A última da CNBB (infelizmente não deve ser por muito tempo…): Marcha em defesa da liberdade religiosa! Por que será que esses bispos e sacerdotes tão ecumênicos e tão favoráveis à liberdade religiosa não permitem a Missa Tridentina? Por que aceitar todas as religiões, cristãs ou não, e rejeitar somente a Tradição Católica? Que estranha é essa lógica “cnbbística”…
A atitude da CNBB é censurável não somente pensando na suas incoerentes recusas à Missa Tridentina, mas também quando lembramos das cruentas perseguições sofridas pelos católicos mundo afora. Essas mesmas religiões que marcham pela paz nos países cristãos, perseguem e matam os católicos nas terras onde a maioria é de infiéis, como nos países islâmicos e na Índia. Por que será que a CNBB não faz campanhas para alcançar a paz nesses lugares do globo? Por que eles não denunciam as perseguições sofridas pela Igreja?
Mas, não precisamos ir longe para encontrar perseguições contra a religião. Aqui no Brasil, embora sem a violência dos países dos infiéis, a religião católica é constantemente perseguida. Quem já leu, por exemplo, alguma publicação protestante ou espírita, ou quem já discutiu com algum seguidor dessas crenças, sabe o quanto eles odeiam a Igreja Católica. A CNBB, em vez de ensinar os católicos a se protegerem dos ataques das seitas, faz caminhadas pela “liberdade religiosa” ao lado delas… Isso não é de se admirar, considerando que nosso bispos defendem o Estado dito “laico”, mas que não passa de um eufemismo para ateu e perseguidor da religião. E depois a CNBB faz aquelas tímidas campanhas em defesa da vida…
Já que estamos tratando sobre o tema do ecumenismo, peço licença para os leitores a fim de responder, em forma de artigo, aos questionamentos de um “vocacionado” ao sacerdócio, que é “tradicional” mas defensor o Vaticano II. Os principais pontos que gostaria de destacar são: 1) o quanto os pretendentes ao sacerdócio são intoxicados, desde antes do seminário, com as idéias ecumênicas; 2) o que podemos esperar do clero formado neste ambiente de verdadeira apostasia; e 3) a forma “artística” como o vocacionado consegue “dialogar” e atacar, ao mesmo tempo.
____________________________________________________
Prezado Voc. Aldo César,
Salve Maria!
Você demonstra estar bem habituado com o ambiente modernista, ao criar uma figura do Tradicionalismo que não existe. Vamos ler a insinuação absurda que você fez:
Contudo meu irmão, se você acha que somente alguns estão predestinados à Eternidade, tenha mais humildade no coração e se abra verdadeiramente para acolher a Cruz de Cristo.
De onde você tirou a idéia de que eu acredito em predestinação? Pare inventar e de querer colocar palavras na minha boca. Em nenhum lugar os meus escritos lhe dão a menor brecha para esta interpretação absurda. Na verdade, são algumas seitas protestantes que acreditam na predestinação, e não os católicos.
Além do mais, se o destino eterno das pessoas já estivesse predestinado, nós não teríamos razão nenhuma em nosso combate, estaríamos apenas perdendo nosso tempo. Pelo contrário, é porque acreditamos que sem a Verdadeira Fé ninguém pode se salvar, é que nosso combate tem valor. Aqueles que estão dentro da Igreja devem perseverar na Fé, e os que estão fora precisam de conversão, para que se salvem. Esse é o bom combate em que todo católico deve se engajar, não se achando pessoalmente melhor do que os outros, mas tendo a convicção de que a Verdadeira Fé é necessária para a salvação. Aliás, o bom católico sabe o quanto o ser humano é debilitado pelo pecado original e pelas más paixões, mas sabe também o valor inestimável que tem a Fé Católica, que Deus mesmo se dignou nos revelar.
No entanto, acusar os católicos tradicionais de defender a heresia da predestinação é apenas umas das baixarias a que você se submeteu. Em outro lugar você continua os absurdos:
Não vamos nos achar mais dignos que os outros, somos irmãos. ok?
Mais uma vez você tenta construir uma imagem distorcida de mim e, por extensão, dos católicos tradicionais. De onde você tirou a idéia de que eu me acho melhor do que os outros? Não há razão nenhuma para você concluir isso. Não existe aqui, neste blog, nenhuma auto-promoção da minha parte. Você não entendeu absolutamente nada da razão pela qual eu escrevo aqui: defender a Verdadeira Fé. Por mais indigno e mais fraco que eu seja, e mais necessitado da misericórdia de Deus e da intercessão dos santos, estou aqui defendendo a única Fé Verdadeira, a única Igreja de Cristo, a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, fora da qual não há salvação. É a Fé Católica que é defendida e enaltecida neste blog, e não a minha pessoa, que, certamente, não merece.
Você escreve em outro lugar:
Ah, levo sempre em conta que sou “Tradicional” e não sou membro da RCC, mas sou profundamente Ecumênico, senão eu seria UM FARISEU. Deus veio para todos meu irmão, Ele excluiu a pecadora? Quantas vezes temos que perdoar nossos irmãos? Ele não perdoou o ladrão na Cruz? Ele não é Misericórdia (Sl 57, 10)? Ele não é amor (1 Jo 4, 8)?
Você pode até se dizer “tradicional” mas não é. O fato de não ser da RC”C” não implica em ser tradicional, ortodoxo. Existem muitos outros erros e heresias além da RC”C”. A Tradição implica a defesa da verdadeira Fé, e não o ecumenismo suicida do Vaticano II.
O tom da sua carta parece até amigável, no começo, mas quando lemos as entrelinhas, percebemos os quanto você ataca fingindo “dialogar”. Segundo suas próprias palavras, você é “profundamente Ecumênico, senão seria UM FARISEU”. Então, quem não é “profundamente ecumênico”, na sua lógica, é fariseu. O que significa que eu seria um. Onde está a sua caridade e o seu ecumenismo, insinuando que todos que defendem a Fé Verdadeira contra as heresias seriam fariseus? O seu ecumenismo é só para os não católicos? Você já chamou de fariseu alguém que não é católico? Gostaria de saber.
Quanto ao perdão, é claro que devemos perdoar todos aqueles que se arrependem, mas o caso do ecumenismo é bem diferente. Não se trata de pecados cometidos contra nós, os quais devemos perdoar prontamente. Os hereges ensinam doutrinas contrárias àquela que Cristo ensinou, pervertendo a Fé. E, fora da Fé Verdadeira não há salvação. Será que você acredita neste dogma? Acreditar nos dogmas da Igreja seria o mínimo que se esperaria de um vocacionado. Então, devemos trabalhar para a conversão daqueles que estão fora da Igreja. Pelo contrário, o ecumenismo do Vaticano II e dos modernistas não busca a conversão à Verdadeira Fé, mas somente uma “amizade”, uma “união” entre os diversos credos, por mais incompatíveis que sejam entre si.
Esse ecumenismo defende algo que parece bonito: a tolerância. Certamente, deve haver certa tolerância para com as fraquezas humanas. Como você bem citou, Deus exige que perdoemos e amemos os nossos inimigos, e que usemos de misericórdia para com eles, da mesma forma que Ele faz conosco. No entanto, quanto aos erros contra a Fé, não podemos permitir que eles se alastrem entre os fiéis, pois implicaria na condenação eterna de todos aqueles que aderissem aos erros. Então, algo tão sério como a salvação das almas não pode ser negligenciado. E devemos pensar não somente nos que poderiam ser afetados pela heresia, mas também naqueles que já a professam. Se assumíssemos a posição cômoda do ecumenismo, elogiando todo mundo e não entrando em discussões teológicas, não buscando converter ninguém à única Fé Verdadeira, estaríamos sendo inimigos deles, pois permitiríamos sua perdição. Assim, quando não toleramos o erro e buscamos corrigir aquele que erra, exercitamos por ele o amor sobrenatural que os ecumênicos demonstram não possuir, ao se furtarem do trabalho pela conversão à Fé Verdadeira.
Continuando as suas demonstrações de caridade, você me acusa de ter respondido apenas o que “quis”. Talvez você queira saber porque eu rejeito o Vaticano II? Se você tivesse lido qualquer artigo a respeito já o saberia: porque esse Concílio, pastoral e falível, falou com ambigüidade, permitindo interpretações contrárias à Fé Verdadeira. E isso não foi um mero acidente de percurso, pois os inimigos da Igreja, que estavam infiltrados dentro d’Ela, e que foram denunciados já no início do século XX por São Pio X, estavam por trás das manobras do Concílio. Eles escreveram, de propósito, textos ambíguos, quando não claramente heréticos.
Você também insinua que eu sou burro, ao perguntar se eu sei o que significa diabólico. É claro que eu sei: aquilo que se refere ao diabo, ao inimigo de Deus e da verdadeira religião. E é exatemente por isso que o Concílio Vaticano II é, no mínimo, em seu espírito (condenado por S.S. Bento XVI), realmente diabólico: porque tentou introduzir na Igreja uma nova fé, diferente daquela que a Igreja sempre ensinou. Quem tem a boa vontade de ler a história do concílio fica conhecendo as manobras que foram feitas para afastar os bons e fiéis membros do clero e substitui-los pelos hereges modernistas. Tudo a fim de defender as idéias de ecumenismo, liberdade e colegialidade. As idéias que movimentaram o “espírito do Concílio” eram contrárias à Fé Verdadeira, e por isso, diabólicas.
As suas outras perguntas são as mesmas que a Tradição Católica já respondeu há muito tempo. O concílio foi pastoral, não dogmático. O papa não usou as prerrogativas da infalibilidade, nem se pronunciou ex cathedra. Logo, o concílio não faz parte do magistério infalível e pode ter ensinado o erro, como de fato ensinou, sem que isso abale a infalibilidade da Igreja. Além disso, as idéias heréticas que movimentaram o “espírito do Vaticano II” são incompatíveis com a Fé Católica de sempre. E, segundo nos orienta o grande Apóstolo, quem ensinar um Evangelho diferente daquele foi pregado por Cristo e seus discípulos, deve ser excomungado (Gal 1,8). Aliás, S.S. São Pio X excomungou, de fato, os defensores do modernismo, através do Motu Proprio Praestantia Scripturae. Como o Vaticano II defendeu os erros modernistas, logo, quem o defende, tendo conhecimento pleno de seus erros, está excomungado. Assim, não sou eu, nem qualquer outro católico que negue o concílio, que se coloca fora da Igreja, mas sim aquele que, em plena consciência, aceita os execráveis erros contra a Fé que o mesmo propagou.
As suas perguntas, como eu disse, já foram respondidas há muito tempo pelos católicos tradicionais, que estão nesta luta muito antes de mim. O resto, é retórica da sua parte, como insinuar que eu estou em uma fronteira mais avançada do que a Lutero. Por acaso você ignora que as doutrinas do Vaticano II e da missa nova se aproximam perigosamente das de Lutero? Ora, é a seita dos modernistas que está na mesma fronteira de Lutero, combatendo a dignidade do sacerdócio, a presença real, a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário, etc.
Mais ainda. A frase que você usou contra os que recusam o Vaticano II:
Jesus mesmo disse sobre os lobos em pele de ovelhas…
Eu a devolvo a quem defende as heresias modernistas. E, pensar que, alguns parágrafos acima, você parecia todo amigável, convidando-me para o diálogo. Você é mais ambíguo do que o Vaticano II.
Finalmente, vamos analisar um pouco do seu blog. No final dele, há uma verdadeira declaração de apostasia:
Este blog tem um comportamento ecumênico inter-religioso, onde várias denominações Cristãs estarão buscando e valorizando diversos valores fundamentais da prática indubitável do autêntico Cristianismo, proporcionando assim, uma igualdade maior entre nós: Cristãos, porém praticantes da mesma fé em denominações e organizações diferentes.
Deus é um, o mesmo de sempre!
Somos todos irmãos pelo princípio Teológico da Criação Divina, e na condição de criaturas que somos, devemos então, assumir a condição de irmãos, amando-nos mutuamente e respeitando as diferenças, pois elas existem para distinguir-nos uns dos outros.
Busquemos a Paz, o Amor e a Solidariedade entre os povos, independente de credo, etnia ou classe social, SOMOS TODOS IRMÃOS!
E você ainda se diz vocacionado ao sacerdócio? Um sacerdote deve converter as pessoas à Verdadeira Fé, e não elogiar os erros cometidos pelas seitas. O seu texto, tão curto, resumiu quase tudo o que um católico não deve ser. Você propõe apenas objetivos naturalistas: paz, amor, solidariedade entre os povos. Pior do que isso: você acredita que as várias “denominações” cristãs praticam a mesma fé. Não precisaríamos nem recorrer à Fé católica e seus dogmas, uma vez que a simples razão humana já é suficiente para demonstrar esse erro absurdo, pois crenças incompatíveis entre si não podem ser denominadas de uma só fé. Só existe uma Fé Verdadeira, que é aquela ensinada pela Igreja, e o maior bem que podemos fazer é ensinar essa Verdade a todos que não a conhecem. Elogiar aqueles que estão no erro, para que sejamos bem recebidos, é fácil. Promovendo este ecumenismo, seremos certamente aplaudidos pelo “mundo”. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo disse que o “mundo” nos odiaria por sermos Seus discípulos. Então, não é aos mundanos que devemos agradar mas, antes de tudo, ao Deus Altíssimo. Defendendo a Verdadeira Fé Católica, não somente agradaremos a Deus, mas receberemos a gratidão daqueles que estavam no erro e que conheceram a Verdade. Desejar a conversão e a salvação eterna a todos, mesmo aos inimigos, é prova de verdadeira caridade. Elogiar os que estão no erro, a fim de parecer tolerante e amigável aos olhos do “mundo”, isso não é atitude de quem crê em Cristo Nosso Senhor.
Infelizmente, lendo a sua mensagem, vemos que você não crê no dogma “Extra ecclesiam, nulla salus”, mas somente no diálogo inter-religioso. Aliás, que tema você escolheu para sua enquete: “Você acredita no ecumenismo?”!
Tomo a liberdade de responder pelos verdadeiros católicos: não, eu não acredito no ecumenismo, mas sim no único e Verdadeiro Deus, Trindade Santíssima, tal como Nosso Senhor Jesus Cristo nos revelou, e em Sua Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica, fora da qual não há salvação.
Os assuntos do ecumenismo e do Vaticano II são bastante longos e não tenho a menor pretensão de esgotá-los numa simples carta, mas tão somente responder às suas objeções. Para encerrar o texto, que já vai longo, gostaria apenas de deixar uma pergunta: por que você exige de mim obediência ao Concílio Vaticano II, que é pastoral e falível, se, através de sua atitude ecumênica, você demonstra não acreditar no dogma de que fora da Igreja não há salvação?
Faço votos de que você se converta à Verdadeira Fé,
e, quem sabe, seja ainda um bom padre a levar as almas para Cristo,
In Corde Jesu et Mariae, semper,
Márcio