Jejum e abstinência: Comparação entre o Código de Direito Canônico de 1917 e o de 1983*

Recomendo a leitura do seguinte artigo, que faz uma comparação entre a lei da Igreja sobre o jejum e a penitência prescritos no Código de Direito Canônico de 1917 e naquilo que pretendia ser o novo código, publicado em 1983.

http://farfalline.blogspot.com.br/2015/02/jejum-e-abstinencia-cdc-1917-1983.html

A este último não devemos dar nenhum crédito, por sua absoluta ilegitimidade. É, no entanto, útil comparar os dois documentos para avaliar um pouco o quanto a anti-igreja atua no sentido de afrouxar as leis eclesiásticas. Sendo a nossa vida uma luta contínua contra os instintos de nossa natureza caída, as obras de penitência, jejum e abstinência são um remédio para fortalecer-nos. Quanto mais o processo revolucionário avança, mais o mundo ao nosso redor nos incita ao pecado, à gula, à imoralidade. Quando, na década de 1980, precisávamos fortalecer nossa vontade contra a concupiscência do mundo e da carne muito mais do que sete décadas antes, é editado um pretenso novo código afrouxando as referidas leis.


No entanto, pior do que o afrouxamento já realizado pelo texto de 1983, é a abertura que o mesmo concede às Conferências Episcopais para criar suas próprias determinações nesta matéria, confirmando o que Montini já havia feito em 1966 por meio de uma constituição apostólica. De fato, o poder dado às referidas conferências vem desde o latrocínio Vaticano II, conforme já tivemos a oportunidade de escrever a este respeito. Esta abdicação de poder, a famigerada colegialidade, é uma marca característica deste falso concílio. Esta bandeira revolucionária estende à Igreja o princípio da igualdade, que já infectava a sociedade civil desde a revolução de 1789, e é um afronta ao governo monárquico da Igreja, centrado no Santo Padre, tal como estabeleceu Nosso Senhor. No caso que estamos tratando, podemos nos perguntar quantos católicos que frequentam a neo-igreja sabem da abstinência de carnes à sextas-feiras. Ainda que o texto de 1983 fale desta abstinência, a brecha deixada foi suficiente para que ela se extinguisse na prática.

A estratégia dos modernistas é astuta: eles sempre vão devagar. Nos documentos oficiais, tais como o Vaticano II ou o código de 1983, eles inserem muitos textos ambíguos ou deixam grande margem de liberdade para decisões posteriores, em instâncias mais baixas. Assim, os inocentes úteis podem aceitar a “letra do concílio” mas negar o “espírito do concílio”, mantendo a cegueira voluntária sobre o fato de que o “espírito” estava latente na letra ambígua. (Nota: isto não quer dizer que não haja textos absolutamente errados em tais documentos)

E, se já não bastassem a negligência, ou mesmo cumplicidade, das conferências episcopais para o decaimento das práticas religiosas, surgem “movimentos” cada vez mais “progressistas” para afastar ainda mais os fiéis das boas práticas. Exemplo marcante é o de Felipe Aquino, membro da RC”C” tido como conservador, dizendo certa vez que a abstinência de carne na Quarta-feira de cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-feira Santa é opcional! Não é nada difícil perceber a que ponto chegamos, onde o “católico” faz somente o que quer, sem que a Igreja possa impor nada. Nas palavras que o mestre da RC”C” reproduziu está explicitamente dito que “atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição”. Está claro aqui o mais completo liberalismo, que é um pecado grave tal como o expôs Dom Félix Sardà i Salvany em seu memorável livro “O liberalismo é pecado”.

Se é algo tão simples abster-se de carne, porque fazemos tanta questão? Exatamente por ser simples, como pode alguém que se diz católico recusar-se a obedecer á Santa Madre Igreja nesta questão? Se Cristo sofreu tanto por nós, como podemos nos negar a obedecer algo tão simples que Ele manda por meio da Santa Igreja? Ignoremos todos os liberais, não importando em qual grau de liberalismo estejam. Desde aqueles escandalosos que absurdamente dizem que o católico só faz jejum e abstinência se quiser, até aqueles que aceitam um documento tal como o suposto código de direito canônico de 1983, promulgado por um herege público que tão grandes escândalos promoveu. Temos obrigação de nos mantermos com o que é certamente católico, como o código de direito canônico de 1917.