Entrevista de Dom Fellay: “Só falta o selo”

Faz um tempo que eu parei de comentar sobre o caso da FSSPX. Sinceramente, já tenho o caso por perdido. Mas vou fazer mais um comentário que deve ser o último. Quem sabe algum inocente na FSSPX ainda escute e escape da armadilha.

Na entrevista de Dom Fellay à uma TV francesa (clique para assistir ao vídeo, em francês), depois de apontar com alegria as cooperações que já ocorrem na prática entre a FSSPX e a roma apóstata, ele admitiu que, para o reconhecimento, falta somente o selo.

A reação dos partidários de Dom Fellay mostra porque o caso está realmente perdido. Eles se alegram porque não é “acordo”, e sim “reconhecimento canônico”. Ou ficam felizes porque roma vai garantir à FSSPX o direito de criticar o conciliábulo Vaticano II. Ou se deixam levar por sofismas do tipo “Se o papa [sic] der o selo, ele está jogando fora cinquenta anos de concílio”. Ou seja, nada de novo no discurso deles.

Tanto faz o nome que se dê, o fato é que eles querem comunhão com hereges que já mostraram o peso de sua mão contra os católicos inúmeras vezes. Criticar o conciliábulo é obrigação de todo católico, não um direito. Aliás, não somente criticar como anatematizar. E se Bergoglio der o tal selo, ele pode fazer isto para enganar os incautos como fizeram com todos os outros no passado. O que impede que seja apenas um estratagema? Nada! Eles não agem de acordo com a lógica. Fazem promessas apenas para atrair os católicos tradicionais. O Instituto do Bom Pastor também foi criado com a promessa de que celebrariam exclusivamente a Missa Tridentina. Muitos anos depois, quando eles já estavam bem absorvidos na seita conciliar, roma impôs a missa nova. A mesma coisa para a Fraternidade São Pedro, trocando o superior conservador por outro liberal contra a vontade da FSSP.

Se a roma apóstata nunca tivesse enganado suas vítimas, poderia algum ingênuo acreditar na sua boa vontade. Mas não. Todos, simplesmente todos, os que se colocaram em comunhão com a roma apóstata foram traídos. IBP, FSSP, Franciscanos da Imaculada, etc. Eles não respeitam ninguém. Vejam o caso recente da Ordem de Malta. Bergoglio atropelou todo o direito a fim de depor o grão-mestre que estava correto ao tentar manter a moralidade.

É absolutamente impossível encontrar desculpas para quem se coloca a favor da comunhão com a roma modernista, independente do nome que se lhe dê, seja acordo, seja reconhecimento canônico, seja o que for. É princípio básico da Fé católica que não se deve estar em comunhão com hereges. Só podemos estar em comunhão com quem professa a Fé integralmente. Com quem não a professa, a nossa relação se baseia na tolerância religiosa, jamais na comunhão. Quem agisse de acordo com este princípio já não aceitaria estar submetido ao usurpador Bergoglio. E ainda mais quando na história recente abundam exemplos de como ele  e seus predecessores tratam os católicos.

Para não me alongar mais em um caso perdido, vamos somente comparar algo que Dom Fellay disse na entrevista com aquilo que dizia Dom Lefebvre:

Dom Fellay: Creio que não precise esperar que tudo esteja resolvido na Igreja, de que todos os problemas estejam resolvidos. No entanto, existem uma série de condições que são necessárias e para nós a condição necessária é a condição de sobrevivência. Eu tenho dado a conhecer em Roma, sem qualquer ambiguidade, que da mesma maneira que Mons. Lefebvre disse em seu tempo: existe uma condição sine qua non, ou seja, se a condição não se cumpre, nós não nos movemos: que possamos permanecer tal como somos, ou seja, conservar todos os princípios que temos mantido, que são princípios católicos.

Dom Lefebvre: Porém, se vivo um pouco ainda e supondo que daqui a determinado tempo Roma nos chame, que queira voltar a ver-nos, retomar o diálogo, nesse momento seria eu quem imporia condições. Já não aceitarei estar na situação em que nos encontramos durante os colóquios. Isso terminou. Eu apresentaria a questão no plano doutrinal: Estais de acordo com as grandes encíclicas de todos os papas que vos precederam? Estais de acordo com a Quanta Cura de Pio IX, com a Immortale Dei e a Libertas de Leão XIII, com a Pascendi de Pio X, com a Quas Primas de Pio XI, com a Humani Generis de Pio XII? Estais em plena comunhão com estes papas e com suas afirmações? Aceitais ainda o juramento antimodernista? Sois a favor do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo? Se não aceitais a doutrina de seus antecessores, é inútil falarmos. Enquanto não tiverdes aceitado reformar o Concílio considerando a doutrina destes papas que vos precederam, não há diálogo possível. É inútil. (Entrevista concedida a Fideliter Nº 66, novembro-dezembro de 1988)

A condição imposta por Dom Lefebvre para começar o diálogo era a profissão de fé católica por parte de roma e a reforma do Vaticano II de acordo com a doutrina dos verdadeiros papas. Portanto, Dom Fellay mente ao dizer que a condição sine qua non de Dom Lefebvre era apenas garantir para a FSSPX permanecer como tal como é. E isto não só para retomar o diálogo mas até mesmo para estar submetido a Bergoglio!

É realmente uma pena que Dom Lefebvre não tenha chegado às últimas consequências lógicas de suas contundentes palavras contra os que destruíam a Igreja. Mas, pelo menos na prática, ele preservava os fiéis das mãos daqueles que fazem de tudo para extirpar o catolicismo da face da Terra. Quanto a Dom Fellay, está feliz por receber um selo vindo de Bergoglio, que já deu selo postal até para Lutero…

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