A época da Páscoa é uma ótima oportunidade para conversão. Durante todo o período da Quaresma, fomos chamados à penitência e à reflexão. Alguns, no entanto, aproveitaram este tempo para gerar intrigas contra irmãos na fé, que buscam o bem da Igreja. Eu disse que não iria mais comentar os ataques da Montfort contra a FSSPX para evitar conturbações neste período da Páscoa. No entanto, seguindo um bom conselho de um amigo, vou aproveitar este tempo propício para convidar os fautores da discórdia para repensarem sua atitude. Sem alimentar mais polêmicas, mas tão somente chamando-os para uma reflexão de seus atos.
Vamos relembrar os acontecimentos da última semana, que levaram a confusão ao seu ápice.
Quando o padre Leonardo Holtz decidiu entrar para a FSSPX, houve quem discordasse de sua atitude. O problema é que não somente discordaram, mas também utilizaram a oportunidade para dizer coisas que não eram verdadeiras. Frei Tiago teve uma carta sua publicada no site da Montfort na qual acusava a FSSPX de não estar em comunhão com a Igreja e estar em estado de cisma:
Nada justifica deixar a comunhão da Igreja Católica!
Estes Cismas não colaboram senão para sangrar ainda mais as feridas do Corpo Místico de Cristo.
Mentira. A FSSPX não é cismática. Assim o reconheceu até mesmo o Cardeal Dario Castrillón Hoyos, responsável pela comissão Ecclesia Dei. A FSSPX nunca abandonou a comunhão da Igreja Católica, e somente agiu dentro do estado de necessidade. Somente a absurda “sentença”, decretada pelo prof. Orlando Fedeli, sem ter nenhuma autoridade para isto, é que mantém a posição da Montfort nestes termos. E que eles não cansam de repetir.
Não contente com esta acusação sem fundamento, o artigo publicado pela Montfort ainda chama os membros da FSSPX de hipócritas e os compara com os modernistas, inimigos da Igreja:
pois eles são muito bons para criticar, mas na hora de ajudar mesmo, são tão hipócritas quanto os piores modernistas!
Milhares e milhares de fiéis ao redor de todo o mundo dão um testemunho oposto ao do frei Tiago. Muitos aguardam ansiosos a visita de um padre da FSSPX em missão. Muitos desejariam ter um priorado próximo de sua residência. Como pode este frei ignorar o bem que a FSSPX tem feito a todos estes católicos? E ainda os chamar de hipócritas como os piores modernistas?
Frei Tiago critica a atitude do Pe. Leornardo com base em sua própria experiência. Sem dúvida que frei Tiago enfrentou muitas dificuldades para poder celebrar o rito tridentino. Qualquer padre que o queira sofre as mais injustas perseguições, porque o inferno não pode suportar a verdadeira Missa católica. Agora, frei Tiago vive em um mosteiro, de uma certa forma isolado do clero modernista e podre. O padre Leonardo deveria conviver no meio da arquidicocese com todos os elementos modernistas. Como comparar uma situação com a outra? Se o padre refletiu e decidiu partir para onde seu apostolado teria mais frutos, quem tem o direito de se intrometer em sua vida? Ainda mais acusando-o de ter abandonado a comunhão da Igreja!
Estes mesmo erros sobre a comunhão são várias vezes reafirmados ao longo do artigo (o destaque é do original):
Entretanto não deixo de estar na comunhão com a Igreja!
E tenho certeza de que Deus está com aqueles que, rejeitando toda a profanação e secularismo, lutam pela renovação da Igreja de Cristo sem traí-la, nem abandoná-la, sob qualquer pretexto…
Qualquer um que fosse acusado de algo que não cometeu, buscaria a retratação daquele que proferiu aquilo que não corresponde à verdade. Foi assim que um padre da FSSPX respeitosamente procurou junto ao frei Tiago as explicações sobre sua atitude.
Para espanto geral, a Montfort publicou um artigo no qual o frei declarava estar sendo ameaçado pelo padre. Inclusive declarando temer até agressões físicas! Para corroborar o que diziam, colocaram a foto de um texto impresso, que seria o e-mail enviado pelo padre. O envio do e-mail ameaçador, que aliás não continha nenhuma ameaça de agressão, foi desmentido pelo padre.
O fato é gravíssimo porque, uma história tão surreal como esta, fere a caridade cristã. O mínimo que se esperaria é que se confirmasse o que o padre queria dizer com o e-mail antes de se publicar qualquer coisa na internet. Se fizesse isto, saberia que o padre não era sequer o autor do e-mail.
Em vez de tomar este cuidado, a Montfort logo se apressou em publicar um artigo acusando o padre de crime de ameaça. E, o que eu achei o cúmulo da safadeza, publicaram até a foto do padre no artigo. Tudo faz parecer que o que eles queriam era denegrir ao máximo a imagem do santo sacerdote, que não tinha culpa de nada.
Pois bem, depois de todo este exemplo do que não se deve fazer, não caberia, no mínimo, um pedido de desculpas e uma retratação públicos?
Não houve, até o momento, nenhum pedido de desculpas. O que houve foi a publicação, pela Montfort, de uma artigo onde o frei Tiago repete o erro sobre a condição da FSSPX:
NÃO SE PODE REFORMAR A IGREJA FORA DELA!
Ou seja, frei Tiago continua insinuando que a FSSPX não está na Igreja. Os “argumentos” utilizados são os mesmos que dos neo-conservadores e somente demonstram a superficialidade com que a questão é tratada por eles. Chega mesmo a falar em “sede-vacantismo prático”. Em outra ocasião lhes refutaremos, pois a intenção agora não é entrar em combate apologético às vésperas da Páscoa.
Este último artigo publicado pela Montfort é uma carta aberta a todos os católicos tradicionais, chamando-os a reconciliação e ao respeito. Não acho que, depois de tudo o que disseram e fizeram, a Montfort ainda tenha moral para fazer um pedido destes. Muito menos sem antes se retratar.
Apelemos para o que eles mesmos publicaram. Uma coisa frei Tiago disse que todos sabemos: “a verdadeira causa da crise da Igreja são os próprios pecados do povo cristão!”
Sim, sem dúvida, pois foi isto que Nossa Senhora veio advertir em Fátima. Só que o frei, que ironicamente chamou de “teólogos” entre aspas aqueles que o criticaram, não percebeu a gravidade e o escândalo do pecado cometido por ele e pela Montfort ao atacarem publicamente a imagem de um sacerdote inocente. E sem direito sequer a um pedido de desculpas.
E Nossa Senhora de Fátima também advertiu sobre o perigo de se alterar a Fé, a liturgia e o espírito da Igreja, como disse o cardeal Pacelli, futuro Pio XII. O que está publicado no próprio site da Montfort. E a FSSPX, que luta contra estas mudanças, é acusada de cismática por conta de seu combate contra os inimigos infiltrados na Igreja que promoveram estas mudanças que constituem uma verdadeira traição à Igreja.
Não percebeu o frei que os “teólogos” entre aspas estão em concordância com todas as avertências de Nossa Senhora, desde La Salette até Fátima. E que a posição dos tradicionalistas não contraria o fato de serem nossos pecados a causa da crise atual. Acontece que, se os pecados do povo cristão são a causa formal da crise, o Concílio Vaticano II e a missa nova são a causa instrumental.
E aí que está a contradição de frei Tiago: faz eco aos inimigos da FSSPX que a acusam falsamente de cismática exatamente porque ela combate as causas instrumentais da crise. Mas, ao mesmo tempo, o frei quer combater esta crise.
Vê-se, portanto, que o frei não tinha motivos para chamar de “teólogos” entre aspas aqueles que lutam contra os instrumentos utilizados pelos inimigos da Igreja para propagar a crise atual. Muito pelo contrário, somente combatendo os instrumentos da crise é que podemos superá-la.
Frei Tiago e a Montfort mantêm sua posição equivocada sobre o “cisma” que não existe. Mas, já que reconheceram que o pecado do povo cristão é a causa da crise, poderiam pelo menos se retratar do pecado enorme que cometeram ao atacar publicamente a imagem de um sacerdote inocente. Seria o mínimo de coerência com suas próprias palavras. Fica o convite para que eles aproveitem o tempo Pascal para um exercício de humildade e uma reparação da injustiça que cometeram.