O concílio Vaticano II e os inimigos da Igreja

Pretendemos, com este artigo, estudar brevemente a forma como os inimigos da Igreja reagiram e ainda hoje reagem diante do Vaticano II.

Os inimigos da Igreja se rejubilaram com o Vaticano II

Todos os concílios ecumênicos da Igreja, de Nicéia até o Vaticano I, foram convocados para resolver problemas doutrinários e disciplinares da Igreja. E, tendo de fato condenado os erros, jamais foram amados pelos inimigos da Igreja. O Vaticano II, porém, tal como o desejou João XXIII, não condenou os erros de seu tempo, nem a heresia modernista, nem o laicismo, nem o comunismo (aliás, protegido pelo traidor e vil pacto de Metz). Esta nada honrosa peculiaridade do Vaticano II foi a causa outra: este é o único concílio da Igreja que provocou a alegria de seus inimigos.

O imprescindível livro “O derradeiro combate do demônio”, por exemplo, descreve vários exemplos de maçons e comunistas que se exultaram com o Concílio Vaticano II (http://www.devilsfinalbattle.com/port/ch6.htm).

Quando, em toda a história da Igreja, já se viu os seus inimigos se alegrarem com um concílio ecumênico? Por acaso os arianos se alegraram com os concílios de Nicéia e Constantinopla? Os nestorianos se alegraram com o concílio de Éfeso? Os monofisitas se alegraram com o concílio de Calcedônia? Os protestantes se alegraram com o concílio de Trento? Os liberais se alegraram com o concílio do Vaticano (Primeiro)? Poderíamos estender estas perguntas a todos os legítimos concílios da Igreja. Obviamente, a resposta seria negativa, pois todos os legítimos concílios da Igreja condenaram os erros ensinados pelos inimigos de Cristo.

Se o concílio Vaticano II provocou a alegria dos inimigos da Igreja, então algo de muito errado e de muito diferente dos demais, ele certamente possui. Como João XXIII declarou na sua abertura, o concílio Vaticano II não intencionava condenar nenhum erro. E não somente não condenou os erros, como se fez porta-voz do liberalismo ao defender a colegialidade, a liberdade religiosa e o ecumenismo.

Vamos tentar ajudar os idólatras do concílio a entender a questão. Suponhamos que temos dois times de futebol, entre os quais existe uma extrema rivalidade, e que estes estão se enfrentando em uma final de campeonato. Se um jogador de um dos times causa uma grande alegria para a torcida adversária, então podemos concluir que ele está jogando muito bem ou muito mal? Óbvio que está jogando mal. Quiçá tenha marcado um gol contra. De outra forma, se tivesse marcado um gol para seu próprio time, teria feito a tristeza da torcida adversária.

É óbvio demais para alguém se furtar da conclusão: se a polícia fizesse a alegria dos bandidos, não estaria cumprindo sua obrigação; se um professor é amado pelos alunos mais vagabundos, então não os está cobrando como deveria; se um fiscal for amado pelos sonegadores, então não está realizando corretamente seu trabalho. Se um concílio da Igreja faz a alegria de seus inimigos, então… É tão difícil chegar à conclusão deste raciocínio? Claro que não. Somente a paixão que cega os idólatras do Vaticano II é que os impede de entender isto.

Os inimigos da Igreja reconhecem que o Vaticano II rompeu com a Tradição

Os aguerridos defensores do Vaticano II negam, contra toda evidência, que ele tenha rompido com a Tradição da Igreja. Na maioria das vezes, estes defensores do concílio não se dão ao menor trabalho de argumentar, escondendo-se sempre atrás do falso conceito de autoridade que eles inventaram, como se pudesse existir legítima autoridade capaz de subsistir contra a verdade.

O que negam estes defensores do concílio, que se declaram católicos e gabam-se de serem os “bons mocinhos”, reconhecem até mesmo os inimigos da Igreja. O herege Hans Küng, por exemplo, reconhece que o Vaticano II introduziu um modelo protestante na Igreja Católica. A protestantização a que foram submetidos os católicos que seguem a (des)orientação conciliar é tão grande, tão inegável que até um herege do nível de Küng é obrigado a admiti-lo. O professor Orlando Fedeli, autor do artigo que destacamos, faz a pergunta: “quando até os hereges enxergam, por que alguns, que se dizem católicos, negam o visível?”

Certamente que as opiniões de nada valem se não tiverem um apoio mais firme, e ainda mais o testemunho de um herege não prova nada se for tomado sozinho. Muitas oportunidades o prof. Orlando ofereceu aos neo-conservadores para deturparem seu pensamento quando ele insistia nos tais “torpedos” de Bento XVI contra o Vaticano II. E, nesta oportunidade do comentário de Küng, também houve quem deturpasse grosseiramente o pensamento do professor por não estar ele completamente explícito no seu artigo. Já o título demonstra a deturpação: “Quando os hereges são seguidos” (http://www.veritatis.com.br/article/5300), como se o professor Orlando estive seguindo Hans Küng.

É óbvio que os católicos tradicionais não seguem o pensamento dos hereges inimigos da Igreja. A única afirmação que fazemos em comum, e que qualquer pessoa que estude o assunto sem preconceitos a favor do Vaticano II consegue enxergar, é que ele rompeu com a Tradição.

Sabendo que toda doutrina que rompe com aquilo que a Igreja sempre ensinou é falsa e contrária ao depósito da Fé que Deus se dignou nos revelar, e que todo aquele que ensinar uma doutrina diferente desta revelada deve ser excomungado (Gal 1,8), então tudo o que rompe com a Tradição é errado e somente poder causar o mal à Igreja.

Com relação ao herege, então, podemos raciocinar:

O concílio Vaticano II rompeu com a Tradição

O herege quer o mal da Igreja tradicional, em proveito de suas próprias idéias erradas

Logo, o herege  reconhece a ruptura do Vaticano II, alegra-se com ela e dela faz uso em seu proveito e contra a Igreja

Já para o católico que se dedica ao estudo do situação atual, temos:

O concílio Vaticano II rompeu com a Tradição

O católico ama a Igreja, por isso combate tudo o que seja nocivo a Ela

Logo, o católico combate todas as rupturas provocadas pelo Vaticano II, que causaram e causam tanto mal à Igreja

Podemos perceber que, ao contrário da falsa acusação neo-conservadora, os católicos tradicionais não seguem os hereges. Fazemos exatamente o contrário dos hereges, combatendo-os da única forma eficaz: cortando o mal pela raiz. Portanto, o artigo que acusava o professor Orlando de retórica, ele sim é retórico.

Analisando o pensamento neo-conservador, entendemos porque, neste ponto, eles discordam tanto dos hereges quanto dos católicos:

O concílio Vaticano II é bom, perfeito, isento de erros, idêntico aos demais concílios

O que rompe com a Tradição é mau para a Igreja

Logo, o concílio Vaticano II não rompeu com a Tradição

A segunda afirmação é verdadeira, como já dissemos acima. A primeira, no entanto, é falsa e fruto da idéia pré-concebida a respeito do Vaticano II. Toma-se por verdade absoluta aquilo que não tem este valor, e que poderia com facilidade ser entendido corretamente se houvesse um cuidado  em se comparar os textos do Vaticano II com o conjunto dos ensinamentos da Igreja ao longo de todos seus séculos de existência.

A partir desta premissa errada, a conclusão igualmente errada a que chegam os neo-conservadores é negada tanto pelos hereges quanto pelos católicos. A partir desta conclusão falsa os neo-conservadores tentam se colocar como defensores da Igreja, ao mesmo tempo em que tentam fazer os católicos se assemelharem aos hereges.

Do que ficou exposto, é fácil perceber que, apesar de enxergarmos o mal do Vaticano II da mesma forma que os hereges, agimos de maneira totalmente contrária a eles. E somente quem enxerga o mal pode combatê-lo. Já os neo-conservadores, devido a sua cegueira voluntária, eles sim colaboram enormemente para que os hereges possam fazer uso das más doutrinas defendidas pelo Vaticano II.

Além de ser falsa a acusação de seguirmos os hereges, também é falsa outra acusação contra o professor Orlando Fedeli. Podemos ler e reler o artigo do professor que não vamos encontrar em nenhum lugar a afirmação de que a opinião de Küng é prova irrefutável de que o Vaticano II contém erros. Esta distorção grosseira é apenas mais uma tentativa neo-conservadora de criar uma imagem ridícula dos católicos tradicionais. O que os neo-conservadores fazem é criar um espantalho e depois combatê-lo. Eles refutam a caricatura que fazem de nós, e saem cantando vitória como se fosse a nós que tivessem refutado, quando não passaram nem perto dos nosso argumentos.

A forma correta como devemos raciocinar é a seguinte: se um efeito somente pode ser produzido por uma única causa, então, quando estamos diante do efeito, podemos ter certeza de que a causa também está presente. A sabedoria popular expressou este silogismo através do provérbio “onde há fumaça, há fogo”.

Quais foram os efeitos produzidos? Os inimigos da Igreja se alegram com o Vaticano II, reconhecem que ele modificou profundamente o modelo da Igreja, depositam suas esperanças nas mudanças provocadas pelo concílio, e se utilizam muito de seus textos para defender seus erros (como veremos adiante). Poderíamos elencar outros efeitos não relacionados diretamente com os inimigos da Igreja (tema do presente artigo), como a confusão em que os católicos caíram depois do concílio, a usurpação do poder pela colegialidade, o ecumenismo desenfreado, a apostasia, o abandono do hábito, da disciplina religiosa, etc. Ora tais efeitos jamais poderiam ser produzidos por um concílio perfeitamente ortodoxo. Logo, se estes efeitos foram produzidos pelo Vaticano II, certamente ele possui algo de muito errado. “Onde há fumaça, há fogo”. O prof. Orlando certamente  não deixou explícito este raciocínio  por ser ele óbvio demais. Não houve, portanto, nenhuma retórica da parte tradicionalista. O que houve foi distorção da parte neo-conservadora, fazendo afirmações a partir de palavras que o professor não escreveu, e que não poderiam de forma alguma ser deduzidas de seu texto.

Já provamos que os neo-conservadores, mais uma vez, tentaram criar uma caricatura dos católicos tradicionais. Mas, afinal de contas, que valor tem a argumentação do prof. Orlando? Que importa que os hereges reconheçam que o Vaticano II rompeu com a Tradição?

Em primeiro lugar, todo herege é um acérrimo inimigo da Igreja. Se o Vaticano II não tivesse realmente introduzido um modelo liberal na Igreja, um herege como Küng jamais se alegraria com ele e jamais o citaria. Votaria contra ele o mesmo ódio que tem contra Trento ou o Vaticano I. Inclusive, neste mesmo caso citado, Küng não somente reconhece que  o Vaticano II introduziu um modelo protestante na Igreja, mas também coloca suas esperanças neste modelo a fim de conter o “retorno à Idade Média” do qual ele acusa Bento XVI. Por que jamais houve um herege que pusesse suas esperanças em algum outro concílio da Igreja?

Não se trata aqui, portanto, de simples opinião de um herege. Trata-se de seu interesse perverso contra a Igreja apoiado no Vaticano II, o que faz qualquer pessoa inocente, que jamais tenha estudado a questão, parar um pouco para refletir sobre a ortodoxia deste concílio. Mesmo que a palavra de Küng não seja prova irrefutável dos erros do Vaticano II, o que aliás é muito óbvio, elas não deixam de clamar por um aprofundamento por parte de quem esteja alheio à questão do Vaticano II.

Além desta inquitante situação de um herege colocar suas esperanças em um concílio, temos também o fato de que pessoas totalmente discordantes sobre a Igreja, uns amando-a como os católicos tradicionais, outras odiando-a como os hereges, enxergam o quanto o Vaticano II modificou a Igreja. Tendo o testemunho de mais de uma fonte, já não podemos imaginar que a ruptura do Vaticano II seja uma invenção tradicionalista. Somos mais uma vez obrigados a entrar no mérito da questão, estudando com mais cuidado os textos do Vaticano II.

Em um inquérito policial, por exemplo, é importante que as testemunhas sejam independentes. Quando os depoimentos de várias delas, sem interesse no caso, convergem, há bons motivos para acreditarmos que estão dizendo a verdade. São, no mínimo, motivo para aprofundarmos a investigação. E, se as partes que estão em litígio estão de acordo em seus depoimentos,  serão, em princípio, ainda maiores os motivos para acreditarmos neles, porque qualquer mentira de um estaria no sentido de prejudicar o outro, o que provocaria discordância dos depoimentos.

Ainda estudando o tema dos testemunhos insuspeitos, façamos uma analogia com o futebol. Vejamos que testemunho tem mais eloquência: depois de uma partida, à qual não assistimos, ficaríamos mais convencidos de que um time jogou bem se ouvíssimos os elogios partindo de um fanático torcedor deste time ou de um igualmente fanático torcedor do time adversário? Claro, se o torcedor de um time rival se vê constrangido a admitir a boa partida de seu adversário, isto é um forte testemunho de que ele realmente jogou bem. Para este torcedor fanático, segundo suas más paixões, seria de seu gosto denegrir o adversário. Somente uma partida brilhante do adversário o forçaria a admitir que ele jogou bem, porque as evidências seriam fortes demais.

Vejamos alguns exemplos mais eruditos do que o do futebol. Depois da Segunda Guerra Mundial, Pio XII recebeu os agradecimentos de judeus salvos do genocídio nazista. Tão evidente foi a ajuda deste papa às vítimas da perseguição que os judeus, mesmo com sua inimizade para com a Igreja Católica, foram obrigados a reconhecer o apoio de Pio XII.

Outro exemplo que li há pouco em meus estudos. Os enciclopedistas estavam imersos em uma filosofia naturalista e anti-católica.  A eles interessaria, em princípio, negar os milagres da Igreja. Uma maneira seria negar a existência de todos os fatos  sobrenaturais. No entanto, como destaca o Cardeal Gousset em sua obra “Theologie Dogmatique”, décima quarta edição, tomo I, páginas 84 a 87, os enciclopedistas reconhecem a existência destes fatos sobrenaturais.

Enfim, sempre que alguém a quem não interessaria admitir uma verdade, acaba por admiti-la, temos um importante testemunho a favor desta verdade.

No nosso caso, aos hereges não convém auxiliar os católicos tradicionais em seu combate contra o Vaticano II. São uma fonte completamente independente, até mesmo contrária a nós, e que também reconhecem a ruptura do Vaticano II. A diferença, como já dissemos, é que eles apóiam esta ruptura, enquanto que nós a combatemos.

Os inimigos da Igreja e os maus clérigos fazem uso do Vaticano II para defender seus erros

O assunto de nosso último artigo demonstra bem o quanto o Vaticano II é utilizado pelo clero moderno para defender suas aberrações. Pois foram exatamente os textos horríveis do Vaticano II que Dom Aldo Pagotto invocou para explicar sua atitudade de prefaciar um livro espírita. E qualquer católico liberal que queira defender o ecumenismo faz largo uso dos textos do Vaticano II. Qual outro concílio poderia ser invocado para defender o irenismo, o indiferentismo religioso? Qual? Simplesmente não há como tirar dos outros concílios nenhum texto para defender os erros que são defendidos com o auxílio dos textos do Vaticano II.

E os encontros ecumênicos e as orações em comum com os hereges, tão condenados pelo magistério pré-conciliar? O Vaticano II declarou desejável aquilo que era completamento proibido anteriormente:

Em algumas circunstâncias peculiares, como por ocasião das orações prescritas «pro unitate» em reuniões ecuménicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. (UR 8)

E os sacramentos? Nem eles escaparam da fúria destruidora do concílio, pois ele deixou consignado em sua letra aquilo que era também completamente proibido anteriormente: a communicatio in sacris, isto é, a recepção de sacramentos conjunta entre católicos e hereges ou cismáticos:

De harmonia com estes princípios, podem ser conferidos aos Orientais que de boa fé se acham separados da Igreja católica, quando espontâneamente pedem a estão bem dispostos, os sacramentos da Penitência, Eucaristia e Unção dos enfermos. Também aos católicos é permitido pedir os mesmos sacramentos aos ministros acatólicos em cuja Igreja haja sacramentos válidos, sempre que a necessidade ou a verdadeira utilidade espiritual o aconselhar e o acesso ao sacerdote católico se torne física ou moralmente impossível.
Supostos estes mesmos princípios, permite-se, igualmente por justa causa, a communicatio nas funções sagradas, coisas e lugares entre católicos e irmãos separados orientais. (OE 27,28)

Como alguém poderia se opor aos abusos irenistas da era pós-conciliar se, por absurdo, quisesse negar a evidentíssima ruptura do concílio com todo o magistério anterior e com toda a Tradição da Igreja?

Não é sem motivos que os todos inimigos da Igreja, especialmente os clérigos de mentalidade liberal, fazem grande uso do Vaticano II. Pois é exatamente nas suas letras que se encontra toda “justificativa” para o procedimento irenista que corrói a Igreja tradicional. Seja a intenção deles destruir a Igreja, seja a de transformá-la em algo ao seu gosto, o mal que eles fazem com o apoio do Vaticano II é enorme.

Mas o mal do concílio não para no ecumenismo. O que dizer, por exemplo, daquela malfadada expressão “opção preferencial pelos pobres” que a teologia da libertação (leia-se, escravidão) utiliza como slogan? Ao contrário da Igreja Católica, que busca a evangelização e a salvação de todos, a teologia da libertação, como mascaramento da sua ideologia marxista, busca a “evangelização” dos pobres. Evangelização entre aspas, porque o que eles querem é apenas doutrinação comunista dos pobres para utilizá-los como inocentes úteis. Mas, esta expressão “evangelização dos pobres”, poderia ser encontrada no magistério legítimo da Igreja? Se, por um absurdo, por um enorme absurdo, considerássemos o Vaticano II como magistério legítimo da Igreja, idêntico aos demais concílios, a resposta seria afirmativa. Pois lemos, no final do número 5 do decreto Ad Gentes:

Continuando esta missão e explicitando através da história a missão do próprio Cristo, que foi enviado a evangelizar os pobres, a Igreja, movida pelo Espírito Santo, deve seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte, morte de que Ele saiu vencedor pela sua ressurreição. (Ad Gentes, 5).

Se a teologia da libertação fizer uso desta passagem para defender suas idéias, ela estaria abusando do que está escrito? Não. No texto do Vaticano II ficou escrito exatamente um dos lemas destes marxistas.

Pesquisando na internet, não é nada difícil encontrar o termo “evangelizar os pobres” em sites da teologia da libertação, como este, por exemplo: http://teologiaelibertacao.blogspot.com/2010/01/evangelizar-os-pobres.html. Já que chegamos a este site, é interessante notar a lista de livros indicados pelo mesmo:

Os imorais “O Príncipe”, de Maquiavel, e “Assim falou Zaratustra”, de Friedrich Nietzsche; “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de Max Weber; “Ensaio sobre a cegueira” do ateu José Saramago; “Experimentar Deus”, do inimigo da Igreja Leonardo Boff; para provar a “ortodoxia” da TL, “Teologia do pluralismo religioso, para uma leitura pluralista do cristianismo” (José Maria Vigil); e, como o diabo não consegue mesmo esconder os chifres, há até livros fundamentais do comunismo: Manifesto do Partido Comunista (Marx & Engels) e O Estado e a Revolução (V.I. Lenin).

No meio de um coquetel tão indigesto como este, haveria espaço para algum documento realmente católico? Poderia haver a indicação de um concílio da Igreja? Só se for o Vaticano II que, de fato, está lá indicado, em sua edição pela Paulus, “Documentos do Concílio Vaticano II”. Por que será que a leitura do Vaticano II pode ser indicada pelos inimigos da Igreja? Por que nenhum outro concílio recebe esta “honra”?

Qualquer pessoa de boa vontade entende isso. O Vaticano II é “remédio” para doente que não quer sarar. O magistério legítimo da Igreja jamais seria recomendado pelos seus inimigos. Já o Vaticano II o é. Prestem bastante atenção: o Vaticano II não somente é citado como até mesmo recomendado pelos inimigos infiltrados na Igreja, junto com Lenin, Marx, Nietzsche, Saramago et caterva…

Que outro concílio da Igreja é tão largamente utilizado para defender idéias anti-católicas? Quando é que um concílio como o de Trento ou do Vaticano (Primeiro) seria recomendado pelos inimigos da Igreja?

Conclusão

Como pode alguém não perceber que “onde há fumaça, há fogo”? Tudo o que citamos não são provas cabais, mas são evidências claríssimas de que algo de muitíssimo errado há sim com o Vaticano II. Diante de tantas evidências, ninguém tem o direito de repetir cegamente que o Vaticano II é um concílio idêntico aos demais. Todos temos a obrigação moral de estudarmos mais a fundo a questão antes de de nos pronunciarmos. É isto o que temos feito neste blog (muitas vezes aprofundando o raciocínio já iniciado por outros numerosos trabalhos, que não faltam àqueles que tem boa vontade de estudar o assunto), comparando os textos do Vaticano II com o magistério anterior a ele, os escritos dos santos, a doutrina católica, as Sagradas Escrituras. E o que encontramos é uma infinidade de contradições. Estas contradições sim, são provas irrefutáveis de que o concílio rompeu com a Tradição da Igreja. Uma ruptura enorme, inegável e que explica todo o caos em que vivemos nesta “doce primavera” pós-conciliar.

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PS: os comentários permanecem fechados até que terminemos a série sobre a credibilidade do Vaticano II.