Aproveitando o tempo da Páscoa para o arrependimento

A época da Páscoa é uma ótima oportunidade para conversão. Durante todo o período da Quaresma, fomos chamados à penitência e à reflexão. Alguns, no entanto, aproveitaram este tempo para gerar intrigas contra irmãos na fé, que buscam o bem da Igreja. Eu disse que não iria mais comentar os ataques da Montfort contra a FSSPX para evitar conturbações neste período da Páscoa. No entanto, seguindo um bom conselho de um amigo, vou aproveitar este tempo propício para convidar os fautores da discórdia para repensarem sua atitude. Sem alimentar mais polêmicas, mas tão somente chamando-os para uma reflexão de seus atos.

Vamos relembrar os acontecimentos da última semana, que levaram a confusão ao seu ápice.

Quando o padre Leonardo Holtz decidiu entrar para a FSSPX, houve quem discordasse de sua atitude. O problema é que não somente discordaram, mas também utilizaram a oportunidade para dizer coisas que não eram verdadeiras. Frei Tiago teve uma carta sua publicada no site da Montfort na qual acusava a FSSPX de não estar em comunhão com a Igreja e estar em estado de cisma:

Nada justifica deixar a comunhão da Igreja Católica!

Estes Cismas não colaboram senão para sangrar ainda mais as feridas do Corpo Místico de Cristo.

http://www.montfort.org.br/index.php/blog/noticias-comentarios-analises/ainda-nao-classificado/que-seu-exemplo-nao-seja-seguido-frei-tiago-a-proposito-do-padre-leonardo-holtz/

Mentira. A FSSPX não é cismática. Assim o reconheceu até mesmo o Cardeal Dario Castrillón Hoyos, responsável pela comissão Ecclesia Dei. A FSSPX nunca abandonou a comunhão da Igreja Católica, e somente agiu dentro do estado de necessidade. Somente a absurda “sentença”, decretada pelo prof. Orlando Fedeli, sem ter nenhuma autoridade para isto, é que mantém a posição da Montfort nestes termos. E que eles não cansam de repetir.

Não contente com esta acusação sem fundamento, o artigo publicado pela Montfort ainda chama os membros da FSSPX de hipócritas e os compara com os modernistas, inimigos da Igreja:

pois eles são muito bons para criticar, mas na hora de ajudar mesmo, são tão hipócritas quanto os piores modernistas!

Milhares e milhares de fiéis ao redor de todo o mundo dão um testemunho oposto ao do frei Tiago. Muitos aguardam ansiosos a visita de um padre da FSSPX em missão. Muitos desejariam ter um priorado próximo de sua residência. Como pode este frei ignorar o bem que a FSSPX tem feito a todos estes católicos? E ainda os chamar de hipócritas como os piores modernistas?

Frei Tiago critica a atitude do Pe. Leornardo com base em sua própria experiência. Sem dúvida que frei Tiago enfrentou muitas dificuldades para poder celebrar o rito tridentino. Qualquer padre que o queira sofre as mais injustas perseguições, porque o inferno não pode suportar a verdadeira Missa católica. Agora, frei Tiago vive em um mosteiro, de uma certa forma isolado do clero modernista e podre. O padre Leonardo deveria conviver no meio da arquidicocese com todos os elementos modernistas. Como comparar uma situação com a outra? Se o padre refletiu e decidiu partir para onde seu apostolado teria mais frutos, quem tem o direito de se intrometer em sua vida? Ainda mais acusando-o de ter abandonado a comunhão da Igreja!

Estes mesmo erros sobre a comunhão são várias vezes reafirmados ao longo do artigo (o destaque é do original):

Entretanto não deixo de estar na comunhão com a Igreja!

E tenho certeza de que Deus está com aqueles que, rejeitando toda a profanação e secularismo, lutam pela renovação da Igreja de Cristo sem traí-la, nem abandoná-la, sob qualquer pretexto…

Qualquer um que fosse acusado de algo que não cometeu, buscaria a retratação daquele que proferiu aquilo que não corresponde à verdade. Foi assim que um padre da  FSSPX respeitosamente procurou junto ao frei Tiago as explicações sobre sua atitude.

Para espanto geral, a Montfort publicou um artigo no qual o frei declarava estar sendo ameaçado pelo padre. Inclusive declarando temer até agressões físicas! Para corroborar o que diziam, colocaram a foto de um texto impresso, que seria o e-mail enviado pelo padre. O envio do e-mail ameaçador, que aliás não continha nenhuma ameaça de agressão, foi desmentido pelo padre.

O fato é gravíssimo porque, uma história tão surreal como esta, fere a caridade cristã. O mínimo que se esperaria é que se confirmasse o que o padre queria dizer com o e-mail antes de se publicar qualquer coisa na internet. Se fizesse isto, saberia que o padre não era sequer o autor do e-mail.

Em vez de tomar este cuidado, a Montfort logo se apressou em publicar um artigo acusando o padre de crime de ameaça. E, o que eu achei o cúmulo da safadeza, publicaram até a foto do padre no artigo. Tudo faz parecer que o que eles queriam era denegrir ao máximo a imagem do santo sacerdote, que não tinha culpa de nada.

Pois bem, depois de todo este exemplo do que não se deve fazer, não caberia, no mínimo, um pedido de desculpas e uma retratação públicos?

Não houve, até o momento, nenhum pedido de desculpas. O que houve foi a publicação, pela Montfort, de uma artigo onde o frei Tiago repete o erro sobre a condição da FSSPX:

NÃO SE PODE REFORMAR A IGREJA FORA DELA!

http://www.montfort.org.br/index.php/blog/noticias-comentarios-analises/temas/missa-antiga/carta-aberta-a-todos-os-catolicos-tradicionais

Ou seja, frei Tiago continua insinuando que a FSSPX não está na Igreja. Os “argumentos” utilizados são os mesmos que dos neo-conservadores e somente demonstram a superficialidade com que a questão é tratada por eles.  Chega mesmo a falar em “sede-vacantismo prático”. Em outra ocasião lhes refutaremos, pois a intenção agora não é entrar em combate apologético às vésperas da Páscoa.

Este último artigo publicado pela Montfort é uma carta aberta a todos os católicos tradicionais, chamando-os a reconciliação e ao respeito. Não acho que, depois de tudo o que disseram e fizeram, a Montfort ainda tenha moral para fazer um pedido destes. Muito menos sem antes se retratar.

Apelemos para o que eles mesmos publicaram. Uma coisa frei Tiago disse que todos sabemos: “a verdadeira causa da crise da Igreja são os próprios pecados do povo cristão!”

Sim, sem dúvida, pois foi isto que Nossa Senhora veio advertir em Fátima. Só que o frei, que ironicamente chamou de “teólogos” entre aspas aqueles que o criticaram, não percebeu a gravidade e o escândalo do pecado cometido por ele e pela Montfort ao atacarem publicamente a imagem de um sacerdote inocente. E sem direito sequer a um pedido de desculpas.

E Nossa Senhora de Fátima também advertiu sobre o perigo de se alterar a Fé, a liturgia e o espírito da Igreja, como disse o cardeal Pacelli, futuro Pio XII. O que está publicado no próprio site da Montfort. E a FSSPX, que luta contra estas mudanças, é acusada de cismática por conta de seu combate contra os inimigos infiltrados na Igreja que promoveram estas mudanças que constituem uma  verdadeira traição à Igreja.

Não percebeu o frei que os “teólogos” entre aspas estão em concordância com todas as avertências de Nossa Senhora, desde La Salette até Fátima. E que a posição dos tradicionalistas não contraria o fato de serem nossos pecados a causa da crise atual. Acontece que, se os pecados do povo cristão são a causa formal da crise, o Concílio Vaticano II e a missa nova são a causa instrumental.

E aí que está a contradição de frei Tiago: faz eco aos inimigos da FSSPX que a acusam falsamente de cismática exatamente porque ela combate as causas instrumentais da crise. Mas, ao mesmo tempo, o frei quer combater esta crise.

Vê-se, portanto, que o frei não tinha motivos para chamar de “teólogos” entre aspas aqueles que lutam contra os instrumentos utilizados pelos inimigos da Igreja para propagar a crise atual. Muito pelo contrário, somente combatendo os instrumentos da crise é que podemos superá-la.

Frei Tiago e a Montfort mantêm sua posição equivocada sobre o “cisma” que não existe. Mas, já que reconheceram que o pecado do povo cristão é a causa da crise, poderiam pelo menos se retratar do pecado enorme que cometeram ao atacar publicamente a imagem de um sacerdote inocente. Seria o mínimo de coerência com suas próprias palavras. Fica o convite para que eles aproveitem o tempo Pascal para um exercício de humildade e uma reparação da injustiça que cometeram.

“O melhor site de apologética e ação católicas”

Buscando uma explicação para uma mudança de atitude aparentemente tão inexplicável por parte da Montfort,  que de grande promotora da Tradição passou a combater o maior baluarte desta mesma Tradição, utilizando-se mesmo de um texto de um padre diocesano bi-ritualista, afirmamos em artigos anteriores que foi o orgulho que os moveu a não rever o “veredicto” de seu fundador sobre os tribunais da FSSPX.

Apresentamos agora mais uma clara evidência do orgulho que movia estas pessoas. Podemos ler, no site da dita associação, como os seus projetos eram pautados pela  mais pura humildade cristã:

Vamos construir juntos o melhor site para apologética, formação, informação e ação católicas do Brasil! http://www.montfort.org.br/index.php/sobre-2/

Nada mal o que eles queriam, não é? Queriam apenas ser os melhores do Brasil.

Do Brasil? Mais adiante, após mencionarem que desejariam verter o site para o inglês, o espanhol, o italiano e o francês, eles já querem fazer de seu site o melhor da Web! Leiam o que eles declaram ser sua própria visão:

Fazer do site Montfort a melhor ferramenta disponível na web para apologética e ação católicas.

E como seria o material didático (vídeos e textos) por eles produzidos? Nas palavras que eles mesmos utilizaram, seria de altíssima qualidade

Daí se compreende um pouco o tamanho do ego deles. O que corrobora muito com o diagnóstico de orgulho que lhes foi imputado.

Não podemos deixar de nos lembrar, neste momento, das sábias palavras do Santo Evangelho: “Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado” (Mt 23,12)

O caso não deixa de ser uma lição para todos nós. A cada um Deus concedeu dons, e seremos cobrados pelo que fizermos com eles. Quem recebeu mais talentos será cobrado mais do que aquele que recebeu menos talentos. Mas, por mais que trabalhemos, não devemos nunca perder de vista a humildade. A recompensa, pela misericórdia de Deus, receberemos no Céu. Não importa o quanto o nosso trabalho pareça pequeno e humilde. Importa sim a retidão de intenção com que o fazemos.

Muita retórica, nenhuma lógica

No último artigo de seu site, neste dia 17 de Abril, a Montfort se gabava de que não havia nenhuma resposta séria a seus artigos.  Não observaram eles que os seus próprios artigos não eram coisa séria. Não passaram de meros ataques gratuitos contra a FSSPX. Na realidade, estes ataques ridículos poderiam até ser ignorados, se não fosse pela malícia com que a Montfort manipulou toda a situação. De qualquer forma, não daremos a eles nem a alegria de não serem refutados. Comecemos, portanto, com este artigo, a desfazer a confusão que eles tentaram fazer contra o bom nome da FSSPX.

Em sua insensata e injusta campanha contra a FSSPX, a Montfort abandonou toda a realidade. Logo a Montfort, cujo presidente tanto criticou, com razão, o romantismo, agora publica um artigo que se poderia chamar “onírico”, um verdadeiro mundo de faz de conta. Na tentativa de atacar a FSSPX, pintaram um quadro não segundo a realidade, mas segundo sua fértil imaginação. Olharam para um pássaro e pintaram um boi.

O título do artigo já demonstra a sua alienação: “E o padre se foi…”. Certamente, o padre em questão se foi da arquidiocese do Rio de Janeiro, onde não conseguiu exercer um trabalho proveitoso por estar cercado pelo clero moderno. Mas, segundo se insinuou no infeliz artigo, o padre “se foi” para muito mais longe, para fora da Igreja.

Não! O padre não abandonou a Igreja Católica, fora da qual não há salvação! O padre foi obrigado a sair da arquidiocese porque julgou que não conseguiria exercer com fruto seu trabalho lá. Buscou outro lugar, dentro da Igreja Católica, onde seu trabalho poderia realmente render frutos para salvação das almas. E se o fez, tem idade e experiência suficientes para saber o que faz, e não precisa que ninguém dê opiniões sobre o seu apostolado e sobre como conduzir seu destino espiritual.

Então, se o padre não abandonou a Igreja, por que afirmar o contrário? É que o padre escolheu a FSSPX como o melhor lugar, dentro da Igreja Católica, para exercer seu ministério. E então? Então que a Monftort, que publicou o artigo, teve seu orgulho gravemente ferido pela FSSPX, quando esta não se rebaixou ao “julgamento” pronunciado pelo presidente da dita associação, o falecido Prof. Orlando Fedeli. De fato, o professor havia declarado, sem ter nenhuma autoridade para isto, que a FSSPX havia caído em cisma por conta de seus tribunais para julgamento de nulidades matrimoniais. Roma não se manifestou na questão, mas o leigo professor assumiu sozinho a função que cabe a Igreja e decretou o “cisma” da FSSPX. A dita associação Montfort, mantém até hoje o “veredicto” de seu fundador. Contra todas as provas em contrário.

O mais notável é que a Montfort concordava em quase todos os pontos com a FSSPX: sobre o Concílio Vaticano II, sobre a missa nova, sobre a crise na Igreja, etc. Tinha tudo para apoiar o bom combate da Tradição contra os inimigos modernistas que querem destruir o que podem na Igreja Católica. Só se afastaram dela e, pior, a combateram, baseados no juízo temerário, abusivo e precipitado sobre os tribunais. Mesmo depois que o padre Joël Danjou provou por “a + b” que o professor estava errado, o orgulho ferido não permitiu que a dita associação retomasse o bom combate ao lado da FSSPX, e não contra ela.

Chegamos a uma conclusão interessante: se a Montfort concordava com a FSSPX em todos estes pontos cruciais, discordando apenas dos tribunais, a única razão para não se considerarem também “fora da Igreja”, seria atribuir o “cisma” da FSSPX exclusivamente aos tribunais. Questão sobre a qual a Igreja nunca se manifestou. Logo, esta confusão toda estaria montada sobre o “julgamento” de um leigo, o Prof. Orlando. Que importa que até o Cardeal Castrillón Hoyos tenha dito que a FSSPX não é cismática? Para a Montfort vale mais a palavra de seu leigo fundador do que qualquer outra coisa no mundo.

Por conta deste orgulho ferido, a Montfort leva seu combate contra a FSSPX até hoje. E como não tinham argumentos contra a FSSPX, recorreram à linguagem poética. E, na sua retórica, a imagem que tentaram associar à FSSPX foi a de um castelo.

A metáfora escolhida foi de uma infelicidade sem medidas. Ainda mais que o artigo foi ilustrado com a montagem de uma foto mostrando um castelo nas nuvens. Faltando-lhes palavras inteligentes, foi a este recurso que a Montfort apelou. Comparou a FSSPX a um castelo nas nuvens. Um castelo que, segundo “parece” ao autor do artigo, considerar-se-is até livre de pecado original. De onde ele tirou motivos para fazer esta acusação, o autor não se dá  ao trabalho de mencionar.

Ora, a FSSPX, como toda boa instituição católica, está onde estão os fiéis que buscam a salvação de suas almas. E está de portas abertas. O padre que entrou para a FSSPX não estará isolado em um castelo flutuando nas nuvens. Estará atendendo os fiéis, almas que buscam um oásis no deserto pós-conciliar. Almas que já estavam caídas, abatidas por tantos absurdos, profanações, traições na era pós-conciliar. Pessoas que não conheciam a grandeza da Igreja Católica. Que nunca haviam ouvido a doutrina católica, mas tão somente discursos marxistas ou gritaria da RC”C” ou outras coisas do gênero. Que não recebiam os sacramentos com o decoro que merecem. Que não conheciam a maravilha sublime da Missa Tridentina. Ou, se a conheciam, não podiam assisti-la porque o “senhor bispo” da diocese, em total “coerência” com a “tolerância” pregada pelo idolatrado super-concílio do Vaticano II, não permitia que o padre a celebrasse para o grupo de pessoas que tanto a desejavam.

O padre não estará trancado num castelo nas nuvens, como  falsa e maliciosamente sugeriu o artigo da Montfort. Estará trabalhando para salvar as almas no seu priorado, de portas abertas como a Igreja Católica sempre esteve. E não estará somente no seu priorado, mas viajará para atender pessoas distantes, que de outra maneira não receberiam a visita de um sacerdote legitimamente católico. Ou será  que a Montfort não sabe que a FSSPX faz missões para atender os fiéis distantes dos priorados? É claro que sabem. Então porque se atreveu a publicar um artigo tão mentiroso, insinuando que o padre, ao entrar para a FSSPX, teria se trancando em um castelo nas nuvens? O ódio cega. É a única explicação que podemos encontrar.

É evidente que o padre continua a serviço da Igreja Católica, de portas abertas para os fiéis. A única diferença é que ele não terá de suportar a dura perseguição do clero modernista. Não perderá tempo precioso discutindo inutilmente com quem não quer enxergar a verdade. Vai, pelo contrário, poder se dedicar inteiramente à glória de Deus e à salvação das almas.

Será que a Montfort sabe tudo o que o padre estava sendo obrigado a suportar na arquidiocese? Falar, como o ridículo artigo, que o padre largou a carga-pesada, ou que não quis carregar sua cruz, é fácil. A ridícula acusação da Montfort nos faz lembrar do que Nosso Senhor falou sobre os fariseus: “atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo” (Mt 23,4). Será que a criatura da Montfort que confortavelmente publicava na internet o artigo condenando a atitude do padre conhecia o que se passava com ele? Será que suportaria o que ele suportou? Como é fácil falar…

Com certeza a Montfort conhecia o passado do padre, porque ele esteve no IBP, e teve a oportunidade de lhes contar tudo o que sofrera desde o seminário. Que importa isto para a Montfort? Importa que o padre escolheu a FSSPX, a mesma que não abaixou a cabeça para o autoritarismo da Montfort. Para eles já basta isto: o padre deve ser apedrejado e criticado publicamente! Sua atitude não deve ser seguida, este é o decreto da Montfort, para que todos o saibam! E se discordar deste parecer, esteja fora da Igreja! Mesmo que a autoridade da Igreja não tenha dito isto jamais. Entenderam agora a “lógica” da Montfort?

Se não existisse a FSSPX, talvez poderíamos dizer que o padre tivesse de fazer um esforço heróico para se manter na arquidiocese. Mas a FSSPX existe, assim como existem outros padres que celebram a Missa de Sempre no Rio de Janeiro, de forma que a cidade não ficou desamparada. Ah! Mas um dos padres do Rio de Janeiro é exatamente Dom Lourenço Fleichman, outro “desobediente” que não se curva diante de leigos intrometidos. Melhor mesmo, para a Montfort, não aprofundar muito o assunto. Melhor deixar mesmo em silêncio o fato, como se o Rio de Janeiro estivesse totalmente desamparado de Missas Tridentinas.

Os fiéis podem recorrer a estes padres. E muitos outros recorreriam, se não fossem as difamações que são feitas contra a FSSPX e os que pensam como ela e não se curvam diante dos prelados modernistas. São estas difamações, para as quais a Montfort agora contribui largamente, é que deixam alguns fiéis assustados e confusos e os afastam daquela fraternidade que poderia lhes dar tudo o que procuram e não encontram nas suas paróquias. Atitudes como a da Montfort somente atrapalham o bom combate da Tradição e mantêm as pessoas na dúvida e na confusão.

O ridículo artigo continua sua tarefa de desinformação. Insiste na metáfora do castelo: “Pois bem, no Castelo se encontra o Padre.” E  acrescenta, com cinismo: “Um padre privado.” Como assim um padre “privado”? No priorado para onde ele for o padre não atenderá os fiéis da mesmíssima maneira que atenderia em qualquer paróquia? Então, que estória é esta de “padre privado”? Privado, mas de senso de ridículo, é sim o autor do artigo cheio de retórica.

Não satisfeito com toda a meleca que já fez até aqui, o autor do infeliz artigo lança alguns slogans. O preferido deles é “Viva o papa!”. Como se os pentecostais também não fossem capazes de escrever coisas do tipo “Deus é dez” ou “Sou 100% de Jesus”.

Que importa o falar? Importante é crer e agir de acordo com os ensinamentos de nossa santa religião. Do que adianta gritar “viva o papa!” e difamar o outro grupo? De que adianta gritar isto se o papa comete erros enquanto ser humano e eles, como filhos, teriam obrigação de dirigir-lhe humilde e filialmente os pedidos de correção e não o fazem? Parecem-se com o empregado “puxa-saco” que elogia até os erros do patrão. E isto não tem nada de católico, por mais slogans que eles possam repetir.

Que baixaria! Nunca esperaria na vida que a Montfort se prestaria a um papel ridículo destes, chegando até a acusar a FSSPX de sede-vacantista, o que sabem muito bem que ela não é. Movidos pelo orgulho, a Montfort perdeu a razão.

E ainda acusam o “castelo” de crescer para cima, como a torre de Babel. Não! Ora, crescer para cima… mero recurso de retórica! Quem não percebe isto? O “castelo” não cresce para cima, não está plantando nas nuvens. Na realidade, os priorados, de portas abertas para acolher os fiéis, crescem sim para ocupar o terreno que os modernistas tornaram árido. Neste terreno eles criam oásis ondem os fiéis podem saciar sua sede da boa doutrina, de sacramentos dignos e da Santa Missa Tridentina. Sem medo de serem perseguidos por bispos modernistas. Sem medo de, a qualquer momento e sem aviso prévio, serem abandonados como foram os fiéis que freqüentavam o IBP em São Paulo. A FSSPX cresce para o bem da Igreja, e para maior raiva dos derrotados da Montfort, que não a conseguiram amordaçar.

O ranço fica ainda mais evidente quando o tal “castelo” é acusado de não estar fincado na Rocha. Ou, traduzindo a metáfora, para a Montfort, a FSSPX não estaria na Igreja Católica. Ora, quanta pretensão a deste grupelho, que pela voz de um padre que assina o artigo, quer declarar uma sentença tão grave. Propagam, assim, a mesma mentira que os piores inimigos da Igreja, que não suportam uma obra católica dando bons frutos. Tudo porque se agarraram ao “veredicto” de seu leigo fundador, que jamais teve autoridade para proferir tal julgamento.

E ainda deixam escapar o seu desejo, o de que o “castelo” desmorone. Ora, o que desmoronou mesmo, com os últimos acontecimentos, foi a reputação da Montfort. Aliás, com toda esta baixaria, eles somente conseguiram jogar na lama um nome que custou tanto trabalho para construir. Triste, mas este é o fim do orgulhosos e prepotentes.

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PS: nem tudo o que eles disseram foi refutado, mas o que foi escrito já é suficiente. O resto fica para uma próxima oportunidade.

Corruptio optimi pessima

A corrupção do ótimo é péssima, diz a máxima. E como o católico não tem direito de se calar ante aquilo que é péssimo, especialmente para nossa santa religião, sou obrigado a entrar na disputa fratricida que está ocorrendo. Não me agrada nem um pouco ter que fazer isso, tentei mesmo adiar o máximo possível, mas agora já seria covardia calar. Nunca escondi minha admiração pelo Prof. Orlando Fedeli, e nem minha gratidão por todo o bem que me fez e por tudo o que aprendi com ele através da internet. Mas, neste momento em que a Associação Cultural Montfort se lança com todas as forças numa campanha injusta, desleal e abjeta contra a FSSPX, serei obrigado a combatê-los.

Com certeza este tipo de disputa somente tem a agradar os inimigos da Igreja, e o inimigo de nossas almas. Mas, se o orgulho luciferino se apoderou dos dirigentes da Montfort, e se estes se lançam cegamente a escrever uma série de artigos difamando, levantando juízos temerários, insuflando os católicos contra o maior baluarte que temos atualmente contra o modernismo, não existe outro caminho senão combatê-los. Eu tinha muitos outros assuntos a tratar, com tempo escasso para tudo o que queria, mas me vejo na obrigação de parar tudo o que estava fazendo para alertar sobre o veneno da Montfort. Não sei quantos artigos serão necessários, mas vou até o fim para desmascarar a atitude deste grupo que está afundando o bom combate da Tradição.

O lema da Monftort, “faça de sua alma uma espada”, depois desta campanha difamatória contra a FSSPX bem poderia ser mudado para “faça de sua alma uma espada… e de sua língua uma víbora peçonhenta”. Para que o caro leitor tenha uma idéia, apenas uma prévia noção, do quão desonestos e diabólicos são os métodos empregados pela Montfort, aconselho a leitura da resposta dada pelo Sidney Silveira a uma mentira difamatória contada contra ele por uma senhora da Montfort. Fato este que é extremamente revelador dos métodos empregados pela dita associação de leigos, capaz de levantar uma acusação grave sobre articulações que teriam sido promovidas por outra pessoa sem nem ter contato com ela, e sem prova alguma do fato. Aliás, a pessoa difamada vive no Rio de Janeiro, e os difamadores em São Paulo. Toda esta distância não foi suficiente para que a acusação fosse colocada em termos categóricos, como se se tratasse de uma testemunha visual dos fatos. E, pior, depois de ter sido desmascarada, a senhora não voltou atrás, senão colocou a culpa no difamado! Da leitura deste artigo se pode ter uma idéia dos métodos nada cristãos empregados pela Montfort.

O uso de mentiras e de difamações não se justifica jamais. Quem faz isto é o desesperado, o derrotado, o fraco que já não se sustenta na Verdade, mas quer confiar nas suas próprias forças. Já não estamos mais diante da Montfort de sempre, infelizmente. Já bem poderíamos chamá-la de Montfaible, porque o mentiroso é um fraco, um derrotado. Mas, ainda que já estejam derrotados por sua própria atitude, é necessário que os inocentes sejam alertados para não serem vítimas de seu veneno.

Eles, os dirigentes da Montfort e seus comparsas, se fazem de vítimas, chegam a escrever que temem até agressões físicas! Não se preocupem, é com palavras que serão derrotados. Elas são mais do que suficientes para desmascarar os mentirosos.

E por que a Montfort estaria se utilizando de expedientes tão anti-católicos, tão abjetos? Justificativa não existe, mas o começo da história, que nos permite entender a situção, é simples. Eles são orgulhosos, não querem admitir que o Prof. Orlando cometeu um erro grave ao sentenciar, não se sabe com que autoridade, que a FSSPX teria caído em cisma ao estabelecer os tribunais para julgamento de nulidades matrimoniais. A polêmica se estendeu até a resposta do padre Joël Danjou, à qual não foi dada nenhuma resposta acadêmica pela Montfort, e nem poderia ser, pois desmascara os erros  do Prof. Orlando Fedeli e a pretensão de autoridade que ele não tinha nesta matéria. Recomendamos vivamente a leitura da resposta do referido padre. A descoberta deste fato foi exatamente o que me fez deixar de apoiar a Montfort e passar a apoiar a FSSPX, porque o meu único compromisso é com a Verdade. Tentei, por ingenuidade, continuar acreditando na boa-fé da Montfort, e que eles pudessem enxergar o grave erro que estavam cometendo. Mas, no nível a que chegaram as suas ofensas contra a FSSPX, já não é mais possível ficar calado, é hora de combatê-los. É à Igreja Católica que eu quero servir, e não a um grupo de orgulhosos. Estou do lado de quem trabalha incondicionalmente pela Igreja, sem se preocupar com difamações, com acusações falsas de desobediência, de “cismas” que nunca existiram, etc.

Que proveitos poderiam ser tirados deste combate? Primeiro, preservar o bom nome do maior baluarte da Fé católica em nossos dias, que é FSSPX. Ela não é o único, mas é o maior. Todos os católicos, um dia que a crise tenha passado, ainda agradecerão a Mons. Lefebvre e à FSSPX por não ter abandonado o combate.

O segundo proveito seria demonstar mais uma vez, se ainda o fosse necessário, que buscar “soluções” para a crise atual que não sejam a de total resistência aos inimigos da Igreja é trabalho feito para estes mesmos inimigos. A Montfort, para fomentar sua “rixa” contra a FSSPX, depositou suas confianças no IBP, um instituto que fez acordos práticos, submetendo-se às autoridades modernistas. Uma verdadeira propaganda ufanista sobre o IBP foi levada a cabo pela Montfort. Parecia até que eles iriam criticar o Concílio Vaticano II e a missa nova com a mesma, ou talvez melhor, eficiência que a FSSPX. A Montfort levou um balde de água fria quando o IBP abandonou o Brasil e, que ironia!, saíram colocando a culpa na própria Montfort. Mas não aprenderam a lição. O orgulho lhes impede de enxergar que o combate da FSSPX, e o de alguns outros grupos menores, é o único realmente eficaz. Eles precisam, então, encontrar “chifre em cabeça de cavalo”, e a entrada do Pe. Leonardo Holzt para a FSSPX tem sido, nestes últimos dias o motivo que eles encontraram para atacar a FSSPX. Nos próximos artigos, vou tentar demonstrar como esta atitude da Montfort de querer encontrar apoio entre os acordistas, a fim de poderem alimentar sua rixa contra a FSSPX, tem levado esta associação cada vez mais para o abismo.

Ainda que seja apenas a posição de um leigo, e que eu fale apenas por mim mesmo, convido os católicos tradicionais a refletirem sobre o que escrevi e o que vou escrever, porque apoiar um associação que está atrapalhando todo o combate da Tradição é uma falta grave que nós não podemos cometer.