Por que tanto ódio no coração?

Apesar de considerá-las extremamente óbvias, vou começar com este artigo a escrever as respostas às principais questões que os nossos adversários levantam contra nós. Seria desnecessário dizer, se tratássemos apenas com pessoas sérias, que estas respostas são minhas e que, certamente, há outros católicos que dariam respostas muito melhores que estas. Mas estou tentando fazer minha parte em responder, de forma simples e direta, as questões que são levantadas contra nós a fim de justificarmos nossa atitude diante dos católicos inocentes que se encontram perdidos no meio da crise atual, para que não caiam nos argumentos doces e pacifistas dos que semeiam o erro teológico e atacam os que querem defender a fé católica. As respostas são bem simples e diretas  a fim de esclarecer porque existem pessoas como eu que não se rendem ao clima de ecumenismo reinante após o concílio. Estas respostas não têm a menor pretensão de esgotar o assunto. Para os espíritos mais sagazes, que exigem abundância de argumentos, haverá outro artigos muito mais críticos e documentados. Vamos, pois, começar a responder algumas questões.

Por que tanto ódio no coração?

Esta pergunta já se tornou “clássica”. Sempre que, por exemplo, algum carismático encontra nossos argumentos contrários à RC”C”, eles lançam logo esta pergunta. Ela parte do pressuposto que todo combate é movido por ódio. Como se somente tivesse amor aquele que aceitacesse passivamente tudo o que vê.

O liberalismo, que tomou de assalto a Igreja, considera boas todas as opiniões, por mais absurdas que sejam. Contrariar uma opinião seria um desrespeito e prova de “ódio”. Do contrário, aceitar passivamente todas as opiniões seria prova de “amor”. Nada é mais contrário ao verdadeiro amor sobrenatural e também à doutrina católica.

Corrigir os que estão no erro é uma das obras de caridade espiritual, como nos ensina a sã doutrina católica. São Francisco de Assis, tão humilde e tão bom, em sua famosa oração, não pede somente para levar amor onde houver ódio, mas pede também para levar a verdade onde houver erro, e fé onde houver dúvida.

O verdadeiro amor, a caridade sobrenatural, não pode ser cúmplice do erro, da mentira, da heresia. Toda negação consciente de uma verdade revelada conduz à perdição eterna. Corrigir os que estão no erro é a maior prova de amor, pois assim se lhes tenta livrar da condenação.

Deus é Amor, mas também é Verdade. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Se Deus é a Verdade, quem está no erro está afastado de Deus.

(Nota: não se apressem a responder este argumento. Aqui, eu apenas expus a questão, sem preocupação de provar o que estou dizendo. Estou preparando outro artigo, bem mais longo e mais fundamentado, para demonstrar, com abundância de argumentos, que o amor não somente permite, mas sim exige mesmo, a correção daqueles que estão no erro.)

Por que vocês querem impor sua opinião?

Não, nós não queremos impor nossa “opinião”. O que estamos defendendo aqui não é nossa “opinião” particular, mas sim a doutrina da Igreja, tal como foi ensinada durante dois mil anos.

A Igreja Católica é Mãe e Mestra, pois foi fundada por Cristo para ensinar tudo aquilo que é necessário para nossa salvação. “Ide e ensinai” (Mt 28,19), foi a ordem que Nosso Senhor Jesus Cristo deu à Sua Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica. Se nós tivemos a graça de receber a mensagem de Cristo, temos também a obrigação de defendê-la e propagá-la. O que defendemos aqui não são idéias nossas, que nós inventamos, mas sim a pura doutrina da Igreja.

As idéias que combatemos, estas sim são opiniões de homens, introduzidas ao longo da história por grupos heréticos. Por mais que elas sejam comuns hoje em dia, durante esta crise, elas não fazem parte da doutrina da Igreja. Nunca foram ensinadas por nenhum Papa, nenhum concílio, nenhum santo ou doutor da Igreja. Pelo contrário, foram vigorosamente combatidas. Haja vista o exemplo do liberalismo, tão repetidamente condenado pelos últimos papas pré-conciliares, e hoje desgraçadamente tão penetrado na mentalidade dos fiéis.

Por que vocês insistem tanto em defender a doutrina? Não basta o amor?

Se Cristo não tivesse deixado uma doutrina bem definida sob a custódia da Igreja, cada homem teria de buscar, por suas próprias forças, a verdade. Na melhor das hipóteses, deveria entrar em “diálogo” com os demais homens para buscarem juntos a verdade. Mas ainda assim estariam limitados pela inteligência humana.

A história da filosofia demonstra claramente como a fraqueza da inteligência humana leva muito mais vezes ao erro do que à verdade. Há inúmeros sistemas filosóficos contraditórios não somente entre si mas até consigo mesmos.

A questão teológica é muito mais grave do que a questão filosófica. Que seria de nós se tivéssemos de buscar com nossas próprias forças as verdades sobre Deus? E aquelas mais necessárias para a salvação de nossas almas? Como saberíamos que encontramos a verdade se tívessemos de procurá-la no meio de várias doutrinas religiosas contraditórias entre si? Seria compatível com a bondade de Deus deixar-nos abandonados procurando as verdades religiosas por nossas próprias forças?

Este é já um forte argumento de razão. Mas podemos buscar argumentos de autoridade ainda mais fortes nas Sagradas Escrituras:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” (II Jo 1,8-11)

As palavras das Sagradas Escrituras são bastante claras. Quem se afasta da doutrina de Cristo não tem Deus. O herege é aquele que se afasta de Deus, porque se afastou de Sua doutrina. Tal é a gravidade da questão que Cristo não deixou a doutrina ao sabor das discussões dos homens, mas a confiou ao Sagrado Magistério: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10,16). Por isso, a Igreja Católica tem a obrigação de ensinar a doutrina que Cristo Nosso Senhor lhe confiou (Mt 28,19).

Assim, Deus não deixou para o homem a tarefa de buscar, apenas com suas próprias forças, a verdade sobre as coisas sagradas e necessárias para sua salvação. Se Ele o tivesse feito, como poderia o homem estar seguro da doutrina que defende se há tantos outros com opiniões diferentes dele? A Igreja, fundada por Cristo, dissipa as dúvidas e confirma os fiéis na doutrina ensinada por Cristo.

Portanto, a nós cabe defendermos não as nossas opiniões particulares, mas sim a doutrina que a Igreja sempre nos ensinou, sem a menor mancha, em seus dois mil anos de história. Por este mesmo motivo, devemos rejeitar qualquer novidade introduzida, por quem quer que seja, que contrarie o depósito da Fé (Gal 1,8s).

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Continuaremos as respostas em outro artigo.

Publicado em:  on Outubro 19, 2009 at 10:34 pm Comentários (6)
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Para honrar o nome deste blog

Quando eu estava por criar o meu blog, além de todas as meditações se deveria me lançar a esta tarefa, havia também o problema do nome que lhe deveria dar. Sou péssimo para estas coisas. Conhecendo o meu gênio explosivo, que não se conforma com o erro, achei por bem tomar o conselho de São Paulo, “Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração.” (Rm 12,12). Assim, toda vez que recebo um comentário desairoso, respiro fundo antes de dar a resposta, pensando sempre no que o Apóstolo disse. Mas, confesso, às vezes é difícil, muito difícil, não dar uma resposta no mesmo nível da provacação.

Desanima perceber que, por mais que apresentemos argumentos, os contendores simplesmente ignoram tudo e repetem as mesmas acusações que já haviam sido respondidas em outro lugar. Parece que querem realmente testar a nossa paciência. Quanto a certas pessoas, que fazem um esforço tremendo para não entender o que estamos dizendo, não há muita esperança de que mudem de atitude.

Por outro lado, existem pessoas que claramente estão no erro porque a ele foram induzidas. Em consideração a estas pessoas, e não aos sujeitos de má vontade evidente, vou me dar ao trabalho  de escrever, bem detalhadamente, as respostas para as acusações que nos são feitas. Uma a uma, com calma, com toda clareza, levando em conta, o máximo possível, tudo o que foi escrito pelos nossos adversários. Vamos ver até que ponto chega a perversidade daqueles que não querem enxergar a verdade sobre a presente situação. Se os que agem de má fé continuarão agindo assim, pelo menos, espero reduzir o número daqueles que ficam sem entender o motivo de nosso combate.

Para honrar o nome do blog, então, vou evitar qualquer provocação mais ofensiva e vou tentar responder aos ataques de forma impessoal, concentrando em um artigo os argumentos adversários expressos em comentários escritos em vários artigos dispersos.

Apesar da minha atual falta de tempo, vamos tentar um diálogo verdadeiro: aquele em os argumentos adversários são levados em conta, e não desprezados. Os comentários continuam abertos, exceto para aqueles que já demonstraram não querer outra coisa senão nos provocar.

Publicado em:  on Outubro 2, 2009 at 7:37 pm Comentários (1)
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O melhor selo de qualidade que um blog pode ter

Faz muito tempo que eu nem sequer acesso a página do Falsitatis. Realmente não vale a pena perder tempo com eles. Mas, fiquei sabendo, através de outro blog, este sim bastante credenciado e sério, que eles instituiram um “selo de ortodoxia” a ser distribuído a sites católicos “ortodoxos” (na visão deles, é claro). Fico imaginando de qual autoridade eles pensam terem sido investidos. Talvez eles se considerem “magnificentíssimos juízes da ortodoxia católica de toda a rede mundial de computadores, com autoridade sobre todo site, blog, orkut e demais territórios virtuais d’além internet”. Eles mesmos acabam se tornando uma piada, pois “quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humillhado”.

Pensando no caso, cheguei a uma conclusão sobre qual o melhor selo de qualidade um blog de apologética pode ter: o link para os blogs que possuem argumentos contrários. Esta é uma das maiores provas de honestidade intelectual que alguém pode dar ao discutir algum assunto. Assim sendo, eu criei uma nova página neste blog para conter um histórico das “questões disputadas”:

http://intribulationepatientes.wordpress.com/disputationes/

A idéia é manter um histórico das argumentações sobre diversas questões controversas. Aliás, há várias questões que já foram respondidas e, justamente eles, os “juízes da ortodoxia”, fingem não ter visto. Com esta página, pretendo tornar evidente a má fé daqueles que fogem da argumentação. Lançam uma mentira, às vezes até uma calúnia, e, depois, quando são respondidos, fingem que não sabem de nada.

E fica aqui o desafio: quem discordar dos meus argumentos, peço a gentiliza de que coloque no seu site ou  blog o link desta página, e me informe para que eu coloque na página o seu link também. Desta forma, quem estiver buscando a verdade, poderá ler todos os argumentos. Creio que esta seria uma grande prova de honestidade intelectual. Somente os mal intencionados querem calar a boca dos adversários. Nós, ao contrário, queremos colocar às claras todos os argumentos, nossos e dos que discordam de nós. Vamos ver se o Falsitatis aceita o desafio.

Pois bem, nesta página ficará evidente se os “juízes da ortodoxia” levam uma argumentação até o final ou não. E não pretendo me restringir a eles. Há outros “conservadores” que não se dão ao trabalho de responder as questões quando percebem que não poderão continuar mantendo suas posições pré-definidas (geralmente em relação ao concílio vaticano II). Tem resposta, por exemplo, que eu estou esperando há meses…

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Observações:

1) nem sempre a resposta precisa ser rápida. Alguns assuntos mais complexos podem demorar um pouco para serem respondidos. O que eu estou protestando aqui é contra a desonestidade daqueles que reiteradamente fogem da disputa, mudam de assunto, usam de argumentos sem sentido, etc.

2) a página estará em constante atualização

3) além de meus artigos, colocarei também outros links que sejam boas respostas para as questões disputadas

Publicado em:  on Agosto 18, 2009 at 10:18 pm Comentários (8)
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É proibido prostrar-se?

Enquanto escrevo os artigos mais complexos, que demandam mais tempo e cuidado, vou escrevendo outras mais simples e imediatos. O presente artigo visa responder à acusação que um pentecostal fez contra a Igreja com relação ao ato de prostrar-se.

Os protestantes, dentre tantas outras acusações absurdas, gostam de atacar os católicos por se prostrarem. Segundo os “sábios” entendedores da Bíblia, todo ato de prostrar-se é adoração e, portanto, seria idolatria protrar-se diante de um homem, de uma imagem, de um altar, etc. Eles gostam de citar dois trechos bíblicos, um quando Pedro repreende o centurião romano que se ajoelha diante dele (At 10,25), e o outro quando o anjo tem a mesma atitude diante de João (Ap 19,10).

Para um ignorante, que não conheça as Sagradas Escrituras, podem até parecer convincentes esses argumentos. No entanto, para quem já se deu ao trabalho de ler o Livro Santo e, ainda mais para quem conhece o método nada honesto da apologética protestante, vulgarmente conhecida como “tesoura protestante”, é muito fácil derrubar esta falácia ridícula. Basta citar alguns trechos onde pessoas santas se prostram diante de outras, sem que tenham sido repreendidas:

Gn 18,2; 19,1; 23,7.12; 33,3-7; 47,31; 48,12;

Ex 4,31; 12,27; 18,7;

Nm 22,31;

Dt 26,10;

Js 5,13-16;

Rt 2,10;

1Sm 1,129; 1,28; 24,9; 25,41;

2Sm 1,2; 9,6.8; 12,20; 13,31; 14,4; 14,22; 14,33; 18,21.28

Estes trechos foram retirados apenas dos primeiros livros da Bíblia, pois eu ainda não terminei de assinalar todos. Mas já demonstram de maneira insofismável que nem todo ato de prostrar-se significa adoração. Esta depende da intenção de quem se prostra, e poderia mesmo acontecer sem nenhum ato exterior.

Além disso, os trechos apontados pelos protestantes para atacar a Igreja podem ser compreendidos com um pouco de boa vontade. Pedro admoestou o romano porque, sendo este pagão em vias de se converter,  podia não entender bem a diferença entrer adorar e venerar. Também quanto a João, é possível encontrar explicação para sua atitude. Talvez, vendo o anjo, o apóstolo tenha inicialmente imaginado estar diante de uma manifestação divina. Estas de fato ocorreram, conforme nos descreve o apóstolo no mesmo livro do Apocalipse onde se encontra narrada a repreensão.do anjo. No entanto, os trechos das Sagradas Escrituras citados acima, narram várias ocasiões em que pessoas santas se prostram diante de outras. Para os que são instruídos na Fé Verdadeira, não há qualquer perigo de se confundir adoração e veneração. Daí a prática de se prostrar diante de outros homens, tão presente no Antigo Testamento, não merecer repreensão alguma, constituindo, pelo contrário, exemplo de como nos devemos portar para com os nosso maiores.

A conclusão a que chegamos é que os protestantes enxergam os dois trechos da Bíblia que serviriam para defender sua tese, mas não enxergam todos os outros, muito mais numerosos, que a derrubam. É preciso muita má vontade para agir da forma como eles agem. Querem interpretar a Bíblia citando apenas os trechos que interessam e ignoram os que não se enquandram nas idéias pré-fabricadas que eles recebem de seus “pastores” ou a que chegam por si mesmos, atribuindo-as, no entanto, ao Espírito Santo. Somente para suas vistas turvas não existe a diferença entre adorar e venerar, diferença esta tão nítida para nós católicos, que apoiamos nossa Fé não em dois versículos isolados, mas totalidade da revelação divina.