Qual é mesmo o oitavo mandamento?

Estou com a memória um pouco fraca. Será que alguém poderia me ajudar a lembrar qual é memo o oitavo mandamento da lei de Deus? Se eu não estou enganado, era alguma coisa do tipo:

Não levantarás falso testemunho

Isto quer dizer que um bom católico jamais inventaria falsas acusações contra seu próximo. Estou certo? Muito menos o faria publicamente e, seria mesmo inconcebível, publicaria tais acusações como se fossem parte de um apostolado. Seria um enorme escândalo e uma atitude inaceitável. Estou errado no meu raciocínio? Se estiver, peço a caridade daqueles que discordarem para que me corrijam.

Eu tentei evitar prolongar a discussão para que se levasse pelo lado pessoal, mas a insistência de certas pessoas em defender o Falsitatis obrigam-me a defender a Tradição. Se fosse apenas um ataque contra minha pessoa eu contiunaria calado. No entanto, como o caso se configura como uma distorção de todo o combate da Tradição, eu me vejo obrigado a retormar o assunto, mesmo correndo o risco que alguém leve para o lado pessoal.

Defender os amigos é uma coisa boa e humana, mas defender os erros dos amigos, principalmente os erros graves, isto já é diabólico. Quando o Falsitatis lançou aquele texto extremamente difamatório, repleto de mentiras a nosso respeito e que distorcia completamente os nossos argumentos, eu escrevi um texto para nos defender da língua de serpente deles. Não tardou para que surgisse um advogado do diabo para defender os difamadores:

Encontrei um pequeno texto – disponível no blog “Pacientes na Tribulação” – que se chama “O esplendor da hipocrisia” e se presta a atacar o Veritatis Splendor por um artigo sobre o Magistério da Igreja que foi publicado lá no final do mês passado. Ao terminar de ler o texto – do “Pacientes na Tribulação” -, fico com a incômoda impressão de que o seu autor incorre quase no mesmo erro de que acusa o Veritatis.

http://www.deuslovult.org/2009/03/04/sobre-o-esplendor-da-hipocrisia/

Em primeiro lugar, há de se notar que a defesa que eu escrevi contra as difamações de que fomos vítimas acabaram se transformando em “ataque contra o Veritatis Splendor”. Ora, agora quem sofre uma difamação, se busca respondê-las e provar sua inocência, torna-se o malvado da história?!?! É o cúmulo da parcialidade. Qualquer um percebe que foi o Falsitatis que tomou a ataque contra nós, que nos defendemos das difamações. Inverter os papéis de ofensor e vítima é uma desonestidade intelectual assustadora.

Mas, continuando a ler o texto, percebemos que o autor não chega ao mérito da questão. Se realmente eu tivesse atacado o VS, seria possível e desejável que se desfizesse o erro, como eu procurei fazer com a artigo original do Falsitatis. Em vez disso, o autor se lançou em outro caminho, questionando os meu argumentos. Em outro artigo eu posso mostrar que suas críticas não tem fundamento. Mas, o que interessa aqui é mostar que o problema foi lançado para longe: não se demonstrou – o que aliás seria impossível – que a atitude do Falsitatis fosse moralmente correta e seus argumentos contra nós, válidos.

Há muitos anos que eu não assisto televisão. Mas lembro que havia um programa humorístico em que um deputado, em uma praça, era questionado sobre acusações de corrupção. Ele enrolava, enrolava, mudava de assunto, mas nunca respondia as perguntas. Lembrei-me deste personagem na ocasião.

O mais interessante de tudo, é que o mesmo autor do blog, quando disseram sobre ele algo que não era verdade, o protesto veemente não tardou nem um pouco:

Carlos – E é uma pena que você, Jorge, mesmo dizendo não querer entrar no mérito da questão, e sem conhecer toda a situação, já tenha tomado o partido dos que querem o fim da Missa Tridentina.

Jorge – Negativo, caríssimo, negativo. Não me atribua esta carapuça, pois a rechaço com veemência. A minha posição referente à Liturgia da Igreja (que já expus diversas vezes por aqui) é diametralmente oposta a daqueles “que querem o fim da Missa Tridentina”.

http://www.deuslovult.org/2009/05/04/missa-tridentina-em-brasilia/#comments

Percebam que houve uma semelhança com o caso do Falsitatis, pois foi atribuído ao autor do blog uma idéia que não era a sua. Porém, o leitor apenas se expressou mal, e se desculpou logo em seguida. Já o caso do Falsitatis foi extremamente grave, pois foi publicado um artigo inteiro repleto de difamações contra nós. Eles apresentavam como se fossem nossos alguns argumentos que eles sabem que nós nunca defendemos. Sinceramente, foi o caso de desonestidade intelectual mais evidente com o qual eu já me deparei. E pensar que ainda houve que os quisesse defender…

Não foi Nosso Senhor que nos ensinou: não faças ao próximo aquilo que não queres que façam contra ti (Mt 7,12)? E a lei natural, também ela não exige da nossa consciência um comportamento segundo a justiça? Ora, uma simples frase mal escrita foi motivo de protestos veementes por parte do autor do blog. Mas todo um artigo difamatório, maldosamente escrito contra nós, mereceu ser defendido ao ponto de nós – as vítimas da difamação – nos tranformarmos os agressores. Haja incoerência e parcialidade.

Por tudo isso, e por outras razões que vou expor em outros artigos, os neoconservadores mais atrapalham do que ajudam o combate pela Fé católica. Querendo resolver o problema sem atacar a causa, ainda se voltam contra aqueles que querem arrancar o mal pela raiz.

Diga-se de passagem, que o tal “selo de ortodoxia”, parace-me bem claro, é apenas uma troca de favores entre companheiros. Em um futuro artigo posso mostrar como mais deveria chamar-se “selo de adequação com o concílio Vaticano II” do que selo de ortodoxia.

__________

PS: O espaço de comentários está aberto para quem quiser defender a atitude do Pravitatis Splendor (esplendor da imoralidade). Podem tentar responder a pergunta: atribuir a uma pessoa um argumento que se sabe claramente que ela não defende, é uma atitude moralmente aceitável ou inaceitável? Estou aguardando respostas a esta pergunta simples.

O melhor selo de qualidade que um blog pode ter

Faz muito tempo que eu nem sequer acesso a página do Falsitatis. Realmente não vale a pena perder tempo com eles. Mas, fiquei sabendo, através de outro blog, este sim bastante credenciado e sério, que eles instituiram um “selo de ortodoxia” a ser distribuído a sites católicos “ortodoxos” (na visão deles, é claro). Fico imaginando de qual autoridade eles pensam terem sido investidos. Talvez eles se considerem “magnificentíssimos juízes da ortodoxia católica de toda a rede mundial de computadores, com autoridade sobre todo site, blog, orkut e demais territórios virtuais d’além internet”. Eles mesmos acabam se tornando uma piada, pois “quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humillhado”.

Pensando no caso, cheguei a uma conclusão sobre qual o melhor selo de qualidade um blog de apologética pode ter: o link para os blogs que possuem argumentos contrários. Esta é uma das maiores provas de honestidade intelectual que alguém pode dar ao discutir algum assunto. Assim sendo, eu criei uma nova página neste blog para conter um histórico das “questões disputadas”:

http://intribulationepatientes.wordpress.com/disputationes/

A idéia é manter um histórico das argumentações sobre diversas questões controversas. Aliás, há várias questões que já foram respondidas e, justamente eles, os “juízes da ortodoxia”, fingem não ter visto. Com esta página, pretendo tornar evidente a má fé daqueles que fogem da argumentação. Lançam uma mentira, às vezes até uma calúnia, e, depois, quando são respondidos, fingem que não sabem de nada.

E fica aqui o desafio: quem discordar dos meus argumentos, peço a gentiliza de que coloque no seu site ou  blog o link desta página, e me informe para que eu coloque na página o seu link também. Desta forma, quem estiver buscando a verdade, poderá ler todos os argumentos. Creio que esta seria uma grande prova de honestidade intelectual. Somente os mal intencionados querem calar a boca dos adversários. Nós, ao contrário, queremos colocar às claras todos os argumentos, nossos e dos que discordam de nós. Vamos ver se o Falsitatis aceita o desafio.

Pois bem, nesta página ficará evidente se os “juízes da ortodoxia” levam uma argumentação até o final ou não. E não pretendo me restringir a eles. Há outros “conservadores” que não se dão ao trabalho de responder as questões quando percebem que não poderão continuar mantendo suas posições pré-definidas (geralmente em relação ao concílio vaticano II). Tem resposta, por exemplo, que eu estou esperando há meses…

_____________

Observações:

1) nem sempre a resposta precisa ser rápida. Alguns assuntos mais complexos podem demorar um pouco para serem respondidos. O que eu estou protestando aqui é contra a desonestidade daqueles que reiteradamente fogem da disputa, mudam de assunto, usam de argumentos sem sentido, etc.

2) a página estará em constante atualização

3) além de meus artigos, colocarei também outros links que sejam boas respostas para as questões disputadas

Publicado em: on Agosto 18, 2009 at 10:18 pm Comentários (8)
Tags:

Neoprotestantismo ?!?!?!

Já me disseram que não devemos perder tempo com o Falsitatis Splendor. Eu concordo. Fica cansativo ter que se defender toda hora das mentiras que eles inventam contra nós. Poderíamos utilizar o tempo para algo construtivo. Mas, enquanto eles nos atacam, não temos outra opção senão nos defendermos. De qualquer forma, vou ser breve para não perder muito tempo com quem não quer uma discussão franca e leal, pois eles não entram no mérito dos nossos argumentos, mas ficam apenas nas retóricas superficiais.

A última que eles inventaram foi nos chamar de neoprotestantes! Eles encontraram uma “semelhança” entre os católicos tradicionais que não aceitam os erros do Vaticano II e os protestantes que não aceitam a Igreja Católica, e, a partir daí, concluíram que somos neoprotestantes!

O argumento é extremamente fraco e incoerente. Não há nenhuma comparação possível entre os dois casos. Os protestantes se levantaram contra a Igreja Católica em todos os sentidos: recusaram a doutrina, os dogmas, os sacramentos, a hierarquia, etc. O protestantismo é uma negação de todo o Cristianismo. Tudo o que havia de importante na nossa santa religião, foi abandonado pelos protestantes. Além disso, o protestantismo cresceu graças ao oportunismo e ganância dos príncipes, que viram na pseudo-reforma uma oportunidade de se levantar contra Roma, roubando-lhe terras e bens.

Absolutamente nada disso se verifica no Tradicionalismo. Muito pelo contrário. Quem defende a Tradição está defendendo a ortodoxia da Igreja contra as maléficas inovações propostas pelo Vaticano II. Este sim, o último concílio, pode ser acusado de protestantismo, por exemplo, pelos elogios feitos aos hereges, por ter aconselhado a oração em comum com eles, por ter inserido o conceito de colegialidade, minando a autoridade do Papa, etc. E o que dizer da missa nova, fabricada com o auxílio de seis pastores protestantes? Em vez de perder muito tempo com o Falsistatis, prometo para breve um artigo sobre o Concílio e a relação com os protestantes. Creio que será bem mais construtivo. Continuo, por hora, mas brevemente, a nossa defesa.

Ora, se o Vaticano II e a missa nova estão na direção do protestantismo, quem os apóia é que deve ser considerado neo-protestante, e não quem os combate!

Engraçado é que o Falsitatis, tão preocupado com os “neo-protestantes”, não diga uma palavra contra os abusos e heresias da Canção Nova. A CN sim é completamente protestantizada. Mas o Falsitatis se mantém em silêncio neste caso. Pelo contrário, o site deles tem até link para o site do Prof. Felipe Aquino. O que lhes faz merecer mais um título: o de esplendor da parcialidade.

Todo o artigo do Falsitatis poderia ser refutado com os argumentos sobre o dever da desobediência a um superior que esteja no erro. Leia-se por exemplo, São Tomás de Aquino:

“Havendo perigo próximo para a Fé, os prelados devem ser argüidos até mesmo publicamente pelos súditos”. (Suma Teológica, II-II, 33, 4-2)

É só ter um pouco de boa vontade para perceber que a nossa crítica ao Vaticano II e à missa nova se enquadra na defesa da Fé, posta em perigo pelo modernismo hoje em dia. A nossa desobediência visa a defesa da Fé católica contra os prelados modernistas, e não pode ser comparada de forma alguma com a revolta protestante.

Mas o falsitatis não quer enxergar esta diferença enorme. Aliás, esta verdadeira oposição entre a atitude dos católicos tradicionais e a dos protestantes. No final do artigo, o autor diz para não encararmos o texto como “uma provocação, nem como uma ‘declaração de guerra’”. Mas, no meio do texto lemos a seguinte acusação contra nós:

Para os neoprotestantes a Igreja Romana é novamente – como para os protestantes originários – a “Prostituta do Apocalipse”, a “nova Babilônia”, cheia de heresia, repleta de desprezo à verdadeira religião.

De onde este infeliz tirou a idéia de que nós consideramos a Igreja Romana como “Prostituta do Apocalipse”, a “nova Babilônia”, cheia de heresia, etc?

Eu amo a Igreja Católica e não admito que um sujeito caluniador destes me compare aos protestantes que blasfemam contra a Igreja!

Isto é um enorme insulto contra nós e contra a inteligência dos leitores. Nós amamos a Igreja Católica, e é por isso que queremos vê-La livre dos hereges modernistas que a invadiram. É contra os modernistas que nós lutamos. Não contra a Igreja. Neste blog já foi denunciado um artigo inteiro que o Falsitatis escreveu com mentiras a nosso respeito (teve “iluminado” escrevendo aí pela internet que o meu artigo é que atacava o Falsistatis…). Agora, eles tornaram a nos caluniar e a nos atribuir idéias que não são as nossas. O que será que esses vigaristas pensam? Que vão passar o resto da vida nos difamando?

É muito cinismo pedir para que não vejamos o artigo como provocação. Eles inventam conclusões que eles sabem que não são as nossas e nô-las atribuem descaradamente. E não querem que fiquemos ofendidos!

Não vou perder mais tempo com este tipo de gente caluniadora. Há muitos assuntos úteis a serem tratados. E o próximo será, provavelmente sobre os protestantismo no concílio.

Publicado em: on Abril 28, 2009 at 10:55 pm Comentários (22)
Tags:

Ipse venena bibas

Parace que o Falsitatis Splendor bebeu do próprio veneno: segundo um artigo do site deles, um dos membros teria tido seus argumentos deturpados. Que coincidência, não? Já faz mais de um mês que eles publicaram um artigo que desfigurava os argumentos tradicionalistas sobre o Vaticano II. A nossa resposta foi quase imediata, descrevendo com clareza quais são realmente os nossos argumentos e onde estavam as deturpações do Falsitatis. Até agora, no entanto, não ouvi nenhuma retratação da parte deles.

Que engraçado, não? Será que a faca somente dói quando está na nossa carne e não na dos outros? Quando eles se sentem ofendidos por seus argumentos terem sido deturpados, eles se manifestam prontamente para se defender. Mas quando eles criam argumentos falsos e atribuem aos outros, nem depois de terem sido publicamente desmascarados eles se dão ao mínimo trabalho de se retratar.

Por que será que somente eles têm o direito de não terem seus argumentos deturpados?

Poder alterar os argumentos dos outros é um “privilégio” que cabe exclusivamente a eles?

Por que eles não se retratam pelos falsos argumentos sobre o Vaticano II que eles imputaram a nós?

Publicado em: on Março 30, 2009 at 10:42 pm Deixe um comentário
Tags:

O esplendor da hipocrisia

É realmente assustadora a capacidade que o Falsitatis Splendor possui de se desviar dos argumentos tradicionalistas e de criar falsos argumentos e atribui-los a nós. Eles constroem uma caricatura da Tradição e passam a combatê-la como se fosse a própria Tradição.

A última falsificação foi a seguinte:

O MAGISTÉRIO ORDINÁRIO PODE SER LIVREMENTE DESPREZADO?

Os tradicionalistas anti-Vaticano II continuamente afirmam que ninguém é obrigado a aceitar o Concílio Ecumênico Vaticano II porque este não foi um Concílio dogmático, não falou em Magistério Extraordinário. Esta idéia leva muitos a crerem que o Magistério Ordinário (no qual o Concílio falou em grande parte) pode ser rejeitado sempre e livremente, como se nele não pudesse haver infalibilidade.

Esta concepção – derivada daquela que diz ser necessário ao católico aceitar somente o Magistério Extraordinário – é falsa, dado que também o Magistério Ordinário nos impõe obrigatoriedade de aceitação e está munido da infalibilidade em certos casos.

http://www.veritatis.com.br/article/5464/o-magisterio-ordinario-pode-ser-livremente-desprezado

O falsitatis atribui a nós, católicos tradicionais, as afirmações:

o Magistério Ordinário pode ser rejeitado sempre e livremente

é necessário ao católico aceitar somente o Magistério Extraordinário

Desde quando estes são os argumentos tradicionais contra o Vaticano II? Onde foi que algum tradicionalista escreveu isto? Estas frases, retiradas do texto do falsitatis, são mentirosas e não passam de distorções da posição tradicional.

Vamos analisar de forma mais clara a primeira afirmação:

Argumento Tradicional: O Magistério Ordinário pode ser rejeitado quando apresentar erros contra a Fé.

Deturpação do argumento: o Magistério Ordinário pode ser rejeitado sempre e livremente

As duas afirmações acima são completamente diferentes e incompatíveis entre si. Os termos “sempre e livremente” não fazem e nunca fizeram parte do argumento tradicional. Eles foram acrescentados pelo falsistatis para deturpar o nosso argumento. Qualquer pessoa honesta entende isso.

Além disso, para completar o argumento tradicional, explicando-lhe melhor, podemos acrescentar que na ausência de erros, o Magistério Ordinário deve ser seguido. Nenhum católico tradicional nega isso. O que nós, como católicos, temos obrigação de fazer é rejeitar os erros que, por qualquer motivo, se encontrem no magistério falível.

Passando agora para a segunda afirmação:

Argumento Tradicional: O Magistério Extraordinário jamais pode ser rejeitado; O Magistério Ordinário (falível) pode ser rejeitado quando contiver erros contra a Fé

Deturpação do argumento: é necessário ao católico aceitar somente o Magistério Extraordinário

Novamente, temos diante dos olhos dois argumentos completamente distintos. Somente uma enorme má fé pode conduzir alguém a confundir o argumento tradicional com a deturpação apresentada pelo Falsitatis, que não respeita as regras mais básicas da lógica.

Há, ainda, uma outra afirmação que pode até ser verdadeira, desde que bem entendida:

ninguém é obrigado a aceitar o Concílio Ecumênico Vaticano II porque este não foi um Concílio dogmático

É verdade que o concílio não foi dogmático e, portanto, não foi infalível. Mas esta não é a razão pela qual ele deve ser rejeitado. O concílio deve ser rejeitado (ao menos parcialmente) porque contém erros graves contra a Fé. Esta sim é a razão pela qual não devemos aceitar seus textos heréticos. O fato de o concílio ter sido meramente pastoral, não dogmático e falível, é apenas a explicação para o fato de haver erros em seu texto. E a existência de tais erros em nada compromete a infalibilidade da Igreja, uma vez que Ela não utilizou da Sua infalibilidade. O Falsitatis tenta confundir os inocentes acusando a nós, católicos tradicionais, de recusar o Vaticano II pura e simplesmente porque ele não foi infalível. A explicação do porquê podemos recusar o concílio torna-se, sob a pena maliciosa destes mestres de falsidade, a razão pela qual recusamos o concílio com seus erros! Haja desonestidade!

Vamos expor a verdade de forma mais detalhada:

o concílio foi pastoral, não dogmático e falível implica que podem haver erros em seu texto sem que isso comprometa a infalibilidade da Igreja

o concílio foi pastoral, não dogmático e falível implica que caso encontremos erros em seus texto, podemos rejeitá-los sem que isso afete a obediência devida a Santa Igreja

o concílio ensinou, de fato, erros contra a Fé implica que devemos rejeitar estes erros

Portanto, nós rejeitamos os textos do concílio (ao menos parcialmente) porque eles contém erros contra a Fé, e não simplesmente porque o concílio não foi infalível.

Os outros argumentos do texto do falsitatis são tão absurdos e apriorísticos que não merecem nem ser comentados. Ao menos não agora.

Fui bastante prolixo para dificultar qualquer interpretação errada e maliciosa do Falsitatis. Quanto mais explicitamente descrevermos os nossos argumentos, mais difícil ficará para eles embaralharem as idéias. Digo difícil, mas não impossível, porque eles são verdadeiros “artistas” em matéria de distorcer as posições tradicionais. Mas nós fazemos a nossa parte, defendendo-nos destes caluniadores.

Quem gosta de embaralhar os argumentos não ama a Verdade. Como pode alguém querer defender a tão sublime Verdade Católica apoiando-se em mentiras e distorções? Por que eles nunca entram no mérito da questão: os erros do Vaticano II? Eles somente nos fazem perder tempo, pois temos que explicar aos inocentes que aquilo que o falistatis diz que nós defendemos não é o que nós realmente defendemos. Eles combatem moinhos de vento que eles mesmos construíram, e se apresentam como nobres cavaleiros a serviço da Santa Madre Igreja. Eles não passam de caricaturas de cavaleiros. E de maus católicos, amigos da mentira.

A “arte” de negar o óbvio

Não existe novidades na doutrina católica. Ela foi integralmente revelada no tempo de Cristo, e quando o último apóstolo morreu, nada mais foi revelado que fizesse parte do Depósito da Fé. Qualquer ‘novidade’ que se tente introduzir na doutrina, não passa de perniciosa hereisa. O ensinamento das Sagradas Escrituras é evidentíssimo:

Mas, ainda que alguém – nós ou anjo baixado do céu – vos anunciasse um Evangelho diferente deste que vos anuncio, que ele seja anátema. (Gl 1,8)

Os defensores do Vaticano II negam que este tenha ensinado novidades contrárias à Fé Católica, mas um dos últimos artigos publicados no site do Falistatis, trouxe algumas confissões das novidades do concílio:

O que isso significou foi um desenvolvimento doutrinal novo que postulou algo que à primeira vista parece paradoxal: um direito de ser tolerado.

Mas na verdade o ensinamento do Concílio posiciona o direito à liberdade religiosa na terceira dessas categorias tradicionais, o ius exigendi. Entretanto, o faz de maneira nova e inesperada – refletindo o clima social e político do século vinte.

Portanto, o antigo e o novo ensinamento sobre “tolerância” e “direitos”, embora apontem, por assim dizer, em direções diferentes (um em direção a menos liberdade na sociedade, o outro na direção de mais), não colidem de frente: como dois carros bem dirigidos aproximando-se um do outro na rodovia, eles deslizam com segurança entre si.

LIBERDADE RELIGIOSA: “DIREITO” VERSUS “TOLERÂNCIA”
http://www.veritatis.com.br/article/5491

Quanta retórica, quantos malabarismos, para não ter que confessar o óbvio: os ensinamentos do Concílio são contrários aos ensinamentos de sempre! Até mesmo o autor percebeu a “maneira nova e inesperada”, a existência de ensinamentos “antigo e novo”, as “direções diferentes em que apontam”, o “desenvolvimento doutrinal novo”. Mas, para não ter que aceitar que o Concílio, pastoral e falível, errou, o autor acaba por jogar tudo isso para debaixo do tapete. Contra toda evidência, o autor afirmou que não houve contradição entre o novo ensinamento do Vaticano II e a doutrina católica de sempre. Vamos demonstrar agora que o autor não alcançou o seu objetivo.

O argumento central se baseia em distiguir duas proposições:

(i) Não-católicos têm o direito de propagar publicamente sua religião (desde que não violem a ordem pública).
(ii) Não-católicos têm o direito de imunidade de coerção ao propagar publicamente sua religião (desde que não violem a ordem pública).

Para o autor do texto, o concílio ensinou (ii) e não (i) e, dessa forma, não teria ensinado contra a doutrina de sempre. De fato, a proposição (i) já foi condenada pela Igreja, mas a proposição (ii), com as letras em que foi escrita, não foi condenada. Assim, o autor tenta nos convencer de que o concílio, tendo ensinado (ii), não teria, desta forma, caido em contradição com a doutrina de sempre da Igreja.

O que o autor do artigo não percebeu é que as duas proposições apresentadas possuem, na prática, o mesmo efeito. Se o Estado não pode coagir, a lei que determina uma proibição passa a ser letra morta, uma vez que os infratores poderão infrigi-la na certeza de impunidade. Se não existe direito do Estado de reprimir um erro, o efeito prático é que as pessoas que promovem este erro acabam por difundi-lo livremente, ainda que, na teoria, não tivessem este direito.

Para o autor do artigo, basta que os hereges não perturbem a ordem pública para terem o direito de não serem reprimidos. De acordo com esta tese, as seitas têm, na prática, o direito de afastar os católicos da Verdadeira Fé, desde que para isso não provoquem arruaças… Se eles forem bem educados para não tumultuar a ordem pública, eles podem levar para o inferno quantas almas quiserem, que o poder público nada pode fazer contra eles. O texto acaba por colocar a ordem pública como um bem superior à salvação das almas, uma vez que a salvaguarda desta não pode exigir a intervenção estatal, ao passo que a daquela pode. Mais uma diabólica inversão de valores, na tentativa de justificar os ensinamentos anti-católicos do concílio Vaticano II.

Para exemplificar melhor, analisemos o direito penal. O direito de punir – jus puniendi – do Estado, nasce com a sentença condenatória, na qual se provou o dolo ou a culpa do réu (*), e é este direito o que garante ao Estado a possibilidade de coibir os crimes aplicando penas aos criminosos. Se o Estado não possuísse esse direito de punir, o resultado prático é que os marginais teriam o “direito” de cometer crimes a vontade, sem serem punidos. De nada adiantaria possuirmos todo um conjunto de normas jurídicas que tipificassem os diversos crimes (direito penal objetivo), se o Estado não possuísse o direito de reprimi-los (direito penal subjetivo).

Tirando o vocabulário jurídico, os conceitos são tão simples que qualquer um pode entender. E pensar que o site do Falistatis tem, entre seus escritores, um “doutor, ‘jurista’ e pensador católico”!

A minha argumentação já está longa, ainda mais para explicar algo tão óbvio. Mas é demonstrando minuciosamente e com clareza as loucuras do Falsitatis é que nós vamos provar o quanto são absurdas e infundadas suas mentiras contra nós, católicos tradicionais, e contra a verdadeira doutrina católica.

Já que estamos tratando deste assunto, seria interessante assistir ao vídeo, indicado em outro blog:

Uma conspiração dos acatólicos
http://br.youtube.com/watch?v=0mvgCPikPxs

Devemos nos perguntar como se chegou a esta completa apostasia. Certamente não foi de uma hora para outra. Foi um processo lento, e o Concílio Vaticano II, com suas ambigüidades, teve importante papel neste processo. É impossível negar que a liberdade religiosa defendida pelo Vaticano II não tenha influência nenhuma nesses atos de apostasia declarados. Se o último concílio tivesse ensinado de maneira inequívoca a doutrina católica de que fora da Igreja não há salvação, será hoje estaríamos assistindo a um vídeo terrível como esse? Será que as seitas estariam roubando os filhos da Igreja? É uma boa oportunidade para aqueles que ainda defendem o concílio poderem refletir.

__________________________

(*) admitindo-se a presença dos outros fatores necessários para a condenação, como a inexistência de excludente de ilicitude, punibilidade, etc, que não são importantes para a presente argumentação

Até quando os defensores do Vaticano II vão conseguir esconder a história real do concílio?

O site do Falsitatis Splendor continua tentando defender o concílio Vaticano II. Mas, para “honrar” o apelido que receberam, eles utilizam sistematicamente a omissão das informações mais importantes, como neste artigo que eles escreveram na tentativa de dizer que o concílio não rompeu com a tradição.

A certa altura, podemos ler (os grifos são meus):

O Concílio Vaticano II foi pautado na vontade de modificar o método até então utilizado. Claro que isso não poderia ser interpretado como uma aversão às condenações prévias. Afinal a Igreja, enquanto Esposa de Cristo, tem o múnus de guiar, e pensar na possibilidade de que os ensinamentos provenientes dela são propensos ao erro e modificações, é crer que a sua infalibilidade, a regência pelo Espírito Santo, e a presença na terra do Vigário de Cristo, não existem. Quando o Santo Padre condena o marxismo, por exemplo, tem na base de suas afirmações o conteúdo apostólico, patrístico, na Sagrada Escritura, na herança de Nosso Senhor, portanto tem em sua sustentação todo um aparato originado do depósito da fé. O Concílio se distinguiu pelo fato de não anatemizar, preferiu ensinar dizendo o que é correto, e não recondenando o erro, método completamente sadio e ortodoxo.

O texto dá a entender que a mudança operada pelo Vaticano foi apenas com relação ao método utilizado para defender a Fé: antigamente, condenava-se o erro, enquanto que o concílio preferiu afirmar o que é certo. Mas, na realidade, as mudanças vão muito além do método (sendo que este mesmo já é errado). Esse “método novo” apenas reflete a mentalidade relativista do concílio. E, por sua vez, essa mentalidade relativista tem suas raízes na heresia modernista, condenada por São Pio X.

Outro erro imperdoável cometido no Vaticano II, em conseqüência do modernismo, foi o de ter adotado a filosofia moderna e sua linguagem. Sim, o Concílio abandonou a Escolástica e São Tomás de Aquino, tão exaltados pelos papas, para abraçar a filosofia moderna. Esta é imanentista, contrária ao Cristianismo, enquanto que aquela é transcendente, perfeitamente compatível com a religião revelada. O prof. Orlando Fedeli está escrevendo um caderno de estudo exatamente sobre o tema da Fenomenologia utilizada pelo Vaticano II, que representou um verdadeira traição à Filosofia católica legítima. Todos esses conceitos filosóficos, de máxima importância para entender o pensamento dominante no concílio, não foram mencionados no artigo do Falsitatis. Eu sei que a Filosofia, infelizmente, não é tão conhecida da maioria das pessoas, mas com um pouco de boa vontade é possível entender o quanto o pensamento moderno, que impulsionou o concílio, é incompatível com a Fé. E com a própria Razão, diga-se de passagem.

Mas, se essa omissão do Falsitatis é grave, muitíssimo mais grave é a outra. Logo na seqüência do texto supracitado, podemos ler:

As grandes confusões originadas da interpretação do Concílio se devem ao fato que muitos religiosos, já infectados pelo gérmen do modernismo, aproveitaram essa ótica do Vaticano II para impor no pós-concílio suas visões heréticas.

A tese do Falsitatis, desenvolvida no restante do artigo, é a de que os “religiosos infectados pelo gérmen do modernismo” teriam se aproveitado da atitude do Vaticano II de não condenar os erros para dizer tais erros não existiam mais, como se tivessem sido revogados pelo concílio.

Se fosse verdadeira essa tese, o concílio seria inocente de todas as acusações que lhe são imputadas. A culpa restaria sobre aqueles hereges modernistas que dele fizeram má interpretação.

Mas, o que o Falsitatis omitiu deliberadamente foi a história antes e durante o concílio. Eles passaram bem por cima da história anterior, citando as condenações de São Pio X contra os modernistas. Mas eles não analisaram o que aconteceu depois da morte desse Santo Papa. Aqueles “religiosos infectados pelo gérmen do modernismo” ganharam espaço na Igreja a partir de então, e se tornaram fortes, e conduziram o Concílio Vaticano II. Portanto, os hereges modernistas não aparecem nesta história somente depois do concílio, para desvirtuá-lo, como disse o Falsitatis. mas atuaram também antes do concílio e durante o mesmo.

Uma excelente noção sobre o desenvolvimento da heresia modernista após a morte de São Pio X e a influência dos modernistas no Vaticano II pode ser obtida através do artigo intitulado “Resposta ao parecer do instituto Paulo Vi de Brescia”, do Prof. Orlando Fedeli. O artigo é longo, mais é interessante que seja lido na íntegra. Nele podemos encontrar, entre outras coisas, todos os nomes de modernistas que atuaram antes, durante e depois do concílio. Nomes, como Karl Rahner, Henri de Lubac, Urs von Balthasar, e tantos outros, que não poderiam faltar em qualquer análise histórica séria a respeito do Vaticano II. Nomes que não aparecem no artigo do Falsitatis. Nomes que os defensores do Vaticano II gostariam de esconder, porque eles eram modernistas e conduziram o concílio. Não vieram depois, para distorcer as palavras ortodoxas de um concílio inocente. Vieram antes, e participaram ativamente do concílio, e foram responsáveis por sua heterodoxia.

Contando a história pela metade, o Falsitatis Splendor acaba escondendo a verdade das pessoas querendo fazê-las acreditar que o concílio foi traído posteriormente. A história, apresentada sem essas omissões covardes de quem não suporta a realidade, demonstra que o concílio foi conduzido pelos modernistas.

Até quando os defensores do Vaticano II vão conseguir esconder a história real do concílio? Que seja por pouco tempo!

Cardeal Kasper: ecumenismo sim, conversões não

Na tentativa desesperada de salvar o concílio vaticano II e seu ecumenismo suicida, o Falsitatis fez apelo a uma intervenção do cardeal Kasper, por ocasião do quadragésimo aniversário da Unitatis Redintegratio, em que ele defende o ecumenismo do Vaticano II.

Talvez o Falsitatis tenha se esquecido do que falou esse cardeal a respeito da conversão dos anglicanos, na ocasião em que 400.000 anglicanos solicitaram a comunhão plena com o Papa. Mas a atitude do cardeal foi a de desprezar o pedido:

Na entrevista Kasper declarou: não é nossa política (sic) trazer tantos anglicanos para Roma e eu não estou certo que existam tantos assim.

O cardeal então trata a salvação das almas como uma questão “política”. E pior que isso, não faz parte da sua “política” converter as pessoas ao catolicismo.

Kasper apela não para uma conversão, mas para um diálogo com os anglicanos. Para Kasper não tem qualquer sentido ecumênico a conversão ao Catolicismo.

Nas palavras do ecumênico cardeal, ele teme que a aceitação dos convertidos no seio da Igreja Católica pudesse “dificultar o diálogo” com os demais anglicanos.

Em vez de se alegrar, como caberia a todo católico, com esse grande passo para o retorno da igreja da Grã-Bretanha à comunhão com Roma, o cardeal se lamenta. Séculos de uma triste separação com nossos irmãos britânicos poderiam chegar ao fim se conversões como essa começassem a se concretizar. Mas o cardeal Kasper prefere não atender ao pedido deles por questões “políticas”…

Que “belos” frutos o ecumenismo do vaticano II produziu! E, se pela árvore nós conhecemos os frutos, então somente pode ser podre a árvore que produz esses frutos de desprezo pela salvação das almas e pela verdadeira unidade dos cristãos, dentro de uma única Igreja, como quis Nosso Senhor.

Se o Falsitatis publicou um documento do cardeal Kasper sobre o ecumenismo, podemos concluir que, no mínimo, eles concordam com as posições “ecumênicas” do cardeal. Então seria bom se eles esclarecessem o que pensam sobre o desprezo do cardeal no caso dos anglicanos que desejam se converter. Será esse o caminho ecumênico que a turma do Falsitatis Splendor pretende seguir? Se não for, fica difícil entender por que eles citaram o cardeal Kasper como autoridade no assunto. Mas, se for esse mesmo o caminho que eles desejam seguir, então fica mais do que evidente o desprezo que eles, como “dignos” filhos do vaticano II, têm pela salvação das almas.

Quanto mais o Falsitatis se esforça por defender o vaticano II, mais eles acabam por afundá-lo na lama.

Teria o Cardeal Ottaviani aceitado a missa nova?

Alguns desesperados defensores da missa nova têm utilizado o argumento de que o cardeal Ottaviani teria se retratado de sua carta escrita ao papa Paulo VI que apontava os erros da missa nova. Foi isso o que escreveu o Alessandro Lima, na data de hoje, no site do Falsistatis. O mesmo argumento já havia sido apresentado pelo bispo Dom Rifan, aquele que traiu a obra de Dom Castro Mayer.

Segundo essa hipótese, o cardeal Ottaviani teria escrito uma carta a Dom Lafond, da ordem dos cavaleiros de Notre-Dame, dizendo que estava satisfeito com as correções feitas pelo papa Paulo VI na nova versão do novo Ordo Missae. Assim, depois da carta do cardeal, o papa teria eliminado os defeitos do novo ordo, e a sua nova versão seria plenamente aceitável.

Em primeiro lugar, devemos observar que foi a imprensa que publicou essa carta para dom Lafond. Alguns dias depois, um porta-voz do cardeal Ottaviani declarou à agência de notícias France-Presse que a carta era autêntica.

Aliado a isso, Jean Maridan, editor do jornal francês Itinéraires, levantou a possibilidade de que tal carta havia sido entregue para o cardeal por seu secretário, monsenhor Agustoni. O cardeal, com a vista já bastante debilitada, teria assinado inocentemente a carta. Pouco tempo depois, dom Agustoni deixou de ser secretário do cardeal para ocupar um outro cargo. Segundo a mesma fonte que eu estou citando, a Wikipédia, a transferência do secretário teria sido feita por mera “rotina”. Podemos até admitir que sim, mas a história é, no mínimo, muito estranha. Um outro site, lembra que o grupo de inimigos de Maridan era muito forte na época, e que poderia ter levado um bom número de testemunhas para dizer que o secretário não havia iludido o cardeal, e este mesmo poderia ter confirmado que sabia do conteúdo da carta e que o aprovara. Se isso tivesse acontecido, e era bem fácil para os defensores do novo Ordo fazê-lo, os argumentos de Maridan teriam sido totalmente desacreditados. Mas isso não aconteceu! Pelo contrário, como já foi dito, mons. Agostini deixou de ser secretário do cardeal Ottaviani pouco tempo depois da carta e foi feito, posteriormente, cardeal. No mínimo, é muito estranho esse fato.

Vejam bem a situação: uma alegada carta, assinada por um cardeal quase cego, levada ao mesmo por um secretário que logo depois o abandonou, publicada pela imprensa, confirmada apenas por um porta-voz, e não pelo cardeal em pessoa. Seria essa a grande retratação do cardeal Ottaviani? É com esses argumentos que nos querem convencer de que a missa nova não é intrinsecamente má? Não dá para acreditar.

Podemos ir mais longe e nos perguntar: será que a nova versão do novo Ordo Missae está livre das críticas apresentadas pelo cardeal Ottaviani? Ou seja, haveria razões para acreditarmos que o cardeal ficou satisfeito com a versão final?

A reposta é, decididamente, NÃO! As críticas do cardeal continuam válidas para a versão final da missa nova que foi aprovada e que se celebra hoje em dia. Citemos apenas alguns exemplos (citações foram tiradas do mesmo blog apontado pelo Alessando Lima):

  • O prefácio da Santíssima Trindade não foi re-incluído na versão final da missa nova;
  • A nova versão continua citando o trabalho do homem no ofertório, como se houvesse uma troca de dons entre o homem e Deus; o cardeal Ottaviani havia deixado bem clara a doutrina católica de que é apenas o Cristo que se oferece como sacrifício na Santa Missa;
  • As genuflexões que foram eliminadas; Disse o cardeal: Não mais do que três permanecem para o padre, e (com certas exceções) uma para os fiéis no momento da Consagração
  • As três toalhas no altar, reduzidas para uma;
  • A ação de Graças para a Eucaristia feita ajoelhada, agora substituída pela grotesca prática do padre e do povo sentando-se para fazer a ação de graças – um acompanhamento bastante lógico para o ato de receber a comunhão em pé.
  • Nas palavras do cardeal: Além disso, a aclamação memorial do povo que segue-se imediatamente à Consagração — “Vossa santa morte nós proclamamos, Ó Senhor… até a Vossa vinda”introduz a mesma ambigüidade sobre a Presença Real sob a forma de um alusão ao Julgamento Final. Quase sem pausa, o povo proclama sua expectativa por Cristo no fim dos tempos no exato momento em que Ele está *substancialmente presente* no altar – como se a vinda real de Cristo fosse ocorrer somente no final dos tempos, ao invés de lá mesmo no próprio altar

Eu citei apenas alguns exemplos, mas haveria outros a citar, numa análise mais profunda. Os que foram apresentados já demonstram como a missa nova aprovada depois da carta do cardeal permanece com os erros denunciados da versão anterior à carta.

Todos esses problemas da missa nova, e muitos outros, denunciados pelo cardeal Ottaviani, continuam a existir na missa aprovada por Paulo VI. No ano passado eu ainda assistia à missa nova e me lembro muito bem deles. Quando eu li pela primeira vez a carta do Cardeal Ottaviani, cada uma das suas críticas caía como uma luva sobre a missa que eu conhecia. Portanto, não havia motivo nenhum para que o cardeal aprovasse a missa nova, mesmo depois das mudanças. As suas críticas permanecem com pleno força em relação à missa nova que está, infelizmente, em vigor. E isso reforça ainda mais a tese de que a carta do Cardeal Ottaviani a dom Lafond seja apenas uma falsificação.

Em outra ocasião apresentarei outros argumentos contra a missa nova, e outros tantos artigos excelentes já publicados por outros sites demonstrando os erros da missa nova e as manobras políticas que foram feitas para que se alcançasse sua aprovação. Por hora, já me basta ter refutado, acredito eu, com argumentos mais do que suficientes o “artiguinho” do Alessandro Lima. Aliás, ele colocou a palavra honestidade entre aspas, ao se referir aos católicos tradicionais. Ora, seu Alessandro, você pode me dizer quem é desonesto? E o seu artigo difamando o bispo Dom Tissier? Não demorou nada para a sua falsificação ser desmascarada. E você ainda ver falar de honestidade?

Sabem de uma coisa? Eu gosto quando os defensores do concílio Vaticano II e da missa nova publicam artigos como esse do Alessandro Lima, porque eles acabam fazendo propaganda contra a própria causa que querem defender.

Atitude do Falsitatis é idêntica à dos protestantes

Não há católico que não fique indignado com a atitude dos protestantes de nos chamar de idólatras por fazermos imagens. Por mais que nós lhes esclareçamos que não se trata de adoração, devida somente a Deus, e nós lhes expliquemos a diferença entre latria, hiperdúlia e dúlia, eles continuam a chamar de idolatria o culto aos santos. Ainda que nós usemos a mesma Bíblia que eles usam para nos atacar, ainda que citemos os textos bíblicos onde o próprio Deus ordenou que se construíssem imagens, eles continuam a citar ad nauseam os mesmos textos surrados onde se condena a adoração aos falsos deuses, que não é o nosso caso.

Atitude idêntica é aquela tomada pelos “católicos” liberais, dos quais uma caricatura típica é o Falsitatis Splendor. Em seu ódio contra a Tradição Católica, defensora da Verdadeira Fé contra os erros da modernidade, o “apostolado” do Falsitatis têm repetidas vezes acusado os tradicionalistas de sermos sede-vacantistas. Por mais que nós digamos que não o somos, eles continuam a nos acusar, como se pudessem dizer, melhor do que nós, aquilo em que acreditamos ou não. Associar a rejeição dos erros do Concílio Vaticano II e da missa nova com o sede-vacantismo é um golpe baixo, sujo, que busca apenas a calúnia e a difamação. Com isso, eles tentam destruir nossa imagem e manter os católicos inocentes, que estão sendo enganados pela heresia do modernismo (como eu já fui por um bom tempo, mas isso é assunto para outro artigo), afastados da verdadeira Fé que não foi maculada por este mesmo modernismo.

Toda a propaganda modernista se baseia em calúnias, em mentiras, tentando apresentar como “hereges” e “cismáticos” aqueles que querem apenas manter a mesma Fé que a Igreja professou por dois milênios. O próprio cardeal Dom Castrillon Hoyos, presidente da comissão Ecclesia Dei, já condenou, afirmando, com todas as letras, que não se deve falar de cisma no caso da FSSPX. Apesar das palavras claras do cardeal, essa calúnia também é usada pelo Falsistatis Splendor apresentando um testemunho de alguém que teria saído deste “cisma”. Mas o que nós poderíamos esperar? O Falsistatis Splendor não mereceria esse nome se não usasse a falsidade como se fosse uma “ferramenta de trabalho”. Cabe a nós desmentir as acusações e as calúnias que eles movem contra nós. No fundo, isso acaba sendo bastante útil para demonstrar publicamente as baixarias de que são capazes aqueles que defendem o Vaticano II e a missa nova. Eles acham que as pessoas são idiotas a ponto de acreditar que eles conhecem, melhor do que nós mesmos, a Fé que nós professamos. Se dizemos abertamente que não somos sede-vacantistas, por que levantar calúnias afirmando o contrário? Será o desespero causado pela falta de argumentos?