Há vinte anos Dom Marcel Lefebvre entregava sua alma a Deus

Qualquer homenagem que eu pudesse tentar escrever para este gigante defensor da Fé ficaria muitíssimo abaixo do que ele merece. Mas nem por isso posso deixar de agradecer a Dom Marcel Lefebvre o bem que ele fez a todos nós, católicos.

Todos nós, sem exceção, porque a Tradição católica não é uma relíquia cultivada por alguns saudosistas. Ela é essencial para a vida católica, e todos os que a abandonaram, sofreram e sofrem as conseqüências. Nós que viemos de um ambiente modernista e tomamos conhecimento da Tradição  já em certa idade, percebemos muito bem o quanto perdemos com a pseudo-reforma da Igreja operada há algumas décadas. Quanta coisa errada aprendemos daqueles que deveriam ser os guardiões da Fé e da moral. E como percebemos, cada dia mais, a riqueza da Tradição de que os modernistas tentaram nos espoliar.

Dom Lefebvre foi chamado por Deus para executar uma nobilíssima, porém árdua, missão. Ele, juntamente com um pequeno grupo, incluindo o grande Dom Antônio de Castro Mayer, se levantou contra os piores inimigos da Igreja. Da mesma forma como Santo Atanásio no século IV, Dom Lefebvre enfrentou os inimigos que estavam infiltrados na Igreja, inclusive grandes e poderosos prelados. Ele sofreu a perseguição dos maus porque não queria, e não podia, deixar de ser católico. Nasceu católico, e não quis morrer protestante por conta de um falso conceito de obediência.  Manteve-se fiel àquilo que todo católico deve se manter. Que importa a propaganda vazia de conteúdo? Importa é estar na graça de Deus, e cumprir Sua santa vontade. Importa guardar o depósito da Fé, que não se altera com os tempos, tornando-se algo diferente ou mesmo oposto do que fora em outras épocas, mas permanece sempre o mesmo, porque é um conjunto de verdades que Deus mesmo nos dignou revelar. O discípulo não é maior que o mestre, e todo aquele que segue a Cristo, não pode ser senão odiado pelo “mundo”, que rejeitou o Redentor. E, se Dom Lefebvre, a FSSPX e todos os católicos tradicionais são perseguidos por aqueles que querem subverter a Igreja, abrindo-A ao “mundo”,  é porque foram e estão sendo fiéis a Cristo. Preocupados deveríamos ficar é se fôssemos elogiados pelos inimigos de Nosso Senhor. Aí sim saberíamos estar no mau caminho. Vivemos para agradar a Deus e não aos inimigos da Santa Cruz. Travamos a duríssima batalha para salvar nossas almas, não para sermos elogiados pelo “mundo”. Dom Marcel Lefebvre nos ensinou com palavras e exemplos como um católico se comporta diante da adversidade.

Sabemos que a maior recompensa ele já recebeu de Deus, a Quem amou e Cuja Igreja sempre defendeu daqueles que a traiam covardemente. Mas nem por isso deixaremos de honrar sua memória e de combater os ignorantes, os ingratos e os traidores que não reconhecem o quanto são devedores deste grande homem, que honrou como poucos a dignidade episcopal e o múnus de pastor de almas.

Dom Marcel Lefebvre, muito obrigado por ter mantido viva a Tradição da Igreja. Muito obrigado por ter transmitido a nós aquilo que recebestes. Que vosso exemplo de coragem, de abnegação, de verdadeira obediência e de amor à Igreja Católica, única arca de salvação, possa arrastar cada vez mais católicos para o bom combate. Para maior glória de Deus e pela salvação das almas.

Santo subito!