Haja incoerência!

No último artigo eu disse que praticamente só tratava de assuntos óbvios neste blog. E o que vou tratar no presente é mais do que óbvio. Salta às vistas de qualquer um que leia.

Os textos abaixo foram extraídos de diversos números da revista “Mensageiro de Santo Antônio” e todos têm por autor o padre Zezinho. São um grande exemplo da mentalidade mais “progressista”. Eles igualam completamente a Fé Católica e as doutrinas das seitas. Mas o objetivo deste artigo não é desfazer os erros teológicos dos textos, isto fica para outra oportunidade, quando eu estiver com mais tempo. Peço apenas que leiam para que depois os comparemos com outro texto publicado pela mesma revista. Os destaques são meus.

Gente humilde, gente boa!

Sua família não é perfeita, seus filhos não são perfeitos, você não é perfeito.
A igreja dos outros não é perfeita, sua igreja não é perfeita, você não é perfeito. (…)

Quem não sabe respeitar os outros, também não merece respeito. (…)

Esta mensagem é para todos aqueles que gostam muito de criticar a família, os vizinhos, a igreja e o partido dos outros.

(MSA, Junho de 2003)

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Do meu lado da cachoeira

Do meu lado da cachoeira, eu vejo o rio que desce lá de cima. Do seu lado da cachoeira você vê o mesmo rio descendo do mesmo jeito. Quando eu digo que do meu lado da cachoeira a água é mais pura eu sou um tolo. Quando você garante que a água do seu lado é que é mais pura o tolo é você. Quando você chama as pessoas para ver a cachoeira do seu lado e se põe a falar contra o meu ponto de vista e o meu lado você corre o risco de acabar um propagandista sectário e mentiroso que não consegue admitir que do outro lado também se vê perfeitamente o que você está vendo do seu lado.
(MSA, Setembro de 2001)

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Ecumênicos

Esta manhã, do meu ângulo e da janela da minha paróquia eu vi o sol que nascia.
De lá do meu ângulo, eu vi você do seu ângulo e da janela da sua paróquia, olhar o mesmo sol que nascia.
O sol foi subindo e me iluminando, e vi que o mesmo sol que me iluminava também iluminou você. (…)
Sua fé fez de você um homem de oração e um filho feliz do Criador. Seu povo o chama de pastor José.

Minha fé fez o mesmo comigo e meu povo me chama de padre José. (…)

Só nos falta nos reunirmos muitas vezes para conversar sobre a mesma luz que amamos.
(MSA, Janeiro/Fevereiro de 1999

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Vergonha de crer em Deus

Há muita gente com vergonha de Deus. Mas também há muitos fiéis e crentes com vergonha uns dos outros. Não estão felizes porque o outro crê, e não estarão felizes enquanto o outro não crer exatemento do jeito que eles crêem. Com gente de coração e cabeça pequenas assim, como querer que a idéia de Deus seja fonte de paz?
(MSA, Março de 1996)

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Religião é como a mãe da gente

Religião é como a nossa mãe. Mesmo que não seja a mais bonita, nós achamos que é. (…) Só os moleques falam mal e ridicularizam o outro e mãe do outro. (…) Religião é como mãe. Se a gente tem uma, a gente não a troca por nenhuma outra. E se o outro tem uma e gosta dela, a gente aplaude. Pessoas bem educadas sabem conviver com a sua própria mãe e com a mãe dos outros. (…) Só os fanáticos e mal educados gostam de falar mal da Igreja do outro e de colocar a sua acima de qualquer outra Igreja.

(MSA, Maio de 2001)

Até aqui foram as citações de trechos de artigos do padre Zezinho. Se alguma pessoa ingênua os lê, deve pensar: esta revista que os publicou deve ser extremamente tolerante com todas as opiniões contrárias. Deve ter um zelo todo especial para não ferir ninguém, nem discordar das opiniões que não lhe agradem muito.

Quanta ingenuidade seria necessária para pensar assim! É desconhecer totalmente o que se passa na Igreja há quarenta anos. Os modernistas elogiam todo tipo de heresia, aceitam todas as idéias mais contraditórios e mais opostas à Fé que a Igreja nos legou, encontram desculpas para todos os erros e inocentam todos os hereges. Mas, quando alguém tem a ousadia de defender a Fé Católica, o que acontece? Vamos ler o que esta mesma revista publicou em outra edição:

Anda por aí espalhada a confusão entre tradição e tradicionalismo. Na realidade, o tradicionalismo é a negação da tradição; é fenômeno patológico e degenerativo que brota do menosprezo da história e da ilusão de fixar a vida, nem que seja embalsamando-a. A tradição é transmissão ativa de experiềncias e de vida, de pessoa a pessas, de uma geração a outra. De resto, o processo marca não só a Igreja, que recebeu de Jesus Cristo a missão de anunciar a Boa-Nova até os confins dos tempos, mas também cada religião e cada sociedade humana. Em relação a este processo vivo e palpitante, o tradicionalismo representa a esclerose que atinge as veias envelhecidas e endurecidas (embora às vezes se encontrem em corpos jovens). As verdadeiras testemunhas da tradição, hoje, não são os nostálgicos seguidores de Lefèbvre, carangueijos das praias pós-conciliares a gritar por um retorno de utilidade duvidosa, mas aqueles que sabem viver o hoje da fé, a caminho do futuro de Deus.
(MSA, setembro de 1995, pag 11)

Quanta incoerência! Quem lia os textos do padre Zezinho, que acolhia todas as religiões, por mais erradas e mais inimigas da Igreja que fossem, poderia imaginar que a mesma revista publicaria um artigo tão infame como este que ataca a Tradição Católica de maneira tal vil e sem nenhuma caridade? Por que o lado da cachoeira dos tradicionalistas não é bonito nem tem água pura? Por que somente o ângulo da janela tradicionalista não permite ver a luz? Por que a religião tal como a entendem os tradicionalistas não é como a mãe da gente, da qual não se deve falar mal sob pena de ser fanático e mal educado? Será que o sujeito que criticou os católicos tradicinais não está feliz enquanto estes não pensarem exatamente do jeito que pensa? E por que somente as idéias tradicionalistas não precisam ser respeitadas, para que também se mereça respeito?

É isto que fazem os modernistas que tomaram de assalto a Igreja: aceitam qualquer religião, desde não seja a Católica. Quando se trata de quem está fora da Igreja, toda tolerância e todo respeito. Quando se trata de católicos que não querem abandonar a Fé, chamam-nos de fenômeno patólogico e degenerativo, esclerosados, nostálgicos, carangueijos…

Católicos ingênuos, abram os olhos! Como já dizia S. Pio X no início do século passado, os inimigos da Igreja infiltraram-se n’Ela com o fim de destrui-La. Para eles, quem não aceita os erros do Vaticano II e da missa nova deve ser destruido moralmente, difamado, isolado, silenciado. Estratégia verdadeiramente diabólica.

Creio que este exemplo prove de forma bem evidente que existem uma enorme má fé contra os católicos tradicionais.

Raça de víboras peçonhentas! Não é difícil entender que o objetivo dos modernistas é destruir a Igreja. É evidente demais para alguém não enxergar. Não é necessário grandes conhecimentos de teologia. Basta comparar o tratamento que eles dão para aqueles que odeiam a Igreja com o tratamento dado aos que amam a Igreja e se mantêm fiéis à Fé, a Tradição, à Liturgia e aos dogmas da Igreja.

Quem despreza a Santíssima e Sempre Virgem Mãe de Deus, o Santo Padre, os Sacramentos, etc, está vendo a mesma cachoeira, apenas do outro lado… Agora, aqueles que obedecem a ordem de São Pio V de jamais alterar a Santa Missa, estes são nostálgicos, esclerosados, sofrem de grave patologia…

É absolutamente impossível admitir a boa fé de quem age assim, elogiando o erro e difamando a verdade.

Mas a mentira tem pernas curtas, como se diz na linguagem popular. Quando o autor escreveu este texto difamatório, em 1995, jamais poderia imaginar a situação que vivemos hoje em 2009. Em primeiro lugar, S.S. Bento XVI, papa gloriosamente reinante, tomou algumas medidas em prol da Tradição. Quando o autor das injúrias contidas no texto poderia imaginar a criação do Instituto de Bom Pastor, que tem o dever de celebrar exclusivamente a Missa Tridentina e a missão, agora iniciada, de realizar a crítica do Vaticano II? E o motu proprio Summorum Pontificum, apesar do ódio que os bispos modernistas tem contra a Missa de Sempre? E o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX, sem que estes retrocedessem um centímetro em suas posições? E que dizer quando Bento XVI realizar a “reforma da reforma” da missa nova de Paulo VI?

Em 1995, o autor do texto acreditva que a heresia modernista havia triunfado sobre a Verdade Católica. O que ele fazia era apenas aumentar o preconceito contra os bons católicos que não cederam aos erros do Vaticano II e da missa nova. Ele não contava com Bento XVI. E não contava com a internet, este instrumento que nos permite sair do confinamento ao qual tinha sido condenada a Tradição Católica. Foi pela internet que eu e muitos outros conhecemos este “golpe de estado” aplicado pelos modernistas. E é por meio dela que continuamos o bom combate para desfazer as mentiras e as calúnias inventadas contra a Tradição Católica desde o desastre do Vaticano II.

Católicos, abri os olhos. Aqueles que ainda não se deram conta da situação da Igreja, estudem-na com atenção. Quem procura, como eu fiz, entender o porquê da crise atual na Igreja vai descobrir a enorme traição que os modernistas cometeram contra a Santa Igreja. Os links católicos indicados neste blog são um bom começo para isto.

Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas

“Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas” Mc 14,27

Não temos a impressão de que esta profecia do Santo Evangelho está acontecendo hoje em dia? Quanta desunião vemos por todas as partes, dentro mesmo da Santa Igreja. Desde o concílio Vaticano II – o 1789 da Igreja – vemos as divisões aumentarem. A perversa idéia de “liberdade” abalou o princípio da hierarquia, e a desgraçada “colegialidade” foi o ápice desta revolta contra toda autoridade. Ferido o pastor, o rebanho se dispersou.

Sobre a desunião dentro da Tradição, creio que a Magdalia já falou o principal do que devia ser dito. Por isso, vou apenas complementar.

Para evitar tal desunião devemos, primeiro, nos manter nos nossos humildes limites. Devemos nos esforçar por auxiliar a nobre causa da Tradição, e não querer ser o “salvador da pátria”.  Queremos ver a ortodoxia triunfar sobre as heresias. Não somos nós ou o pequeno grupo a que pertecemos que dever sobressair. É a Verdade Católica que deve estar acima de tudo, norteando o nosso rumo. Ao lado de São Luís IX, de Godofredo de Bulhões, de Ricardo Coração de Leão, inúmeros guerreiros anônimos combateram pela Santa Igreja. Deram a vida não por uma vitória pessoal, mas pela causa maior da Cristandade. Tomemo-los por exemplo. Não importa o quão pequenos e desconhecidos sejamos, o que importa é lutar contra o verdadeiro inimigo, e não entre nós.

Depois, devemos lembrar que aquilo que nos une e nos define como católicos é que fomos validamente batizados, professamos inviolavelmente a Fé católica e nos submetemos filialmente ao governo do Santo Padre, o Cristo na Terra. E reforço o filialmente, e não estupidamente como querem alguns, que pensam cumprir o dever de obediência seguindo as opiniões do papa enquanto homem, independente da coesão com a doutrina. Basta, para desfazer este erro pernicioso, lembrarmo-nos das condições de infalibilidade papal definidas pelo concílio Vaticano I e da admoestação de São Paulo: “Mas ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu, vos anuncie um Evangelho diferente deste que ora vos anunciamos, que seja anátema! Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da recebestes, seja ele excomungado!” (Gal 1,8-9).

Opiniões todos temos as nossas, algumas erradas, outras corretas. No que se refere aos dogmas, não há liberdade para questionamentos. Mas, naquilo que não foi disciplinado pela Igreja,  o importante é não nos apegarmos às nossas opiniões acima de tudo e contra toda verdade objetiva que nos demonstra de maneira certa e insofismável que nosso juízo anterior estava errado. Isto seria prova de soberba e uma forma de terrível desonestidade intelectual, e também um pecado contra o Espírito Santo, qual seja, o de negar a verdade conhecida.

Vivemos uma crise de gravidade, talvez, semelhante à ariana e cada um enxerga, de seu ponto de vista, a solução para esta crise. Exceto alguns casos de flagrante manipulação dos fatos e distorção dos argumentos, podemos crer que a maioria absoluta dos católicos que buscam uma solução para a crise age de boa fé ao defender sua posição. Alguns pautam mais pela prudência, outros pela combatividade. O que importa é que temos o mesmo objetivo: o bem da Igreja. Pode haver alguns exageros involuntários, mas nada que não possa ser corrigido fraternalmente. Não há motivos para nos digladiarmos nem criarmos sectarismos. Especialmente dentro da Tradição, não há motivos para querermos impor soluções pessoais. Até mesmo com alguns neo-conservadores podemos chegar a bons resultados. Podemos superar as pequenas diferenças com um diálogo sincero em busca da verdade.

Este tom conciliador não inclui, é claro, aqueles que agem de má fé, como os caluniadores, os hereges formais e os traidores. Não podemos aceitá-los e nem deixaremos de combatê-los. Mas é difícil saber qual a medida certa do combate. Por um lado, não queremos faltar com a caridade nem criar desavenças com aqueles que têm, involuntariamente, uma visão equivocada da situação presente. Por outro lado, não queremos, aliás, não podemos, deixar de combater o bom combate pela ortodoxia. Há tantos inimigos da Fé hoje em dia, dentro e fora da Igreja, que cruzar os braços nos faria – ao menos a mim – sentir-nos como traídores que assistem de longe uma guerra que era para ser a nossa.

Os cristãos sempre se apoiaram na oração, mas também arregaçaram as mangas e partiram para o trabalho. Prova disso são as Cruzadas. Quão alheio ao espírito do Cristianismo é a falsa idéia de que devemos apenas rezar e esperar de braços cruzados que a solução caia do céu. Agindo assim, daríamos apenas demonstração de covardia e preguiça, e não de fé e confiança em Deus. Estes que fogem à luta são os mornos, aqueles que Deus vomitará, e que em nome da “boa vizinhança” ou da “caridade” ou da “obediência”, recusam-se a combater o que sabem que está errado. Por covardia ou por comodismo buscam o caminho mais fácil. Por isso, sou partidário convicto da necessidade do combate contra o modernismo, não somente com oração, mas também com ação.

De qualquer forma, creio que devemos procurar denunciar antes os erros que atacar as pessoas, na medida em que isto for possível. Se citamos nomes aqui, é antes como defesa do que como ataque. Por exemplo, denunciamos aqueles que distorcem nossos argumentos e tentam criar uma falsa imagem de nós. Também aqueles que se negam a dialogar conosco, mas em seus blogs assumem descaradademente o desejo de calar a nossa boca. E, principalmente, nos casos graves, onde há grande perigo para a fé de muitos. Nestes casos não há como não desmacará-los publicamente.

Em outros casos, o melhor é não se manifestar senão genericamente. Por exemplo, há vários sites católicos que possuem link para o site do protestante Júlio Severo. Isto é um absurdo. Um protestante, por mais “conservador” e “moralista” que seja, jamais pode ser recomendado como modelo de religião, uma vez que não professa a Fé católica. Mas citar nominalmente as pessoas que mantêm tal link não é a solução que guarda a devida caridade para com quem erra. Nesta mentalidade liberal em que infelizmente vivemos, muitos católicos não tiveram a correta formação doutrinal. Denunciá-los publicamente seria, creio eu, faltar com a caridade. O grau de culpa de cada um, se houver, deixemos para que Deus julgue. A nós, basta, nos casos menos graves, denunciarmos o erro.

Se viver é uma arte, nestes tempos de confusão generalizada agir na medida certa se torna realmente uma obra de artista. Tudo o que posso dizer é que tenho toda boa vontade em combater o erro com energia sem faltar com a caridade. Mas a medida certa é difícil de ser encontrada.

Neste ponto seria importante abordar algo sobre o Opus Dei, mas dada a complexidade, não o farei aqui exaustivamente. Digo apenas que teria ficado extremamente agradecido a eles se me tivessem levado ao conhecimento da Missa Tridentina. Isso eu somente fui descobrir através do site da Montfort, e por isso lhes sou eternamente grato. Por mais que eu discorde da opinião absurda do Prof. Orlando Fedeli sobre os tribunais da FSSPX, eu não posso nunca deixar de reconhecer o bem incalculável que me fez ao me ensinar sobre a Missa de Sempre e os erros do concílio Vaticano II.

Devo confessar que estive tão preocupado em defender a ortodoxia que citei apenas o lado ruim que conheci no Opus Dei, esquecendo de citar o que aprendi de bom. É inegável que eles tenham uma espiritualidade muito superior à que se encontra nas paróquias, sejam aquelas dominadas pela teologia da libertação, quanto aquelas dominadas pela RC”C”. A moral também é bem mais rígida, mais fiel à moral católica, principalmente a moral sexual. Confessar-se com um padre do Opus Dei é, de certa forma, semelhante a confessar-se com um padre da Tradição. No campo político já devo confessar que senti um certo liberalismo, vi até mesmo elogio a Napoleão Bonaparte (na época eu não tinha noção do quanto nefasta é essa admiração por não saber quanto o general corso era inimigo da Igreja). Mas que há espiritualidade no Opus Dei, isso não posso negar. E também que eles não podem ser colocados no mesmo plano dos modernistas. Para ser mais justo, devo dizer que o Opus Dei é um caso à parte.

De qualquer forma, como o Opus Dei não defende a missa Tridentina contra o novus ordo, nem condena o erros do Vaticano II, o meu conselho, por hora, é não os procurar enquanto não assumirem totalmente a defesa da Tradição. Eu assistiria satisfeito à Missa Tridentina celebrada por um sacerdote do Opus Dei depois que eles se colocassem inequivocamente em defesa da Tradição e da ortodoxia contra as inovações modernistas. Quem os conhece melhor que eu, diz que eles celebram secretamente a Missa Tridentina, e publicamente a missa nova. Isso eu não consigo entender: fazer o certo às escondidas e o errado às claras. A missa nova, no estado atual, é inadmissível. Quem sabe, após a “reforma da reforma” que Bento XVI há de promover em breve, ela se torne livre dos equívocos protestantizantes que possui atualmente. Aguardemos.

Finalmente, algo que não se relaciona muito com o assunto, mas já que demos alguns esclarecimentos, há lugar para mais um. Este blog é eminentemente apologético e assim continuará sendo até quando for necessário. Logo, não é meu objetivo trarar de espiritualidade aqui, e por dois motivos. Primeiro, porque existem inúmeros escritos de espiritualidade: as Sagradas Escrituras, os escritos dos Santos Padres, dos Doutores da Igreja, dos santos, as hagiografias, etc. Segundo, eu não sou a melhor pessoa para escrever sobre espiritualidade, por falta de santidade, estudo e larga experiência, além de não ter graça de estado dos sacerdotes, aos quais cabe o ensino da nossa santa religião. Este blog se mantém nos limites estreitos das minhas capacidades: aqui somente se trata de coisas óbvias. Nada, cuja evidência uma lógica límpida não faça saltar aos olhos de qualquer ser racional, se trata aqui. O objetivo é demonstrar, àqueles que ainda não perceberam, o quanto estão afastados da dotrina e moral católicas alguns setores, “movimentos” e personalidades que com fachada de católicos se apresentam. Além, é claro, de denunciar os desvios do concílio Vaticano II e da missa nova. O mal que eles fazem à Igreja é enorme ao obscurecer a doutrina, a moral, a espiritualidade a hierarquia. Combatendo-os, pretendemos abrir o caminho para que as pessoas conheçam a Tradição, livre dos preconceitos que os modernistas levantam. Abraçamos este trabalho porque acreditamos que é necessário desfazer confusões e mentiras perversamente construídas contra a Tradição Católia durante quarenta anos.

Porém, o fato de não tratarmos aqui de espiritualidade não implica, de forma alguma, que nós a negligenciamos. A oração, a leitura espiritual, a direção espiritual, entre outras práticas piedosas, não podem faltar jamais ao católico. A apologética constitui a quase totalidade deste blog, mas não pode jamais constituir a totalidade, nem a melhor parte, da vida de um católico. Abrir mão da espiritualidade é cometer um “suicídio espiritual”.

Espero não ter divagado demais, o que é contrário ao estilo racional e objetivo deste blog, mas eu cri nescessário expor tal argumentação para juntar vozes com aqueles que desejam todos os bons católicos bem unidos e coesos e, destarte, fortes para combater os inimigos da nossa Santa Igreja. Que Nossa Senhora de Fátima, de modo especial neste 13 de Maio, possa interceder por nós nessa intenção.

Publicado em:  on Maio 13, 2009 at 9:58 pm Comentários (17)
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Nossa Senhora de La Salette era neoprotestante?

Um breve complemento ao artigo anterior. Conforme nos foi muito bem lembrado, durante as aparições em La Salette, Nossa Senhora fez a seguinte afirmação:

“Roma perderá a fé e tornar-se-á a sede do Anticristo.”

Então, nós perguntaríamos àqueles que rasgaram suas vestes e fizeram um tremendo escândalo farisaico sobre o termo “Roma modernista”, utilizado algumas vezes por pessoas da Tradição: será que Nossa Senhora de La Salette também era, na concepção deles, neoprotestante?

O termo “Roma modernista” pode até não ser o mais adequado, mas não quer dizer, de forma alguma, o que os inimigos da Tradição afirmam. Não se trata de um ataque à Igreja, mas sim aos modernistas infiltrados. Seria melhor dizer “os modernistas infiltrados em Roma”. Mas o que importa é que o sentido que se dá mesmo ao primeiro termo é o mesmo do segundo, e jamais um ataque à Igreja, como quiseram fazer crer uns mal-intencionados que vagam aí pela internet.

Agora, que há modernista infiltrados na Igreja, há alguém que ouse negar? E que há muitos prelados modernistas em Roma? E que é de extrema urgência combatê-los, pelo bem da Santa Igreja, alguém negaria?

Ora, então por que se escandalizar quando alguém combate o modernismo que se instalou em Roma?

E, se continuamos lendo a mensagem de Nossa Senhora de La Salette, não vemos condenações extremamente duras contra a depravação do clero? Leiamos:

“Os sacerdotes, ministros de meu Filho, os sacerdotes, por sua má vida, por suas irreverências e sua impiedade em celebrar os santos mistérios, por amor do dinheiro, das honras e dos prazeres, os sacerdotes tornaram-se cloacas de impureza. Sim, os padres pedem vingança, e esta está suspensa sobre as suas cabeças. Desgraçados dos padres e das pessoas consagradas a Deus, as quais, por suas infidelidades e sua má vida crucificam novamente o meu Filho! Os pecados das pessoas consagradas a Deus clamam ao Céu e chamam a vingança e ela está às suas portas, pois não se encontra ninguém para implorar misericórdia, e perdão para o povo; não há mais almas generosas não há mais ninguém digno de oferecer a Vítima sem mancha ao Pai Eterno em favor do mundo.”

Aqueles que acusam os católicos tradicionais de serem “neoprotestantes” considerariam assim também Nossa Senhora pelo que Ela falou em La Salette? Esta ousadia eles não teriam. Então, por questão de coerência, devem se calar sobre este assunto e não pronunciar mais difamações contra aqueles que querem o bem da Igreja e combatem o modernismo que invadiu nossa amada Roma.

Publicado em:  on Maio 4, 2009 at 10:52 pm Deixe um comentário
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