Folheto de missa nega presença real de Cristo na Eucaristia

O protestantismo se levantou contra a maior parte das Verdades de Fé da Igreja. Lutero, entre outras heresias, negava o caráter de sacrifício da Santa Missa, bem como a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. A Santa Igreja, com energia, repeliu, no Concílio de Trento, estas nefastas heresias, reafirmando todos os dogmas ensinados por Nosso Senhor.

Hoje em dia, no entanto, este bravo esforço em defesa da Verdadeira religião, que atravessou os séculos, é covardemente traído pelos membros corrompidos da nova igreja modernista. O erro é ensinado abertamente. As perniciosas heresias protestantes são ensinadas por aqueles mesmos que tinham o maior dever de repeli-las e de ensinar a Verdadeira Fé.

Como exemplo do que afirmo, segue a transcrição de um texto retirado de um folheto de missa (os destaques são nossos):

VIDA E MISSÃO
40º ANIVERSÁRIO DA SACROSSANTUM CONCILIUM

A SAGRADA LITURGIA (39)

“Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus quando ele partiu o pão” (Lc 24,35)

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.
Quando a gente se reúne cada domingo, a gente está atendendo a um pedido de Jesus, um pedido muito caro a seu coração.

Ele gosta de ver seus discípulos reunidos em seu nome. Este é o momento por excelência de experimentar a presença do Ressuscitado entre nós. Ele chega, antes de tudo, para nos comunicar sua paz. O momento decisivo, porém, de experimentar esta presença real e dinâmica é, justamente, quando repartimos entre nós, irmãos e irmãs, o pão e o vinho, em sua memória, como ele mesmo nos mandou. E não há magia nem milagre, é um “sacramento”, isto é, um sinal, ou, como diziam os gregos, um “mistério”, segredo que só aos iniciados, no caso, os evangelizados, é dada a graça de desvendar, e, por isso, um “Mistério de Fé”.

Mas para ser um sinal realmente significativo, precisa ser dado com toda a sua força de expressão, não pode ser um “faz de conta”. E a este respeito precisamos superar as distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista, que, em detrimento do realismo evangélico e do valor de tudo quanto é corpo e matéria, criação de Deus, reduziu a expressão sacramental ao mínimo dos mínimos, vale dizer, à insignificância: o banho do batismo se reduziu a uns pingos d’água; a unção dos enfermos, a um triscar com uma gota de óleo; o pão da Ceia do Senhor, a uma pequenina “ficha”.
Mesmo se nos ativermos à tradição do pão ázimo, coisa que não precisaria ser tão rigorosa, já que, por exemplo, as Igrejas do Oriente desde sempre o rejeitaram, bem que poderíamos fazer uma coisa que se possa perceber que se trata de pão, pois foi pão de verdade que Jesus tomou e deu aos discípulos.

Pão que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando. E, nesse comer de verdade, experimentar “quão suave é o Senhor”, sentir-se em profunda comunhão de vida e destino com Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida! Pão que a gente partilha entre todos e, ao comer da mesma mesa, do mesmo pão, nos sentir a formar um só Corpo, com Aquele que é nossa Cabeça, nosso traço-de-união.

Em comunidade, em clima de aconchego, fica mais fácil de resolver o problema. Quando se trata de multidão, como chegar a uma solução verdadeira, sem sair pela tangente da lei do menor esforço?… Experimentamos tudo isso meditando e cantando de novo o Salmo 147!

Folheto de missa – Deus conosco 21/09/2003

Os erros contra a Fé são da maior gravidade. Estão escritos com todas as letras, e negam explicitamente a presença real de Cristo na Eucaristia. Como se pode negar, em tão poucas linhas tantos dogmas de Fé? Resumindo a idéia do autor, poderíamos dizer que o texto insiste no caráter de refeição da Santa Missa, e que é preciso perceber que se trata de pão, (…) que se possa mastigar e ter a real sensação de que está se alimentando, em um comer de verdade. E se se trata apenas de pão, é porque não houve a transubstanciação, uma vez que não há magia nem milagre. O dogma da transubstanciação seria fruto de distorções de certa teologia desencarnada e espiritualista. O sacramento seria apenas um “sinal”, uma simbologia sem efeitos reais. E como se trata apenas de alimento material, deve haver quantidade suficiente, e não pode ser um mínimo dos mínimos, uma pequenina “ficha”.

Isso é um verdadeiro resumo da heresia protestante, transcritos em um folheto de missa dito católico. Basta comparar com a expressão ortodoxa da Fé católica: a Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício de Cristo no Calvário, na qual Nosso Senhor se faz presente, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Depois da consagração, já não há mais pão ou vinho, mas sim Cristo escondido sob as aparências de pão e vinho. Existe sim um milagre, um dos mais belos milagres que Deus se dignou realizar: tornar-se alimento espiritual para os que comungam seu Corpo e Sangue. O sacramento não somente é uma sinal, mas confere real e eficazmente as graças contidas no símbolo. E nosso Senhor está integralmente presente na mínima partícula da Sagrada Eucaristia.

O que está escrito no folheto de missa é a negação exata de todos estes dogmas de Fé. Por que as pessoas que defendem tais heresias já não entram de vez para uma seita protestante? Quero dizer, por que não o fazem abertamente, uma vez que, na prática, já não são católicos. Pois quem se refere à Sagrada Eucaristia como uma pequenina “ficha” (como eu fiquei revoltado quando li isto!), filho da Igreja não é. Parece mais ser membro de alguma daquelas seitas extremamente hostis à verdadeira religião.

Até aqui somente comentamos os absurdos escritos naquele folheto da missa (nova, é claro). Que existe um grande traição modernista contra a Igreja, muitos já o admitem. Mas, dentre estes, há um bom número que, iludidos por manobras “falsitáticas”, não compreendem a íntima ligação da apostasia atual com o grande causador de toda esta confusão: o concílio Vaticano II.

Não nos contentaremos, pois, em colocar em evidência os erros do dito folheto. Vamos provar uma tese mais ampla: tais erros estão escorados na “autoridade” do Vaticano II.

Não é nada difícil, uma vez que o próprio autor do texto explicitou seu desejo:

Vale a pena insistir no caráter de refeição da celebração da missa, se quisermos avançar no caminho aberto pela Constituição litúrgica, 40 anos atrás.

O autor admite que a Constituição Litúrgica Sacrossantum Concilium, cujo 40º aniversário se comemorava, abriu um caminho. E qual não foi este caminho senão o da heresia protestante a respeito da Santa Missa?

A excelente série de artigos intitulada “Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II”, publicada no site da Capela, faz, em seu terceiro capítulo, uma análise dos erros doutrinais sobre a Santa Missa e a Santa Liturgia, contidos em vários documentos conciliares, inclusive na Sacrossantum Concilium. Dada sua qualidade, o artigo é de leitura quase obrigatória para se conhecer um pouco os erros do concílio Vaticano II. Aqui, contentar-me-ei em citar o que diretamente se refere à definição da Santa Missa dada pela Sacrassantum Concilium (os destaques são nossos):

3.1. A definição reticente e incompleta da Santa Missa como “refeição durante a qual se recebe o Cristo” e memorial da morte e da ressurreição do Senhor (morte e ressurreição colocadas no mesmo plano), sem a menor menção do dogma da transubstanciação e do caráter de sacrifício propiciatório da própria Missa (SC 47, 109). Por causa deste silêncio, essa definição cai no caso condenado solenemente por S.S. Pio VI em 1794, por ser “perniciosa, infiel à exposição da verdade católica sobre o dogma da transubstanciação, favorável aos heréticos” (Const. Apost. Auctorem fidei, DZ 1529 / 2629), e introduz uma falsa concepção da Santa Missa, concepção que, em seguida, serve de fundamento à nova liturgia desejada pelo Concílio, graças à qual os erros da “Nova Teologia” chegaram até os fiéis.

A cor protestante dessa definição da Santa Missa aparece de modo ainda mais claro no artigo 106 da constituição Sanctorum Concilium: “a Igreja celebra o mistério pascal todo o oitavo dia, que é chamado com justeza o dia do Senhor ou domingo. Efetivamente, nesse dia os fiéis devem se reunir para que, ouvindo a palavra de Deus e participando da Eucaristia, eles se lembrem da paixão, da ressurreição e da glória do Senhor Jesus e rendam graças a Deus, etc”. O texto latino mostra sem sombra de dúvida que o fim da Santa Missa é, segundo SC, o memorial e o louvor: “Christi fideles in unum convenire debent ut verbum Dei audientes et Eucharistiam participantes, memores sint (..) et gratias agant (…)”. Ver também, como prova, Ad Gentes 14: os catecúmenos participam da Santa Missa, quer dizer que eles “celebram com todo o povo de Deus o memorial da morte e da ressurreição do Senhor”, onde se constata que a Santa Missa é simpliciter o memorial da morte e da ressurreição do Cristo, celebrada por todo o povo cristão. Nem a menor menção do Sacrifício renovado de modo incruento para a expiação e perdão de nossos pecados.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

O autor do texto publicado no folheto de missa, portanto, não mentiu quando disse que estava progredindo no caminho aberto pela Sacrossantum Concilium. O silêncio criminoso desta constituição sobre os pontos mais importantes da definição da Santa Missa, e justamente aqueles que a diferenciam da concepção protestante, abriu brechas para textos como o que foi escrito naquele folheto. Se o concílio fosse realmente parte legítima do Magistério da Igreja, o autor do texto do folheto teria razão em afirmar que a missa é uma simples refeição, e que é um memorial da morte de Cristo. Absurdo!!! Mas, afinal, é isso que se encontra no textos nada ortodoxos do Vaticano II.

Mas, se o texto da Sacrossantum Concilium é tão pernicioso por suas omissões, muito pior é o documento que instituiu a missa nova. Ainda citando o mesmo artigo do site da Capela, vejamos a definição da Santa Missa dada por esse documento confrontada com a definição de São Pio X (os destaques são nossos):

Já se encontra nestes artigos a definição da Missa que será dada em seguida pelo funesto artigo 7 do Institutio Novi Missalis Romani (1969), ainda em vigor: “A Ceia do Senhor ou Missa é a santa assembléia ou reunião do povo de Deus que se reúne sob a presidência do padre para celebrar o memorial do Senhor“; definição que, na época, suscitou protestos tão angustiados quanto inúteis de numerosos fiéis e padres e a célebre tomada de posição dos cardeais Bacci e Ottaviani em razão de seu caráter manifestadamente protestante, isto é, herético. Comparemos essa definição com aquela, ortodoxa, contida no Catecismo de São Pio X: “No. 159. O que é a Santa Missa? A Santa Missa é o Sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que sob as espécies do pão e do vinho, são oferecidos pelo padre a Deus sobre o altar em memória e renovação do Sacrifício da Cruz“.

http://www.capela.org.br/Crise/Vaticano2/sinopse3.htm

Na definição da Santa Missa dada por Paulo VI no documento que instituiu a missa nova, nada há que se assemelhe à doutrina católica. Pelo contrário, é a total negação do dogma católico. É a mais aberta declaração da heresia protestante. Como pode um católico se deixar enganar, fingindo não perceber aí a evidente perversão da Santa Doutrina?

Aos que defendem a missa nova poderíamos perguntar: foi o Espírito Santo que inspirou a criação da missa nova? Foi sob a assistência do Espírito Santo que Paulo VI aprovou essa definição protestante da missa? Podemos atribuir ao Espírito Santo a fundação da nova missa de Paulo VI, através deste documento tão manifestamente contrário à Sã Doutrina? Responder afirmativamente é cometer uma terrível blasfêmia.

Se o Vaticano II e a Institutio tivessem repetido a definição ortodoxa de São Pio X, o autor do texto do folheto de missa teria como se apoiar nestas “autoridades” para negar a presença de Cristo na Eucaristia? Certamente não. Se o concílio fosse ortodoxo, ele não abriria brechas para as heresias. O concílio foi intencionalmente ambíguo e omisso, não ensinando de forma clara e inequívoca a Verdade, nem condenando as heresias. Por isso, escorados na “autoridade” deste concílio pseudo-católico, os hereges tentam destruir a Igreja. Eles não conseguirão, pois Nosso Senhor prometeu que as portas do inferno não prevalecerão contra Sua Igreja Santa. Mas, enquanto o concílio não for desmascarado completamente, os hereges modernistas continuarão a fazer muito mal às almas dos pobres fiéis.