Como podemos nos organizar para ter a Missa Tridentina?

O blog Igreja Una fez uma excelente observação a respeito da carta escrita por Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira. O bispo escreveu, dentre outras coisas, o seguinte:

4 – Na Diocese de Limeira jamais se negou o direito dos fiéis leigos à Missa nos termos do Missal Romano anterior à reforma de 1970, mas sempre se exigiu que o direito fosse efetivo consoante as exigências litúrgicas e jurídicas ditadas pela própria Igreja. Por isso, o Bispo Diocesano, seguindo as orientações do Núncio Apostólico no Brasil não permitiu que essa Missa fosse realizada, porque não foram encontradas totais condições para sua efetivação.

O blog Igreja Una, percebeu muito bem o deslize do bispo: Dom Vilson falou demais e acabou “entregando” o Núncio Apostólico no Brasil. As tais “exigências” ou “condições” para se celebrar a Missa Tridentina, que não constam de forma alguma do Motu Proprio Summorum Pontificum, não nascem apenas das cabeças dos bispos modernistas isoladamente, mas, pelo que se pode ver, partem do próprio núncio Apostólico no Brasil!

Ora, se os inimigos do Rito Tridentino estão organizados, por que nós não deveríamos nos organizar para defender o nosso legítimo direito de assistir a este rito?

O próprio blog Igreja Una já se iniciou a mobilização pelo Missa de Sempre na diocese de Piracicaba:

Missa Tridentina em Piracicaba

http://igrejauna.blogspot.com/2009/03/missa-tridentina-em-piracicaba.html

Os católicos da diocese de Limeira também estão organizados:

Católicos da Diocese de Limeira apóiam o Papa
http://www.catolicoslimeira.com.br/

Para o Estado do Espírito Santo, há o site:

Missa Tridentina no Espírito Santo

http://br.geocities.com/missatridentinaes/

Creio que muitas outras iniciativas como esta podem surgir. Poderíamos, talvez, nos organizarmos por dioceses, reunindo as pessoas que desejam a Missa de Sempre. Certamente há muitas pessoas que desejam a Missa de Sempre e nem sabem que há, em sua cidade, outros interessados.

Além disso, podemos divulgar todos os sites e blogs que se dispõe a tal trabalho. Creio que esta é uma idéia que deve ser amadurecida. Da minha parte, já começarei, a partir de agora, a divulgar todos os sites que reúnem os interessados na Missa Tridentina.

Para os que se escandalizam com o latim…

A todos os que se escandalizam com o latim na liturgia tradicional da Igreja Católica Apostólica Romana,  convido a assistir o seguinte vídeo, que eu encontrei na página da Igreja Greco-Melquita Católica: (http://www.melquitas.com.br/paginas.php?cod_pagina=246&tipo=dep&cod_sub_area=104)

Esta celebração da Divina Liturgia (como é chamada a Missa no rito oriental) mostra toda a assembléia cantando em português, grego e árabe. Portanto, não somente uma, mas duas línguas litúrgicas diferentes do vernáculo. E a quantidade de pessoas cantando demonstra que as línguas litúrgicas não são uma barreira para quem tem verdadeira religião. Em vez de afastar as pessoas, as línguas litúrgicas as unem e reforçam sua identidade, como o grego e o árabe na liturgia oriental, e o latim na ocidental.

É preciso lembrar que o valor da assistência à Missa não depende da compreensão dos textos litúrgicos. O que importa é que se está diante do Sagrado. A liturgia tradicional é, inequivocamente, um culto de adoração a Deus. Um momento de se esquecer do mundo e se concentrar apenas em Deus, e a língua litúrgica diferente do vernáculo ajuda em muito a destacar a sublimidade deste momento, superior a todos os outros momentos do nosso quotidiano.

Engraçado que as pessoas que se escandalizam quando se defende a liturgia da Santa Missa em latim, são aquelas mesmas que não perdem um capítulo da novela, ou das novelas… Para as coisas do mundo há tempo de sobra, mas quando se trata de religião, busca-se sempre o mais cômodo, aquilo com o que já se  acostumou, por mais pobre que seja em termos litúrgicos. Quem se acostumou com a língua vulgar da missa nova deveria fazer um esforço inicial para assistir a liturgia tradicional. Logo verá que o não latim não é obstáculo, pelo contrário, é um dos grandes atrativos da liturgia. O latim realça o momento sublime da Santa Missa. E quem sabe, com o tempo, aquelas mesmas pessoas que se assustavam com o latim, acabem até por estudá-lo. Pois, mesmo não sendo essencial, a compreensão do que diz o texto litúrgico e o canto gregoriano pode ajudar na apreciação de seu valor.

De qualquer forma, sendo compreendida ou não, a liturgia tradicional é incomparavelmente mais bela do que aquela inventada na década de 60. E não somente mais bela, como muito mais verdadeira, muito mais próxima da dignidade de Deus, plena das virtudes de piedade e religião.

O nosso blog lido no Vaticano!

O Vaticano está interessado no que os católicos tradicionais publicam na Internet. Até o nosso humilde blog foi lido pelo Vaticano! As seguintes telas foram obtidas através das estatísticas providas pelo StatCounter:

O blog Gazeta da Restauração também foi lido no Vaticano (cfr. o artigo “O Papa lê a GdR”). Muitos outros devem ter sido lidos, mas os autores não devem acompanhar as estatísticas. De qualquer forma, isso demonstra que a Internet, o nosso único meio de expressão, está cumprindo sua finalidade, de tal maneira, que até o Cardeal Castrillón Hoyos se referiu às publicações dos sites tradicionais. Conforme notícia traduzida pelo blog Fratres in Unum, o cardeal lamentou a atitude dos “tradicionalistas” de lhe enviarem cartas e publicarem suas queixas na Internet.

Infelizmente, no entanto, a entrevista do cardeal demonstra que o fantasma do relativismo ainda assombra Roma. Nas suas próprias palavras, o cardeal disse que “todos devem ser respeitosos com as idéias dos outros”. Ele citou, como exemplo, o caso da comunhão de joelhos, reclamando daqueles “cantam vitória” ao ver o Papa administrar a Eucaristia aos fiéis de joelhos. Por outro lado, quando acontece algo contra a Tradição, exultam os que são contrários à Tradição. Pode até parecer conciliador o discurso do cardeal, mas isso somente seria útil em uma briga de vizinhos, ou em uma confusão na feira livre, em que nenhuma das partes possui, definitivamente, razão. O caso aqui é bem diferente. A comunhão de joelhos é imperiosa para que se guarde o devido respeito para com o Santíssimo Sacramento. Receber o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, sem se prostrar de joelhos, nas mãos, sem reverência, tendo-O recebido de um “ministro” (ou “ministra”) da Eucaristia, isso não é atitude de cristão, de pessoa devota. Isso é desrespeito dos mundanos que já não têm Cristo como o centro de sua vida, que não têm mais temor de Deus, e que praticam uma religião por mero costume. Nós não “queremos” (no sentido de um triunfo da vontade sobre a realidade) que o sacramento seja administrado assim para “cantarmos vitória”. Nós desejamos profundamente que assim o seja porque esta é a forma correta. A realidade, a Verdade, deve moldar nossa vontade, e não o contrário. E nós estamos diante de uma Verdade Absoluta: Deus, por um mistério de Sua infinita bondade, entrega-Se, verdadeiramente, a nós como alimento, e o mínimo que o homem pode fazer é recebê-lo com a maior reverência. Essa Verdade de Fé é que nos obriga a defender a comunhão de joelhos, e não a alegria mundana de ver o nosso “time” poder zombar do outro que perdeu, a exemplo do que ocorre com as torcidas dos times de futebol. Para um aprofundamento sobre o tema da comunhão de joelhos, recomendamos a leitura do artigo “Sobre comungar de pé”, do site Volta para Casa.

Quanto à “insaciedade” dos tradicionalistas, de que o cardeal lamenta, creio sinceramente não ser mais do que o necessário. A Internet é único meio que nos restou para reivindicar os direitos que não são apenas nossos, mas, muito mais, do Deus Altíssimo, de receber um culto à altura de Sua infinita majestade. Se abstraíssemos a verdadeira motivação de nossa luta, a teocêntrica, ainda assim teríamos direito de publicar nossos textos. Os católicos tradicionais foram expulsos da Igreja, e os modernistas não deixaram nenhum lugar para nós. O “diálogo” pregado pelo Concílio Vaticano II e seus defensores é uma caricatura nojenta do verdadeiro diálogo. O que existe é uma verdadeira ditadura, onde somente têm voz aqueles liberais, que defendem a dessacralização da Igreja, a descristianização da sociedade. Nas homilias, nas CEBs, nos “grupos de oração”, nos folhetos de missa, nos jornais paroquianos, diocesanos, etc, somente há lugar para as opiniões liberais. O que restou para os católicos tradicionais, conservadores, senão a Internet? Perdoe-me, eminentíssimo cardeal, mas nós temos o dever católico de continuar defendendo a Verdadeira Fé da única forma que nos restou: publicando textos na Internet.

É interessante frisar aqui que eu demorei um bom tempo antes de decidir publicar algo na Internet. Eu tentei, antes, os meios privados. Por ocasião daquela desgraçada campanha do desarmamento, eu enviei e-mail para a CNBB questionando a postura que eles tomaram, contrária aos ensinamentos da Igreja e ao bom senso. Estou esperando a resposta até hoje. Quando o professor Felipe Aquino publicou a mentira de que os membros do recém-criado Instituto do Bom Pastor haviam aceitado o concílio Vaticano II e a missa nova, eu também lhe enviei um e-mail. Além de não me responder, o professor não deu nenhuma satisfação aos seus leitores para desfazer a confusão que ele gerou com seu preconceito de que somente pode estar em comunhão com a Igreja aquele que aceita o Vaticano II e a missa nova, fato desmentido pela criação do IBP. Até para a Canção Nova eu, ingenuamente, enviei um e-mail para travar um diálogo. É necessário dizer que eles também não respoderam? Devo deixar claro que todos os e-mails foram escritos de forma respeitosa, mas, como discordavam da posição dos destinatários, eles simplesmente rejeitaram o “diálogo fraterno”.

A minha experiência de tentar o “diálogo” com os defensores do Vaticano II, no entanto, é só um ínfimo exemplo do silêncio mortal a que foram reduzidos os católicos tradicionais. Silêncio esse, felizmente, quebrado pela Internet. Nós sabemos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, enfrenta lobos terríveis, que desejam impedir de qualquer forma a Missa Tridentina e a restauração da Igreja. Por isso, devemos ter certa moderação e paciência. Mas não podemos deixar de lutar e de expressar o nosso desejo da plena restauração da Missa Tridentina, em todas as paróquias, e da condenação de todos os erros modernos. E que isso se dê o mais breve possível, porque a questão não é um mero bairrismo, mas sim a eterna luta da Cidade de Deus contra a Cidade do Homem. E, do bom sucesso da restauração litúrgica e doutrinal, dependem a santificação e salvação de muitas almas, e a maior glória do Deus Altíssimo.

Guerra declarada

Todos os setores modernistas são contrários à Missa Tridentina. Alguns o fazem de maneira mais velada, outros nem tanto. A recusa dos bispos em atender aos pedidos dos fiéis que desejam a Missa de Sempre, por exemplo, é prova incontestável da má vontade dos modernistas. Se não se nega água nem para o inimigo, quanto mais não se deve negar o alimento espiritual para os fiéis que o pedem aos pastores. Tais pastores, é bem verdade, mais se comportam como lobos. Mas, além desta perseguição mal camuflada contra a Tradição, os modernistas já estão assumindo abertamente as suas disposições diabólicas (não há outra palavra) de sufocar a legítima liturgia tridentina. Vejam o site que eu encontrei, ao fazer pesquisas na internet:

O Antitridentino

http://antitridentino.com.sapo.pt/

Um site inteiro dedicado a combater a Tradição católica e a Missa de Sempre!

Logo na página inicial eles demonstram o que pretendem defender: O Concílio Vaticano II e a missa nova. Dizem também que querem defender a Igreja Católica, como se pudessem defender a Igreja que decretou a excomunhão daqueles que consideram que na Missa Tridentina possa haver erros:

“Cân. 6. Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, portanto, deve ser ab-rogado: seja anátema” (Sacrifício da Missa, Doutrina do Sacrifício da Missa Cap. IX. Sessão XXII celebrada no dia 17 de setembro de 1562. DENZINGER 1756).

Incoerência, no entanto, é o mínimo que se pode ver nos modernistas. O grande mal que existe neles, tanto nos camuflados como nos assumidos, é o desejo de afastar a Igreja Católica de sua Tradição de dois mil anos e de ocultar a Verdadeira Fé, tudo em nome da “obediência” ao Vaticano II. Em troca do que é falível e pastoral, abandona-se ou mitiga-se o que infalível e dogmático. Em troca do que é “novo” abandonam-se as verdades antigas. Em troca do mundo moderno, abandonam-se os ensinamentos de nossos santos e veneráveis antecessores na Fé do Cristo. Em troca do reino do homem, abandona-se o Reino de Deus. E, contra aqueles que não desejam apostatar, declara-se (ou não, para maior desgraça e perfídia) uma guerra sem tréguas, sem moralidade, buscando reduzi-los ao silêncio e ao degredo. Esse é o retrato dos “tolerantes” defensores do Vaticano II e da missa nova, que realmente toleram tudo, desde que não seja legitimamente católico.

Um ano sem missa nova!

Permitam-me compartilhar a minha alegria. Hoje faz um ano que eu não assisto mais a missa nova. Parece que faz já tanto tempo. Estou tão acostumado com a paz, a reflexão, a espiritualidade da Missa Tridentina, que já nem me lembro da barulheira, da gritaria, das danças, dos teatrinhos da missa nova. É tão bom ouvir o canto gregoriano, em vez das músicas protestantizadas e sentimentalistas.

É tão bom não ter que ficar procurando uma missa decente, fugindo da baderna modernista. Nos tempos de novus ordo, eu precisava procurar um padre que rezasse a missa com o mínimo de respeito. Muitas pessoas faziam (e ainda fazem) isso, fugindo da avalanche carismática. Estes não perguntam se as pessoas gostam da barulheira. Simplesmente começam a fazê-la, e os incomodados que se retirem. Eu também já sofri bastante com isso.

Aliás, por falar em influência carismática, lembram-se da enquete promovida pelos melquitas a respeito da mudança para o “rito carismático”? Pois já saiu o resultado da pesquisa:

Você concorda com a mudança do rito Greco Melquita para Carismatico ?

Sim

1%

8 votos

Não

43%

526 votos

Jamais

56%

681 votos

Portanto foi rejeitado por 99% dos paroquianos legitimos a ideia de algums Padres de mudar o nosso Rito Greco-Melquita para Carismatico

http://www.melquitas.com.br/paginas.php?cod_pagina=247&tipo=dep&cod_sub_area=110

Os fiéis melquitas, portanto, não querem a mudança de um rito tradicional, piedoso e teologicamente riquíssimo para a barulheira carismática. Isso é muito natural. Se fizéssemos a mesma pesquisa entre nós, do rito latino, não obteríamos o mesmo resultado? Mas a igreja “democrática” do Vaticano II somente o é quando de seu interesse.

Mas, voltando ao texto do site melquita, tivemos a surpreendente notícia de a desgraçada idéia de introduzir um rito carismático partiu de padres!!! Da mesma forma que a missa nova foi introduzida pelo clero corrompido do Vaticano II, alguns padres tiveram a infeliz idéia de destruir também o rito bizantino. Mas, graças a Deus, os fiéis melquitas o rejeitaram com um tremendo não, do tamanho que os modernistas amantes de novidades merecem.

E que os melquitas estão determinados a não permitir a influência protestante, podemos ver pelo seguinte atigo:

RCC e Missa Nova.ISTO É CANÇÃO NOVA !!! E NÃO VAI SER NA NOSSA EPARQUIA CUSTE O QUE CUSTAR

http://www.melquitas.com.br/detalhes.php?cod=46&pgi=0&pgf=20

Lutemos nós também, do rito latino, pela preservação de nossas riquíssimas tradições e pela plena restauração da Missa Tridentina. Se ficarmos de braços cruzados, a minoria barulhenta vai continuar afugentando a maioria piedosa, porém tímida, que deseja uma missa cheia de paz, de reverência e de respeito pelo Nosso Salvador. Nós temos a obrigação de lutar pelo retorno pleno da Missa de Sempre, pois quem prefere o barulho ao silêncio, na hora da missa, não tem a menor idéia do que é religião, do que é paz, do que é adorar ao Deus Altíssimo no Santo Sacrifício da Missa, renovação incruenta do Calvário.

Exemplo a ser seguido

Em primeiro lugar, tenho a alegria de colocar aqui o link para o site da Comunidade Greco-melquita católica do Brasil:

http://www.melquitas.com.br/

A Igreja Greco-melquita Católica celebra a Divina Liturgia, no belíssimo Rito Bizantino. Quem conhece o Rito Tridentino e o Rito Bizantino, compreende facilmente o quanto a missa nova de Paulo VI é pobre de elementos litúrgicos e teológicos, assim como de piedade e de reverência, tanto quanto de beleza e de espiritualidade.

Em seguida, gostaria de chamar a atenção para a enquete promovida no mesmo site: Você concorda com a mudança do rito greco-melquita para carismático? O resultado parcial, no momento em que eu votei, era o seguinte:

Se uma pergunta dessas foi colocada no site, é porque alguma criatura desalmada já tentou influenciar a liturgia bizantina no sentido de uma aproximação com a RC”C”. Felizmente, ao contrário da traição que ocorreu no rito latino com a introdução obrigatória do novus ordo, a liturgia oriental, pelo menos no que depender do desejo dos fiéis, ficará livre das influências “moderninhas”: dois míseros votos desejando a protestantização da liturgia, contra mais de mil pela manutenção da sagrada tradição litúrgica bizantina.

Poderíamos nós também, do rito latino, manifestarmos publicamente e com maior veemência a nossa reprovação do modernismo na liturgia. Enquanto permanecemos em silêncio, a belíssima e santa tradição romana fica restrita a pequenos grupos que têm acesso à Missa de Sempre, enquanto a maioria do povo fiel, sedento de espiritualidade, tem que se contentar com as águas turvas da missa nova.

Ataques e blasfêmias contra a Missa de Sempre

Em outro artigo, eu desmenti uma das muitas acusações que o Falsitatis fez contra os católicos tradicionais, a de que nós cairíamos em excomunhão ao rejeitar a missa nova. O estudo da situação, no entanto, mostra exatamente o inverso: quem rejeita a Missa de Sempre está excomungado, e a missa nova contém implicitamente uma crítica à Missa de Sempre.

Naquela oportunidade, eu falei apenas da crítica implícita que existe na missa nova. A simples atitude de se criar uma nova missa, no mínimo, queria dizer que a antiga não estava boa – o que é um absurdo, pois a Santa Missa de Sempre é perfeita, como definiu dogmaticamente o Concílio de Trento. Mas não foi nada difícil encontrar ataques abertos contra a Missa de Sempre. Os textos que vou citar abaixo, de defensores da missa nova, mostram como eles desenvolvem explicitamente a crítica à Missa de Sempre que estava velada na simples criação da missa nova.

Uma breve passada no fórum de discussões do site Paróquias, mais especificamente na discussão sobre o Motu Proprio Summorum Pontificum, nos mostra como os modernistas recusam a Missa Tridentina e proferem contra ela os mais absurdos preconceitos e blasfêmias. Não somente nessa discussão, mas em muitas outras, se pode perceber qual a atitude dos defensores do Vaticano II e da missa nova contra tudo que diz respeito à Tradição católica. Os ataques deles chegam às blasfêmias, às piadas, ao mais puro ódio contra tudo o que é legitimamente católico.

Somente a discussão sobre o Motu Proprio se estende por 27 páginas, o que dificulta a análise completa da mesma. Os absurdos em matéria de doutrina precisariam de um livro para serem desmentidos. Mas algumas citações serão o bastante para mostrar o ódio modernista contra a Missa Tridentina e os católicos tradicionais (os sublinhados são meus):

3) Sobre as missas com palhaços, baldes d’água, mulheres barbadas e ursos ciclistas. Além dessas agora existirão outras atrações: as missas presididas pelos reis momos ornamentados em trajes carnavalescos de gala, repetindo palavras desconhecidas pela platéia, em número reduzido mas não menor que 30.

No lugar de lutar para elitizar o circo, os medievais fariam melhor se repensassem a sua noção de igreja. A cada dia que passa se parecem mais com fósseis vivos. Certamente que uma missa não devia se parecer com show de rock, nem com festinha de criança, nem com um flashback da idade média.

A missa é uma oração da assembléia cristã, é um encontro de iniciados, dos discípulos que se reunem para fazer memória do nascimento, vida, morte e ressurreição do Cristo. A Assembléia se encontra no evangelho e, na sua maior parte, as confusões e divisões acontecem qdo se afastam das Escrituras. Dá até calafrio qdo começam com dinâmicas de gosto duvidoso ou alguma outra coisa estranha para chamar a atenção. Qdo acham que isso é preciso então é o reconhecimento de que ali não se encontra mais a Assembléia, trata-se já de uma platéia, e o teatro já está condenado ao fracasso pq os atores são amadores e a peça é sempre a mesma. Cansa!

http://www.paroquias.org/forum/read.php?1,39400,page=2

Pobre alma a que escreveu as linhas acima! Chama a Santa Missa no rito tridentino de circo, os seus paramentos litúrgicos de “trajes carnavalescos de gala” e diz que essa Santa Missa cansa!

E esta outra crítica à Missa Tridentina, levada para o lado do subjetivismo:

O rito Tridentino é para ti mais exigente. Para mim é aborrecido de morte. O rito tridentino dá-te um sentimento de proximidade a Deus, a mim faz-me sentir desoladamente abandonado numa mecanização de movimentos estudados e repetidos à exaustão como se fosse um hábito. O rito Tridentino é belo, para mim belo é estar 2 horas no chão e participar na missa ao estilo de Taizé.

http://www.paroquias.org/forum/read.php?1,39400,page=4

Como já disse, os erros e absurdos, em relação não somente à Missa mas à toda doutrina, são tão grandes que nem vou me aventurar a citá-los e muito menos a rebatê-los. Mas os exemplos citados já demonstram como existe uma recusa da Missa Tridentina, que se enquadra perfeitamente nas excomunhões do Sagrado Concílio de Trento.

Outro ataque à Santa Missa Tidentina foi feito através de um comentário a um artigo do blog Tradição Católica. Mais uma vez, existe uma recusa dos modernistas em aceitar a Missa de Sempre. Eles acusam a Missa Tridentina, entre outras coisas, de “esvaziar a Igreja de jovens que não entendem Latim” e de “colocar Deus tão longe das pessoas que as pessoas não querem saber dele”. E a blasfêmia maior :”Esta é missa cujo sacrificio era estar lá a assistir, e não o de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Esses ataques abertos à Missa de Sempre são bastante claros e não se pode negar que se enquadrem nas excomunhões de Trento. Mas eles não são nada mais do que a explicitação de idéias – motivo de anátema – que já estavam latentes, escondidas, na própria concepção da missa nova, de que a Santa Missa no rito tridentino precisava ser mudada.

A festa de Corpus Christi e a presença real

O nome da festa de Corpus Christi descreve bem o que ela significa: a celebração da presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na sagrada eucaristia. Se estamos nos preparando para celebrar essa festa, cumpri-nos falar um pouco sobre a importância da mesma.

Este é o momento, todo especial, para reforçarmos a santa doutrina da presença real de Cristo sob as aparências do pão e do vinho. Podemos começar citando as Sagradas Escrituras. Nelas encontramos provas mais do que suficientes da presença real de Cristo Nosso Senhor na Sagrada Eucaristia.

O capítulo VI do evangelho de São João descreve a oportunidade em que Nosso Senhor dá a conhecer a seus discípulos essa doutrina:

“Eu sou o pão vivo descido do Céu. Quem comer deste pão viverá para sempre, e o pão que eu lhe darei é a minha carne para salvação do mundo.  Discutiam entre si os judeus, dizendo: Como pode este dar-nos a comer sua carne? E Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida… Este é o pão que desceu do céu; não é como o pão que vossos pais comeram e, não obstante, morreram. Quem come deste pão viverá para sempre… Muitos dos seus discípulos disseram: São duras essas palavras! Quem as pode suportar? Conhecendo Jesus que os seus discípulos murmuravam por isso, disse-lhes: As palavras que Eu vos disse são espírito e vida; mas há alguns de vós que não crêem… Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e não mais os seguiam.” (Jo 6,51-67)

Não há como negar, diante de palavras tão claras, que Nosso Senhor prometeu dar sua carne em alimento aos fiéis. E essa promessa foi cumprida durante a Última Ceia:

Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu a seus discípulos dizendo: “Tomai e comei, isto é meu corpo”. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo:” Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados” (Mt 26,26-28)

E muitos outros trechos das Sagradas Escrituras poderiam ser citados ainda, mas basta-nos lembrar a advertência que São Paulo fez sobre aqueles que comungam indignamente, causando sua própria condenação (1Cor 11,27-29). Se não se tratasse realmente do Corpo e Sangue de Nosso Senhor, não haveria sentido a advertência do Apóstolo.

Nesse mistério tão grandioso, Deus se dignou dar em alimento espiritual aos homens, de maneira tão distante dos sentidos, mas tão próxima pela Fé.

Mas essa Fé inabalável que nos ensina a Santa Mãe Igreja foi abandonada pelos “reformadores” do século XVI. Eles preferiram acreditar nos seus sentidos a acreditar nas promessas de Deus.

O concílio de Trento, para resguardar a Fé cristã, declarou infalivelmente a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia:

874. Ensina primeiramente o santo Concílio e confessa aberta e simplesmente que no augusto sacramento da Santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, debaixo das espécies destas coisas sensíveis, se encerra Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, verdadeira, real e substancialmente [cân. l ]. Nem repugnam entre si estas coisas: que o mesmo Nosso Senhor esteja sempre sentado à mão direita do Pai no céu, conforme o seu modo natural de existir, e assim a sua substância esteja presente entre nós em muitos outros lugares sacramentalmente com aquele modo de existir, que nós apenas podemos exprimir em palavras, e com a razão iluminada pela fé podemos conhecer e devemos firmemente crer ser possível a Deus. Pelo que, todos os nossos predecessores que viveram na verdadeira Igreja de Cristo, sempre que trataram deste sacramento, reconheceram abertamente que Nosso Redentor instituiu este admirável sacramento na última ceia quando, depois de benzer o pão e o vinho, testificou com palavras distintas e claras que ele lhes dava o seu próprio corpo e sangue. Estas palavras relatadas pelos santos Evangelistas (Mt 26, 26 ss; Mc 14, 22 ss; Lc 22, 19 ss) e repetidas depois por S. Paulo (l Cor 11, 23) têm seu sentido próprio e claro, no qual também os Padres as compreenderam. Pelo que seria sem dúvida alguma detestável crime torcê-las ou levá-las a uma figura ou símbolo, como fizeram alguns homens maus e rixosos que negam a real presença do Corpo e sangue de Cristo contra o universal sentir da Igreja que, sendo coluna e base da verdade (l Tim 3, 15), detesta como satânica esta doutrina, excogitada por esses homens ímpios e, com sentimento de gratidão, reconhece este incomparável beneficio de Cristo.

Sagrado Concílio de Trento, cânon 874

No século XX, no entanto, algo de muito “estranho” aconteceu. A missa nova, de Paulo VI, foi feita com a “ajuda” de seis pastores protestantes, que não crêem na presença real de Nosso Senhor.  Isso é realmente um absurdo, um escândalo que não pode ser escondido pelos defensores da missa nova. Não foi sem motivos que o novo rito perdeu muito do caráter sacrificial e se assemelhou a um banquete, de acordo com as idéias protestantes, e em confronto com a santa doutrina católica.

Uma das mudanças mais graves nesse sentido foi permitir-se ao sacerdote ficar de costas para o altar. Nessa nova configuração, o que se vê são várias pessoas reunidas em torno de uma mesa: a assembléia de um lado, o padre do outro. Como se estivéssemos em um banquete, e não na renovação do Sacrifício da Santa Cruz.

Ah, é claro que aqueles sapientíssimos “doutores”, os que costumam inventar absurdas excomunhões para quem não aceita a missa protestantizada, dirão de peito estufado: mas a missa nova também pode ser rezada com o padre de frente para o altar!

Mas, serenamente, podemos responder-lhes, derrubando-os do pedestal em que eles se colocam: não adianta “permitir” o certo se se permite também o errado. Nenhuma lei pode ser boa se apenas “permite” o certo. Toda lei, toda regra, tem o objetivo de impedir o erro. Além do mais, o concílio vaticano II e a missa nova foram extremamente perniciosos por isso mesmo: eles abriram brechas para serem futuramente exploradas. Se os erros fossem abertamente ensinados, causariam a reação imediata. Mas justamente por se abrirem várias brechas, algumas sutis, outras nem tanto, é que puderam ser infiltrados os erros absurdos que vemos hoje em dia.

O uso do latim, por exemplo, é outro caso típico. É verdade que alguns trechos do Vaticano II até exortam a utilização do latim. Mas outros, incluindo o decreto da missa nova, permitem o uso do vernáculo. Assim, quando algum “doutor” quer defender a “ortodoxia” do concílio, ele cita os trechos em que o latim é exaltado. Na prática, porém, as brechas abertas foram mais do que suficientes para os modernistas as explorarem, utilizando-se exclusivamente do vernáculo. Aliás, muito mal traduzido, em uma tradução cujos erros não podemos atribuir senão a uma vontade deliberada de perverter a liturgia e todo seu significado.

O maior dos motivos que temos para restaurar a Santa Missa Tridentina, pois, é darmos a Deus a glória que Ele merece, em um culto que deixa inequívoco o caráter de sacrifício; a MIssa plena de respeito, de decoro e de louvor diante da presença real de Nosso Senhor; a Missa em que não fazemos barulho, mas silêncio respeitoso quando se renova, de forma incruenta, o Santo Sacrifício do Calvário. A festa de Corpus Christi deve nos lembrar que, não somente nesse dia, mas em toda Santa Missa, Cristo Nosso Senhor está real e substancialmente presente na Sagrada Eucaristia. Por isso, não devemos aceitar uma missa por que ela é “mais animada” ou “mais festiva” para o povo. Devemos desejar a Santa Missa na sua forma mais digna e que maior honra possa dar a Deus. Não é o momento de “festa” ou de “reunião de amigos”. É o momento mais sublime que podemos imaginar em nossas vidas: Deus mesmo se entrega a nós, escondido dos sentidos sob as aparências de pão e vinho, mas revelado e crido pela Fé, divina e católica.

E o tiro saiu pela culatra…

Vamos analisar mais um texto do Falsitatis Splendor. Não é nenhum texto novo, mas apenas um argumento que eu ainda não havia refutado e que se encontra no mesmo artigo em que o Alessandro Lima pretendia provar que o cardeal Ottaviani aprovara a versão final da missa nova. Lá no final do artigo, encontramos o seguinte raciocínio:

Cabe ainda lembrar o que ensinou o Concílio de Trento:

“Cân. 6. Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, portanto, deve ser ab-rogado: seja anátema” (Sacrifício da Missa, Doutrina do Sacrifício da Missa Cap. IX. Sessão XXII celebrada no dia 17 de setembro de 1562. DENZINGER 1756).

“Cân. 7. Se alguém disser que as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa são mais incentivos de impiedade do que sinais de piedade: seja excomungado” (Ibidem. DENZINGER 1757).

Logo, segundo o Concílio de Trento é IMPOSSÍVEL que a Igreja formule uma liturgia da Santa Missa que contenha erros contra a Fé ou que incentive a impiedade. Cai nos anátemas do Concílio Tridentino quem acredita que a liturgia da Missa Nova seja intrinsecamente má ou que incentiva a impiedade.

http://www.veritatis.com.br/article/5079

As citações do concílio de Trento são perfeitas, mas a interpretação, como de costume, é um desastre. Não está escrito, de forma alguma, nos cânones citados que jamais pudesse ser formulada uma liturgia da Santa Missa que contivesse erros. A “conclusão” do Alessandro Lima não passa de suas próprias idéias pré-concebidas, expostas como se fosse conseqüência lógica dos textos do concílio de Trento.

Certamente, através de um documento do magistério infalível, não seria aprovada nenhuma liturgia com erros. Mas o mesmo não se pode dizer da missa nova, cuja elaboração, entre outras coisa, contou até mesmo com a ajuda de seis pastores protestantes.

Se voltarmos ao texto do concílio, veremos que ele se encontra no presente do indicativo. E a Missa da época do concílio é a Missa Tridentina. Ou seja, o cânon da Missa que não possui erros, e que não deve ser ab-rogado, segundo o concílio de Trento, é o da Missa de Sempre. O texto não diz nada do tipo “qualquer que seja o cânon da Missa que venha a ser aprovado, sob quaisquer condições, ele estará livre de erro”. Dizer, portanto, que o texto do concílio de Trento se aplica à missa nova, “inventada” quatro século depois é, no mínimo, duvidar da capacidade intelectual do leitor.

Mas, nós podemos não somente desfazer o engano do Alessandro Lima, mas também ir bem além nas conseqüências desses cânones do Sagrado Concílio de Trento.

Se a Missa Tridentina não contém erros, como de fato não os contém, então por que deveríamos criar uma missa nova? Se a Missa de Sempre é indefectível, como de fato o é, então por que introduzir uma nova missa?

O simples fato de se ter “inventado” uma nova missa, é uma crítica implícita à missa antiga. Para que, afinal,  modificar uma liturgia que não tinha o menor vestígio de erro?

Não se utiliza, com freqüência, como argumento a favor da missa nova, o fato de que essa seria melhor para os leigos, aumentando sua “participação”? Implicitamente, existe aí a crítica de que a Missa de Sempre estaria errada, por “afastar” o leigo da sua legítima “participação” (ou “concelebração”). Estou usando a terminologia moderna, de propósito, para evidenciar a crítica velada que existe, no pensamento moderno, contra a Missa de Sempre.

E o que comentar sobre o cânon 7 e “as cerimônias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa”? Se eles são sinais de piedade, como de fato os são, por que foram tão modificados no Novus Ordo? Os sinais externos do novo rito, para citar apenas um exemplo, não haviam sido alvo das críticas do cardeal Ottaviani? Não foi esse piedoso cardeal que denunciou, por exemplo, a redução das genuflexões durante a missa, levando-as quase à completa supressão? A conclusão óbvia é que, se o que se fazia no rito antigo era sinal de piedade, o novo que tentou suprimi-lo somente pode ser sinal de impiedade. Corajosamente denunciada pelo cardeal Ottaviani, que não teria nenhum motivo para aprovar o novo rito, destruidor das seculares piedades cristãs tão harmoniosamente dispostas na Missa de Sempre.

Acho que eu já me alonguei demais sobre uma conclusão que é bastante simples: a Missa Tridentina, segundo foi exposto dogmaticamente pelo Concílio de Trento, está isenta de erros. Quem disser o contrário está excomungado. Já a missa nova tentou modificar uma missa que era perfeita. Logo, existe uma crítica implícita à Missa de Sempre, pois não se precisa modificar algo que não possui erros.

Mais uma vez o tiro dos modernistas saiu pela culatra.