Dois pesos, duas medidas

Neste final de semana, chegou às minhas mãos um jornal da Arquidiocese de São Paulo denominado “O São Paulo“. O jornal é relativamente antigo, do dia 29 de maio de 2007, mas o seu (assustador) conteúdo é extremamente atual. Eis a notícia que aparece em sua última folha:

Como o faz todos os anos, a Região Episcopal Santana, através da Comissão de Ecumenismo e Diálogo Interreligioso, promove a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, com destaque para o culto ecumênico.

O texto segue com a lista de todos os representantes católicos e das diversas “igrejas”, anglicana, metodista, presbiteriana e luterana, contando até mesmo com a presença de “pastoras”! Se o bom católico já ficou assustado com isso, qual não é a nossa indignação ao avançarmos um pouco mais no texto e lermos a seguinte confissão:

Não se trata de conversão com absorção de umas Igrejas por outras, mas da purificação de todas e de sua conversão ao Senhor da Unidade.

Quanto blasfêmia! A arquidiocese de São Paulo declara publicamente, em um semanário oficial, que não deseja a conversão à Igreja Católica daqueles que estão fora d’Ela! Certamente eles já não crêem no dogma “fora da Igreja não há salvação”. E não acreditam também que a Igreja Católica seja santa, pois pregam a “purificação de todas e de sua conversão ao Senhor da Unidade”! Como se a Igreja Católica já não fosse a Igreja de Cristo, precisando de purificação e conversão! E isto, claro, através do contato com as seitas de todos os tipos.

Acho que já li maus conselhos semelhantes a este em algum lugar… Claro! Na Unitatis Redintegratio, o documento do nosso velho “amigo”, o concílio Vaticano II, sobre a união dos cristãos. A diferença é que a UR omitia completamente o termo conversão, enquanto que o jornal da diocese de São Paulo fala explicitamente que não deseja conversão. De resto a proximidade com os hereges, até mesmo com orações conjuntas (UR n. 8), já era pregada pela anticatólica declaração UR. Não é sem razão que o mesmo jornal diocesano, na página A4, elogia a UR ao apresentar a notícia de uma nova tradução do documento, feita por um padre responsável pelo movimento ecumênico da diocese de São Paulo. Traição contra a doutrina de sempre da Igreja e elogios ao Vaticano II andam sempre juntos, como neste jornal.

Voltando agora ao culto ecumênico, como poderia ele terminar? Claro, com a “benção” conjunta dos representantes de todas as “igrejas” presentes:

O culto ecumênico de Santana foi encerrado com uma apresentação do coral Amici de Casalbuono e pela benção dada pelos bispos, padres, diáconos e pastores presentes.

A foto da esquerda é do culto ecumênico em questão. A da direita é de outro culto, realizado na mesma diocese de São Paulo.

Ao ler esse texto, começamos a nos perguntar:

O cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, quando do levantamento das injustas excomunhões dos bispos da FSSPX, emitiu uma entrevista na qual ele repetia o preconceito pós-conciliar contra a Tradição católica. Entre outras coisas, Dom Scherer criticava os bispos da FSSPX por não aceitar o Concílio Vaticano II e a “autoridade dos papas eleitos de modo legítimo” [o que, diga-se de passagem, não é verdade].

Eis uma outra pergunta a que dom Scherer respondeu e que merece ser destacada:

P. Quando pode acontecer a comunhão plena dos 4 bispos em questão?

R. Quando eles aceitarem publicamente e integralmente o Concílio Vaticano II e a legitimidade do Magistério dos papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI. Isso também requer a adesão pública à fé da Igreja católica, o quê ainda não aconteceu; mas existe o diálogo com os interessados sobre as questões ainda abertas, na esperança de que se chegue à superação de todas as dificuldades e à adesão plena à Igreja católica.

Dom Scherer se cerca de cuidados para deixar bem claro sua posição (absurda) quanto aos bispos da FSSPX. Eles são tratados como leprosos, dos quais se deve manter distância, enquanto não aceitarem o pastoral e falível Vaticano II. Por que o cardeal permite, então, cultos ecumênicos em sua diocese? Será que algum herege foi convidado a aceitar o concílio de Trento ou do Vaticano I antes de serem recebidos de braços abertos no culto ecumênico? Será que algum herege foi convidado a aceitar a autoridade de algum papa? Ora, nem o papado eles aceitam… Não seria interessante avisar o povo católico sobre os riscos para sua fé ao estarem em contanto com as doutrinas pregadas pelas seitas protestantes? Contra a “terrível heresia” de não se aceitar os erros do Vaticano II os católicos são admoestados, mas contra a verdadeira heresia protestante, nenhuma palavra. Pelo contrário. O que um pobre fiel pensaria após assistir a um culto ecumênico como o que se passou na diocese de São Paulo? Se até “benção” conjunta eles receberam de padres e pastores!

Engraçado, não? Dom Scherer permite cultos ecumênicos mas não dá nenhum apoio aos católicos que desejam a Missa de Sempre. E são vários fiés, no Estado de São Paulo, que desejam a Missa de Sempre e não a têm por má vontade dos bispos. Além disso, lembram-se do IBP, que partiu de São Paulo sem que a diocese movesse uma palha para ajudá-los a manter o apostolado,que vinha crescendo? Alguém consegue entender isso, presumindo boa vontade nos defensores do Vaticano II?

Em resumo: contra a Tradição católica, toda espécie de barreira e preconceito são levantados, mas em relação às heresias protestantes, elas são tacitamente aprovadas pelos nossos queridos bispos modernistas.

Há, sem dúvida, dois pesos e duas medidas, como se diz na linguagem popular.

Tenho vergonha da CNBB.

Ab insidiis CNBB, libera nos Domine!