Como podemos nos organizar para ter a Missa Tridentina?

O blog Igreja Una fez uma excelente observação a respeito da carta escrita por Dom Vilson Dias de Oliveira, bispo de Limeira. O bispo escreveu, dentre outras coisas, o seguinte:

4 – Na Diocese de Limeira jamais se negou o direito dos fiéis leigos à Missa nos termos do Missal Romano anterior à reforma de 1970, mas sempre se exigiu que o direito fosse efetivo consoante as exigências litúrgicas e jurídicas ditadas pela própria Igreja. Por isso, o Bispo Diocesano, seguindo as orientações do Núncio Apostólico no Brasil não permitiu que essa Missa fosse realizada, porque não foram encontradas totais condições para sua efetivação.

O blog Igreja Una, percebeu muito bem o deslize do bispo: Dom Vilson falou demais e acabou “entregando” o Núncio Apostólico no Brasil. As tais “exigências” ou “condições” para se celebrar a Missa Tridentina, que não constam de forma alguma do Motu Proprio Summorum Pontificum, não nascem apenas das cabeças dos bispos modernistas isoladamente, mas, pelo que se pode ver, partem do próprio núncio Apostólico no Brasil!

Ora, se os inimigos do Rito Tridentino estão organizados, por que nós não deveríamos nos organizar para defender o nosso legítimo direito de assistir a este rito?

O próprio blog Igreja Una já se iniciou a mobilização pelo Missa de Sempre na diocese de Piracicaba:

Missa Tridentina em Piracicaba

http://igrejauna.blogspot.com/2009/03/missa-tridentina-em-piracicaba.html

Os católicos da diocese de Limeira também estão organizados:

Católicos da Diocese de Limeira apóiam o Papa
http://www.catolicoslimeira.com.br/

Para o Estado do Espírito Santo, há o site:

Missa Tridentina no Espírito Santo

http://br.geocities.com/missatridentinaes/

Creio que muitas outras iniciativas como esta podem surgir. Poderíamos, talvez, nos organizarmos por dioceses, reunindo as pessoas que desejam a Missa de Sempre. Certamente há muitas pessoas que desejam a Missa de Sempre e nem sabem que há, em sua cidade, outros interessados.

Além disso, podemos divulgar todos os sites e blogs que se dispõe a tal trabalho. Creio que esta é uma idéia que deve ser amadurecida. Da minha parte, já começarei, a partir de agora, a divulgar todos os sites que reúnem os interessados na Missa Tridentina.

Para os que se escandalizam com o latim…

A todos os que se escandalizam com o latim na liturgia tradicional da Igreja Católica Apostólica Romana,  convido a assistir o seguinte vídeo, que eu encontrei na página da Igreja Greco-Melquita Católica: (http://www.melquitas.com.br/paginas.php?cod_pagina=246&tipo=dep&cod_sub_area=104)

Esta celebração da Divina Liturgia (como é chamada a Missa no rito oriental) mostra toda a assembléia cantando em português, grego e árabe. Portanto, não somente uma, mas duas línguas litúrgicas diferentes do vernáculo. E a quantidade de pessoas cantando demonstra que as línguas litúrgicas não são uma barreira para quem tem verdadeira religião. Em vez de afastar as pessoas, as línguas litúrgicas as unem e reforçam sua identidade, como o grego e o árabe na liturgia oriental, e o latim na ocidental.

É preciso lembrar que o valor da assistência à Missa não depende da compreensão dos textos litúrgicos. O que importa é que se está diante do Sagrado. A liturgia tradicional é, inequivocamente, um culto de adoração a Deus. Um momento de se esquecer do mundo e se concentrar apenas em Deus, e a língua litúrgica diferente do vernáculo ajuda em muito a destacar a sublimidade deste momento, superior a todos os outros momentos do nosso quotidiano.

Engraçado que as pessoas que se escandalizam quando se defende a liturgia da Santa Missa em latim, são aquelas mesmas que não perdem um capítulo da novela, ou das novelas… Para as coisas do mundo há tempo de sobra, mas quando se trata de religião, busca-se sempre o mais cômodo, aquilo com o que já se  acostumou, por mais pobre que seja em termos litúrgicos. Quem se acostumou com a língua vulgar da missa nova deveria fazer um esforço inicial para assistir a liturgia tradicional. Logo verá que o não latim não é obstáculo, pelo contrário, é um dos grandes atrativos da liturgia. O latim realça o momento sublime da Santa Missa. E quem sabe, com o tempo, aquelas mesmas pessoas que se assustavam com o latim, acabem até por estudá-lo. Pois, mesmo não sendo essencial, a compreensão do que diz o texto litúrgico e o canto gregoriano pode ajudar na apreciação de seu valor.

De qualquer forma, sendo compreendida ou não, a liturgia tradicional é incomparavelmente mais bela do que aquela inventada na década de 60. E não somente mais bela, como muito mais verdadeira, muito mais próxima da dignidade de Deus, plena das virtudes de piedade e religião.

O nosso blog lido no Vaticano!

O Vaticano está interessado no que os católicos tradicionais publicam na Internet. Até o nosso humilde blog foi lido pelo Vaticano! As seguintes telas foram obtidas através das estatísticas providas pelo StatCounter:

O blog Gazeta da Restauração também foi lido no Vaticano (cfr. o artigo “O Papa lê a GdR”). Muitos outros devem ter sido lidos, mas os autores não devem acompanhar as estatísticas. De qualquer forma, isso demonstra que a Internet, o nosso único meio de expressão, está cumprindo sua finalidade, de tal maneira, que até o Cardeal Castrillón Hoyos se referiu às publicações dos sites tradicionais. Conforme notícia traduzida pelo blog Fratres in Unum, o cardeal lamentou a atitude dos “tradicionalistas” de lhe enviarem cartas e publicarem suas queixas na Internet.

Infelizmente, no entanto, a entrevista do cardeal demonstra que o fantasma do relativismo ainda assombra Roma. Nas suas próprias palavras, o cardeal disse que “todos devem ser respeitosos com as idéias dos outros”. Ele citou, como exemplo, o caso da comunhão de joelhos, reclamando daqueles “cantam vitória” ao ver o Papa administrar a Eucaristia aos fiéis de joelhos. Por outro lado, quando acontece algo contra a Tradição, exultam os que são contrários à Tradição. Pode até parecer conciliador o discurso do cardeal, mas isso somente seria útil em uma briga de vizinhos, ou em uma confusão na feira livre, em que nenhuma das partes possui, definitivamente, razão. O caso aqui é bem diferente. A comunhão de joelhos é imperiosa para que se guarde o devido respeito para com o Santíssimo Sacramento. Receber o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, sem se prostrar de joelhos, nas mãos, sem reverência, tendo-O recebido de um “ministro” (ou “ministra”) da Eucaristia, isso não é atitude de cristão, de pessoa devota. Isso é desrespeito dos mundanos que já não têm Cristo como o centro de sua vida, que não têm mais temor de Deus, e que praticam uma religião por mero costume. Nós não “queremos” (no sentido de um triunfo da vontade sobre a realidade) que o sacramento seja administrado assim para “cantarmos vitória”. Nós desejamos profundamente que assim o seja porque esta é a forma correta. A realidade, a Verdade, deve moldar nossa vontade, e não o contrário. E nós estamos diante de uma Verdade Absoluta: Deus, por um mistério de Sua infinita bondade, entrega-Se, verdadeiramente, a nós como alimento, e o mínimo que o homem pode fazer é recebê-lo com a maior reverência. Essa Verdade de Fé é que nos obriga a defender a comunhão de joelhos, e não a alegria mundana de ver o nosso “time” poder zombar do outro que perdeu, a exemplo do que ocorre com as torcidas dos times de futebol. Para um aprofundamento sobre o tema da comunhão de joelhos, recomendamos a leitura do artigo “Sobre comungar de pé”, do site Volta para Casa.

Quanto à “insaciedade” dos tradicionalistas, de que o cardeal lamenta, creio sinceramente não ser mais do que o necessário. A Internet é único meio que nos restou para reivindicar os direitos que não são apenas nossos, mas, muito mais, do Deus Altíssimo, de receber um culto à altura de Sua infinita majestade. Se abstraíssemos a verdadeira motivação de nossa luta, a teocêntrica, ainda assim teríamos direito de publicar nossos textos. Os católicos tradicionais foram expulsos da Igreja, e os modernistas não deixaram nenhum lugar para nós. O “diálogo” pregado pelo Concílio Vaticano II e seus defensores é uma caricatura nojenta do verdadeiro diálogo. O que existe é uma verdadeira ditadura, onde somente têm voz aqueles liberais, que defendem a dessacralização da Igreja, a descristianização da sociedade. Nas homilias, nas CEBs, nos “grupos de oração”, nos folhetos de missa, nos jornais paroquianos, diocesanos, etc, somente há lugar para as opiniões liberais. O que restou para os católicos tradicionais, conservadores, senão a Internet? Perdoe-me, eminentíssimo cardeal, mas nós temos o dever católico de continuar defendendo a Verdadeira Fé da única forma que nos restou: publicando textos na Internet.

É interessante frisar aqui que eu demorei um bom tempo antes de decidir publicar algo na Internet. Eu tentei, antes, os meios privados. Por ocasião daquela desgraçada campanha do desarmamento, eu enviei e-mail para a CNBB questionando a postura que eles tomaram, contrária aos ensinamentos da Igreja e ao bom senso. Estou esperando a resposta até hoje. Quando o professor Felipe Aquino publicou a mentira de que os membros do recém-criado Instituto do Bom Pastor haviam aceitado o concílio Vaticano II e a missa nova, eu também lhe enviei um e-mail. Além de não me responder, o professor não deu nenhuma satisfação aos seus leitores para desfazer a confusão que ele gerou com seu preconceito de que somente pode estar em comunhão com a Igreja aquele que aceita o Vaticano II e a missa nova, fato desmentido pela criação do IBP. Até para a Canção Nova eu, ingenuamente, enviei um e-mail para travar um diálogo. É necessário dizer que eles também não respoderam? Devo deixar claro que todos os e-mails foram escritos de forma respeitosa, mas, como discordavam da posição dos destinatários, eles simplesmente rejeitaram o “diálogo fraterno”.

A minha experiência de tentar o “diálogo” com os defensores do Vaticano II, no entanto, é só um ínfimo exemplo do silêncio mortal a que foram reduzidos os católicos tradicionais. Silêncio esse, felizmente, quebrado pela Internet. Nós sabemos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, enfrenta lobos terríveis, que desejam impedir de qualquer forma a Missa Tridentina e a restauração da Igreja. Por isso, devemos ter certa moderação e paciência. Mas não podemos deixar de lutar e de expressar o nosso desejo da plena restauração da Missa Tridentina, em todas as paróquias, e da condenação de todos os erros modernos. E que isso se dê o mais breve possível, porque a questão não é um mero bairrismo, mas sim a eterna luta da Cidade de Deus contra a Cidade do Homem. E, do bom sucesso da restauração litúrgica e doutrinal, dependem a santificação e salvação de muitas almas, e a maior glória do Deus Altíssimo.

Guerra declarada

Todos os setores modernistas são contrários à Missa Tridentina. Alguns o fazem de maneira mais velada, outros nem tanto. A recusa dos bispos em atender aos pedidos dos fiéis que desejam a Missa de Sempre, por exemplo, é prova incontestável da má vontade dos modernistas. Se não se nega água nem para o inimigo, quanto mais não se deve negar o alimento espiritual para os fiéis que o pedem aos pastores. Tais pastores, é bem verdade, mais se comportam como lobos. Mas, além desta perseguição mal camuflada contra a Tradição, os modernistas já estão assumindo abertamente as suas disposições diabólicas (não há outra palavra) de sufocar a legítima liturgia tridentina. Vejam o site que eu encontrei, ao fazer pesquisas na internet:

O Antitridentino

http://antitridentino.com.sapo.pt/

Um site inteiro dedicado a combater a Tradição católica e a Missa de Sempre!

Logo na página inicial eles demonstram o que pretendem defender: O Concílio Vaticano II e a missa nova. Dizem também que querem defender a Igreja Católica, como se pudessem defender a Igreja que decretou a excomunhão daqueles que consideram que na Missa Tridentina possa haver erros:

“Cân. 6. Se alguém disser que o cânon da Missa contém erros e, portanto, deve ser ab-rogado: seja anátema” (Sacrifício da Missa, Doutrina do Sacrifício da Missa Cap. IX. Sessão XXII celebrada no dia 17 de setembro de 1562. DENZINGER 1756).

Incoerência, no entanto, é o mínimo que se pode ver nos modernistas. O grande mal que existe neles, tanto nos camuflados como nos assumidos, é o desejo de afastar a Igreja Católica de sua Tradição de dois mil anos e de ocultar a Verdadeira Fé, tudo em nome da “obediência” ao Vaticano II. Em troca do que é falível e pastoral, abandona-se ou mitiga-se o que infalível e dogmático. Em troca do que é “novo” abandonam-se as verdades antigas. Em troca do mundo moderno, abandonam-se os ensinamentos de nossos santos e veneráveis antecessores na Fé do Cristo. Em troca do reino do homem, abandona-se o Reino de Deus. E, contra aqueles que não desejam apostatar, declara-se (ou não, para maior desgraça e perfídia) uma guerra sem tréguas, sem moralidade, buscando reduzi-los ao silêncio e ao degredo. Esse é o retrato dos “tolerantes” defensores do Vaticano II e da missa nova, que realmente toleram tudo, desde que não seja legitimamente católico.