concílio…

Poderíamos reler todas as passagens ambíguas do concílio e verificar como elas permitem uma interpretação herética, que os modernistas pretendiam explorar depois do concílio.

Pode alguém negar todas estas evidências? As confissões dos modernistas, associadas com a história pós-conciliar não permite a ninguém, por mais ingênuo que seja, negar a existência de um plano bem arquitetado com a finalidade de promover a heresia modernista. Um plano que começou muito antes do concílio, mas que teve nele seu ápice.

Quando se aproxima um imã de uma porção de limalha de ferro, elas se reordenam conforme o campo magnético produzido pelo imã. Poderia alguém negar a existência de alguma força agindo sobre a limalha de ferro?

Da mesma forma, todas as atitudes modernistas, desde a época anterior a São Pio X, atravessando o concílio e alcançando estes nossos dias terríveis de apostasia, orientam-se para a mesma direção. Tudo leva para o ecumenismo, para a liberdade religiosa, para a desvalorização da Igreja, para o elogio dos hereges e infiéis, para a divinização das falsas religiões, para a colegialidade, para o igualitarismo, para o fim da hierarquia e da distinção entre sacerdote e leigos, etc. As táticas mudaram de acordo com a situação. Mas, negar que haja uma ação ordenada a um fim, o perverso fim de destruir a Igreja, sua Hierarquia, sua Tradição, sua Fé,  isso já é tão inaceitável como negar a ação do imã sobre o monte de limalha de ferro.

Então o concilio pode ser considerado o culpado pela crise atual?

É necessário entender que o Concílio foi uma etapa da estratégia modernista, e que não pode ser considerado isoladamente de seu passado e da sua posterioridade. Precisamos recordar as manobras modernistas para fugir das condenações de São Pio X e de Pio XII e para ganharem força no pré-concílio. Depois, devemos analisar como as conclusões do concílio foram empregadas para chegarmos à crise em que nos encontramos. Mas, sem dúvida, o concílio foi a etapa mais importante de todo este processo. A culpa da crise atual, é, em última instância, dos hereges modernistas. Mas o concílio, como peça fundamental dessa artimanha diabólica dos modernistas, também dever ser devidamente responsabilizado pela crise atual na Igreja.

E por que o concílio foi tão importante para os modernistas?

A maioria das pessoas, especialmente as menos letradas, são muito mais propensas a acreditar nos argumentos de autoridade do que naqueles de raciocínio. A tática modernista foi criar uma “autoridade” conciliar, supostamente católica, na qual os simples se apegariam com sua fé singela, por acreditarem se tratar da legítima autoridade da Santa Igreja Católica. Assim, enquanto os modernistas tiravam do concílio as conclusões heréticas que estavam escondidas sob o véu da ambiguidade, a massa de ingênuos se mantinha alheia a toda esta artimanha diabólica. O povo bom lia o concílio com olhos católicos, enquanto que os modernistas o liam com a mesma malícia que utilizaram para escrevê-lo. E, como estes modernistas eram padres e bispos (triste situação a destes traidores!), eram eles que ensinavam o povo e formavam os novos seminaristas, inculcando-lhes pouco a pouco o veneno do modernismo. Escorados sobre a “autoridade” do Vaticano II… O concílio foi a “virada de mesa” dos modernistas. De perseguidos – ainda que timidamente – eles passaram a perseguidores cruéis e inimigos da Tradição e da Igreja.

Isto tudo é muito mais do que uma “teoria da conspiração”, é a explicação que podemos encontrar para a crise atual, baseada nos fatos e nas próprias confissões feitas pelos modernistas que escreveram o Concílio. Que os modernistas pertinazes vão continuar negando a culpa do Vaticano II, disso já temos certeza. Mas, para as pessoas de boa vontade, não há como negar tantas evidências.