E se acontecer Assis IV?

Bento XVI, no ano passado, convocou o III encontro de Assis, em comemoração dos vinte e cinco anos da primeira “edição” promovida por João Paulo II. Ainda que não tenham ocorrido, agora, todas as horríveis profanações daquela vez, não deixou de ser um evento promotor de grave indiferentismo religioso. Além disso, somente o fato de se estar comemorando algo tão deplorável como o primeiro encontro de Assis, já é gravíssimo, mesmo não o repetindo. Imaginem um governo alemão comemorar os genocídios da Segunda Guerra Mundial. Não seria necessário repetir os atos. A simples comemoração já seria digna dos mais veementes protestos.

Pois bem, diante de tão flagrante ofensa contra o primeiro mandamento da lei de Deus, Dom Fellay, superior da FSSPX, em Outubro de 2010, criticou abertamente os encontros de Assis (áudio em inglês):

Em fevereiro de 2011, Dom Fellay concedeu uma entrevista ao distrito norte-americano da FSSPX, no qual, entre outros assuntos, ele condenou novamente o encontro de Assis:

21. O Santo Padre anunciou a próxima reunião de Assis. O Senhor reagiu no sermão dado na igreja de  Saint Nicolas du Chardonnet em 9 de fevereiro de 2011 e decidiu se opor a isso como o fez Dom Marcel Lefebvre à época do primeiro encontro, há 25 anos. O Senhor pretende intervir junto ao Santo Padre?

Se me for oferecida essa ocasião e se puder dar algum fruto, por que não?

23. Pode-se pensar que o Santo Padre não entende o ecumenismo da mesma forma que João Paulo II? Não se trata de uma diferença de grau no mesmo erro?

Não, me parece que ele entende da mesma forma. De fato ele disse “não podemos rezar juntos”. Mas teríamos que ver exatamente o que ele quer dizer com isso. Em 2003 deu uma explicação no livro “A fé, a verdade, a tolerância, a Cristandade e as religiões do mundo” (Friburgo, 2003). Eu acho que ele tenta forçar a barra[1]. Tenta justificar Assis. Como será possível isso em Outubro?

24. Alguns intelectuais italianos manifestaram publicamente sua inquietude pelas consequências de tal encontro. O Senhor conhece alguma outra reação no seio da Igreja?

Tem razão. Nós vemos alguma outra reação no seio da Igreja? Nos meios oficiais, não. Entre nós sim, evidentemente.

28. O que devem fazer os católicos diante deste anúncio de um Assis III?

Rezar para que Deus intervenha de uma forma ou de outra para que não aconteça, e de qualquer maneira, começar a reparar desde já.

http://www.fsspx.com.br/exe2/entrevista-com-dom-bernard-fellay-realizada-pelo-distrito-dos-eua-em-fevereiro-de-2011-parte-1


Em coerência com essas palavras e com o que o católico deve fazer ante uma ofensa pública ao Deus Altíssimo, Dom Fellay convocou a FSSPX para um ato público de reparação enquanto ocorria o infeliz encontro. E este ato de reparação e desagravo aconteceu, de fato, nas capelas da FSSPX ao redor do mundo.

Hoje, o mesmo Dom Fellay, que convocou este ato de reparação, quer nos fazer confiar no mesmo Bento XVI, que convocou o encontro de Assis. Há cerca de um mês,na entrevista concedida ao Catholic News Service, agência de notícias da Conferência Episcopal dos EUA, Dom Fellay demonstra claramente o quanto o acordo depende de Bento XVI:

Pessoalmente, eu teria querido esperar um pouco mais de tempo para ver as coisas mais claras, mas uma vez mais, realmente parece que o Santo Padre quer que aconteça agora. O movimento do Santo Padre, porque realmente vem dele, é genuíno. Se este reconhecimento acontece é graças a ele. Definitivamente só a ele.

http://fratresinunum.com/2012/05/16/dom-bernard-fellay-sobre-bento-xvi-se-o-reconhecimento-vier-e-gracas-a-ele-e-apenas-a-ele/

Perguntamo-nos, então, o que aconteceria se Dom Fellay assinasse um acordo com Roma e Bento XVI, ou um sucessor seu, convocasse o encontro ecumênico de Assis IV? Dom Fellay convocaria de novo um ato público e solene de reparação? Ele colocaria, assim, em risco a “benevolência” e a “generosidade” de Roma para fazer valerem os direitos de Deus? Ou, para não desagradar as autoridades que “tão benevolamente” o acolheram “de volta” (à Igreja da qual ele nunca saiu), ele permitiria que o único e verdadeiro Deus sofresse esta ofensa sem um devido ato de reparação?

Muitíssimos bispos e cardeais odeiam a FSSPX porque ela é católica e não se rende ante a heresia a que esses mesmos dignatários aderiram. Estariam todos loucos para destruir a FSSPX o quanto antes pudessem. Qualquer possibilidade de sobrevivência da FSSPX na “igreja oficial” depende de um total apoio de Bento XVI (isto, considerando-se a tese irracional da boa vontade ratzingeriana, e de que o tal acordo não seria uma armadilha, o que jamais poderíamos aceitar). Ainda que Ratzinger fosse o grande restaurador da Tradição (tese na qual nós não acreditamos de forma alguma), se Dom Fellay continuasse enfrentando o ecumenismo de Bento XVI como o fez em Assis III, ele continuaria tendo o seu apoio? E se Bento XVI for sucedido por outro papa ainda mais liberal, o superior da FSSPX enfrentaria aquele que seria o único garantidor de sua sobrevivência no meio dos lobos modernistas?

Fala-se tanto que o reconhecimento canônico não vai retirar o direito da FSSPX de criticar os erros do Vaticano II e da missa nova. Mas, e os graves erros contra a Fé promovidos pelos chefes da “igreja” conciliar, poderão ser criticados? Dom Fellay teria a envergadura moral de condenar os erros daquele que seria seu grande protetor no meio da alcateia em que ele quer entrar? E se ele o fizesse, a FSSPX ficaria sem perseguições e retaliações? Ou será que os direitos de Deus é que serão esquecidos em troca da “legalidade”?

Independente de qualquer conjectura, o que nos causa grande estranheza é como o mesmo bispo, que corretamente percebeu a necessidade de fazer uma reparação pública pelas ofensas cometidas ao único e verdadeiro Deus, possa confiar tão cegamente em Bento XVI, que foi o grande responsável por este ato de Assis III.

Este é, sem dúvida, um tema árduo, mas que somos obrigados a tratar, porque dele depende todo o posicionamento contra ou a favor do acordo. Nós não podemos viver de ilusões, precisamos agir de acordo com respostas claras.

Estas e tantas outras interrogações são reais e sérias, mas são completamente ignoradas diante de todo o apressado acordo que se quer assinar. Em vez de dar resposta a estas questões, certos espíritos de porco não fazem outra coisa senão nos acusar de tudo quanto podem, seja de cismáticos ou até mesmo de protestantes. É a velha regra: quando faltam argumentos, sobram ofensas.

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Um comentário em “E se acontecer Assis IV?

  1. […] Fonte:  In tribulatione patientes/ http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/ . SPES/ . . O papa Bento XVI, no ano passado, convocou o III encontro de Assis, em comemoração dos vinte e cinco anos da primeira “edição” promovida por João Paulo II. Ainda que não tenham ocorrido, agora, todas as horríveis profanações daquela vez, não deixou de ser um evento promotor de grave indiferentismo religioso. Além disso, somente o fato de se estar comemorando algo tão deplorável como o primeiro encontro de Assis, já é gravíssimo, mesmo não o repetindo. Imaginem um governo alemão comemorar os genocídios da Segunda Guerra Mundial. Não seria necessário repetir os atos. A simples comemoração já seria digna dos mais veementes protestos. Pois bem, diante de tão flagrante ofensa contra o primeiro mandamento da lei de Deus, Dom Fellay, superior da FSSPX, em Outubro de 2010, criticou abertamente os encontros de Assis (áudio em inglês):  . (Nota – Letícia de Paula: O áudio foi removido assim que utilizado pelo blogue In tribulatione patientes, provavelmente era de algum acordista)  . Em fevereiro de 2011, Dom Fellay concedeu uma entrevista ao distrito norte-americano da FSSPX, no qual, entre outros assuntos, ele condenou novamente o encontro de Assis:  . 21. O Santo Padre anunciou a próxima reunião de Assis. O Senhor reagiu no sermão dado na igreja de  Saint Nicolas du Chardonnet em 9 de fevereiro de 2011 e decidiu se opor a isso como o fez Dom Marcel Lefebvre à época do primeiro encontro, há 25 anos. O Senhor pretende intervir junto ao Santo Padre? Se me for oferecida essa ocasião e se puder dar algum fruto, por que não?  . 23. Pode-se pensar que o Santo Padre não entende o ecumenismo da mesma forma que João Paulo II? Não se trata de uma diferença de grau no mesmo erro? Não, me parece que ele entende da mesma forma. De fato ele disse “não podemos rezar juntos”. Mas teríamos que ver exatamente o que ele quer dizer com isso. Em 2003 deu uma explicação no livro “A fé, a verdade, a tolerância, a Cristandade e as religiões do mundo” (Friburgo, 2003). Eu acho que ele tenta forçar a barra[1]. Tenta justificar Assis. Como será possível isso em Outubro?  . 24. Alguns intelectuais italianos manifestaram publicamente sua inquietude pelas consequências de tal encontro. O Senhor conhece alguma outra reação no seio da Igreja? Tem razão. Nós vemos alguma outra reação no seio da Igreja? Nos meios oficiais, não. Entre nós sim, evidentemente.  . 28. O que devem fazer os católicos diante deste anúncio de um Assis III? Rezar para que Deus intervenha de uma forma ou de outra para que não aconteça, e de qualquer maneira, começar a reparar desde já.  . http://www.fsspx.com.br/exe2/entrevista-com-dom-bernard-fellay-realizada-pelo-distrito-dos-eua-em-fevereiro-de-2011-parte-1  . Em coerência com essas palavras e com o que o católico deve fazer ante uma ofensa pública ao Deus Altíssimo, Dom Fellay convocou a FSSPX para um ato público de reparação enquanto ocorria o infeliz encontro. E este ato de reparação e desagravo aconteceu, de fato, nas capelas da FSSPX ao redor do mundo.  . Hoje, o mesmo Dom Fellay, que convocou este ato de reparação, quer nos fazer confiar no mesmo Bento XVI, que convocou o encontro de Assis. Há cerca de um mês, na entrevista concedida ao Catholic News Service, agência de notícias da Conferência Episcopal dos EUA, Dom Fellay demonstra claramente o quanto o acordo depende de Bento XVI:  . Pessoalmente, eu teria querido esperar um pouco mais de tempo para ver as coisas mais claras, mas uma vez mais, realmente parece que o Santo Padre quer que aconteça agora. O movimento do Santo Padre, porque realmente vem dele, é genuíno. Se este reconhecimento acontece é graças a ele. Definitivamente só a ele.  . http://fratresinunum.com/2012/05/16/dom-bernard-fellay-sobre-bento-xvi-se-o-reconhecimento-vier-e-gracas-a-ele-e-apenas-a-ele/  . Perguntamo-nos, então, o que aconteceria se Dom Fellay assinasse um acordo com Roma e o papa Bento XVI, ou um sucessor seu, convocasse o encontro ecumênico de Assis IV? Dom Fellay convocaria de novo um ato público e solene de reparação? Ele colocaria, assim, em risco a “benevolência” e a “generosidade” de Roma para fazer valerem os direitos de Deus? Ou, para não desagradar as autoridades que “tão benevolamente” o acolheram “de volta” (à Igreja da qual ele nunca saiu), ele permitiria que o único e verdadeiro Deus sofresse esta ofensa sem um devido ato de reparação?  . Muitíssimos bispos e cardeais odeiam a FSSPX porque ela é católica e não se rende ante a heresia a que esses mesmos dignatários aderiram. Estariam todos loucos para destruir a FSSPX o quanto antes pudessem. Qualquer possibilidade de sobrevivência da FSSPX na “igreja oficial” depende de um total apoio de Bento XVI (isto, considerando-se a tese otimista da boa vontade do papa, e de que o tal acordo não seria uma armadilha, o que dificilmente poderíamos tomar como certeza). Ainda que este papa fosse o grande restaurador da Tradição (tese na qual nós não acreditamos de forma alguma), se Dom Fellay continuasse enfrentando o ecumenismo de Bento XVI como o fez em Assis III, ele continuaria tendo o seu apoio? E se Bento XVI for sucedido por outro papa ainda mais liberal, o superior da FSSPX enfrentaria aquele que seria o único garantidor de sua sobrevivência no meio dos lobos modernistas? . Fala-se tanto que o reconhecimento canônico não vai retirar o direito da FSSPX de criticar os erros do Vaticano II e da missa nova. Mas, e os graves erros contra a Fé promovidos pelos papas pós-conciliares, poderão ser criticados? Dom Fellay teria a envergadura moral de condenar os erros daquele que seria seu grande protetor no meio da alcateia em que ele quer entrar? E se ele o fizesse, a FSSPX ficaria sem perseguições e retaliações? Ou será que os direitos de Deus é que serão esquecidos em troca da “legalidade”?  . Independente de qualquer conjectura, o que nos causa grande estranheza é como o mesmo bispo, que corretamente percebeu a necessidade de fazer uma reparação pública pelas ofensas cometidas ao único e verdadeiro Deus, possa confiar tão cegamente em Bento XVI, que foi o grande responsável por este ato de Assis III.  . Este é, sem dúvida, um tema árduo, mas que somos obrigados a tratar, porque dele depende todo o posicionamento contra ou a favor do acordo. Nós não podemos viver de ilusões, precisamos agir de acordo com respostas claras.  . Estas e tantas outras interrogações são reais e sérias, mas são completamente ignoradas diante de todo o apressurado acordo que se quer assinar. Em vez de dar resposta a estas questões, certos espíritos de porco não fazem outra coisa senão nos acusar de tudo quanto podem, seja de sedevacantistas, de cismáticos ou até mesmo de protestantes. É a velha regra: quando faltam argumentos, sobram ofensas. Gostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar disso. […]

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