Assim como todo mundo, eu fiquei um bom tempo esperando maiores notícias sobre a saída do IBP do Brasil, mas elas não chegaram. As poucas explicações que ouvimos são bastante contraditórias. Por isso eu me reservei de fazer outros comentários, além daqueles que já havia feito. Mas, duas atitudes recentes do clero modernista me fizeram relembrar a questão.
A primeira delas foi a passeata pela liberdade religiosa, que contraria todo ensinamento da Igreja, o qual fala apenas de tolerância religiosa. Será que a CNBB, que apóia essas idéias anti-católicas, poderia suportar um instituto que reza exclusivamente a Missa Tridentina? Apesar de algumas trapalhadas do Pe. Laguerie, tentando justificar a missa nova, a presença do IBP era uma verdadeira “pedra no sapato” dos modernistas ecumênicos.
No entanto, o fato que mais chamou minha atenção, e me fez lembrar da saída do IBP, foram os padres que se meteram a apoiar a candidatura de um partido comunista na disputa pela a prefeitura de São Paulo. Será que um clero capaz de apoiar o comunismo poderia suportar a “ameaça” de uma restauração da Tradição católica?
Vamos relembrar o caso do IBP. Segundo as ridículas explicações do Pe. Laguerie, a Montfort estaria querendo impor sua vontade ao Instituto do Bom Pastor. O prof. Orlando já explicou a posição da Montfort, e já declarou o bom relacionamento que tinha com o Pe. Roch e o diácono Vicent. Devemos lembrar que eram, praticamente, os membros da Montfort que sustentavam o IBP no Brasil. Sendo assim, era natural a proximidade entre as duas instituições.
Mas, suponhamos que fosse verdadeira a tese do Pe. Laguerie. Então, para salvar o IBP das perigosas “garras” do Prof. Orlando, que pretendia dominar o IBP e influenciar toda a Igreja através de seu “terrível plano” (parece mais desenho animado, do estilo Pink e Cérebro!), não bastaria que a diocese de São Paulo passasse a apoiar o IBP? Não seria essa uma solução bastante simples para pôr o IBP a salvo de “tão perigosas influências”? Afinal, quais eram os gastos do instituto? Creio que fosse, principalmente, o aluguel da casa onde ele se encontrava instalado. Alguns outros, certamente, mas que não seriam grandes para manter um padre, um diácono e meia dúzia de candidatos ao seminário. Será a diocese da cidade mais rica do país não teria dinheiro para apoiar o IBP e “salvá-lo” do “maquivélico plano da Montfort”?
Mesmo que fosse verdadeira a acusação do Pe. Laguerie, o que eu não creio, o problema seria facilmente resolvido se houvesse o mínimo de boa vontade por parte do clero paulistano. Se eles estivessem realmente preocupados com a espiritualidade tradicional e com a salvação das almas, certamente haveria formas de ajudar o IBP e fazê-lo não depender da Montfort. O que acontece é que, não somente os modernistas não querem ajudar a Tradição, como até lhe fazem oposição. Afinal de contas, a Tradição católica condena claramente as heresias defendidas pela CNBB & cia. LTDA. Seriam os ecumenistas radicais e os comunistas de sacristia que ajudariam o IBP a restaurar a tradição litúrgica e doutrinal da Igreja? Ou seriam eles os primeiros a combater a Tradição, que condena suas atitudes heréticas?
Para mim, parece bastante claro que não foi a Montfort a responsável pela saída do IBP. É impossível, sem ter maiores informações, dizer exatamente quem teria pressionado a saída do instituto. Mas, se essa tese estiver correta, a pressão certamente partiu de alguém que não poderia suportar a Tradição. Infelizmente, estando o IBP enfraquecido pelas idéias de “paz e amor” que regem os “acordos” com Roma, o instituto teria cedido às pressões. O IBP não era mau, mas era fraco. Em troca de uma “situação canônica”, renuncia-se o bom combate da Fé contra os inimigos que estão dentro da Igreja, como já havia denunciado São Pio X, há mais de um século. Por essa e outras, é que eu estou cada vez mais a favor da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Apoiando a FSSPX, temos a certeza de que não sofreremos a decepção que nos trouxe o IBP. Aliás, a última carta de Dom Fellay deixa claro, ainda mais uma vez, que a FSSPX não fará um acordos práticos, que prejudiquem o heróico combate pela Fé e pela Tradição, mas espera o levantamento da excomunhão. Rezemos todos nessa intenção.