Produções cinematográficas

Há cerca de duas semanas, o Pe. Girouard escreveu em seu blog um artigo sobre a entrevista do Pe. Rostand, superior do distrito da Neo-FSSPX nos Estados Unidos, intitulada “Contra os Rumores” (o artigo do Pe. Girouard pode ser lido em espanhol no blog Non Possumus). Além de refutar os argumentos do Pe. Rostand, o Pe. Girouard também chamou a atenção para um outro vídeo que mostrava cenas que foram recortadas e não fizeram parte do vídeo “oficial”. Estas cenas demonstram a grande preparação que houve para produzir o vídeo “oficial”. Ou seja, foi uma verdadeira produção cinematográfica. O Pe. Rostand ensaiava as respostas para perguntas simples e, quando errava, a gravação era refeita. Apresentamos nossa tradução da análise que o Pe. Girouard fez do vídeo:

“Este curto vídeo nos mostra também que a entrevista foi objeto de repetições preparatórias, como no teatro ou no cinema, e tanto o senhor Vogel [ndt: entrevistador do padre] como o Padre Rostand tiveram que decorar seus textos. Eu compreendo isso no caso do senhor Vogel, que fazia as perguntas, mas por que o padre Rostand? Se se é sacerdote e se diz a verdade, não há razão para aprender de memória as respostas a perguntas muito simples. Mas, se se manipulam as ideias, se se tenta enganar ao auditório, como o mostrei no ponto 4, se a entrevista foi “ditada” por Menzingen, então aí sim é possível que se deva aprender o texto de cor.”

A análise do Pe Girouard nos parece certeira. Não é de se espantar que o comprometedor vídeo dos bastidores tenha desaparecido, tendo sido retirado do ar.

Mas, pensando neste caso, não nos lembramos das entrevistas e palestras de Dom Fellay? Elas também não são uma produção cinematográfica? O superior geral fala o que quer, as perguntas são feitas apenas por subordinados ou cúmplices seus, ninguém contrário pode intervir, ninguém faz as perguntas comprometedoras, etc. No final, o filme fica muito bonito para ser apresentado e encantar a platéia que adora ser enganada.

Dom Lefebvre, como honrado bispo, defendendo a Fé Católica, não temia dar entrevistas “não controladas”. Com a firmeza e serenidade de quem diz a Verdade, o grande arcebispo concedia entrevistas sobre temas espinhosos e respondia as perguntas que lhe eram feitas. Vejamos dois exemplos.

O primeiro sobre o crescimento do Islã na França:

Notem as palavras firmes (e quase proféticas) do grande arcebispo respondendo aos questionamentos da imprensa liberal.

E o segundo exemplo, uma entrevista para a imprensa sobre a situação da FSSPX e sua situação pessoal:

http://www.youtube.com/watch?v=s36aHRE-NfM

Como se pode ver, Dom Lefebvre não se intimidava e não temia dar entrevista para quem não era subordinado seu. Dizia simplesmente a verdade e os fariseus que se escandalizassem o quanto quisessem.

Muito diferente, como já dissemos, é a atitude de Dom Fellay. Fazer palestras ou entrevistas com script pronto, com texto preparado previamente, memorizado e ensaiado, sem perigo de receber perguntas incômodas, é fácil. Mas não podemos esperar de Dom Fellay outra atitude. Imaginem, por exemplo, a palestra que ele proferiu em Outubro de 2013 no Congresso de Angelus Press. A certa altura, ele lançou um desafio:

“Certas pessoas continuam insinuando que nós estamos decididos a obter um acordo com Roma. Pobre gente. Eu lhe desafio a provar. Eles insinuam que eu penso diferentemente de como eu ajo. Eles não estão dentro da minha cabeça. […] Todo tipo de tentativa por um reconhecimento teve fim quando as autoridade romanas me deram o documento para assinar no dia 13 de junho de 2012.”

Pois bem, o blog La Sapinière aceitou o desafio e lhe deu a merecida resposta, provando que Dom Fellay estava mentindo. Para as pessoas de boa-vontade, que procuram se informar, a resposta de La Sapinière é irrefutável e desmascara a falsidade de Dom Fellay. Mas, infelizmente, somente os que acessam os sites da resistência na Internet têm acesso a tais informações. Para os inocentes (ou não tão inocentes) úteis, que recebem informação apenas da Neo-FSSPX, a imagem que ficou da tal palestra foi a de um Dom Fellay triunfante, inocente, perseguido pela malvada resistência…

Se Dom Fellay não fizesse suas produções cinematográficas mas, pelo contrário, abrisse as discussões com possibilidades de perguntas por parte da oposição, com certeza diminuiria muito o número daqueles que se deixam levar pelos belos discursos ensaiados. Imaginem alguém interrompendo a palestra de Dom Fellay no momento em que lançou o mencionado desafio e fazendo as perguntas que La Sapinière fez em seu blog. Estaria derrubado o castelo de cartas fellayísta na frente de todo seu auditório! 

Imaginem alguém fazendo perguntas a Dom Fellay sobre qualquer dos escândalos liberais da neo-FSSPX, contra os quais ele não toma nenhuma providência. Ou então questionando o superior geral sobre as suas frases escandalosas em favor do acordo prático, do Vaticano II, da missa nova, das “autoridades” apóstatas. Ou perguntando sobre o “julgamento” do padre Pinaud. Ou ainda, imaginem só, alguém questionando como pode o livro do Padre Pivert, contendo citações de Dom Lefebvre contrárias a um acordo prático, ter sido proibido. O fundador da FSSPX censurado! O que Dom Fellay responderia a estas perguntas?

É, para ele é melhor mesmo investir na industria cinematográfica… Assim as criancinhas assistem comendo pipoca e aplaudindo. E permanecendo em silêncio, claro!

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Obs: voltaremos ao tema desta palestra de Outubro de 2013 porque ela está sendo motivo para que algumas pessoas mordam a isca e acreditem em Dom Fellay.