Caímos em contradição?

Fomos acusados de termos caído em contradição, em nosso último artigo, ao afirmar que as autoridades vaticanas dizem coisas que depõem contra Dom Fellay. Segundo o raciocínio de quem nos acusou, esta afirmação contradiz o que os anti-acordo continuamente afirmam sobre as relações amistosas entre Dom Fellay e as autoridades vaticanas.

É muito fácil demonstrar que não há contradição. Antes de tudo, vejamos o que foi que Roma recentemente disse e que depôs, segundo afirmamos, contra Dom Fellay. Foi exatamente a afirmação do cardeal Cañizares:

O Cardeal Cañizares, em seguida, esclareceu que, segundo o testemunho de Dom Bernard Fellay, atual superior da Fraternidade, Dom Lefebvre obviamente não desejaria a ruptura se a missa fosse celebrada por todos segundo “a forma mais estrita” do novo Missal de Paulo VI (1963-1978).

http://fratresinunum.com/2013/01/17/o-prefeito-da-congregacao-para-a-liturgia-convida-a-ver-o-papa-como-modelo-para-celebrar-a-missa/

Esta afirmação depõe contra Dom Fellay porque a missa nova é má em si mesma, tal como o provou o cardeal Ottaviani antes mesmo que ela fosse colocada em prática. Portanto, não são apenas os abusos que a tornam inaceitável. Dom Fellay tratou de negar a afirmação do cardeal, atribuindo-a a uma má interpretação por parte do purpurado.

Percebemos que o cardeal Cañizares não disse a frase em tom de acusação contra Dom Fellay, senão de elogio, porque tal ideia reflete a própria mentalidade das autoridades pós-conciliares.

Portanto, não é o fato de depor contra Dom Fellay, de um ponto de vista objetivo, que torna a afirmação do cardeal Cañizares uma voluntária afronta contra Dom Fellay. Subjetivamente, para o cardeal, aquilo que ele disse não era uma afronta. Assim, não existe contradição em se afirmar que existe proximidade entre Dom Fellay e as autoridades vaticanas, agindo ambos de comum acordo, e afirmar que uma destas autoridades disse algo que depõe contra Dom Fellay.

Se ainda não ficou claro, vamos estender a explicação.

Duas pessoas podem concordar perfeitamente entre si sobre determinado assunto, trabalhando assiduamente para atingir um objetivo que esteja de acordo com as ideias que ambas defendem. Estas ideias, no entanto, podem estar permeadas de erro, pervertidas e muito distorcidas quanto à realidade. Se Fulano elogia Beltrano por concordar com suas ideias, subjetivamente, ele procura enaltecer o outro. Objetivamente, porém, poderá estar depondo contra ele. Todos os que não estiverem seduzidos pelas falsas ideias compartilhadas por aquele grupo perceberão a realidade.

Vejamos um exemplo prático. Um homem pervertido em pecados contra o sexto mandamento fará elogios para uma mulher sem pudor. Entre ambos pode existir total concordância em suas mentalidades pervertidas. No entanto, aqueles que amam a virtude da castidade, perceberão que tudo o que homem diz, na realidade, depõe contra aquela infeliz mulher.

Não existe, portanto, contradição nenhuma em dizer que uma pessoa pode depor contra a outra estando ambas muito unidas. Basta que estejam unidas no erro, e que a afirmação não tenha intenção de atacar, e sim de enaltecer.

Muito claro, muito fácil de entender, basta um mínimo de boa vontade. Mas a pessoa que nos acusou de contradição disparou também uma série de outras acusações, como se nós não tivéssemos cautela nas críticas, nem honestidade intelectual, além de muitas outras coisas, como termos mais faro conspiratório do que inteligência, etc. Sempre as mesmas ofensas, acusações e argumentos ad hominem a que os mais ferrenhos partidários de Dom Fellay estão acostumados.