Taubaté será a nova Limeira?

Todos nós acompanhamos o que se passa, atualmente, na diocese de Limeira: uma confusão enorme foi montada porque o bispo se recusou a conceder aos fiéis um direito claro que lhes assite. Um direito garantido de forma inequívoca por ninguém menos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, através do motu proprio Summorum Pontificum. Mas o bispo de Limeira, certamente apoiado pela falsa idéia de colegialidade, uma das mais funestas novidades introduzidas pelo Concílio Vaticano II, e pensando que manda mais que o papa, criou todo tipo de obstáculo para impedir que os fiéis de sua diocese pudessem assistir à Santa Missa no rito Tridentino. Rito este, aliás, que goza de indulto perpétuo de S.S. o Papa Pio V, de venerabilíssima memória, que promulgou a bula Quo Primum Tempore.

Agora, parece que outra diocese do interior do estado de São Paulo está caminhando para um escândalo de semelhantes proporções, senão maiores. O bispo de Taubaté, diocese do padre Fábio de Melo, até agora não se pronunciou sobre o caso. Mas os fiéis, na interet pelo menos, já estão se mobilizando para quebrar a inéricia do bispo, organizando um abaixo assinado para que o mesmo tome alguma providência:

http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/4904

Esperamos que Dom Carmo tenha o bom senso de zelar pela ortodoxia e pelo bem de seus fiéis e tome as providências que lhe cabe como bispo para por um fim nas heresias que os padres de sua dioceses têm defendido publica e reiteradamente.

E não são poucos nem pequenos os erros do padre Fábio de Melo e do padre Joãozinho, que entrou na confusão para defender o colega; mas que se enrolou também; e depois abandonou  o padre Fábio, dizendo “ele que se defenda”; mas, como também ele já estava comprometido, continuou debatendo com a Montfort, e acabou se enrolando mais ainda… Enfim, uma “comédia pastelão” bem grotesca. E o bispo em silêncio.

Como exemplo do quanto o padre Joãozinho se enrolou na questão e de quão evasiva tem sido a atitude deste sacerdote, podemos citar a “resposta” que ele deu ao desafio da Montfort:

http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/08/24/resposta-ao-desafio-do-sr-orlando-fedeli-e-novo-desafio/

Além de não escrever uma única palavra para responder ao desafio, lançou outra pergunta, tentando se apoiar na “autoridade” do Concílio Vaticano II para fugir da declaração do IV Concílio de Latrão. De fato, este concílio definiu, infalivelmente, o dogma “Extra Ecclesia nulla salus” – “Fora da Igreja não há salvação”. O referido padre, para dar suporte à sua afirmação de que há santidade no protestantismo, citou a encíclica Ut Unum Sit, de João Paulo II, que, por sua vez, se apóia nas perniciosas idéias irenistas do último concílio.

O que o padre Joãozinho conseguiu foi apenas colocar em evidência o quanto o concílio é incompatível com a Fé Católica de sempre. Entre o magistério da Igreja não pode haver contradição. Ora, se o concílio está em desacordo com o magistério infalível anterior, então as suas proposições não podem gozar de infalibilidade. O concílio foi pastoral e não dogmático, portanto, passível de falhas, como podemos constatar pelo simples confronto com o magistério anterior. Por que é tão difícil para algumas pessoas admitir isso?

Esperamos que o bispo de Taubaté coloque um fim nas heresias destes padres antes que sua diocese siga os passos de Limeira. E que pode ter repercussão muito maior, pois não são apenas os “tradicionalistas” que se interessam pela questão, mas um número muito maior de católicos fica indignado com as heresias contra os dogmas eucarísticos.

E, talvez seja querer demais, mas não custa desejar, que o caso desperte nos fiéis a consciência de que há algo de muito errado com o clero atual. Quem sabe, um número maior de pessoas esclarecidas aproveite a confusão para perceber a contradição entre o Concílio Vaticano II e os demais concílios. Contradição que ficou evidente até pelas próprias citações do padre Joãozinho. Quem sabe este não tenha sido mais um tiro que saiu pela culatra?

O concílio e o protestantismo – parte 1

O concílio e o protestantismo

Parte 1 – A oração em comum com os hereges

Um dos erros mais evidentes ensinados pelo Concílio Vaticano II foi o conselho para nos unirmos aos hereges em oração. Isto está escrito com todas as letras no número 8 do documento sobre o ecumenismo, a Unitatis Redintegratio (os destaques são meus):

Em algumas circunstâncias peculiares, como por ocasião das orações prescritas «pro unitate» em reuniões ecuménicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. Tais preces comuns são certamente um meio muito eficaz para impetrar a unidade. São uma genuína manifestação dos vínculos pelos quais ainda estão unidos os católicos com os irmãos separados: «Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou eu no meio deles» (Mt. 18,20). (Unitatis Redintegratio, n. 8)“

O texto do concílio é claro ao afirmar que é lícito e até mesmo desejável tal associação na oração. A finalidade seria alcançar a “unidade”. Quarenta anos de ecumenismo, cultos ecumênicos, orações em comum demonstram, na prática, que tal meio é totalmente inapto a alcançar o fim proposto. O que se conseguiu foi apenas um indiferentismo e uma enorme perda de fiéis que abandoram a única e verdadeira Igreja de Cristo para entrar nas mais diversas seitas.

Mas, se já não bastasse o testemunho dos fatos que todos nós podemos constatar diariamente, o que diz a Igreja sobre tal assunto? Vejamos em primeiro lugar as Sagradas Escrituras:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” II Jo 1,8-11

Creio que a citação acima seja tão clara que dispense comentários. Diante de tal ensinamento, o que pensar sobre orações em comum com aqueles que vêm a nós sem trazer a verdadeira doutrina? Não estaríamos nós tomando parte em suas obras más em grau muito maior do que se simplesmente os saudássemos? É impossível alguém responder que não.

Santo Agostinho também é bem claro em suas palavras:

“É de importância capital para a salvação dos homens que estejam unidos pelo dogma, antes de estarem pelo culto.” Santo Agostinho, 1, De Vera religione.

http://intribulationepatientes.wordpress.com/2009/04/28/neoprotestantismo/#comment-662

O grande santo não disse apenas que é bom ou que é desejável estar unido pelo dogma antes de estar pelo culto. O que Santo Agostinho disse, sem meias palavras, é que é de capital importância para a salvação dos homens que a oração em comum se faça  tão  somente entre aqueles que professam a Fé verdadeira, que crêem em todos os dogmas que a Santa Madre Igreja nos ensina como revelados pelo próprio Deus. Logo, põe em gravíssimo risco sua salvação eterna aquele que se une a hereges na oração. Isto é o que nos ensina ninguém menos que Santo Agostinho. E que diferença entre as palavras do sábio doutor da Igreja e os maus conselhos do Concílio Vaticano Segundo! Quem, em sã consciência pode defender a ortodoxia do malfadado concílio?

Não bastam as Sagradas Escrituras e Santo Agostinho? Vamos ler o que escreveu o Doutor Angélico:

O perigo de conviver com hereges

São Tomás de Aquino
Quaestiones quodlibetales, quodlibeto 10, q. 7, a. 1 (15), c.

Por duas razões não se deve manter relações com os hereges. Primeiramente, por causa da excomunhão, pois, sendo excomungados, não se deve ter relações com eles, da mesma maneira que com os outros excomungados. A segunda razão é a heresia. – Em primeiro lugar, por causa do perigo, para que as relações com eles não venham a corromper os outros, segundo aquilo da primeira epístola aos Coríntios (15, 33): ‘As más conversações corrompem os costumes’. E em segundo lugar para que não pareça se prestar algum assentimento às suas doutrinas perversas. Daí dizer-se na segunda epístola canônica de S. João (v. 10): ‘Se alguém vier a vós e não trouxer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis, pois o que o saúda toma parte em suas más obras’. E aqui a Glosa comenta: ‘Já que para isso foi instituída, a palavra demonstra comunhão com esse tal: de outro modo não seria senão simulação, que não deve existir entre cristãos’. Em terceiro e último lugar, para que nossa familiaridade [com eles] não dê aos outros ocasião de errar. Por isso, outra Glosa comenta a respeito dessa passagem da Escritura: ‘E se acaso vós mesmos não vos deixais enganar, outros todavia, vendo vossa familiaridade [com os hereges], podem enganar-se, acreditando que esses tais vos são agradáveis, e assim crer neles. E uma terceira Glosa acrescenta: ‘Os Apóstolos e seus discípulos usavam de tanta cautela em matéria religiosa, que não sofriam sequer a troca de palavras com os que se haviam afastado da verdade’. Entende-se, porém: excetuado o caso de alguém que trata com outro a respeito da salvação, com intuito de salvá-lo”.

http://www.saopiov.org/2009/03/o-perigo-de-conviver-com-hereges-s.html

As frases que eu destaquei no texto parecem ter sido escritas como admoestação contra aqueles que, seguindo os maus conselhos do Cocílio Vaticano II, promovem o ecumenismo dentro da Igreja. Por acaso não é a atitude irenista do clero apodrecido que faz com que haja tanta indiferença por parte do rebanho que lhes fora confiado? E tanta perda de fiéis para as seitas?

Na última frase do texto, São Tomás abre a exceção de que podemos nos dirigir aos hereges para convertê-los e salvá-los. Isto, no entanto, exige uma posição firme e uma defesa clara da Fé católica, e não os malabarismos e palavras açucaradas e ambíguas do concílio Vaticano II e dos modernistas da era pós-conciliar.

Para ilustrar o perigo de conviver com hereges e, em particular, de participar dos cultos com eles, façamos uma comparação, imaginando uma situação hipotética. Tínhamos um posto de abastecimento de combustíveis. Por razões óbvias, sempre foi proibido fumar no mesmo. Certo dia, um gerente “iluminado” decidiu abolir tal proibição. Usando belas palavras como “não tolher a liberdade dos clientes”, “quero que se sintam em casa”, o infeliz abandou todo bom senso. e permitiu o fumo Não demorou muito, uma explosão levou aos ares o posto de combustíveis. Buscou-se todo tipo de desculpas insensatas, desde a qualidade do combustível, do novo fornecedor, até as condições meteorológicas adversas dos últimos dias, possíveis falhas na construção dos reservatórios. (que há anos funcionavam sem problemas) Só não se admitiu a que causa mais provável teria sido algum cigarro acesso…

A estória pode parecer extremamente absurda, mas foi algo muito parecido o que aconteceu no Vaticano II. A Santa Igreja, por dois milênios, protegeu sabiamente seus filhos contra as investidas dos hereges. Até que, no último concílio, o partido modernista impôs suas idéias perversas e consignou, na letra do concílio, e não somente em seu espírito, os maus conselhos horríveis que lemos acima. E não somente o que foi citado, mas todo o documento Unitatis Redintegratio, levam o católico menos instruído a crer na benignidade e na boa intenção dos hereges. Todo o “clima otimista” do concílio leva os católicos a baixarem as guardas contra os perversos erros contra a Fé ensinados pelas seitas. Há de se admirar, em face da posição irenista do concílio, que haja esta confusão toda entre os fiéis hoje em dia? Pode alguém negar que há íntima relação entre o ecumenismo conciliar e a situação de indiferentismo e perda da Fé pelos católicos atualmente?

Vamos usar outra figura comparativa: imaginem um boxeador, no meio de uma luta, manter as duas mãos abaixo da linha da cintura, na presença do adversário. Certamente será nocauteado. É isto o que acontece com os católicos incautos que se deixam levar pelas pregações ecumênicas dos defensores do concílio. Estão diante de lobos, mas agem como se estivessem na presença de inocentes ovelhas.

Os maus conselhos, contidos tanto no espírito quanto na letra do concílio, são os responsáveis pelo abandono da Fé de tantos católicos despreparados para enfrentar o assalto das seitas. Os pastores, ou melhor, os mercenários que deveriam proteger o rebanho mas não o fazem, preferem elogiar os lobos e participar de cultos ecumênicos, dando mal exemplo e desnorteando os fiéis. Tudo isso seguindo o que prescreve a letra do concílio, em prol de uma mal definida “unidade”, que não é a Unidade da Fé, uma vez que o concílio não cita, nem por descuido, os termos “conversão à Fé Verdadeira”, “conversão à Igreja Católica”, etc.

Portanto, não é mau somente o espírito do concílio, já condenado por S.S Bento XVI, mas também a sua letra  está errada e deu maus conselhos quanto à oração em comum. Se o concílio não for abolido, ele deve, no mínimo, ser corrigido, para o bem das almas e para a glória da Santa Igreja. E neste trabalho de crítica, ora iniciado pelo Instituto do Bom Pastor com o beneplácito da Roma Santa, e quiçá com o auxílio futuro de outros setores tradicionais, começamos a enxergar a luz no fim do túnel. Deo gratias!

O que já foi dito é mais do que suficiente para demonstrar este erro capital da letra do concílio. Apenas a  título de corolário,  em um próximo artigo, vou citar um caso frustrado de tentativa de defesa da ortodoxia do concílio neste ponto particular. Por enquanto, faço apenas as perguntas a seguir.

Com quem nós ficamos: com a Igreja Católica ou com o Concílio? Com as Sagradas Escrituras, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, ou com a Unitatris Redintegratio? Eu já fiz minha escolha. Se alguém ainda quiser defender o malfadado concílio, o espaço está aberto para comentários.

A melhor maneira de combater os erros modernistas

A melhor forma de combater os erros modernistas é atacá-los diretamente onde eles fincaram suas raízes: o Concílio Vaticano II. Se nós tratamos apenas de comentar os erros atuais, haverá sempre aquele que tente minimizar a amplitude dos mesmos, seja atribuindo-os a uma pessoa ou grupos de pessoas, ou a uma corrente de pensamento moderna, tentando desvinculá-los do Vaticano II. Pelo contrário, quando demonstramos que um texto do concílio está em desacordo com a doutrina católica de sempre, não há como os modernistas contra-argumentarem. O máximo que eles podem fazer é se furtar ao debate. E tal fuga será tão menos eficiente, quanto mais pessoas conhecerem a verdade sobre o Vaticano II.

Tenho, portanto, a convicção de que demonstrar que os textos do Concílio Vaticano II estão em oposição ao ensino tradicional da Igreja é a melhor maneira de combater os erros modernistas. Por isso, dou meu total apoio à iniciativa da Magdalia de comparar os textos do Vaticano II com os da Tradição.

Este método é o mais coerente, pois estaremos arrancando o mal pela raiz. Se apenas arrancamos os frutos podres e os jogamos fora, logo vêm outros. Se apenas nos contentamos em denunciar os abusos atualmente cometidos pelos modernistas, estamos, certamente, fazendo um bom trabalho, arrancando os frutos podres. Mas sempre nascem outros. Por outro lado, ao demonstrarmos as contradições entre o Vaticano II e a Tradição, arrancamos a raiz dos males modernos. Toda a “autoridade” em que se baseia a nova teologia liberal, democrática e relativista, fica assim desmoralizada. Além do mais, quando o grande número dos católicos, que inocentemente seguem os erros do Vaticano II, tomarem conhecimento de que foram enganados, de que foram feitos de inocentes-úteis para a causa dos modernistas, tornar-se-ão defensores da Tradição. Digo isto com certeza porque foi o que aconteceu comigo. Posso dizer que “comprei a briga” contra aqueles que me enganaram.

Somente para maior esclarecimento, eu não quero dizer que a única forma de combater os males modernos é denunciando os erros do concílio Vaticano II. Este é o método mais eficaz e definitivo. Não podemos deixar de combater os erros atuais, mas devemos fazer isso, principalmente, com o fim de evitar o descaminho das almas. Por exemplo, quando demonstramos que os maus conselhos do Felipe Aquino, da CNBB e do Falsitatis estão em contradição com a doutrina e a moral católicas, cumprimos nosso dever de alertar os inocentes contra os grandes males que decorrem da visão liberal destas sumidades pós-conciliares. Mas isso não deve ser o cerne de nossa argumentação, e sim uma medida de caráter mais imediato par evitar a confusão dos inocentes.

Já que estamos tratando sobre a estratégia de combate ao modernismo, devemos lembrar que um erro que não podemos cometer é nos apoiarmos sobre as manifestações de opinião das autoridades do Vaticano. Algumas vezes S.S. Bento XVI declara algo que, bem entendido, condena os erros modernista. Outras vezes, elogia o Vaticano II. Infelizmente, há tradicionais que têm se apoiado demais nas opiniões manifestadas pelo papa. Como estas variam, abrem-se brechas para que “contra-argumentações” dos defensores do concílio. Devemos combater as heresias contrapondo-lhe a sã doutrina, e não debatendo sobre opiniões. O falsistatis splendor ataca a Tradição com as munições que alguns católicos tradicionais lhes entregam.

Nós devemos apoiar o papa, e o fazemos de coração como filhos leais. Mas não cegamente, como se tudo caminhasse maravilhosamente bem. Se, por um lado, Bento XVI ainda não se livrou totalmente de sua formação modernista, por outro devemos admitir que ele não comete as mesmas terríveis profanações que João Paulo II. Somos agradecidos pelos seus atos de restauração. Não ignoramos os avanços que tivemos desde o início deste papado, mas sabemos que o caminho da restauração é longo. E sabemos também que as opiniões do papa sobre o concílio ainda lhe são favoráveis. Mas, para nós, não são as opiniões que importam, e sim a Verdade, contra a qual devem ser confrontadas as opiniões particulares.

A simples manifestação de opiniões não é argumentação. O que os prelados da Igreja dizem a favor do concílio são meras afirmações, e apoiar-se nelas não passa de frágeis argumentos de autoridade, não de raciocínio. As afirmações dos seguidores do concílio são meras opiniões expressas. Elas ignoram totalmente a contra-argumentação tradicionalista, e não respondem às críticas que lhes são feitas. Por isso, reforço a idéia, é necessário sempre levar o combate para o plano doutrinal e demonstrar que a letra do concílio é incompatível com a Fé de sempre.

E que moral tem o clero modernista para nos obrigar a seguir o Vaticano II? Quem seria, dentre os defensores do concílio, igualmente um grande defensor da Fé Católica? Seria o cardeal Kasper, que não deseja a conversão em massa dos anglicanos para o catolicismo? Seria o Cardeal Schonborn, que promove as maiores profanações durante a Santa Missa? Cardeal Lehman? Cardeal Martini? Respondam-em, por favor, qual dos defensores do concílio é também um grande defensor da Fé católica, que a defende integralmente, sem a menor sombra de modernismo, e que tem zelo pela salvação das almas, e que não profana a Santa Missa nem permite que o façam?

Não nos assustemos, portanto, com as autoridades eclesiásticas que são favoráveis ao Vaticano II. Deixem que os modernistas a citem. Para nós, católicos, o que vale é a Verdade, não as opiniões de um clero que já não defende esta mesma Verdade.

Tenhamos em vista, para ilustrar a argumentação, o caso do levantamento das excomunhões. O que o Felipe Aquino e o Falsistatis Splendor falam a respeito da “ilegalidade” da FSSPX e da necessidade de se aceitar o concílio baseia-se apenas nas opiniões expressas por prelados.

No caso do Falsitatis, eles se apoiaram sobre o que escreveu a Secretaria de Estado da Santa Sé para defender a necessidade de se aceitar o Vaticano II. Já o Felipe Aquino, citou uma entrevista com a cardeal Dom Pedro Scherer onde ele defende a mesma idéia.

Pergunto a quem leu os textos: qual a fundamentação teológica neles apresentada? Absolutamente nenhuma. Ambos os “argumentos” não passam de expressões de opinião dos prelados. Em nenhum dos casos são abordados os argumentos dos católicos tradicionais. É um julgamento no qual o “réu” não absolutamente nenhum direito de falar. Os modernistas apenas repetem a velha história que devemos obedecer o concílio, mas não refutam os argumentos tradicionais contra a ortodoxia do concílio.

Uma questão de Fé tão grave como a aceitação ou não do Concílio Vaticano II não pode ser discutida na base de opiniões, mas sim de argumentos. Para ser aceito, o concílio precisaria estar em perfeita concordância com todo o Magistério anterior. Por outro lado, se se demonstra que não existe não concordância, e que o concílio ensinou algo contrário à Fé de sempre, então os seus erros devem ser rejeitados (Cfr Gl 1,8). Esta sim seria uma abordagem legítima da questão, e não querer empurrar opiniões como se fossem argumentos.

Aliás, demonstrar os erros do concílio tem sido o trabalho dos bons católicos nestes últimos anos. Cito o excelente exemplo da série de artigos intitulada “Compêndio dos erros imputados ao Vaticano II”, traduzida do Jornal Si Si, No No, e  publicada no site da Capela. Não há como negar que o Vaticano II foi contrário à Fé Católica de sempre. Contra argumentos tão bem expostos, os modernistas somente podem apelar para as autoridades pós-conciliares, mergulhadas no modernismo. Ou então, fazer como o Felipe Aquino, que quer calar a nossa boca. Nós, ao contrário dele, quereremos discutir os assuntos. Estamos certos do que estamos falando, e queremos que a verdade sobre os erros do concílio seja cada vez mais conhecida. Quem apela para as autoridades ou quer silenciar os argumentos contrários, não deve estar persuadido de possuir a Verdade.

Deixo aqui meu convite a todos os católicos sinceros: vamos estudar cada vez mais a doutrina católica e compará-la com os absurdos escritos nos documentos do Vaticano II. Quanto mais conhecimento da doutrina nós tivermos, melhor armados estaremos contra as investidas modernistas que querem nos impor suas opiniões e os erros do Vaticano II.

Folheto de missa nega presença real de Cristo na Eucaristia

O protestantismo se levantou contra a maior parte das Verdades de Fé da Igreja. Lutero, entre outras heresias, negava o caráter de sacrifício da Santa Missa, bem como a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. A Santa Igreja, com energia, repeliu, no Concílio de Trento, estas nefastas heresias, reafirmando todos os dogmas ensinados por Nosso Senhor.

Hoje em dia, no entanto, este bravo esforço em defesa da Verdadeira religião, que atravessou os séculos, é covardemente traído pelos membros corrompidos da nova igreja modernista. O erro é ensinado abertamente. As perniciosas heresias protestantes são ensinadas por aqueles mesmos que tinham o maior dever de repeli-las e de ensinar a Verdadeira Fé.

Como exemplo do que afirmo, segue a transcrição de um texto retirado de um folheto de missa (os destaques são nossos):

VIDA E MISSÃO
40º ANIVERSÁRIO DA SACROSSANTUM CONCILIUM

A SAGRADA LITURGIA (39)

“Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (Lc 24,35)

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.
Quando a gente se reúne cada domingo, a gente está atendendo a um pedido de Jesus, um pedido muito caro a seu coração.

Ele gosta de ver seus discípulos reunidos em seu nome. Este é o momento por excelência de experimentar a presença do Ressuscitado entre nós. Ele chega, antes de tudo, para nos comunicar sua paz. O momento decisivo, porém, de experimentar esta presença real e dinâmica é, justamente, quando repartimos entre nós, irmãos e irmãs, o pão e o vinho, em sua memória, como ele mesmo nos mandou. E não há magia nem milagre, é um “sacramento”, isto é, um sinal, ou, como diziam os gregos, um “mistério”, segredo que só aos iniciados, no caso, os evangelizados, é dada a graça de desvendar, e, por isso, um “Mistério de Fé”.

Mas para ser um sinal realmente significativo, precisa ser dado com toda a sua força de expressão, não pode ser um “faz de conta”. E a este respeito precisamos superar as distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista, que, em detrimento do realismo evangélico e do valor de tudo quanto é corpo e matéria, criação de Deus, reduziu a expressão sacramental ao mínimo dos mínimos, vale dizer, à insignificância: o banho do batismo se reduziu a uns pingos d’água; a unção dos enfermos, a um triscar com uma gota de óleo; o pão da Ceia do Senhor, a uma pequenina “ficha”.
Mesmo se nos ativermos à tradição do pão ázimo, coisa que não precisaria ser tão rigorosa, já que, por exemplo, as Igrejas do Oriente desde sempre o rejeitaram, bem que poderíamos fazer uma coisa que se possa perceber que se trata de pão, pois foi pão de verdade que Jesus tomou e deu aos discípulos.

Pão que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando. E, nesse comer de verdade, experimentar “quão suave é o Senhor”, sentir-se em profunda comunhão de vida e destino com Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida! Pão que a gente partilha entre todos e, ao comer da mesma mesa, do mesmo pão, nos sentir a formar um só Corpo, com Aquele que é nossa Cabeça, nosso traço-de-união.

Em comunidade, em clima de aconchego, fica mais fácil de resolver o problema. Quando se trata de multidão, como chegar a uma solução verdadeira, sem sair pela tangente da lei do menor esforço?… Experimentamos tudo isso meditando e cantando de novo o Salmo 147!

Folheto de missa – Deus conosco 21/09/2003

Os erros contra a Fé são da maior gravidade. Estão escritos com todas as letras, e negam explicitamente a presença real de Cristo na Eucaristia. Como se pode negar, em tão poucas linhas tantos dogmas de Fé? Resumindo a idéia do autor, poderíamos dizer que o texto insiste no caráter de refeição da Santa Missa, e que é preciso perceber que se trata de pão, (…) que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando, em um comer de verdade. E se se trata apenas de pão, é porque não houve a transubstanciação, uma vez que não há magia nem milagre. O dogma da transubstanciação seria fruto de distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista. O sacramento seria apenas um “sinal”, uma simbologia sem efeitos reais. E como se trata apenas de alimento material, deve haver quantidade suficiente, e não pode ser um mínimo dos mínimos, uma pequenina “ficha”.

Isso é um verdadeiro resumo da heresia protestante, transcritos em um folheto de missa dito católico. Basta comparar com a expressão ortodoxa da Fé católica: a Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício de Cristo no Calvário, na qual Nosso Senhor se faz presente, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Depois da consagração, já não há mais pão ou vinho, mas sim Cristo escondido sob as aparências de pão e vinho. Existe sim um milagre, um dos mais belos milagres que Deus se dignou realizar: tornar-se alimento espiritual para os que comungam seu Corpo e Sangue. O sacramento não somente é uma sinal, mas confere real e eficazmente as graças contidas no símbolo. E nosso Senhor está integralmente presente na mínima partícula da Sagrada Eucaristia.

O que está escrito no folheto de missa é a negação exata de todos estes dogmas de Fé. Por que as pessoas que defendem tais heresias já não entram de vez para uma seita protestante? Quero dizer, por que não o fazem abertamente, uma vez que, na prática, já não são católicos. Pois quem se refere à Sagrada Eucaristia como uma pequenina “ficha” (como eu fiquei revoltado quando li isto!), filho da Igreja não é. Parece mais ser membro de alguma daquelas seitas extremamente hostis à verdadeira religião.

Até aqui somente comentamos os absurdos escritos naquele folheto da missa (nova, é claro). Que existe um grande traição modernista contra a Igreja, muitos já o admitem. Mas, dentre estes, há um bom número que, iludidos por manobras “falsitáticas”, não compreendem a íntima ligação da apostasia atual com o grande causador de toda esta confusão: o concílio Vaticano II.

Não nos contentaremos, pois, em colocar em evidência os erros do dito folheto. Vamos provar uma tese mais ampla: tais erros estão escorados na “autoridade” do Vaticano II.

Não é nada difícil, uma vez que o próprio autor do texto explicitou seu desejo:

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.

O autor admite que a Constituição Litúrgica Sacrossantum Concilium, cujo 40º aniversário se comemorava, abriu um caminho. E qual não foi este caminho senão o da heresia protestante a respeito da Santa Missa?

A excelente série de artigos intitulada “Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II”, publicada no site da Capela, faz, em seu terceiro capítulo, uma análise dos erros doutrinais sobre a Santa Missa e a Santa Liturgia, contidos em vários documentos conciliares, inclusive na Sacrossantum Concilium. Dada sua qualidade, o artigo é de leitura quase obrigatória para se conhecer um pouco os erros do concílio Vaticano II. Aqui, contentar-me-ei em citar o que diretamente se refere à definição da Santa Missa dada pela Sacrassantum Concilium (os destaques são nossos):

3.1. A definição reticente e incompleta da Santa Missa como “refeição durante a qual se recebe o Cristo” e memorial da morte e da ressurreição do Senhor (morte e ressurreição colocadas no mesmo plano), sem a menor menção do dogma da transubstanciação e do caráter de sacrifício propiciatório da própria Missa (SC 47, 109). Por causa deste silêncio, essa definição cai no caso condenado solenemente por S.S. Pio VI em 1794, por ser “perniciosa, infiel à exposição da verdade católica sobre o dogma da transubstanciação, favorável aos heréticos” (Const. Apost. Auctorem fidei, DZ 1529 / 2629), e introduz uma falsa concepção da Santa Missa, concepção que, em seguida, serve de fundamento à nova liturgia desejada pelo Concílio, graças à qual os erros da “Nova Teologia” chegaram até os fiéis.

A cor protestante dessa definição da Santa Missa aparece de modo ainda mais claro no artigo 106 da constituição Sanctorum Concilium: “a Igreja celebra o mistério pascal todo o oitavo dia, que é chamado com justeza o dia do Senhor ou domingo. Efetivamente, nesse dia os fiéis devem se reunir para que, ouvindo a palavra de Deus e participando da Eucaristia, eles se lembrem da paixão, da ressurreição e da glória do Senhor Jesus e rendam graças a Deus, etc”. O texto latino mostra sem sombra de dúvida que o fim da Santa Missa é, segundo SC, o memorial e o louvor: “Christi fideles in unum convenire debent ut verbum Dei audientes et Eucharistiam participantes, memores sint (..) et gratias agant (…)”. Ver também, como prova, Ad Gentes 14: os catecúmenos participam da Santa Missa, quer dizer que eles “celebram com todo o povo de Deus o memorial da morte e da ressurreição do Senhor”, onde se constata que a Santa Missa é simpliciter o memorial da morte e da ressurreição do Cristo, celebrada por todo o povo cristão. Nem a menor menção do Sacrifício renovado de modo incruento para a expiação e perdão de nossos pecados.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

O autor do texto publicado no folheto de missa, portanto, não mentiu quando disse que estava progredindo no caminho aberto pela Sacrossantum Concilium. O silêncio criminoso desta constituição sobre os pontos mais importantes da definição da Santa Missa, e justamente aqueles que a diferenciam da concepção protestante, abriu brechas para textos como o que foi escrito naquele folheto. Se o concílio fosse realmente parte legítima do Magistério da Igreja, o autor do texto do folheto teria razão em afirmar que a missa é uma simples refeição, e que é um memorial da morte de Cristo. Absurdo!!! Mas, afinal, é isso que se encontra no textos nada ortodoxos do Vaticano II.

Mas, se o texto da Sacrossantum Concilium é tão pernicioso por suas omissões, muito pior é o documento que instituiu a missa nova. Ainda citando o mesmo artigo do site da Capela, vejamos a definição da Santa Missa dada por esse documento confrontada com a definição de São Pio X (os destaques são nossos):

Já se encontra nestes artigos a definição da Missa que será dada em seguida pelo funesto artigo 7 do Institutio Novi Missalis Romani (1969), ainda em vigor: “A Ceia do Senhor ou Missa é a santa assembléia ou reunião do povo de Deus que se reúne sob a presidência do padre para celebrar o memorial do Senhor“; definição que, na época, suscitou protestos tão angustiados quanto inúteis de numerosos fiéis e padres e a célebre tomada de posição dos cardeais Bacci e Ottaviani em razão de seu caráter manifestadamente protestante, isto é, herético. Comparemos essa definição com aquela, ortodoxa, contida no Catecismo de São Pio X: “No. 159. O que é a Santa Missa? A Santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que sob as espécies do pão e do vinho, são oferecidos pelo padre a Deus sobre o altar em memória e renovação do Sacrifício da Cruz“.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

Na definição da Santa Missa dada por Paulo VI no documento que instituiu a missa nova, nada há que se assemelhe à doutrina católica. Pelo contrário, é a total negação do dogma católico. É a mais aberta declaração da heresia protestante. Como pode um católico se deixar enganar, fingindo não perceber aí a evidente perversão da Santa Doutrina?

Aos que defendem a missa nova poderíamos perguntar: foi o Espírito Santo que inspirou a criação da missa nova? Foi sob a assistência do Espírito Santo que Paulo VI aprovou essa definição protestante da missa? Podemos atribuir ao Espírito Santo a fundação da nova missa de Paulo VI, através deste documento tão manifestamente contrário à Sã Doutrina? Responder afirmativamente é cometer uma terrível blasfêmia.

Se o Vaticano II e a Institutio tivessem repetido a definição ortodoxa de São Pio X, o autor do texto do folheto de missa teria como se apoiar nestas “autoridades” para negar a presença de Cristo na Eucaristia? Certamente não. Se o concílio fosse ortodoxo, ele não abriria brechas para as heresias. O concílio foi intencionalmente ambíguo e omisso, não ensinando de forma clara e inequívoca a Verdade, nem condenando as heresias. Por isso, escorados na “autoridade” deste concílio pseudo-católico, os hereges tentam destruir a Igreja. Eles não conseguirão, pois Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra Sua Igreja Santa. Mas, enquanto o concílio não for desmascarado completamente, os hereges modernistas continuarão a fazer muito mal às almas dos pobres fiéis.

O Concílio Vaticano II foi intencionalmente ambíguo e responsável pela crise atual

A simples inteligência já seria capaz de denunciar as ambiguidades do Concílio Vaticano II, de tão evidentes que elas são. Bastaria comparar os textos confusos e ambíguos do Vaticano II com os textos claros e inequívocos dos outros concílios para se perceber que há “algo” estranho no último concílio. Mas, teria sido esta ambiguidade mero acidente? Teria sido apenas descuido ou incompetência? Não, foi bem pior do que isso. A ambiguidade dos textos conciliares foi a tática utilizada para fazer com que os bispos conservadores não suspeitassem, ou não antevissem as consequências, das heresias defendidas pelos modernistas. E muito mais do que os bispos conservadores, os leigos inocentes deveriam ser confundidos pela ambiguidade dos textos conciliares.

No livro extremamente esclarecedor “O Reno se lança no Tibre”, do Pe. Ralph Wiltgen S.V.D., que acompanhou o Concílio na qualidade privilegiada de jornalista, há alguns trechos extremamente esclarecedores sobre a perversidade da tática modernista da ambiguidade (os destaques são meus):

Foi então que um dos liberais extremistas cometeu o erro de fazer referência por escrito a algumas das passagens ambíguas e de esclarecer como seriam interpretadas após o Concílio. O documento caiu nas mãos do grupo de cardeais e superiores maiores de que acabamos de falar, e seu representante foi levá-lo ao Sumo Pontífice. Compreendendo então que se tinham aproveitado dele, Paulo VI caiu em si e chorou.

Ralph Wiltgen S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; pág 244-245

“Desde a segunda sessão”, esclarecia [o padre Schillebeeckx], “dissera a um especialista da Comissão de Teologia que se sentia irritado ao ver exposto no esquema o que parecia ser o ponto de vista liberal-moderado sobre a colegialidade; pessoalmente, ele era favorável ao ponto de vista liberal-extremo.” O especialista lhe havia respondido: “Nós nos exprimimos de modo diplomático, mas depois do Concílio tiraremos do texto as conclusões que estão nele implícitas.” O padre Schillebeeckx achava esta tática “desonesta”. Durante o último mês da terceira sessão, dizia, bispos e teólogos tinham continuado a falar da colegialidade “em um sentido que não estava de forma alguma consignado no esquema”. Sublinhava que a minoria tinha compreendido perfeitamente que o fraseado vago do esquema seria interpretado em um sentido mais forte depois do Concílio. (…) A maioria, dizia, tinha recorrido a uma terminologia deliberadamente vaga e excessivamente diplomática e ele recordava que o próprio padre Congar tinha bem cedo protestado contra a redação deliberadamente ambígua de um texto conciliar.

Ralph Wiltgen S.V.D.; O Reno se lança no Tibre; Editora Permanência; pág 244-245

Mais claro do que isso, impossível. Os textos acima provam que os modernistas são réus confessos: a ambiguidade foi a tática utilizada para infiltrar os erros no texto conciliar. As conclusões modernistas deveriam ser retiradas dos textos ambíguos após o Concílio. Os hereges modernistas disfarçaram as heresias através de ambiguidades, para não serem reconhecidas facilmente, senão depois de já aprovados os textos do Concílio. O próprio padre Schillebeeckx, principal especialista conciliar da hierarquia holandesa, considerava a tática modernista desonesta.

Quando os defensores do concílio, como o falsitatis splendor, afirmam com ares de doutores que o concílio é inocente pela crise atual; e que os abusos cometidos atualmente não têm suas raízes no próprio concílio; e ainda que existe um má interpretação do concílio por parte de pessoas mal intencionadas, esta tese desmorona completamente quando se lê a história do Concílio. A ambiguidade de seus textos foi intencional. E a confissão dos modernistas vem claramente confirmar o que já se poderia deduzir com um pouco de perspicácia. Os hereges pós-conciliares apenas colhem os frutos plantados pelos modernistas durante o concílio.

Por que o concílio já não expôs de forma aberta o erro?

Podemos levantar algumas hipóteses.

Umas das mais evidentes e seguras, é que a resistência conservadora se opôs aos liberais promotores do modernismo. Em numerosos trechos do livro, que seria demasiado longo citar, narram-se as ferrenhas disputas entre os bispos conservadores e os bispos modernistas, bem como o “jogo sujo” promovido por estes últimos, mudando as regras do concílio durante seu andamento, sempre no sentido de neutralizar a resistência conservadora. Quanto mais a heresia estivesse escondida sob a forma de ambiguidades, mais difícil seria a percepção do alcance dos mesmos e menor seria, portanto, a oposição dos conservadores.

Depois, a publicação das heresias com todas suas letras causaria um choque enorme e colocaria em evidência a má fé dos liberais. Escrever com todas as letras uma tese contrária à doutrina católica tornaria fácil desmascarar a heresia. Um bom católico jamais aceitaria a heresia modernista posta a descoberto. Assim, convinha infiltrar aos poucos a heresia, sem grandes choques às consciências, baseando-se na interpretação liberal dos textos ambíguos do concílio.

Essa é, mais ou menos, a tática modernista. Uma atitude nada cristã, certamente, pois Nosso Senhor disse: sim, sim; não, não.

De forma abstrata, podemos fazer a seguinte analogia. O que a Igreja ensinava que era branco, os hereges diziam que era preto. O concílio não escreveu nem uma coisa, nem outra, mas adotou uma formulação vaga, ambígua e “diplomática” (que diabólico eufemismo!): é monocromático! No pós-concílio, monocromático virou, pouco a pouco, sob ação dos modernistas, simplesmente preto, como queriam os hereges.

Vejamos alguns exemplos concretos de textos ambíguos no concílio e como a tática da interpretação posterior pode ser-lhes aplicada para extrair as heresias.

A famosa afirmação “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica” é um exemplo dos mais citados sobre a ambiguidade do Vaticano II. E como ela se encaixa na tática modernista! Se o texto dissesse simplesmente “a Igreja de Cristo é a Igreja Católica”, não haveria nenhuma margem de discussão. Estaria apenas se reforçando a doutrina de sempre. Não haveria necessidade de tantas explicações posteriores como o Vaticano teve de fazer. Por outro lado, se os hereges modernistas escrevessem com todas as letras “a Igreja de Cristo subsiste em diversas (ou em todas as) igrejas”, ou “a Igreja de Cristo compreende mais do que a Igreja Católica”, o erro doutrinário estaria tão evidente que causaria um enorme choque nos católicos, que não o aceitariam. Por isso, usando a tática perversa da ambiguidade, optou-se pela fórmula bizarra do “subsistit in”. Assim, após o Concílio, lenta e gradualmente, os modernistas iriam levando o povo a acreditar na interpretação herética do texto em questão. Evitaram o choque de uma heresia explícita no texto conciliar e, posteriormente, apoiados na “autoridade” do Vaticano II, injetaram o veneno modernista.

E o texto sobre a “semente divina no homem”? Não poderia ele ser entendido por alguém – muitíssimo ingênuo – como a graça habitual, i.e., a habitação da Santíssima Trindade na alma batizada e que não se encontra em pecado mortal? Mas também, por sua ambiguidade, pode ser muito mais facilmente identificado como o germe divino aprisionado na matéria, segundo a heresia gnóstica. Absurdo? Certamente não. Todos aqueles “católicos” que hoje crêem em “poder da mente”, “poder infinito do subconsciente”, “energia positiva”, “energia do pensamento”, etc, não fazem outra coisa senão acreditar nesta heresia gnóstica. Ensinada abertamente por padres através de diversos livros.

E o que dizer sobre as contradições conciliares? Em um lugar se faz um panegírico do uso do latim na Igreja, noutro se recomenda o uso da língua vernácula. É fácil perceber qual a intenção dos modernistas. Os elogios ao latim se transformaram, no pós-concílio, em letra morta, enquanto que, na prática, somente se aproveitaram as passagens que estimulavam o vernáculo. É possível, honestamente, negar que, neste caso também, se aplicou perfeitamente a tática modernista de tirar suas conclusões após o concílio? E, os que gostam de se enganar, citam os textos a favor do latim como se fossem prova da “boa intenção” do concílio…

Poderíamos reler todas as passagens ambíguas do concílio e verificar como elas permitem uma interpretação herética, que os modernistas pretendiam explorar depois do concílio.

Pode alguém negar todas estas evidências? As confissões dos modernistas, associadas com a história pós-conciliar não permite a ninguém, por mais ingênuo que seja, negar a existência de um plano bem arquitetado com a finalidade de promover a heresia modernista. Um plano que começou muito antes do concílio, mas que teve nele seu ápice.

Quando se aproxima um imã de uma porção de limalha de ferro, elas se reordenam conforme o campo magnético produzido pelo imã. Poderia alguém negar a existência de alguma força agindo sobre a limalha de ferro?

Da mesma forma, todas as atitudes modernistas, desde a época anterior a São Pio X, atravessando o concílio e alcançando estes nossos dias terríveis de apostasia, orientam-se para a mesma direção. Tudo leva para o ecumenismo, para a liberdade religiosa, para a desvalorização da Igreja, para o elogio dos hereges e infiéis, para a divinização das falsas religiões, para a colegialidade, para o igualitarismo, para o fim da hierarquia e da distinção entre sacerdote e leigos, etc. As táticas mudaram de acordo com a situação. Mas, negar que haja uma ação ordenada a um fim, o perverso fim de destruir a Igreja, sua Hierarquia, sua Tradição, sua Fé,  isso já é tão inaceitável como negar a ação do imã sobre o monte de limalha de ferro.

Então o concilio pode ser considerado o culpado pela crise atual?

É necessário entender que o Concílio foi uma etapa da estratégia modernista, e que não pode ser considerado isoladamente de seu passado e da sua posterioridade. Precisamos recordar as manobras modernistas para fugir das condenações de São Pio X e de Pio XII e para ganharem força no pré-concílio. Depois, devemos analisar como as conclusões do concílio foram empregadas para chegarmos à crise em que nos encontramos. Mas, sem dúvida, o concílio foi a etapa mais importante de todo este processo. A culpa da crise atual, é, em última instância, dos hereges modernistas. Mas o concílio, como peça fundamental dessa artimanha diabólica dos modernistas, também dever ser devidamente responsabilizado pela crise atual na Igreja.

E por que o concílio foi tão importante para os modernistas?

A maioria das pessoas, especialmente as menos letradas, são muito mais propensas a acreditar nos argumentos de autoridade do que naqueles de raciocínio. A tática modernista foi criar uma “autoridade” conciliar, supostamente católica, na qual os simples se apegariam com sua fé singela, por acreditarem se tratar da legítima autoridade da Santa Igreja Católica. Assim, enquanto os modernistas tiravam do concílio as conclusões heréticas que estavam escondidas sob o véu da ambiguidade, a massa de ingênuos se mantinha alheia a toda esta artimanha diabólica. O povo bom lia o concílio com olhos católicos, enquanto que os modernistas o liam com a mesma malícia que utilizaram para escrevê-lo. E, como estes modernistas eram padres e bispos (triste situação a destes traidores!), eram eles que ensinavam o povo e formavam os novos seminaristas, inculcando-lhes pouco a pouco o veneno do modernismo. Escorados sobre a “autoridade” do Vaticano II… O concílio foi a “virada de mesa” dos modernistas. De perseguidos – ainda que timidamente – eles passaram a perseguidores cruéis e inimigos da Tradição e da Igreja.

Isto tudo é muito mais do que uma “teoria da conspiração”, é a explicação que podemos encontrar para a crise atual, baseada nos fatos e nas próprias confissões feitas pelos modernistas que escreveram o Concílio. Que os modernistas pertinazes vão continuar negando a culpa do Vaticano II, disso já temos certeza. Mas, para as pessoas de boa vontade, não há como negar tantas evidências.

O ecumenismo modernista, a Virgem Maria e os hereges

Comprei, há pouco tempo, o famoso livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignon de Montfort. Sem dúvida, um dos maiores livros de piedade mariana que já foram escritos. No entanto, a edição que adquiri, de 1979, posterior ao Vaticano II, trazia uns pequenos comentários ao livro, “um pouco” distoantes do que o autor ensinava.

Logo na apresentação, lemos a seguinte advertência:

Encontram-se, às vezes, nas obras de Montfort trechos que já não soam bem aos nossos ouvidos, porque provêm duma mentalidade muito própria do seu tempo e ambiente. Por exemplo, naquela época os hereges eram facilmente considerados como pessoas de má vontade ou, pelo menos, como tal foram tratados. Ora, estamos hoje numa era de pleno Ecumenismo, quer dizer, numa era em que todos os cristãos tentam compreender-se e reunir-se. Desde que não haja razões em contrário, devemos supor a boa fé nas pessoas que vivem na heresia ou no cisma; por isso, é absolutamente injusto chamar indiscriminadamente “réprobos” a todos os hereges e cismáticos.

O comentário nega claramente o dogma de fé de que fora da Igreja não há salvação. A salvação fora da Igreja somente é possível aos que não a conhecem por ignorância invencível. Caso a conhecessem, abraçariam a Verdadeira Fé. Este não é o caso daqueles que desprezam a Igreja e a perseguem, sem se dar ao trabalho sequer de estudar sua doutrina.

Mas isto foi somente a introdução. Para citar apenas um exemplo da qualidade dos comentários encontrados ao longo de livro, vejamos o seguinte trecho original do livro de São Luís (os grifos são meus):

Como na geração corporal há um pai e uma mãe, assim também na geração espiritual há um pai, que é Deus, e uma mãe, que é Maria. Todos os verdadeiros filhos de Deus e predestinados têm a Deus por pai e a Maria por mãe; e quem não a tem por mãe; não tem Deus por pai. Eis porque os réprobos, como os heréticos, os cismáticos, etc… que odeiam ou olham com desprezo ou indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disso se gloriem, porque não têm Maria por mãe. Pois se a tivessem por mãe, honrá-la-iam e amá-la-iam como um verdadeiro e bom filho ama e honra naturalmente sua mãe, que lhe deu a vida.
O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herético, um homem de má doutrina, um réprobo de um predestinado, é que o herético e o réprobo não têm senão desprezo e indiferença pela Santíssima Virgem. Com suas palavras e exemplos, abertamente ou às ocultas, esforçam-se por lhe diminuir o culto e o amor, e isso por vezes sob belos pretextos. Ah! Deus Pai não disse a Maria para ir habitar com eles, porque são Esaús.

São Luís de Montfort; Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem; Ed. Santuário; 1979; no. 30

Logo abaixo desse belo e verdadeiro texto de São Luís de Montfort, foi acrescentado pelo editor o seguinte comentário (o grifo é meu):

Deus é pai e Nossa Senhora é mãe de todos os homens, mesmo se estes não os querem reconhecer como tais. No entanto, a verdade é que Deus pode exercer a sua paternidade e Maria sua maternidade dum modo mais belo, completo e eficaz nas pessoas que mais se lhe entregam.

Basta ter uma escolaridade básica, pouco acima do semi-analfabetismo, para perceber que o comentário contradiz frontalmente o que disse o grande santo. Mas o ecumenismo anti-católico do Vaticano II cega de tal maneria seus seguidores, que eles chegam a se prestar ao ridículo acima, desmentindo o que disse o santo cujo livro eles se dispuseram a editar. Aliás, elogios ao Vaticano II podem ser encontrados em outros comentários do livro.

Ah! Os fanáticos defensores do concílio Vaticano II devem estar furiosos dizendo que tudo isso é exagero meu e que o Vaticano II não tem nada a ver com esse ecumenismo suicida, não é verdade? Vamos provar que não.

No livro O Reno deságua no Tibre, que eu arriscaria classificar como quase indispensável para se entender a crise gerada pelo Vaticano II, podemos ler, à página 96, o seguinte protesto do padre Rahner (liberal) contra o esquema sobre a Virgem Maria:

Afirmava ele [Padre Rahner] que, sob o ponto de vista ecumênico, se aquele texto conciliar fosse aprovado “causaria um mal incalculável, em relação tanto aos Orientais como aos Protestantes”. Não havia exagero em dizer “que todos os resultados conquistados no domínio do ecumenismo, graças ao Concílio e em relação ao Concíliio, seriam reduzidos a nada com a aprovação do esquema na forma em que estava.”

Quer dizer, para os padres conciliares liberais era mais importante agradar aos hereges e cismáticos do que honrar a Santíssima Virgem Maria! E os defensores do concílio Vaticano II ainda querem nos fazer acreditar que era o Espírito Santo que assistia estes padres conciliares!

Na página 62 do mesmo livro podemos ler o resumo do protesto de um bom bispo católico contra os excessos do concílio:

O último orador foi Mons. Carli, bispo de Segni. Ele declarou que os padres conciliares tinham levado ao excesso as próprias preocupações ecumênicas. Não se podia mais falar de Nossa Senhora; ninguém mais podia ser considerado herege; ninguém podia usar a expressão “Igreja militante”; não era mais conveniente chamar a atenção para os poderes inerentes à Igreja Católica.

Portanto, os comentários absurdos que eu li no livro editado em 1979 não são mais do que a continuação das idéias ecumênicas e anti-católicas que os bispos liberais impuseram ao Vaticano II. E esta observação se estende a todas as outras heresias encontradas hoje. Quando o falsitatis splendor, o prof. Felipe Aquino ou qualquer outro defensor do Vaticano II alegam sua inocência, dizendo que houve apenas abusos e más interpretações por parte de pessoas mal-intencionadas, eles escondem a história negra deste concílio. As sementes dos males que a Igreja vive hoje foram plantadas, em grande parte, durante o concílio. A semelhança entre as citações feitas no presente artigo o demonstram bem: as mesmas heresias e impiedades encontradas no pós-concílio já eram defendidas pela corrente liberal, que, através das mais baixas artimanhas e jogos sujos, impôs sua vontade ao concílio.

O tema certamente merece ser retomado em outros artigos.

A Gaudium et Spes contraria a Unam Sanctam

Antes de entrar no assunto principal deste artigo, gostaria de lembrar um fato bastante corriqueiro nos meios católicos pós-conciliares, relacionado ao tema. É bastante comum, entre os católicos modernos, ouvir comentários sobre o anti-Cristo e o governo mundial, dos quais se fala sempre com muito medo. Eu, pelo menos, já ouvi as mais absurdas teorias sobre o assunto, sempre conexo com o outro tema do “fim do mundo”. Sinceramente, muito pouco crédito pode ser dado a essas histórias sensacionalistas. Não tanto pela referência ao tal governo centralizado, que certamente seria mal, mas pelo seu tom apocalíptico e pretensão de prever a data do fim do mundo. Mas, o que estes católicos que ficam amedrontados com tal perspectiva não sabem, é que o concílio Vaticano II, defendido por muitos deles, escreveu com todas as letras a necessidade de criação de uma autoridade pública mundial! (leiam, depois, a citação abaixo). Ou seja, os católicos modernos têm medo de um governo mundial do anti-Cristo, mas defendem o concílio que pregou a necessidade de uma autoridade mundial à qual todos devem se submeter. Haja contradição entre os pós-conciliares!

Deixando de lado os devaneios e “profecias” apocalípticas, vamos demonstrar o quanto, mais uma vez, o concílio Vaticano II se mostra incompatível com a doutrina católica de sempre. Vejamos o absurdo que foi escrito na constituição pastoral Gaudium et Spes, uma das mais polêmicas do concílio:

82. É, portanto, claro, que nos devemos esforçar por todos os meios por preparar os tempos em que, por comum acordo das nações, se possa interditar absolutamente qualquer espécie de guerra. Isto exige, certamente, a criação duma autoridade pública mundial, por todos reconhecida e com poder suficiente para que fiquem garantidos a todos a segurança, o cumprimento da justiça e o respeito dos direitos. Porém, antes que esta desejável autoridade possa ser instituída, é necessário que os supremos organismos internacionais se dediquem com toda a energia a buscar os meios mais aptos para conseguir a segurança comum. Já que a paz deve antes nascer da confiança mútua do que ser imposta pelo terror das armas, todos devem trabalhar por que se ponha, finalmente, um termo à corrida aos armamentos e por que se inicie progressivamente e com garantias reais e eficazes, a redução dos mesmos armamentos, não unilateral evidentemente, mas simultânea e segundo o que for estatuído.
(Constituição pastoral Gaudium et Spes, Papa Paulo VI, 7 de Dezembro de 1965)

http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html

Para o concílio Vaticano II, portanto, não é Cristo que garante a paz, mas sim um “organismo internacional”, reconhecido por todas as nações e ao qual todas se submetam. Em outras palavras, pregou-se a “paz da ONU”, e não a paz de Cristo.

Quando nos remetemos à doutrina católica, percebemos o quanto é perversa essa idéia lançada pelo concílio Vaticano II. De fato, na bula Unam Sanctam, S.S. o Papa Bonifácio VIII já havia ensinado:

O poder espiritual deve superar em dignidade e nobreza toda espécie de poder terrestre. Devemos reconhecer isso quando mais nitidamente percebemos que as coisas espirituais sobrepujam as temporais. A verdade o atesta: o poder espiritual pode estabelecer o poder terrestre e julgá-lo se este não for bom. Ora, se o poder terrestre se desvia, será julgado pelo poder espiritual.
(Bula Unam Sanctam, Papa Bonifácio VIII,18 de Novembro de 1302)

http://www.geocities.com/apologeticacatolica/unam.html

Ora, se o poder espiritual tem autoridade para julgar o poder terrestre quando este se desvia, que necessidade temos de criar um “organismo público internacional” para tal fim? A proposta do concílio Vaticano II é tão absurda que considera que o controle do poder temporal deve ser realizado por uma entidade superior do poder temporal, e não pelo poder espiritual. É a tentativa de se resolver tudo no plano material, e afastar o sagrado de tudo, e despojar a Igreja de toda sua autoridade. Isso é a negação, implícita mas facilmente dedutível, do ensinamento da Unam Sanctam. Na realidade, essa doutrina é apenas mais uma conseqüência do imanentismo, do laicismo e do naturalismo característicos da heresia modernista, que foi o próprio “espírito (nefasto) do Concílio”, já condenado por S.S. o papa Bento XVI.

Este é o “ensinamento” do Vaticano II: queremos um autoridade internacional, à qual todos se submetam, a fim de garantir a paz.

Este é o ensinamento do Magistério da Igreja: o poder espiritual é o responsável por julgar os desvios do poder temporal.

Finalmente, este é o desejo de todo bom católico, em oposição ao Vaticano II e em consonância com o Magistério da Igreja: queremos que Cristo reine!

Viva o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ainda sobre o ecumenismo

A última da CNBB (infelizmente não deve ser por muito tempo…): Marcha em defesa da liberdade religiosa! Por que será que esses bispos e sacerdotes tão ecumênicos e tão favoráveis à liberdade religiosa não permitem a Missa Tridentina? Por que aceitar todas as religiões, cristãs ou não, e rejeitar somente a Tradição Católica? Que estranha é essa lógica “cnbbística”…

A atitude da CNBB é censurável não somente pensando na suas incoerentes recusas à Missa Tridentina, mas também quando lembramos das cruentas perseguições sofridas pelos católicos mundo afora. Essas mesmas religiões que marcham pela paz nos países cristãos, perseguem e matam os católicos nas terras onde a maioria é de infiéis, como nos países islâmicos e na Índia. Por que será que a CNBB não faz campanhas para alcançar a paz nesses lugares do globo? Por que eles não denunciam as perseguições sofridas pela Igreja?

Mas, não precisamos ir longe para encontrar perseguições contra a religião. Aqui no Brasil, embora sem a violência dos países dos infiéis, a religião católica é constantemente perseguida. Quem já leu, por exemplo, alguma publicação protestante ou espírita, ou quem já discutiu com algum seguidor dessas crenças, sabe o quanto eles odeiam a Igreja Católica. A CNBB, em vez de ensinar os católicos a se protegerem dos ataques das seitas, faz caminhadas pela “liberdade religiosa” ao lado delas… Isso não é de se admirar, considerando que nosso bispos defendem o Estado dito “laico”, mas que não passa de um eufemismo para ateu e perseguidor da religião. E depois a CNBB faz aquelas tímidas campanhas em defesa da vida…

Já que estamos tratando sobre o tema do ecumenismo, peço licença para os leitores a fim de responder, em forma de artigo, aos questionamentos de um “vocacionado” ao sacerdócio, que é “tradicional” mas defensor o Vaticano II. Os principais pontos que gostaria de destacar são: 1) o quanto os pretendentes ao sacerdócio são intoxicados, desde antes do seminário, com as idéias ecumênicas; 2) o que podemos esperar do clero formado neste ambiente de verdadeira apostasia; e 3) a forma “artística” como o vocacionado consegue “dialogar” e atacar, ao mesmo tempo.

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Prezado Voc. Aldo César,

Salve Maria!

Você demonstra estar bem habituado com o ambiente modernista, ao criar uma figura do Tradicionalismo que não existe. Vamos ler a insinuação absurda que você fez:

Contudo meu irmão, se você acha que somente alguns estão predestinados à Eternidade, tenha mais humildade no coração e se abra verdadeiramente para acolher a Cruz de Cristo.

De onde você tirou a idéia de que eu acredito em predestinação? Pare inventar e de querer colocar palavras na minha boca. Em nenhum lugar os meus escritos lhe dão a menor brecha para esta interpretação absurda. Na verdade, são algumas seitas protestantes que acreditam na predestinação, e não os católicos.

Além do mais, se o destino eterno das pessoas já estivesse predestinado, nós não teríamos razão nenhuma em nosso combate, estaríamos apenas perdendo nosso tempo. Pelo contrário, é porque acreditamos que sem a Verdadeira Fé ninguém pode se salvar, é que nosso combate tem valor. Aqueles que estão dentro da Igreja devem perseverar na Fé, e os que estão fora precisam de conversão, para que se salvem. Esse é o bom combate em que todo católico deve se engajar, não se achando pessoalmente melhor do que os outros, mas tendo a convicção de que a Verdadeira Fé é necessária para a salvação. Aliás, o bom católico sabe o quanto o ser humano é debilitado pelo pecado original e pelas más paixões, mas sabe também o valor inestimável que tem a Fé Católica, que Deus mesmo se dignou nos revelar.

No entanto, acusar os católicos tradicionais de defender a heresia da predestinação é apenas umas das baixarias a que você se submeteu. Em outro lugar você continua os absurdos:

Não vamos nos achar mais dignos que os outros, somos irmãos. ok?

Mais uma vez você tenta construir uma imagem distorcida de mim e, por extensão, dos católicos tradicionais. De onde você tirou a idéia de que eu me acho melhor do que os outros? Não há razão nenhuma para você concluir isso. Não existe aqui, neste blog, nenhuma auto-promoção da minha parte. Você não entendeu absolutamente nada da razão pela qual eu escrevo aqui: defender a Verdadeira Fé. Por mais indigno e mais fraco que eu seja, e mais necessitado da misericórdia de Deus e da intercessão dos santos, estou aqui defendendo a única Fé Verdadeira, a única Igreja de Cristo, a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, fora da qual não há salvação. É a Fé Católica que é defendida e enaltecida neste blog, e não a minha pessoa, que, certamente, não merece.

Você escreve em outro lugar:

Ah, levo sempre em conta que sou “Tradicional” e não sou membro da RCC, mas sou profundamente Ecumênico, senão eu seria UM FARISEU. Deus veio para todos meu irmão, Ele excluiu a pecadora? Quantas vezes temos que perdoar nossos irmãos? Ele não perdoou o ladrão na Cruz? Ele não é Misericórdia (Sl 57, 10)? Ele não é amor (1 Jo 4, 8)?

Você pode até se dizer “tradicional” mas não é. O fato de não ser da RC”C” não implica em ser tradicional, ortodoxo. Existem muitos outros erros e heresias além da RC”C”. A Tradição implica a defesa da verdadeira Fé, e não o ecumenismo suicida do Vaticano II.

O tom da sua carta parece até amigável, no começo, mas quando lemos as entrelinhas, percebemos os quanto você ataca fingindo “dialogar”. Segundo suas próprias palavras, você é “profundamente Ecumênico, senão seria UM FARISEU”. Então, quem não é “profundamente ecumênico”, na sua lógica, é fariseu. O que significa que eu seria um. Onde está a sua caridade e o seu ecumenismo, insinuando que todos que defendem a Fé Verdadeira contra as heresias seriam fariseus? O seu ecumenismo é só para os não católicos? Você já chamou de fariseu alguém que não é católico? Gostaria de saber.

Quanto ao perdão, é claro que devemos perdoar todos aqueles que se arrependem, mas o caso do ecumenismo é bem diferente. Não se trata de pecados cometidos contra nós, os quais devemos perdoar prontamente. Os hereges ensinam doutrinas contrárias àquela que Cristo ensinou, pervertendo a Fé. E, fora da Fé Verdadeira não há salvação. Será que você acredita neste dogma? Acreditar nos dogmas da Igreja seria o mínimo que se esperaria de um vocacionado. Então, devemos trabalhar para a conversão daqueles que estão fora da Igreja. Pelo contrário, o ecumenismo do Vaticano II e dos modernistas não busca a conversão à Verdadeira Fé, mas somente uma “amizade”, uma “união” entre os diversos credos, por mais incompatíveis que sejam entre si.

Esse ecumenismo defende algo que parece bonito: a tolerância. Certamente, deve haver certa tolerância para com as fraquezas humanas. Como você bem citou, Deus exige que perdoemos e amemos os nossos inimigos, e que usemos de misericórdia para com eles, da mesma forma que Ele faz conosco. No entanto, quanto aos erros contra a Fé, não podemos permitir que eles se alastrem entre os fiéis, pois implicaria na condenação eterna de todos aqueles que aderissem aos erros. Então, algo tão sério como a salvação das almas não pode ser negligenciado. E devemos pensar não somente nos que poderiam ser afetados pela heresia, mas também naqueles que já a professam. Se assumíssemos a posição cômoda do ecumenismo, elogiando todo mundo e não entrando em discussões teológicas, não buscando converter ninguém à única Fé Verdadeira, estaríamos sendo inimigos deles, pois permitiríamos sua perdição. Assim, quando não toleramos o erro e buscamos corrigir aquele que erra, exercitamos por ele o amor sobrenatural que os ecumênicos demonstram não possuir, ao se furtarem do trabalho pela conversão à Fé Verdadeira.

Continuando as suas demonstrações de caridade, você me acusa de ter respondido apenas o que “quis”. Talvez você queira saber porque eu rejeito o Vaticano II? Se você tivesse lido qualquer artigo a respeito já o saberia: porque esse Concílio, pastoral e falível, falou com ambigüidade, permitindo interpretações contrárias à Fé Verdadeira. E isso não foi um mero acidente de percurso, pois os inimigos da Igreja, que estavam infiltrados dentro d’Ela, e que foram denunciados já no início do século XX por São Pio X, estavam por trás das manobras do Concílio. Eles escreveram, de propósito, textos ambíguos, quando não claramente heréticos.

Você também insinua que eu sou burro, ao perguntar se eu sei o que significa diabólico. É claro que eu sei: aquilo que se refere ao diabo, ao inimigo de Deus e da verdadeira religião. E é exatemente por isso que o Concílio Vaticano II é, no mínimo, em seu espírito (condenado por S.S. Bento XVI), realmente diabólico: porque tentou introduzir na Igreja uma nova fé, diferente daquela que a Igreja sempre ensinou. Quem tem a boa vontade de ler a história do concílio fica conhecendo as manobras que foram feitas para afastar os bons e fiéis membros do clero e substitui-los pelos hereges modernistas. Tudo a fim de defender as idéias de ecumenismo, liberdade e colegialidade. As idéias que movimentaram o “espírito do Concílio” eram contrárias à Fé Verdadeira, e por isso, diabólicas.

As suas outras perguntas são as mesmas que a Tradição Católica já respondeu há muito tempo. O concílio foi pastoral, não dogmático. O papa não usou as prerrogativas da infalibilidade, nem se pronunciou ex cathedra. Logo, o concílio não faz parte do magistério infalível e pode ter ensinado o erro, como de fato ensinou, sem que isso abale a infalibilidade da Igreja. Além disso, as idéias heréticas que movimentaram o “espírito do Vaticano II” são incompatíveis com a Fé Católica de sempre. E, segundo nos orienta o grande Apóstolo, quem ensinar um Evangelho diferente daquele foi pregado por Cristo e seus discípulos, deve ser excomungado (Gal 1,8). Aliás, S.S. São Pio X excomungou, de fato, os defensores do modernismo, através do Motu Proprio Praestantia Scripturae. Como o Vaticano II defendeu os erros modernistas, logo, quem o defende, tendo conhecimento pleno de seus erros, está excomungado. Assim, não sou eu, nem qualquer outro católico que negue o concílio, que se coloca fora da Igreja, mas sim aquele que, em plena consciência, aceita os execráveis erros contra a Fé que o mesmo propagou.

As suas perguntas, como eu disse, já foram respondidas há muito tempo pelos católicos tradicionais, que estão nesta luta muito antes de mim. O resto, é retórica da sua parte, como insinuar que eu estou em uma fronteira mais avançada do que a Lutero. Por acaso você ignora que as doutrinas do Vaticano II e da missa nova se aproximam perigosamente das de Lutero? Ora, é a seita dos modernistas que está na mesma fronteira de Lutero, combatendo a dignidade do sacerdócio, a presença real, a renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário, etc.

Mais ainda. A frase que você usou contra os que recusam o Vaticano II:

Jesus mesmo disse sobre os lobos em pele de ovelhas…

Eu a devolvo a quem defende as heresias modernistas. E, pensar que, alguns parágrafos acima, você parecia todo amigável, convidando-me para o diálogo. Você é mais ambíguo do que o Vaticano II.

Finalmente, vamos analisar um pouco do seu blog. No final dele, há uma verdadeira declaração de apostasia:

Este blog tem um comportamento ecumênico inter-religioso, onde várias denominações Cristãs estarão buscando e valorizando diversos valores fundamentais da prática indubitável do autêntico Cristianismo, proporcionando assim, uma igualdade maior entre nós: Cristãos, porém praticantes da mesma fé em denominações e organizações diferentes.

Deus é um, o mesmo de sempre!
Somos todos irmãos pelo princípio Teológico da Criação Divina, e na condição de criaturas que somos, devemos então, assumir a condição de irmãos, amando-nos mutuamente e respeitando as diferenças, pois elas existem para distinguir-nos uns dos outros.

Busquemos a Paz, o Amor e a Solidariedade entre os povos, independente de credo, etnia ou classe social, SOMOS TODOS IRMÃOS!

E você ainda se diz vocacionado ao sacerdócio? Um sacerdote deve converter as pessoas à Verdadeira Fé, e não elogiar os erros cometidos pelas seitas. O seu texto, tão curto, resumiu quase tudo o que um católico não deve ser. Você propõe apenas objetivos naturalistas: paz, amor, solidariedade entre os povos. Pior do que isso: você acredita que as várias “denominações” cristãs praticam a mesma fé. Não precisaríamos nem recorrer à Fé católica e seus dogmas, uma vez que a simples razão humana já é suficiente para demonstrar esse erro absurdo, pois crenças incompatíveis entre si não podem ser denominadas de uma só fé. Só existe uma Fé Verdadeira, que é aquela ensinada pela Igreja, e o maior bem que podemos fazer é ensinar essa Verdade a todos que não a conhecem. Elogiar aqueles que estão no erro, para que sejamos bem recebidos, é fácil. Promovendo este ecumenismo, seremos certamente aplaudidos pelo “mundo”. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo disse que o “mundo” nos odiaria por sermos Seus discípulos. Então, não é aos mundanos que devemos agradar mas, antes de tudo, ao Deus Altíssimo. Defendendo a Verdadeira Fé Católica, não somente agradaremos a Deus, mas receberemos a gratidão daqueles que estavam no erro e que conheceram a Verdade. Desejar a conversão e a salvação eterna a todos, mesmo aos inimigos, é prova de verdadeira caridade. Elogiar os que estão no erro, a fim de parecer tolerante e amigável aos olhos do “mundo”, isso não é atitude de quem crê em Cristo Nosso Senhor.

Infelizmente, lendo a sua mensagem, vemos que você não crê no dogma “Extra ecclesiam, nulla salus”, mas somente no diálogo inter-religioso. Aliás, que tema você escolheu para sua enquete: “Você acredita no ecumenismo?”!

Tomo a liberdade de responder pelos verdadeiros católicos: não, eu não acredito no ecumenismo, mas sim no único e Verdadeiro Deus, Trindade Santíssima, tal como Nosso Senhor Jesus Cristo nos revelou, e em Sua Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica, fora da qual não há salvação.

Os assuntos do ecumenismo e do Vaticano II são bastante longos e não tenho a menor pretensão de esgotá-los numa simples carta, mas tão somente responder às suas objeções. Para encerrar o texto, que já vai longo, gostaria apenas de deixar uma pergunta: por que você exige de mim obediência ao Concílio Vaticano II, que é pastoral e falível, se, através de sua atitude ecumênica, você demonstra não acreditar no dogma de que fora da Igreja não há salvação?

Faço votos de que você se converta à Verdadeira Fé,
e, quem sabe, seja ainda um bom padre a levar as almas para Cristo,

In Corde Jesu et Mariae, semper,

Márcio

A “arte” de negar o óbvio

Não existe novidades na doutrina católica. Ela foi integralmente revelada no tempo de Cristo, e quando o último apóstolo morreu, nada mais foi revelado que fizesse parte do Depósito da Fé. Qualquer ‘novidade’ que se tente introduzir na doutrina, não passa de perniciosa hereisa. O ensinamento das Sagradas Escrituras é evidentíssimo:

Mas, ainda que alguém – nós ou anjo baixado do céu – vos anunciasse um Evangelho diferente deste que vos anuncio, que ele seja anátema. (Gl 1,8)

Os defensores do Vaticano II negam que este tenha ensinado novidades contrárias à Fé Católica, mas um dos últimos artigos publicados no site do Falistatis, trouxe algumas confissões das novidades do concílio:

O que isso significou foi um desenvolvimento doutrinal novo que postulou algo que à primeira vista parece paradoxal: um direito de ser tolerado.

Mas na verdade o ensinamento do Concílio posiciona o direito à liberdade religiosa na terceira dessas categorias tradicionais, o ius exigendi. Entretanto, o faz de maneira nova e inesperada – refletindo o clima social e político do século vinte.

Portanto, o antigo e o novo ensinamento sobre “tolerância” e “direitos”, embora apontem, por assim dizer, em direções diferentes (um em direção a menos liberdade na sociedade, o outro na direção de mais), não colidem de frente: como dois carros bem dirigidos aproximando-se um do outro na rodovia, eles deslizam com segurança entre si.

LIBERDADE RELIGIOSA: “DIREITO” VERSUS “TOLERÂNCIA”

http://www.veritatis.com.br/article/5491

Quanta retórica, quantos malabarismos, para não ter que confessar o óbvio: os ensinamentos do Concílio são contrários aos ensinamentos de sempre! Até mesmo o autor percebeu a “maneira nova e inesperada”, a existência de ensinamentos “antigo e novo”, as “direções diferentes em que apontam”, o “desenvolvimento doutrinal novo”. Mas, para não ter que aceitar que o Concílio, pastoral e falível, errou, o autor acaba por jogar tudo isso para debaixo do tapete. Contra toda evidência, o autor afirmou que não houve contradição entre o novo ensinamento do Vaticano II e a doutrina católica de sempre. Vamos demonstrar agora que o autor não alcançou o seu objetivo.

O argumento central se baseia em distiguir duas proposições:

(i) Não-católicos têm o direito de propagar publicamente sua religião (desde que não violem a ordem pública).
(ii) Não-católicos têm o direito de imunidade de coerção ao propagar publicamente sua religião (desde que não violem a ordem pública).

Para o autor do texto, o concílio ensinou (ii) e não (i) e, dessa forma, não teria ensinado contra a doutrina de sempre. De fato, a proposição (i) já foi condenada pela Igreja, mas a proposição (ii), com as letras em que foi escrita, não foi condenada. Assim, o autor tenta nos convencer de que o concílio, tendo ensinado (ii), não teria, desta forma, caido em contradição com a doutrina de sempre da Igreja.

O que o autor do artigo não percebeu é que as duas proposições apresentadas possuem, na prática, o mesmo efeito. Se o Estado não pode coagir, a lei que determina uma proibição passa a ser letra morta, uma vez que os infratores poderão infrigi-la na certeza de impunidade. Se não existe direito do Estado de reprimir um erro, o efeito prático é que as pessoas que promovem este erro acabam por difundi-lo livremente, ainda que, na teoria, não tivessem este direito.

Para o autor do artigo, basta que os hereges não perturbem a ordem pública para terem o direito de não serem reprimidos. De acordo com esta tese, as seitas têm, na prática, o direito de afastar os católicos da Verdadeira Fé, desde que para isso não provoquem arruaças… Se eles forem bem educados para não tumultuar a ordem pública, eles podem levar para o inferno quantas almas quiserem, que o poder público nada pode fazer contra eles. O texto acaba por colocar a ordem pública como um bem superior à salvação das almas, uma vez que a salvaguarda desta não pode exigir a intervenção estatal, ao passo que a daquela pode. Mais uma diabólica inversão de valores, na tentativa de justificar os ensinamentos anti-católicos do concílio Vaticano II.

Para exemplificar melhor, analisemos o direito penal. O direito de punir – jus puniendi – do Estado, nasce com a sentença condenatória, na qual se provou o dolo ou a culpa do réu (*), e é este direito o que garante ao Estado a possibilidade de coibir os crimes aplicando penas aos criminosos. Se o Estado não possuísse esse direito de punir, o resultado prático é que os marginais teriam o “direito” de cometer crimes a vontade, sem serem punidos. De nada adiantaria possuirmos todo um conjunto de normas jurídicas que tipificassem os diversos crimes (direito penal objetivo), se o Estado não possuísse o direito de reprimi-los (direito penal subjetivo).

Tirando o vocabulário jurídico, os conceitos são tão simples que qualquer um pode entender. E pensar que o site do Falistatis tem, entre seus escritores, um “doutor, ‘jurista’ e pensador católico”!

A minha argumentação já está longa, ainda mais para explicar algo tão óbvio. Mas é demonstrando minuciosamente e com clareza as loucuras do Falsitatis é que nós vamos provar o quanto são absurdas e infundadas suas mentiras contra nós, católicos tradicionais, e contra a verdadeira doutrina católica.

Já que estamos tratando deste assunto, seria interessante assistir ao vídeo, indicado em outro blog:

Uma conspiração dos acatólicos

http://br.youtube.com/watch?v=0mvgCPikPxs

Devemos nos perguntar como se chegou a esta completa apostasia. Certamente não foi de uma hora para outra. Foi um processo lento, e o Concílio Vaticano II, com suas ambigüidades, teve importante papel neste processo. É impossível negar que a liberdade religiosa defendida pelo Vaticano II não tenha influência nenhuma nesses atos de apostasia declarados. Se o último concílio tivesse ensinado de maneira inequívoca a doutrina católica de que fora da Igreja não há salvação, será hoje estaríamos assistindo a um vídeo terrível como esse? Será que as seitas estariam roubando os filhos da Igreja? É uma boa oportunidade para aqueles que ainda defendem o concílio poderem refletir.

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(*) admitindo-se a presença dos outros fatores necessários para a condenação, como a inexistência de excludente de ilicitude, punibilidade, etc, que não são importantes para a presente argumentação

A Igreja é absolutamente Santa, e não pecadora

Igreja “santa e pecadora”, no sentido em que se ouve hoje em dia não passa de uma invenção dos modernistas. Não hesito em qualificá-la de diabólica, uma vez que tenta diminuir a glória e a majestade da Santa Igreja e, em conseqüência, do Deus Altíssimo que a fundou e que a governa, para glória de Seu nome e para a salvação das almas. Afinal, a quem mais pode interessar diminuir a glória de Deus, senão ao Adversário, ao inimigo de Deus e do gênero humano? Que “prazer” diabólico pode alguém sentir ao proclamar a Igreja como pecadora? Eu não estou usando de retórica, estou escrevendo o termo “diabólico” no seu sentido literal, pois somente ao diabo e a seus escravos, jamais aos cristãos piedosos, pode interessar diminuir a glória do Deus Altíssimo, que resplandece na santidade imaculada da Igreja Católica. A nós, indignos pecadores, cabe apenas louvar e glorificar a Deus por todos os benefícios que recebemos d’Ele, através de Sua Igreja, que é absolutamente santa. Os homens, estes sim, são pecadores, e por isso necessitam de uma instituição absolutamente Santa, governada por Deus mesmo.

O concílio Vaticano II, com sua ambigüidade característica, afirmou a certa altura, conforme a doutrina católica, que a Igreja é “indefectivelmente santa” (cf. LG n. 39). Em outro lugar, no entanto, aderiu à perversa interpretação modernista, dizendo que “com efeito, ainda aqui na terra, a Igreja está aureolada de verdadeira, embora imperfeita, santidade” (cf. LG n. 48 ). Desse tema eu já tratei em outro artigo. O erro do malfadado concílio é evidente, pois indefectível significa sem defeitos. Dizer que algo é indefectível, e depois dizer que é imperfeito, configura-se em contradição claríssima e insuportável até para um magistério humano. Quanto mais absurdo e blasfemo seria considerá-la como magistério divino.

Diante de tanta clareza, os defensores do Vaticano II somente podem desconversar, confundindo santidade da Igreja, que é perfeita, com a santidade dos homens, que é imperfeita. Mas não existe meios de salvar a ortodoxia do Vaticano II. O concílio não tratou da santidade pessoal dos homens, mas somente da Igreja enquanto instituição, caindo, portanto, em nítida contradição e cometendo a blasfêmia de dizer que a Igreja é pecadora, uma vez que sua santidade seria imperfeita. Devemos admitir a verdade de que esse concílio não foi infalível e, portando, pode ter ensinado, como de fato ensinou, o erro. E não foi qualquer erro, e sim a perversidade de tentar diminuir a glória da Igreja e do Deus Altíssimo.

Para quem se diz católico e ainda pensa que pode chamar a Igreja de pecadora, recomendo vivamente a leitura do excelente artigo, publicado pelo blog Adversus Haereses, defendendo a indefectível santidade da Igreja:

A Igreja não é Santa e pecadora

http://advhaereses.blogspot.com/2008/07/igreja-no-santa-e-pecadora.html

Publicado em:  on Agosto 19, 2008 at 11:12 pm Comentários (4)
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