Oliveira Lima, em História da Civilização, descreve a valorização da família quando das invasões germânicas e da vitória do Cristianismo sobre a Roma pagã:
“Tácito, no intuito de estabelecer um contraste que impressionasse seus concidadãos, descreveu para os romanos de seus tempo a sólida organização da família teutônica, a virtude inabalável das mulheres germânicas, verdadeiras companheiras sustentando o ânimo de seus maridos, quando por acaso abatidos pelas vicissitudes das lutas. Nestas condições, deixa a família de representar uma simples conjugação sexual, para se tornar uma expressão moral. Ora, a influência da família é tão poderosa sobre a sociedade, a qual se compõe de famílias, que fomenta o progresso toda vez que a época corresponde à dignidade da esposa e ao respeito do lar. O professor português Consiglieri Pedroso recorda que a Roma de Júlia e de Messalina não era mais a de Vetúria e de Lucrécia, quando prevalecia o pudor que volveu a predominar com o espírito cristão.” (LIMA, OLIVEIRA; História da Civilização; Ed. Melhoramentos, 1962, pág. 166)
É de um semelhante reavivamento do valor da família que nós necessitamos nestes nossos dias terríveis.
O “mundo” dá valor àquilo que aparece, que inebria os sentidos, ao poder, à fama, à beleza exterior. Mas tudo isso é vaidade, é sem valor. Uma família bem formada, pelo contrário, é algo sólido, durável, que dá frutos não somente para este mundo, mas para a vida eterna. Que maravilha poder criar os filhos não somente para serem justos neste mundo, mas também com a intenção de que sejam filhos do Deus Altíssimo, que Lhe glorificarão eternamente no Paraíso. Somente na santidade de uma família constituída sob a benção de Deus se podem criar os filhos que tanto construírão um futuro melhor, quanto terão os olhos elevados para a eternidade.
Que nós, homens, aprendamos a reconhecer o sacrifício silencioso e anônimo das mulheres verdadeiramente valorosas. Às santas mulheres (as honradas mães de família, e aquelas que escolheram o caminho mais perfeito dos conselhos evangélicos) a nossa homenagem, e, aos homens, um trecho das Sagradas Escrituras, que nos relembram o nosso dever de fidelidade:
Bebe a água do teu poço e das correntes de tua cisterna. Derramar-se-ão tuas fontes por fora e teus arroios nas ruas? Sejam eles para ti só, sem que os estranhos neles tomem parte. Seja bendita a tua fonte! Regozija-te com a mulher de tua juventude, corça de amor, serva encantadora. Que sejas sempre embriagado com seus encantos e que seus amores te embriaguem sem cessar! Por que hás de te enamorar de uma alheia e abraçar o seio de uma estranha? (Pr 5,15-20)