Descargar libros católicos

A continuación sigue una lista de sítios donde hay buenos libros y audios católicos que se pueden descargar o leer/escuchar on-line.

Descarga de livros

Stat Veritas – libros y artículos en  PDF y conferencias en MP3 para descarga – en español.

Bibliotèque Saint Libère – descarga de libros católicos en francés, español, inglés, italiano, portugués y otras lenguas. Biblioteca diversificada, grande y bien seleccionada de libros, artículos y documentos católicos.

Grupo São Tomás de Aquino – descarga de libros católicos en portugués, español y inglés. Contiene el Denziger, en español.

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Por que tanto ódio no coração?

Apesar de considerá-las extremamente óbvias, vou começar com este artigo a escrever as respostas às principais questões que os nossos adversários levantam contra nós. Seria desnecessário dizer, se tratássemos apenas com pessoas sérias, que estas respostas são minhas e que, certamente, há outros católicos que dariam respostas muito melhores que estas. Mas estou tentando fazer minha parte em responder, de forma simples e direta, as questões que são levantadas contra nós a fim de justificarmos nossa atitude diante dos católicos inocentes que se encontram perdidos no meio da crise atual, para que não caiam nos argumentos doces e pacifistas dos que semeiam o erro teológico e atacam os que querem defender a fé católica. As respostas são bem simples e diretas  a fim de esclarecer porque existem pessoas como eu que não se rendem ao clima de ecumenismo reinante após o concílio. Estas respostas não têm a menor pretensão de esgotar o assunto. Para os espíritos mais sagazes, que exigem abundância de argumentos, haverá outro artigos muito mais críticos e documentados. Vamos, pois, começar a responder algumas questões.

Por que tanto ódio no coração?

Esta pergunta já se tornou “clássica”. Sempre que, por exemplo, algum carismático encontra nossos argumentos contrários à RC”C”, eles lançam logo esta pergunta. Ela parte do pressuposto que todo combate é movido por ódio. Como se somente tivesse amor aquele que aceitacesse passivamente tudo o que vê.

O liberalismo, que tomou de assalto a Igreja, considera boas todas as opiniões, por mais absurdas que sejam. Contrariar uma opinião seria um desrespeito e prova de “ódio”. Do contrário, aceitar passivamente todas as opiniões seria prova de “amor”. Nada é mais contrário ao verdadeiro amor sobrenatural e também à doutrina católica.

Corrigir os que estão no erro é uma das obras de caridade espiritual, como nos ensina a sã doutrina católica. São Francisco de Assis, tão humilde e tão bom, em sua famosa oração, não pede somente para levar amor onde houver ódio, mas pede também para levar a verdade onde houver erro, e fé onde houver dúvida.

O verdadeiro amor, a caridade sobrenatural, não pode ser cúmplice do erro, da mentira, da heresia. Toda negação consciente de uma verdade revelada conduz à perdição eterna. Corrigir os que estão no erro é a maior prova de amor, pois assim se lhes tenta livrar da condenação.

Deus é Amor, mas também é Verdade. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Se Deus é a Verdade, quem está no erro está afastado de Deus.

(Nota: não se apressem a responder este argumento. Aqui, eu apenas expus a questão, sem preocupação de provar o que estou dizendo. Estou preparando outro artigo, bem mais longo e mais fundamentado, para demonstrar, com abundância de argumentos, que o amor não somente permite, mas sim exige mesmo, a correção daqueles que estão no erro.)

Por que vocês querem impor sua opinião?

Não, nós não queremos impor nossa “opinião”. O que estamos defendendo aqui não é nossa “opinião” particular, mas sim a doutrina da Igreja, tal como foi ensinada durante dois mil anos.

A Igreja Católica é Mãe e Mestra, pois foi fundada por Cristo para ensinar tudo aquilo que é necessário para nossa salvação. “Ide e ensinai” (Mt 28,19), foi a ordem que Nosso Senhor Jesus Cristo deu à Sua Igreja, Una, Santa, Católica e Apostólica. Se nós tivemos a graça de receber a mensagem de Cristo, temos também a obrigação de defendê-la e propagá-la. O que defendemos aqui não são idéias nossas, que nós inventamos, mas sim a pura doutrina da Igreja.

As idéias que combatemos, estas sim são opiniões de homens, introduzidas ao longo da história por grupos heréticos. Por mais que elas sejam comuns hoje em dia, durante esta crise, elas não fazem parte da doutrina da Igreja. Nunca foram ensinadas por nenhum Papa, nenhum concílio, nenhum santo ou doutor da Igreja. Pelo contrário, foram vigorosamente combatidas. Haja vista o exemplo do liberalismo, tão repetidamente condenado pelos últimos papas pré-conciliares, e hoje desgraçadamente tão penetrado na mentalidade dos fiéis.

Por que vocês insistem tanto em defender a doutrina? Não basta o amor?

Se Cristo não tivesse deixado uma doutrina bem definida sob a custódia da Igreja, cada homem teria de buscar, por suas próprias forças, a verdade. Na melhor das hipóteses, deveria entrar em “diálogo” com os demais homens para buscarem juntos a verdade. Mas ainda assim estariam limitados pela inteligência humana.

A história da filosofia demonstra claramente como a fraqueza da inteligência humana leva muito mais vezes ao erro do que à verdade. Há inúmeros sistemas filosóficos contraditórios não somente entre si mas até consigo mesmos.

A questão teológica é muito mais grave do que a questão filosófica. Que seria de nós se tivéssemos de buscar com nossas próprias forças as verdades sobre Deus? E aquelas mais necessárias para a salvação de nossas almas? Como saberíamos que encontramos a verdade se tívessemos de procurá-la no meio de várias doutrinas religiosas contraditórias entre si? Seria compatível com a bondade de Deus deixar-nos abandonados procurando as verdades religiosas por nossas próprias forças?

Este é já um forte argumento de razão. Mas podemos buscar argumentos de autoridade ainda mais fortes nas Sagradas Escrituras:

“Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.” (II Jo 1,8-11)

As palavras das Sagradas Escrituras são bastante claras. Quem se afasta da doutrina de Cristo não tem Deus. O herege é aquele que se afasta de Deus, porque se afastou de Sua doutrina. Tal é a gravidade da questão que Cristo não deixou a doutrina ao sabor das discussões dos homens, mas a confiou ao Sagrado Magistério: “Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10,16). Por isso, a Igreja Católica tem a obrigação de ensinar a doutrina que Cristo Nosso Senhor lhe confiou (Mt 28,19).

Assim, Deus não deixou para o homem a tarefa de buscar, apenas com suas próprias forças, a verdade sobre as coisas sagradas e necessárias para sua salvação. Se Ele o tivesse feito, como poderia o homem estar seguro da doutrina que defende se há tantos outros com opiniões diferentes dele? A Igreja, fundada por Cristo, dissipa as dúvidas e confirma os fiéis na doutrina ensinada por Cristo.

Portanto, a nós cabe defendermos não as nossas opiniões particulares, mas sim a doutrina que a Igreja sempre nos ensinou, sem a menor mancha, em seus dois mil anos de história. Por este mesmo motivo, devemos rejeitar qualquer novidade introduzida, por quem quer que seja, que contrarie o depósito da Fé (Gal 1,8s).

***

Continuaremos as respostas em outro artigo.

Download do Catecismo Romano

Através das ferramentas de acompanhamento das estatísticas do blog, que aliás têm sido melhoradas cada vez mais pelo WordPress, tenho observado uma grande procura pelo Catecismo Romano. O mesmo se encontra disponível para download, em espanhol, na página do site argentino Stat Veritas, que já se encontra no link de Livros Católicos. No entanto, para facilitar, estou colocando novamente o link abaixo:

Download do Catecismo Romano

Quem desejar comprar essa obra prima da doutrina católica, impressa e em português, ou muitos outros bons livros, pode fazê-lo através do site da Livraria e editora Permanência.

A presença de Deus nos justos

O presente artigo não tem por finalidade esgotar o tema da presença de Deus nos mundo criado. Limitar-nos-emos a demonstrar a doutrina católica da presença de Deus nos justos, e a denunciar um grave atentado feito contra essa doutrina. Para um aprofundamento do assunto, recomendamos o artigo A Santíssima Trindade em nós – consequências práticas Garrigou-Lagrange, O. P..

Nas Sagradas Escrituras, podemos ler trechos em que fica bastante clara a doutrina de que a habitação da Santíssima Trindade em nós depende da nossa condição de justos:

Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós, por Ele nos ter dado Seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou o Seu Filho como Salvador do mundo. Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. (1Jo 4,12-16)

Respondeu-lhe Jesus: “Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos a Nossa morada. (Jo 14,23)

Deus não pode habitar em uma alma ímpia, mas tão somente em uma alma justa. A doutrina católica nos ensina, também, que é através do Batismo que recebemos o Espírito Santo:

Nossa alma se enche da graça divina, pela qual nos tornamos justos, filhos de Deus, e herdeiros da eterna salvação; pois está escrito: “Quem crer e for batizado, será salvo”. O Apóstolo, por sua vez, atesta que a Igreja foi purificada no banho da água pela palavra.

Ora, o Concílio de Trento a todos propõe a crer, sob pena de excomunhão, que a graça não consiste apenas na remissão dos pecados, mas é uma qualidade divina que inere à alma, é um certo esplendor, é uma espécie de luz que destrói todas as manchas de nossas almas, e torna nossas almas mais formosas e mais brilhantes.

Isso é o que a Sagrada Escritura dá claramente a entender, quando diz que a graça é comunicada por efusão, e quando habitualmente lhe chama penhor do Espírito Santo.

Catecismo Romano, Parte II, Capítulo II, pág 237

E, a respeito da confissão, nos diz o mesmo Catecismo Romano que o mesmo é absolutamente necessário para retornarmos à amizade de Deus, caso O tenhamos ofendido pelo pecado mortal:

Deste Sacramento [da Penitência] devem eles [os párocos] tratar mais explicitamente que do Batismo, pois o Batismo é administrado uma só vez, e não pode ser reiterado, ao passo que a Penitência se impõe como obrigação, quantas vezes o homem caía em pecado, depois do Batismo. Neste sentido, declarou o Concílio de Trento que o Sacramento da Penitência não é menos necessário para quem tenha pecado depois do Batismo, do que o Batismo para a salvação dos que ainda não foram regenerados.

(Catecismo Romano, Parte II, Capítulo V, pág 298)

O terceiro [propósito da confissão] é voltar o homem às boas graças de Deus, cujo ódio e inimizade havia contraído pela torpeza do pecado.

(idem, pág 302)

Não pense alguém que Nosso Senhor instituiu a Confissão, mas sem determinar que fosse de uso obrigatório. Devem os fiéis estar certos de que toda pessoa, onerada de culpa grave, não pode reintegrar-se na vida sobrenatural, senão pelo Sacramento da Confissão.

(idem, pág 320)

O pecado mortal, portanto, é de tal gravidade que faz com que Deus abandone a alma pecadora, e somente possa a ela retornar pelo Sacramento da Penitência.

A mesma doutrina, acima exposta, a respeito da graça santificante e dos Sacramentos do Batismo e da Penitência, podemos ler no seguinte trecho, extremamente esclarecedor, do livro “A Fé Explicada”. Solicitamos ao leitor que preste atenção nos termos natural e sobrenatural, recorrentes no texto, pois serão de suma importância para a argumentação posterior:

A graça é um dom de Deus, sobrenatural e interior, que nos é concedido pelos méritos de Jesus Cristo para nossa salvação.

Uma alma, ao nascer, está às escuras e vazia, sobrenaturalmente morta. Não existe laço de união entre a alma e Deus. Não têm comunicação. Se alcançássemos o uso da razão sem o Batismo e morrêssemos sem cometer um só pecado pessoal (uma hipótese puramente imaginária, virtualmente impossível) não poderíamos ir para o céu. Entraríamos num estado de felicidade natural a que, por falta de outra palavra melhor chamamos limbo. Mas nunca veríamos Deus face a face, como Ele é realmente.

E este ponto merece ser repetido: por natureza, nós, seres humanos, não temos direito à visão direta de Deus. que é a felicidade essencial do Céu. Nem sequer Adão e Eva, antes da sua queda, tinham direito algum à glória. De fato, a alma humana, no estado que poderíamos chamar de puramente natural, não tem o poder de ver a Deus; simplesmente, não tem capacidade para uma união íntima e pessoal com Deus.

Mas Deus não deixou o homem em seu estado puramente natural. Quando criou Adão, dotou-o de tudo o que é próprio de um ser humano. Mas foi mais longe, e deu também à alma de Adão certa qualidade ou poder que lhe permitia viver em íntima (ainda que invisível) união com Ele nesta vida. Esta qualidade especial da alma – este poder de união e intercomunicação com Deus – está acima dos poderes naturais da alma, e por esta razão chamamos à graça uma qualidade sobrenatural da alma, um dom sobrenatural.

O modo que Deus teve de comunicar esta qualidade ou poder especial à alma de Adão foi a sua própria habitação nela. De uma maneira maravilhosa, que será para nós um mistério até o dia do Juízo, Deus “fixou morada” na alma de Adão. E, assim como o sol comunica luz e calor à atmosfera, Deus comunicava à alma de Adão esta qualidade sobrenatural que é nada menos que a participação, até certo ponto, na própria vida divina. A luz solar não é o sol, mas é o resultado da sua presença. A qualidade sobrenatural de que falamos é distinta de Deus, mas flui d’Ele e é resultado da sua presença na alma.

Esta qualidade sobrenatural da alma produz outro efeito. Não só nos torna capazes de ter uma união e comunicação íntima com Deus nesta vida, como também prepara a alma para outro dom que Deus lhe acrescentará após a morte: o dom da visão sobrenatural, o poder de ver Deus face a face, tal como Ele é realmente.

O leitor já terá reconhecido neta “qualidade sobrenatural da alma”, de que venho falando, o dom de Deus a que os teólogos chamam “graça santificante”. Descrevi-a antes de nomeá-la, na esperança de que o nome tivesse mais plena significação quando chegássemos a ele. E o dom acrescentado da visão sobrenatural a morte é aquele a que os teólogos chamam em latim lumen gloriae, isto é, “luz da glória”. A graça santificante é a preparação necessária, um pré-requisito desta luz da glória. Como uma lâmpada elétrica se tornaria inútil se não houvesse uma tomada onde ligá-la, assim a a luz da glória não poderia aplicar-se à alma que não possuísse a graça santificante.

Mencionei atrás a graça santificante referida a Adão. Deus, no mesmo ato em que o criou, colocou-o acima do simples nível natural, elevou-o a um destino sobrenatural conferindo-lhe a graça santificante. Pelo pecado original, Adão perdeu esta graça para si e para nós. Jesus Cristo, por Sua morte na Cruz, transpôs o abismo que separava o homem de Deus. O destino sobrenatural do homem foi restaurado. A graça santificante é comunicada a cada homem individualmente no sacramento do Batismo.

Quando nos batizamos, recebemos a graça santificante pela primeira vez. Deus (o Espírito Santo por “apropriação”) estabelece a sua morada em nós. Com sua presença, comunica à alma essa qualidade sobrenatural que faz com que Deus – de uma maneira grande e misteriosa – se veja em nós e, consequentemente, no ame. E posto que esta graça santificante nos foi ganha por Jesus Cristo, por ela estamos unidos a Ele, compartilhamo-la com Cristo – e Deus, por conseguinte nos vê como a seu Filho – e cada um de nós se torna filho de Deus.

(TRESE, Leo J.; A Fé Explicada; Ed. Quadrante; 5a. edição; 1990; pág. 81-82)

Após o Batismo, a Santíssima Trindade habitará em nós enquanto nos mantivermos em estado de graça santificante. Se nos acontecesse a maior desgraça desta vida, ou seja, se ofendêssemos o Deus Altíssimo de maneira grave, através do pecado mortal, expulsa-lo-íamos de nossa alma, e se tornaria para nós de máxima urgência que o recebêssemos de volta através do Sacramento da Confissão:

Uma vez recebida a graça santificante no Batismo, é questão de vida ou morte que conservemos este dom até o fim. E se nos ferisse essa catástrofe voluntária que é o pecado mortal, seria de uma terrível urgência recuperarmos o precioso dom que o pecado nos arrebatou, o dom da vida espiritual que é a graça santificante e que teríamos matado em nossa alma. (TRESE, Leo J.; A Fé Explicada; Ed. Quadrante; 5a. edição; 1990; pág. 83)

A habitação das Pessoas Divinas no homem está condicionada, portanto, ao fato de o homem viver na graça de Deus, adquirida pelo Batismo, e recuperada pela Confissão, caso o mesmo venha a perdê-la pelo pecado mortal. Essa habitação é um fato absolutamente sobrenatural, ao qual o homem jamais teria direito por natureza. Essa é, em resumo a Santa Doutrina Católica.

Apesar da clareza da doutrina, um dos textos mais polêmicos do Concílio Vaticano II afirmava a existência de uma semente divina no homem, sem lhe impor condição alguma. Do texto, transcrito a seguir, entende-se claramente que a existência da tal semente divina no homem seria uma condição natural, e não sobrenatural, dependente do Batismo e da Penitência:

“Por isso, proclamando a vocação altíssima do homem e afirmando existir nele uma semente divina, o Sacrossanto Concílio oferece ao gênero humano a colaboração sincera da Igreja para o estabelecimento de uma fraternidade universal que corresponda a essa vocação.” (Gaudium et Spes, n. 3)

Para evitar qualquer dúvida quanto ao texto, colocamos a referência a um site que defende o Vaticano II e que transcreve todo o documento Gaudium et Spes:
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=CONCILIO&id=con1080

Há quem possa preferir chamar o que se lê acima de ambigüidade ou de imprecisão. Fosse esse o caso, ainda o seria de enorme gravidade, pois um magistério não pode ser ambíguo ou impreciso, sob pena de nada ensinar, senão apenas confundir. Nós, porém, não conseguimos enxergar outra coisa senão um erro grave contra a Fé, uma heresia, para usar a palavra devida. O fato se torna tão mais grave quando se lembra que existe, na mais condescendente das visões, uma semelhança perigosa com a heresia gnóstica. Mas, acreditamos realmente, que não devemos usar de tanta vênia e, sim, dizer que existe uma verdadeira apologia à Gnose no texto do Concílio. Da forma como está escrito, sem impor condição à existência da semente divina no homem, e sem a menor menção aos Sacramentos do Batismo e da Penitência, o texto do concílio é absolutamente incompatível com a Fé Católica.

A Santa Madre Igreja sempre condenou o erro com palavras bem claras. Basta que se leia os anátemas dos outros Concílios, para se perceber a diferença. Da leitura destes, já não sobra ao leitor qualquer dúvida sobre o que a Igreja ensina e sobre o que Ela condena. O Vaticano II, por sua vez, se recusou a condenar os erros. Mas, aqui, no texto supracitado, já não se vê algo senão a descrição exata da pior das heresias, raiz de todas as outras. E mais do que a simples descrição, vê-se a sua exaltação, à qual o concílio atribui a dignidade do homem. Essa é a soberba do homem que se quer fazer deus. Afinal, se existe, por natureza, uma semente divina no homem, então qual a diferença entre este e o verdadeiro Deus? Nesse erro fundamental, encontram-se, em potencial, todos os outros erros antropocêntricos que causaram a enorme crise pós-conciliar.

Já não podemos, diante de tantas evidências, procurar desculpas para esse escândalo. Que rasguem as vestes os farisáicos modernistas e filo-modernistas, mas isto deve ser dito: O concílio Vaticano II ensinou o erro! Por ter sido, pastoral, não dogmático, ele não goza do carisma da infalibilidade e pode ter ensinado, como de fato ensinou, o erro. Que todos os católicos sinceros possam reconhecer a verdadeira face do último concílio e, sem respeitos humanos ou medo das perseguições modernistas, defender a Tradição Católica e a Fé que a Santa Igreja recebeu de Nosso Senhor e ensinou em dois mil anos de existência.

A reverência para com as Sagradas Escrituras e o segundo mandamento

É de conhecimento geral a forma irreverente com que o falecido Pe. Léo tratava todos os assuntos. Tudo era motivo de piada, de risos. Nem  mesmo as Sagradas Escrituras eram poupadas. Os santos e dignos mistérios da história de nossa salvação, na boca desse padre carismático, se transformavam em humor popular.

Na entrevista dada em um conhecido programa de televisão, por exemplo, foram contadas piadas em seqüência, todas baseadas em textos bíblicos. Nem mesmo a Paixão de Nosso Senhor escapou do “humor” do padre:

O que já nos parece uma falta de respeito com as Sagradas Escrituras, pelo simples julgamento leigo, revela uma perversidade muito maior quando nos apoiamos na autoridade do Catecismo Romano e do Sagrado Concílio de Trento. No capítulo do Catecismo que trata do segundo mandamento, honrar o Santo Nome de Deus, podemos ler que  uma  das formas de se desobedecer a esse mandamento é não ter a devida reverência para com as Sagradas Escrituras:

Há também uma indigna e vergonhosa conspurcação das Sagradas Escrituras, quando pessoas perversas tomam suas palavras e sentenças, que merecem toda a veneração, para as torcerem em sentido profano, como seja de chocarrices, basófias, sandices, lisonjas, difamações, adivinhações, sátiras e outras infâmias. É um pecado que o Sagrado Concílio de Trento manda coibir com penas canônicas.

Catecismo Romano, Terceira Parte, Capítulo III, pág. 413

Portanto, dentre os outros atos infames mencionados, torcer o sentido das Sagradas Escrituras, “que merecem toda a veneração”, a fim de transformá-las em sátiras (piadas) é uma “indigna e vergonhosa conspurcação” (mancha, mácula) feita por “pessoas perversas”.

No final deste terceiro capítulo da terceira parte do Catecismo Romano, lemos a seguinte advertência que nos dão uma noção da gravidade dos pecados contra o segundo mandamento da Lei de Deus, nos quais se inclui a irreverência para com as Sagradas Escrituras:

Por isso, deste pecado [contra o segundo mandamento] devem escarmentar-nos os vários flagelos que todos os dias nos torturam, pois não será fora de propósito presumir que, na violação deste Preceito, esteja o motivo de caírem os homens nas maiores desgraças. Se os homens tomarem a peito esta verdade, é provável que se tornem mais cautelosos para o futuro.

Catecismo Romano, Terceira Parte, Capítulo III, pág. 414

Rezemos para que o referido padre possa ter se arrependido e ter alcançado o perdão de Deus, assim como todos nós precisaremos um dia. E rezemos também para que os católicos tomem conhecimento do quanto a RC”C” ensina uma doutrina totalmente incompatível com o catolicismo, desprezando os ensinamentos da Igreja, como se comprovou acima, e zombando até mesmo das Sagradas Escrituras.

“Pro multis”, e a desobediência dos que se dizem obedientes

Um dos frutos mais danosos do Concílio Vaticano II foi a teoria da salvação universal. Essa interpretação absurda foi facilitada por um dos textos mais ambíguos e desastrosos do malfadado Concílio:

“Por isso proclamamos a vocação altíssima do homem e afirmamos existir nele uma semente divina, o Sacrossanto Concílio oferece ao gênero humano a colaboração sincera da Igreja para o estabelecimento de uma fraternidade universal que corresponda a essa vocação.” (Gaudium et Spes, n. 3)

Se o homem possuísse realmente uma “semente divina” dentro dele, ele seria uma parte de Deus. E como uma parte de Deus não pode ir para o inferno, nenhum homem para lá iria. Grosso modo, seria essa a teoria. Mas o tema da presença de Deus na alma do justo, em oposição à semente divina presente em todos os homens, é bem mais complexo e merece um artigo exclusivo.

Neste artigo, quero chamar a atenção apenas para a tradução da Missa Nova. Como se já não bastassem os seus defeitos denunciados pelo Cardeal Ottaviani, a sua tradução para o vernáculo ampliou muitíssimo a ambigüidade e as contradições do texto em relação à doutrina que a Igreja sempre professou. Por exemplo, durante a consagração do vinho, o termo “pro multis“, do original em latim, foi traduzido como “por todos”, em vez de “por muitos”. Assim, tem-se a impressão de que o Sacrifício de Cristo é aproveitado para a salvação de todos os homens. Em potencial, realmente ele é, Mas, de fato, nem todos os homens o aproveitam, porque Deus não obriga os homens a aceitá-Lo compulsoriamente, mas deixa aos homens a liberdade de colher ou não os frutos do Santo Sacrifício do Calvário.

O Catecismo Romano expressa a doutrina católica de forma tão clara e inequívoca, que parece até ter sido escrita para desfazer a confusão provocada pelos ímpios tradutores da missa. Na realidade, o Catecismo Romano foi escrito quatro séculos antes, e os tradutores, se tivessem a mínima intenção de se manterem fiéis à doutrina católica, não teriam desculpa alguma para cometer o erro gravíssimo que cometeram. Eis o que nos diz o maior Catecismo da Igreja (os destaques são meus::

De fato, se considerarmos sua virtude, devemos reconhecer que o Salvador derramou Seu Sangue pela salvação de todos os homens. Se atendermos, porém, ao fruto real que os homens dele auferem, não nos custa compreender que sua eficácia se não estende a todos, mas só a “muitos” homens.

Dizendo, pois, “por vós”, Nosso Senhor tinha em vista, quer as pessoas presentes, quer os eleitos dentre os Judeus, como o eram os Discípulos a quem falava, com exceção de Judas.

No entanto, ao acrescentar “por muitos”, queria aludir aos outros eleitos, fossem eles Judeus ou gentios. Houve, pois, muito acerto em não se dizer “por todos”, visto que o texto só alude aos frutos da Paixão, e esta sortiu efeito salutar unicamente para os escolhidos.

Tal é o sentido a que se referem aquelas palavras do Apóstolo: “Cristo imolou-Se uma só vez, para remover totalmente os pecados de muitos” (Hb 9,28); e as que disse Nosso Senhor no Evangelho de São João: “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por estes que Vós Me destes, porque eles são Vossos.” (Jo 17,9)

Catecismo Romano, Parte II, Capítulo IV, pag. 269-270

Apesar da clareza da doutrina católica a esse respeito, os tradutores da missa introduziram um sentido que não existe no original, que afronta os ensinamentos da Igreja, como se pode constatar acima, e que induz ao erro da salvação universal.

O erro de tradução é tão grave que até o liberal Bento XVI determinou que fossem alteradas, no mundo todo, as palavras da consagração, em todas as traduções vernáculas, para que elas correspondessem ao “pro multis” do original em latim.

Os modernistas, que acusam os católicos de desobediência, por que não obedecem Ratzinger?