É proibido prostrar-se?

Enquanto escrevo os artigos mais complexos, que demandam mais tempo e cuidado, vou escrevendo outras mais simples e imediatos. O presente artigo visa responder à acusação que um pentecostal fez contra a Igreja com relação ao ato de prostrar-se.

Os protestantes, dentre tantas outras acusações absurdas, gostam de atacar os católicos por se prostrarem. Segundo os “sábios” entendedores da Bíblia, todo ato de prostrar-se é adoração e, portanto, seria idolatria protrar-se diante de um homem, de uma imagem, de um altar, etc. Eles gostam de citar dois trechos bíblicos, um quando Pedro repreende o centurião romano que se ajoelha diante dele (At 10,25), e o outro quando o anjo tem a mesma atitude diante de João (Ap 19,10).

Para um ignorante, que não conheça as Sagradas Escrituras, podem até parecer convincentes esses argumentos. No entanto, para quem já se deu ao trabalho de ler o Livro Santo e, ainda mais para quem conhece o método nada honesto da apologética protestante, vulgarmente conhecida como “tesoura protestante”, é muito fácil derrubar esta falácia ridícula. Basta citar alguns trechos onde pessoas santas se prostram diante de outras, sem que tenham sido repreendidas:

Gn 18,2; 19,1; 23,7.12; 33,3-7; 47,31; 48,12;

Ex 4,31; 12,27; 18,7;

Nm 22,31;

Dt 26,10;

Js 5,13-16;

Rt 2,10;

1Sm 1,129; 1,28; 24,9; 25,41;

2Sm 1,2; 9,6.8; 12,20; 13,31; 14,4; 14,22; 14,33; 18,21.28

Estes trechos foram retirados apenas dos primeiros livros da Bíblia, pois eu ainda não terminei de assinalar todos. Mas já demonstram de maneira insofismável que nem todo ato de prostrar-se significa adoração. Esta depende da intenção de quem se prostra, e poderia mesmo acontecer sem nenhum ato exterior.

Além disso, os trechos apontados pelos protestantes para atacar a Igreja podem ser compreendidos com um pouco de boa vontade. Pedro admoestou o romano porque, sendo este pagão em vias de se converter,  podia não entender bem a diferença entrer adorar e venerar. Também quanto a João, é possível encontrar explicação para sua atitude. Talvez, vendo o anjo, o apóstolo tenha inicialmente imaginado estar diante de uma manifestação divina. Estas de fato ocorreram, conforme nos descreve o apóstolo no mesmo livro do Apocalipse onde se encontra narrada a repreensão.do anjo. No entanto, os trechos das Sagradas Escrituras citados acima, narram várias ocasiões em que pessoas santas se prostram diante de outras. Para os que são instruídos na Fé Verdadeira, não há qualquer perigo de se confundir adoração e veneração. Daí a prática de se prostrar diante de outros homens, tão presente no Antigo Testamento, não merecer repreensão alguma, constituindo, pelo contrário, exemplo de como nos devemos portar para com os nosso maiores.

A conclusão a que chegamos é que os protestantes enxergam os dois trechos da Bíblia que serviriam para defender sua tese, mas não enxergam todos os outros, muito mais numerosos, que a derrubam. É preciso muita má vontade para agir da forma como eles agem. Querem interpretar a Bíblia citando apenas os trechos que interessam e ignoram os que não se enquandram nas idéias pré-fabricadas que eles recebem de seus “pastores” ou a que chegam por si mesmos, atribuindo-as, no entanto, ao Espírito Santo. Somente para suas vistas turvas não existe a diferença entre adorar e venerar, diferença esta tão nítida para nós católicos, que apoiamos nossa Fé não em dois versículos isolados, mas totalidade da revelação divina.