A apostasia de Roma segundo o cardeal Manning

No mesmo sentido dos últimos dois artigos, recomendo a leitura das palavras do cardeal Manning sobre a prevista apostasia de Roma. É importante observar que este cardeal viveu no século XIX, sendo, portanto, livre de qualquer preconceito sobre as partes que agora disputam sobre a dita “igreja” conciliar. E, sem poder ser “acusado” de tradicionalista, ele descreve exatamente a situação em que vivemos e cuja gravidade os neoconservadores e tradicionalistas de linha média tentam minimizar.

Segue o texto, sendo que coloquei em destaque o trecho que descreve a situação da Igreja durante a grande perseguição:

“Os escritores da Igreja nos contam como nos últimos dias a cidade de Roma vai provavelmente apostatar da Igreja e do vigário de Jesus Cristo; e que Roma será de novo punida, pois Ele se afastará dela; e o julgamento de Deus cairá sobre o lugar do qual Ele havia reinado sobre as nações do mundo. Pois que faz de Roma sagrada, senão a presença do vigário de Jesus Cristo? Que tem ela que a faz querida aos olhos de Deus, que não a presença do vigário de Seu Filho? Saia de Roma a Igreja de Cristo, e Roma não será mais aos olhos de Deus do que a Jerusalém de outrora.

A apostasia da cidade de Roma em relação ao vigário de Cristo, e sua destruição pelo Anticristo, pode ser um pensamento tão novo para muitos católicos, que tenho por bem recitar o texto de teólogos da maior reputação. Em primeiro lugar Malvenda, que escreve expressamente sobre a matéria, afirma como sendo a opinião de Ribera, Gaspar Melus, Viegas, Suárez, Belarmino e Bosius que Roma vai apostatar da fé, expulsar o vigário de Cristo e retornar a seu antigo paganismo. São palavras de Malvenda: — ‘Mas a própria Roma, nos últimos tempos do mundo, retornará a sua antiga idolatria, poder, e grandeza imperial. Ela expulsará seu pontífice, apostatará completamente da fé cristã, perseguirá terrivelmente a Igreja, derramará o sangue dos mártires mais cruelmente que nunca, e recobrará seu estado anterior de abundante riqueza, ou até maior do que teve sob seus primeiros governantes.’

Lessius diz: — ‘No tempo do Anticristo, Roma será destruída, como vemos abertamente no décimo-terceiro capítulo do Apocalipse;’ e em seguida: — ‘A mulher que viste é a grande cidade, que tem reinado sobre todos os reis da terra, na qual está simbolizada Roma em sua impiedade, tal como era no tempo de São João, e será de novo no fim do mundo.’ E Belarmino: — ‘No tempo do Anticristo, Roma será desolada e queimada, como aprendemos no décimo-sexto verso do décimo-sétimo capítulo do Apocalipse.’ Sobre tais palavras comenta o jesuíta Erbermann o seguinte: — ‘Todos confessamos, com Belarmino, que o povo de Roma, um pouco antes do fim do mundo, retornará ao paganismo, e expulsará o Pontífice Romano.’

Então a Igreja vai-se dispersar, fugindo para o deserto, e será durante algum tempo como era no começo, escondida invisível nas catacumbas, em cavernas, em montanhas, em esconderijos; por algum tempo parecerá como que varrida da face da terraTal é o testemunho universal dos Padres da Igreja primitiva.

(Cardeal Henry Manning, The Present Crisis of the Holy See)
http://speminaliumnunquam.blogspot.com.br/2015/02/a-apostasia-de-roma.html

Os neoconservadores e tradicionalistas mornos levantam o escândalo farisaico contra os que denunciam os antipapas da roma neopagã. Inventaram até o termo “eclesiovacantismo”, que quer dizer vacância da igreja, para acusar aqueles que não identificam a “igreja” conciliar com a Igreja Católica. Como se afirmar que a “igreja” conciliar não é a Igreja Católica implicasse no desaparecimento desta. Mas temos as palavras de um legítimo cardeal da Santa Madre Igreja tratando sobre apostasia de Roma não como mera opinião, mas com propriedade, citando autores conceituados, doutores e padres da Igreja. Um texto escrito muito antes do início de toda esta crise que, junto com os outros que já citamos, demonstram a ação da Providência Divina nos preparando para não sermos enganados pelos impostores.

Devemos viver e morrer na Santa Igreja Católica, e não na obediência cega a hereges públicos e manifestos que trabalham abertamente para destruir o catolicismo apesar de exteriormente se apresentarem como se fossem católicos. Mas a Igreja verdadeira, “durante algum tempo”, como citado no texto, será perseguida e reduzida ao ponto de parecer ter sido varrida da face da Terra. Este fato em nada contraria as promessas de Cristo de que a portas do inferno não prevalecerão sobre a Igreja Católica, pois esta perseguição durará “algum tempo”. Ao final a Igreja será triunfante. Mas, para triunfarmos com Ela, devemos guardar a Fé verdadeira, e não querer estar em comunhão com os hereges que renegam essa Fé e a combatem.

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