Muita retórica, nenhuma lógica

No último artigo de seu site, neste dia 17 de Abril, a Montfort se gabava de que não havia nenhuma resposta séria a seus artigos.  Não observaram eles que os seus próprios artigos não eram coisa séria. Não passaram de meros ataques gratuitos contra a FSSPX. Na realidade, estes ataques ridículos poderiam até ser ignorados, se não fosse pela malícia com que a Montfort manipulou toda a situação. De qualquer forma, não daremos a eles nem a alegria de não serem refutados. Comecemos, portanto, com este artigo, a desfazer a confusão que eles tentaram fazer contra o bom nome da FSSPX.

Em sua insensata e injusta campanha contra a FSSPX, a Montfort abandonou toda a realidade. Logo a Montfort, cujo presidente tanto criticou, com razão, o romantismo, agora publica um artigo que se poderia chamar “onírico”, um verdadeiro mundo de faz de conta. Na tentativa de atacar a FSSPX, pintaram um quadro não segundo a realidade, mas segundo sua fértil imaginação. Olharam para um pássaro e pintaram um boi.

O título do artigo já demonstra a sua alienação: “E o padre se foi…”. Certamente, o padre em questão se foi da arquidiocese do Rio de Janeiro, onde não conseguiu exercer um trabalho proveitoso por estar cercado pelo clero moderno. Mas, segundo se insinuou no infeliz artigo, o padre “se foi” para muito mais longe, para fora da Igreja.

Não! O padre não abandonou a Igreja Católica, fora da qual não há salvação! O padre foi obrigado a sair da arquidiocese porque julgou que não conseguiria exercer com fruto seu trabalho lá. Buscou outro lugar, dentro da Igreja Católica, onde seu trabalho poderia realmente render frutos para salvação das almas. E se o fez, tem idade e experiência suficientes para saber o que faz, e não precisa que ninguém dê opiniões sobre o seu apostolado e sobre como conduzir seu destino espiritual.

Então, se o padre não abandonou a Igreja, por que afirmar o contrário? É que o padre escolheu a FSSPX como o melhor lugar, dentro da Igreja Católica, para exercer seu ministério. E então? Então que a Monftort, que publicou o artigo, teve seu orgulho gravemente ferido pela FSSPX, quando esta não se rebaixou ao “julgamento” pronunciado pelo presidente da dita associação, o falecido Prof. Orlando Fedeli. De fato, o professor havia declarado, sem ter nenhuma autoridade para isto, que a FSSPX havia caído em cisma por conta de seus tribunais para julgamento de nulidades matrimoniais. Roma não se manifestou na questão, mas o leigo professor assumiu sozinho a função que cabe a Igreja e decretou o “cisma” da FSSPX. A dita associação Montfort, mantém até hoje o “veredicto” de seu fundador. Contra todas as provas em contrário.

O mais notável é que a Montfort concordava em quase todos os pontos com a FSSPX: sobre o Concílio Vaticano II, sobre a missa nova, sobre a crise na Igreja, etc. Tinha tudo para apoiar o bom combate da Tradição contra os inimigos modernistas que querem destruir o que podem na Igreja Católica. Só se afastaram dela e, pior, a combateram, baseados no juízo temerário, abusivo e precipitado sobre os tribunais. Mesmo depois que o padre Joël Danjou provou por “a + b” que o professor estava errado, o orgulho ferido não permitiu que a dita associação retomasse o bom combate ao lado da FSSPX, e não contra ela.

Chegamos a uma conclusão interessante: se a Montfort concordava com a FSSPX em todos estes pontos cruciais, discordando apenas dos tribunais, a única razão para não se considerarem também “fora da Igreja”, seria atribuir o “cisma” da FSSPX exclusivamente aos tribunais. Questão sobre a qual a Igreja nunca se manifestou. Logo, esta confusão toda estaria montada sobre o “julgamento” de um leigo, o Prof. Orlando. Que importa que até o Cardeal Castrillón Hoyos tenha dito que a FSSPX não é cismática? Para a Montfort vale mais a palavra de seu leigo fundador do que qualquer outra coisa no mundo.

Por conta deste orgulho ferido, a Montfort leva seu combate contra a FSSPX até hoje. E como não tinham argumentos contra a FSSPX, recorreram à linguagem poética. E, na sua retórica, a imagem que tentaram associar à FSSPX foi a de um castelo.

A metáfora escolhida foi de uma infelicidade sem medidas. Ainda mais que o artigo foi ilustrado com a montagem de uma foto mostrando um castelo nas nuvens. Faltando-lhes palavras inteligentes, foi a este recurso que a Montfort apelou. Comparou a FSSPX a um castelo nas nuvens. Um castelo que, segundo “parece” ao autor do artigo, considerar-se-is até livre de pecado original. De onde ele tirou motivos para fazer esta acusação, o autor não se dá  ao trabalho de mencionar.

Ora, a FSSPX, como toda boa instituição católica, está onde estão os fiéis que buscam a salvação de suas almas. E está de portas abertas. O padre que entrou para a FSSPX não estará isolado em um castelo flutuando nas nuvens. Estará atendendo os fiéis, almas que buscam um oásis no deserto pós-conciliar. Almas que já estavam caídas, abatidas por tantos absurdos, profanações, traições na era pós-conciliar. Pessoas que não conheciam a grandeza da Igreja Católica. Que nunca haviam ouvido a doutrina católica, mas tão somente discursos marxistas ou gritaria da RC”C” ou outras coisas do gênero. Que não recebiam os sacramentos com o decoro que merecem. Que não conheciam a maravilha sublime da Missa Tridentina. Ou, se a conheciam, não podiam assisti-la porque o “senhor bispo” da diocese, em total “coerência” com a “tolerância” pregada pelo idolatrado super-concílio do Vaticano II, não permitia que o padre a celebrasse para o grupo de pessoas que tanto a desejavam.

O padre não estará trancado num castelo nas nuvens, como  falsa e maliciosamente sugeriu o artigo da Montfort. Estará trabalhando para salvar as almas no seu priorado, de portas abertas como a Igreja Católica sempre esteve. E não estará somente no seu priorado, mas viajará para atender pessoas distantes, que de outra maneira não receberiam a visita de um sacerdote legitimamente católico. Ou será  que a Montfort não sabe que a FSSPX faz missões para atender os fiéis distantes dos priorados? É claro que sabem. Então porque se atreveu a publicar um artigo tão mentiroso, insinuando que o padre, ao entrar para a FSSPX, teria se trancando em um castelo nas nuvens? O ódio cega. É a única explicação que podemos encontrar.

É evidente que o padre continua a serviço da Igreja Católica, de portas abertas para os fiéis. A única diferença é que ele não terá de suportar a dura perseguição do clero modernista. Não perderá tempo precioso discutindo inutilmente com quem não quer enxergar a verdade. Vai, pelo contrário, poder se dedicar inteiramente à glória de Deus e à salvação das almas.

Será que a Montfort sabe tudo o que o padre estava sendo obrigado a suportar na arquidiocese? Falar, como o ridículo artigo, que o padre largou a carga-pesada, ou que não quis carregar sua cruz, é fácil. A ridícula acusação da Montfort nos faz lembrar do que Nosso Senhor falou sobre os fariseus: “atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo” (Mt 23,4). Será que a criatura da Montfort que confortavelmente publicava na internet o artigo condenando a atitude do padre conhecia o que se passava com ele? Será que suportaria o que ele suportou? Como é fácil falar…

Com certeza a Montfort conhecia o passado do padre, porque ele esteve no IBP, e teve a oportunidade de lhes contar tudo o que sofrera desde o seminário. Que importa isto para a Montfort? Importa que o padre escolheu a FSSPX, a mesma que não abaixou a cabeça para o autoritarismo da Montfort. Para eles já basta isto: o padre deve ser apedrejado e criticado publicamente! Sua atitude não deve ser seguida, este é o decreto da Montfort, para que todos o saibam! E se discordar deste parecer, esteja fora da Igreja! Mesmo que a autoridade da Igreja não tenha dito isto jamais. Entenderam agora a “lógica” da Montfort?

Se não existisse a FSSPX, talvez poderíamos dizer que o padre tivesse de fazer um esforço heróico para se manter na arquidiocese. Mas a FSSPX existe, assim como existem outros padres que celebram a Missa de Sempre no Rio de Janeiro, de forma que a cidade não ficou desamparada. Melhor mesmo, para a Montfort, não aprofundar muito o assunto. Melhor deixar mesmo em silêncio o fato, como se o Rio de Janeiro estivesse totalmente desamparado de Missas Tridentinas.

Os fiéis podem recorrer a estes padres. E muitos outros recorreriam, se não fossem as difamações que são feitas contra a FSSPX e os que pensam como ela e não se curvam diante dos prelados modernistas. São estas difamações, para as quais a Montfort agora contribui largamente, é que deixam alguns fiéis assustados e confusos e os afastam daquela fraternidade que poderia lhes dar tudo o que procuram e não encontram nas suas paróquias. Atitudes como a da Montfort somente atrapalham o bom combate da Tradição e mantêm as pessoas na dúvida e na confusão.

O ridículo artigo continua sua tarefa de desinformação. Insiste na metáfora do castelo: “Pois bem, no Castelo se encontra o Padre.” E  acrescenta, com cinismo: “Um padre privado.” Como assim um padre “privado”? No priorado para onde ele for o padre não atenderá os fiéis da mesmíssima maneira que atenderia em qualquer paróquia? Então, que estória é esta de “padre privado”? Privado, mas de senso de ridículo, é sim o autor do artigo cheio de retórica.

Não satisfeito com toda a meleca que já fez até aqui, o autor do infeliz artigo lança alguns slogans. O preferido deles é “Viva o papa!”. Como se os pentecostais também não fossem capazes de escrever coisas do tipo “Deus é dez” ou “Sou 100% de Jesus”.

Que importa o falar? Importante é crer e agir de acordo com os ensinamentos de nossa santa religião. Do que adianta gritar “viva o papa!” e difamar o outro grupo? De que adianta gritar isto se o papa comete erros enquanto ser humano e eles, como filhos, teriam obrigação de dirigir-lhe humilde e filialmente os pedidos de correção e não o fazem? Parecem-se com o empregado “puxa-saco” que elogia até os erros do patrão. E isto não tem nada de católico, por mais slogans que eles possam repetir.

Que baixaria! Nunca esperaria na vida que a Montfort se prestaria a um papel ridículo destes, chegando até a acusar a FSSPX de sede-vacantista, o que sabem muito bem que ela não é. Movidos pelo orgulho, a Montfort perdeu a razão.

E ainda acusam o “castelo” de crescer para cima, como a torre de Babel. Não! Ora, crescer para cima… mero recurso de retórica! Quem não percebe isto? O “castelo” não cresce para cima, não está plantando nas nuvens. Na realidade, os priorados, de portas abertas para acolher os fiéis, crescem sim para ocupar o terreno que os modernistas tornaram árido. Neste terreno eles criam oásis ondem os fiéis podem saciar sua sede da boa doutrina, de sacramentos dignos e da Santa Missa Tridentina. Sem medo de serem perseguidos por bispos modernistas. Sem medo de, a qualquer momento e sem aviso prévio, serem abandonados como foram os fiéis que freqüentavam o IBP em São Paulo. A FSSPX cresce para o bem da Igreja, e para maior raiva dos derrotados da Montfort, que não a conseguiram amordaçar.

O ranço fica ainda mais evidente quando o tal “castelo” é acusado de não estar fincado na Rocha. Ou, traduzindo a metáfora, para a Montfort, a FSSPX não estaria na Igreja Católica. Ora, quanta pretensão a deste grupelho, que pela voz de um padre que assina o artigo, quer declarar uma sentença tão grave. Propagam, assim, a mesma mentira que os piores inimigos da Igreja, que não suportam uma obra católica dando bons frutos. Tudo porque se agarraram ao “veredicto” de seu leigo fundador, que jamais teve autoridade para proferir tal julgamento.

E ainda deixam escapar o seu desejo, o de que o “castelo” desmorone. Ora, o que desmoronou mesmo, com os últimos acontecimentos, foi a reputação da Montfort. Aliás, com toda esta baixaria, eles somente conseguiram jogar na lama um nome que custou tanto trabalho para construir. Triste, mas este é o fim do orgulhosos e prepotentes.

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PS: nem tudo o que eles disseram foi refutado, mas o que foi escrito já é suficiente. O resto fica para uma próxima oportunidade.