O Vaticano II e a “fraternidade universal”

A Igreja Católica, inspirada por Deus, sempre ensinou que o mundo está dividido em bons e maus. Já no capítulo 3 do Gênese, versículo 15, podemos ler: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” Entre a descendência da mulher e a descendência da serpente existe ódio e luta.  Mesmo que não houvesse uma Autoridade Divina a nos ensinar essa verdade, poderíamos deduzi-la da turbulenta história dos homens, do meio em que vivemos, do constante combate que presenciamos entre os que lutam pela virtude e os que são arrastados pelos vícios.

O Santo Padre, Papa Leão XIII, de venerável memória, através de sua encíclica Humanum Genus, vem nos relembrar que a humanidade está dividida em dois campos inimigos. E cita o célebre texto de Santo Agostinho sobre as duas cidades:

As duas cidades
1. Desde quando, pela inveja do demônio, miseravelmente se separou de Deus, a quem era devedor do seu chamado à existência e dos dons sobrenaturais, o gênero humano dividiu-se em dois campos inimigos, que não cessam de combater, um pela verdade e pela virtude, o outro por tudo o que é contrário à virtude e à verdade. – O primeiro é o reino de Deus na terra, a saber, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, cujos membros, se lhe quiserem pertencer do fundo do coração e de maneira a operar a sua salvação, devem necessariamente servir a Deus e a seu Filho único, com toda sua alma, com toda a sua vontade O segundo é o reino de Satanás. Sob o seu império e em seu poder se acham todos os que, seguindo os funestos exemplos do seu chefe e de nossos primeiros pais, recusam obedecer à lei divina e multiplicam seus esforços, aqui para prescindir de Deus, ali para agir diretamente contra Deus. Esses dois reinos, viu-os e descreveu-os Santo Agostinho com grande perspicácia sob a forma de duas cidades opostas uma à outra quer pelas leis que as regem, quer pelo ideal que colimam; e, com engenhoso laconismo, pôs em relevo nas palavras seguintes o princípio constitutivo de cada uma delas: Dois amores deram nascimento a duas cidades: a cidade terrestre procede do amor de si até ao desprezo de Deus; a cidade celeste procede do amor de Deus levado até ao desprezo de si (De Civit. Dei, lib. XIV, c. 17).

A vida do homem sobre a terra é uma luta (Jó 7,1). E não somente a luta de um indivíduo, mas a luta de duas cidades opostas, como tão expressivamente demonstrou Santo Agostinho.

Apesar de testemunhos tão claros e tão plenos de autoridade, demonstrando que a história deste mundo é uma história de luta entre os bons e os maus, o concílio Vaticano II apresentou uma visão muito diferente do que se deveria esperar do futuro:

“Por isso proclamamos a vocação altíssima do homem e afirmamos existir nele uma semente divina, o Sacrossanto Concílio oferece ao gênero humano a colaboração sincera da Igreja para o estabelecimento de uma fraternidade universal que corresponda a essa vocação.” (Gaudium et Spes, n. 3)

Esse trecho, claramente gnóstico, pois diz que há uma semente divina no homem, talvez seja um dos mais heréticos do Vaticano II. Mas isso vou discutir em outro artigo. Por hora, gostaria de fixar a atenção apenas na expressão “fraternidade universal”. Ela não parece estar em contraste com todos os autorizados textos das Escrituras Sagradas e do Magistério da Igreja? Se a Igreja sempre nos ensinou que existem duas cidades em luta entre si, com que direito o concílio vem oferecer sua colaboração para a foramação de uma “fraternidade universal”? De onde vem este otimismo que acredita que os efeitos do pecado original podem ser superados ao ponto de se formar uma fraternidade abrangendo todos os homens?

A opnião do concílio certamente não está de acordo com o que a Igreja sempre ensinou. Mas, com quem ele estaria, então, de acodo? Podemos achar uma resposta:

“Registros históricos indicam que o professor [Adam Weishaupt, fundador dos Illuminati da Baviera] era um homem que buscava uma visão peculiar do mundo, com uma união de classes, religiões e nações em busca de uma fraternidade universal. Essas idéias de igualdade e felicidade sem uma religião que causasse nenhum tipo de corrupção, eram, de certa forma, herdadas de filósofos franceses como Rousseau.” (PEREIRA COUTRO, SÉRGIO; Seitas Secretas, ed. Universo dos Livros, 2007, página 46).

Portanto, o concílio Vaticano II não ensinou de acordo com a Igreja Católica mas, ao contrário disso, ajustou seu discurso ao das seitas secretas. Por isso, e por muitas outras coisas, o concílio não somente se afastou da doutrina católcia de sempre, como inegavelmente ensinou o erro, escrevendo com todas as letras teses contrárias ao Depósito da Fé guardado pela Igreja.

Não somente por esse erro, mas por tantos outros (que pretendemos expor oportunamente), os verdadeiros católicos são obrigados a combater o concílio Vaticano II e suas heresias.