Curando o corpo e matando a alma

A CNBB, certamente um dos piores inimigos da Igreja Católica no Brasil, através da sua “pastoral” da AIDS, recentemente defendeu o uso métodos mundanos de proteção contra doenças. Ao invés de ensinar a virtude da castidade, a “catolicíssima” CNBB prefere ensinar a “fornicação protegida”. Ao invés de ensinar como ir para o Céu, preferem ensinar como ir para o inferno sem AIDS.

Que os mundanos se atirem à libertinagem, isto não nos surpreende. Mas, uma organização pretensamente católica defendendo a imoralidade? O que ainda falta para cairem as vendas dos olhos dos católicos brasileiros para perceberem o ninho de víboras que é a CNBB? Não teriam os bispos a obrigação de proteger antes a alma do que o corpo? E mais ainda, protegendo a alma pela fomentação da castidade, protegeriam também o corpo de tais doenças, tornando supérfluos todos estes métodos anti-naturais. E, para arrematar, ainda protegeriam a Família, esta instituição tão fundamental e tão atacada hoje em dia.

A matéria é tão grave que o V Concílio de Latrão excomungou o médico que prescrevesse para a saúde do corpo algo que colocasse em perigo a alma:

Além do que, desde que a alma é muito mais importante que o corpo, nós proibimos qualquer médico, sob pena de anátema, a prescrever qualquer coisa para a saúde corporal de um doente que possa por em perigo sua alma.

V Concílio de Latrão – 22.

Fonte: http://www.fordham.edu/halsall/basis/lateran4.html

Então, aos que ainda se deixam enganar pelo legalismo da “plena comunhão”, o que nos dizem da atitude da CNBB? Estão eles em comunhão com a Igreja Católica, depois deste e de tantos outros absurdos? Com um pouco de boa vontade se percebe claramente que eles simplesmente apostataram, abandonaram a Fé Verdadeira. E, contra aqueles que ainda guardam a Fé, levantam a acusação de estarem fora da comunhão da Igreja por não estarem “regularizados”.

Então – perguntaria escandalizado um católico moderninho – não deve haver educação sexual? Em sua encíclica Divini Illius Magistri, sobre a educação cristã da juventude, Sua Santidade, o Papa Pio XI, de venerável memória, nos ensina com clareza meridiana qual deve ser o procedimento católico no trato desta matéria:

c) Educação sexual

Mormente perigoso é portanto aquele naturalismo que, em nossos tempos, invade o campo da educação em matéria delicadíssima como é a honestidade dos costumes. Assaz difuso é o erro dos que, com pretensões perigosas e más palavras, promovem a pretendida educação sexual, julgando erradamente poderem precaver os jovens contra os perigos da sensualidade, com meios puramente naturais, tais como uma temerária iniciação e instrução preventiva, indistintamente para todos, e até publicamente, e pior ainda, expondo-os por algum tempo às ocasiões para os acostumar, como dizem, e quase fortalecer-lhes o espírito contra aqueles perigos.

Estes erram gravemente, não querendo reconhecer a natural fragilidade humana e a lei de que fala o Apóstolo: contrária à lei do espírito, e desprezando até a própria experiência dos factos, da qual consta que, nomeadamente nos jovens, as culpas contra os bons costumes são efeito, não tanto da ignorância intelectual, quanto e principalmente da fraqueza da vontade, exposta às ocasiões e não sustentada pelos meios da Graça.

Se consideradas todas as circunstâncias se torna necessária, em tempo oportuno, alguma instrução individual, acerca deste delicadíssimo assunto, deve, quem recebeu de Deus a missão educadora e a graça própria desse estado, tomar todas as precauções, conhecidíssimas da educação cristã tradicional, e suficientemente descritas pelo já citado Antoniano, quando diz: « Tal e tão grande é a nossa miséria e a inclinação para o mal, que muitas vezes até as coisas que se dizem para remédio dos pecados são ocasião e incitamento para o mesmo pecado. Por isso importa sumamente que um bom pai quando discorre com o filho em matéria tão lúbrica, esteja bem atento, e não desça a particularidades e aos vários modos pelos quais esta hidra infernal envenena uma tão grande parte do mundo; não seja o caso que, em vez de extinguir este fogo, o sopre ou acenda imprudentemente no coração simples e tenro da criança. Geralmente falando, enquanto perdura a infância, bastará usar daqueles remédios que juntamente com o próprio efeito, inoculam a virtude da castidade e fecham a entrada ao vício ».

http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_31121929_divini-illius-magistri_po.html

Diante de tão evidentes ensinamentos do Magistério, como a CNBB pode inventar uma pastoral tão contrária à moral católica?

Mas a semente do mal não foi plantada agora. Os progressistas do período pós-concíliar apenas regaram e cuidaram das sementes plantadas no Concílio Vaticano II. De fato, lemos a impressionante diretriz dada pelo Concílio:

Por isso, é necessário que, tendo em conta os progressos da psicologia, pedagogia e didáctica, as crianças e os adolescentes sejam ajudados em ordem ao desenvolvimento harmónico das qualidades físicas, morais e intelectuais, e à aquisição gradual dum sentido mais perfeito da responsabilidade na própria vida, rectamente cultivada com esforço contínuo e levada por diante na verdadeira liberdade, vencendo os obstáculos com magnanimidade e constância. Sejam formados numa educação sexual positiva e prudente, à medida que vão crescendo. (Declaração Gravissimum Educationis, n. 1).

Ora, diante da letra do concílio – e não somente do seu espírito – como não poderíamos enxergar a contradição com o Magistério anterior?

Os defensores do concílio apontariam logo a palavra “prudente” para lançar longe do imaculado super-concílio qualquer culpa pelos desvios dos progressistas que “abusam” de seus escritos.

Ora, o mínimo que poderíamos dizer é que o texto é aberto a interpretações do que seria uma educação sexual “prudente”. Em sua constumeira ambigüidade, o concílio usa de forma leviana o termo, deixando vasto campo para interpretação individual. Ou, até pior, a ser interpretado pelas conferências episcopais, cuja “fidelidade” à Igreja nós já conhecemos. E mais: que necessidade teríamos disso, se a matéria já havia sido tão bem determinada por Pio XI? Se não fosse para repetir a doutrina de sempre da Igreja, seria melhor ficar calado do que escrever uma frase que trata o tema de forma tão superficial, abrindo brechas para interpretações individuais. Se o concílio não rompeu com a Tradição, então porque não a repetiu integralmente, ainda mais se tratando de matéria tão grave? Porque obscurecer uma matéria que já estava tão bem definida? Como não enxergar aí a semente plantada pelos progressistas para desviar a interpretação no sentido que desejassem?

Mas não é somente isso o que devemos nos perguntar. De fato, como poderia o qualificativo “prudente” amenizar o perigoso termo “educação sexual”, já condenado por Pio XI? O máximo a que se deve recorrer nesta matéria é a uma “instrução individual”, e apenas dentro das circunstâncias descritas pelo mesmo Papa. O que é, certamente, muito diverso do que se entende por educação sexual. E, ainda mais considerando o adjetivo “positiva” que a acompanha, não conseguimos enxergar como uma “educação sexual positiva” pudesse ser interpretada de forma diferente daquela já devidamente condenada por Sua Santidade Pio XI.

O concílio, portanto, não somente no campo dogmático, mas também no moral, representa uma ruptura com a Tradição. Toda a prudência do passado cede lugar a uma orientação aberta, equívoca, leviana, entregue de presente para a interpretação do clero liberal. Como podemos nos admirar de termos atingido o fundo do poço, como no supra-citado caso da CNBB?

Para finalizar, vejamos o que nos diz São Paulo a este respeito:

Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. (Ef 5,3)

Segundo a ordem do grande apóstolo, portanto, nem sequer menção de assuntos impuros se deve fazer entre nós. E isto é bastante fácil de entender, porque todos nós conhecemos muito bem a violência com que a carne nos tenta. Uma palavra, uma imagem, um gesto, já conseguem desencadear a luta entre as potências da alma. Sabemos muito bem o quanto somos frágeis. A única prudência que se conhece em tal matéria é manter-se afastado até mesmo de qualquer pensamento impuro. Assim, é impossível não enxergar a leviandade de quem quer que defenda uma educação sexual, ainda que disfarçada por um adjetivo “prudente”.

Como um católico poderia, então, defender a atitude da CNBB, ou mesmo a semente plantada pelo concílio Vaticano II que incita uma “educação” tão contrária à moral cristã? Mysterium iniquitatis

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PS:

1. Agradecemos ao leitor Pedro a indicação do texto do V Concílio de Latrão.

2. Tomamos conhecimento de mais esta contradição do CV II através da obra “Sinopse dos erros imputados ao CV II”, cuja leitura reiteradamente recomendamos a todos os que ainda não se convenceram da ruptura provocada por este concílio.

3. A matéria deverá ser tratada novamente em um futuro artigo.

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