A reportagem abaixo foi extraída do jornal Folha de São Paulo. É extremamente esclarecedora e interessante porque demonstra a forma desavergonhada com que mentem os defensores de certas ideologias. Quando se fala de subversão, poucos nos levam a sério. As grandes massas já estão de tal forma sedadas pela propaganda que pensam ser o comunismo algo do passado. Isso, quando já não o vêem com bons olhos. A maneira insidiosa de transmitir as ideologias, infiltrando o veneno nas massas sem que elas se dêem conta disso, não é coisa do tempo da Guerra Fria, mas matéria atualíssima.
Abaixo, segue a reportagem (os destaques são nossos):
“Novas lições do Paraguai” – Historiadores revêem a tese de que o país de Solano Lopez teria sido uma Cuba do século 19 derrotada pela alianca militar do Brasil com a Argentina e o Uruguai.
O Brasil sofreu um rolo compressor ideológico nos ultimos anos do regime de 64, principalmente graças a dois best sellers desse nacional-populismo revisionista, “As veias abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, publicado pela Paz e Terra em 1978, e “Genocídio Americano – A Guerra do Paraguai”, do brasileiro Júlio José Chiavenatto (Brasiliense, 1979).
Os dois livros apelam para a emotividade e para uma seletiva utilização das fontes. “Até sua destruição, o Paraguai se erguia como uma exceção na América Latina: a única nação que o capital estrangeiro não tinha deformado”, escreveu Galeano, que começa a falar da guerra descrevendo primeiro uma viagem de ônibus ao lado de um camponês guarani que “articulou algumas palavras tristes em castelhano: nós paraguaios somos pobres e poucos.”
Para Chiavenatto, a ditadura de Francia era exercida “em favor do povo”, e o Paraguai era “o mais progressita país da América do Sul.”
Um bom exemplo da técnica desse autor pode ser vista na descrição da polêmica batalha de Campo Grande ou Acosta-Nu, para qual Lopez conseguiu reunir um maltrapilho exército de velhos e crianças depois de desbaratadas suas forças em embates anteriores.
Os brasileiros eram liderados pelo Conde d`Eu (1842-1922), genro de D. Pedro 2o . A batalha entre os veteranos brasileiros bem armados e os adolescentes paraguaios durou oito horas. Eram 20 mil aliados e 4.500 paraguaios. Morreram 2.000 paraguaios e 1.300 foram aprisionados; as perdas aliadas foram de apenas 45 mortos e 431 feridos. Foi parecido com o que os norte-americanos fizeram na Gerra do Golfo. O heroísmo suicida dos adolescentes é cultuado no Paraguai, que deu o nome da batalha a seu liceu militar.
Chiavenatto acusa o conde de ter deliberademente assassinado os adolescentes feridos paraguaios ao mandar incendiar o capim seco do local e cita como fonte as memórias do Visconde de Taunay (1843-1899), autor de “A Retirada da Laguna”.
O especialista em história militar Reginaldo Bacchi não entendia a menção. E foi fazer o que poucos leitores fazem: foi à fonte. E Taunay diz o exato oposto: havia balas que ainda explodiam no campo por causa “incêndio da macega ateado, no princípio da ação, pelos paraguaios, para ocultarem o seu movimento tático”.
Ainda mais curioso, percebe-se de Taunay que antes de ser um sanguinário matador de crianças, o conde era uma pessoal (sic) sensível. Como escreveu Doratioto em sua dissertação: “Depois da batalha de Campo Grande, talvez impressionado com a morte, na batalha, de tantos adolescentes que lutavam nas fileiras paraguaias, o Conde d`Eu mudou de postura. Segundo o Visconde de Taunay, que fez parte do Estado-Maior do comandante das forças imperiais, o Conde deixou de ser ativo e tornou-se `displicente e caprichoso, falando de contínuo na necessidade de regressar ao Rio de Janeiro`, afirmando a cada instante: `Não tenho mais nada que fazer aqui!` ” .
Folha de São Paulo, caderno Mais!, domingo, 9 de novembro de 1997, pag 5
O autor, Chiavenatto, tenta transformar Lopez em um “herói comunista” que teria lutado bravamente contra as potências extrangeiras. E, como é da praxe comunista, tenta denegrir a imagem dos adversários, principalmente dos nobres. Para isso, ela tenta atacar o Conde d’Eu, citando contra ele o que teria escrito o Visconde de Taunay, conhecido escritor brasileiro e testemunha ocular da guerra. E, confiante de que as massas não têm espírito crítico nenhum, distorce completamente as palavras de Taunay. Isso é típico das ideologias. Basta caluniar o adversário, inventar histórias horrendas a seu respeito. E depois sair espalhando-as por aí, porque sabem que a maioria dos ignorantes vão repeti-las sem nem raciocinar. É o que fazem constantemente todas as ideologias e seitas contra a Santa Igreja Católica. Inventam toda sorte de mentiras, de calúnias contra a Igreja de Deus. É a mesma estratégia dos grandes cínicos e impostores da história, como Voltaire e Hitler. A mentira era a arma de Voltaire: “Mentez, mentez toujours, il en restera quelque chose“, ou seja, “minta, minta sempre, alguma coisa ficará”.
Hitler lhe foi bom discípulo: “As grandes massas acreditarão mais facilmente numa grande mentira do que numa mentirinha”.
E como nós vemos essa estratégia aplicada hoje em dia! De políticos às seitas, de desarmamento civil a aquecimento global, sem esquecer, é claro, da maior mentira “científica” de todos os tempos, o evolucionismo.
Mas a mentira não é a única arma dos farsantes. Dois outros métodos bastante utilizados para transmitir as mais absurdas ideologias também foram destacados na reportagem:
Os dois livros apelam para a emotividade e para uma seletiva utilização das fontes.
A emotividade faz parte de toda campanha que tenta empurrar uma idéia ridícula. Na falta de argumentos, procura-se mexer com os sentimentos. Exemplo típico são as passeatas a favor do desarmamento que saem pelas ruas pedindo ‘Paz’, como se os bandidos fossem ficar comovidos. A emoção é a forma mais fácil de levar uma multidão a fazer o que um minoria quer, sem nem sequer ponderar com calma sobre o assunto. Quando as multidões faziam a saudação nazista e gritavam ‘Heil Hitler‘, que lugar havia para a razão? Era pura manipulação emocional aliada à instensa propaganda, da mesma forma como faz atualmente. A razão é definitivamente inimiga dos manipuladores das massas. Ela nos livra da manipulação da mídia, da política e das seitas.
E por falar em seita, como não nos lembrarmos da RC”C”? A emotividade é um dos caminhos mais curtos para levar as pessoas ao erro. Colocar a emoção acima da razão é a receita infalível para criar uma massa de fanáticos, prontos a seguir um líder enlouquecido sem sequer ponderar o que se está defendendo. Por isso, a RC”C”, como toda seita, usa e abusa do sentimentalismo. E ai de quem lhes tenta apresentar argumentos racionais… Ou mesmo argumentos de Fé, pois eles já não aceitam a autoridade quando ela lhes é desfavorável.
A seletiva utilização das fontes não necessita de muitos comentários. Quem quer esconder a verdade não pode expor os argumentos que a revelam. Os modernistas, por exemplo, procuram esconder as fontes da Tradição porque eles revelam a verdadeira doutrina. Por isso, foi necessário inovar o catecismo, o código de direito canônico, etc. Os artigos modernistas buscam referências apenas nos novos documentos, relegando os velhos ao esquecimento. Prometo para breve um artigo extremamente esclarecedor a esse respeito.