O esplendor da hipocrisia

É realmente assustadora a capacidade que o Falsitatis Splendor possui de se desviar dos argumentos tradicionalistas e de criar falsos argumentos e atribui-los a nós. Eles constroem uma caricatura da Tradição e passam a combatê-la como se fosse a própria Tradição.

A última falsificação foi a seguinte:

O MAGISTÉRIO ORDINÁRIO PODE SER LIVREMENTE DESPREZADO?

Os tradicionalistas anti-Vaticano II continuamente afirmam que ninguém é obrigado a aceitar o Concílio Ecumênico Vaticano II porque este não foi um Concílio dogmático, não falou em Magistério Extraordinário. Esta idéia leva muitos a crerem que o Magistério Ordinário (no qual o Concílio falou em grande parte) pode ser rejeitado sempre e livremente, como se nele não pudesse haver infalibilidade.

Esta concepção – derivada daquela que diz ser necessário ao católico aceitar somente o Magistério Extraordinário – é falsa, dado que também o Magistério Ordinário nos impõe obrigatoriedade de aceitação e está munido da infalibilidade em certos casos.

http://www.veritatis.com.br/article/5464/o-magisterio-ordinario-pode-ser-livremente-desprezado

O falsitatis atribui a nós, católicos tradicionais, as afirmações:

o Magistério Ordinário pode ser rejeitado sempre e livremente

é necessário ao católico aceitar somente o Magistério Extraordinário

Desde quando estes são os argumentos tradicionais contra o Vaticano II? Onde foi que algum tradicionalista escreveu isto? Estas frases, retiradas do texto do falsitatis, são mentirosas e não passam de distorções da posição tradicional.

Vamos analisar de forma mais clara a primeira afirmação:

Argumento Tradicional: O Magistério Ordinário pode ser rejeitado quando apresentar erros contra a Fé.

Deturpação do argumento: o Magistério Ordinário pode ser rejeitado sempre e livremente

As duas afirmações acima são completamente diferentes e incompatíveis entre si. Os termos “sempre e livremente” não fazem e nunca fizeram parte do argumento tradicional. Eles foram acrescentados pelo falsistatis para deturpar o nosso argumento. Qualquer pessoa honesta entende isso.

Além disso, para completar o argumento tradicional, explicando-lhe melhor, podemos acrescentar que na ausência de erros, o Magistério Ordinário deve ser seguido. Nenhum católico tradicional nega isso. O que nós, como católicos, temos obrigação de fazer é rejeitar os erros que, por qualquer motivo, se encontrem no magistério falível.

Passando agora para a segunda afirmação:

Argumento Tradicional: O Magistério Extraordinário jamais pode ser rejeitado; O Magistério Ordinário (falível) pode ser rejeitado quando contiver erros contra a Fé

Deturpação do argumento: é necessário ao católico aceitar somente o Magistério Extraordinário

Novamente, temos diante dos olhos dois argumentos completamente distintos. Somente uma enorme má fé pode conduzir alguém a confundir o argumento tradicional com a deturpação apresentada pelo Falsitatis, que não respeita as regras mais básicas da lógica.

Há, ainda, uma outra afirmação que pode até ser verdadeira, desde que bem entendida:

ninguém é obrigado a aceitar o Concílio Ecumênico Vaticano II porque este não foi um Concílio dogmático

É verdade que o concílio não foi dogmático e, portanto, não foi infalível. Mas esta não é a razão pela qual ele deve ser rejeitado. O concílio deve ser rejeitado (ao menos parcialmente) porque contém erros graves contra a Fé. Esta sim é a razão pela qual não devemos aceitar seus textos heréticos. O fato de o concílio ter sido meramente pastoral, não dogmático e falível, é apenas a explicação para o fato de haver erros em seu texto. E a existência de tais erros em nada compromete a infalibilidade da Igreja, uma vez que Ela não utilizou da Sua infalibilidade. O Falsitatis tenta confundir os inocentes acusando a nós, católicos tradicionais, de recusar o Vaticano II pura e simplesmente porque ele não foi infalível. A explicação do porquê podemos recusar o concílio torna-se, sob a pena maliciosa destes mestres de falsidade, a razão pela qual recusamos o concílio com seus erros! Haja desonestidade!

Vamos expor a verdade de forma mais detalhada:

o concílio foi pastoral, não dogmático e falível implica que podem haver erros em seu texto sem que isso comprometa a infalibilidade da Igreja

o concílio foi pastoral, não dogmático e falível implica que caso encontremos erros em seus texto, podemos rejeitá-los sem que isso afete a obediência devida a Santa Igreja

o concílio ensinou, de fato, erros contra a Fé implica que devemos rejeitar estes erros

Portanto, nós rejeitamos os textos do concílio (ao menos parcialmente) porque eles contém erros contra a Fé, e não simplesmente porque o concílio não foi infalível.

Os outros argumentos do texto do falsitatis são tão absurdos e apriorísticos que não merecem nem ser comentados. Ao menos não agora.

Fui bastante prolixo para dificultar qualquer interpretação errada e maliciosa do Falsitatis. Quanto mais explicitamente descrevermos os nossos argumentos, mais difícil ficará para eles embaralharem as idéias. Digo difícil, mas não impossível, porque eles são verdadeiros “artistas” em matéria de distorcer as posições tradicionais. Mas nós fazemos a nossa parte, defendendo-nos destes caluniadores.

Quem gosta de embaralhar os argumentos não ama a Verdade. Como pode alguém querer defender a tão sublime Verdade Católica apoiando-se em mentiras e distorções? Por que eles nunca entram no mérito da questão: os erros do Vaticano II? Eles somente nos fazem perder tempo, pois temos que explicar aos inocentes que aquilo que o falistatis diz que nós defendemos não é o que nós realmente defendemos. Eles combatem moinhos de vento que eles mesmos construíram, e se apresentam como nobres cavaleiros a serviço da Santa Madre Igreja. Eles não passam de caricaturas de cavaleiros. E de maus católicos, amigos da mentira.

Links banidos deste blog

Acabei de retirar deste blog os links para blogs que se manifestaram sede-vacantistas. Agradeço aos que me avisaram. Existe hoje, Deo gratias, um grande número de blogs e sites tradicionalistas e, por isso, não é possível visitar todos com freqüência. Sem contar com a possibilidade de tomarmos apressadamente por tradicionalista um site sede-vacantista “camuflado”, que só se declara nas entrelinhas.

Aliás, não foram somente blogs sede-vacantistas que foram retirados dos meus links. Retirei, há algum tempo, também um que se diz tradicionalista mas que não passava de neo-conservador. Estes conservadores, à primeira vista, parecem até bem intencionados, desejosos do bem da Igreja. Mas nunca chegam ao ponto crucial, o motivo da crise atual: o Vaticano II e a missa nova.

Não podemos dispersar forças, nem confundir os bons católicos. Não podemos tombar nem para a esquerda, nem para a direita. Não podemos cair no sede-vacantismo, nem no modernismo. E também não podemos ficar atolados no conservadorismo que não ataca as raízes do problema atual.

Finalmente, fiz que algo que já deveria ter feito há muito tempo: retirei o link para o blog do Pe. Laguérie. Ele consegue escrever um artigo pior que o outro, e agora fez eco à imprensa difamadora, extraindo do discurso de Dom Richard Williansom coisas que ele não falou. De tablóides sensacionalistas e méprisables também não nós precisamos.

Publicado em:  on Fevereiro 19, 2009 at 9:11 pm Comentários (6)
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A melhor maneira de combater os erros modernistas

A melhor forma de combater os erros modernistas é atacá-los diretamente onde eles fincaram suas raízes: o Concílio Vaticano II. Se nós tratamos apenas de comentar os erros atuais, haverá sempre aquele que tente minimizar a amplitude dos mesmos, seja atribuindo-os a uma pessoa ou grupos de pessoas, ou a uma corrente de pensamento moderna, tentando desvinculá-los do Vaticano II. Pelo contrário, quando demonstramos que um texto do concílio está em desacordo com a doutrina católica de sempre, não há como os modernistas contra-argumentarem. O máximo que eles podem fazer é se furtar ao debate. E tal fuga será tão menos eficiente, quanto mais pessoas conhecerem a verdade sobre o Vaticano II.

Tenho, portanto, a convicção de que demonstrar que os textos do Concílio Vaticano II estão em oposição ao ensino tradicional da Igreja é a melhor maneira de combater os erros modernistas. Por isso, dou meu total apoio à iniciativa da Magdalia de comparar os textos do Vaticano II com os da Tradição.

Este método é o mais coerente, pois estaremos arrancando o mal pela raiz. Se apenas arrancamos os frutos podres e os jogamos fora, logo vêm outros. Se apenas nos contentamos em denunciar os abusos atualmente cometidos pelos modernistas, estamos, certamente, fazendo um bom trabalho, arrancando os frutos podres. Mas sempre nascem outros. Por outro lado, ao demonstrarmos as contradições entre o Vaticano II e a Tradição, arrancamos a raiz dos males modernos. Toda a “autoridade” em que se baseia a nova teologia liberal, democrática e relativista, fica assim desmoralizada. Além do mais, quando o grande número dos católicos, que inocentemente seguem os erros do Vaticano II, tomarem conhecimento de que foram enganados, de que foram feitos de inocentes-úteis para a causa dos modernistas, tornar-se-ão defensores da Tradição. Digo isto com certeza porque foi o que aconteceu comigo. Posso dizer que “comprei a briga” contra aqueles que me enganaram.

Somente para maior esclarecimento, eu não quero dizer que a única forma de combater os males modernos é denunciando os erros do concílio Vaticano II. Este é o método mais eficaz e definitivo. Não podemos deixar de combater os erros atuais, mas devemos fazer isso, principalmente, com o fim de evitar o descaminho das almas. Por exemplo, quando demonstramos que os maus conselhos do Felipe Aquino, da CNBB e do Falsitatis estão em contradição com a doutrina e a moral católicas, cumprimos nosso dever de alertar os inocentes contra os grandes males que decorrem da visão liberal destas sumidades pós-conciliares. Mas isso não deve ser o cerne de nossa argumentação, e sim uma medida de caráter mais imediato par evitar a confusão dos inocentes.

Já que estamos tratando sobre a estratégia de combate ao modernismo, devemos lembrar que um erro que não podemos cometer é nos apoiarmos sobre as manifestações de opinião das autoridades do Vaticano. Algumas vezes S.S. Bento XVI declara algo que, bem entendido, condena os erros modernista. Outras vezes, elogia o Vaticano II. Infelizmente, há tradicionais que têm se apoiado demais nas opiniões manifestadas pelo papa. Como estas variam, abrem-se brechas para que “contra-argumentações” dos defensores do concílio. Devemos combater as heresias contrapondo-lhe a sã doutrina, e não debatendo sobre opiniões. O falsistatis splendor ataca a Tradição com as munições que alguns católicos tradicionais lhes entregam.

Nós devemos apoiar o papa, e o fazemos de coração como filhos leais. Mas não cegamente, como se tudo caminhasse maravilhosamente bem. Se, por um lado, Bento XVI ainda não se livrou totalmente de sua formação modernista, por outro devemos admitir que ele não comete as mesmas terríveis profanações que João Paulo II. Somos agradecidos pelos seus atos de restauração. Não ignoramos os avanços que tivemos desde o início deste papado, mas sabemos que o caminho da restauração é longo. E sabemos também que as opiniões do papa sobre o concílio ainda lhe são favoráveis. Mas, para nós, não são as opiniões que importam, e sim a Verdade, contra a qual devem ser confrontadas as opiniões particulares.

A simples manifestação de opiniões não é argumentação. O que os prelados da Igreja dizem a favor do concílio são meras afirmações, e apoiar-se nelas não passa de frágeis argumentos de autoridade, não de raciocínio. As afirmações dos seguidores do concílio são meras opiniões expressas. Elas ignoram totalmente a contra-argumentação tradicionalista, e não respondem às críticas que lhes são feitas. Por isso, reforço a idéia, é necessário sempre levar o combate para o plano doutrinal e demonstrar que a letra do concílio é incompatível com a Fé de sempre.

E que moral tem o clero modernista para nos obrigar a seguir o Vaticano II? Quem seria, dentre os defensores do concílio, igualmente um grande defensor da Fé Católica? Seria o cardeal Kasper, que não deseja a conversão em massa dos anglicanos para o catolicismo? Seria o Cardeal Schonborn, que promove as maiores profanações durante a Santa Missa? Cardeal Lehman? Cardeal Martini? Respondam-em, por favor, qual dos defensores do concílio é também um grande defensor da Fé católica, que a defende integralmente, sem a menor sombra de modernismo, e que tem zelo pela salvação das almas, e que não profana a Santa Missa nem permite que o façam?

Não nos assustemos, portanto, com as autoridades eclesiásticas que são favoráveis ao Vaticano II. Deixem que os modernistas a citem. Para nós, católicos, o que vale é a Verdade, não as opiniões de um clero que já não defende esta mesma Verdade.

Tenhamos em vista, para ilustrar a argumentação, o caso do levantamento das excomunhões. O que o Felipe Aquino e o Falsistatis Splendor falam a respeito da “ilegalidade” da FSSPX e da necessidade de se aceitar o concílio baseia-se apenas nas opiniões expressas por prelados.

No caso do Falsitatis, eles se apoiaram sobre o que escreveu a Secretaria de Estado da Santa Sé para defender a necessidade de se aceitar o Vaticano II. Já o Felipe Aquino, citou uma entrevista com a cardeal Dom Pedro Scherer onde ele defende a mesma idéia.

Pergunto a quem leu os textos: qual a fundamentação teológica neles apresentada? Absolutamente nenhuma. Ambos os “argumentos” não passam de expressões de opinião dos prelados. Em nenhum dos casos são abordados os argumentos dos católicos tradicionais. É um julgamento no qual o “réu” não absolutamente nenhum direito de falar. Os modernistas apenas repetem a velha história que devemos obedecer o concílio, mas não refutam os argumentos tradicionais contra a ortodoxia do concílio.

Uma questão de Fé tão grave como a aceitação ou não do Concílio Vaticano II não pode ser discutida na base de opiniões, mas sim de argumentos. Para ser aceito, o concílio precisaria estar em perfeita concordância com todo o Magistério anterior. Por outro lado, se se demonstra que não existe não concordância, e que o concílio ensinou algo contrário à Fé de sempre, então os seus erros devem ser rejeitados (Cfr Gl 1,8). Esta sim seria uma abordagem legítima da questão, e não querer empurrar opiniões como se fossem argumentos.

Aliás, demonstrar os erros do concílio tem sido o trabalho dos bons católicos nestes últimos anos. Cito o excelente exemplo da série de artigos intitulada “Compêndio dos erros imputados ao Vaticano II”, traduzida do Jornal Si Si, No No, e  publicada no site da Capela. Não há como negar que o Vaticano II foi contrário à Fé Católica de sempre. Contra argumentos tão bem expostos, os modernistas somente podem apelar para as autoridades pós-conciliares, mergulhadas no modernismo. Ou então, fazer como o Felipe Aquino, que quer calar a nossa boca. Nós, ao contrário dele, quereremos discutir os assuntos. Estamos certos do que estamos falando, e queremos que a verdade sobre os erros do concílio seja cada vez mais conhecida. Quem apela para as autoridades ou quer silenciar os argumentos contrários, não deve estar persuadido de possuir a Verdade.

Deixo aqui meu convite a todos os católicos sinceros: vamos estudar cada vez mais a doutrina católica e compará-la com os absurdos escritos nos documentos do Vaticano II. Quanto mais conhecimento da doutrina nós tivermos, melhor armados estaremos contra as investidas modernistas que querem nos impor suas opiniões e os erros do Vaticano II.

Apoio ao Papa Bento XVI

apoio

Rezemos pelo Santo Padre o Papa Bento XVI e manifestemos o nosso apoio a Sua Santidade. Que ele possa enfrentar todos os lobos, dentro e fora da Igreja. Que ele possa superar toda formação modernista que recebeu e possa restaurar plenamente a Tradição Católica. Deus dê força e coragem a S.S. Bento XVI.

Publicado em:  on Fevereiro 10, 2009 at 9:22 pm Comentários (1)
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