Presidente da CNBB: “o reconhecimento do Estado laico é um valor” !!!

Por que a Igreja vive uma crise tão grande hoje em dia? Esta é a pergunta que muitos católicos se fazem sem, no entanto, encontrar resposta. Podemos dizer que uma boa parte da culpa por este estado de coisas é a traição interna.

Em novembro de 2008, o Vaticano assinou um acordo com o estado brasileiro. Destaco, abaixo, o trecho da matéria publicada no site da CNBB onde seu presidente, dom Geraldo Lyrio Rocha, comenta o acordo:

Acordo assinado hoje no Vaticano reconhece personalidade jurídica da Igreja Católica no Brasil

“O grande elemento do acordo é o reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica no Brasil”, ressalta dom Geraldo. O presidente da CNBB enfatiza ainda que o acordo não traz privilégios para a Igreja Católica e nem discrimina outras confissões, que perante as leis brasileiras têm os mesmos direitos. “Aliás, as outras confissões podem até pleitear seus convênios com o governo”, acrescenta.

Dom Geraldo explica ainda que não há nenhum indício de a Igreja querer ocupar espaços que são do Estado, muito menos se colocar numa atitude como se pretendesse atrelar o Estado a ela. “O reconhecimento do Estado laico é um valor. A Igreja reafirma a importância do Estado laico, porque luta pela liberdade religiosa de todos. É um direito da pessoa humana que precisa ser respeitado. Então, esse aspecto da laicidade do Estado não é de forma alguma ferido pelo acordo, pelo contrário é reafirmado”, diz.

http://www.cnbb.org.br/ns/modules/news/article.php?storyid=546

Inicialmente, notamos que, no primeiro parágrafo citado, dom Geraldo toma todas as precauções para não “ofender” os “irmãos separados”. Parece até que se ele tem vergonha de defender os direitos da Igreja Católica de ser protegida pelo Estado. Imagine só, se alguma seita não poderia pleitear os mesmos direitos da única Igreja de Cristo! Este é o pensamento de ninguém menos que o presidente da CNBB…

Mas o segundo parágrafo citado é ainda pior. Dom Geraldo ensina exatamente o contrário do que a Igreja sempre ensinou. Para o bispo, o reconhecimento do Estado laico seria um valor, cuja importância a própria Igreja afirma! O parágrafo todo é uma “profissão de fé” anti-católica.

Será que dom Geraldo nunca leu a encíclica Vehementer Nos, do papa São Pio X. onde o pontífice, de venerabilíssima memória, ensina com todas as letras:

6. Que seja preciso separar o Estado da Igreja, é esta uma tese absolutamente falsa, um erro perniciosíssimo. Com efeito, baseada nesse princípio de que o Estado não deve reconhecer nenhum culto religioso ela é, em primeiro lugar, em alto grau injuriosa para com Deus; porquanto o Criador do homem também é o Fundador das sociedades humanas, e conserva-as na existência como nos sustenta nelas. Devemos-lhe, pois, não somente um culto privado, mas um culto público e social para honrá-lo.
http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2006-7-Vehementer-Nos.htm

Mais claro do que isso, impossível. O Estado laico, isto é, aquele Estado separado da Igreja, é veementemente condenado por SS. São Pio X. O presidente da CNBB, então, contraria frontalmente o ensinamento de uma Papa Santo. Engraçado, não? Estes mesmos que atacam os católicos tradicionais por não aceitarem o pastoral e discutível Vaticano II, na hora de respeitarem o magistério pré-conciliar, esquecem totalmente o dever de obediência que tanto pregam. Coisas de CNBB…

E São Pio X não está sozinho em seus ensinamentos. Leão XIII, além de outras intervenções, relembra, em sua encíclica Immortale Dei, o ensinamento unânime de vários papas a este respeito. O Papa Pio IX, em seu memorável Syllabus, também condena a proposição segundo a qual “é preciso separar a Igreja do Estado e o Estado da Igreja” (no. 55).

E, se não bastasse o ensinamento da Igreja, a História está aí para provar o quanto o Estado laico representou, na prática, uma perseguição à Igreja. Muito longe de respeitar todas as crenças, o laicismo é, na realidade, instrumento para perseguir a Verdadeira Religião e privar a Igreja de seus direitos.

Mas não precisamos falar somente de história. Quais são as consequências do Estado laico hoje em dia? Querem tirar os crucifixos dos lugares públicos, não permitem o ensino da religião nas escolas, o Estado patrocina a imoralidade sexual, o aborto, a Igreja é publicamente atacada…

Por falar nisso, por que Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo metropolitano de Olinda e Recife, é massacrado pela mídia e pelos políticos que reclamam da “atitude conservadora da Igreja Católica”? Não é justamente este Estado laico que permite esta aberração? No maior país católico do mundo, a Igreja é publicamente perseguida por aplicar suas leis em defesa da vida! Estes são os frutos do Estado laico, que o presidente da CNBB, em oposição aos ensinamentos da Igreja, defende.

Como é que podemos ter esperanças de melhoras enquanto aqueles que deveriam ser os guardiões da Fé são os primeiros a negá-la? Neste mundo dessacralizado, qualquer um que defenda a Fé é perseguido, como Dom José Cardoso Sobrinho está sendo. Por isso mesmo, é preciso defender a Fé com todas as nossas forças, sem ambiguidades. A perspectiva, falsificada pelo concílio Vaticano II, de que a Igreja deve se abrir ao mundo moderno consegue apenas causar confusão e negações da Fé covardes e lamentáveis como esta do presidente da CNBB.

Se as coisas vão tão mal para a Igreja no Brasil, podemos exclamar em tom de ironia: Obrigado CNBB!