Um ano sem missa nova!

Permitam-me compartilhar a minha alegria. Hoje faz um ano que eu não assisto mais a missa nova. Parece que faz já tanto tempo. Estou tão acostumado com a paz, a reflexão, a espiritualidade da Missa Tridentina, que já nem me lembro da barulheira, da gritaria, das danças, dos teatrinhos da missa nova. É tão bom ouvir o canto gregoriano, em vez das músicas barulhentas e sentimentalistas.

É tão bom não ter que ficar procurando uma missa decente, fugindo da baderna modernista. Nos tempos de novus ordo, eu precisava procurar um padre que rezasse a missa com o mínimo de respeito. Muitas pessoas faziam (e ainda fazem) isso, fugindo da avalanche carismática. Estes não perguntam se as pessoas gostam da barulheira. Simplesmente começam a fazê-la, e os incomodados que se retirem. Eu também já sofri bastante com isso.

Lutemos cada vez mais pela preservação de nossas riquíssimas tradições e pela plena restauração da Missa Tridentina e da Igreja. Se ficarmos de braços cruzados, a minoria barulhenta vai continuar afugentando os fiéis piedosos, porém tímidos, que desejam uma missa cheia de paz, de reverência e de respeito pelo Nosso Salvador. Nós temos a obrigação de lutar pelo retorno pleno da Missa de Sempre, pois quem prefere o barulho ao silêncio, na hora da missa, não tem a menor ideia do que é religião, do que é paz, do que é adorar ao Deus Altíssimo no Santo Sacrifício da Missa, renovação incruenta do Calvário.

Pode o homem mudar a liturgia?

Pode o homem mudar a liturgia por sua própria iniciativa? Nestes nossos dias de trevas, em que a Santa Missa é profanada pelos próprios sacerdotes e pelos leigos que se acham, todos, no direito de inventar uma nova liturgia, essa questão é mais do que pertinente. É uma verdadeira angústia, que acredito seja compartilhada por todos os fiéis que se indagam, perplexos, como chegamos a este ponto, onde o Santo Sacrifício da Missa foi transformado em espetáculo profano.

Uma resposta bem clara para essa pergunta pode ser encontrada nas Sagradas Escrituras:

Os filhos de Aarão, Nadab e Abiú, tomaram cada um o seu turíbulo, puseram neles fogo e incenso e ofereceram ao Senhor um fogo estranho, que não lhes tinha sido ordenado. Saiu, então, um fogo de diante do Senhor que os devorou, e morreram diante do Senhor. (Lv 10,1-2)

É Deus, e não os homens, Quem determina a forma como Ele deve ser adorado. A liturgia da Igreja Católica, vêm dos tempos mais antigos do Cristianismo, porque foi por Deus mesmo ensinada, e representa a própria a vontade d’Ele, a forma como Ele quer ser adorado.

A liturgia é o nosso culto prestado ao Deus Altíssimo, Àquele que, por Sua infinita majestade, merece o culto mais perfeito que Lhe possamos oferecer. E que não pode ser outro senão aquele que o próprio Deus nos ensinou.

Como pode ser o homem prepotente ao ponto de imaginar que pode “inventar” a liturgia da missa? Que grau de malícia e de impiedade não estão por trás das modificações aplicadas à Santa Missa, renovação incruenta do Santo Sacrifício do Calvário! O que os modernistas fazem vai muito além de alterações, são verdadeiramente profanações, infinitamente piores do que o fogo estranho, que não tinha sido ordenado por Deus, oferecido pelos filhos de Aarão. Não foi sem os mais graves motivos que Nossa Senhora disse aquelas palavras severas nas aparições de La Salette e de Fátima. Palavras essas que não foram proferidas somente por conta dos pecados do “mundo”, mas também – que triste escrever isso – pelos pecados cometidos por aqueles que pertencem à Igreja.

E a nossa geração, até quando vai assistir ao “show” de profanações? Quanto tempo ainda permaneceremos na nossa lassidão, na nossa tibieza, assistindo de longe a todos esses abusos?

Devemos, também, acrescentar que não somente os abusos, mas a própria essência da missa nova é má, porque esconde o verdadeiro caráter de renovação do Sacrifício oferecido por Nosso Senhor Jesus Cristo. A carta do Cardeal Ottaviani o prova com abundância de argumentos e de exemplos. E esse documento não perdeu nada de seu valor. Podemos ler e reler a carta e comparar com a missa nova que conhecemos hoje em dia, mesmo aquela – raríssima – sem os abusos e improvisos, e veremos como essa missa é exatamente aquilo que o piedoso cardeal denunciou. Além disso, a missa nova corresponde à teologia da década de 1960, enquanto que a Missa de Sempre corresponde à teologia que foi eterna na Igreja Católica.

Que a Santa Missa Tridentina, culto perfeito oferecido ao Deus Altíssimo, possa se tornar cada vez mais conhecida e celebrada!