É necessário haver liberdade de discussão em um concílio ecumênico?

É necessário haver liberdade de discussão em um concílio ecumênico? Quero com isso dizer: seria legítimo um concílio que negasse a um determinado grupo de bispos legítimos tomar parte nas discussões deste concílio?

Se um determinado grupo de bispos fosse proibido de participar de um concílio, certamente ele não seria ecumênico. E se em algum concílio, para o qual tenham sido convocados todos os bispos do mundo, passasse a ocorrer o silenciamento de um grupo de bispos, que não sejam hereges, continuaria ele sendo legítimo?

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A inculturação da liturgia promovida pelo Vaticano II

Mesmo com a toda a opressão modernista, com todo o silêncio a que a parte podre do clero reduziu a Tradição, grande parte dos católicos inocentes que estão nas mãos dos conciliares repudia as inovações litúrgicas mais abusivas. Muitas vezes, como já aconteceu mesmo comigo, os católicos buscam uma missa onde não haja barulho, músicas impróprias, danças, teatros e encenações. Quantos católicos, com um mínimo de noção de nossa santa religião, aprovam as missas inculturadas, isto é, aquelas profundamente modificadas para “refletir a cultura local”? Missas adaptadas às diversas culturas e regiões dividem a Igreja, abrem brechas para profanações, tiram o sentido do sagrado, pois demonstram que a sua preocupação é o homem, e não Deus.

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A reforma litúrgica imposta pelo conciliábulo Vaticano II

Começamos, com este artigo, a análise e a crítica da constituição Sacrossanctum Concilium, que dispôs sobre a Sagrada Liturgia, no Vaticano II. Concentraremos, no presente, as atenções apenas sobre a reforma litúrgica imposta pelo conciliábulo, deixando outros aspectos para serem tratados posteriormente. Como veremos, já é assunto para um artigo longo, e para muito mal-estar provocado pela forma como a letra do conciliábulo se dirigiu à Igreja e sua liturgia.

Em 1570, Sua Santidade o Papa Pio V, de venerabilíssima memória, escreveu a bula “Quo Primum Tempore“, na qual, de maneira clara, objetiva e inquestionável, definiu a forma do rito romano como ela deveria permanecer para sempre, sem jamais ser alterada (os destaques, nestas e em outras citações, são nossos):

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A salvação universal nos textos do conciliábulo Vaticano II

Um dos dogmas da Igreja é a existência do inferno. E, desde os primórdios da revelação, é ensinado aos homens que os bons receberão o descanso eterno, enquanto que os maus sofrerão o castigo eterno. “Vinde benditos de meu Pai…”, “ide malditos para o fogo eterno…”, são palavras de Nosso Senhor. As parábolas sobre o inferno são claríssimas e não deixam margem para dúvidas a respeito desta terrível realidade. Também a lembrança dos nossos novíssimos foi prática piedosa não somente ao longo dos séculos da Igreja, mas muito antes da encarnação de Nosso Senhor. E que efeito salutar sempre teve sobre os cristãos a meditação do fim último do homem!

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Tudo, menos latim!

Uma das desculpas sem sentido utilizadas pelos modernistas para não conceder aos fiéis o seu legítimo direito à Santa Missa no rito tridentino é exatamente o desconhecimento do latim. Mas, mesmo na missa nova, o idioma estrangeiro não somente é apresentado como barreira, mas às vezes até mesmo como incentivo para os fiéis. Sabem como? Através da “missa em inglês”:

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A “Communicatio in Sacris” e o conciliábulo Vaticano II

A Communicatio in Sacris, ou “comunicação no sagrado”, é a concelebração de sacramentos  ou de outros bens sagrados, como a oração, o culto, etc, entre católicos e acatólicos (não católicos).

Há um excelente artigo a este respeito no site Latin Mass (http://www.latinmassmagazine.com/articles/articles_2006_AC_Allan.html), que se baseia, principalmente, em resoluções do Santo Ofício tomadas entre os anos de 1622 e 1939, e contém nada menos que 62 citações. Por isso, vale a pena ser lido na íntegra.

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As discussões e as votações no Concílio Vaticano (I) e no conciliábulo Vaticano II

Lendo um dos excelentes livros do Pe Leonel Franca, encontrei a seguinte descrição das discussões e das votações no Concílio Vaticano (Primeiro e único):

A proposta da infalibilidade foi discutida de dois modos; em geral, na Constituição dogmática “De Ecclesia” de que fazia parte, e em particular separadamente dos outros capítulos da mesma constituição. O primeiro debate prolongou-se por 14 congregações, e nele falaram, além do relator, 64, oradores; só foi encerrado por votação da maioria. A discussão particular sobre o capítulo 4 (da infalibilidade) durou 11 dias inteiros, durante os quais usaram da palavra 57 Padres. Só quando todos os oradores inscritos terminaram as suas considerações e nenhum outro pediu a palavra, se pôs termo ao debate. Que assembléia permite maior liberdade de discussão?

FRANCA, Pe Leonel; A Igreja, a Reforma e a Civilização; Ed Civilização Brasileira; Rio de Janeiro; 4 edição; 1934; pag 178

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O conciliábulo Vaticano II e o protestantismo – parte 1

O conciliábulo e o protestantismo

Parte 1 – A oração em comum com os hereges

Um dos erros mais evidentes ensinados pelo conciliábulo Vaticano II foi o conselho para nos unirmos aos hereges em oração. Isto está escrito com todas as letras no número 8 do documento sobre o ecumenismo, a Unitatis Redintegratio (os destaques são meus):

Em algumas circunstâncias peculiares, como por ocasião das orações prescritas «pro unitate» em reuniões ecuménicas, é lícito e até desejável que os católicos se associem aos irmãos separados na oração. Tais preces comuns são certamente um meio muito eficaz para impetrar a unidade. São uma genuína manifestação dos vínculos pelos quais ainda estão unidos os católicos com os irmãos separados: «Onde dois ou três estão congregados em meu nome, ali estou eu no meio deles» (Mt. 18,20). (Unitatis Redintegratio, n. 8)“

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Folheto de missa nega presença real de Cristo na Eucaristia

O protestantismo se levantou contra a maior parte das Verdades de Fé da Igreja. Lutero, entre outras heresias, negava o caráter de sacrifício da Santa Missa, bem como a presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade na Sagrada Eucaristia. A Santa Igreja, com energia, repeliu, no Concílio de Trento, essas heresias, reafirmando todos os dogmas ensinados por Nosso Senhor.


Hoje em dia, no entanto, esse bravo esforço em defesa da Verdadeira religião, que atravessou os séculos, é covardemente traído pelos membros corrompidos da nova igreja modernista. O erro é ensinado abertamente. As heresias protestantes são ensinadas por aqueles mesmos que se apresentam como membros da Igreja Católica e que teriam o maior dever de repeli-las e de ensinar a Verdadeira Fé.
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O conciliábulo Vaticano II foi intencionalmente ambíguo e responsável pela crise atual

A simples inteligência já seria capaz de denunciar as ambiguidades do conciliábulo Vaticano II, de tão evidentes que elas são. Bastaria comparar os textos confusos e ambíguos, para não mencionar os realmente errôneos, do Vaticano II com os textos claros e inequívocos dos verdadeiros concílios para se perceber que há “algo estranho” no conciliábulo. Mas, teria sido esta ambiguidade mero acidente? Teria sido apenas descuido ou incompetência? Não, foi bem pior do que isso. A ambiguidade dos textos conciliares foi a tática utilizada para fazer com que os bispos conservadores não suspeitassem, ou não antevissem as consequências, das heresias defendidas pelos modernistas. E muito mais do que os bispos conservadores, os leigos inocentes deveriam ser confundidos pela ambiguidade dos textos conciliares.

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O ecumenismo modernista, a Virgem Maria e os hereges

Comprei, há pouco tempo, o famoso livro “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignon de Montfort. Sem dúvida, um dos maiores livros de piedade mariana que já foram escritos. No entanto, a edição que adquiri, de 1979, posterior ao Vaticano II, trazia uns pequenos comentários ao livro, “um pouco” destoantes do que o autor ensinava.

Logo na apresentação, lemos a seguinte advertência:

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A Gaudium et Spes contraria a Unam Sanctam

Antes de entrar no assunto principal deste artigo, gostaria de lembrar um fato bastante corriqueiro nos meios católicos pós-conciliares, relacionado ao tema. É bastante comum, entre os católicos modernos, ouvir comentários sobre o anti-Cristo e o governo mundial, dos quais se fala sempre com muito medo. Eu, pelo menos, já ouvi as mais absurdas teorias sobre o assunto, sempre conexo com o outro tema do “fim do mundo”. Sinceramente, muito pouco crédito pode ser dado a essas histórias sensacionalistas. Não tanto pela referência ao tal governo centralizado, que certamente seria mal, mas pelo seu tom apocalíptico e pretensão de prever a data do fim do mundo. Mas, o que estes católicos que ficam amedrontados com tal perspectiva não sabem, é que o concílio Vaticano II, defendido por muitos deles, escreveu com todas as letras a necessidade de criação de uma autoridade pública mundial! (leiam, depois, a citação abaixo). Ou seja, os católicos modernos têm medo de um governo mundial do anti-Cristo, mas defendem o conciliábulo que pregou a necessidade de uma autoridade mundial à qual todos devem se submeter. Haja contradição entre os pós-conciliares!

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