Por que tantos ataques pessoais?

Continuemos com nossas respostas aos questionamentos.

*****

Por que tantos ataques pessoais? Por que vocês atacam tanto os líderes da RCC? Não sabem que maledicência é pecado?

Não! O que nos move em nosso combate não são ataques pessoais. Não é uma ou outra pessoa particular que visamos. O que combatemos, antes de tudo, são heresias e outros erros. Mas não há como combatê-los sem mencionar que os propaga.

Maledicência é falar mal de alguém com o objetivo de prejudicá-lo de alguma forma, seja em sua reputação, em suas relações sociais, pessoais, etc. Vamos mostrar através de exemplos que não é isso o que fazemos aqui.

Tomemos o caso do jejum e a abstinência que a Igreja nos impõe como obrigatórios. Vamos supor que eu viesse a saber que uma pessoa não cumpriu tal mandamento. Caberia a mim dirigir-me a ela e dizer que o que ela fez está errado, que ela está desobedecendo um mandamento da Igreja. Isto seria uma correção caridosa. Se, do contrário, eu saísse espalhando para todo mundo que tal pessoa não cumpre o mandamento, isto seria pecado da minha parte. Não teria função de corrigir a pessoa, senão de rebaixá-la.

Muito diferente da situação hipotética desta pessoa que cometeu um pecado, foi o fato denunciado neste blog e que gerou tantos protestos dos carismáticos. O Felipe Aquino disse que era facultativo o jejum que a Igreja ensina ser obrigatório. Aqui, então, já vemos uma grande diferença com o caso anterior. Já não é mais um pecado pessoal, e sim um ensinamento errado, que pode levar muitas pessoas a pecar contra o mandamento da Igreja. Se alguém se propõe a ensinar religião, deve tomar todos os cuidados para não ensinar nada de errado. A responsabilidade de quem quer trabalhar pela salvação da almas é muito grande. A partir do momento em que alguém se apresenta como professor de religião, o que ele ensina já não está mais no domínio privado. Logo, é muito fácil perceber que não se trata de uma questão pessoal, mas sim pública. E isto nos obriga, enquanto cristãos batizados e crismados, a defender a Fé Católica contra qualquer erro.

Outro exemplo. Suponhamos que uma pessoa cometa adultério. Se eu sair espalhando por aí tudo o que fiquei sabendo, sejam boatos ou mesmo fatos verdadeiros, estarei difamando as pessoas envolvidas. Isto seria algo indigno de um cristão. Caberia, sim, a orientação particular.

Muito diferente é o caso do Pe Fábio de Melo dizer na televisão que “pode ser que um dia a Igreja reveja a lei sobre a comunhão de casais de segunda união”. Caímos novamente no caso da defesa da Fé. Porque os tais “casais de segunda união” estão, aos olhos de Deus, cometendo pecado gravíssimo de adultério. A partir do momento em que um padre vem publicamente dizer algo que possa desfalecer nos fiéis a certeza de um mandamento da lei de Deus, a questão já não é mais particular, e sim pública. Se ficarmos em silêncio, muitas pessoas podem começar a crer nos ensinamentos errados de tal padre, e cairiam assim em graves pecados. A nossa obrigação de cristãos, então, é combater tais erros.

São, portanto, situações muito diferentes aquelas que combatemos aqui e aquelas que configurariam pecado de maledicência. É muito fácil perceber que não estamos tratando aqui de fraquezas pessoais, que deveriam ser corrigidas caridosamente em particular, mas sim de questões graves de defesa da Fé, o que impõe que seja publicamente defendida a ortodoxia católica. Não existe, como nos acusam alguns carismáticos, nenhuma intenção de fazer “fofoca” da vida alheia. O que existe, e isto é muito fácil de entender, são situações em que se faz necessário defender a Fé e a Moral católicas.

Está certo, reconheço que eles erraram. Mas, por que vocês os advertem publicamente? Conversem com eles em particular. Tenho certeza de que serão ouvidos.

E quem disse que nós já não tentamos conversar com eles? Tentamos sim, mas não fomos bem recebidos porque eles não querem debater conosco. Pelo contrário, eles já manifestaram abertamente seu desejo de calar nossa boca.

Assim, se eles continuam ensinando publicamente coisas contrárias à Fé da Igreja, torna-se necessário demonstrar também publicamente que os seus ensinamentos não estão em conformidade com a Fé Católica.

Ninguém menos que São Tomás de Aquino nos ensina que, estando a Fé em perigo, a sua defesa dever ser pública, até mesmo se quem erra são prelados da Santa Igreja: “Havendo perigo para a Fé, os prelados devem arguidos, até mesmo publicamente pelos súditos.”  Suma Teológica, II-II, 33, 4. 2.

Os carismáticos, em vez de fazer seus discursos afetados de emoção, deveriam entrar no mérito da questão, debater nossos argumentos. Deveriam  ou provar que eles não são válidos, ou então curvar-se à evidência de que os líderes da RC”C” estão em desacordo com a doutrina católica. Nós estamos tentando travar um debate teológico, em alto nível, com argumentos, apoiados não na nossa opinião particular, nem nos nossos pensamentos pré-concebidos, mas sim na doutrina da Igreja. São os carismáticos que sempre levam para o lado pessoal aquilo que deveria ser objetivo.

O que os líderes carismáticos fizeram contra vocês para que os odeiem tanto? Vocês devem ser movidos pela inveja.

Não, eles não fizeram nada particularmente contra mim. Os líderes carismáticos cujas doutrinas são combatidas aqui – Mons. Jonas Abib, Felipe Aquino, Pe Joãozinho, Pe Fábio de Melo, etc – não fizeram, no plano natural, nada contra mim. Eu não os conheço pessoalmente, nem sequer moro na diocese deles.

O grande problema, que os carismáticos não querem aceitar, é que as doutrinas que eles pregam são incompatíveis com a Fé Católica. A questão é bem objetiva, mas eles querem levar para o lado subjetivo, pessoal.

Mil vezes repetimos, mas há quem não queira entender: o que move nosso combate é a defesa da Fé, terrivelmente distorcida pela RC”C”. Não é o indivíduo A ou B que queremos “atacar”, como nos acusam. Mas, na medida que estas pessoas levam confusão à mente dos católicos, temos a obrigação de defender a verdadeira Fé.

E isto nós procuramos fazer objetivamente, com argumentos, apoiados na doutrina bimilenar da Igreja. Basta ler os artigos das várias publicações católicas para ver como são objetivos: comparam a doutrina católica e a doutrina carismática e demonstram como são diferentes. Quando será que os nossos adversários vão parar de apelar para a emoção e para o subjetivismo e vão contra-argumentar objetivamente? Este é o princípio de todo debate sério.

*****

Sei que ficou repetitivo e enfadonho, mas creio que seja necessário. Continuaremos em um próximo artigo.

 

Quo vadis, parve Ioannes?

É realmente lamentável o estado a que chegou o clero pós-Vaticano II.

Padre Joãozinho gosta muito de se mostrar escandalizado com aqueles que não aceitam o pastoral e falível Concílio Vaticano II. Chamou a Montfort até de marxista. Gosta de publicar os comentários que chamam os católicos tradicionais de protestantes, de sectários, de cismáticos. Todas aquelas mesma  acusações sem nexo de sempre. Interessante é observar que o referido padre apenas coloca artigos e seu blog e depois não mais intervém. Deixa que os leitores “quebrem o pau” e não se dá ao trabalho de argumentar contra os que discordam dele. Mas nem por isso deixa de inserir novos artigos contra a Tradição Católica e a resistência aos erros do Vaticano II. Estranha a atitude de um doutor, cujo título normalmente evoca a noção de alguém muito versado na matéria e capaz de discuti-la com profundidade e argumentar com sabedoria. Em vez disso, o que se vê é a estratégia propagandística: muita repetição das memas idéias, muitas opiniões de leitores, nenhum tratamento sério da questão. Parece que ele quer vencer pelo cansaço.

As opiniões do padre Joãozinho sobre o batismo também são bastante heterodoxas. O vídeo a seguir, que nos foi trazido ao conhecimento por um leitor, demonstra bem a confusão deste padre que não sabe a diferença ente o sacramento do batismo e o processo de santificação da alma:


Ele começa a dizer que “O batismo no Espírito é um desdobramento do batismo sacramental” (47 s) e que o batismo é um processo, de forma que uma pessoa não é batizada, e sim “batizanda”. Ele comfirma estas besteiras dizendo que “o batismo é dinâmico” (1 min) e que “somente seremos totalmente batizados no Céu” (1 min 19 s), “enquanto estivermos aqui [nesta vida] estamos passando por um processo batismal” (1 min 28 s). Este processo seria o tal “batismo no Espírito”, que aconteceria muitas vezes na vida da pessoa (2 min), e ainda o associa a uma “tomada de consciência do próprio batismo (2 min 25 s).

Isto tudo foi dito só na primeira metade do vídeo, que tem pouco mais de cinco minutos. Na outra metade ele fala sobre o dom de línguas, mas creio que seja suficiente para a paciência de qualquer cristão comentar o primeiro assunto.

Vamos confrontar o que diz Padre Joãozinho com a doutrina católica. Comecemos pelo batismo sacramental:

Lemos, no Catecismo Maior de São Pio X:

518) Explicai com um exemplo como os Sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça.
No Batismo, o ato de derramar a água sobre cabeça da pessoa, e as palavras: Eu te batizo, isto é, eu te lavo, em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo, são um sinal sensível do que o Batismo opera na alma; porque assim como a água lava o corpo, assim a graça, dada pelo Batismo, purifica a alma, do pecado.

Onde se encontra o “processo” alegado por padre Joãozinho? O batismo confere a graça santificante à alma do batizado, o que normalmente se diz que apaga a “mancha” do pecado original. Os números seguintes do Catecismo de São Pio X explicam bem a doutrina sobre a graça:

526)    Que é a graça santificante?
A graça santificante é um dom sobrenatural, inerente à nossa alma, que nos faz justos, filhos adotivos de Deus e herdeiros do Paraíso.

527)    Quantas espécies há de graça santificante?
Há duas espécies de graça santificante: graça primeira, e graça segunda.

528)    Que é a graça primeira?
A graça primeira é aquela pela qual o homem passa do estado de pecado mortal ao estado de justiça, de amizade com Deus.

529)    E que é a graça segunda?
A graça segunda é um aumento da graça primeira.

530)    Que é a graça atual?
A graça atual é um dom sobrenatural que ilumina nossa inteligência, move e fortalece a nossa vontade, a fim de que pratiquemos o bem e evitemos o mal.

535)    Que é a graça sacramental?
A graça sacramental consiste no direito que se adquire, recebendo qualquer Sacramento, de ter ein tempo oportuno as graças atuais necessárias, para cumprir as obrigações que derivam do Sacramento recebido. Assim, quando fomos batizados, recebemos o direito a ter as graças necessárias para vivermos cristãmente.

536)   Dão sempre os Sacramentos a graça a quem os recebe?
Os Sacramentos dão sempre a graça, contanto que se recebam com as disposições necessárias.

538)   Quais são os Sacramentos que conferem a primeira graça santificante?
Os Sacramentos que conferem a primeira graça santificante, que nos faz amigos de Deus, são dois: Batismo e Penitência.

539)   Como se chamam, por este motivo, estes dois Sacramentos?
Estes dois Sacramentos, isto é, o Batismo e a Penitência, chamam-se por este motivo Sacramentos de mortos, porque são instituídos principalmente para restituir a vida da graça às almas mortas pelo pecado.

540)   Quais são os Sacramentos que aumentam a graça em quem a possui?
Os Sacramentos que aumentam a graça em quem a possui, são os outros cinco, isto é, a Confirmação, a Eucaristia, a Extrema-Unção, a Ordem e o Matrimônio, os quais conferem a graça segunda.

Dos números 538 e 539, aprendemos que o batismo confere a graça santificante à alma assim que ela o recebe. Os sacramentos que aumentam a graça de quem já a possui são enumerados no número 540, do qual, obviamente, não consta o batismo.

Se o batismo fosse um processo que durasse a vida toda, o que São Pio X disse no número 536 acima seria mentira. De fato, os Sacramentos dão sempre a graça a quem recebe com as disposições devidas. Se fosse um processo, o Batismo não conferiria toda a graça que simboliza, mas esta deveria ser buscada pelo cristão durante toda sua vida, como hereticamente defendeu o padre carismático. Como o batismo é o sacramento que nos torna cristãos, segundo a doutrina católica, e sendo ele um processo que somente se completa no Céu, como acredita padre Joãozinho, resultaria daí que não há nenhum verdadeiro cristão sobre a Terra. Coerente com as idéias do padre Fábio de Melo, expostas na entrevista com o Jô Soares. Porém, totalmente incompatível com a doutrina católica.

Mas, continuando a ler a aula de doutrina dada por São Pio X, aprendemos que o Batismo é um dos sacramentos que imprimem caráter à alma:

545)   Quais são os Sacramentos que se podem receber uma só vez?
Os Sacramentos que se podem receber uma só vez, são três: Batismo, Confirmação e Ordem.

546) Por que os três Sacramentos, Batismo, Confirmação e Ordem só se podem receber uma vez?
Os três Sacramentos, Batismo, Confirmação e Ordem, podem-se receber uma só vez, porque imprimem caráter.

547)   Que é o caráter que cada um destes três Sacramentos imprime na alma?
O caráter impresso na alma em cada um destes três Sacramentos, é um sinal espiritual que nunca se apaga.

Como poderia padre Joãozinho conciliar suas palavras com os ensinamentos de São Pio X? Afinal de contas, padre Joãozinho acredita ou não que o Batismo imprime um caráter na alma? Se acredita, então como poderia o mesmo ser um “processo” que somente se completa no Céu?

Vamos ler a definição de Batismo?

549)   Que é o Sacramento do Batismo?
O Batismo é o Sacramento pelo qual renascemos para a graça de Deus, e nos tornamos cristãos.

550)   Quais são os efeitos do Sacramento do Batismo?
O Sacramento do Batismo confere a primeira graça santificante, que apaga o pecado original e também o atual, se o há; perdoa toda a pena por eles devida; imprime o caráter de cristão; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Paraíso, e torna-nos capazes de receber os outros Sacramentos.

Mais uma vez eu pergunto: padre Joãozinho, onde está o alegado “processo” batismal?

Do que ficou exposto, percebe-se claramente que o referido padre não se deu ao trabalho de ler nem mesmo o Catecismo.

Diga-se, de passagem, que ele nem se lembrou que existe o Sacramento do Crisma, que o define São Pio X como:

575)   Que é o Sacramento da Confirmação?
A Confirmação, ou Crisma, é um Sacramento que nos dá o Espírito Santo, imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e nos faz perfeitos cristãos.

576)  De que maneira o Sacramento da Confirmação nos faz perfeitos cristãos?
A Confirmação faz-nos perfeitos cristãos, confirmando-nos na fé, e aperfeiçoando em nós as outras virtudes e os dons recebidos no santo Batismo; e é por isso que se chama Confirmação.

Para padre Joãozinho, o “batismo no Espírito” seria um processo que aperfeiçoaria o Batismo, mas o Sacramento da Crisma não mereceu nem ser citado em suas relações com o Batismo.

Finalmente, sobre o crescimento da vida cristã, devemos lembrar o ensinamento tradicional da Igreja. Uma vez tornados cristãos pelo Batismo, e ainda mais depois de fortalecidos pela Crisma, cabe a nós buscarmos a perfeição da vida cristã. Para isso, devemos percorrer três vias: a purgativa, a iluminativa e a unitiva. Tudo isso se estuda na Teologia Ascética e Mística. Mas, isso discutimos em outro artigo. Para padre Joãozinho, estudar o catecismo já é um bom começo.

Pentecostais “lindos e santos” atacam a Igreja Católica

No presente artigo, vou transcrever um texto da IURD, a famosa “Universal”. Sinceramente, eu não encontrei os adjetivos apropriados para qualificar as agressões com que essa seita pentecostal ousa atacar a Santa Igreja Católica. Não compensa nem ficar revoltado com o que eles escrevem, pois é tanta mentira e tanta infâmia que não se deve nem levar em consideração qualquer coisa que parta deles. Mas devemos nos questionar sobre o que pensar de um padre que tem a ousadia de dizer que esses pentecostais são “lindos e santos”.

Logo na primeira página, vemos a primeira difamação: uma imagem grande, tendo no centro o mapa do Brasil, dentro do qual foi adaptada a cena da primeira Missa rezada em nossas terras; ao redor do mapa, fotos de diversos elementos acusados de corrupção, como se pode ver na figura abaixo:

Infame é o mínimo que podemos dizer da atitude desta seita pentecostal ao tentar correlacionar o Catolicismo à corrupção no Brasil. Mas isso é apenas o começo. Na página 3A do mesmo jornaleco, está o texto difamador, do qual alguns trechos estão transcritos abaixo:

A corrupção está qualquer lugar onde o homem existe. Nos países de cultura evangélica, no entanto, ela é bem menor do que nos de cultura católica, onde escândalos são constantes, conforme está ocorrendo no Brasil, que vive 500 anos de caos e má conduta. (…)

Os portugueses católicos desembarcados no Brasil não trouxeram suas respectivas famílias. E não era para menos, pois logo começaram uma ação extrativista em terras brasileiras. Pelo que se sabe, parte ia para a Coroa Portuguesa, parte para a Igreja Romana e uma outra ficava retida.

Nada era investido para o progresso do País e do seu povo. A Igreja Católica Apostólica Romana trabalhava como suporte de toda essa operação de extirpação de riquezas através das catequizações para ter o total domínio dos incautos nativos brasileiros. (…)

Dessa maneira, não haveria qualquer tipo de resistência para impedir o extrativismo, pois quando alguém resistia em aceitar essas e outras imposições religiosas, os inquisidores entravam em ação e os opositores eram queimados em fogueira pelos sacerdotes romanos.

Este tipo de cultura atrasou e continua atrasando o desenvolvimento do Brasil. Lamentavelmente, essa cultura corrupta da época da colonização é notória nos dias atuais. Por conta disto, os Estados Unidos da América, nossos contemporâneos de colonização, de cultura evangélica, são a grande potência do planeta, enquanto o nosso querido e manchado Brasil é considerado subdesenvolvido. (…)

Os Estados Unidos da América foram descobertos pelos espanhóis, porém, colonizados pela Inglaterra, país de cultura evangélica, que não praticou o extrativismo. Ao contrário do que aconteceu no Brasil, os colonizadores levaram seus familiares e a Bíblia Sagrada. Investiram no país e, com muito trabalho e fé, fizeram da América a maior potência mundial. O índice de corrupção é muito baixo se comparado ao Brasil. O povo é predominantemente evangélico, com pequeno número de católicos, e o país dispensa qualquer apresentação em relação à sua desenvoltura, fruto de uma crença baseada na Palavra de Deus.

Folha Universal, n. 699, de 28 de agosto a 3 de setembro de 2005

Mas as mentiras e baixarias não acabam aí. No quadro, reproduzido abaixo, vemos a que nível chegam as mentiras desta seita. Por que eles não mencionam os países católicos e ricos, como Espanha, França e Itália? Por que eles não mencionam os países colonizados por protestantes e que são pobres, como a Índia? Tudo é direcionado, através de mentiras, a fazer com que o leitor ignorante acate a idéia de uma supremacia protestante:

A quantidade enorme de erros históricos, mentiras, falsificações e calúnias em um curto texto que ocupa uma única página, cheia de figuras, assusta até quem já conhece um pouco da IURD. Se quiséssemos responder às acusações, teríamos de escrever quase um artigo para cada frase do texto caluniador. Talvez eu o faça, em futuros artigos, para esclarecer alguns pontos que possam ser instrutivos para a defesa da Fé Católica. Mas isso não será em resposta aos ofensores, pois quem escreveu esse texto caluniador não merece outra coisa senão o nosso desprezo à suas baixarias. E as nossas orações, claro, pois estamos obrigados a orar por nossos inimigos.

Voltando à análise do texto, poderíamos dizer que, se trocássemos as expressões “evangélicos” por “raça superior” e “católicos” por “raças inferiores”, nenhuma diferença essencial haveria entre o mesmo e a propaganda nazista, estando ambas no mesmo nível de canalhice. Omitindo deliberadamente todos os fatos e argumentos contrários à sua tese, e falsificando os favoráveis, o autor do texto cria uma espécie de dicotomia, na qual tudo o que é bom vem dos protestantes, enquanto que tudo o que é mau vem dos católicos. É o cúmulo da parcialidade e da mentira. Na verdade, a História prova o quanto a Igreja Católica foi de fundamental importância para a construção da Civilização Ocidental, enquanto que o protestantismo trouxe discórdia e divisão entre os homens, através do individualismo tão próprio a essa heresia. Análise essa, é claro, feita apenas no plano da Civilização, sem sequer tocar no ponto mais importante, que é o teológico.

Cabe a nós acrescentar, ainda, que essa calúnia foi um exemplo extremo do ódio a que podem chegar os pentecostais contra a Igreja de Cristo. Mas, infelizmente, a IURD não é a única seita a atacar a Igreja. Qualquer católico que já teve a oportunidade de defender sua Fé contra o ataque de pentecostais sabe o quanto eles ofendem injustamente a Igreja e conhecem a violência verbal de que eles se utilizam para tentar tirar as pessoas da Igreja Católica e levá-las para suas seitas. Isso sem falar em inúmeros sites protestantes da internet (um dos piores é o http://www.cacp.org.br) que contam as mais terríveis mentiras contra o Catolicismo.

Diante de tanta mentira e tanta perseguição injusta contra a Igreja Católica, nós temos obrigação de nos perguntar como que Mons. Jonas Abib teve a ousadia de elogiar esses pentecostais caluniadores, dizendo que ele são “lindos e santos”. Esse líder da RC”C”, aliás, já demonstrou, com abundância de provas, que sua doutrina é protestante. Quando se referem aos católicos que não aceitam os erros do Concílio Vaticano II, os carismáticos são ofensivos e intolerantes, mas para elogiar quem ataca a Igreja, para isso eles são tolerantes e amigáveis. Eu consigo encontrar apenas um título para o “católico” que defende serem os pentecostais “lindos e santos”: o de traidor da Igreja.

A reverência para com as Sagradas Escrituras e o segundo mandamento

É de conhecimento geral a forma irreverente com que o falecido Pe. Léo tratava todos os assuntos. Tudo era motivo de piada, de risos. Nem  mesmo as Sagradas Escrituras eram poupadas. Os santos e dignos mistérios da história de nossa salvação, na boca desse padre carismático, se transformavam em humor popular.

Na entrevista dada em um conhecido programa de televisão, por exemplo, foram contadas piadas em seqüência, todas baseadas em textos bíblicos. Nem mesmo a Paixão de Nosso Senhor escapou do “humor” do padre:

O que já nos parece uma falta de respeito com as Sagradas Escrituras, pelo simples julgamento leigo, revela uma perversidade muito maior quando nos apoiamos na autoridade do Catecismo Romano e do Sagrado Concílio de Trento. No capítulo do Catecismo que trata do segundo mandamento, honrar o Santo Nome de Deus, podemos ler que  uma  das formas de se desobedecer a esse mandamento é não ter a devida reverência para com as Sagradas Escrituras:

Há também uma indigna e vergonhosa conspurcação das Sagradas Escrituras, quando pessoas perversas tomam suas palavras e sentenças, que merecem toda a veneração, para as torcerem em sentido profano, como seja de chocarrices, basófias, sandices, lisonjas, difamações, adivinhações, sátiras e outras infâmias. É um pecado que o Sagrado Concílio de Trento manda coibir com penas canônicas.

Catecismo Romano, Terceira Parte, Capítulo III, pág. 413

Portanto, dentre os outros atos infames mencionados, torcer o sentido das Sagradas Escrituras, “que merecem toda a veneração”, a fim de transformá-las em sátiras (piadas) é uma “indigna e vergonhosa conspurcação” (mancha, mácula) feita por “pessoas perversas”.

No final deste terceiro capítulo da terceira parte do Catecismo Romano, lemos a seguinte advertência que nos dão uma noção da gravidade dos pecados contra o segundo mandamento da Lei de Deus, nos quais se inclui a irreverência para com as Sagradas Escrituras:

Por isso, deste pecado [contra o segundo mandamento] devem escarmentar-nos os vários flagelos que todos os dias nos torturam, pois não será fora de propósito presumir que, na violação deste Preceito, esteja o motivo de caírem os homens nas maiores desgraças. Se os homens tomarem a peito esta verdade, é provável que se tornem mais cautelosos para o futuro.

Catecismo Romano, Terceira Parte, Capítulo III, pág. 414

Rezemos para que o referido padre possa ter se arrependido e ter alcançado o perdão de Deus, assim como todos nós precisaremos um dia. E rezemos também para que os católicos tomem conhecimento do quanto a RC”C” ensina uma doutrina totalmente incompatível com o catolicismo, desprezando os ensinamentos da Igreja, como se comprovou acima, e zombando até mesmo das Sagradas Escrituras.

Desmascarando o “batismo no Espírito”

Nos dias atuais, devido à omissão do concílio Vaticano II e de seus seguidores em condenar os erros modernos, as dúvidas geradas pelas mais diversas heresias têm abalado a Fé de muitos. Uma das correntes que causa grandes males à Fé católica é a dita RC”C” – renovação carismática “católica” – que, na realidade, não passa de protestantismo disfarçado de catolicismo.

Os católicos tradicionais têm, por meio de diversos artigos, demonstrado o quanto a RC”C” se afasta da doutrina e da moral católicas, chegando mesmo a lhes constituir verdadeira ameaça, pois infiltra erros protestantes na Igreja de Cristo.

Na intenção de juntar forças aos fiéis católicos que têm combatido a RC”C”, a fim de salvar a nossa amada Igreja, nos lançamos à tarefa de escrever o presente artigo. Com este, pretendemos lançar algumas luzes sobre a questão do “batismo no Espírito”, um dos grande cavalos de batalha do movimento carismático. De fato, um dos pilares do movimento é exatamente esse “batismo”, que, segundo eles, daria àquele que o recebesse, a força e os dons que foram dados aos Apóstolos em Pentecostes.

Dado o caráter extremamente grave dessa prática que foi tomada dos protestantes, e que contraia frontalmente a Fé católica, vemo-nos na obrigação de alertar aos fiéis, que por inocência, tenham sido enganados sobre essa matéria. Para tanto, baseamo-nos na doutrina católica de sempre, materializada no Sagrado Concílio de Trento, no Catecismo Romano e na autoridade dos Padres da Igreja.

Existe um só Batismo

Caso o “batismo no Espírito” fosse realmente uma prática cristã autêntica, ensinada por Cristo Nosso Senhor, haveríamos de ter dois batismos. Um deles seria o batismo que nós conhecemos, ministrado, preferencialmente, aos recém-nascidos para que lhes seja apagado o pecado original. Outro seria o “batismo no Espírito”, defendido pela RC”C”.

A existência de um outro batismo, no entanto, é explicitamente negada pela revelação divina. As Sagradas Escrituras são bastante claras quanto à existência de um único batismo:

“Um só é o Senhor, uma só é a Fé, um só é o Batismo” (Ef 4,5)

Então, não existem dois batismos, mais um só batismo. A existência de um tal “batismo no Espírito”, diverso daquele que todos nós católicos conhecemos, portanto, é explicitamente negada pela própria Bíblia Sagrada.

Dada a importância desse artigo de Fé, a Santa Igreja houve por bem inclui-lo no símbolo niceno-constantinopolitano:

“professo um só batismo para remissão dos pecados”

Além disso, Nosso Senhor, ao enviar Seus apóstolos para pregar o Evangelho, ordenou-lhes batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, e não “batizar no Espírito Santo”, como fazem os carismáticos:

“Ide pelo mundo inteiro, e ensinai todos os povos. Batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observarem tudo o que vos tenho mandado” (Mt 28,19)

No mesmo texto citado acima vemos que Nosso Salvador ordenou a seus apóstolos que ensinassem os povos a observar tudo o que Ele havia mandado. Se, em dois mil anos de Cristianismo, somente a partir da segunda metade do século XX, o “batismo no Espírito” teria sido introduzido na Igreja, então podemos concluir que: ou 1) o “batismo no Espírito” não foi ordenado por Cristo; ou 2) os apóstolos não obedeceram às ordens do Mestre.

Se quiséssemos aceitar o segundo caso, estaríamos desdenhando da autoridade das Sagradas Escrituras, pois acima já se provou haver um só bastimo. No entanto, se por absurdo admitíssemos como cristão o tal “batismo no Espírito”, então os apóstolos não teriam cumprido a ordem de Cristo. Admitir-se-ia, então, forçosamente, que a Igreja Católica teria errado durante toda Sua história de dois mil anos. Gerações teriam sido apartadas de uma graça tal grande por desobediência dos apóstolos e seus sucessores, os bispos. Admitida essa ímpia hipótese, estaríamos renegando a nossa Santa Igreja como Mãe e Mestra, instituída por Cristo para santificação e salvação das almas, e mais lhe caberia o nome de madrasta do que de Mãe. Mas, como filhos fiéis, reconhecemos e amamos a Santa Madre Igreja e lhe devotamos filial obediência, e refutamos como sugestão diabólica a hipótese de uma omissão tão grave da Igreja.

No primeiro caso, que corresponde à verdade, e isso podemos comprovar com abundância de argumentos, nós perguntamos aos carismáticos de onde pode ter vindo o “batismo no Espírito”, uma vez que não partiu da ordem de Cristo Nosso Senhor. A resposta é simples: o “batismo no Espírito” não passa de mais um equívoco gerado pelo livre exame protestante.

A origem protestante do “batismo no Espírito”

O tal “batismo no Espírito” é tão contrário à Fé católica que não nos surpreende em nada constatar que sua origem é protestante. A rádio Cristandad publicou, em espanhol, um extenso artigo sobre a RC”C”, denunciando os diversos erros da mesma. O mesmo artigo foi traduzido para o português no blog católico Tradição Viva. A leitura do artigo é extremamente recomendada, pois mostra muitos apectos da RC”C” que demonstram sua incoerência com a doutrina católica. Nesse artigo, encontramos, entre outras coisas, a história da RC”C”, que demonstra inequivocamente a sua origem protestante, e sua simples transposição para dentro da Igreja por obra de dois leigos, Ralph Keifer e Patrick Bourgeois. No começo de 1967, os dois receberam o tal “batismo no Espírito” das mãos de protestantes! Essa afronta à Igreja Católica, foi o “nascimento” da RC”C”. Um ato de cisma, um ultraje à autoridade da Igreja, posto que se considera, ao menos implicitamente, nesse ato, que o Espírito Santo devesse ser buscado nas seitas, e não dentro da Igreja Católica.

Qual seria, então, a diferença entre o Batismo de João e o Batismo de Cristo?

Para responder a essa questão, recorreremos a nada menos que a autoridade dos Santos Padres da Igreja. Vejamos o que escreveu santo Agostinho a respeito do Batismo de João:

Por esse motivo, como os Santos Padres deduziram do Evangelho de São João, Judas Iscariotes também batizou muitas pessoas, e não lemos que alguma delas fosse novamente batizada. Santo Agostinho teve, a respeito, estas belas palavras: “Judas batizou, e depois de Judas não se fez novo batismo. João batizou, e depois de João foi rebatizado, porque o Batismo ministrado por Judas era Batismo de Cristo, e o Batismo de João era [simplesmente] Batismo de João. Isso não é preferir Judas a João. Com razão preferimos o Batismo de Cristo – ainda que dado pelas mãos de um Judas – ao Batismo de João, embora seja conferido pelas mãos de um João”.

Catecismo Romano, Parte II, Capítulo I, página 209

O Catecismo Romano, reforçando o que escreveu Santo Agostinho, ensina que o Batismo conferido por Judas, ainda que ministro indigno, é o Batismo de Cristo. O Batismo conferido por João, apesar da dignidade da pessoa do Batista, não era o Batismo de Cristo, mas Batismo de João. Daí, podemos concluir que o Batismo de João era um símbolo do Batismo que Cristo Nosso Senhor haveria de instituir.

Se o Batismo que João Batista ministrava era apenas um sinal do Batismo de Jesus Cristo, então podemos concluir que o termo batismo no Espírito, citado em Lc 3,16, nada mais é do que o Batismo cristão, aquele sacramento que Cristo instituiu para apagar a “mancha” do pecado original, fazendo habitar na alma do batizado a Santíssima Trindade.

O Batismo de João era dito “em água”, porque era apenas um sinal. Mas, ao Batismo instituído por Nosso Senhor, cabe-lhe perfeitamente o termo de batismo no Espírito e no Fogo, porquanto esse realmente confere o Espírito Santo àquele que o recebe. Não era mais um sinal apenas, como o de João Batista, mas sim um sacramento de fato, um meio eficaz de transmissão da graça de Deus ao fiel que o recebe.

Mais um argumento de autoridade pode ser destacado do Catecismo Romano em favor de nossa argumentação:

Quanto ao primeiro [momento da instituição do Batismo], não resta dúvida que Nosso Senhor instituiu esse Sacramento quando conferiu à água a virtude de santificar, na ocasião que Ele mesmo se fez batizar por São João. Dizem São Gregório de Nazianzo e Santo Agostinho que, naquele instante, a água adquiriu a força de regenerar para a vida espiritual. Noutro lugar, escreve Santo Agostinho: “Desde que Cristo desceu na água, limpa a água todos os pecados”. E noutra parte ainda: “Nosso Senhor recebeu o Batismo, não porque precisasse de purificação, mas para que ao contato com o Seu Corpo puríssimo, as águas se purificassem, e adquirissem a virtude de purificar”.

Catecismo Romano, Parte II, Capítulo II, página 221

Portanto, a água somente adquiriu a virtude de purificar os pecados após o Batismo de Cristo. Por essa razão, o Batismo que João ministrava, antes de Cristo ser batizado, não podia mesmo passar de um sinal daquele Batismo que Nosso Senhor haveria de instituir.

Ainda o Sagrado Concílio de Trento lançou uma excomunhão sobre quem ousasse dizer que o Batismo de João era igual ao de Cristo:

857. Cân. 1. Se alguém disser que o Batismo de S. João [Batista] teve a mesma eficácia que o Batismo de Cristo — seja excomungado.

O que mais uma vez confirma que o Batismo de João era apenas um sinal do Batismo de Cristo, que confere verdadeiramente o Espírito Santo à alma do batizado.

Conclusões sobre o Batismo

Dos argumentos até aqui expostos, podemos concluir:

– existe um só Batismo;

– o Batismo de João era apenas um sinal do Batismo de Cristo;

– ao Batismo instituído por Cristo cabe, muito propriamente, o nome de Batismo no Espírito, uma vez que o Batismo de Cristo, diferente daquele de João Batista, confere, de fato, o Espírito Santo ao fiel que recebe esse sacramento;

– esse Batismo que Cristo instituiu é o Batismo que a Igreja Católica sempre ministrou através de toda sua existência, cumprido a ordem do Mestre de batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19);

– o Batismo, obviamente, nada tem a ver com a ilusão carismática de um “batismo no Espírito”;

Não cabe, portanto, dentro da santa doutrina cristã, nenhum espaço para uma segunda “modalidade” de Batismo, diferente daquela instituída por Cristo e ministrada e ensinada pela Igreja Católica. Qualquer tentativa de se criar um “batismo no Espírito” afrontaria, em absoluto, a revelação divina.

Como diferenciar a verdadeira doutrina católica dos erros

O Papa Clemente XIII, já em 1761, publicava sua encíclica “in Dominico Agro”, na qual ele exortava ao estudo do Catecismo Romano como forma de combater as perversas doutrinas semeadas pelo inimigo no meio do povo cristão. Apesar dos dois séculos e meio que nos separam de sua publicação, essa encíclica parece ter sido escrita para a crise atual, em que os obreiros dormem enquanto os campos são sabotados pelo inimigo. A leitura completa da carta é altamente recomendada. Aqui, limitar-me-ei a transcrever alguns trechos em que o Santo Padre mostra como combater o erro e defender a verdade.

Inicialmente, chamamos a atenção para o ponto em que o Papa mostra a forma de se reconhecer a verdadeira doutrina católica:

Devemos, pois, afastar os fiéis, mormente os que forem de engenho mais rude ou simples, destes escabrosos e apertados atalhos, por onde mal se pode firmar pé, nem andar sem perigo de queda.
Não devem as ovelhas ser levadas às pastagens por caminhos não trilhados. Por isso, não devemos expor-lhes opiniões singulares de doutores embora católicos, mas unicamente aquilo que tenha o sinal inequívoco e certo da verdadeira doutrina católica, a saber: universalidade, antigüidade, consenso doutrinário.

Nenhum dos atributos elencados pelo Sumo Pontífice é verificado no caso do teoria pentecostal do “batismo no Espírito”. Primeiro, ela não tem tem qualquer antigüidade. Começou com os protestantes, no final do século XIX. Dentro da Igreja Católica, ele foi “introduzido” na segunda metade do século XX. Consenso doutrinário, então, não existe nenhum. Somente a contaminação protestante faz alastrar essas opiniões, sem que haja consenso com a totalidade da Igreja. Finalmente, universalidade é o que a teoria do tal “batismo no Espírito” menos possui. Não houve, em toda a história da Igreja, qualquer menção a ela. Não houve um Papa que o ensinasse, nem um santo que o defendesse, e nem houve menção alguma a esse “batismo” em qualquer concílio. Das três características da verdadeira doutrina católica, nenhuma é satisfeita pela teoria do “batismo no Espírito”. O que nos demonstra, uma vez mais, o quanto ela não passa de heresia.

Mais adiante, o Papa Clemente XIII escreve:

Possuídos desta convicção, os Pontífices Romanos, Nossos Predecessores, empregaram toda a energia não só para cortar, com o gládio da excomunhão, os venenosos germes do erro que às ocultas iam vingando; mas também para cercear a expansão de algumas opiniões que, pela sua redundância, impediam o povo cristão de tirar da fé frutos mais copiosos; ou que, pela parentela com o erro, podiam ser nocivas às almas dos fiéis.

A simples parentela com o erro, já pode tornar uma opinião nociva às almas dos fiéis. O que dizer, então, de uma opinião que não somente se assemelha ao erro protestante do “batismo no Espírito”, mas que é idêntica a ele e tem nela sua própria origem? E poderíamos ser mais claros, dizendo que essa heresia foi apenas transportada de fora para dentro da Igreja, através de leigos que consideravam melhor buscar as novidades das seitas do que perseverar na Fé católica de sempre.

Os efeitos do sacremento da Confirmação

Já tratamos longamente do equívoco que se faz ao apresentar o “batismo no Espírito” como se fosse doutrina católica. E já discutimos como ele não passa de uma interpretação errada do verdadeiro Batismo de Cristo, gerada pelo livre exame protestante.

Mas a perversidade da heresia do “batismo no Espírito” não termina com sua afronta à doutrina do verdadeiro Batismo instituído por Nosso Senhor. Também a doutrina do sacramento da Confirmação é frontalmente insultada por essa teoria protestante. Vejamos o que o Catecismo Romano ensina sobre o sacramento da Confirmação (o destaque é meu):

Os que devem ainda crescer na vida espiritual, até se tornarem perfeitos seguidores da religião cristã, precisam para isso receber a força que advém da unção com o Sagrado Crisma. Ora, nessa grande necessidade se acham todos os cristãos.

Assim como é lei da natureza que os homens cresçam desde o nascimento até chegarem à idade perfeita, embora não o consigam às vezes na devida proporção; assim também a Santa Igreja Católica, nossa mãe comum, deseja ardentemente levar ao estado de cristãos perfeitos aqueles que ela regenerou pelo Batismo.

Esse efeito, porém, é operado pelo Sacramento da unção mística. Logo, torna-se evidente que a Crisma diz respeito a todos os fiéis sem distinção.

Catecismo Romano, Parte III, Capítulo III, página 253

E mais adiante:

Pelo contrário, a origem dessa denominação [Confirmação] está no fato de que Deus, pela virtude do Sacramento, confirma em nós o que começou a operar no Batismo, conduzindo-nos a uma sólida perfeição da vida cristã.

Catecismo Romano, Parte III, Capítulo III, página 255

Portanto, é o sacramento da Confirmação que nos conduz a uma sólida perfeição da vida cristã, e não o “batismo no Espírito”, como dizem os hereges carismáticos. A esta altura julgamos interessante que se assista ao vídeo em que o conhecido carismático Mons. Jonas Abib prega o “batismo no Espírito”.

As palavras do infeliz sacerdote são bastante claras. Para ele, como para todos os que caíram na heresia carismática, o “batismo no Espírito” é essencial para o cristão. Destacaremos abaixo algumas das palavras do monsenhor no vídeo citado (os destaques são meus):

“Eu preciso ser batizado no Espírito Santo, você precisa ser batizado no Espírito Santo, todo cristão precisa ser batizado no Espírito Santo, para ter a força dos Apóstolos, para ter a coragem dos evangelizadores que o Senhor precisa ter. Se nós não temos a graça do batismo no Espírito acabamos sendo cristãos sim, mas sem força, sem poder, sem coragem, sem alegria.” (0’17” – 0’47”)

“E como é que o poder de Jesus é transmitido para nós para vivermos a vida cristã com pujança, para sermos cristão verdadeiramente? Como é que o Senhor vai passar seu poder para sermos evangelizadores? (..) E Ele faz isso com aquilo que Ele mesmo chamou de ser batizado no Espírito Santo” (1’26” – 1’40”; 2’16” – 2’21”)

Portanto, nas palavras de um dos maiores representantes dos carismáticos, temos a negação implícita dos frutos do sacramento da Confirmação. O padre diz que sem o “batismo no Espírito” não seríamos perfeitos cristãos. Isso é uma afronta à doutrina católica, que ensina que somos conduzidos à perfeição da vida cristã através do sacramento da Crisma. Além disso, segundo o monsenhor, seria o tal “batismo” que nos transmitiria a força dos Apóstolos e nos tornaria evangelizadores. Novamente temos uma afronta à doutrina católica que ensina ser a Crisma o sacramento que nos confere a força para sermos evangelizadores. O Catecismo Romano, ao nos ensinar sobre a Crisma, conferida aos Apóstolos no dia de Pentecostes, ensina que esse sacramento é que os tornara fortes e corajosos para evangelizar:

Mas, no dia de Pentecostes, receberam todos o Espírito Santo, em tal plenitude que logo se puseram, com arrojada coragem, a espalhar o Evangelho, não só no país dos Judeus, mas também pelo mundo inteiro, como lhes havia sido ordenado; sentiam até um gozo inexprimível, por serem julgados dignos de sofrer, pelo Nome de Cristo, afrontras, tormentos e crucificações.

Catecismo Romano, Parte III, Capítulo III, página 256

Mais explicitamente, podemos ler no livro a Fé Explicada como a Crisma nos torna evangelizadores:

Agora [depois de termos recebido a Crisma] compartilhamos com Cristo a sua missão de estender o Reino, de adicionar novas almas ao Corpo Místico de Cristo. As nossas palavras e atos já não se dirigem meramente à santificação pessoal, mas vão, além disso, fazer com que a verdade de Cristo se torne real e viva para aqueles que nos rodeiam.

TRESE, LEO J.; A Fé Explicada; Ed. Quadrante; São Paulo; 1990; Capítulo XXV – A Confirmação; pag 251

Podemos compreender claramente que, caso os efeitos do tal “batismo no Espírito” fossem mesmo aqueles indicados pelos carismáticos, o sacramento da Confirmação seria inútil. De fato, podemos perceber que os efeitos do Crisma são atribuídos pelos carismáticos ao tal “batismo no Espírito”. E mais do que isso, o “batismo no Espírito” seria, segundo os mesmos, algo imprescindível para que tivéssemos a força dos Apóstolos e nos tornássemos evangelizadors. Essas heresias acabam por negar todo o valor da Crisma.

Como se já não fosse suficiente substituir a Crisma, o tal “batismo no Espírito” conferiria dons ainda maiores do que aqueles conferidos pelo sacramento da Confirmação. Receberíamos, invariavelmente, além da graça invisível, vários dons extraordinários, como falar em línguas, profetizar, curar os doentes. O que não deixa de ser o grande “atrativo” do tal “batismo”: fazer as pessoas acreditarem que receberão grandes dons miraculosos. Com isso, se inflama o orgulho e a cupidez de dons que aparecem aos olhos do mundo, mas que ignoram os dons sobrenaturais da graça divina e a verdadeira piedade cristã.

Excomunhão

O concílio de Trento excomungou quem defendesse que havia mais ou menos do que sete sacramentos, ou que eles fossem diferentes daqueles instituídos por Cristo e que a Igreja sempre ensinou:

844. Cân. 1. Se alguém disser que os sacramentos da Nova Lei não foram todos instituídos por Jesus Cristo Nosso Senhor, ou que são mais ou menos que sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio; ou que algum destes sete não é verdadeira e propriamente sacramento — seja excomungado.

O tal “batismo no Espírito” não é apresentado pelos carimáticos como sendo um sacramento. Mas, pela definição que eles mesmos apresentam, não há como negar que lhe sejam atribuídos os mesmos efeitos do sacramento do Crisma, além de outros, como ficou demonstrado acima. Portanto, mesmo que não lhe seja expressamente atribuído o nome de sacramento, o “batismo no Espírito”, caso fosse legítimo, seria, essencialmente, um sacramento. Logo, quem o defende cai no anátema de Trento.

Conclusão

Os carismáticos costumam citar vários trechos da Sagrada Escritura que dizem respeito ao Espírito Santo, na tentativa de nos convencer da veracidade das doutrinas pentecostais. No entanto, o que eles propõem é uma maneira errada de se interpretar a doutrina sobre o Espírito Santo. Não deve haver dúvidas, entre nós cristãos, sobre a importância da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Mas nós devemos cultivar a verdadeira devoção ao Espírito Santo, e não as extravagâncias carismáticas.

O mesmo devemos dizer a respeito dos sacramentos. Devemos ter enorme consideração pelo valor dos verdadeiros sacramentos, instituídos por Cristo Nosso Senhor para serem um meio eficaz de transmissão de sua graça santificante. No entanto, não é aceitando um falso sacramento que estaremos nos beneficiando dos dons do Espírito Santo. Muito pelo contrário, cairíamos em excomunhão se defendêssemos uma teoria como a do “batismo no Espírito”, que, se fosse verdadeiro, inutilizaria o sacramento da Confirmação.

Nós, como bons católicos que desejamos ser, devemos nos esforçar para termos uma santa devoção para com o Espírito Santo da forma como a Santa Igreja Católica sempre nos ensinou. E devemos ter especial solicitude para participarmos dignamente dos sete sacramentos que Cristo legou à Sua Igreja. É através desses santos sacramentos que nós recebemos a graça santificante que Deus nos envia.