20 de julho de 2009. Há exatos 65 anos era executada a “opeção Walkiria”, o mais famoso de todos os atentados contra Adolf Hitler. Como os anteriores, este também falhou e o Führer sobreviveu à enorme explosão da maleta deixada pelo Coronel Conde Klaus von Stauffenberg. “O seu gesto foi, porém, tão bravo, que merecidamente o dia 20 de julho de 1944 passou a chamar-se o ‘Dia de Stauffenberg’” (História Ilustrada da 2a. Guerra Mundial, Ed. Renes, 1977, série Líderes, livro 19, contra-capa).
Talvez não haja nenhuma instituição onde a obediência seja mais valorizada do que nas Forças Armadas. No entanto, diante de um regime monstruoso como o Nazismo, quem acusaria Stauffenberg e os outros conspiradores de traição contra sua Pátria? Quem “trai” o traidor pode ser acusado de traição? Não creio que alguém, em pleno gozo das faculdades mentais e que tenha um mínimo de caráter, defenderia um legalismo tão cego capaz de condenar como traidor o bravo oficial e seus companheiros que desejavam ver sua amada Alemanha livre da peste neo-bárbara e neo-pagã do Nazismo. Os verdadeiros traidores da grande nação alemã foram aqueles tristemente célebres que tinham as rédeas do poder no Reich naquele momento negro da história da humanidade: Hitler, Göring, Himmler, Göbbels, Streicher, Heydrich, Eichmann, Ribbentrop, Bormann, Müller, etc.
De forma análoga, poderíamos perguntar: quem “desobedece” o desobediente pode ser acusado de desobediência? Quem, estando subordinado a uma autoridade que se desvie do reto caminho, deve prestar vassalagem cegamente guiado pela “obediência”? Ou, percebendo claramente que a barca está sendo conduzida para a borrasca, se há de opor com todas suas forças a esta ação auto-destrutiva? Quero crer que não haja ninguém capaz de defender a obediência cega à autoridade que se desvia do caminho correto. Pois, a Pátria é sempre maior que o governo, a instituição maior que seus dirigentes, a Universidade maior que seu reitor e seus decanos, a empresa maior que seus proprietários e executivos, a Igreja maior que seus bispos.
A esta altura, todos já perceberam aonde eu quero chegar. Se houve um grande terremoto na Igreja, abalando nas almas cristãs a Santa Fé que zelosamente nos fora transmitida, pelo suor e pelo sangue de nossos honrados e heróicos antepassados, o que nos cabe senão levantar a nossa voz contra os culpados de tão ignominioso empreendimento? Deveríamos nós sermos cúmplices dos hereges da mesma forma que os covardes o foram do Nazismo? Para evitarmos ser chamados de “rebeldes”, de “desobedientes”, de “excomungados”, deveríamos nós abaixarmos a cabeça e fingirmos que nada há de errado com o clero modernista? Mais uma vez quero crer que não haja quem possa compactuar com um legalismo hipócrita às custas do dever que todos temos de defender a Fé. Que nos importa sermos caluniados se é para defender a Fé? Isto deve antes de tudos nos alegrar, como nos ensinou Nosso Divino Mestre.
Stauffenberg e os outros verdadeiros alemães foram fuzilados naquele mesmo dia como “traidores”. Mas o “Reich de mil anos” desmoronou espantosa e horrivelmente, como sucede a toda obra das trevas, e a justiça foi feita aos que lutaram contra a barbárie. É com esta certeza que devemos lutar contra os modernistas. Eles tomaram os templos católicos, ensinam suas heresias nos nossos seminários, dessacralizaram os ritos, descritianizaram a sociedade, perseguem os santos, caluniam os fiéis à Tradição da Igreja. Da mesma forma que tombou o Reich milenar, também passará a “nova primavera” pós-conciliar. Pode Kasper nos acusar do que ele quiser, ele apenas brada como um cão desesperado. A justiça, às vezes, demora para ser feita. Mas um dia ela surge, resplandecente como a luz do sol que afugenta as trevas.
A lista de nomes mencionada no início deste artigo era exaltada no terceiro Reich. No concílio Vaticano II os nomes que se sobressaíram foram Rahner, Chardin, de Lubac, Congar, von Balthasar, Schillebeeckx, Frings, Döpfner, König, etc. Stauffenberg e outros patriotas foram assassinados pelos primeiros. O cardeal Ottaviani e outros bons prelados foram silenciados pelos últimos. Ao conde foi feita justiça pela Alemanha do pós-guerra. Ao cardeal e a todos bons os bons católicos que defenderam a Fé contra a heresia modernista a justiça ainda está por ser feita. Mas que ela virá, disso nós temos certeza.




É, Márcio, a justiça ainda será feita, aos mencionados no seu artigo e a D. Marcel Lefebvre.
Acho que vc não vai ao Orkut. Se fosse, ia ver as calúnias que nos lançam os ignorantes!
E sabe o que é que é pior? O pior de tudo? A abominação da desolação? É que também há supostos católicos tradicionais mornos, a compactuar!
Tempos de trevas… Deus nos ajude e tenha misericórdia das nossas misérias humanas.
Márcio, mudando de assunto, vc poderia escrever qualquer coisa sobre a nova encíclica. Estou a ser muito criticada porque não vi grandes males na encíclica, tirando um ou dois pontinhos mais problemáticos. Talvez se vc escrevesse algo, com a credibilidade que vc tem, eu pudesse ver melhor as coisas. É que realmente não estou a ver a encíclica como a besta do apocalipse! Possivelmente estou errada, mas ainda ninguém me conseguiu convencer que a encíclica é intrinsecamente má…
Quase todos os católicos tradicionais a condenaram como um todo; e eu só encontro alguns pontos que merecem condenação. Qual é sua opinião sobre o tema?
Um abraço,
Em Jesus e Maria
Caríssimo Márcio,
Que texto formidável! Parabéns!
Não desanimemos nunca nesta luta que as vezes parece inglória.
Concordo com você,cedo ou tarde a justiça se fará.
Que Deus nos dê força para continuarmos e que o manto da Santíssima Virgem nos envolva sempre.
Nos corações de Jesus e Maria sempre,
Um detalhe: Stauffenberg era católico devoto.
Salve Maria!
Magdalia, realmente faz tempo que eu não entro no Orkut, mas sei que lá os argumentos costumam ser piores do que nos blogs “conservadores”. Sobre a encíclica, eu ainda não a li, mas pelos comentários me pareceu bastante decepcionante. Vou apressar-me a lê-la para poder comentar com bases mais sólidas.
Ângela, obrigado pelo apoio.
Teophilus, Stauffenberg era mesmo católico. Eu não me lembro se eu li em algum lugar ou se assisti em algum filme, que ele teria dito algo do tipo: “se por dez justos Deus teria poupado Sodoma e Gomorra, espero que pelo nosso sacrifício Deus poupe a Alemanha.”
AMDG,
Márcio
Prezado Márcio, salve Maria!
Seu blog é uma fonte de sabedoria! Que Deus o abençoe no seu apostolado católico.
Pax Christi!!!
Muito obrigado, Jorge. Eu já disse em outra oportunidade que você tem um pouco de “culpa” nisso, afinal o seu blog foi um dos que me inspiraram a começar o meu.
AMDG
Márcio
“Seu blog é uma fonte de sabedoria! Que Deus o abençoe no seu apostolado católico.” [2]
Faço minhas as palavras do Jorge Luís.
Qualquer crítica a Bento XVI implica que o seu autor é sedevacantista aberto ou camuflado.
O princípio deve ser aplicado a todos os Pontífices, portanto acabaremos abraçados ao Vaticano II e à Missa Nova ou seremos perseguidos pela Igreja Conciliar como cismáticos sedevacantistas.
Mas como um velho e experimentado professor cai nessa?
“”Depois disso, os sedevacantistas abetos ou camuflados, acusarem Bento XVI de que essa sua opinião prova que ele não é Papa, ou que ele está abrindo as portas para o Anticristo parece-nos um grande delírio.
Somos contra a ONU, e consideramos que ele é irreformável. Mas, continuamos crendo que Bento XVI é o Papa legítimo a quem todo católico deve obedecer e acatar.
Rezemos, pois, pelo Papa.”
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=apologetica&artigo=bento_xvi_valente_caritas_in_veritate&lang=bra#V
Certa vez, um velho professor me ensinou que a Maçonaria trabalha com slogans, tais como “virtudes republicanas” entre outros.
Isto porque o termo “cismáticos” está fora de moda, logo os “obedientes” surgem com outro slogan da Maçonaria.
E esta Encílclia de Bento XVI é indefensável. A chave para o seu entendimento está no paragráfo 6°: a construção da “cidade do homem”, que será conduzida pela “autoridade política mundial”.
Não pode-se dizer qye Bento XVI tenha consciência do que faz, mas que esta encílica constitui uma preparação do governo mundial ecumênico da Anticristo, parece claro.
O Contra Impugnantes já percebeu, e também está sendo perseguido como cismático.
Não se pode destruir a Igreja pela “obediência”.
Caro Ricardo Tarrasch,
Salve Maria!
Também não vejo razão nas interpretações otimistas que alguns deram à encíclica. Ela tem alguns pontos muito falhos. Concordei mais com as análises do Contra Impugnantes e, ainda que brevíssima, do Prof. Angueth:
http://contraimpugnantes.blogspot.com/2009/07/atitude-do-avestruz.html
http://angueth.blogspot.com/2009/07/caritas-in-veritate-que-deus-olhe-por.html
Ainda não a encíclica toda, mas os destaque feitos já demonstram que ela está longe de merecer elogios. Vou escrever a respeito assim que tiver uma oportunidade.
AMDG,
Márcio
Prezado Márcio. Pax!
Sobre Stauffenberg, além de ser um devoto católico, procurou o auxílio do papa de então, Pio XII, para obter junto aos governos dos países aliados, no caso do sucesso em derrubar Hitler, uma paz honrosa para a Alemanha. Pio XII prontificou-se a dar todo o apoio ao golpe, entretanto, Estados Unidos e Inglaterra negaram-se a aceitar a petição de Von Stauffenberg.
Hitler soube, mais tarde, do envolvimento do papa nessa trama e ordenou que o mesmo fosse sequestrado e levado como prisioneiro para Luxemburgo. O que não ocorreu, pois suas ordens foram desobedecidas.
Abraços!
Caro Mácio.
Creio que o trecho que você citou a exatamente 7 comentarios acima, seje do filme Operação Valquíria.
E a propósito o seu artigo sobre Der Stauffenbergtag está completamente correto, sou Professor de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)-Paraná- e o você fala com muita certeza sobre Stauffenbergtag. Ele foi um coronél muito importante para a Alemanha e amava seu país, e antes de ter o olho esquerdo perfurado e a mão direita amputada ele já tinha um grande ódio de Hitler. E o seu atentado na verdade não atingiu sucesso pois a pasta onde ele implantou a bomba ficou na sala ao lado e não embaixo da mesa como mostra em Operação Valquíria. Porém as palavras citadas por Der Stauffenbergtag antes de morrer foram exatamente as do filme: “Viva a sagrada Alemanha.”
Prezado Prof. William Tunner,
Eu evitei colocar muitos detalhes históricos no artigo para não perder o foco. Mas certemante haveria muito o que ser comentado sobre o assunto.
Apesar de não ser formado em História, eu tenho amor especial a esta disciplina. A História é sempre boa mestra, e nos ensina muitas coisas importantes, pois muito podemos aprender com os erros e acertos de tantas e tantas gerações que nos antecederam.
Obrigado pela contribuição,
Márcio
Somente uma observação geral, ou melhor, uma explicação:
Tag significa ” dia” , em alemão. Der Tag = O dia.
O nome do coronel era Stauffenberg.
Logo, Der Stauffenbergtag = O dia de Stauffenberg
Eu dei ao artigo o nome do dia que se comemorava em 20 de Julho.
Caro Márcio,
Parabéns pelo blog, que só agora conheci, e pelo artigo sobre este herói que lutou contra uma das piores tiranias que a história conheceu.
Estou terminando de ler o livro “Os Nazistas e o Ocultismo”, de Paul Roland. Já sabia que Hitler era pagão e anticatólico, mas não imaginava o quanto o Fuhrer e os nazistas eram envolvidos com todo tipo de bruxaria e satanismo (detalhe: o autor me parece insuspeito, pois além de não demonstrar nenhuma simpatia pela Igreja Católica, chega a fazer defesa explícita de algumas formas de ocultismo, mormente da astrologia).
Um abraço.
Carlos.
Caro Márcio.
Buscando outras fontes de informação sobre a resistência alemã e a Igreja, deparei-me com estes bons artigos publicados na revista católica 30 Giorni em sua edição de Língua Portuguesa. Espero que venham de encontro aos interesses dos caros leitores.
In Christo et Matre
http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=7981
http://www.30giorni.it/br/articolo_stampa.asp?id=755
Olá
Estou utilizando este espaço para comunicar que, novamente, o site com livros chamado São Miguel está fora do ar. Parece que a hospedagem gratuita “expirou”. Notificarei quando e se ele for para o ar novamente.
Abraço,
Tiago
Olá
A biblioteca já voltou ao ar. Agora está aqui:
http://bibliotecasaomiguel.wordpress.com
Um abraço!
Muito obrigado por nos avisar. Já estou atualizando os links.
Marcio,
Muito estranho o fato de que países com tradição cristã, no caso Alemanha e Itália, protestantes e católicos,respectivamente, tenham sido protagonistas de uma guerra tão desprovida de sinõnimos que a descreva.
Engraçado, estou aqui a meditar na tese que você quer levar avante: desobediência civil para erradicar o mal.
Disse ser engraçado pelo fato de que Deus, dispondo de todo o poder do mundo, todavia até agora não implodiu o diabo.
O livro de Apocalipse fala de uma prisão por mil anos, mas não de destruição do pai do pecado, do desobediente.
Assim, se você intenciona com sua ilação partir para uma ação mais ofensiva contra os traidores da sua Igreja, penso que voce, Caro irmão, comete equívoco.
Cristo, com seu poder de antevê as coisas, sabia antecipamente que seria traido por um dos seus, porém não deixou de convidá-lo a fazer parte do seu discipulado. Aliás, nunca tomou decisão agressiva ou violenta, nem o expulsou, Apenas mandou que fizesse o que queria fazer, traí-lo.
A Felipe Aquino e os que pensam como ele, deixe-os. Faça como Cristo, não os tema. Se a igreja Católica é indestrutível, se as portas do inferno não prevalecem contra ela, imagine um grupo de alguns.
Não sei o motivo do desespero, da vontade de vestir a roupagem de herói.
Quem foi que disse que eu estou pregando a desobediência civil? Não tire do meu texto conclusões que nele não se encontram. Assim você age exatamente como um fariseu, buscando com o que me acusar.
Em primeiro lugar, estou tratando de uma situação absolutamente excepcional. A doutrina católica sempre ensinou a obedecer as autoridades legítimas, mesmo com seus defeitos. Não se pode deduzir, nem da doutrina católica, nem do meu texto, que se deva desobeder as autoridades legítimas. O que eu estou dizendo é que algo evidentemente criminoso não obriga ninguém à obediência servil.
Olha que absurdo:
“Assim, se você intenciona com sua ilação partir para uma ação mais ofensiva contra os traidores da sua Igreja”…
Você é uma criaturinha pervesa mesmo. Já está me acusando de planejar uma “ação mais ofensiva”! Não estou planejando nada. Tenha um pouco de dignidade e não invente coisas que eu não escrevi. Estou dizendo que não devemos obediência servil ao clero que nos manda abandonar o bom combate da Tradição. Somente com muita má vontade de entender, alguém poderia tirar a conclusão de “ação mais ofensiva”.
A Igreja Católica é sim indestrutível, e as portas do inferno jamais prevalecerão contra Ela, pois foi o próprio Cristo quem assim o prometeu. Isto não quer dizer que não tenhamos a obrigação de defendê-la conta os seus inimigos. Além do mais, Felipe Aquino estava ensinando desobediência a um mandamento da Igreja. Muitos carismáticos ensinam heresias graves, e nós temos sim a obrigação de combatê-las, pois toda heresia leva à condenação eterna. Ainda que a Igreja seja indestrutível, muitos fiéis podem perder sua alma ao caírem em heresia, e nós, muito longe de querermos “vestir a roupagem de herói”, como você falsamente nos acusa, queremos proteger os inocentes do fermento dos hereges. Só isso. Desespero só pode ser visto da parte de quem busca, de qualquer jeito, algo de que possa a acusar a Igreja Católica.