Arcebispo e CNBB defendem estado laico

O Estado laico sempre teve a intenção de usurpar os direitos da Igreja, tentando minimizar Sua liberdade e Sua influência. A História demonstra, com abundância de exemplos, como o Estado laico perseguiu (e persegue) a Igreja Católica. Sua Santidade, o Papa Pio IX, de venerável memória, publicou o magnífico Syllabus, encíclica na qual se denunciavam os erros do modernismo, inclusive os do Estado laico que tentava se impor à Igreja.

Não obstante palavras tão claras do venerável e bem-aventurado Papa Pio IX, e revestidas de toda autoridade do Sumo Pontífice, o arcebispo de Uberaba, Minas Gerais, defendeu com todas as letras, o estado laico:

 

No começo, tem-se a impressão de que o arcebispo irá condenar o Estado laico, como se esperaria de um bom católico.

Mas, no segundo e último parágrafo, a argumentação vira às avessas, contrariando completamente aquela do início. Primeiro, dando uma péssima idéia do que seria um estado “não-laico”. Para a doutrina católica, o Estado deve estar subordinado à Igreja. Mas o arcebispo cita exemplos como o Islã e o caso de subordinação da Igreja a um Estado usurpador de suas atribuições. Ou seja, se alguém não sabia o que a doutrina católica ensina sobre as relações sobre Igreja e Estado, sairá ainda mais confuso depois de ler o artigo do arcebispo.

Mas o pior ficou para o final. Contrariando tudo o que a Santa Mãe Igreja ensina, o arcebispo escreve com todas as letras, e ainda as coloca em destaque:

Hoje somos todos a favor do Estado Laico.

O que quer dizer: hoje não somos mais a favor do que a Igreja ensina…

Dom Roque continua com os absurdos:

A esfera política e a religiosa devem ser distintas. Isso já é patrimônio da civilização. (…)

A laicidade respeita as verdades resultantes do conhecimento natural de todos os que vivem na sociedade. (…)

Quanto mais laico é um Estado, tanto mais respeita o exercício das atividades culturais dos grupos religiosos. (…)

[os grifos são do texto original]

Aqui se pode perceber a completa discordância entre o que foi escrito no final e no começo do artigo, quando Dom Roque se queixava de que a Igreja não podia sequer exprimir sua doutrina que já era combatida pelos defensores do Estado laico…

Mas  não foi apenas o arcebispo. A CNBB também reproduziu em seu site o mesmo artigo:

As campanhas da CNBB contra o aborto, a pesquisa com células-tronco embrionárias, a eutanásia, ou contra qualquer outra afronta à moral cristã é inútil diante de um Estado chamado “laico”. Aliás, chamar de laico nosso Estado não passa de eufenismo, porque ele é, hoje, visivelmente anti-cristão.

Fazer campanhas como a CNBB faz, mas defender o Estado laico, é como tentar encher de água um balde furado. É trabalho inútil. É pura enganação contra o povo católico que, inocente, não sabe que os defensores do Concílio Vaticano II abandonaram a verdadeira Fé Católica.

Esse tema nos faz lembrar da conversa entre Dom Marcel Lefèbvre e o então Cardeal Ratzinger. O grande defensor da Fé Católica expôs claramente que não bastava liberar a Missa Trindentina para que se fizesse um acordo entre a FSSPX e o Vaticano. Era preciso lutar pelo Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto que os modernistas queriam o Estado laico. Dom Marcel Lefèbvre se levantou como uma muralha contra as pretensões dos modernistas de descristianizar a sociedade. Por isso se compreende porque há tanto ódio contra ele e a FSSPX, e contra qualquer católico que lute pela cristianização da sociedade.