Reflexões sobre a perseguição ao Padre Paulo Ricardo

NOTA: Este artigo foi reescrito em 09 de Março, às 21:45 h.

Com toda sinceridade, eu não sou nenhum entusiasta seguidor do Pe. Paulo Ricardo, pois acho que todo católico tem que ser ainda mais rigoroso no combate aos males que se infiltraram na Igreja com o Vaticano II e a missa nova. Não podemos cair no relativismo de aceitar tudo o que ele, e discordamos mesmo de muitas de suas ideias.

No entanto, este sacerdote está sofrendo uma injusta perseguição por parte do clero liberal. Pe. Paulo Ricardo disse a verdade sobre esta parcela podre do clero, mundano, apóstata, destruidor da Fé. Os lobos se sentiram atingidos e saíram ao ataque, apelando ao bispo de Cuiabá, diocese do padre Paulo Ricardo, para que tomasse severas providências contra ele.

A covardia promovida pelo clero apóstata contra um sacerdote que disse algumas verdades é tanta que dá nojo ler a total inversão da realidade estampada na carta que eles escreveram ao bispo, e que pode ser lida no Fratres. O padre Paulo Ricardo, ao denunciar o mundanismo, a apostasia, o abandono da batina, acabaria se tornando o semeador de discórdia… A culpa já não seria mais de quem destrói a Igreja, e sim daquele que combate os erros…

O diabo mostra os chifres

Uma boa parcela dos católicos, mesmo desconhecendo as causas profundas da crise atual que estourou com o Vaticano II e a missa nova, é conservadora e desaprova a destruição promovida pelos liberais. Quantos de nós, antes de conhecer a Tradição, não peregrinaram muito para encontrar uma missa menos barulhenta, com menos abusos, onde o padre fizesse um sermão minimamente condizente com a doutrina católica?

Aos poucos a gente vai percebendo que o problema não é pontual e que a crise é muito mais grave do que imaginávamos. Além do somatório de absurdos, pequenos e grandes, que vemos com frequência na igreja pós-conciliar, existem as grandes traições promovidas pelo clero apóstata que causam grande consternação aos católicos sinceros. No meu caso, aquela maldita campanha do desarmamento apoiada pela desgraçada CNBB em 2005, foi a gota d’água com a seita conciliar.

Quem sabe este caso infeliz não seja motivo de muitos católicos abrirem os olhos para a dimensão da crise atual? Muitos do que ainda pensam que o problema é com este ou aquele padre, ou bispo, podem enxergar a gravidade da situação. Pois o ocorrido é de fazer qualquer pessoa, por mais desinformada que esteja, refletir muito. Um padre fala a verdade sobre o mundanismo, a apostasia, a dessacralização, etc promovidas pelo clero liberal e estes partem com toda agressividade contra o conservador. Escrevem um texto repleto de mentiras, invertendo toda a realidade, invertendo todos os valores da Igreja, e ainda querem silenciar o padre e afastá-lo. Ora, isto é suficiente para fazer os mais ingênuos católicos parar para refletir: como pode haver uma atitude tão ofensiva por parte de alguns padres contra outro? Quem sabe não seja esta a ocasião de muitos católicos estudarem mais a fundo sobre a crise atual. E que, aos poucos, cheguem a descobrir o golpe de estado que foi o Vaticano II.

O perigo dos acordos

Para finalizar, quero apenas fazer uma observação. Vejamos bem o quanto um sacerdote que está em “plena comunhão” é perseguido pelos liberais. Isto sempre foi assim, desde que os modernistas tomaram o poder com o Vaticano II, e sempre será enquanto eles tiverem “autoridades” eclesiásticas que os protejam. Qualquer sacerdote que tente defender a Igreja vai ser vítima de perseguição por parte destes lobos que, do ponto de vista “legalista”, estariam dentro da Igreja. Daí, qualquer pessoa com o mínimo de boa vontade entende o estado de necessidade que nos obriga a não nos submetermos a uma “autoridade” pervertida que propaga o liberalismo.

Muito interessante e oportuno seria ler o artigo de Dom Tomás de Aquino, OSB, sobre as duas correntes na Igreja, derrubando qualquer pretensão dos acordistas em querer nos convencer da necessidade de um acordo a qualquer custo. Um acordo que atasse as nossas mãos e nos obrigasse a não combater mais os erros do Vaticano II e da missa nova seria o sonho de todo inimigo da Igreja. O padre Paulo Ricardo está sendo perseguido por muito menos daquilo que nós, como católicos tradicionais, defendemos. Muitas das suas ideias sobre a crise atual são muito menos radicais que as nossas, e mesmo assim ele é perseguido. Ele reconhece que há erros no Vaticano II, mas incoerentemente aceita a visão de Bento XVI sobre a hermenêutica da continuidade. Imaginem nós que não aceitamos nem o modernismo moderado de Bento XVI. Os modernistas radicais não nos deixariam em paz se estivéssemos debaixo de suas “autoridades”. A “plena comunhão” com esta gente é uma ilusão perigosa. Não estando sob a “autoridade” dos modernistas, nós podemos levar uma vida realmente católica. Subordinados a eles, seríamos destruídos na primeira oportunidade. Haja vista o que fizeram a Fraternidade São Pedro lá pelo ano 2000. Trocaram o superior da FSSP por outro liberal. Para quem eles puderam reclamar? Para ninguém, eles escolheram este caminho.

Por isso continuamos o combate pela Tradição, apesar da gritaria contrária. Deixemos os propagandistas da “plena comunhão” gritarem o que quiserem contra nós. Tudo não passa de propaganda vazia.