O concílio e o protestantismo – parte 1

O concílio e o protestantismo

Parte 1 – A oração em comum com os hereges

Um dos erros mais evidentes ensinados pelo Concílio Vaticano II foi o conselho para nos unirmos aos hereges em oração. Isto está escrito com todas as letras no número 8 do documento sobre o ecumenismo, a Unitatis Redintegratio (os destaques são meus):

Em algumas circunstâncias peculiares, como por ocasião das orações prescritas «pro unitate» em reuniões ecuménicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. Tais preces comuns são certamente um meio muito eficaz para impetrar a unidade. São uma genuína manifestação dos vínculos pelos quais ainda estão unidos os católicos com os irmãos separados: «Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou eu no meio deles» (Mt. 18,20). (Unitatis Redintegratio, n. 8)“

O texto do concílio é claro ao afirmar que é lícito e até mesmo desejável tal associação na oração. A finalidade seria alcançar a “unidade”. Quarenta anos de ecumenismo, cultos ecumênicos, orações em comum demonstram, na prática, que tal meio é totalmente inapto a alcançar o fim proposto. O que se conseguiu foi apenas um indiferentismo e uma enorme perda de fiéis que abandoram a única e verdadeira Igreja de Cristo para entrar nas mais diversas seitas.

Mas, se já não bastasse o testemunho dos fatos que todos nós podemos constatar diariamente, o que diz a Igreja sobre tal assunto? Vejamos em primeiro lugar as Sagradas Escrituras:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” II Jo 1,8-11

Creio que a citação acima seja tão clara que dispense comentários. Diante de tal ensinamento, o que pensar sobre orações em comum com aqueles que vêm a nós sem trazer a verdadeira doutrina? Não estaríamos nós tomando parte em suas obras más em grau muito maior do que se simplesmente os saudássemos? É impossível alguém responder que não.

Santo Agostinho também é bem claro em suas palavras:

“É de importância capital para a salvação dos homens que estejam unidos pelo dogma, antes de estarem pelo culto.” Santo Agostinho, 1, De Vera religione.

https://intribulationepatientes.wordpress.com/2009/04/28/neoprotestantismo/#comment-662

O grande santo não disse apenas que é bom ou que é desejável estar unido pelo dogma antes de estar pelo culto. O que Santo Agostinho disse, sem meias palavras, é que é de capital importância para a salvação dos homens que a oração em comum se faça  tão  somente entre aqueles que professam a Fé verdadeira, que crêem em todos os dogmas que a Santa Madre Igreja nos ensina como revelados pelo próprio Deus. Logo, põe em gravíssimo risco sua salvação eterna aquele que se une a hereges na oração. Isto é o que nos ensina ninguém menos que Santo Agostinho. E que diferença entre as palavras do sábio doutor da Igreja e os maus conselhos do Concílio Vaticano Segundo! Quem, em sã consciência pode defender a ortodoxia do malfadado concílio?

Não bastam as Sagradas Escrituras e Santo Agostinho? Vamos ler o que escreveu o Doutor Angélico:

O perigo de conviver com hereges

São Tomás de Aquino
Quaestiones quodlibetales, quodlibeto 10, q. 7, a. 1 (15), c.

Por duas razões não se deve manter relações com os hereges. Primeiramente, por causa da excomunhão, pois, sendo excomungados, não se deve ter relações com eles, da mesma maneira que com os outros excomungados. A segunda razão é a heresia. – Em primeiro lugar, por causa do perigo, para que as relações com eles não venham a corromper os outros, segundo aquilo da primeira epístola aos Coríntios (15, 33): ‘As más conversações corrompem os costumes’. E em segundo lugar para que não pareça se prestar algum assentimento às suas doutrinas perversas. Daí dizer-se na segunda epístola canônica de S. João (v. 10): ‘Se alguém vier a vós e não trouxer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis, pois o que o saúda toma parte em suas más obras’. E aqui a Glosa comenta: ‘Já que para isso foi instituída, a palavra demonstra comunhão com esse tal: de outro modo não seria senão simulação, que não deve existir entre cristãos’. Em terceiro e último lugar, para que nossa familiaridade [com eles] não dê aos outros ocasião de errar. Por isso, outra Glosa comenta a respeito dessa passagem da Escritura: ‘E se acaso vós mesmos não vos deixais enganar, outros todavia, vendo vossa familiaridade [com os hereges], podem enganar-se, acreditando que esses tais vos são agradáveis, e assim crer neles. E uma terceira Glosa acrescenta: ‘Os Apóstolos e seus discípulos usavam de tanta cautela em matéria religiosa, que não sofriam sequer a troca de palavras com os que se haviam afastado da verdade’. Entende-se, porém: excetuado o caso de alguém que trata com outro a respeito da salvação, com intuito de salvá-lo”.

http://www.saopiov.org/2009/03/o-perigo-de-conviver-com-hereges-s.html

As frases que eu destaquei no texto parecem ter sido escritas como admoestação contra aqueles que, seguindo os maus conselhos do Cocílio Vaticano II, promovem o ecumenismo dentro da Igreja. Por acaso não é a atitude irenista do clero apodrecido que faz com que haja tanta indiferença por parte do rebanho que lhes fora confiado? E tanta perda de fiéis para as seitas?

Na última frase do texto, São Tomás abre a exceção de que podemos nos dirigir aos hereges para convertê-los e salvá-los. Isto, no entanto, exige uma posição firme e uma defesa clara da Fé católica, e não os malabarismos e palavras açucaradas e ambíguas do concílio Vaticano II e dos modernistas da era pós-conciliar.

Para ilustrar o perigo de conviver com hereges e, em particular, de participar dos cultos com eles, façamos uma comparação, imaginando uma situação hipotética. Tínhamos um posto de abastecimento de combustíveis. Por razões óbvias, sempre foi proibido fumar no mesmo. Certo dia, um gerente “iluminado” decidiu abolir tal proibição. Usando belas palavras como “não tolher a liberdade dos clientes”, “quero que se sintam em casa”, o infeliz abandou todo bom senso. e permitiu o fumo Não demorou muito, uma explosão levou aos ares o posto de combustíveis. Buscou-se todo tipo de desculpas insensatas, desde a qualidade do combustível, do novo fornecedor, até as condições meteorológicas adversas dos últimos dias, possíveis falhas na construção dos reservatórios. (que há anos funcionavam sem problemas) Só não se admitiu a que causa mais provável teria sido algum cigarro acesso…

A estória pode parecer extremamente absurda, mas foi algo muito parecido o que aconteceu no Vaticano II. A Santa Igreja, por dois milênios, protegeu sabiamente seus filhos contra as investidas dos hereges. Até que, no último concílio, o partido modernista impôs suas idéias perversas e consignou, na letra do concílio, e não somente em seu espírito, os maus conselhos horríveis que lemos acima. E não somente o que foi citado, mas todo o documento Unitatis Redintegratio, levam o católico menos instruído a crer na benignidade e na boa intenção dos hereges. Todo o “clima otimista” do concílio leva os católicos a baixarem as guardas contra os perversos erros contra a Fé ensinados pelas seitas. Há de se admirar, em face da posição irenista do concílio, que haja esta confusão toda entre os fiéis hoje em dia? Pode alguém negar que há íntima relação entre o ecumenismo conciliar e a situação de indiferentismo e perda da Fé pelos católicos atualmente?

Vamos usar outra figura comparativa: imaginem um boxeador, no meio de uma luta, manter as duas mãos abaixo da linha da cintura, na presença do adversário. Certamente será nocauteado. É isto o que acontece com os católicos incautos que se deixam levar pelas pregações ecumênicas dos defensores do concílio. Estão diante de lobos, mas agem como se estivessem na presença de inocentes ovelhas.

Os maus conselhos, contidos tanto no espírito quanto na letra do concílio, são os responsáveis pelo abandono da Fé de tantos católicos despreparados para enfrentar o assalto das seitas. Os pastores, ou melhor, os mercenários que deveriam proteger o rebanho mas não o fazem, preferem elogiar os lobos e participar de cultos ecumênicos, dando mal exemplo e desnorteando os fiéis. Tudo isso seguindo o que prescreve a letra do concílio, em prol de uma mal definida “unidade”, que não é a Unidade da Fé, uma vez que o concílio não cita, nem por descuido, os termos “conversão à Fé Verdadeira”, “conversão à Igreja Católica”, etc.

Portanto, não é mau somente o espírito do concílio, já condenado por S.S Bento XVI, mas também a sua letra  está errada e deu maus conselhos quanto à oração em comum. Se o concílio não for abolido, ele deve, no mínimo, ser corrigido, para o bem das almas e para a glória da Santa Igreja. E neste trabalho de crítica, ora iniciado pelo Instituto do Bom Pastor com o beneplácito da Roma Santa, e quiçá com o auxílio futuro de outros setores tradicionais, começamos a enxergar a luz no fim do túnel. Deo gratias!

O que já foi dito é mais do que suficiente para demonstrar este erro capital da letra do concílio. Apenas a  título de corolário,  em um próximo artigo, vou citar um caso frustrado de tentativa de defesa da ortodoxia do concílio neste ponto particular. Por enquanto, faço apenas as perguntas a seguir.

Com quem nós ficamos: com a Igreja Católica ou com o Concílio? Com as Sagradas Escrituras, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, ou com a Unitatris Redintegratio? Eu já fiz minha escolha. Se alguém ainda quiser defender o malfadado concílio, o espaço está aberto para comentários.

3 comentários em “O concílio e o protestantismo – parte 1

  1. […] Se a Unitatis Redintegratio diz que devemos orar com os hereges e cismáticos, e as Sagradas Escritu…, é absolutamente impossível negar que houve ruptura no concílio. […]

  2. […] E os encontros ecumênicos e as orações em comum com os hereges, tão condenados pelo magistério …: […]

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