Alguns motivos para ser contrário a um acordo

Este artigo não tem a menor pretensão de apresentar todas as razões para que se seja contra o acordo prático. Reúno aqui apenas aquelas que parecem mais relevantes e mais fáceis de serem compreendidas, deixando outras menos evidentes para serem tratadas em separado. De qualquer forma, espero que contribua para acordar algumas pessoas que estão em sono profundo enquanto dirigem na direção de uma ribanceira.

Todas as promessas anteriores foram desrespeitadas

Isto não quer dizer nada? Todos os acordos, todos sem exceção nenhuma, que já foram feitos, foram desrespeitados pelas autoridades romanas. Se alguém não leva em consideração um argumento como este, que mais se pode esperar?

https://intribulationepatientes.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=982&action=edit

Estas traições eram coisas do passado? Hoje já não acontecem mais? Não! Vide o caso do IBP.

As pessoas que participaram destas traições são as mesmas que estão “dialogando” atualmente com a FSSPX? Sim!

O cardeal Ratzinger se alegrava ao sabotar a obra de Dom Lefebvre

O cardeal Ratzinger sempre foi um dos grandes perseguidores de Dom Lefebvre.

O Cardeal Ratzinger disse: “Estou feliz por alguns terem deixado Ecône e espero bem que haja outros que sigam os primeiros.”

http://www.capela.org.br/Crise/protocolo4.htm

Percebam a infâmia das palavras do cardeal Ratzinger! “Que muitos outros abandonem Ecône”! Ele se alegrava por ver sabotada a obra de Dom Lefebvre! E querem dizer agora que ele é o “restaurador da Tradição”?

Mas, será que Bento XVI mudou de postura? É evidente que não. Se tivesse se arrependido do mal que fez a Dom Lefebvre teria, no mínimo, declarado nula a sua excomunhão. O que ele fez foi o contrário, “beatificando” João Paulo II, que proferiu a iníqua sentença.

Não haverá concessões?

Uma das grandes promessas de Dom Fellay, e também um dos pressupostos mais importantes para que o acordo desse certo, é que a FSSPX não deveria fazer nenhuma concessão na luta que tem mantido há décadas contra o modernismo.

Antes de assinar qualquer acordo, a concessão já veio, limitando o apostolado que a FSSPX desenvolveria depois de “regularizada”.

Nas palavras do próprio Mons. Fellay (a tradução para o português é nossa):

Segue sendo certo – como é o direito da Igreja – que para abrir uma nova capela ou fundar uma nova obra, seria necessário contar com a permissão do Ordinário do lugar.

[Sigue siendo cierto —como lo es el derecho de la Iglesia— que para abrir una nueva capilla o fundar una nueva obra, sería necesario contar con el permiso del Ordinario del lugar.]

http://radiocristiandad.wordpress.com/2012/06/07/p-ceriani-lo-unico-completamente-falso-es-el/

Portanto, no caso de um acordo com a roma que nos quer acolher de “braços abertos”, somente poderia ser aberta uma nova capela da FSSPX se houvesse autorização do bispo diocesano. Quais bispos autorizariam?

Talvez, aqueles poucos que já possuem um mínimo de respeito pela Tradição, aqueles que já permitem a “missa do motu proprio“. Por mais incoerente que seja a permissão para rezar um rito que nunca foi ab-rogado, e por mais desaconselhável que seja participar de tal missa, os fiéis já tinham alguma coisa. E mesmo assim, não é provável que um bispo que permita a missa do indulto possa permitir que padres que rejeitam o Vaticano II e a missa nova se instalem em sua diocese.

Agora, se já é difícil a situação com os “conservadores”, imaginem em uma diocese (des)governada por um legítimo sucessor de Judas Iscariotes. Exatamente os fiéis que mais necessitam de um pouco de ar puro nesta pestilenta “primavera pós-conciliar” serão os que menos terão esperança de serem atendidos por uma “neo-FSSPX”, que precisaria pedir permissão ao preposto do diabo para levar Deus às almas desamparadas.

O silenciamento da oposição dentro da FSSPX

Dom Fellay se recusou, por escrito, a ordenar qualquer Dominicano ou Franciscano em Ecône no dia 29 de Junho

http://stdominic3order.blogspot.com.br/2012/06/dom-judas-fellay.html

Segundo fontes da própria casa geral, Dom Fellay “pretende estar seguro da ‘lealdade destas comunidades’ antes de ‘impor suas mãos sobre os candidatos'”. Ou seja, já começa a se tornar evidentíssimo o que já se poderia supor com um bom grau de certeza há algum tempo: quem foge da “linha do partido” é perseguido.

Vejam também o exemplo de Dom Richard Williamson, a quem Dom Fellay quer excluir do capítulo geral da FSSPX agora em julho. Ora, se Dom Williamson estivesse dizendo algo errado, não seria melhor provar? Isto desmoralizá-lo-ia, caso realmente estivesse dizendo mentiras. Mas, como Dom Williamson diz a verdade – a verdade que dói – preferiram tentar calá-lo. Quão diferente da atitude católica que sempre enfrentou o erro, fazendo a verdade brilhar ainda com maior clareza!

É só voltar atrás…”

Alguns inocentes dizem que, caso a FSSPX perceba que o acordo é uma armadilha, seria só voltar atrás. Ora, uma pessoa volta atrás com facilidade. Mas, uma instituição inteira, consegue fazer isto? Se, feito o acordo, algum padre percebesse a enrascada em que se meteu, ele teria coragem de comentar com outros padres, sabendo da perseguição a que estaria submetido, uma vez que não pode presumir a opinião dos outros padres? Se, até antes do acordo, um bispo já sofre tentativas de silenciamento, o que se dirá depois do acordo quanto aos padres que não o aceitem? E se um padre, ou um grupo de padres, quiser voltar atrás, não seriam eles expulsos? As capelas, construídas com tanto suor, não ficariam nas mãos dos acordistas submissos às autoridades modernistas? Portanto, não é nada simples a ideia do voltar atrás.

A propaganda liberal fará de tudo para distorcer os fatos

Por mais que Dom Fellay fale que não há uma mudança posição da FSSPX, a propaganda faz de tudo para transmitir a impressão de que se trata do caso de um “filho pródigo” que retorna à casa.

Para nós isto não importa absolutamente nada. Sabemos que estamos defendendo a Fé verdadeira e, por isso, somos perseguidos. Mas, se um dos objetivos da “regularização” é ajudar as pessoas que estão sendo enganadas pelos modernistas, de nada adiantará “entrar” na igreja com a fama de “anistiados”, “redimidos de um grande crime”. Não! Ninguém se sentirá atraído por um grupo de “rebeldes” que, graça à benignidade de Bento XVI, foram “aceitos de volta” na igreja.

Sem que seja feita justiça a tantos heróis da Fé que foram perseguidos, sem que sejam condenados os erros modernos, sem que Roma retorna à ortodoxia, a propaganda liberal vai sufocar qualquer coisa que se diga.

Não se sabe quem será o próximo papa

Alguns “iluminados” sugerem que se assine logo o acordo porque não se sabe quem será o próximo papa, e se este continuará a política de Bento XVI para com a FSSPX. Ainda que aceitássemos que existe uma “boa vontade” de Bento XVI para com a Tradição, algo que não o podemos fazer sem nos tornarmos cegos à realidade, deveríamos rechaçar este argumento acordista. Ora, se o objetivo fosse o acordo a qualquer preço, certamente que deveria ser feito o mais rápido possível. No entanto, a missão da FSSPX, como o de qualquer obra católica, é guardar o depósito da Fé. No momento atual, a melhor forma de fazê-lo é não estando subordinado às autoridades que querem destruir este depósito. Pois bem, é exatamente pelo fato de não sabermos quem será o próximo papa, é que devemos nos afastar de um acordo que depende tão estreitamente do apoio papal para que a FSSPX sobreviva no meio dos lobos modernistas. Imaginem se o próximo papa for um grande liberal, mais ainda que todos os anteriores? O que seria da FSSPX subordinada a este homem? E que existem muitos péssimos cardeais, isto não é novidade para ninguém que conheça o estado atual da Igreja.

Não são suficientes ainda?

Tudo o que foi dito ainda não é suficiente para entender que não é o momento de se fazer um acordo? Digo que é simplesmente inacreditável. Mas, continuaremos com outros artigos.

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