Cidade eterna, promessas passageiras.

Existem algumas pessoas que se encantam diante das promessas que estão sendo feitas atualmente à FSSPX. No entanto, o histórico das promessas feitas pelo Vaticano aos tradicionalistas e não cumpridas já é bastante longo.

No já distante ano de 2001, Dom Lourenço Fleichman, testemunha de todos estes fatos, escreveu com detalhes a história da queda da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP) e de outros grupos menores esmagados pela ditadura dos defensores do concílio. Para quem ainda não conhece a história de tropeços e quedas daqueles que se entregaram à Ecclesia Dei, aconselho vivamente a leitura do relato de Dom Lourenço:

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Que tipo de guerra está sendo movida contra nós?

Qualquer pessoa que não esteja desprovida do uso da razão é capaz de perceber que existe uma verdadeira guerra sendo travada contra os católicos tradicionais. Podemos nos perguntar, especificamente, que tipo de guerra é esta?

Os idólatras do concílio Vaticano II querem nos silenciar a todo custo. Os modernistas querem exterminar qualquer forma de reação contra os erros que eles espalham. O objetivo deles não é menos do que a aniquilação de toda a resistência católica contra a heresia.

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Sobre o mau uso da expressão “Tradição Viva”

Desculpem-me pela demora, eu pretendia ter retornado mais cedo. Os deveres de estado, porém,  tomaram-me um tempo considerável nas últimas semanas. Como disse no último artigo, é necessário, mais do nunca, estarmos preparados para enfrentar os questionamentos daqueles que desconhecem a Tradição Católica, ou mesmo as furiosas investidas dos inimigos empedernidos que não suportam a restauração da Tradição.

Algumas questões, para quem conhece a Tradição, são muito claras. Mas, devido às maquinações modernistas, conceitos simples acabam por se tornar perigosas armadilhas para os incautos. Aparentemente, muitos repetem os slogans modernistas com ingenuidade pueril, sem serem capazes de distinguir como eles são opostos à doutrina católica. Estas pessoas são os famosos inocentes úteis que, apenas por terem ouvido tal ou qual expressão da boca de um clérigo, põem-se a repeti-la como se doutrina católica fosse. Se antes confrontassem o que dizem muitos clérigos atuais, inclusive altos prelados, com o que a Igreja sempre ensinou, verificariam a heterodoxia dos mesmos e não lhes auxiliariam na sua encarniçada luta, desde dentro, contra a Igreja Católica. Exemplo muito corrente desta manipulação é a expressão Tradição Viva, que é freqüentemente interpretada pelos modernistas de maneira a inverter sua signficação católica. Continue lendo

A história se repete? A “obstinação” dos católicos contra o Arianismo e o Modernismo

Hilaire Belloc continua sendo um autor atualíssimo. Mesmo falecido há mais de meio século, as perspectivas que ele traçou para o futuro chamam a atenção pela sua exatidão.

Em seu livro “As grandes heresias”, escrito em 1938, muito antes, portanto, da crise causada pelo Vaticano II e pela missa nova, e ainda mais distante de nossa época, ele descrevia a tentavia ariana de chegar a uma solução de compromisso. As semelhanças entre os fatos ocorridos no século IV e os que estão ocorrendo agora, em pleno século XXI, são imensas. Afinal de contas, o que mais pode querer o herege, o de ontem assim como o de hoje, do que ocultar a sua incoerência atrás de uma máscara de pacifismo e de soluções “de compromisso”? Vamos ao texto:

Mas muitos arianos estavam preparados para negociar, aceitando a mera palavra e negando o espírito no qual ela devia ser lida. Eles estavam dispostos a admitir que Cristo era feito da mesma essência divina, mas não era totalmente Deus; não incriado. Quando os arianos começaram essa nova política de negociação verbal, o imperador Constantino e seus sucessores consideraram essa política uma honesta oportunidade de reconciliação e reunião. O repúdio dos católicos a essa trapaça se tornou, aos olhos daqueles que pensavam assim, mera obstinação; e aos olhos do imperador, rebelião sectária e indesculpável desobediência. “Aqui estão vocês, que se consideram os únicos católicos verdadeiros, prolongando desnecessariamente e tornando amarga uma luta sectária. Porque vocês têm nomes populares ao seu lado, se sentem mestres de seus semelhantes. Tal arrogância é intolerável. O outro lado aceitou sua principal demanda; por que não acabam com a discussão e, de novo, se unem? Resistindo, dividem a sociedade em duas partes; perturbam a paz do Império e se tornam tão criminosos quanto fanáticos.” Isso é o que o mundo oficial tendia a formular e honestamente acreditar.

Os católicos responderam: “Os hereges não aceitaram nossa principal demanda. Eles subscreveram uma frase ortodoxa, mas a interpretaram de um modo herético. Eles repetem que Nosso Senhor tem uma natureza divina, mas não que Ele seja totalmente Deus, pois eles ainda dizem que Ele foi criado. Portanto, não os permitiremos em nossa comunhão. Fazer isso seria por em perigo o príncipio vital pelo qual a Igreja existe, o princípio da Encarnação, e a Igreja é essencial para o Império e para a humanidade.”

Neste ponto, entrou na batalha aquela força pessoal que finalmente tornou o catolicismo vitorioso: Santo Atanásio.

BELLOC, Hilaire; As grandes heresias; Ed. Permanência; Rio de Janeiro; 2009; pg 37

Hoje, quando ouvimos alguns “moderados” propondo soluções “pacíficas”; assinando compromissos práticos que ignoram a raiz do problema; abandonando o combate em troca de uma assim chamada “plena comunhão”; querendo apaziguar os ânimos através de elogios a ambas “formas” da Missa; propondo até mesmo que estas duas “formas” da Missa se enriqueçam mutuamente; silenciando os graves defeitos da missa nova, apontados desde o início – e antes mesmo que ele fosse posta em prática – pelo cardeal Ottaviani; colocando toda a culpa dos erros do Vaticano II apenas em sua incorreta interpretação, como se sua letra já não fosse terrivelmente defeituosa e ocultando o fato de que aqueles que interpretaram o concílio foram os mesmos que o escreveram; dissimulando o fato de que o Terceiro Segredo de Fátima não foi completamente revelado; enfim, querendo convencer que, no meio da tempestade, devemos agir como se estivéssemos na calmaria; ou, que entre os piores e mais encarniçados inimigos da Igreja, devemos nos comportar como se estivéssemos entre amigos, então como não nos soam familiares as palavras de Hilaire Belloc sobre a estratégia ariana! Muito bem poderiam ser aplicadas para a situação que estamos vivendo neste início do terceiro milênio.

Os católicos d’outrora não aceitaram um compromisso que pusesse em risco a integridade da Fé, uma vez que a heresia ariana negava o dogma da divindade de Cristo. A negação de um único dogma já é algo gravíssimo, suficiente para preciptar no inferno as almas que a esta heresia aderirem. O que dizer então, hoje em dia, da heresia modernista que não somente nega um ou outro dogma, como põe abaixo todo o edifício de nossa santa religião, ao negar toda a imutabilidade dos dogmas? Como podemos aceitar qualquer compromisso com aqueles que se dizem católicos mas que crêem na bondade e veracidade de todas as crenças? Que acreditam que possa haver salvação fora da Igreja? Que não crêem na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Comunhão? Que apóiam políticos comunistas? Que não levantam a voz contra o horrendo crime do aborto? Que não defendem a família e os valores mais preciosos de nossa civilização?

Como podemos nos comportar como se nada estivesse acontecendo, se o clero está profundamente corrompido? Se as “cloacas de impureza”, como disse Nossa Senhora em La Salette, em vez de zelar pela honra e glória de Nosso Deus, cometem os mais horríveis sacrilégios e profanam a Santa Missa? Se os semões destes padres modernos estão repletos de heresias e irreverências? Se os digníssimos bispos inventam todo tipo de desculpas para impedir que os fiéis tenham acesso à Santa Missa Tridentina? Se este clero se recusa a usar a batina, testemunho visível de seu sacerdócio?

O que podem fazer os hereges modernistas contra nós quando não aceitamos suas trapaças mal-disfarçadas como propostas de paz? O de sempre: insultar e difamar. E não era isto o que faziam os arianos contra os católicos coevos? As acusações feitas contra os católicos de então eram exatamente as mesmas que se fazem contra os católicos tradicionais de hoje.

O script do filme “Modernismo” é muitíssimo semelhante ao do filme “Arianismo,” praticamente um plágio: Os hereges causam todo o mal à Igreja, mas são energicamente combatidos. Propõem soluções “pacificadoras” que, no fundo, servem apenas para camuflar seus erros. Os católicos, obviamente, não aceitam esta solução que põe em risco a Fé. O que fazem os hereges? Claro, acusam os católicos de perturbar a paz e de destruir a “comunhão”.

Por isso, ouvimos hoje termos como a tal da “plena comunhão” e as mais absurdas acusações contra quem não abandona a integridade da Fé. Hoje, como ontem, a nossa obrigação é permanecer firme, por mais acusações que os “moderados” façam contra nós. Quando a Fé está em perigo, não há meio termo. Porque, em tais casos, não há “moderados”, mas sim “mornos”, aos quais Deus vomitará (Ap 3,15).

Não queremos nós a unidade? Sim, claro que queremos. Mas não pode haver unidade senão na Verdade, como muito bem ensinou Sua Santidade Pio XI, em sua memorável Mortalium Animos.

Os católicos de ontem cumpriram sua obrigação e não cederam ao erro, nem se deixaram enganar por falsas promessas de paz. Não aceitaram compromissos práticos que os afastassem do bom combate da Tradição. A nós, que nos cabe senão seguir os heróicos passos daqueles que nos precederam na defesa de nossa santa e amada religião?

Quando as piadas de Joãozinho perdem a graça

Existem algumas piadas de Joãozinho muito engraçadas. Na escola é onde mais apronta. Sua ingenuidade sempre conduz a situações hilárias.

No entanto, quando o Joãozinho em questão não é mais o da ficção, mais sim o Pe Joãozinho, a piada perde a graça. Este senhor está atirando lama no nome da Igreja.

Começou com uma defesa equivocada de seu amigo, Pe Fábio de Melo, a respeito da presença real de Cristo na Eucaristia. Complicou-se tanto na disputa com o Prof. Orlando Fedeli, que teve de abandoná-la. Mui corajosamente, tornou a mencionar o Prof. Orlando… logo depois que ele faleceu! Não respeitou nem o luto nem a memória do professor.

Rebatido, tentou colocar seu diploma de doutor no lugar dos argumentos. Na Idade Média, quando a Luz do Evangelho iluminava mais intensamente as inteligências do que em nossos dias de trevas, somente conseguia se tornar mestre aquele que era capaz de debater e de provar que conhecia realmente o assunto, respondendo a todas as objeções que lhe fossem feitas. E um bom mestre não fugia de uma disputa – eram famosas as disputationes medievais. Hoje, em uma inversão de valores, há doutores que querem usar o título para fugir do debate, mandando um “cala a boca” a todos os que não tem a mesma folha de papel – diploma – que ele.

E depois ele vem citar alguém que concorda com ele, doutor também, claro. Até o fim da Montfort ele chegou a propor. Exemplo do ecumenismo liiindo que o modernismo defende.

Quando estava aparentando que toda a discussão estaria sendo retomada, o que acontece? São apagados, no blog de Pe Joãozinho, todos os artigos relativos ao assunto. Sem explicação alguma.

Este artigo não acrescenta nada ao que os outros blogs já têm denunciado. É apenas a demonstração do meu protesto contra a atitude nada católica de Pe Joãozinho e do que ele está fazendo com o nome da Igreja. Mas, já comecei a assistir os vídeos dele na internet a fim de refutar-lhe. Creio que ele não dará atenção para alguém que não tem doutorado, mas o objetivo é demonstrar para o povo católico o quanto certos padres ensinam exatamente o contrário da doutrina católica. Eu tinha em vista outros temas mais interessantes – tenho lido muito, ultimamente – mas, para não deixar este senhor zombar impune do saudoso Prof. Orlando, vou me unir aos que já estão combatendo o doutor que não gosta de debater com não-doutores.

Respirar pelos dois pulmões?

João Paulo II costumava dizer que, por causa do cisma das igrejas orientais, a Igreja estaria respirando por um só pulmão e que, a fim de voltar a respirar pelos dois, seria mister a comunhão entre as igrejas do Ociente e do Oriente (por exemplo, Ut unum sint, 54, e Redemptoris Mater, 34). Agora, nós nos perguntamos: tal comparação é justa?

A metáfora traz escondida um erro contra a Fé: como não há diferença entre os dois pulmões de um ser, dizer que a Igreja tem dois pulmões, um sendo a Igreja do Oriente e outro a Igreja do Ocidente, é igualar todas as Igrejas. Sabemos, pela sã doutrina, que a Igreja de Roma, por ser a Sé do Sumo Pontífice, sucessor de São Pedro e príncipe dos Apóstolos, é a cabeça de toda a Igreja Universal.

Com muita propriedade, Cristo Nosso Senhor, disse que Ele era a videira e nós, os ramos. Por analogia, o Seu sucessor legítimo, o Santo Padre, é o tronco ao qual todos devemos estar ligados para pertencermos a Cristo. Quem se desliga voluntariamente do Papa e, assim, da Igreja de Roma, é como o galho que se separa do tronco. A árvore permanece em seu pleno vigor, mas o galho lascado seca e morre. Assim, não somente o indivíduo, mas todo grupo que se separa de Roma, é um galho separado da árvore. Esta metáfora significa algo muito diferente do que aquela dos dois pulmões. As palavras de Sua Santidade, o Papa Bonifácio VIII, de venerabilíssima memória, em sua bula Unam Sanctam só vêm confirmar o que afirmamos: “Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice.”

Não quer dizer que não sentimos profundo pesar pela divisão das igrejas orientais cismáticas. Certamente que queremos não somente a salvação de cada um dos que pertencem a tais igrejas como também a plena incorporação das mesmas na Igreja Católica, tal como já ocorre com as igrejas orientais que retornaram do cisma ao longo da história. Eu, pessoalmente, sou grande admirador da cultura oriental, de sua liturgia, de sua arquitetura, etc. Lembro-me do quanto fiquei encantado com a catedral de São Basílio desde a primeira vez que a vi. Que maravilhoso seria assistir a Divina Liturgia, nessa esplêndida catedral, no coração de Moscou, e em comunhão com Roma!

Todos os óbvios benefícios da comunhão de todas as igrejas que hoje estão no cisma não podem, porém, justificar que se lhes compare a um dos pulmões da Igreja de Cristo. A Igreja de Cristo é a Igreja Católica. A instituição que Nosso Senhor fundou com a finalidade de conduzir os homens à salvação eterna não é um doente, que passou metade da sua história bimelenar gravemente debilitada, respirando por um único pulmão. Ainda que seja doloroso todo cisma entre os cristãos, a Igreja de Cristo continua em pleno vigor, não subsistindo, mas sim se identificando plenamente com a Igreja Católica.

A metáfora dos dois pulmões, usada por João Paulo II, parece bem ser uma interpretação equivocada das palavras ambíguas do malfadado concílio: “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”. Não! A Igreja de Cristo não subsiste, ela é a Igreja Católica, e não é um doente grave. É a força motriz benfazeja de toda a história. Ainda que, depois do Vaticano II, Ela esteja como uma árvore balançada por uma terrível tempestade, nem por isso deixa de ser forte e exuberante. Aliás, é por ter resistido a todas as tempestades, inclusive a atual, que podemos concluir o quanto Ela é forte e saudável e, mais do que isso, um instituição verdadeiramente divina. Nem a mais infâme das traições, promovida pelo clero liberal infiltrado n’Ela há tanto tempo, nem depois do golpe de estado chamado Vaticano II, nem depois da missa nova protestantizada, nem depois das conferências episcopais rebeldes ao Papa, nem depois de tantas cloacas de impureza destruindo a fé do povo, nem assim Ela sucumbiu. Longe de ser um doente que respira por um único pulmão, a Igreja é um gigante. Embora esteja como que sob ruínas, Ela está viva, pronta para se reerguer, como já o está fazendo sob Sua Santidade, Bento XVI. Embora atacada por todos os lados, pela covardia dos filhos das trevas, Ela está pujante e combativa. E assim permanecerá forte, por mais perseguida e combatida que seja. Se os galhos mais fracos caem da árvore com as tempestades, ela permanece em pé, porque quem a sustenta é o próprio Deus.

Os perversos odeiam e temem a Igreja Católica

Os maus tanto odeiam quanto temem a Igreja Católica. O nome do católico nunca é bem recebido pelo perverso (os destaques são meus):

Não obstante, o comandante-chefe sabia que, como monarquista, que cultivava velhos laços com o príncipe-herdeiro da Baviera e, como cristão praticante, seu candidato não era admirador de Hitler e de seu regime.(…)

Qualquer que seja a verdade, Himmler certamente conhecia a hostilidade de Halder para com o Partido e avisou a Hitler que ele não tinha experiência de combate e que era conhecido no Exército como o “general da Mãe de Deus“. Esse apelido, baseado na opinião errônea de que todos os bávaros eram católicos, pode ter preocupado um pouco Hitler. Ao contrário da Igrejas Evangélicas, a Igreja de Roma adotara uma atitude reservada em relação ao movimento nazista, e seus membros eram ainda considerados como alemães de lealdade dividida entre Berlim e Roma. De modo que, quando ouviu dizer que von Brauchitsch escolhera esse general bávaro e cristão para praticante como sucessor de Beck, Hitler imediatamente perguntou: “Ele é católico?”

Na verdade, ele era protestante (…)

BARNNETT, Corelli [org]; Os generais de Hitler; Jorge Zahar Editor; Rio de Janeiro, 1990, pag 118 e 119.

(Haveria mais de um assunto a ser discutido a partir do texto citado, mas este artigo vai se concentrar apenas sobre um deles, deixando vaga para outros artigos futuros.)

“Ele é católico?”, perguntou Hitler com preocupação. Assim se deveria fazer temer entre todos os perversos o nome do católico. De forma alguma se deve confundir religião com um pacifismo hipócrita, que tudo aceita e nada condena. Pelo contrário! O homem verdadeiramente religioso deve ser tanto amado pelos inocentes quanto temido pelos criminosos. Se os maus não se incomodam com um determinado católico, é porque este não é bom católico.

É certo que o católico pode fazer aos perversos o maior bem de que necessita: provocar sua conversão. Afinal, devemos amar até aos nossos inimigos e buscar sua salvação. No entanto, como os maus muitas vezes estão aferrados a seus pecados e, por mais que sejam admoestados, não os abandonam, é justo que lhes impeçamos de praticá-lo. E se, por vezes, isto estiver além de nossas forças, o bom exemplo sempre estará dentro de nosso alcance.

Não é algo semelhante o que se lê nas Sagradas Escrituras?

“Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o seu sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5,13-16)

A presença do bom católico sempre haverá de incomodar os maus, mesmo quando não possa fazer nada mais do que dar o bom exemplo e exortar com suas palavras. A inocência do justo é insuportável para o criminoso. A memória dos santos é aprazível para quem ama a Deus, mas deixa em ebulição a consciência do perverso. A correção de atitudes sempre será um empecilho para os maus que sabem não poder encontrar no bom católico jamais um cúmplice para seus crimes. E, se o bom católico tiver poder temporal em suas mãos, será barreira certa contra toda iniqüidade.

Os acontecimentos presentes, com toda a campanha contra o Papa Bento XVI, não é exemplo claro disto? Os maus católicos podem ser louvados pela imprensa, mas basta que alguém se levante em defesa da Fé Católica para se tornar alvo de perseguições atrozes.

Lembramo-nos das palavras do Gênesis: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela” (Gen 3,15). De fato, se a Igreja faz as pazes com o “mundo”, ela não cumpre sua missão. Se cumpre sua missão, é odiada pelo “mundo”. Quem quer viver nas trevas jamais poderá amar a luz. Cristo, Luz do mundo, e sua Santa Igreja Católica sempre serão odiados por aqueles que escolheram o caminho do mal e nele perserveram. Os maus indagar-se-ão sempre, com os dentes a ranger: “Ele é católico? Quem me dera não o fosse…”

Daí se percebe a irracionalidade da proposta do Vaticano II em se conciliar a Igreja com o “mundo”, especialmente este mundo moderno, nascido da diabólica revolução, e tantas vezes condenado  com veemência pelos Papas pré-conciliares. Tentou-se concliar a Luz e as trevas, e o desastre resultante só não o vê quem não quer.

A Igreja Católica sempre foi e sempre será perseguida pelos inimigos de Cristo. Por quê? Se ainda nos restam dúvidas, podemos recorrer ao Catecismo, esta indispensável fonte de ensinamentos para o cristão, para recebermos, das solícitas mãos de São Pio X, a resposta para esta questão:

177. Por que é a Igreja Católica tão perseguida?

A Igreja Católica é tão perseguida porque assim foi também perseguido o seu Divino Fundador, e porque reprova os vícios, combate as paixões e condena todas as injustiças e todos os erros.

Ao contrário dos adocicados padres modernos, que encontram desculpas para todos os erros e todos os pecados, São Pio X nos ensina com clareza meridiana que a Igreja os combate e, por o fazer, é odiada pelos maus.

Muitos católicos modernos, atordoados pela propaganda modernista e ecumênica, ou movidos pelo hedonismo e pelo comodismo, julgam-se bons religiosos ao buscar a paz com todos a qualquer custo. A paz deve ser buscada, sem dúvida, mas nunca com o sacrifício dos valores mais altos, especialmente da Fé. O que os modernistas propõem não se pode chamar de paz, senão de rendição incondicional. Algo totalmente indigno de um católico.

Voltemos ao texto do Catecismo e pensemos na situação atual. Se a Igreja Católica aceitasse os vícios, permitesse o livre curso de todas as paixões desenfreadas, não denunciasse os erros, seria ela perseguida? Se a Igreja se calasse diante do horrível crime do aborto, seria Ela escarnecida? Certamente não, poderia ser até exaltada pela mídia.

Mas, como a Igreja não troca a inefável amizade com Cristo, seu Divino Fundador, por um vão louvor da mídia anti-cristã, então nunca lhe faltarão as perseguições. Nunca lhe faltarão as calúnias, nem as reportagens tendenciosas. Nunca haverá paz entre a Igreja e o “mundo”. Mas também nunca lhe faltará o consolo e o auxílio que vêm do alto dos Céus.

Os maus perguntar-se-ão preocupados: “são católicos?”, e lamentar-se-ão com a resposta afirmativa, porque sabem que o bom católico jamais se conforma com o mal e a injustiça.

Quanto a nós, que desejamos ser dignos do nome de católicos, devemos bradar, apesar de todos  os perigos: À batalha, sempre, com espírito de Cruzados! Que Deus e a Virgem Santíssima nos dêem coragem para enfrentarmos Seus inimigos.

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O meu artigo termina no parágrafo anterior. Esta “nota de rodapé” é somente para me precaver contra os mal-intencionados que lêem este blog e deixam comentários absurdos, sem nenhum sentido. O conteúdo desta nota é tão ridículo que eu me recuso a considerá-lo como parte do artigo.

Pois bem, eu afirmei que o católico não aceita o mal e o combate com energia. Absolutamente desnecessário seria acrescentar, se somente tratássemos com pessoas sérias, de que não se combate o mal através do mal. Os fins não justificam os meios. Não é por meios ilícitos que se defende uma causa lícita. Não venham portanto, atribuir a mim palavras que eu não disse.

Causa-me até vergonha escrever uma nota destas, mas certos comentários que recebo dão a impressão de que a internet se expandiu tanto que chegou até aos hospícios.

Padre Leonel Franca era “rad-trad”?

O brilhante apologeta católico, Padre Leonel Franca, SJ, enquanto argumentava que a existência de maus católicos não destrói a santidade da Igreja, escrevia estas palavras (os destaques são nossos):

Seus membros [da Igreja] não foram nem são todos santos: são homens. Desdobrai as páginas da sua história. Podereis apontar épocas funestas em que os vícios do mundo contaminaram largamente as suas fileiras; podereis indicar mosteiros ou instituições religiosas que, esquecidas da perfeição evangélica, decaíram ao nível das paixões vulgares; podereis numerar sacerdotes ou bispos que mancharam o santuário com o exemplo de uma vida desregrada; podereis até contar (são raros!) Ponfífices supremos que escandalizaram com os desmandos a cátedra apostólica, onde luziram as virtudes de Leão Magno, Gregório VII e Pio V. Cristo o havia profetizado. Na seara por Ele plantada, ao lado do trigo havia de crescer o joio; na pesca divina das almas, entre as malhas da rede, se haviam de encontrar peixes bons e maus. A figueira estéril cresceria ao lado da árvore frutífera, as virgens loucas se irmanariam com as prudentes, Judas maquinaria o deicídio no colégio apostólico. São estas as taras de uma sociedade divina na sua instituição mas humana nos seus membros.

Ao lado, porém, destas obscuridades que formam a sombra do quadro, que luzes, que resplendores sobre-humanos! Enumerai em vinte séculos de civilização os grandes heróis da virtude, os grandes bemfeitores da humanidade, as grandes instituições que deram ao mundo o mais belo espetáculo da abnegação, do sacrifício, do zelo e do amor: são frutos sazonados da seiva vivificadora da grande árvore católica. A tradição do heroísmo nunca se extinguiu na raça dos seus filhos. A chama da caridade nunca se apagou no seu seio. As árduas veredas da perfeição envangélica nunca deixaram de ser trilhadas pelas legiões dos seus soldados.

FRANCA, Pe Leonel; A Igreja, a Reforma e a Civilização; Ed Civilização Brasileira; Rio de Janeiro; 4 edição; 1934; pag 420

Padre Leonel Franca escreveu estas linhas, sobre os maus clérigos e, inclusive, sobre os maus papas, no mesmo livro em que dedicou várias páginas a defender a infalibilidade papal, defesa esta, aliás, feita de forma magistral e incontestável. Contradição? Invenção de “rad-trad“? De forma alguma! Que o papa é infalível em suas declarações ex-cathedra mas não é inerrante enquanto homem, isto não é questão disputada, senão ponto pacífico da doutrina católica. Tanto que o reverendo padre nem perdeu tempo justificando o que disse. A história eclesiástica o demonstra insofismavelmente.

Talvez, se ele vivesse depois do Vaticano II, neste ambiente em que os “católicos” liberais buscam de todas as maneiras alguma autoridade que corrobore suas idéias, o padre precisaria combater também neste front. Precisaria explicar que não é à sombra de um mau clérgio que se deve procurar abrigo, mas sim àquela da Santa Doutrina ensinada pela Igreja. Mas, como o livro foi escrito na década de 1930, não houve necessidade de perder tempo com o óbvio negado nestes nossos dias de apostasia. Naqueles tempos, apesar de já existirem os modernistas, eles ainda eram oficialmente os “foras da lei”, e não a “autoridade”.

Hoje, há quem queira se escorar em qualquer autoridade episcopal dizendo: “o bispo está do nosso lado, então…”. Esquecem-se de que houve bispos arianos, cuja seita foi como que uma “igreja” paralela. Esquecem-se de Miguel Cerulário, cismático que separou de Roma a igreja oriental, e que era não somente bispo mas até mesmo patriarca de Constantinopla. Os exemplos poderiam se multiplicar facilmente. Estes que bradam “habemus episcopum! igitur…“, não se dão ao trabalho de verificar se a doutrina do tal bispo é realmente a católica ou não. Como muito bem ensinou Padre Calderón, em seu livro ‘A candeia debaixo do alqueire’, este é o verdadeiro maquiavelismo que  hoje toma conta da ala progressista: já não é o conhecimento da doutrina católica que determina o comportamento, mas sim as atitudes, por mais desregradas que sejam, é que moldam uma sombra de doutrina que lhes sirva de amparo “legal”.

O que os liberais fingem não entender é que existe, nos seres humanos, uma diferença entre o “dever ser” e o “ser de fato”. Os clérigos devem ser os maiores modelos de virtude cristã, não há dúvidas. Há, no entanto, alguns que não o são (e muitos, nos tempos de crise). Isto não abala nossa fé em Deus, na Santa Igreja Católica, nos Santos e nem nos desestimula a apoiar com firmeza os bons sacertodes. Mas não nos concede direito algum de apoiar os maus sacerdotes, nem de nos apoiarmos no que eles ensinam de contrário à sã doutrina ou nos seus atos que contradizem a moral católica.

Padre Leonel Franca, que viveu em uma época livre destes partidarismos, não precisou se justificar longamente. Limitou-se a citar a fonte de onde facilmente se poderiam tirar estas conclusões: a história sagrada. Ótima sugestão de leitura para os que querem defender os maus clérigos.

As discussões e as votações no Concílio Vaticano I e no Concílio Vaticano II

Lendo um dos excelentes livros do Pe Leonel Franca, encontrei a seguinte descrição das discussões e das votações no Concílio Vaticano Primeiro:

A proposta da infalibilidade foi discutida de dois modos; em geral, na Constituição dogmática “De Ecclesia” de que fazia parte, e em particular separadamente dos outros capítulos da mesma constituição. O primeiro debate prolongou-se por 14 congregações, e nele falaram, além do relator, 64, oradores; só foi encerrado por votação da maioria. A discussão particular sobre o capítulo 4 (da infalibilidade) durou 11 dias inteiros, durante os quais usaram da palavra 57 Padres. Só quando todos os oradores inscritos terminaram as suas considerações e nenhum outro pediu a palavra, se pôs termo ao debate. Que assembléia permite maior liberdade de discussão?

FRANCA, Pe Leonel; A Igreja, a Reforma e a Civilização; Ed Civilização Brasileira; Rio de Janeiro; 4 edição; 1934; pag 178

Quanto amor à verdade e quanta diligência com respeito à nossa Santa Religião podemos perceber nesta egrégia assembléia. Quanto empenho dos veneráveis Padres Conciliares em trazer aos escritos do Concílio a melhor forma de se expor a Santa Doutrina.

E no Concílio Vaticano Segundo, passou-se tudo da mesma forma que no Vaticano Primeiro? Pelo Regimento Interno aprovado por João XXIII, até teria sido. No entanto, o padre Ralph Wiltgen S.V.D., testemunha dos fatos do Concílio como jornalista, nos apresenta um cenário muito diferente:

Na reunião seguinte, em 26 de junho, a Comissão de Coordenação tomou novas medidas visando apressar os trabalhos do Concílio. Ele [Cardeal Döpfner] decidiu, entre outras coisas, fazer, no Regimento Interno, emendas que foram aprovados pelo Sumo Pontífice no dia 2 de julho. A partir daí, todos os Cardeais e Padres Conciliares que quisessem tomar a palavra deviam submeter ao Secretário Geral um resumo escrito da intervenção que tinham intenção de fazer, “ao menos cinco dias antes de ser aberta a discussão sobre o assunto”. Deste modo, qualquer refutação era praticamente impossível, ao passo que, conforme o Regimento Interno aprovado por João XXIII, todo Padre Conciliar que quisesse refutar uma declaração podia informar ao Secretário Geral seu desejo de tomar a palavra; e ela lhe era concedida tão logo terminava a lista de oradores. Durante a segunda sessão, um requerimento para isso precisava ser assinado por cinco padres; de agora em diante, em virtude de uma nova cláusula acrescentada ao Regimento, precisava-se ter, pelo menos, 70 assinaturas. Como era de esperar, esse número era de natureza a desencorajar qualquer um que não pertencesse a um grupo bem organizado; de fato, assim se conseguiu reduzir ao silêncio os pontos de vista das minorias.

WILTGEN, Pe Ralph S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; Rio de Janeiro; 2007; pg 151

Que maravilha, não? Os grandes “defensores da liberdade” simplesmente a negaram aos conservadores! Reduziram ao silêncio os que não estavam, como eles, organizados e com objetivos bem determinados. Quanta diferença entre o Concílio Vaticano Primeiro e o Concílio Vaticano Segundo! Quem é o católico que, em sã consciência, há de defender a atitude dos modernistas? E quem não enxerga aí o porquê de textos tão ambígos e defeituosos? Ora, os conservadores tinham dificuldade até de tomar a palavra para refutar os esquemas escritos pelas comissões concilares, compostas de modernistas. Não é nem um pouco difícil entender porque há textos concilares tão defeituosos.

Terrível golpe contra os conservadores, limitar-lhes a liberdade de refutar os esquemas escritos pelas comissões modernistas. Mas os ardis não pararam por aí. O livro de Pe Wiltgen está repleto de exemplos da conduta nada louvável daqueles que conduziram o concílio.

Vejamos este. Além de limitar as discussões e as capacidades de apresentar refutações, os modernistas tentaram até mesmo limitar o tempo disponível para os Padres Conciliares analisarem o esquema sobre a liberdade religiosa! Este esquema já havia sido discutido na aula conciliar quando, dois dias antes da votação, modificações enormes foram neles introduzidas, praticamente reescrevendo-o:

A brochura continha, além do esquema corrigido, um relatório de Mons Smedt, Bispo de Bruges, que deveria ser lido na quinta-feira e começava por estas palavras: “O texto que nós submetemos hoje à vossa aprovação difere grandemente do texto que foi discutido na aula”. O Coetus Internationalis Patrum, reunido em seu encontro semanal, estudou o esquema revisto e chegou a certo número de conclusões surpreendentes. Primeiro, enquanto o primeiro texto se compunha de 271 linhas, o novo tinha 566. Segundo, dessas 566 linhas, apenas 75 eram tomadas da versão precedente. Terceiro, a etrutura da argumentação era direrente, a apresentação da questão tinha sido modificada, bem como os princípios básicos e algumas das alíneas mais importantes dos artigos 2,3,8,12 e 14, que eram inteiramente novos.
Em conseqüência disto, o Coetus Internationalis Patrum considerou que de fato se tratava de uma novo esquema e que o procedimento a seguir era aquele que estava previsto no artigo 30 do parágrafo 2 do Regimento Interno, sob cujos termos os esquemas “deviam ser distribuídos de tal modo que os Padres Conciliares dispusessem do tempo necessário para se aconselharem, formar um juízo suficientemente amadurecido e decidir como votar”. Como devia haver Congregação Geral naquela quinta-feira, não se dispunha de tempo suficiente para examinar, de modo honesto e completo, um esquema que era praticamente novo. Ademais, os Padres Conciliares já estavam sobrecarregados naquela semana em que tinham que discutir os esquemas sobre a formação dos seminários, sobre a educação cristã e sobre o matrimônio, e se pronunciar, em dez escrutínios importantes, quanto aos esquemas sobre a Igreja, sobre as Igrejas Orientais Católicas e sobre o ecumenismo. (op. cit., pg 238)

O Coetus Internationalis Patrum escreveu, então, à Presidência do Concílio a fim de adiar a votação deste esquema, sendo que a petição recebeu mais de cem assinaturas. E esta não foi a única petição. Diante disto, o cardeal Tisserant resolveu fazer uma votação para decidir se o esquema deveria ser votado ainda naquela sessão ou adiado para a próxima. Mons. Carli, do Coetus Internationalis Patrum, apelou desta decisão absurda “porque não se pode pedir à Assembléia que decida se os artigos precisos de um Regimento Interno estabelecido pelo Sumo Pontífice devem ou não ser observados. Ou a petição dos cento e poucos padres não tem fundamento – e neste caso a Presidência do Concílio deve declará-la inadimissível, expondo as razões; ou tem fundamento, e assim ninguém, exceto o Sumo Pontífice, tem autoridade para descartá-la” (op. cit.,pag 239). O cardeal Tisserant se viu obrigado a adiar a votação.

Foi, então a vez dos modernistas redigirem sua petição, dirigida ao Papa, para que a votação se realizasse ainda naquela sessão. Quanta audácia! Pedir ao Papa para alterar as regras do jogo a fim de não dar tempo aos conservadores para analisar o esquema modificado na calada da noite! Felizmente, Paulo VI não se pronunciou, e a votação se realizou apenas na sessão seguinte do concílio. Mesmo não tendo alcançado seu objetivo, esta atitude dos modernistas é extremamente reveladora da má fé com que eles agiam para manipular o concílio. E citamos apenas um exemplo dentre tantos outros que são descritos em “O Reno se lança no Tibre”.

Quanta diferença entre as votações do Concílio Vaticano Primeiro e do Concílio Vaticano Segundo! E ainda há aqueles que, sem se darem ao mínimo trabalho de estudar a história dos Concílios, assumem com firmeza a postura de defender o Vaticano II como idêntico aos demais. Aí, então, escutamos as frases do tipo “quem aceita Trento aceita o Vaticano II”, “o bom católico não pode criticar um concílio da Igreja”, etc. Ah! Se ao menos se dessem ao trabalho de estudar o que foi o Vaticano II… O livro citado é um bom começo para entender o que se passou.

Sobre a situação atual

Por que Sua Santidade Bento XVI não toma, de uma vez, todas as atitudes necessárias para restaurar plenamente a Igreja, a autoridade papal, a Santa Missa Tridentina? Esta é a pergunta que muitos se fazem.

Na conferência proferida em São Paulo, quando da última crisma, Dom Bernard Fellay  usou a imagem de um trem, que não pode fazer uma curva muito fechada senão descarrilha. Da mesma forma, se as autoridades romanas caminharam durante tantos anos se afastando da doutrina católica, não é de se esperar que a caminhada de retorno para a plena ortodoxia seja breve. Na mensagem de Fátima, Nossa Senhora descreveu uma procissão que se afastava de Roma e que, percebendo que estavam fora da cidade, empreenderam o caminho de volta. Esta tese foi muito bem desenvolvida pelo Prof Orlando Fedeli:

“Curioso que o sol não retornou a seu lugar no alto do céu subindo diretamente. Também seu retorno foi ziguezagueante, hesitante, “cambaleante”. Não retornou em linha reta, indicando que a Igreja retornaria à situação anterior à queda em meio a hesitações. A volta à posição normal de Roma será tão longa e tão ziguezagueante como a saída da posição normal e natural. Os Papas que determinarem a volta a Roma não o farão de uma só vez.”

(…)”No auge da crise, haverá uma intervenção sobrenatural que fará um Papa tomar o caminho de volta para Roma – para as duas colunas de salvação: a Missa e a devoção a Nossa Senhora. O Papa que iniciará esse retorno parece fazê-lo de modo vacilante. Ele cambaleia, hesita, chora, vendo os estragos causados por aqueles que deram uma orientação errada ao caminho da procissão e da nau.

Fátima: um “segredo” contendo um enigma envolto em um mistério

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=fatima3〈=bra

Se Roma se afastou, por tantos anos, da doutrina católica, não será com um único ato papal que tudo se encontrará novamente no seu devido lugar.

Pressões sobre o Papa

Repetindo a pergunta com a qual se abriu este artigo, poderíamos acrescentar mais estas: Bento XVI tem de enfrentar muitos lobos? Ele sofre grandes pressões? Há vários sinais a indicar que sim.

Na Áustria, Bento XVI aceitou a dispensa do Padre Gerhard Wagner, que fora nomeado bispo por Sua Santidade, mas que encontrou forte resistência dos modernistas, a tal ponto de fazer o padre pedir a referida dispensa.

A história da rebelião modernista agora se repete com o futuro Bispo de Guipúzcoa, Espanha. Esperamos que não se repita a atitude do papa e que ele possa, desta vez, enfrentar os lobos.

Pressionado ou não, Bento XVI continua sendo um enigma. Como, por exemplo, ao permitir a declaração das virtudes heróicas de João Paulo II.

Como entender as atitudes de Bento XVI? Não é tarefa fácil. Eu o vejo como verdadeiro Papa, legítimo sucessor de São Pedro; que, no passado, recebeu fortes influências modernistas, teve péssimas amizades com os teólogos “peritos” do concílio, do qual também tomou parte como perito; que, hoje, já se livrou parcial, mas não totalmente, destas influências; que, eu acredito, seja fortemente pressionado pelo clero modernista, tão bem descritos pelo termo “cloacas de impureza”, dito por Nossa Senhora em La Salette; e que, rezamos para isto, terá força para se livrar de todo modernismo e enfrentar estes lobos. Passar disso é fazer especulações demais.

As críticas

As apreensões de vários católicos não são desprovidas de sentido. Existem coisas terríveis que ainda ocorrem entre os conciliares, e tais fatos não podem nem devem ser escondidos. O católico é realista, enfrenta as dificuldades, por maiores que elas sejam, com ânimo forte, movido por sua fé e sua confiança em Deus. Enterrar a cabeça e fingir que tudo anda maravilhosamente bem é fugir da realidade.

Exemplo recente que demonstra a necessidade de se manter a lucidez é a encíclica Caritas in Veritate, cheia de erros. A análise feita pelo Prof. Orlando Fedeli sobre esta encíclia é muito superficial. Mesmo se se aceitar a tese do professor, não há motivos para se alegrar tanto porque encontrou alguma coisa boa em uma encíclica papal. Isto deveria ser o normal. Pior ainda é ignorar os erros graves nela contidos, e que foram apontados de forma breve, porém muito lúcida, pelo Prof. Angueth.

E as publicações de L’Osservatore Romano? Em uma edição, eles absolvem John Lenon, que se achava mais famoso que Jesus Cristo! Em outra, é a vez de recomendar os “Simpsons”. O católico mais ingênuo pode perceber que o jornal romano não é lá tão osservatore della vera religione, mas muito mais osservatore del “mondo”. Mundano mesmo, para falar o português claro.

Podemos facilmente encontrar outros exemplos absurdos. Como o congresso evolucionista dentro do Vaticano, que exlcuiu a participação de criacionistas. Ou, entre outras coisas, a falta de cuidado com as questões doutrinais, litúrgicas, canônicas, etc, para o retorno de  anglicanos à Igreja, trantado-os como se fossem tão próximos à Igreja quanto os cismáticos orientais, o que não são. Ou tantos outros fatos que poderiam ser citados.

Comparando com o pontificado anterior, estamos vivendo um momento de relativa alegria e esperança. Mas não há motivos para excessiva euforia. Se o pior da tempestade já passou, ainda não estamos em céu azul. Os fatos demonstram isso de forma inegável.

É difícil tomar uma posição definitiva. Por um lado, não vejo as coisas de forma tão pessimista como alguns a vêem, porque não acredito que a FSSPX irá assinar um acordo prático, por outro lado não deixo de dar razão àlgumas preocupações levantadas por muitos católicos, porque há muito  interesse dos modernistas em uma queda da FSSPX. O assédio existe, mais creio que a Tradição irá resistir. Por isso, prefiro seguir com cautela. Com esperança, mas não sem reservas.

Soluções intermediárias?

E o que pensar, por exemplo, das atitudes de Bento XVI a favor da Tradição, como o Motu Proprio Summorum Pontificum e o levantamento das excomunhões? Não há dúvidas de que representam um avanço em relação ao papado anterior. Mas estão muito longe de terem realizado a justiça, seja para com a Missa Tridentina, seja para com os baluartes da Fé Católica deste final de milênio. Certamente elas não podem ser aceitas como soluções definitivas. Tais atos somente podem ser admitidos como soluções intermediárias.

A missa fabricada por Bugnini com o auxílio de seis “pastores” protestantes, tão criticada pelo Cardeal Ottaviani, tão afastada do Sacrifício e tão próxima da ceia, poderia ser considerada a forma “ordinária” do Rito Romano, enquanto que a Missa Tridentina seria apenas a forma “extra-ordinária”? Claro que não. As duas “formas” são, na realidade, frutos de duas concepções opostas, uma formada pela religião de Deus, outra fabricada pela religião do homem. São duas teologias opostas, incompatíveis.

Mas, enxergando o Summorum Ponfificum como uma etapa, podemos dizer que trouxe bons avanços. Para a pessoa honesta, é necessário dizer, bastava a Bula Quo Primum Tempore. Este documento, de São Pio V, já garante, por si só, os direitos eternos da Missa Tridentina. Qualquer pessoa alfabetizada entende isso ao ler esta Bula, tal sua clareza e sua insistência nos direitos perpétuos desta liturgia. Mas, quem tinha acesso a este documento? Somente pela internet eu, e muita gente, ficamos conhecendo-o. Além disso, havia a tal afirmação, completamente sem razões, de que o tal “magistério vivo” havia mudado as suas disposições. Tal afirmação é incompatível com a doutrina católica mas, para as grandes massas, privadas de todo contato com os documentos tradicionais, poderia ser convincente. Agora, depois do Summorum Pontificum, nem mesmo este argumento absurdo pode mais ser usado. O magistério do papa atual diz com todas as letras que o fiel tem direito à Missa Tridentina. Assim, nem mesmo o absurdo argumento do “magistério vivo” pode ser usado para impedir a Missa Tridentina. Os bispos que negam a Missa Tridentina estão em clara desobediência ao Santo Padre Bento XVI. Já perderam totalmente a moral, o direito de exigirem alguma coisa dos fiéis. Este bispos são tiranos, verdadeiros intrumentos do demônio, como disse Mons Ranjith. A atitude deles contra a Santa Missa vai servir apenas para alertar os fiéis que há algo de muito errado na igreja pós-conciliar. Então, apesar dos defeitos, graves e que terão de ser corrigidos no futuro, o Motu Proprio Summorum Pontificum trouxe, sim, benefícios incalculáveis para a Igreja.

De uma outra forma, também o levantamento das excomunhões trouxe benefícios. Os bispos da FSSPX tiveram suas excomunhões levantadas sem aceitar os erros do concílio. A conclusão lógica, bastante clara, é que não é necessário aceitar incondicionalmente o concílio para estar em comunhão com a Igreja Católica. A questão da “regularização” canônica, quando for resolvida, afastará até as mínimas objeções que alguns, sem razão, ainda levantam contra a legitimidade dos sacramentos ministrados pela Fraternidade. A justiça para com Mons Lefebvre e Mons Castro Mayer ainda não foi feita, mas um dia será. Falta, ainda, o esclarecimento de que tais excomunhões foram nulas desde o princípio, nunca tiveram validade. Todos estes defeitos terríveis estão contidos no decreto de levantamento, que não pode ser aceito senão como uma vitória parcial, que ainda há de ser completada.

O que pensar sobre as conversações entre a FSSPX e o Vaticano?

O simples fato de se colocar em discussão o Vaticano II já demonstra a fragilidade deste concílio. Poderia ser posto em discussão Trento ou o Concílio Vaticano Primeiro? Claro que não. Mas o Vaticano Segundo pode, porque não foi dogmático nem infalível.

Além do mais, se Bento XVI estivesse realmente determinado a defender a posição radical do Vaticano II, ele teria escolhido os membros mais liberais do clero. E observe o caro leitor que “time” de hereges o papa não poderia ter “escalado” para defender o irenismo do Vaticano II! Mas ele não o fez. As escolhas de Bento XVI para os debates com a FSSPX esclarecem um pouco sua posição.

O mais importante de tudo, quando pensamos nas conversações, é que não há vitória sem combate. E, que combate melhor pode haver senão as discussões doutrinais? Durante longos anos a FSSPX buscou tais conversações, mas sempre lhe foram negados pelas autoridades romanas. Sempre lhes insistiam sobre o tal “acordo”, mas a Fraternidade resistiu, enquanto muitos outros tombavam no caminho, abandonando o bom combate da Tradição em troca de uma “regularização”.

Sinceramente, eu não acredito, de forma alguma, que, depois de tanto combate, a FSSPX aceitaria os erros modernos. Depois de ter visto tantos cairem pelo caminho, não seria agora que eles iriam se entregar. Não agora, depois de tantas vitórias, ainda que parciais. Houve sempre muitas pressões dos modernistas, e ainda há, para destruir a resitência da Tradição. O argumento, agora, é de que a Tradição recebeu muitas concessões e que, portanto, deveria retribuir com um “acordo”. Não creio que alguém caia nesta cilada. O que a Tradição recebeu foi o que lhe cabe por direito, e ainda não recebeu muito, dada a magnanimidade das disposições da Quo Primum Tempore, por exemplo. Sem mencionar a confusão doutrinal que ainda aflige os fiéis e que deve ser totalmente desfeita.

Faz relativamente pouco tempo que eu conheço a Tradição Católica. Como a maioria, fui descobrindo aos poucos a situação atual da Igreja, através da internet. Se eu apóio a Fraternidade, é porque ela é inteiramente católica e trava o bom combate da Fé com zelo extremo. Se Dom Fellay fizesse um acordo prático, eu não o apoiaria e, creio, muitíssima gente da Tradição também não. Mas não é diante dos homens, e sim diante de Deus, que se deve prestar contas. E, independente de qualquer pressão, eu acredito que a FSSPX irá cumprir o papel que tem cumprido tão bem durante tantas décadas: continuar sendo católica no meio de tanta apostasia. Ser “tradicionalista” é isto: simplesmente continuar sendo católico. Não é a pressão por uma “regularização” que deve nos mover, e sim a defesa da Verdade Católica face às inovações modernistas.

Seria útil uma regularização? Sim, seria para acabar com as últimas críticas daqueles que, ou ainda não se deram conta do estado de necessidade, por qualquer motivo que seja, e que não nos cabe julgar, ou então são hereges modernistas e querem ver a ruína da Tradição. Com a “regularização”, acabaria qualquer medo, qualquer receio de se frequentar a FSSPX. Acabariam as ridículas desculpas legalistas.

No entanto, mesmo havendo esta utilidade, ela é muito pequena se comparada com os riscos de um acordo apressado. É só ver o caso dos institutos que assinaram acordos práticos: acabaram na missa nova cheia de confentes e treatros e tudo o mais que não se deveria fazer durante a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário. E quando não se participa do “festim”, ao menos ficam em silêncio diante de tanta profanação. Ou abaixam a cabeça para as “autoridades” modernistas, como fez o IBP ao abandonar o Brasil no momento em que seu apostolado crescia a vista de todos.

A FSSPX está no caminho certo: discutindo teologicamente. E que a “regularização” venha quando não houver mais riscos para a Fé e quando os graves problemas doutrinários estiverem resolvidos. Sem pressa, sem atropelos. Enquanto isso, deixem os lobos uivarem.

Conclusão

Muito tímida esta minha colocação? “Em cima do muro”? Penso que não, que ela seja apenas prudente, cautelosa. Não salto de alegria com as atitudes de Sua Santidade, muitas delas até causam sérias preocupações. Mas também não acredito na “armadilha” para a Tradição, que alguns chegam mesmo a ilustrar com uma teia de aranha. E, se ela existisse, não iríamos cair nela, porque já sabemos muito bem que os “acordos práticos” sevem apenas para abandonar o bom combate da Tradição. Prudência, penso eu, é uma das virtudes mais necessárias no momento. E além da prudência, é claro, a esperança, a confiança que um católico sempre deve ter.

A este respeito, muito apropriadas são estas palavras das Sagradas Escrituras:

Os chefes falarão, ainda, estas coisas ao povo: ‘Quem está com medo e sente amolecido o coração? Vá-se embora para sua casa e não faça desfalecer o coração dos seus irmãos, como o seu próprio coração.’ (Deu 20,8)

A versão da Bíblia Sagrada em que eu li este versículo, da Ed. Santuário e Ed. Loyola, 2003, trazia-lhe estes comentários:

“Muitos motivos psicológicos justificam essa exclusão dos covardes. Mas é certo também que os medrosos e os covardes emcabeçam a lista dos réprobos por pecarem contra a fé e a confiança em Deus.”

Devemos ter confiança em Deus. Que a Igreja é indestrutível, cabe nos ainda alguma dúvida? Depois de todo o temporal que se seguiu ao concílio, de todo o poder que os modernistas chegaram a ter, do quanto a Santa Missa Tridentina e a doutrina católica estiveram ameaçadas, seria agora, no momento em que se está retomando, ainda que aos poucos, o bom caminho, seria agora a hora de se desesperar?

As discussões teológicas são o caminho para desfazer os erros do concílio, e elas já começaram. A capitulação da FSSPX através de um acordo prático é, até agora, apenas um pesadelo, cuja concretização Deus há de impedir. Apesar de toda apreensão, devemos admitir que estamos caminhando.

A Igreja superou todas as heresias, inclusive o arianismo, e está superando o modernismo. Muito lentamente? Sim, também acho. Mas quem somos nós para exigir alguma coisa? Deus não concedeu a Moisés, depois de guiar o povo por quarenta anos no deserto, a entrada na Terra Prometida. Por que nós exigiríamos de Deus a solução imediata da crise? Quem somos nós para não nos conformarmos com os desígnios do Altíssimo? Aproveitemos a situação atual, ainda desconfortável, para aumentar a nossa confiança em Deus, a Quem cabe a vitória e toda glória. Por enquanto, apenas cumpramos nossas obrigações e rezemos com confiança. É assim que eu penso.

Confusão gerada pelo abandono da batina

Os padres modernos há muito tempo abandonaram a batina. Parecem ter vergonha de testemunhar publicamente que são sacerdotes de Cristo. Tanto eles buscam se parecer com os simples leigos, que muitos fiéis caem em confusão. Aí surgem coisas como esta pesquisa que fizeram para chegar ao meu blog:

falta-da-batina

O fato de leigos ensinarem e defenderem a Fé, quando o fazem em perfeito acordo com a doutrina de sempre, não é mal. Mas a omissão do clero, sim. Se os sacerdortes modernos não tivessem vergonha de usar batina, confusões como esta não ocorreriam.

Aproveitando o artigo, e já que me foi perguntado há pouco tempo, vou falar sobre outro assunto. O blog “Salve Regina”, que publicou, originalmente, o artigo sobre o comentário feito pelo Felipe Aquino de que era necessário silenciar os tradicionalistas, infelizmente, foi encerrado. Por isso, estou publicando aqui o comentário em que o Felipe Aquino demonstra sua postura tão contrária ao “diáologo ecumênico”, manifestando seu desejo de nos silenciar (o destaque é meu):

Essas palavras do Papa deixam muito claro, mais uma vez, a fundamental importância do Concílio Vaticano II para a Igreja. João Paulo II já tinha se referido a ele como “a primavera da Igreja”. Assim, é preciso calar de vez as vozes dissonantes e muito prejudiciais à Igreja que se levantam contra o Concílio. São maus católicos, em comunhão imperfeita com a Igreja, os que se prestam a esse triste serviço.
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2008/10/29/%C2%ABestamos-em-divida-com-o-concilio-vaticano-ii%C2%BB/

Para Felipe Aquino, quem não aceita o pastoral e falível concílio não é bom católico. Justamente o concílio que convidou ao diálogo é apontado como dever primordial de obediência por parte do católico. Se alguém não aceita os erros do concílio, deve ser calado. Devemos dialogar com o “mundo” e com todas as religiões, cristãs ou não, mas o católico que não aceita as inovações do concílio deve ser calado. Esta é a lógica de quem o defende.

Um dos principais objetivos deste blog é justamente discutir o assunto. Por isso, apresentamos os argumentos contrários ao modernismo reinante no concílio. Se os seus defensores quisessem um tratamento sério da questão, deveriam demonstrar que nossos argumentos estão errados. Mas não é isso que fazem. Por mais que nós apresentemos argumentos, eles não valem de nada. Felipe Aquino não quer se dar ao trabalho de contra-argumentar, prefere calar a nossa boca. Bastante contraditório para quem defende o concílio que abriu as portas para o diálogo.

A Tradição está crescendo, cada vez mais pessoas tomam conhecimento do que se passou na Igreja nestas últimas décadas e começam a entender a crise atual. Mas, se não fosse o silêncio que tentam nos impor, a recuperação da Igreja seria muito mais rápida. É lamentável, mas enquanto houver quem queira silenciar os católicos tradicionais, somos obrigados a dispender tempo para fazer nossa defesa.

Taubaté será a nova Limeira?

Todos nós acompanhamos o que se passa, atualmente, na diocese de Limeira: uma confusão enorme foi montada porque o bispo se recusou a conceder aos fiéis um direito claro que lhes assite. Um direito garantido de forma inequívoca por ninguém menos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, através do motu proprio Summorum Pontificum. Mas o bispo de Limeira, certamente apoiado pela falsa idéia de colegialidade, uma das mais funestas novidades introduzidas pelo Concílio Vaticano II, e pensando que manda mais que o papa, criou todo tipo de obstáculo para impedir que os fiéis de sua diocese pudessem assistir à Santa Missa no rito Tridentino. Rito este, aliás, que goza de indulto perpétuo de S.S. o Papa Pio V, de venerabilíssima memória, que promulgou a bula Quo Primum Tempore.

Agora, parece que outra diocese do interior do estado de São Paulo está caminhando para um escândalo de semelhantes proporções, senão maiores. O bispo de Taubaté, diocese do padre Fábio de Melo, até agora não se pronunciou sobre o caso. Mas os fiéis, na interet pelo menos, já estão se mobilizando para quebrar a inéricia do bispo, organizando um abaixo assinado para que o mesmo tome alguma providência:

http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/4904

Esperamos que Dom Carmo tenha o bom senso de zelar pela ortodoxia e pelo bem de seus fiéis e tome as providências que lhe cabe como bispo para por um fim nas heresias que os padres de sua dioceses têm defendido publica e reiteradamente.

E não são poucos nem pequenos os erros do padre Fábio de Melo e do padre Joãozinho, que entrou na confusão para defender o colega; mas que se enrolou também; e depois abandonou  o padre Fábio, dizendo “ele que se defenda”; mas, como também ele já estava comprometido, continuou debatendo com a Montfort, e acabou se enrolando mais ainda… Enfim, uma “comédia pastelão” bem grotesca. E o bispo em silêncio.

Como exemplo do quanto o padre Joãozinho se enrolou na questão e de quão evasiva tem sido a atitude deste sacerdote, podemos citar a “resposta” que ele deu ao desafio da Montfort:

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/08/24/resposta-ao-desafio-do-sr-orlando-fedeli-e-novo-desafio/

Além de não escrever uma única palavra para responder ao desafio, lançou outra pergunta, tentando se apoiar na “autoridade” do Concílio Vaticano II para fugir da declaração do IV Concílio de Latrão. De fato, este concílio definiu, infalivelmente, o dogma “Extra Ecclesia nulla salus” – “Fora da Igreja não há salvação”. O referido padre, para dar suporte à sua afirmação de que há santidade no protestantismo, citou a encíclica Ut Unum Sit, de João Paulo II, que, por sua vez, se apóia nas perniciosas idéias irenistas do último concílio.

O que o padre Joãozinho conseguiu foi apenas colocar em evidência o quanto o concílio é incompatível com a Fé Católica de sempre. Entre o magistério da Igreja não pode haver contradição. Ora, se o concílio está em desacordo com o magistério infalível anterior, então as suas proposições não podem gozar de infalibilidade. O concílio foi pastoral e não dogmático, portanto, passível de falhas, como podemos constatar pelo simples confronto com o magistério anterior. Por que é tão difícil para algumas pessoas admitir isso?

Esperamos que o bispo de Taubaté coloque um fim nas heresias destes padres antes que sua diocese siga os passos de Limeira. E que pode ter repercussão muito maior, pois não são apenas os “tradicionalistas” que se interessam pela questão, mas um número muito maior de católicos fica indignado com as heresias contra os dogmas eucarísticos.

E, talvez seja querer demais, mas não custa desejar, que o caso desperte nos fiéis a consciência de que há algo de muito errado com o clero atual. Quem sabe, um número maior de pessoas esclarecidas aproveite a confusão para perceber a contradição entre o Concílio Vaticano II e os demais concílios. Contradição que ficou evidente até pelas próprias citações do padre Joãozinho. Quem sabe este não tenha sido mais um tiro que saiu pela culatra?