Até quando os defensores do Vaticano II vão conseguir esconder a história real do concílio?

O site do Falsitatis Splendor continua tentando defender o concílio Vaticano II. Mas, para “honrar” o apelido que receberam, eles utilizam sistematicamente a omissão das informações mais importantes, como neste artigo que eles escreveram na tentativa de dizer que o concílio não rompeu com a tradição.

A certa altura, podemos ler (os grifos são meus):

O Concílio Vaticano II foi pautado na vontade de modificar o método até então utilizado. Claro que isso não poderia ser interpretado como uma aversão às condenações prévias. Afinal a Igreja, enquanto Esposa de Cristo, tem o múnus de guiar, e pensar na possibilidade de que os ensinamentos provenientes dela são propensos ao erro e modificações, é crer que a sua infalibilidade, a regência pelo Espírito Santo, e a presença na terra do Vigário de Cristo, não existem. Quando o Santo Padre condena o marxismo, por exemplo, tem na base de suas afirmações o conteúdo apostólico, patrístico, na Sagrada Escritura, na herança de Nosso Senhor, portanto tem em sua sustentação todo um aparato originado do depósito da fé. O Concílio se distinguiu pelo fato de não anatemizar, preferiu ensinar dizendo o que é correto, e não recondenando o erro, método completamente sadio e ortodoxo.

O texto dá a entender que a mudança operada pelo Vaticano foi apenas com relação ao método utilizado para defender a Fé: antigamente, condenava-se o erro, enquanto que o concílio preferiu afirmar o que é certo. Mas, na realidade, as mudanças vão muito além do método (sendo que este mesmo já é errado). Esse “método novo” apenas reflete a mentalidade relativista do concílio. E, por sua vez, essa mentalidade relativista tem suas raízes na heresia modernista, condenada por São Pio X.

Outro erro imperdoável cometido no Vaticano II, em conseqüência do modernismo, foi o de ter adotado a filosofia moderna e sua linguagem. Sim, o Concílio abandonou a Escolástica e São Tomás de Aquino, tão exaltados pelos papas, para abraçar a filosofia moderna. Esta é imanentista, contrária ao Cristianismo, enquanto que aquela é transcendente, perfeitamente compatível com a religião revelada. O prof. Orlando Fedeli está escrevendo um caderno de estudo exatamente sobre o tema da Fenomenologia utilizada pelo Vaticano II, que representou um verdadeira traição à Filosofia católica legítima. Todos esses conceitos filosóficos, de máxima importância para entender o pensamento dominante no concílio, não foram mencionados no artigo do Falsitatis. Eu sei que a Filosofia, infelizmente, não é tão conhecida da maioria das pessoas, mas com um pouco de boa vontade é possível entender o quanto o pensamento moderno, que impulsionou o concílio, é incompatível com a Fé. E com a própria Razão, diga-se de passagem.

Mas, se essa omissão do Falsitatis é grave, muitíssimo mais grave é a outra. Logo na seqüência do texto supracitado, podemos ler:

As grandes confusões originadas da interpretação do Concílio se devem ao fato que muitos religiosos, já infectados pelo gérmen do modernismo, aproveitaram essa ótica do Vaticano II para impor no pós-concílio suas visões heréticas.

A tese do Falsitatis, desenvolvida no restante do artigo, é a de que os “religiosos infectados pelo gérmen do modernismo” teriam se aproveitado da atitude do Vaticano II de não condenar os erros para dizer tais erros não existiam mais, como se tivessem sido revogados pelo concílio.

Se fosse verdadeira essa tese, o concílio seria inocente de todas as acusações que lhe são imputadas. A culpa restaria sobre aqueles hereges modernistas que dele fizeram má interpretação.

Mas, o que o Falsitatis omitiu deliberadamente foi a história antes e durante o concílio. Eles passaram bem por cima da história anterior, citando as condenações de São Pio X contra os modernistas. Mas eles não analisaram o que aconteceu depois da morte desse Santo Papa. Aqueles “religiosos infectados pelo gérmen do modernismo” ganharam espaço na Igreja a partir de então, e se tornaram fortes, e conduziram o Concílio Vaticano II. Portanto, os hereges modernistas não aparecem nesta história somente depois do concílio, para desvirtuá-lo, como disse o Falsitatis. mas atuaram também antes do concílio e durante o mesmo.

Uma excelente noção sobre o desenvolvimento da heresia modernista após a morte de São Pio X e a influência dos modernistas no Vaticano II pode ser obtida através do artigo intitulado “Resposta ao parecer do instituto Paulo Vi de Brescia”, do Prof. Orlando Fedeli. O artigo é longo, mais é interessante que seja lido na íntegra. Nele podemos encontrar, entre outras coisas, todos os nomes de modernistas que atuaram antes, durante e depois do concílio. Nomes, como Karl Rahner, Henri de Lubac, Urs von Balthasar, e tantos outros, que não poderiam faltar em qualquer análise histórica séria a respeito do Vaticano II. Nomes que não aparecem no artigo do Falsitatis. Nomes que os defensores do Vaticano II gostariam de esconder, porque eles eram modernistas e conduziram o concílio. Não vieram depois, para distorcer as palavras ortodoxas de um concílio inocente. Vieram antes, e participaram ativamente do concílio, e foram responsáveis por sua heterodoxia.

Contando a história pela metade, o Falsitatis Splendor acaba escondendo a verdade das pessoas querendo fazê-las acreditar que o concílio foi traído posteriormente. A história, apresentada sem essas omissões covardes de quem não suporta a realidade, demonstra que o concílio foi conduzido pelos modernistas.

Até quando os defensores do Vaticano II vão conseguir esconder a história real do concílio? Que seja por pouco tempo!

Teria o Cardeal Ottaviani aceitado a missa nova?

Alguns desesperados defensores da missa nova têm utilizado o argumento de que o cardeal Ottaviani teria se retratado de sua carta escrita ao papa Paulo VI que apontava os erros da missa nova. Foi isso o que escreveu o Alessandro Lima, na data de hoje, no site do Falsistatis. O mesmo argumento já havia sido apresentado pelo bispo Dom Rifan, aquele que traiu a obra de Dom Castro Mayer.

Segundo essa hipótese, o cardeal Ottaviani teria escrito uma carta a Dom Lafond, da ordem dos cavaleiros de Notre-Dame, dizendo que estava satisfeito com as correções feitas pelo papa Paulo VI na nova versão do novo Ordo Missae. Assim, depois da carta do cardeal, o papa teria eliminado os defeitos do novo ordo, e a sua nova versão seria plenamente aceitável.

Em primeiro lugar, devemos observar que foi a imprensa que publicou essa carta para dom Lafond. Alguns dias depois, um porta-voz do cardeal Ottaviani declarou à agência de notícias France-Presse que a carta era autêntica.

Aliado a isso, Jean Maridan, editor do jornal francês Itinéraires, levantou a possibilidade de que tal carta havia sido entregue para o cardeal por seu secretário, monsenhor Agustoni. O cardeal, com a vista já bastante debilitada, teria assinado inocentemente a carta. Pouco tempo depois, dom Agustoni deixou de ser secretário do cardeal para ocupar um outro cargo. Segundo a mesma fonte que eu estou citando, a Wikipédia, a transferência do secretário teria sido feita por mera “rotina”. Podemos até admitir que sim, mas a história é, no mínimo, muito estranha. Um outro site, lembra que o grupo de inimigos de Maridan era muito forte na época, e que poderia ter levado um bom número de testemunhas para dizer que o secretário não havia iludido o cardeal, e este mesmo poderia ter confirmado que sabia do conteúdo da carta e que o aprovara. Se isso tivesse acontecido, e era bem fácil para os defensores do novo Ordo fazê-lo, os argumentos de Maridan teriam sido totalmente desacreditados. Mas isso não aconteceu! Pelo contrário, como já foi dito, mons. Agostini deixou de ser secretário do cardeal Ottaviani pouco tempo depois da carta e foi feito, posteriormente, cardeal. No mínimo, é muito estranho esse fato.

Vejam bem a situação: uma alegada carta, assinada por um cardeal quase cego, levada ao mesmo por um secretário que logo depois o abandonou, publicada pela imprensa, confirmada apenas por um porta-voz, e não pelo cardeal em pessoa. Seria essa a grande retratação do cardeal Ottaviani? É com esses argumentos que nos querem convencer de que a missa nova não é intrinsecamente má? Não dá para acreditar.

Podemos ir mais longe e nos perguntar: será que a nova versão do novo Ordo Missae está livre das críticas apresentadas pelo cardeal Ottaviani? Ou seja, haveria razões para acreditarmos que o cardeal ficou satisfeito com a versão final?

A reposta é, decididamente, NÃO! As críticas do cardeal continuam válidas para a versão final da missa nova que foi aprovada e que se celebra hoje em dia. Citemos apenas alguns exemplos (citações foram tiradas do mesmo blog apontado pelo Alessando Lima):

  • O prefácio da Santíssima Trindade não foi re-incluído na versão final da missa nova;
  • A nova versão continua citando o trabalho do homem no ofertório, como se houvesse uma troca de dons entre o homem e Deus; o cardeal Ottaviani havia deixado bem clara a doutrina católica de que é apenas o Cristo que se oferece como sacrifício na Santa Missa;
  • As genuflexões que foram eliminadas; Disse o cardeal: Não mais do que três permanecem para o padre, e (com certas exceções) uma para os fiéis no momento da Consagração
  • As três toalhas no altar, reduzidas para uma;
  • A ação de Graças para a Eucaristia feita ajoelhada, agora substituída pela grotesca prática do padre e do povo sentando-se para fazer a ação de graças – um acompanhamento bastante lógico para o ato de receber a comunhão em pé.
  • Nas palavras do cardeal: Além disso, a aclamação memorial do povo que segue-se imediatamente à Consagração — “Vossa santa morte nós proclamamos, Ó Senhor… até a Vossa vinda”introduz a mesma ambigüidade sobre a Presença Real sob a forma de um alusão ao Julgamento Final. Quase sem pausa, o povo proclama sua expectativa por Cristo no fim dos tempos no exato momento em que Ele está *substancialmente presente* no altar – como se a vinda real de Cristo fosse ocorrer somente no final dos tempos, ao invés de lá mesmo no próprio altar

Eu citei apenas alguns exemplos, mas haveria outros a citar, numa análise mais profunda. Os que foram apresentados já demonstram como a missa nova aprovada depois da carta do cardeal permanece com os erros denunciados da versão anterior à carta.

Todos esses problemas da missa nova, e muitos outros, denunciados pelo cardeal Ottaviani, continuam a existir na missa aprovada por Paulo VI. No ano passado eu ainda assistia à missa nova e me lembro muito bem deles. Quando eu li pela primeira vez a carta do Cardeal Ottaviani, cada uma das suas críticas caía como uma luva sobre a missa que eu conhecia. Portanto, não havia motivo nenhum para que o cardeal aprovasse a missa nova, mesmo depois das mudanças. As suas críticas permanecem com pleno força em relação à missa nova que está, infelizmente, em vigor. E isso reforça ainda mais a tese de que a carta do Cardeal Ottaviani a dom Lafond seja apenas uma falsificação.

Em outra ocasião apresentarei outros argumentos contra a missa nova, e outros tantos artigos excelentes já publicados por outros sites demonstrando os erros da missa nova e as manobras políticas que foram feitas para que se alcançasse sua aprovação. Por hora, já me basta ter refutado, acredito eu, com argumentos mais do que suficientes o “artiguinho” do Alessandro Lima. Aliás, ele colocou a palavra honestidade entre aspas, ao se referir aos católicos tradicionais. Ora, seu Alessandro, você pode me dizer quem é desonesto? E o seu artigo difamando o bispo Dom Tissier? Não demorou nada para a sua falsificação ser desmascarada. E você ainda ver falar de honestidade?

Sabem de uma coisa? Eu gosto quando os defensores do concílio Vaticano II e da missa nova publicam artigos como esse do Alessandro Lima, porque eles acabam fazendo propaganda contra a própria causa que querem defender.