Será que ele vai continuar negando que acredita na evolução do dogma?

Este vídeo, que me foi trazido ao conhecimento por outro amigo engajado no bom combate pela Santa  Igreja, já estava postado como comentário no meu blog, mas, pelo gravidade dos erros, merece um destaque maior. Enquanto o assistem (se tiverem estômago para chegar até o final) prestem atenção nos seguintes pontos:

- Fábio de Melo acredita que o dogma pode evoluir; ele chega a considerar a hipótese de que a Igreja pode, um dia, revogar a proibição da comunhão para “casais de segunda união”;

- Ele faz uma confusão enorme com o termo “presença real”, chegando a afirmar que “a presença real se dá também na palavra” (35 s);

Para o Pe. Fábio de Melo, seria possível que a Igreja pudesse rever suas leis sobre o matrimônio. Nas palavras dele: “pode ser que a Igreja evolua para pensar isso” (50 s). Será que ele nunca leu os Evangelhos para saber que foi Cristo quem disse “o que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19, 6)? E não foi Ele mesmo a confirmar “todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E quem desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério” (Mt 19, 9)? Será que o padre carismático julga que estas palavras não são de validade eterna? Então seria Cristo mentiroso ao dizer que “o céu e a terra passarão antes seja retirado um jota da lei” (Mt 5,18)? Claro que não! Ora, se a Igreja Católica pudesse ir contra as palavras de Nosso Senhor, já não seria mais a Sua Santa Igreja, e sim mais uma seita protestante. Seria isto o que Fábio de Melo deseja? E depois os carismáticos não aceitam que a RC”C” é protestantismo infiltrado na Igreja de Deus.

Mas, como diz o adágio: abyssus abyssum clamat. E o abismo do relativismo de Fábio de Melo quanto à eternidade das leis da Igreja chama logo em seguida outro, qual seja, a confusão sobre a doutrina da presença real. De fato, para este padre, o termo “presença real” tem um significado muito estranho, estendendo esta presença à “palavra”. Vamos ver o que ele disse:

“Talvez a gente não tenha o hábito de sentir a presença real de Jesus na palavra porque a nossa catequese se limitou a ensinar a presença real no Corpo e no Sangue (1 min 35 s)”

A catequese de dois mil anos está errada, segundo Fábio de Melo! Por favor, padre, avise a S.S o Papa para tomar providências oficiais para acabar com este erro terrível que somente o senhor foi capaz de desvendar!

Continuem firmes, tem mais…

“Quando a Igreja (sic!) me diz que o Evangelho é presença real de Jesus, a proclamação do Evangelho, Jesus está verdadeiramente presente e eu O comungo, eu O recebo em mim .”( 4 min 23 s)

Não dá nem para comentar: Cristo verdadeiramente presente na palavra ao ponto de podermos comungá-Lo… Alguém já leu as críticas ao Novus Ordo sobre o deslocamento da importância na Santa Missa da comunhão para a “palavra”? É mais uma prova da protestantização da liturgia, o que está em perfeito acordo com as palavras do padre:

“Eu preciso confessar para vocês que, às vezes, na celebração, eu sou muito mais sensível ao contexto da palavra do que ao contexto do pão e do vinho. Por quê? Porque eu sou filho da palavra. Na minha vida a palavra sempre teve muito poder.” (5 min 40 s)

Alguém vai querer dizer que isto não tem nada a ver com influência protestante? Se quiser se aventurar, os comentários estão sempre abertos.

Não vou me alongar nos comentários, pois os absurdos ditos pelo padre no vídeo já dizem tudo. Para fechar o artigo, vou fazer uma observação sobre um detalhe quase sem importância: em nenhum ponto do vídeo ele fala para a mulher, que fez a pergunta, que ela está em pecado mortal por viver uma “segunda união”. Prova da importância que os padres modernos dão para a salvação das almas.

Quo vadis, parve Ioannes?

É realmente lamentável o estado a que chegou o clero pós-Vaticano II.

Padre Joãozinho gosta muito de se mostrar escandalizado com aqueles que não aceitam o pastoral e falível Concílio Vaticano II. Chamou a Montfort até de marxista. Gosta de publicar os comentários que chamam os católicos tradicionais de protestantes, de sectários, de cismáticos. Todas aquelas mesma  acusações sem nexo de sempre. Interessante é observar que o referido padre apenas coloca artigos e seu blog e depois não mais intervém. Deixa que os leitores “quebrem o pau” e não se dá ao trabalho de argumentar contra os que discordam dele. Mas nem por isso deixa de inserir novos artigos contra a Tradição Católica e a resistência aos erros do Vaticano II. Estranha a atitude de um doutor, cujo título normalmente evoca a noção de alguém muito versado na matéria e capaz de discuti-la com profundidade e argumentar com sabedoria. Em vez disso, o que se vê é a estratégia propagandística: muita repetição das memas idéias, muitas opiniões de leitores, nenhum tratamento sério da questão. Parece que ele quer vencer pelo cansaço.

As opiniões do padre Joãozinho sobre o batismo também são bastante heterodoxas. O vídeo a seguir, que nos foi trazido ao conhecimento por um leitor, demonstra bem a confusão deste padre que não sabe a diferença ente o sacramento do batismo e o processo de santificação da alma:


Ele começa a dizer que “O batismo no Espírito é um desdobramento do batismo sacramental” (47 s) e que o batismo é um processo, de forma que uma pessoa não é batizada, e sim “batizanda”. Ele comfirma estas besteiras dizendo que “o batismo é dinâmico” (1 min) e que “somente seremos totalmente batizados no Céu” (1 min 19 s), “enquanto estivermos aqui [nesta vida] estamos passando por um processo batismal” (1 min 28 s). Este processo seria o tal “batismo no Espírito”, que aconteceria muitas vezes na vida da pessoa (2 min), e ainda o associa a uma “tomada de consciência do próprio batismo (2 min 25 s).

Isto tudo foi dito só na primeira metade do vídeo, que tem pouco mais de cinco minutos. Na outra metade ele fala sobre o dom de línguas, mas creio que seja suficiente para a paciência de qualquer cristão comentar o primeiro assunto.

Vamos confrontar o que diz Padre Joãozinho com a doutrina católica. Comecemos pelo batismo sacramental:

Lemos, no Catecismo Maior de São Pio X:

518) Explicai com um exemplo como os Sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça.
No Batismo, o ato de derramar a água sobre cabeça da pessoa, e as palavras: Eu te batizo, isto é, eu te lavo, em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, são um sinal sensível do que o Batismo opera na alma; porque assim como a água lava o corpo, assim a graça, dada pelo Batismo, purifica a alma, do pecado.

Onde se encontra o “processo” alegado por padre Joãozinho? O batismo confere a graça santificante à alma do batizado, o que normalmente se diz que apaga a “mancha” do pecado original. Os números seguintes do Catecismo de São Pio X explicam bem a doutrina sobre a graça:

526)    Que é a graça santificante?
A graça santificante é um dom sobrenatural, inerente à nossa alma, que nos faz justos, filhos adotivos de Deus e herdeiros do Paraíso.

527)    Quantas espécies há de graça santificante?
Há duas espécies de graça santificante: graça primeira, e graça segunda.

528)    Que é a graça primeira?
A graça primeira é aquela pela qual o homem passa do estado de pecado mortal ao estado de justiça, de amizade com Deus.

529)    E que é a graça segunda?
A graça segunda é um aumento da graça primeira.

530)    Que é a graça atual?
A graça atual é um dom sobrenatural que ilumina nossa inteligência, move e fortalece a nossa vontade, a fim de que pratiquemos o bem e evitemos o mal.

535)    Que é a graça sacramental?
A graça sacramental consiste no direito que se adquire, recebendo qualquer Sacramento, de ter ein tempo oportuno as graças atuais necessárias, para cumprir as obrigações que derivam do Sacramento recebido. Assim, quando fomos batizados, recebemos o direito a ter as graças necessárias para vivermos cristãmente.

536)   Dão sempre os Sacramentos a graça a quem os recebe?
Os Sacramentos dão sempre a graça, contanto que se recebam com as disposições necessárias.

538)   Quais são os Sacramentos que conferem a primeira graça santificante?
Os Sacramentos que conferem a primeira graça santificante, que nos faz amigos de Deus, são dois: Batismo e Penitência.

539)   Como se chamam, por este motivo, estes dois Sacramentos?
Estes dois Sacramentos, isto é, o Batismo e a Penitência, chamam-se por este motivo Sacramentos de mortos, porque são instituídos principalmente para restituir a vida da graça às almas mortas pelo pecado.

540)   Quais são os Sacramentos que aumentam a graça em quem a possui?
Os Sacramentos que aumentam a graça em quem a possui, são os outros cinco, isto é, a Confirmação, a Eucaristia, a Extrema-Unção, a Ordem e o Matrimônio, os quais conferem a graça segunda.

Dos números 538 e 539, aprendemos que o batismo confere a graça santificante à alma assim que ela o recebe. Os sacramentos que aumentam a graça de quem já a possui são enumerados no número 540, do qual, obviamente, não consta o batismo.

Se o batismo fosse um processo que durasse a vida toda, o que São Pio X disse no número 536 acima seria mentira. De fato, os Sacramentos dão sempre a graça a quem recebe com as disposições devidas. Se fosse um processo, o Batismo não conferiria toda a graça que simboliza, mas esta deveria ser buscada pelo cristão durante toda sua vida, como hereticamente defendeu o padre carismático. Como o batismo é o sacramento que nos torna cristãos, segundo a doutrina católica, e sendo ele um processo que somente se completa no Céu, como acredita padre Joãozinho, resultaria daí que não há nenhum verdadeiro cristão sobre a Terra. Coerente com as idéias do padre Fábio de Melo, expostas na entrevista com o Jô Soares. Porém, totalmente incompatível com a doutrina católica.

Mas, continuando a ler a aula de doutrina dada por São Pio X, aprendemos que o Batismo é um dos sacramentos que imprimem caráter à alma:

545)   Quais são os Sacramentos que se podem receber uma só vez?
Os Sacramentos que se podem receber uma só vez, são três: Batismo, Confirmação e Ordem.

546) Por que os três Sacramentos, Batismo, Confirmação e Ordem só se podem receber uma vez?
Os três Sacramentos, Batismo, Confirmação e Ordem, podem-se receber uma só vez, porque imprimem caráter.

547)   Que é o caráter que cada um destes três Sacramentos imprime na alma?
O caráter impresso na alma em cada um destes três Sacramentos, é um sinal espiritual que nunca se apaga.

Como poderia padre Joãozinho conciliar suas palavras com os ensinamentos de São Pio X? Afinal de contas, padre Joãozinho acredita ou não que o Batismo imprime um caráter na alma? Se acredita, então como poderia o mesmo ser um “processo” que somente se completa no Céu?

Vamos ler a definição de Batismo?

549)   Que é o Sacramento do Batismo?
O Batismo é o Sacramento pelo qual renascemos para a graça de Deus, e nos tornamos cristãos.

550)   Quais são os efeitos do Sacramento do Batismo?
O Sacramento do Batismo confere a primeira graça santificante, que apaga o pecado original e também o atual, se o há; perdoa toda a pena por eles devida; imprime o caráter de cristão; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Paraíso, e torna-nos capazes de receber os outros Sacramentos.

Mais uma vez eu pergunto: padre Joãozinho, onde está o alegado “processo” batismal?

Do que ficou exposto, percebe-se claramente que o referido padre não se deu ao trabalho de ler nem mesmo o Catecismo.

Diga-se, de passagem, que ele nem se lembrou que existe o Sacramento do Crisma, que o define São Pio X como:

575)   Que é o Sacramento da Confirmação?
A Confirmação, ou Crisma, é um Sacramento que nos dá o Espírito Santo, imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e nos faz perfeitos cristãos.

576)  De que maneira o Sacramento da Confirmação nos faz perfeitos cristãos?
A Confirmação faz-nos perfeitos cristãos, confirmando-nos na fé, e aperfeiçoando em nós as outras virtudes e os dons recebidos no santo Batismo; e é por isso que se chama Confirmação.

Para padre Joãozinho, o “batismo no Espírito” seria um processo que aperfeiçoaria o Batismo, mas o Sacramento da Crisma não mereceu nem ser citado em suas relações com o Batismo.

Finalmente, sobre o crescimento da vida cristã, devemos lembrar o ensinamento tradicional da Igreja. Uma vez tornados cristãos pelo Batismo, e ainda mais depois de fortalecidos pela Crisma, cabe a nós buscarmos a perfeição da vida cristã. Para isso, devemos percorrer três vias: a purgativa, a iluminativa e a unitiva. Tudo isso se estuda na Teologia Ascética e Mística. Mas, isso discutimos em outro artigo. Para padre Joãozinho, estudar o catecismo já é um bom começo.

Publicado em:  on Agosto 31, 2009 at 10:30 am Comentários (17)
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Taubaté será a nova Limeira?

Todos nós acompanhamos o que se passa, atualmente, na diocese de Limeira: uma confusão enorme foi montada porque o bispo se recusou a conceder aos fiéis um direito claro que lhes assite. Um direito garantido de forma inequívoca por ninguém menos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, através do motu proprio Summorum Pontificum. Mas o bispo de Limeira, certamente apoiado pela falsa idéia de colegialidade, uma das mais funestas novidades introduzidas pelo Concílio Vaticano II, e pensando que manda mais que o papa, criou todo tipo de obstáculo para impedir que os fiéis de sua diocese pudessem assistir à Santa Missa no rito Tridentino. Rito este, aliás, que goza de indulto perpétuo de S.S. o Papa Pio V, de venerabilíssima memória, que promulgou a bula Quo Primum Tempore.

Agora, parece que outra diocese do interior do estado de São Paulo está caminhando para um escândalo de semelhantes proporções, senão maiores. O bispo de Taubaté, diocese do padre Fábio de Melo, até agora não se pronunciou sobre o caso. Mas os fiéis, na interet pelo menos, já estão se mobilizando para quebrar a inéricia do bispo, organizando um abaixo assinado para que o mesmo tome alguma providência:

http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/4904

Esperamos que Dom Carmo tenha o bom senso de zelar pela ortodoxia e pelo bem de seus fiéis e tome as providências que lhe cabe como bispo para por um fim nas heresias que os padres de sua dioceses têm defendido publica e reiteradamente.

E não são poucos nem pequenos os erros do padre Fábio de Melo e do padre Joãozinho, que entrou na confusão para defender o colega; mas que se enrolou também; e depois abandonou  o padre Fábio, dizendo “ele que se defenda”; mas, como também ele já estava comprometido, continuou debatendo com a Montfort, e acabou se enrolando mais ainda… Enfim, uma “comédia pastelão” bem grotesca. E o bispo em silêncio.

Como exemplo do quanto o padre Joãozinho se enrolou na questão e de quão evasiva tem sido a atitude deste sacerdote, podemos citar a “resposta” que ele deu ao desafio da Montfort:

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/08/24/resposta-ao-desafio-do-sr-orlando-fedeli-e-novo-desafio/

Além de não escrever uma única palavra para responder ao desafio, lançou outra pergunta, tentando se apoiar na “autoridade” do Concílio Vaticano II para fugir da declaração do IV Concílio de Latrão. De fato, este concílio definiu, infalivelmente, o dogma “Extra Ecclesia nulla salus” – “Fora da Igreja não há salvação”. O referido padre, para dar suporte à sua afirmação de que há santidade no protestantismo, citou a encíclica Ut Unum Sit, de João Paulo II, que, por sua vez, se apóia nas perniciosas idéias irenistas do último concílio.

O que o padre Joãozinho conseguiu foi apenas colocar em evidência o quanto o concílio é incompatível com a Fé Católica de sempre. Entre o magistério da Igreja não pode haver contradição. Ora, se o concílio está em desacordo com o magistério infalível anterior, então as suas proposições não podem gozar de infalibilidade. O concílio foi pastoral e não dogmático, portanto, passível de falhas, como podemos constatar pelo simples confronto com o magistério anterior. Por que é tão difícil para algumas pessoas admitir isso?

Esperamos que o bispo de Taubaté coloque um fim nas heresias destes padres antes que sua diocese siga os passos de Limeira. E que pode ter repercussão muito maior, pois não são apenas os “tradicionalistas” que se interessam pela questão, mas um número muito maior de católicos fica indignado com as heresias contra os dogmas eucarísticos.

E, talvez seja querer demais, mas não custa desejar, que o caso desperte nos fiéis a consciência de que há algo de muito errado com o clero atual. Quem sabe, um número maior de pessoas esclarecidas aproveite a confusão para perceber a contradição entre o Concílio Vaticano II e os demais concílios. Contradição que ficou evidente até pelas próprias citações do padre Joãozinho. Quem sabe este não tenha sido mais um tiro que saiu pela culatra?

O que a CNBB teria a dizer sobre este vídeo?

O que a CNBB teria a dizer sobre este vídeo?

Os números são impressinantes. A “previsão” de mortes pela gripe aviária chegava aos milhões. O que aconteceu? Quantos morreram?

E a gripe comum, quantas pessoas ela mata por ano? Muitíssimo mais do que a tal gripe suína. Então, por que tanta propaganda de uma doença que, proporcionalmente, mata tão pouco? Acho que o vídeo responde bem a questão de $aúde pública…

E pensar que uma “pandemia” destas se tornou motivo para desrespeitar o Santíssimo Sacramento! A mensagem de La Salette não foi nem um pouco exagerada ao chamar os sacerdotes traidores de “cloacas de impureza”.

Publicado em:  on Agosto 7, 2009 at 10:56 pm Deixe um comentário
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Presidente da CNBB: “o reconhecimento do Estado laico é um valor” !!!

Por que a Igreja vive uma crise tão grande hoje em dia? Esta é a pergunta que muitos católicos se fazem sem, no entanto, encontrar resposta. Podemos dizer que uma boa parte da culpa por este estado de coisas é a traição interna.

Em novembro de 2008, o Vaticano assinou um acordo com o estado brasileiro. Destaco, abaixo, o trecho da matéria publicada no site da CNBB onde seu presidente, dom Geraldo Lyrio Rocha, comenta o acordo:

Acordo assinado hoje no Vaticano reconhece personalidade jurídica da Igreja Católica no Brasil

“O grande elemento do acordo é o reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica no Brasil”, ressalta dom Geraldo. O presidente da CNBB enfatiza ainda que o acordo não traz privilégios para a Igreja Católica e nem discrimina outras confissões, que perante as leis brasileiras têm os mesmos direitos. “Aliás, as outras confissões podem até pleitear seus convênios com o governo”, acrescenta.

Dom Geraldo explica ainda que não há nenhum indício de a Igreja querer ocupar espaços que são do Estado, muito menos se colocar numa atitude como se pretendesse atrelar o Estado a ela. “O reconhecimento do Estado laico é um valor. A Igreja reafirma a importância do Estado laico, porque luta pela liberdade religiosa de todos. É um direito da pessoa humana que precisa ser respeitado. Então, esse aspecto da laicidade do Estado não é de forma alguma ferido pelo acordo, pelo contrário é reafirmado”, diz.

http://www.cnbb.org.br/ns/modules/news/article.php?storyid=546

Inicialmente, notamos que, no primeiro parágrafo citado, dom Geraldo toma todas as precauções para não “ofender” os “irmãos separados”. Parece até que se ele tem vergonha de defender os direitos da Igreja Católica de ser protegida pelo Estado. Imagine só, se alguma seita não poderia pleitear os mesmos direitos da única Igreja de Cristo! Este é o pensamento de ninguém menos que o presidente da CNBB…

Mas o segundo parágrafo citado é ainda pior. Dom Geraldo ensina exatamente o contrário do que a Igreja sempre ensinou. Para o bispo, o reconhecimento do Estado laico seria um valor, cuja importância a própria Igreja afirma! O parágrafo todo é uma “profissão de fé” anti-católica.

Será que dom Geraldo nunca leu a encíclica Vehementer Nos, do papa São Pio X. onde o pontífice, de venerabilíssima memória, ensina com todas as letras:

6. Que seja preciso separar o Estado da Igreja, é esta uma tese absolutamente falsa, um erro perniciosíssimo. Com efeito, baseada nesse princípio de que o Estado não deve reconhecer nenhum culto religioso ela é, em primeiro lugar, em alto grau injuriosa para com Deus; porquanto o Criador do homem também é o Fundador das sociedades humanas, e conserva-as na existência como nos sustenta nelas. Devemos-lhe, pois, não somente um culto privado, mas um culto público e social para honrá-lo.
http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2006-7-Vehementer-Nos.htm

Mais claro do que isso, impossível. O Estado laico, isto é, aquele Estado separado da Igreja, é veementemente condenado por SS. São Pio X. O presidente da CNBB, então, contraria frontalmente o ensinamento de uma Papa Santo. Engraçado, não? Estes mesmos que atacam os católicos tradicionais por não aceitarem o pastoral e discutível Vaticano II, na hora de respeitarem o magistério pré-conciliar, esquecem totalmente o dever de obediência que tanto pregam. Coisas de CNBB…

E São Pio X não está sozinho em seus ensinamentos. Leão XIII, além de outras intervenções, relembra, em sua encíclica Immortale Dei, o ensinamento unânime de vários papas a este respeito. O Papa Pio IX, em seu memorável Syllabus, também condena a proposição segundo a qual “é preciso separar a Igreja do Estado e o Estado da Igreja” (no. 55).

E, se não bastasse o ensinamento da Igreja, a História está aí para provar o quanto o Estado laico representou, na prática, uma perseguição à Igreja. Muito longe de respeitar todas as crenças, o laicismo é, na realidade, instrumento para perseguir a Verdadeira Religião e privar a Igreja de seus direitos.

Mas não precisamos falar somente de história. Quais são as consequências do Estado laico hoje em dia? Querem tirar os crucifixos dos lugares públicos, não permitem o ensino da religião nas escolas, o Estado patrocina a imoralidade sexual, o aborto, a Igreja é publicamente atacada…

Por falar nisso, por que Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo metropolitano de Olinda e Recife, é massacrado pela mídia e pelos políticos que reclamam da “atitude conservadora da Igreja Católica”? Não é justamente este Estado laico que permite esta aberração? No maior país católico do mundo, a Igreja é publicamente perseguida por aplicar suas leis em defesa da vida! Estes são os frutos do Estado laico, que o presidente da CNBB, em oposição aos ensinamentos da Igreja, defende.

Como é que podemos ter esperanças de melhoras enquanto aqueles que deveriam ser os guardiões da Fé são os primeiros a negá-la? Neste mundo dessacralizado, qualquer um que defenda a Fé é perseguido, como Dom José Cardoso Sobrinho está sendo. Por isso mesmo, é preciso defender a Fé com todas as nossas forças, sem ambiguidades. A perspectiva, falsificada pelo concílio Vaticano II, de que a Igreja deve se abrir ao mundo moderno consegue apenas causar confusão e negações da Fé covardes e lamentáveis como esta do presidente da CNBB.

Se as coisas vão tão mal para a Igreja no Brasil, podemos exclamar em tom de ironia: Obrigado CNBB!

Folheto de missa nega presença real de Cristo na Eucaristia

O protestantismo se levantou contra a maior parte das Verdades de Fé da Igreja. Lutero, entre outras heresias, negava o caráter de sacrifício da Santa Missa, bem como a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. A Santa Igreja, com energia, repeliu, no Concílio de Trento, estas nefastas heresias, reafirmando todos os dogmas ensinados por Nosso Senhor.

Hoje em dia, no entanto, este bravo esforço em defesa da Verdadeira religião, que atravessou os séculos, é covardemente traído pelos membros corrompidos da nova igreja modernista. O erro é ensinado abertamente. As perniciosas heresias protestantes são ensinadas por aqueles mesmos que tinham o maior dever de repeli-las e de ensinar a Verdadeira Fé.

Como exemplo do que afirmo, segue a transcrição de um texto retirado de um folheto de missa (os destaques são nossos):

VIDA E MISSÃO
40º ANIVERSÁRIO DA SACROSSANTUM CONCILIUM

A SAGRADA LITURGIA (39)

“Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (Lc 24,35)

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.
Quando a gente se reúne cada domingo, a gente está atendendo a um pedido de Jesus, um pedido muito caro a seu coração.

Ele gosta de ver seus discípulos reunidos em seu nome. Este é o momento por excelência de experimentar a presença do Ressuscitado entre nós. Ele chega, antes de tudo, para nos comunicar sua paz. O momento decisivo, porém, de experimentar esta presença real e dinâmica é, justamente, quando repartimos entre nós, irmãos e irmãs, o pão e o vinho, em sua memória, como ele mesmo nos mandou. E não há magia nem milagre, é um “sacramento”, isto é, um sinal, ou, como diziam os gregos, um “mistério”, segredo que só aos iniciados, no caso, os evangelizados, é dada a graça de desvendar, e, por isso, um “Mistério de Fé”.

Mas para ser um sinal realmente significativo, precisa ser dado com toda a sua força de expressão, não pode ser um “faz de conta”. E a este respeito precisamos superar as distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista, que, em detrimento do realismo evangélico e do valor de tudo quanto é corpo e matéria, criação de Deus, reduziu a expressão sacramental ao mínimo dos mínimos, vale dizer, à insignificância: o banho do batismo se reduziu a uns pingos d’água; a unção dos enfermos, a um triscar com uma gota de óleo; o pão da Ceia do Senhor, a uma pequenina “ficha”.
Mesmo se nos ativermos à tradição do pão ázimo, coisa que não precisaria ser tão rigorosa, já que, por exemplo, as Igrejas do Oriente desde sempre o rejeitaram, bem que poderíamos fazer uma coisa que se possa perceber que se trata de pão, pois foi pão de verdade que Jesus tomou e deu aos discípulos.

Pão que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando. E, nesse comer de verdade, experimentar “quão suave é o Senhor”, sentir-se em profunda comunhão de vida e destino com Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida! Pão que a gente partilha entre todos e, ao comer da mesma mesa, do mesmo pão, nos sentir a formar um só Corpo, com Aquele que é nossa Cabeça, nosso traço-de-união.

Em comunidade, em clima de aconchego, fica mais fácil de resolver o problema. Quando se trata de multidão, como chegar a uma solução verdadeira, sem sair pela tangente da lei do menor esforço?… Experimentamos tudo isso meditando e cantando de novo o Salmo 147!

Folheto de missa – Deus conosco 21/09/2003

Os erros contra a Fé são da maior gravidade. Estão escritos com todas as letras, e negam explicitamente a presença real de Cristo na Eucaristia. Como se pode negar, em tão poucas linhas tantos dogmas de Fé? Resumindo a idéia do autor, poderíamos dizer que o texto insiste no caráter de refeição da Santa Missa, e que é preciso perceber que se trata de pão, (…) que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando, em um comer de verdade. E se se trata apenas de pão, é porque não houve a transubstanciação, uma vez que não há magia nem milagre. O dogma da transubstanciação seria fruto de distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista. O sacramento seria apenas um “sinal”, uma simbologia sem efeitos reais. E como se trata apenas de alimento material, deve haver quantidade suficiente, e não pode ser um mínimo dos mínimos, uma pequenina “ficha”.

Isso é um verdadeiro resumo da heresia protestante, transcritos em um folheto de missa dito católico. Basta comparar com a expressão ortodoxa da Fé católica: a Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício de Cristo no Calvário, na qual Nosso Senhor se faz presente, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Depois da consagração, já não há mais pão ou vinho, mas sim Cristo escondido sob as aparências de pão e vinho. Existe sim um milagre, um dos mais belos milagres que Deus se dignou realizar: tornar-se alimento espiritual para os que comungam seu Corpo e Sangue. O sacramento não somente é uma sinal, mas confere real e eficazmente as graças contidas no símbolo. E nosso Senhor está integralmente presente na mínima partícula da Sagrada Eucaristia.

O que está escrito no folheto de missa é a negação exata de todos estes dogmas de Fé. Por que as pessoas que defendem tais heresias já não entram de vez para uma seita protestante? Quero dizer, por que não o fazem abertamente, uma vez que, na prática, já não são católicos. Pois quem se refere à Sagrada Eucaristia como uma pequenina “ficha” (como eu fiquei revoltado quando li isto!), filho da Igreja não é. Parece mais ser membro de alguma daquelas seitas extremamente hostis à verdadeira religião.

Até aqui somente comentamos os absurdos escritos naquele folheto da missa (nova, é claro). Que existe um grande traição modernista contra a Igreja, muitos já o admitem. Mas, dentre estes, há um bom número que, iludidos por manobras “falsitáticas”, não compreendem a íntima ligação da apostasia atual com o grande causador de toda esta confusão: o concílio Vaticano II.

Não nos contentaremos, pois, em colocar em evidência os erros do dito folheto. Vamos provar uma tese mais ampla: tais erros estão escorados na “autoridade” do Vaticano II.

Não é nada difícil, uma vez que o próprio autor do texto explicitou seu desejo:

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.

O autor admite que a Constituição Litúrgica Sacrossantum Concilium, cujo 40º aniversário se comemorava, abriu um caminho. E qual não foi este caminho senão o da heresia protestante a respeito da Santa Missa?

A excelente série de artigos intitulada “Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II”, publicada no site da Capela, faz, em seu terceiro capítulo, uma análise dos erros doutrinais sobre a Santa Missa e a Santa Liturgia, contidos em vários documentos conciliares, inclusive na Sacrossantum Concilium. Dada sua qualidade, o artigo é de leitura quase obrigatória para se conhecer um pouco os erros do concílio Vaticano II. Aqui, contentar-me-ei em citar o que diretamente se refere à definição da Santa Missa dada pela Sacrassantum Concilium (os destaques são nossos):

3.1. A definição reticente e incompleta da Santa Missa como “refeição durante a qual se recebe o Cristo” e memorial da morte e da ressurreição do Senhor (morte e ressurreição colocadas no mesmo plano), sem a menor menção do dogma da transubstanciação e do caráter de sacrifício propiciatório da própria Missa (SC 47, 109). Por causa deste silêncio, essa definição cai no caso condenado solenemente por S.S. Pio VI em 1794, por ser “perniciosa, infiel à exposição da verdade católica sobre o dogma da transubstanciação, favorável aos heréticos” (Const. Apost. Auctorem fidei, DZ 1529 / 2629), e introduz uma falsa concepção da Santa Missa, concepção que, em seguida, serve de fundamento à nova liturgia desejada pelo Concílio, graças à qual os erros da “Nova Teologia” chegaram até os fiéis.

A cor protestante dessa definição da Santa Missa aparece de modo ainda mais claro no artigo 106 da constituição Sanctorum Concilium: “a Igreja celebra o mistério pascal todo o oitavo dia, que é chamado com justeza o dia do Senhor ou domingo. Efetivamente, nesse dia os fiéis devem se reunir para que, ouvindo a palavra de Deus e participando da Eucaristia, eles se lembrem da paixão, da ressurreição e da glória do Senhor Jesus e rendam graças a Deus, etc”. O texto latino mostra sem sombra de dúvida que o fim da Santa Missa é, segundo SC, o memorial e o louvor: “Christi fideles in unum convenire debent ut verbum Dei audientes et Eucharistiam participantes, memores sint (..) et gratias agant (…)”. Ver também, como prova, Ad Gentes 14: os catecúmenos participam da Santa Missa, quer dizer que eles “celebram com todo o povo de Deus o memorial da morte e da ressurreição do Senhor”, onde se constata que a Santa Missa é simpliciter o memorial da morte e da ressurreição do Cristo, celebrada por todo o povo cristão. Nem a menor menção do Sacrifício renovado de modo incruento para a expiação e perdão de nossos pecados.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

O autor do texto publicado no folheto de missa, portanto, não mentiu quando disse que estava progredindo no caminho aberto pela Sacrossantum Concilium. O silêncio criminoso desta constituição sobre os pontos mais importantes da definição da Santa Missa, e justamente aqueles que a diferenciam da concepção protestante, abriu brechas para textos como o que foi escrito naquele folheto. Se o concílio fosse realmente parte legítima do Magistério da Igreja, o autor do texto do folheto teria razão em afirmar que a missa é uma simples refeição, e que é um memorial da morte de Cristo. Absurdo!!! Mas, afinal, é isso que se encontra no textos nada ortodoxos do Vaticano II.

Mas, se o texto da Sacrossantum Concilium é tão pernicioso por suas omissões, muito pior é o documento que instituiu a missa nova. Ainda citando o mesmo artigo do site da Capela, vejamos a definição da Santa Missa dada por esse documento confrontada com a definição de São Pio X (os destaques são nossos):

Já se encontra nestes artigos a definição da Missa que será dada em seguida pelo funesto artigo 7 do Institutio Novi Missalis Romani (1969), ainda em vigor: “A Ceia do Senhor ou Missa é a santa assembléia ou reunião do povo de Deus que se reúne sob a presidência do padre para celebrar o memorial do Senhor“; definição que, na época, suscitou protestos tão angustiados quanto inúteis de numerosos fiéis e padres e a célebre tomada de posição dos cardeais Bacci e Ottaviani em razão de seu caráter manifestadamente protestante, isto é, herético. Comparemos essa definição com aquela, ortodoxa, contida no Catecismo de São Pio X: “No. 159. O que é a Santa Missa? A Santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que sob as espécies do pão e do vinho, são oferecidos pelo padre a Deus sobre o altar em memória e renovação do Sacrifício da Cruz“.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

Na definição da Santa Missa dada por Paulo VI no documento que instituiu a missa nova, nada há que se assemelhe à doutrina católica. Pelo contrário, é a total negação do dogma católico. É a mais aberta declaração da heresia protestante. Como pode um católico se deixar enganar, fingindo não perceber aí a evidente perversão da Santa Doutrina?

Aos que defendem a missa nova poderíamos perguntar: foi o Espírito Santo que inspirou a criação da missa nova? Foi sob a assistência do Espírito Santo que Paulo VI aprovou essa definição protestante da missa? Podemos atribuir ao Espírito Santo a fundação da nova missa de Paulo VI, através deste documento tão manifestamente contrário à Sã Doutrina? Responder afirmativamente é cometer uma terrível blasfêmia.

Se o Vaticano II e a Institutio tivessem repetido a definição ortodoxa de São Pio X, o autor do texto do folheto de missa teria como se apoiar nestas “autoridades” para negar a presença de Cristo na Eucaristia? Certamente não. Se o concílio fosse ortodoxo, ele não abriria brechas para as heresias. O concílio foi intencionalmente ambíguo e omisso, não ensinando de forma clara e inequívoca a Verdade, nem condenando as heresias. Por isso, escorados na “autoridade” deste concílio pseudo-católico, os hereges tentam destruir a Igreja. Eles não conseguirão, pois Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra Sua Igreja Santa. Mas, enquanto o concílio não for desmascarado completamente, os hereges modernistas continuarão a fazer muito mal às almas dos pobres fiéis.

O Concílio Vaticano II foi intencionalmente ambíguo e responsável pela crise atual

A simples inteligência já seria capaz de denunciar as ambiguidades do Concílio Vaticano II, de tão evidentes que elas são. Bastaria comparar os textos confusos e ambíguos do Vaticano II com os textos claros e inequívocos dos outros concílios para se perceber que há “algo” estranho no último concílio. Mas, teria sido esta ambiguidade mero acidente? Teria sido apenas descuido ou incompetência? Não, foi bem pior do que isso. A ambiguidade dos textos conciliares foi a tática utilizada para fazer com que os bispos conservadores não suspeitassem, ou não antevissem as consequências, das heresias defendidas pelos modernistas. E muito mais do que os bispos conservadores, os leigos inocentes deveriam ser confundidos pela ambiguidade dos textos conciliares.

No livro extremamente esclarecedor “O Reno se lança no Tibre”, do Pe. Ralph Wiltgen S.V.D., que acompanhou o Concílio na qualidade privilegiada de jornalista, há alguns trechos extremamente esclarecedores sobre a perversidade da tática modernista da ambiguidade (os destaques são meus):

Foi então que um dos liberais extremistas cometeu o erro de fazer referência por escrito a algumas das passagens ambíguas e de esclarecer como seriam interpretadas após o Concílio. O documento caiu nas mãos do grupo de cardeais e superiores maiores de que acabamos de falar, e seu representante foi levá-lo ao Sumo Pontífice. Compreendendo então que se tinham aproveitado dele, Paulo VI caiu em si e chorou.

Ralph Wiltgen S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; pág 244-245

“Desde a segunda sessão”, esclarecia [o padre Schillebeeckx], “dissera a um especialista da Comissão de Teologia que se sentia irritado ao ver exposto no esquema o que parecia ser o ponto de vista liberal-moderado sobre a colegialidade; pessoalmente, ele era favorável ao ponto de vista liberal-extremo.” O especialista lhe havia respondido: “Nós nos exprimimos de modo diplomático, mas depois do Concílio tiraremos do texto as conclusões que estão nele implícitas.” O padre Schillebeeckx achava esta tática “desonesta”. Durante o último mês da terceira sessão, dizia, bispos e teólogos tinham continuado a falar da colegialidade “em um sentido que não estava de forma alguma consignado no esquema”. Sublinhava que a minoria tinha compreendido perfeitamente que o fraseado vago do esquema seria interpretado em um sentido mais forte depois do Concílio. (…) A maioria, dizia, tinha recorrido a uma terminologia deliberadamente vaga e excessivamente diplomática e ele recordava que o próprio padre Congar tinha bem cedo protestado contra a redação deliberadamente ambígua de um texto conciliar.

Ralph Wiltgen S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; pág 244-245

Mais claro do que isso, impossível. Os textos acima provam que os modernistas são réus confessos: a ambiguidade foi a tática utilizada para infiltrar os erros no texto conciliar. As conclusões modernistas deveriam ser retiradas dos textos ambíguos após o Concílio. Os hereges modernistas disfarçaram as heresias através de ambiguidades, para não serem reconhecidas facilmente, senão depois de já aprovados os textos do Concílio. O próprio padre Schillebeeckx, principal especialista conciliar da hierarquia holandesa, considerava a tática modernista desonesta.

Quando os defensores do concílio, como o falsitatis splendor, afirmam com ares de doutores que o concílio é inocente pela crise atual; e que os abusos cometidos atualmente não têm suas raízes no próprio concílio; e ainda que existe um má interpretação do concílio por parte de pessoas mal intencionadas, esta tese desmorona completamente quando se lê a história do Concílio. A ambiguidade de seus textos foi intencional. E a confissão dos modernistas vem claramente confirmar o que já se poderia deduzir com um pouco de perspicácia. Os hereges pós-conciliares apenas colhem os frutos plantados pelos modernistas durante o concílio.

Por que o concílio já não expôs de forma aberta o erro?

Podemos levantar algumas hipóteses.

Umas das mais evidentes e seguras, é que a resistência conservadora se opôs aos liberais promotores do modernismo. Em numerosos trechos do livro, que seria demasiado longo citar, narram-se as ferrenhas disputas entre os bispos conservadores e os bispos modernistas, bem como o “jogo sujo” promovido por estes últimos, mudando as regras do concílio durante seu andamento, sempre no sentido de neutralizar a resistência conservadora. Quanto mais a heresia estivesse escondida sob a forma de ambiguidades, mais difícil seria a percepção do alcance dos mesmos e menor seria, portanto, a oposição dos conservadores.

Depois, a publicação das heresias com todas suas letras causaria um choque enorme e colocaria em evidência a má fé dos liberais. Escrever com todas as letras uma tese contrária à doutrina católica tornaria fácil desmascarar a heresia. Um bom católico jamais aceitaria a heresia modernista posta a descoberto. Assim, convinha infiltrar aos poucos a heresia, sem grandes choques às consciências, baseando-se na interpretação liberal dos textos ambíguos do concílio.

Essa é, mais ou menos, a tática modernista. Uma atitude nada cristã, certamente, pois Nosso Senhor disse: sim, sim; não, não.

De forma abstrata, podemos fazer a seguinte analogia. O que a Igreja ensinava que era branco, os hereges diziam que era preto. O concílio não escreveu nem uma coisa, nem outra, mas adotou uma formulação vaga, ambígua e “diplomática” (que diabólico eufemismo!): é monocromático! No pós-concílio, monocromático virou, pouco a pouco, sob ação dos modernistas, simplesmente preto, como queriam os hereges.

Vejamos alguns exemplos concretos de textos ambíguos no concílio e como a tática da interpretação posterior pode ser-lhes aplicada para extrair as heresias.

A famosa afirmação “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica” é um exemplo dos mais citados sobre a ambiguidade do Vaticano II. E como ela se encaixa na tática modernista! Se o texto dissesse simplesmente “a Igreja de Cristo é a Igreja Católica”, não haveria nenhuma margem de discussão. Estaria apenas se reforçando a doutrina de sempre. Não haveria necessidade de tantas explicações posteriores como o Vaticano teve de fazer. Por outro lado, se os hereges modernistas escrevessem com todas as letras “a Igreja de Cristo subsiste em diversas (ou em todas as) igrejas”, ou “a Igreja de Cristo compreende mais do que a Igreja Católica”, o erro doutrinário estaria tão evidente que causaria um enorme choque nos católicos, que não o aceitariam. Por isso, usando a tática perversa da ambiguidade, optou-se pela fórmula bizarra do “subsistit in”. Assim, após o Concílio, lenta e gradualmente, os modernistas iriam levando o povo a acreditar na interpretação herética do texto em questão. Evitaram o choque de uma heresia explícita no texto conciliar e, posteriormente, apoiados na “autoridade” do Vaticano II, injetaram o veneno modernista.

E o texto sobre a “semente divina no homem”? Não poderia ele ser entendido por alguém – muitíssimo ingênuo – como a graça habitual, i.e., a habitação da Santíssima Trindade na alma batizada e que não se encontra em pecado mortal? Mas também, por sua ambiguidade, pode ser muito mais facilmente identificado como o germe divino aprisionado na matéria, segundo a heresia gnóstica. Absurdo? Certamente não. Todos aqueles “católicos” que hoje crêem em “poder da mente”, “poder infinito do subconsciente”, “energia positiva”, “energia do pensamento”, etc, não fazem outra coisa senão acreditar nesta heresia gnóstica. Ensinada abertamente por padres através de diversos livros.

E o que dizer sobre as contradições conciliares? Em um lugar se faz um panegírico do uso do latim na Igreja, noutro se recomenda o uso da língua vernácula. É fácil perceber qual a intenção dos modernistas. Os elogios ao latim se transformaram, no pós-concílio, em letra morta, enquanto que, na prática, somente se aproveitaram as passagens que estimulavam o vernáculo. É possível, honestamente, negar que, neste caso também, se aplicou perfeitamente a tática modernista de tirar suas conclusões após o concílio? E, os que gostam de se enganar, citam os textos a favor do latim como se fossem prova da “boa intenção” do concílio…

Poderíamos reler todas as passagens ambíguas do concílio e verificar como elas permitem uma interpretação herética, que os modernistas pretendiam explorar depois do concílio.

Pode alguém negar todas estas evidências? As confissões dos modernistas, associadas com a história pós-conciliar não permite a ninguém, por mais ingênuo que seja, negar a existência de um plano bem arquitetado com a finalidade de promover a heresia modernista. Um plano que começou muito antes do concílio, mas que teve nele seu ápice.

Quando se aproxima um imã de uma porção de limalha de ferro, elas se reordenam conforme o campo magnético produzido pelo imã. Poderia alguém negar a existência de alguma força agindo sobre a limalha de ferro?

Da mesma forma, todas as atitudes modernistas, desde a época anterior a São Pio X, atravessando o concílio e alcançando estes nossos dias terríveis de apostasia, orientam-se para a mesma direção. Tudo leva para o ecumenismo, para a liberdade religiosa, para a desvalorização da Igreja, para o elogio dos hereges e infiéis, para a divinização das falsas religiões, para a colegialidade, para o igualitarismo, para o fim da hierarquia e da distinção entre sacerdote e leigos, etc. As táticas mudaram de acordo com a situação. Mas, negar que haja uma ação ordenada a um fim, o perverso fim de destruir a Igreja, sua Hierarquia, sua Tradição, sua Fé,  isso já é tão inaceitável como negar a ação do imã sobre o monte de limalha de ferro.

Então o concilio pode ser considerado o culpado pela crise atual?

É necessário entender que o Concílio foi uma etapa da estratégia modernista, e que não pode ser considerado isoladamente de seu passado e da sua posterioridade. Precisamos recordar as manobras modernistas para fugir das condenações de São Pio X e de Pio XII e para ganharem força no pré-concílio. Depois, devemos analisar como as conclusões do concílio foram empregadas para chegarmos à crise em que nos encontramos. Mas, sem dúvida, o concílio foi a etapa mais importante de todo este processo. A culpa da crise atual, é, em última instância, dos hereges modernistas. Mas o concílio, como peça fundamental dessa artimanha diabólica dos modernistas, também dever ser devidamente responsabilizado pela crise atual na Igreja.

E por que o concílio foi tão importante para os modernistas?

A maioria das pessoas, especialmente as menos letradas, são muito mais propensas a acreditar nos argumentos de autoridade do que naqueles de raciocínio. A tática modernista foi criar uma “autoridade” conciliar, supostamente católica, na qual os simples se apegariam com sua fé singela, por acreditarem se tratar da legítima autoridade da Santa Igreja Católica. Assim, enquanto os modernistas tiravam do concílio as conclusões heréticas que estavam escondidas sob o véu da ambiguidade, a massa de ingênuos se mantinha alheia a toda esta artimanha diabólica. O povo bom lia o concílio com olhos católicos, enquanto que os modernistas o liam com a mesma malícia que utilizaram para escrevê-lo. E, como estes modernistas eram padres e bispos (triste situação a destes traidores!), eram eles que ensinavam o povo e formavam os novos seminaristas, inculcando-lhes pouco a pouco o veneno do modernismo. Escorados sobre a “autoridade” do Vaticano II… O concílio foi a “virada de mesa” dos modernistas. De perseguidos – ainda que timidamente – eles passaram a perseguidores cruéis e inimigos da Tradição e da Igreja.

Isto tudo é muito mais do que uma “teoria da conspiração”, é a explicação que podemos encontrar para a crise atual, baseada nos fatos e nas próprias confissões feitas pelos modernistas que escreveram o Concílio. Que os modernistas pertinazes vão continuar negando a culpa do Vaticano II, disso já temos certeza. Mas, para as pessoas de boa vontade, não há como negar tantas evidências.

O ecumenismo modernista, a Virgem Maria e os hereges

Comprei, há pouco tempo, o famoso livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignon de Montfort. Sem dúvida, um dos maiores livros de piedade mariana que já foram escritos. No entanto, a edição que adquiri, de 1979, posterior ao Vaticano II, trazia uns pequenos comentários ao livro, “um pouco” distoantes do que o autor ensinava.

Logo na apresentação, lemos a seguinte advertência:

Encontram-se, às vezes, nas obras de Montfort trechos que já não soam bem aos nossos ouvidos, porque provêm duma mentalidade muito própria do seu tempo e ambiente. Por exemplo, naquela época os hereges eram facilmente considerados como pessoas de má vontade ou, pelo menos, como tal foram tratados. Ora, estamos hoje numa era de pleno Ecumenismo, quer dizer, numa era em que todos os cristãos tentam compreender-se e reunir-se. Desde que não haja razões em contrário, devemos supor a boa fé nas pessoas que vivem na heresia ou no cisma; por isso, é absolutamente injusto chamar indiscriminadamente “réprobos” a todos os hereges e cismáticos.

O comentário nega claramente o dogma de fé de que fora da Igreja não há salvação. A salvação fora da Igreja somente é possível aos que não a conhecem por ignorância invencível. Caso a conhecessem, abraçariam a Verdadeira Fé. Este não é o caso daqueles que desprezam a Igreja e a perseguem, sem se dar ao trabalho sequer de estudar sua doutrina.

Mas isto foi somente a introdução. Para citar apenas um exemplo da qualidade dos comentários encontrados ao longo de livro, vejamos o seguinte trecho original do livro de São Luís (os grifos são meus):

Como na geração corporal há um pai e uma mãe, assim também na geração espiritual há um pai, que é Deus, e uma mãe, que é Maria. Todos os verdadeiros filhos de Deus e predestinados têm a Deus por pai e a Maria por mãe; e quem não a tem por mãe; não tem Deus por pai. Eis porque os réprobos, como os heréticos, os cismáticos, etc… que odeiam ou olham com desprezo ou indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disso se gloriem, porque não têm Maria por mãe. Pois se a tivessem por mãe, honrá-la-iam e amá-la-iam como um verdadeiro e bom filho ama e honra naturalmente sua mãe, que lhe deu a vida.
O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo e indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos. Ah! Deus Pai não disse a Maria para ir habitar com eles, porque são Esaús.

São Luís de Montfort; Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem; Ed. Santuário; 1979; no. 30

Logo abaixo desse belo e verdadeiro texto de São Luís de Montfort, foi acrescentado pelo editor o seguinte comentário (o grifo é meu):

Deus é pai e Nossa Senhora é mãe de todos os homens, mesmo se estes não os querem reconhecer como tais. No entanto, a verdade é que Deus pode exercer a sua paternidade e Maria sua maternidade dum modo mais belo, completo e eficaz nas pessoas que mais se lhe entregam.

Basta ter uma escolaridade básica, pouco acima do semi-analfabetismo, para perceber que o comentário contradiz frontalmente o que disse o grande santo. Mas o ecumenismo anti-católico do Vaticano II cega de tal maneria seus seguidores, que eles chegam a se prestar ao ridículo acima, desmentindo o que disse o santo cujo livro eles se dispuseram a editar. Aliás, elogios ao Vaticano II podem ser encontrados em outros comentários do livro.

Ah! Os fanáticos defensores do concílio Vaticano II devem estar furiosos dizendo que tudo isso é exagero meu e que o Vaticano II não tem nada a ver com esse ecumenismo suicida, não é verdade? Vamos provar que não.

No livro O Reno deságua no Tibre, que eu arriscaria classificar como quase indispensável para se entender a crise gerada pelo Vaticano II, podemos ler, à página 96, o seguinte protesto do padre Rahner (liberal) contra o esquema sobre a Virgem Maria:

Afirmava ele [Padre Rahner] que, sob o ponto de vista ecumênico, se aquele texto conciliar fosse aprovado “causaria um mal incalculável, em relação tanto aos Orientais como aos Protestantes”. Não havia exagero em dizer “que todos os resultados conquistados no domínio do ecumenismo, graças ao Concílio e em relação ao Concíliio, seriam reduzidos a nada com a aprovação do esquema na forma em que estava.”

Quer dizer, para os padres conciliares liberais era mais importante agradar aos hereges e cismáticos do que honrar a Santíssima Virgem Maria! E os defensores do concílio Vaticano II ainda querem nos fazer acreditar que era o Espírito Santo que assistia estes padres conciliares!

Na página 62 do mesmo livro podemos ler o resumo do protesto de um bom bispo católico contra os excessos do concílio:

O último orador foi Mons. Carli, bispo de Segni. Ele declarou que os padres conciliares tinham levado ao excesso as próprias preocupações ecumênicas. Não se podia mais falar de Nossa Senhora; ninguém mais podia ser considerado herege; ninguém podia usar a expressão “Igreja militante”; não era mais conveniente chamar a atenção para os poderes inerentes à Igreja Católica.

Portanto, os comentários absurdos que eu li no livro editado em 1979 não são mais do que a continuação das idéias ecumênicas e anti-católicas que os bispos liberais impuseram ao Vaticano II. E esta observação se estende a todas as outras heresias encontradas hoje. Quando o falsitatis splendor, o prof. Felipe Aquino ou qualquer outro defensor do Vaticano II alegam sua inocência, dizendo que houve apenas abusos e más interpretações por parte de pessoas mal-intencionadas, eles escondem a história negra deste concílio. As sementes dos males que a Igreja vive hoje foram plantadas, em grande parte, durante o concílio. A semelhança entre as citações feitas no presente artigo o demonstram bem: as mesmas heresias e impiedades encontradas no pós-concílio já eram defendidas pela corrente liberal, que, através das mais baixas artimanhas e jogos sujos, impôs sua vontade ao concílio.

O tema certamente merece ser retomado em outros artigos.

A “arte” de negar o óbvio

Não existe novidades na doutrina católica. Ela foi integralmente revelada no tempo de Cristo, e quando o último apóstolo morreu, nada mais foi revelado que fizesse parte do Depósito da Fé. Qualquer ‘novidade’ que se tente introduzir na doutrina, não passa de perniciosa hereisa. O ensinamento das Sagradas Escrituras é evidentíssimo:

Mas, ainda que alguém – nós ou anjo baixado do céu – vos anunciasse um Evangelho diferente deste que vos anuncio, que ele seja anátema. (Gl 1,8)

Os defensores do Vaticano II negam que este tenha ensinado novidades contrárias à Fé Católica, mas um dos últimos artigos publicados no site do Falistatis, trouxe algumas confissões das novidades do concílio:

O que isso significou foi um desenvolvimento doutrinal novo que postulou algo que à primeira vista parece paradoxal: um direito de ser tolerado.

Mas na verdade o ensinamento do Concílio posiciona o direito à liberdade religiosa na terceira dessas categorias tradicionais, o ius exigendi. Entretanto, o faz de maneira nova e inesperada – refletindo o clima social e político do século vinte.

Portanto, o antigo e o novo ensinamento sobre “tolerância” e “direitos”, embora apontem, por assim dizer, em direções diferentes (um em direção a menos liberdade na sociedade, o outro na direção de mais), não colidem de frente: como dois carros bem dirigidos aproximando-se um do outro na rodovia, eles deslizam com segurança entre si.

LIBERDADE RELIGIOSA: “DIREITO” VERSUS “TOLERÂNCIA”
http://www.veritatis.com.br/article/5491

Quanta retórica, quantos malabarismos, para não ter que confessar o óbvio: os ensinamentos do Concílio são contrários aos ensinamentos de sempre! Até mesmo o autor percebeu a “maneira nova e inesperada”, a existência de ensinamentos “antigo e novo”, as “direções diferentes em que apontam”, o “desenvolvimento doutrinal novo”. Mas, para não ter que aceitar que o Concílio, pastoral e falível, errou, o autor acaba por jogar tudo isso para debaixo do tapete. Contra toda evidência, o autor afirmou que não houve contradição entre o novo ensinamento do Vaticano II e a doutrina católica de sempre. Vamos demonstrar agora que o autor não alcançou o seu objetivo.

O argumento central se baseia em distiguir duas proposições:

(i) Não-católicos têm o direito de propagar publicamente sua religião (desde que não violem a ordem pública).
(ii) Não-católicos têm o direito de imunidade de coerção ao propagar publicamente sua religião (desde que não violem a ordem pública).

Para o autor do texto, o concílio ensinou (ii) e não (i) e, dessa forma, não teria ensinado contra a doutrina de sempre. De fato, a proposição (i) já foi condenada pela Igreja, mas a proposição (ii), com as letras em que foi escrita, não foi condenada. Assim, o autor tenta nos convencer de que o concílio, tendo ensinado (ii), não teria, desta forma, caido em contradição com a doutrina de sempre da Igreja.

O que o autor do artigo não percebeu é que as duas proposições apresentadas possuem, na prática, o mesmo efeito. Se o Estado não pode coagir, a lei que determina uma proibição passa a ser letra morta, uma vez que os infratores poderão infrigi-la na certeza de impunidade. Se não existe direito do Estado de reprimir um erro, o efeito prático é que as pessoas que promovem este erro acabam por difundi-lo livremente, ainda que, na teoria, não tivessem este direito.

Para o autor do artigo, basta que os hereges não perturbem a ordem pública para terem o direito de não serem reprimidos. De acordo com esta tese, as seitas têm, na prática, o direito de afastar os católicos da Verdadeira Fé, desde que para isso não provoquem arruaças… Se eles forem bem educados para não tumultuar a ordem pública, eles podem levar para o inferno quantas almas quiserem, que o poder público nada pode fazer contra eles. O texto acaba por colocar a ordem pública como um bem superior à salvação das almas, uma vez que a salvaguarda desta não pode exigir a intervenção estatal, ao passo que a daquela pode. Mais uma diabólica inversão de valores, na tentativa de justificar os ensinamentos anti-católicos do concílio Vaticano II.

Para exemplificar melhor, analisemos o direito penal. O direito de punir – jus puniendi – do Estado, nasce com a sentença condenatória, na qual se provou o dolo ou a culpa do réu (*), e é este direito o que garante ao Estado a possibilidade de coibir os crimes aplicando penas aos criminosos. Se o Estado não possuísse esse direito de punir, o resultado prático é que os marginais teriam o “direito” de cometer crimes a vontade, sem serem punidos. De nada adiantaria possuirmos todo um conjunto de normas jurídicas que tipificassem os diversos crimes (direito penal objetivo), se o Estado não possuísse o direito de reprimi-los (direito penal subjetivo).

Tirando o vocabulário jurídico, os conceitos são tão simples que qualquer um pode entender. E pensar que o site do Falistatis tem, entre seus escritores, um “doutor, ‘jurista’ e pensador católico”!

A minha argumentação já está longa, ainda mais para explicar algo tão óbvio. Mas é demonstrando minuciosamente e com clareza as loucuras do Falsitatis é que nós vamos provar o quanto são absurdas e infundadas suas mentiras contra nós, católicos tradicionais, e contra a verdadeira doutrina católica.

Já que estamos tratando deste assunto, seria interessante assistir ao vídeo, indicado em outro blog:

Uma conspiração dos acatólicos
http://br.youtube.com/watch?v=0mvgCPikPxs

Devemos nos perguntar como se chegou a esta completa apostasia. Certamente não foi de uma hora para outra. Foi um processo lento, e o Concílio Vaticano II, com suas ambigüidades, teve importante papel neste processo. É impossível negar que a liberdade religiosa defendida pelo Vaticano II não tenha influência nenhuma nesses atos de apostasia declarados. Se o último concílio tivesse ensinado de maneira inequívoca a doutrina católica de que fora da Igreja não há salvação, será hoje estaríamos assistindo a um vídeo terrível como esse? Será que as seitas estariam roubando os filhos da Igreja? É uma boa oportunidade para aqueles que ainda defendem o concílio poderem refletir.

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(*) admitindo-se a presença dos outros fatores necessários para a condenação, como a inexistência de excludente de ilicitude, punibilidade, etc, que não são importantes para a presente argumentação

Breves: comunismo de sacristia ainda vivo; simulação de matrimônio…

Para os católicos que ainda não se convenceram da situação degradante em que se encontra atualmente o clero modernista, seguem-se duas notícias que demonstram a necessidade de reagirmos à crise pós-conciliar.

Nestes últimos tempos a barulheira infernal e os delírios da RC”C” têm chamado mais a nossa atenção do que o velho comunismo embolorado da teologia da libertação. Mas não podemos nos enganar, o comunismo de sacristia ainda não morreu. A CNBB (Comunistas Neo-Bolchevistas do Brasil) e nossos queridos bispos (“em comunhão”, bem fictícia, com Roma) não o permitem. A última que eles aprontaram foi a carta do bispo Dom Pedro Luis Stringhini em apoio ao “grito dos excluídos”, que começa logo com um “companheiros e companheiras”! O blog O Cruzado Missionário comentou tão bem o fato que já temos nada a fazer senão recomendar a leitura do artigo:

Uma cartinha muito especial
http://ocruzadomissionario.blogspot.com/2008/09/uma-cartinha-muito-especial.html

A outra notícia demonstra o desrespeito modernista ao matrimônio. Um padre jesuíta deu a Sagrada Comunhão e a sua “benção” a um casal que havia contraído casamento civil, sendo que um dos “cônjuges” era divorciado.

Un jesuita español bendice matrimonios civiles entre divorciados
http://radiocristiandad.wordpress.com/2008/09/25/un-jesuita-espanol-bendice-matrimonios-civiles-entre-divorciados/

Vemos que foi algo bem ao estilo do padre Antônio Maria, que deu sua “benção” para um casal de famosos, divorciados. Na realidade, essas “bençãos” soam mais como um simulacro de matrimônio, uma verdadeira profanação de tão belo sacramento.