Breves considerações

– Quando eu me referir a acordistas, em modo de crítica severa, entendam-se aqueles que sempre detestaram a FSSPX e somente estão contentes porque têm esperança de vê-la capitular. São os oportunistas que foram tão bem desmascarados pelo Sidney Silveira, em mais um de seus ótimos artigos apologéticos.

– Existem pessoas que querem o acordo porque acreditam que dele possam a FSSPX e toda a Igreja tirar proveito. Apesar de discordarmos fortemente destas pessoas, e não podermos aprová-las, nem por isso são inimigos. Querem o bem da FSSPX e do restante da Igreja, apesar de tudo. A nossa intenção não é hostilizar estas pessoas, mas sim convencê-las do perigo que estão correndo. Já tivemos “fogo amigo” demais nestes combates. Além do mais, com ou sem acordo, nós todos iremos continuar a luta contra o verdadeiro inimigo. Exceção feita àqueles que porventura gostem tanto da “plena comunhão” ao ponto de fazer as pazes com os liberais.

– Se eu sou contra o acordo é porque tenho sério medo de que a FSSPX se torne outra FSSP ou IBP, silenciados, ameaçados, com o superior conservador trocado à força por um outro liberal (no caso da FSSP). Para o bem da Igreja, a FSSPX não pode ser silenciada, porque é a maior e mais importante resistência ao liberalismo.

– Se acontecer um acordo e ele falhar, pelo menos eu não ficarei com a consciência pesada por ter permanecido em silêncio. Posso não conseguir modificar em nada a situação, mas a recordação da covardia não vai me atormentar.

– Se, o que se deve considerar quase impossível, o acordo der certo, eu não ficarei triste, não. Pelo contrário, ficarei contente por ver a situação resolvida. Agora, o que eu não posso é dizer que acredito nesta visão otimista, irreal. Não acredito mesmo. Não aposto uma única ficha.

– De qualquer forma, aconteça o que acontecer, continuaremos lutando pela Tradição, sem ceder em nada aos liberais. Alguns cenários seriam muito melhores, muitíssimo mais seguros. Outros seriam aterradores, se não tivéssemos a Fé. Mas, ainda que um acordo desastroso nos coloque em uma situação muito difícil, não é isto que vai quebrantar a nossa vontade de lutar pela Igreja.

– Na recente entrevista dada ao Catholic News Service, agência de notícias da Conferência Episcopal dos EUA, Dom Fellay demonstra claramente o quanto o acordo depende de Bento XVI:

Pessoalmente, eu teria querido esperar um pouco mais de tempo para ver as coisas mais claras, mas uma vez mais, realmente parece que o Santo Padre quer que aconteça agora. O movimento do Santo Padre, porque realmente vem dele, é genuíno. Se este reconhecimento acontece é graças a ele. Definitivamente só a ele.

http://fratresinunum.com/2012/05/16/dom-bernard-fellay-sobre-bento-xvi-se-o-reconhecimento-vier-e-gracas-a-ele-e-apenas-a-ele/

Este é um ponto crucial, pois um dos pressupostos do sucesso do acordo é exatamente o total apoio do papa à restauração da Tradição. Para muitos dos que se iludem com os acordos, Bento XVI é o “papa da restauração”.  Não compartilhamos esta visão. Sem tratar esta questão, é inútil especular sobre o que pode acontecer. É um tema espinhoso, não tanto pelo conteúdo em si, como pela má fé dos propagandistas que não perdem a oportunidade de chamar de cismático ou sedevacantista que não compartilha a mesma visão que eles. Mas, pelo visto, não poderemos nos furtar a este embate.

– Esta confusão não poderia ter vindo em hora mais imprópria para mim. Neste últimos meses, estou sobrecarregado de trabalho e ainda estudando, o que torna meu tempo muito escasso. Mas vou procurar escrever aquilo que for mais urgente.

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