Breves considerações

- Quando eu me referir a acordistas, em modo de crítica severa, entendam-se aqueles que sempre detestaram a FSSPX e somente estão contentes porque têm esperança de vê-la capitular. São os oportunistas que foram tão bem desmascarados pelo Sidney Silveira, em mais um de seus ótimos artigos apologéticos.

- Existem pessoas que querem o acordo porque acreditam que dele possam a FSSPX e toda a Igreja tirar proveito. Apesar de discordarmos fortemente destas pessoas, e não podermos aprová-las, nem por isso são inimigos. Querem o bem da FSSPX e do restante da Igreja, apesar de tudo. A nossa intenção não é hostilizar estas pessoas, mas sim convencê-las do perigo que estão correndo. Já tivemos “fogo amigo” demais nestes combates. Além do mais, com ou sem acordo, nós todos iremos continuar a luta contra o verdadeiro inimigo. Exceção feita àqueles que porventura gostem tanto da “plena comunhão” ao ponto de fazer as pazes com os liberais.

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Comentário Eleison – Número CCLII (252) 12 de maio de 2012 – por Dom Williamson

Traduzido a partir de http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/2012/05/asesinos-de-la-fe-por-d-williamson.html

Mas, se Roma oferece à Fraternidade Sacerdotal São Pio X tudo o que ela quer, por que a Fraternidade teria ainda que recusar? Aparentemente há Católicos que ainda creem que se um acordo prático respondesse a todos os requerimentos práticos da Fraternidade São Pio X, teria que ser aceito. Então, por que não? Porque não foi com vistas ao bem da Fraternidade São Pio X que Monsenhor Lefebvre a criou, senão pelo bem da verdadeira Fé Católica, ameaçada pelo Vaticano II como nunca antes tinha sido ameaçada. Mas vejamos agora porque as autoridades da Nova Igreja buscarão qualquer acordo prático o mesmo que as razões pelas quais a Fraternidade São Pio X o deve rechaçar.

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Cidade eterna, promessas passageiras.

Existem algumas pessoas que se encantam diante das promessas que estão sendo feitas atualmente à FSSPX. No entanto, o histórico das promessas feitas pelo Vaticano aos tradicionalistas e não cumpridas já é bastante longo.

No já distante ano de 2001, Dom Lourenço Fleichman, testemunha de todos estes fatos, escreveu com detalhes a história da queda da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP) e de outros grupos menores esmagados pela ditadura dos defensores do concílio. Para quem ainda não conhece a história de tropeços e quedas daqueles que se entregaram à Ecclesia Dei, aconselho vivamente a leitura do relato de Dom Lourenço:

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Grave perigo

GRAVE PERIGO

Mons. Richard Williamson

Fonte: Comentário Eleison número CCXLVI (246) – 31 de março de 2012

O desejo de certos padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X de buscar um acordo prático com as autoridades da Igreja sem um acordo doutrinal parece ser uma tentação recorrente. Há anos D. Fellay, como Superior Geral da Fraternidade, tem rejeitado a ideia, mas, quando ele disse em Winona, em 2 de fevereiro, que Roma está disposta a aceitar a Fraternidade tal como é, e que está pronta a satisfazer “todas as exigências da Fraternidade… no plano prático”, é como se Roma estivesse oferecendo a mesma tentação outra vez.

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Aproveitando o tempo da Páscoa para o arrependimento

A época da Páscoa é uma ótima oportunidade para conversão. Durante todo o período da Quaresma, fomos chamados à penitência e à reflexão. Alguns, no entanto, aproveitaram este tempo para gerar intrigas contra irmãos na fé, que buscam o bem da Igreja. Eu disse que não iria mais comentar os ataques da Montfort contra a FSSPX para evitar conturbações neste período da Páscoa. No entanto, seguindo um bom conselho de um amigo, vou aproveitar este tempo propício para convidar os fautores da discórdia para repensarem sua atitude. Sem alimentar mais polêmicas, mas tão somente chamando-os para uma reflexão de seus atos.

Vamos relembrar os acontecimentos da última semana, que levaram a confusão ao seu ápice.

Quando o padre Leonardo Holtz decidiu entrar para a FSSPX, houve quem discordasse de sua atitude. O problema é que não somente discordaram, mas também utilizaram a oportunidade para dizer coisas que não eram verdadeiras. Frei Tiago teve uma carta sua publicada no site da Montfort na qual acusava a FSSPX de não estar em comunhão com a Igreja e estar em estado de cisma:

Nada justifica deixar a comunhão da Igreja Católica!

Estes Cismas não colaboram senão para sangrar ainda mais as feridas do Corpo Místico de Cristo.

http://www.montfort.org.br/index.php/blog/noticias-comentarios-analises/ainda-nao-classificado/que-seu-exemplo-nao-seja-seguido-frei-tiago-a-proposito-do-padre-leonardo-holtz/

Mentira. A FSSPX não é cismática. Assim o reconheceu até mesmo o Cardeal Dario Castrillón Hoyos, responsável pela comissão Ecclesia Dei. A FSSPX nunca abandonou a comunhão da Igreja Católica, e somente agiu dentro do estado de necessidade. Somente a absurda “sentença”, decretada pelo prof. Orlando Fedeli, sem ter nenhuma autoridade para isto, é que mantém a posição da Montfort nestes termos. E que eles não cansam de repetir.

Não contente com esta acusação sem fundamento, o artigo publicado pela Montfort ainda chama os membros da FSSPX de hipócritas e os compara com os modernistas, inimigos da Igreja:

pois eles são muito bons para criticar, mas na hora de ajudar mesmo, são tão hipócritas quanto os piores modernistas!

Milhares e milhares de fiéis ao redor de todo o mundo dão um testemunho oposto ao do frei Tiago. Muitos aguardam ansiosos a visita de um padre da FSSPX em missão. Muitos desejariam ter um priorado próximo de sua residência. Como pode este frei ignorar o bem que a FSSPX tem feito a todos estes católicos? E ainda os chamar de hipócritas como os piores modernistas?

Frei Tiago critica a atitude do Pe. Leornardo com base em sua própria experiência. Sem dúvida que frei Tiago enfrentou muitas dificuldades para poder celebrar o rito tridentino. Qualquer padre que o queira sofre as mais injustas perseguições, porque o inferno não pode suportar a verdadeira Missa católica. Agora, frei Tiago vive em um mosteiro, de uma certa forma isolado do clero modernista e podre. O padre Leonardo deveria conviver no meio da arquidicocese com todos os elementos modernistas. Como comparar uma situação com a outra? Se o padre refletiu e decidiu partir para onde seu apostolado teria mais frutos, quem tem o direito de se intrometer em sua vida? Ainda mais acusando-o de ter abandonado a comunhão da Igreja!

Estes mesmo erros sobre a comunhão são várias vezes reafirmados ao longo do artigo (o destaque é do original):

Entretanto não deixo de estar na comunhão com a Igreja!

E tenho certeza de que Deus está com aqueles que, rejeitando toda a profanação e secularismo, lutam pela renovação da Igreja de Cristo sem traí-la, nem abandoná-la, sob qualquer pretexto…

Qualquer um que fosse acusado de algo que não cometeu, buscaria a retratação daquele que proferiu aquilo que não corresponde à verdade. Foi assim que um padre da  FSSPX respeitosamente procurou junto ao frei Tiago as explicações sobre sua atitude.

Para espanto geral, a Montfort publicou um artigo no qual o frei declarava estar sendo ameaçado pelo padre. Inclusive declarando temer até agressões físicas! Para corroborar o que diziam, colocaram a foto de um texto impresso, que seria o e-mail enviado pelo padre. O envio do e-mail ameaçador, que aliás não continha nenhuma ameaça de agressão, foi desmentido pelo padre.

O fato é gravíssimo porque, uma história tão surreal como esta, fere a caridade cristã. O mínimo que se esperaria é que se confirmasse o que o padre queria dizer com o e-mail antes de se publicar qualquer coisa na internet. Se fizesse isto, saberia que o padre não era sequer o autor do e-mail.

Em vez de tomar este cuidado, a Montfort logo se apressou em publicar um artigo acusando o padre de crime de ameaça. E, o que eu achei o cúmulo da safadeza, publicaram até a foto do padre no artigo. Tudo faz parecer que o que eles queriam era denegrir ao máximo a imagem do santo sacerdote, que não tinha culpa de nada.

Pois bem, depois de todo este exemplo do que não se deve fazer, não caberia, no mínimo, um pedido de desculpas e uma retratação públicos?

Não houve, até o momento, nenhum pedido de desculpas. O que houve foi a publicação, pela Montfort, de uma artigo onde o frei Tiago repete o erro sobre a condição da FSSPX:

NÃO SE PODE REFORMAR A IGREJA FORA DELA!

http://www.montfort.org.br/index.php/blog/noticias-comentarios-analises/temas/missa-antiga/carta-aberta-a-todos-os-catolicos-tradicionais

Ou seja, frei Tiago continua insinuando que a FSSPX não está na Igreja. Os “argumentos” utilizados são os mesmos que dos neo-conservadores e somente demonstram a superficialidade com que a questão é tratada por eles.  Chega mesmo a falar em “sede-vacantismo prático”. Em outra ocasião lhes refutaremos, pois a intenção agora não é entrar em combate apologético às vésperas da Páscoa.

Este último artigo publicado pela Montfort é uma carta aberta a todos os católicos tradicionais, chamando-os a reconciliação e ao respeito. Não acho que, depois de tudo o que disseram e fizeram, a Montfort ainda tenha moral para fazer um pedido destes. Muito menos sem antes se retratar.

Apelemos para o que eles mesmos publicaram. Uma coisa frei Tiago disse que todos sabemos: “a verdadeira causa da crise da Igreja são os próprios pecados do povo cristão!”

Sim, sem dúvida, pois foi isto que Nossa Senhora veio advertir em Fátima. Só que o frei, que ironicamente chamou de “teólogos” entre aspas aqueles que o criticaram, não percebeu a gravidade e o escândalo do pecado cometido por ele e pela Montfort ao atacarem publicamente a imagem de um sacerdote inocente. E sem direito sequer a um pedido de desculpas.

E Nossa Senhora de Fátima também advertiu sobre o perigo de se alterar a Fé, a liturgia e o espírito da Igreja, como disse o cardeal Pacelli, futuro Pio XII. O que está publicado no próprio site da Montfort. E a FSSPX, que luta contra estas mudanças, é acusada de cismática por conta de seu combate contra os inimigos infiltrados na Igreja que promoveram estas mudanças que constituem uma  verdadeira traição à Igreja.

Não percebeu o frei que os “teólogos” entre aspas estão em concordância com todas as avertências de Nossa Senhora, desde La Salette até Fátima. E que a posição dos tradicionalistas não contraria o fato de serem nossos pecados a causa da crise atual. Acontece que, se os pecados do povo cristão são a causa formal da crise, o Concílio Vaticano II e a missa nova são a causa instrumental.

E aí que está a contradição de frei Tiago: faz eco aos inimigos da FSSPX que a acusam falsamente de cismática exatamente porque ela combate as causas instrumentais da crise. Mas, ao mesmo tempo, o frei quer combater esta crise.

Vê-se, portanto, que o frei não tinha motivos para chamar de “teólogos” entre aspas aqueles que lutam contra os instrumentos utilizados pelos inimigos da Igreja para propagar a crise atual. Muito pelo contrário, somente combatendo os instrumentos da crise é que podemos superá-la.

Frei Tiago e a Montfort mantêm sua posição equivocada sobre o “cisma” que não existe. Mas, já que reconheceram que o pecado do povo cristão é a causa da crise, poderiam pelo menos se retratar do pecado enorme que cometeram ao atacar publicamente a imagem de um sacerdote inocente. Seria o mínimo de coerência com suas próprias palavras. Fica o convite para que eles aproveitem o tempo Pascal para um exercício de humildade e uma reparação da injustiça que cometeram.

Muita retórica, nenhuma lógica

No último artigo de seu site, neste dia 17 de Abril, a Montfort se gabava de que não havia nenhuma resposta séria a seus artigos.  Não observaram eles que os seus próprios artigos não eram coisa séria. Não passaram de meros ataques gratuitos contra a FSSPX. Na realidade, estes ataques ridículos poderiam até ser ignorados, se não fosse pela malícia com que a Montfort manipulou toda a situação. De qualquer forma, não daremos a eles nem a alegria de não serem refutados. Comecemos, portanto, com este artigo, a desfazer a confusão que eles tentaram fazer contra o bom nome da FSSPX.

Em sua insensata e injusta campanha contra a FSSPX, a Montfort abandonou toda a realidade. Logo a Montfort, cujo presidente tanto criticou, com razão, o romantismo, agora publica um artigo que se poderia chamar “onírico”, um verdadeiro mundo de faz de conta. Na tentativa de atacar a FSSPX, pintaram um quadro não segundo a realidade, mas segundo sua fértil imaginação. Olharam para um pássaro e pintaram um boi.

O título do artigo já demonstra a sua alienação: “E o padre se foi…”. Certamente, o padre em questão se foi da arquidiocese do Rio de Janeiro, onde não conseguiu exercer um trabalho proveitoso por estar cercado pelo clero moderno. Mas, segundo se insinuou no infeliz artigo, o padre “se foi” para muito mais longe, para fora da Igreja.

Não! O padre não abandonou a Igreja Católica, fora da qual não há salvação! O padre foi obrigado a sair da arquidiocese porque julgou que não conseguiria exercer com fruto seu trabalho lá. Buscou outro lugar, dentro da Igreja Católica, onde seu trabalho poderia realmente render frutos para salvação das almas. E se o fez, tem idade e experiência suficientes para saber o que faz, e não precisa que ninguém dê opiniões sobre o seu apostolado e sobre como conduzir seu destino espiritual.

Então, se o padre não abandonou a Igreja, por que afirmar o contrário? É que o padre escolheu a FSSPX como o melhor lugar, dentro da Igreja Católica, para exercer seu ministério. E então? Então que a Monftort, que publicou o artigo, teve seu orgulho gravemente ferido pela FSSPX, quando esta não se rebaixou ao “julgamento” pronunciado pelo presidente da dita associação, o falecido Prof. Orlando Fedeli. De fato, o professor havia declarado, sem ter nenhuma autoridade para isto, que a FSSPX havia caído em cisma por conta de seus tribunais para julgamento de nulidades matrimoniais. Roma não se manifestou na questão, mas o leigo professor assumiu sozinho a função que cabe a Igreja e decretou o “cisma” da FSSPX. A dita associação Montfort, mantém até hoje o “veredicto” de seu fundador. Contra todas as provas em contrário.

O mais notável é que a Montfort concordava em quase todos os pontos com a FSSPX: sobre o Concílio Vaticano II, sobre a missa nova, sobre a crise na Igreja, etc. Tinha tudo para apoiar o bom combate da Tradição contra os inimigos modernistas que querem destruir o que podem na Igreja Católica. Só se afastaram dela e, pior, a combateram, baseados no juízo temerário, abusivo e precipitado sobre os tribunais. Mesmo depois que o padre Joël Danjou provou por “a + b” que o professor estava errado, o orgulho ferido não permitiu que a dita associação retomasse o bom combate ao lado da FSSPX, e não contra ela.

Chegamos a uma conclusão interessante: se a Montfort concordava com a FSSPX em todos estes pontos cruciais, discordando apenas dos tribunais, a única razão para não se considerarem também “fora da Igreja”, seria atribuir o “cisma” da FSSPX exclusivamente aos tribunais. Questão sobre a qual a Igreja nunca se manifestou. Logo, esta confusão toda estaria montada sobre o “julgamento” de um leigo, o Prof. Orlando. Que importa que até o Cardeal Castrillón Hoyos tenha dito que a FSSPX não é cismática? Para a Montfort vale mais a palavra de seu leigo fundador do que qualquer outra coisa no mundo.

Por conta deste orgulho ferido, a Montfort leva seu combate contra a FSSPX até hoje. E como não tinham argumentos contra a FSSPX, recorreram à linguagem poética. E, na sua retórica, a imagem que tentaram associar à FSSPX foi a de um castelo.

A metáfora escolhida foi de uma infelicidade sem medidas. Ainda mais que o artigo foi ilustrado com a montagem de uma foto mostrando um castelo nas nuvens. Faltando-lhes palavras inteligentes, foi a este recurso que a Montfort apelou. Comparou a FSSPX a um castelo nas nuvens. Um castelo que, segundo “parece” ao autor do artigo, considerar-se-is até livre de pecado original. De onde ele tirou motivos para fazer esta acusação, o autor não se dá  ao trabalho de mencionar.

Ora, a FSSPX, como toda boa instituição católica, está onde estão os fiéis que buscam a salvação de suas almas. E está de portas abertas. O padre que entrou para a FSSPX não estará isolado em um castelo flutuando nas nuvens. Estará atendendo os fiéis, almas que buscam um oásis no deserto pós-conciliar. Almas que já estavam caídas, abatidas por tantos absurdos, profanações, traições na era pós-conciliar. Pessoas que não conheciam a grandeza da Igreja Católica. Que nunca haviam ouvido a doutrina católica, mas tão somente discursos marxistas ou gritaria da RC”C” ou outras coisas do gênero. Que não recebiam os sacramentos com o decoro que merecem. Que não conheciam a maravilha sublime da Missa Tridentina. Ou, se a conheciam, não podiam assisti-la porque o “senhor bispo” da diocese, em total “coerência” com a “tolerância” pregada pelo idolatrado super-concílio do Vaticano II, não permitia que o padre a celebrasse para o grupo de pessoas que tanto a desejavam.

O padre não estará trancado num castelo nas nuvens, como  falsa e maliciosamente sugeriu o artigo da Montfort. Estará trabalhando para salvar as almas no seu priorado, de portas abertas como a Igreja Católica sempre esteve. E não estará somente no seu priorado, mas viajará para atender pessoas distantes, que de outra maneira não receberiam a visita de um sacerdote legitimamente católico. Ou será  que a Montfort não sabe que a FSSPX faz missões para atender os fiéis distantes dos priorados? É claro que sabem. Então porque se atreveu a publicar um artigo tão mentiroso, insinuando que o padre, ao entrar para a FSSPX, teria se trancando em um castelo nas nuvens? O ódio cega. É a única explicação que podemos encontrar.

É evidente que o padre continua a serviço da Igreja Católica, de portas abertas para os fiéis. A única diferença é que ele não terá de suportar a dura perseguição do clero modernista. Não perderá tempo precioso discutindo inutilmente com quem não quer enxergar a verdade. Vai, pelo contrário, poder se dedicar inteiramente à glória de Deus e à salvação das almas.

Será que a Montfort sabe tudo o que o padre estava sendo obrigado a suportar na arquidiocese? Falar, como o ridículo artigo, que o padre largou a carga-pesada, ou que não quis carregar sua cruz, é fácil. A ridícula acusação da Montfort nos faz lembrar do que Nosso Senhor falou sobre os fariseus: “atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo” (Mt 23,4). Será que a criatura da Montfort que confortavelmente publicava na internet o artigo condenando a atitude do padre conhecia o que se passava com ele? Será que suportaria o que ele suportou? Como é fácil falar…

Com certeza a Montfort conhecia o passado do padre, porque ele esteve no IBP, e teve a oportunidade de lhes contar tudo o que sofrera desde o seminário. Que importa isto para a Montfort? Importa que o padre escolheu a FSSPX, a mesma que não abaixou a cabeça para o autoritarismo da Montfort. Para eles já basta isto: o padre deve ser apedrejado e criticado publicamente! Sua atitude não deve ser seguida, este é o decreto da Montfort, para que todos o saibam! E se discordar deste parecer, esteja fora da Igreja! Mesmo que a autoridade da Igreja não tenha dito isto jamais. Entenderam agora a “lógica” da Montfort?

Se não existisse a FSSPX, talvez poderíamos dizer que o padre tivesse de fazer um esforço heróico para se manter na arquidiocese. Mas a FSSPX existe, assim como existem outros padres que celebram a Missa de Sempre no Rio de Janeiro, de forma que a cidade não ficou desamparada. Ah! Mas um dos padres do Rio de Janeiro é exatamente Dom Lourenço Fleichman, outro “desobediente” que não se curva diante de leigos intrometidos. Melhor mesmo, para a Montfort, não aprofundar muito o assunto. Melhor deixar mesmo em silêncio o fato, como se o Rio de Janeiro estivesse totalmente desamparado de Missas Tridentinas.

Os fiéis podem recorrer a estes padres. E muitos outros recorreriam, se não fossem as difamações que são feitas contra a FSSPX e os que pensam como ela e não se curvam diante dos prelados modernistas. São estas difamações, para as quais a Montfort agora contribui largamente, é que deixam alguns fiéis assustados e confusos e os afastam daquela fraternidade que poderia lhes dar tudo o que procuram e não encontram nas suas paróquias. Atitudes como a da Montfort somente atrapalham o bom combate da Tradição e mantêm as pessoas na dúvida e na confusão.

O ridículo artigo continua sua tarefa de desinformação. Insiste na metáfora do castelo: “Pois bem, no Castelo se encontra o Padre.” E  acrescenta, com cinismo: “Um padre privado.” Como assim um padre “privado”? No priorado para onde ele for o padre não atenderá os fiéis da mesmíssima maneira que atenderia em qualquer paróquia? Então, que estória é esta de “padre privado”? Privado, mas de senso de ridículo, é sim o autor do artigo cheio de retórica.

Não satisfeito com toda a meleca que já fez até aqui, o autor do infeliz artigo lança alguns slogans. O preferido deles é “Viva o papa!”. Como se os pentecostais também não fossem capazes de escrever coisas do tipo “Deus é dez” ou “Sou 100% de Jesus”.

Que importa o falar? Importante é crer e agir de acordo com os ensinamentos de nossa santa religião. Do que adianta gritar “viva o papa!” e difamar o outro grupo? De que adianta gritar isto se o papa comete erros enquanto ser humano e eles, como filhos, teriam obrigação de dirigir-lhe humilde e filialmente os pedidos de correção e não o fazem? Parecem-se com o empregado “puxa-saco” que elogia até os erros do patrão. E isto não tem nada de católico, por mais slogans que eles possam repetir.

Que baixaria! Nunca esperaria na vida que a Montfort se prestaria a um papel ridículo destes, chegando até a acusar a FSSPX de sede-vacantista, o que sabem muito bem que ela não é. Movidos pelo orgulho, a Montfort perdeu a razão.

E ainda acusam o “castelo” de crescer para cima, como a torre de Babel. Não! Ora, crescer para cima… mero recurso de retórica! Quem não percebe isto? O “castelo” não cresce para cima, não está plantando nas nuvens. Na realidade, os priorados, de portas abertas para acolher os fiéis, crescem sim para ocupar o terreno que os modernistas tornaram árido. Neste terreno eles criam oásis ondem os fiéis podem saciar sua sede da boa doutrina, de sacramentos dignos e da Santa Missa Tridentina. Sem medo de serem perseguidos por bispos modernistas. Sem medo de, a qualquer momento e sem aviso prévio, serem abandonados como foram os fiéis que freqüentavam o IBP em São Paulo. A FSSPX cresce para o bem da Igreja, e para maior raiva dos derrotados da Montfort, que não a conseguiram amordaçar.

O ranço fica ainda mais evidente quando o tal “castelo” é acusado de não estar fincado na Rocha. Ou, traduzindo a metáfora, para a Montfort, a FSSPX não estaria na Igreja Católica. Ora, quanta pretensão a deste grupelho, que pela voz de um padre que assina o artigo, quer declarar uma sentença tão grave. Propagam, assim, a mesma mentira que os piores inimigos da Igreja, que não suportam uma obra católica dando bons frutos. Tudo porque se agarraram ao “veredicto” de seu leigo fundador, que jamais teve autoridade para proferir tal julgamento.

E ainda deixam escapar o seu desejo, o de que o “castelo” desmorone. Ora, o que desmoronou mesmo, com os últimos acontecimentos, foi a reputação da Montfort. Aliás, com toda esta baixaria, eles somente conseguiram jogar na lama um nome que custou tanto trabalho para construir. Triste, mas este é o fim do orgulhosos e prepotentes.

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PS: nem tudo o que eles disseram foi refutado, mas o que foi escrito já é suficiente. O resto fica para uma próxima oportunidade.

Corruptio optimi pessima

A corrupção do ótimo é péssima, diz a máxima. E como o católico não tem direito de se calar ante aquilo que é péssimo, especialmente para nossa santa religião, sou obrigado a entrar na disputa fratricida que está ocorrendo. Não me agrada nem um pouco ter que fazer isso, tentei mesmo adiar o máximo possível, mas agora já seria covardia calar. Nunca escondi minha admiração pelo Prof. Orlando Fedeli, e nem minha gratidão por todo o bem que me fez e por tudo o que aprendi com ele através da internet. Mas, neste momento em que a Associação Cultural Montfort se lança com todas as forças numa campanha injusta, desleal e abjeta contra a FSSPX, serei obrigado a combatê-los.

Com certeza este tipo de disputa somente tem a agradar os inimigos da Igreja, e o inimigo de nossas almas. Mas, se o orgulho luciferino se apoderou dos dirigentes da Montfort, e se estes se lançam cegamente a escrever uma série de artigos difamando, levantando juízos temerários, insuflando os católicos contra o maior baluarte que temos atualmente contra o modernismo, não existe outro caminho senão combatê-los. Eu tinha muitos outros assuntos a tratar, com tempo escasso para tudo o que queria, mas me vejo na obrigação de parar tudo o que estava fazendo para alertar sobre o veneno da Montfort. Não sei quantos artigos serão necessários, mas vou até o fim para desmascarar a atitude deste grupo que está afundando o bom combate da Tradição.

O lema da Monftort, “faça de sua alma uma espada”, depois desta campanha difamatória contra a FSSPX bem poderia ser mudado para “faça de sua alma uma espada… e de sua língua uma víbora peçonhenta”. Para que o caro leitor tenha uma idéia, apenas uma prévia noção, do quão desonestos e diabólicos são os métodos empregados pela Montfort, aconselho a leitura da resposta dada pelo Sidney Silveira a uma mentira difamatória contada contra ele por uma senhora da Montfort. Fato este que é extremamente revelador dos métodos empregados pela dita associação de leigos, capaz de levantar uma acusação grave sobre articulações que teriam sido promovidas por outra pessoa sem nem ter contato com ela, e sem prova alguma do fato. Aliás, a pessoa difamada vive no Rio de Janeiro, e os difamadores em São Paulo. Toda esta distância não foi suficiente para que a acusação fosse colocada em termos categóricos, como se se tratasse de uma testemunha visual dos fatos. E, pior, depois de ter sido desmascarada, a senhora não voltou atrás, senão colocou a culpa no difamado! Da leitura deste artigo se pode ter uma idéia dos métodos nada cristãos empregados pela Montfort.

O uso de mentiras e de difamações não se justifica jamais. Quem faz isto é o desesperado, o derrotado, o fraco que já não se sustenta na Verdade, mas quer confiar nas suas próprias forças. Já não estamos mais diante da Montfort de sempre, infelizmente. Já bem poderíamos chamá-la de Montfaible, porque o mentiroso é um fraco, um derrotado. Mas, ainda que já estejam derrotados por sua própria atitude, é necessário que os inocentes sejam alertados para não serem vítimas de seu veneno.

Eles, os dirigentes da Montfort e seus comparsas, se fazem de vítimas, chegam a escrever que temem até agressões físicas! Não se preocupem, é com palavras que serão derrotados. Elas são mais do que suficientes para desmascarar os mentirosos.

E por que a Montfort estaria se utilizando de expedientes tão anti-católicos, tão abjetos? Justificativa não existe, mas o começo da história, que nos permite entender a situção, é simples. Eles são orgulhosos, não querem admitir que o Prof. Orlando cometeu um erro grave ao sentenciar, não se sabe com que autoridade, que a FSSPX teria caído em cisma ao estabelecer os tribunais para julgamento de nulidades matrimoniais. A polêmica se estendeu até a resposta do padre Joël Danjou, à qual não foi dada nenhuma resposta acadêmica pela Montfort, e nem poderia ser, pois desmascara os erros  do Prof. Orlando Fedeli e a pretensão de autoridade que ele não tinha nesta matéria. Recomendamos vivamente a leitura da resposta do referido padre. A descoberta deste fato foi exatamente o que me fez deixar de apoiar a Montfort e passar a apoiar a FSSPX, porque o meu único compromisso é com a Verdade. Tentei, por ingenuidade, continuar acreditando na boa-fé da Montfort, e que eles pudessem enxergar o grave erro que estavam cometendo. Mas, no nível a que chegaram as suas ofensas contra a FSSPX, já não é mais possível ficar calado, é hora de combatê-los. É à Igreja Católica que eu quero servir, e não a um grupo de orgulhosos. Estou do lado de quem trabalha incondicionalmente pela Igreja, sem se preocupar com difamações, com acusações falsas de desobediência, de “cismas” que nunca existiram, etc.

Que proveitos poderiam ser tirados deste combate? Primeiro, preservar o bom nome do maior baluarte da Fé católica em nossos dias, que é FSSPX. Ela não é o único, mas é o maior. Todos os católicos, um dia que a crise tenha passado, ainda agradecerão a Mons. Lefebvre e à FSSPX por não ter abandonado o combate.

O segundo proveito seria demonstar mais uma vez, se ainda o fosse necessário, que buscar “soluções” para a crise atual que não sejam a de total resistência aos inimigos da Igreja é trabalho feito para estes mesmos inimigos. A Montfort, para fomentar sua “rixa” contra a FSSPX, depositou suas confianças no IBP, um instituto que fez acordos práticos, submetendo-se às autoridades modernistas. Uma verdadeira propaganda ufanista sobre o IBP foi levada a cabo pela Montfort. Parecia até que eles iriam criticar o Concílio Vaticano II e a missa nova com a mesma, ou talvez melhor, eficiência que a FSSPX. A Montfort levou um balde de água fria quando o IBP abandonou o Brasil e, que ironia!, saíram colocando a culpa na própria Montfort. Mas não aprenderam a lição. O orgulho lhes impede de enxergar que o combate da FSSPX, e o de alguns outros grupos menores, é o único realmente eficaz. Eles precisam, então, encontrar “chifre em cabeça de cavalo”, e a entrada do Pe. Leonardo Holzt para a FSSPX tem sido, nestes últimos dias o motivo que eles encontraram para atacar a FSSPX. Nos próximos artigos, vou tentar demonstrar como esta atitude da Montfort de querer encontrar apoio entre os acordistas, a fim de poderem alimentar sua rixa contra a FSSPX, tem levado esta associação cada vez mais para o abismo.

Ainda que seja apenas a posição de um leigo, e que eu fale apenas por mim mesmo, convido os católicos tradicionais a refletirem sobre o que escrevi e o que vou escrever, porque apoiar um associação que está atrapalhando todo o combate da Tradição é uma falta grave que nós não podemos cometer.

Sobre o falecimento do Pe. Hélio

Tivemos notícia, pelo Fratres in Unum, do falecimento do Pe. Hélio. Sabemos que, para ele, foi um alívio e que agora receberá a merecida recompensa por uma vida dedicada a Deus. Mas, para os que ainda peregrinam neste mundo, fica a saudade de um verdadeiro sacerdote, capaz de conquistar os corações logo na primeira homilia.

Os mercenários falam aquilo que o povo quer ouvir. Os bons pastores falam aquilo que o povo necessita ouvir. Os piedosos sacerdotes tradicionais, zelosos pelas almas que lhes foram confiadas, estão entre estes últimos. E, por tudo que fazem pela glória de Deus e salvação das almas, hão de ser magnificamente recompensados por manterem o bom combate em uma época de tanta apostasia.

Descanse, pois, em paz, Pe. Hélio.

Sobre a situação atual

Por que Sua Santidade Bento XVI não toma, de uma vez, todas as atitudes necessárias para restaurar plenamente a Igreja, a autoridade papal, a Santa Missa Tridentina? Esta é a pergunta que muitos se fazem.

Na conferência proferida em São Paulo, quando da última crisma, Dom Bernard Fellay  usou a imagem de um trem, que não pode fazer uma curva muito fechada senão descarrilha. Da mesma forma, se as autoridades romanas caminharam durante tantos anos se afastando da doutrina católica, não é de se esperar que a caminhada de retorno para a plena ortodoxia seja breve. Na mensagem de Fátima, Nossa Senhora descreveu uma procissão que se afastava de Roma e que, percebendo que estavam fora da cidade, empreenderam o caminho de volta. Esta tese foi muito bem desenvolvida pelo Prof Orlando Fedeli:

“Curioso que o sol não retornou a seu lugar no alto do céu subindo diretamente. Também seu retorno foi ziguezagueante, hesitante, “cambaleante”. Não retornou em linha reta, indicando que a Igreja retornaria à situação anterior à queda em meio a hesitações. A volta à posição normal de Roma será tão longa e tão ziguezagueante como a saída da posição normal e natural. Os Papas que determinarem a volta a Roma não o farão de uma só vez.”

(…)”No auge da crise, haverá uma intervenção sobrenatural que fará um Papa tomar o caminho de volta para Roma – para as duas colunas de salvação: a Missa e a devoção a Nossa Senhora. O Papa que iniciará esse retorno parece fazê-lo de modo vacilante. Ele cambaleia, hesita, chora, vendo os estragos causados por aqueles que deram uma orientação errada ao caminho da procissão e da nau.

Fátima: um “segredo” contendo um enigma envolto em um mistério

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=fatima3〈=bra

Se Roma se afastou, por tantos anos, da doutrina católica, não será com um único ato papal que tudo se encontrará novamente no seu devido lugar.

Pressões sobre o Papa

Repetindo a pergunta com a qual se abriu este artigo, poderíamos acrescentar mais estas: Bento XVI tem de enfrentar muitos lobos? Ele sofre grandes pressões? Há vários sinais a indicar que sim.

Na Áustria, Bento XVI aceitou a dispensa do Padre Gerhard Wagner, que fora nomeado bispo por Sua Santidade, mas que encontrou forte resistência dos modernistas, a tal ponto de fazer o padre pedir a referida dispensa.

A história da rebelião modernista agora se repete com o futuro Bispo de Guipúzcoa, Espanha. Esperamos que não se repita a atitude do papa e que ele possa, desta vez, enfrentar os lobos.

Pressionado ou não, Bento XVI continua sendo um enigma. Como, por exemplo, ao permitir a declaração das virtudes heróicas de João Paulo II.

Como entender as atitudes de Bento XVI? Não é tarefa fácil. Eu o vejo como verdadeiro Papa, legítimo sucessor de São Pedro; que, no passado, recebeu fortes influências modernistas, teve péssimas amizades com os teólogos “peritos” do concílio, do qual também tomou parte como perito; que, hoje, já se livrou parcial, mas não totalmente, destas influências; que, eu acredito, seja fortemente pressionado pelo clero modernista, tão bem descritos pelo termo “cloacas de impureza”, dito por Nossa Senhora em La Salette; e que, rezamos para isto, terá força para se livrar de todo modernismo e enfrentar estes lobos. Passar disso é fazer especulações demais.

As críticas

As apreensões de vários católicos não são desprovidas de sentido. Existem coisas terríveis que ainda ocorrem entre os conciliares, e tais fatos não podem nem devem ser escondidos. O católico é realista, enfrenta as dificuldades, por maiores que elas sejam, com ânimo forte, movido por sua fé e sua confiança em Deus. Enterrar a cabeça e fingir que tudo anda maravilhosamente bem é fugir da realidade.

Exemplo recente que demonstra a necessidade de se manter a lucidez é a encíclica Caritas in Veritate, cheia de erros. A análise feita pelo Prof. Orlando Fedeli sobre esta encíclia é muito superficial. Mesmo se se aceitar a tese do professor, não há motivos para se alegrar tanto porque encontrou alguma coisa boa em uma encíclica papal. Isto deveria ser o normal. Pior ainda é ignorar os erros graves nela contidos, e que foram apontados de forma breve, porém muito lúcida, pelo Prof. Angueth.

E as publicações de L’Osservatore Romano? Em uma edição, eles absolvem John Lenon, que se achava mais famoso que Jesus Cristo! Em outra, é a vez de recomendar os “Simpsons”. O católico mais ingênuo pode perceber que o jornal romano não é lá tão osservatore della vera religione, mas muito mais osservatore del “mondo”. Mundano mesmo, para falar o português claro.

Podemos facilmente encontrar outros exemplos absurdos. Como o congresso evolucionista dentro do Vaticano, que exlcuiu a participação de criacionistas. Ou, entre outras coisas, a falta de cuidado com as questões doutrinais, litúrgicas, canônicas, etc, para o retorno de  anglicanos à Igreja, trantado-os como se fossem tão próximos à Igreja quanto os cismáticos orientais, o que não são. Ou tantos outros fatos que poderiam ser citados.

Comparando com o pontificado anterior, estamos vivendo um momento de relativa alegria e esperança. Mas não há motivos para excessiva euforia. Se o pior da tempestade já passou, ainda não estamos em céu azul. Os fatos demonstram isso de forma inegável.

É difícil tomar uma posição definitiva. Por um lado, não vejo as coisas de forma tão pessimista como alguns a vêem, porque não acredito que a FSSPX irá assinar um acordo prático, por outro lado não deixo de dar razão àlgumas preocupações levantadas por muitos católicos, porque há muito  interesse dos modernistas em uma queda da FSSPX. O assédio existe, mais creio que a Tradição irá resistir. Por isso, prefiro seguir com cautela. Com esperança, mas não sem reservas.

Soluções intermediárias?

E o que pensar, por exemplo, das atitudes de Bento XVI a favor da Tradição, como o Motu Proprio Summorum Pontificum e o levantamento das excomunhões? Não há dúvidas de que representam um avanço em relação ao papado anterior. Mas estão muito longe de terem realizado a justiça, seja para com a Missa Tridentina, seja para com os baluartes da Fé Católica deste final de milênio. Certamente elas não podem ser aceitas como soluções definitivas. Tais atos somente podem ser admitidos como soluções intermediárias.

A missa fabricada por Bugnini com o auxílio de seis “pastores” protestantes, tão criticada pelo Cardeal Ottaviani, tão afastada do Sacrifício e tão próxima da ceia, poderia ser considerada a forma “ordinária” do Rito Romano, enquanto que a Missa Tridentina seria apenas a forma “extra-ordinária”? Claro que não. As duas “formas” são, na realidade, frutos de duas concepções opostas, uma formada pela religião de Deus, outra fabricada pela religião do homem. São duas teologias opostas, incompatíveis.

Mas, enxergando o Summorum Ponfificum como uma etapa, podemos dizer que trouxe bons avanços. Para a pessoa honesta, é necessário dizer, bastava a Bula Quo Primum Tempore. Este documento, de São Pio V, já garante, por si só, os direitos eternos da Missa Tridentina. Qualquer pessoa alfabetizada entende isso ao ler esta Bula, tal sua clareza e sua insistência nos direitos perpétuos desta liturgia. Mas, quem tinha acesso a este documento? Somente pela internet eu, e muita gente, ficamos conhecendo-o. Além disso, havia a tal afirmação, completamente sem razões, de que o tal “magistério vivo” havia mudado as suas disposições. Tal afirmação é incompatível com a doutrina católica mas, para as grandes massas, privadas de todo contato com os documentos tradicionais, poderia ser convincente. Agora, depois do Summorum Pontificum, nem mesmo este argumento absurdo pode mais ser usado. O magistério do papa atual diz com todas as letras que o fiel tem direito à Missa Tridentina. Assim, nem mesmo o absurdo argumento do “magistério vivo” pode ser usado para impedir a Missa Tridentina. Os bispos que negam a Missa Tridentina estão em clara desobediência ao Santo Padre Bento XVI. Já perderam totalmente a moral, o direito de exigirem alguma coisa dos fiéis. Este bispos são tiranos, verdadeiros intrumentos do demônio, como disse Mons Ranjith. A atitude deles contra a Santa Missa vai servir apenas para alertar os fiéis que há algo de muito errado na igreja pós-conciliar. Então, apesar dos defeitos, graves e que terão de ser corrigidos no futuro, o Motu Proprio Summorum Pontificum trouxe, sim, benefícios incalculáveis para a Igreja.

De uma outra forma, também o levantamento das excomunhões trouxe benefícios. Os bispos da FSSPX tiveram suas excomunhões levantadas sem aceitar os erros do concílio. A conclusão lógica, bastante clara, é que não é necessário aceitar incondicionalmente o concílio para estar em comunhão com a Igreja Católica. A questão da “regularização” canônica, quando for resolvida, afastará até as mínimas objeções que alguns, sem razão, ainda levantam contra a legitimidade dos sacramentos ministrados pela Fraternidade. A justiça para com Mons Lefebvre e Mons Castro Mayer ainda não foi feita, mas um dia será. Falta, ainda, o esclarecimento de que tais excomunhões foram nulas desde o princípio, nunca tiveram validade. Todos estes defeitos terríveis estão contidos no decreto de levantamento, que não pode ser aceito senão como uma vitória parcial, que ainda há de ser completada.

O que pensar sobre as conversações entre a FSSPX e o Vaticano?

O simples fato de se colocar em discussão o Vaticano II já demonstra a fragilidade deste concílio. Poderia ser posto em discussão Trento ou o Concílio Vaticano Primeiro? Claro que não. Mas o Vaticano Segundo pode, porque não foi dogmático nem infalível.

Além do mais, se Bento XVI estivesse realmente determinado a defender a posição radical do Vaticano II, ele teria escolhido os membros mais liberais do clero. E observe o caro leitor que “time” de hereges o papa não poderia ter “escalado” para defender o irenismo do Vaticano II! Mas ele não o fez. As escolhas de Bento XVI para os debates com a FSSPX esclarecem um pouco sua posição.

O mais importante de tudo, quando pensamos nas conversações, é que não há vitória sem combate. E, que combate melhor pode haver senão as discussões doutrinais? Durante longos anos a FSSPX buscou tais conversações, mas sempre lhe foram negados pelas autoridades romanas. Sempre lhes insistiam sobre o tal “acordo”, mas a Fraternidade resistiu, enquanto muitos outros tombavam no caminho, abandonando o bom combate da Tradição em troca de uma “regularização”.

Sinceramente, eu não acredito, de forma alguma, que, depois de tanto combate, a FSSPX aceitaria os erros modernos. Depois de ter visto tantos cairem pelo caminho, não seria agora que eles iriam se entregar. Não agora, depois de tantas vitórias, ainda que parciais. Houve sempre muitas pressões dos modernistas, e ainda há, para destruir a resitência da Tradição. O argumento, agora, é de que a Tradição recebeu muitas concessões e que, portanto, deveria retribuir com um “acordo”. Não creio que alguém caia nesta cilada. O que a Tradição recebeu foi o que lhe cabe por direito, e ainda não recebeu muito, dada a magnanimidade das disposições da Quo Primum Tempore, por exemplo. Sem mencionar a confusão doutrinal que ainda aflige os fiéis e que deve ser totalmente desfeita.

Faz relativamente pouco tempo que eu conheço a Tradição Católica. Como a maioria, fui descobrindo aos poucos a situação atual da Igreja, através da internet. Se eu apóio a Fraternidade, é porque ela é inteiramente católica e trava o bom combate da Fé com zelo extremo. Se Dom Fellay fizesse um acordo prático, eu não o apoiaria e, creio, muitíssima gente da Tradição também não. Mas não é diante dos homens, e sim diante de Deus, que se deve prestar contas. E, independente de qualquer pressão, eu acredito que a FSSPX irá cumprir o papel que tem cumprido tão bem durante tantas décadas: continuar sendo católica no meio de tanta apostasia. Ser “tradicionalista” é isto: simplesmente continuar sendo católico. Não é a pressão por uma “regularização” que deve nos mover, e sim a defesa da Verdade Católica face às inovações modernistas.

Seria útil uma regularização? Sim, seria para acabar com as últimas críticas daqueles que, ou ainda não se deram conta do estado de necessidade, por qualquer motivo que seja, e que não nos cabe julgar, ou então são hereges modernistas e querem ver a ruína da Tradição. Com a “regularização”, acabaria qualquer medo, qualquer receio de se frequentar a FSSPX. Acabariam as ridículas desculpas legalistas.

No entanto, mesmo havendo esta utilidade, ela é muito pequena se comparada com os riscos de um acordo apressado. É só ver o caso dos institutos que assinaram acordos práticos: acabaram na missa nova cheia de confentes e treatros e tudo o mais que não se deveria fazer durante a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário. E quando não se participa do “festim”, ao menos ficam em silêncio diante de tanta profanação. Ou abaixam a cabeça para as “autoridades” modernistas, como fez o IBP ao abandonar o Brasil no momento em que seu apostolado crescia a vista de todos.

A FSSPX está no caminho certo: discutindo teologicamente. E que a “regularização” venha quando não houver mais riscos para a Fé e quando os graves problemas doutrinários estiverem resolvidos. Sem pressa, sem atropelos. Enquanto isso, deixem os lobos uivarem.

Conclusão

Muito tímida esta minha colocação? “Em cima do muro”? Penso que não, que ela seja apenas prudente, cautelosa. Não salto de alegria com as atitudes de Sua Santidade, muitas delas até causam sérias preocupações. Mas também não acredito na “armadilha” para a Tradição, que alguns chegam mesmo a ilustrar com uma teia de aranha. E, se ela existisse, não iríamos cair nela, porque já sabemos muito bem que os “acordos práticos” sevem apenas para abandonar o bom combate da Tradição. Prudência, penso eu, é uma das virtudes mais necessárias no momento. E além da prudência, é claro, a esperança, a confiança que um católico sempre deve ter.

A este respeito, muito apropriadas são estas palavras das Sagradas Escrituras:

Os chefes falarão, ainda, estas coisas ao povo: ‘Quem está com medo e sente amolecido o coração? Vá-se embora para sua casa e não faça desfalecer o coração dos seus irmãos, como o seu próprio coração.’ (Deu 20,8)

A versão da Bíblia Sagrada em que eu li este versículo, da Ed. Santuário e Ed. Loyola, 2003, trazia-lhe estes comentários:

“Muitos motivos psicológicos justificam essa exclusão dos covardes. Mas é certo também que os medrosos e os covardes emcabeçam a lista dos réprobos por pecarem contra a fé e a confiança em Deus.”

Devemos ter confiança em Deus. Que a Igreja é indestrutível, cabe nos ainda alguma dúvida? Depois de todo o temporal que se seguiu ao concílio, de todo o poder que os modernistas chegaram a ter, do quanto a Santa Missa Tridentina e a doutrina católica estiveram ameaçadas, seria agora, no momento em que se está retomando, ainda que aos poucos, o bom caminho, seria agora a hora de se desesperar?

As discussões teológicas são o caminho para desfazer os erros do concílio, e elas já começaram. A capitulação da FSSPX através de um acordo prático é, até agora, apenas um pesadelo, cuja concretização Deus há de impedir. Apesar de toda apreensão, devemos admitir que estamos caminhando.

A Igreja superou todas as heresias, inclusive o arianismo, e está superando o modernismo. Muito lentamente? Sim, também acho. Mas quem somos nós para exigir alguma coisa? Deus não concedeu a Moisés, depois de guiar o povo por quarenta anos no deserto, a entrada na Terra Prometida. Por que nós exigiríamos de Deus a solução imediata da crise? Quem somos nós para não nos conformarmos com os desígnios do Altíssimo? Aproveitemos a situação atual, ainda desconfortável, para aumentar a nossa confiança em Deus, a Quem cabe a vitória e toda glória. Por enquanto, apenas cumpramos nossas obrigações e rezemos com confiança. É assim que eu penso.

Mais uma batalha vencida

Mais uma batalha vencida para a restauração da Tradição. Foi assim que eu, pessoalmente, enxerguei o levantamento das excomunhões contra os bispos da FSSPX. Ainda não foi a vitória completa. Há de se notar, especialmente, que não foi feita justiça a Dom Marcel Lefêbvre e a Dom Castro Mayer. Se a guerra tivesse terminado por aqui, teria sido um verdadeiro desastre. Mas não acabou! O Vaticano reconhece a necessidade de continuar os debates, e a FSSPX se mantém firme na defesa da Verdadeira Fé. E Dom Bernard Fellay manifestou a esperança em uma reabilitação próxima de Dom Marcel Lefêbvre. Nós a desejávamos agora, junto com a dos demais bispos. Mas, declarar a nulidade das excomunhões de 1988 iria enfurecer demais os modernistas. Bento XVI, como já expressou na Summorum Pontificum, não deseja causar um cisma. Por isso, age com prudência. Ainda não chegamos aonde queríamos, mas estamos caminhando para lá, mesmo que lentamente.

De qualquer forma, foi uma vitória. Em primeiro lugar, a FSSPX não aceita os erros do Vaticano II, e mesmo assim não está “excomungada” (como nunca esteve). O IBP também não o aceita, mas tendo já assinado seu acordo com Roma, não pode falar tão abertamente sem ser perseguido pelos modernistas. A FSSPX continuará o bom combate da Fé sem sofrer golpes com o que o IBP sofreu, expulso de São Paulo.

Além disso, os modernistas, os “conservadores” e os “tradicionalistas” pró-Vaticano II não poderão mais utilizar as excomunhões como desculpa para afastar as pessoas inocentes da FSSPX. Acabaram-se as desculpas para as acusações baixas contra a FSSPX.

Os padres de Campos não poderão mais utilizar aquela “estratégia de marketing” ridícula: “Venha assistir à Missa Tridentina em comunhão com a Igreja”. A frase é uma clara alusão à FSSPX, tentando fazer os incautos preferirem a missa dos traidores que aceitaram o Vaticano II àquela dos que estavam supostamente “excomungados”.A FSSPX sempre esteve em comunhão, mas agora está oficialmente, e acabou assim o motivo do “slogan publicitário” dos traidores da Tradição.

Que alegria em constatar que ficou muito mais difícil agora para que o Felipe Aquino consiga calar a nossa boca. Até o Vaticano reconhece a necessidade de se prosseguir no diálogo. O Vaticano não disse: “calem a boca e parem de atacar o concílio, senão vocês permanecerão excomungados para sempre”. Pelo contrário, a FSSPX não cedeu em nada, as excomunhões foram levantadas, e a discussão prosseguirá.

Felipe Aquino é incorrigível, como o Falsitatis Splendor. Mas que importa a opinião deles? O que importa é que perderam o motivo que tinham para atacar a FSSPX. Assim como o IBP, a FSSPX está na Igreja sem aceitar os erros do Vaticano II. Aqueles, que queiram calar a nossa boca, tiveram as suas caladas.

Ainda não ganhamos a guerra. Mas, de batalha em batalha chegaremos lá. Deus dê forças a S.S. Bento XVI para enfrentar os inimigos da Igreja e restaurá-La plenamente.

O divórcio e os tribunais da FSSPX

Nos meios pós-conciliares, tornou-se muito comum ouvir que o adultério é motivo para anulação matrimonial. Isso é um verdadeiro absurdo. O casamento nunca é anulado. Ele pode ser declarado nulo, caso o tenha sido desde o início, por alguma razão que realmente o justifique. O adultério, tendo ocorrido depois da celebração do casamento válido, já não pode ser usado como argumento, pois não existe anulação. Uma vez válido, o casamento o será até a morte de um dos cônjuges. Uma excelente argumentação a esse respeito pode ser lida no blog Militia Jesu Christi, inclusive com as citações:

É permitido o divórcio em caso de adultério ?!?!?!
http://stdominic3order.blogspot.com/2008/07/sendo-essa-frase-do-ttulo-repetida-em.html

A lei da Igreja é clara. Apesar disso, fiquei sabendo até mesmo de um padre que teria dito a uma mulher, vítima de adultério, que “a hora em que ela quisesse anular seu casamento, era só falar com ele”. Felizmente, o fato não se consumou. Mas isso demonstra o estado de apostasia em que se encontra o clero pós-conciliar.

Diante de tão graves ameaças para a Fé, será mesmo reprovável a instauração dos tribunais da FSSPX?

Na presente situação da Igreja, em que o clero não somente deixa de zelar pelo cumprimento da Lei de Deus, mas ele próprio se dispõe a contrariá-la, eu não consigo enxergar qualquer reprovabilidade nos tribunais de nulidade matrimonial da FSSPX. Eles estão agindo de acordo com o estado de necessidade em que a Igreja se encontra hoje em dia. Quem inventou as “novas leis” do matrimonio foram os seguidores do Vaticano II, e não a FSSPX. Ela, sim, está respeitando as leis divinas do matrimonio, ainda que, para isso, seja obrigada a “usurpar” temporariamente um poder que compete ao Papa.

Não podemos nos esquecer que a salvação das almas é a lei suprema – Salus animarum lex suprema est. O que é preferível: ser legalista e deixar as almas se afundarem em pecados mortais, em um matrimônio inválido, provocado uma falsa declaração de nulidade? Ou, em caráter excepcional, chamar a si responsabilidade de formar tribunais que julguem de acordo com as leis eternas da Igreja? Não tenho dúvida alguma em apoiar a atitude da FSSPX.

Uma coisa que não entendo é como o Prof. Orlando Fedeli não enxerga este estado de necessidade. É evidente demais que, se a FSSPX deixasse seus fiéis apelarem para os tribunais de Roma, haveria graves riscos de que eles recebessem uma declaração de nulidade para um casamento válido. Existe aqui o mesmo estado de necessidade que provocou as consagrações de 1988. Eu não posso deixar de reconhecer os valores do Prof. Orlando, e de agradecê-lo por tudo o que aprendi e aprendo no site da Montfort, e de rezar por ele – ut omnibus benefactoribus nostris sempiterna bona retribuas. Mas não posso apoiá-lo em suas críticas à FSSPX, que busca, através de seus tribunais, apenas o bem espiritual de seus fiéis. Prova de que até os grandes homens – e o Prof. Orlando é um dos maiores que conheço – erram.

Creio que todos desejam logo o fim da crise. Mas, enquanto não houver as mínimas condições para um acordo, o estado de necessidade persiste. E, dentro dele, a FSSPX deve zelar pelas salvação das almas da forma como lhe é possível. Ou alguém considera melhor fazer como o IBP e abaixar a cabeça para o clero modernista em troca de uma “legalidade”? A FSSPX está cumprindo muito mais seus deveres do que os “legalistas”.

Alguns artigos interessantes para aprofundar o conhecimento sobre o assunto:

http://www.capela.org.br/Crise/nulidade.htm

http://www.capela.org.br/Crise/nulidade2.htm

http://www.capela.org.br/Crise/nulidade3.htm